Espero que todos os professores sejam um exemplo de educação e expliquem, em qualquer grau de ensino, o que são direitos sociais, civis e políticos, e porque está a ser convocada uma greve geral. Isso chama-se cidadania, a conquista de ser cidadão pleno. Claro, podem não fazê-lo em nome da “isenção”, abdicar da sua liberdade de cátedra – prevista em todos os graus de ensino – e continuar a ensinar o programa do Governo para a cidadania que inclui “literacia financeira” (como ser culpado por não conseguir viver com o salário mínimo) ou “empreendedorismo” (porque é que cada um é culpado pelo próprio desemprego). Assim, em vez de um programa que explica e responde às questões sociais de milhões de portugueses, à realidade objectiva, darão o programa escolar do Governo, “isento”, da IL, AD, Chega e claro PS. A escola é um lugar de conhecimento objectivo, mas não de neutralidade ética.
Quando se alega a isenção – que a extrema direita adora – acaba-se a dar o programa que a extrema direita adora. Tenho um familiar a estudar na Universidade de Barcelona, recebeu emails de vários professores a explicar um dia que não ia haver aulas porque eles tinham aderido à greve pela Palestina. Este é o momento de explicar que a greve foi colocada sob a alçada do código penal em 1849 mas que, sempre ilegal, até ao século XX, nunca deixaram de existir greves e cada vez mais. Talvez porque não tenha deixado de existir exploração. E ambos – repressão legislativa de Estado e exploração – são conceitos científicos. Ao contrário de literacia financeira e empreendedorismo, que são comunicação para justificar a desigualdade social, e a luta de uma classe, a da burguesia. Este lutam com a sua classe, explicando que não há já luta de classes, proibindo imigrantes de fazerem greve (são ilegais) e ilegalizam de facto a greve (no pacote laboral), e não chamam a isto a sua luta de classe burguesa, chamam “modernização”. Aí está outra aula de cidadania – na verdade disciplina que não devia existir, deve ser dado em história e filosofia – o que é a modernidade, com o seu séquito de crises, guerras e revoluções.




7 comentários
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Tudo o que foi dito é verdade.
Mas não é menos importante ensinar que de cada vez que fazemos férias devemos pensar menos nos nossos desejos e mais na sustentabilidade do planeta.
Será que temos mesmo de fazer tantas viagens, escapadinhas e coisas do género? Não seremos até mais felizes se fizermos convívios em casa com amigos e familiares?
E carro, precisamos de dois ou três carros por família? Será mesmo preciso trocar de carro, telemóvel, etc, com tanta frequência?
Não estou a faltar de economia, estou a falar de proteger o planeta em que viemos e valorizar muito mais pequenas coisas e muito menos o consumo.
Devemos TODOS priviligiar o Ser em vez do Ter.
Peço desculpa a todas as pessoas que vivem verdadeiramente em carência económica, mas o que tenho presenciado nos últimos anos é que parece que há dinheiro demais nas famílias. Vou dar exemplos do que estou a dizer, é possível almoçar na escola por 1,46€, no entanto muitos alunos de escalão que até almoçam de graça ou por 0,76€, dependendo do escalão, vou almoçar fora da escola diariamente, gastando entre 3 a 5€, comem pior nutricionalmente o que vai no futuro trazer problemas de saúde, que depois terá de gasto ainda mais dinheiro.
Unhas de gel, plástico, sei lá… São miúdas muito novas, por vezes ainda no segundo ciclo que colocam esse tipo de unhas, pintam os cabelos, é um sem número de barbaridades que ocorrem. Neste momento penso que até mais importante do que aumentar o salário mínimo é educar as pessoas. Por vezes não há dinheiro a menos, há uma grande falta de organização, conhecimento e objetivos de vida.
Não se resolvem estes problemas de que falo atirando com dinheiro para cima das pessoas temos de as ensinar.
Quem não quiser aprender tem de se sujeitar às consequências, porque se não houver consequências não há motivação para aprender.
Convenhamos que em muitas cantinas a qualidade da confecção é deplorável…
Talvez iliterato e sem dúvida roubado no fundamental: Liberdade e Democracia. Sempre assediados e manipulados pelo regime vertical/punitivo com enormes aberrações no que concerne ao desvario autocrático da Tirania_Diretoria instaurada. Depois desejam Ensinar Cidadania a quem?
Educar para Ser, Não para Ter
Muito se discute atualmente sobre Liberdade, Democracia e Cidadania. No entanto, estas palavras, que deveriam representar pilares sólidos da vida coletiva, tornaram-se frequentemente conceitos vazios, usados sem reflexão e desprovidos da prática que os deveria sustentar. A contradição entre discurso e realidade é especialmente evidente em instituições que, em vez de promoverem valores éticos, cívicos e sustentáveis, acabam por reproduzir modelos incoerentes, consumistas e pouco educativos.
A educação para a cidadania não se limita a transmitir regras ou conteúdos formais; inclui também ensinar a pensar sobre o impacto das nossas escolhas no planeta e na sociedade. É legítimo questionar se precisamos realmente de tantas viagens, escapadinhas e consumos supérfluos que se tornaram moda nos últimos anos. A sustentabilidade não é um conceito abstrato — depende das decisões diárias de cada família. Talvez a felicidade não esteja em multiplicar deslocações, mas sim em valorizar convívios simples, momentos em casa, relações que não dependem de consumo.
Da mesma forma, é justo perguntar se precisamos de dois ou três carros por agregado familiar ou de trocar constantemente de telemóvel, computador ou gadgets. Estas práticas contribuem para o desperdício, aumentam a pegada ecológica e desviam-nos daquilo que é verdadeiramente essencial. Não se trata de moralizar comportamentos, mas de promover um olhar mais consciente sobre o planeta que habitamos e sobre o futuro que desejamos deixar.
Importa reforçar que estas reflexões não pretendem ignorar a realidade das pessoas que vivem em verdadeira carência económica. Mas nos últimos anos tenho observado um fenómeno preocupante: em muitos casos não há falta de dinheiro, há falta de organização, de conhecimento e de objetivos de vida claros. Um exemplo simples é o das refeições escolares. Muitos alunos podem almoçar na escola por 1,46 €, ou até gratuitamente, dependendo do escalão. No entanto, optam por ir comer fora todos os dias, gastando entre 3 e 5 € numa refeição nutricionalmente inferior. Para além do desperdício económico, esta escolha compromete a saúde e gera custos futuros que poderiam ser evitados.
Outro exemplo é o crescimento de práticas de consumo precoce: unhas de gel em crianças do segundo ciclo, tinturas de cabelo, produtos cosméticos e toda uma série de gastos desnecessários que não correspondem às necessidades reais da idade. Estes comportamentos revelam ausência de orientação e contribuem para uma cultura em que o “ter” se sobrepõe de forma preocupante ao “ser”.
É por isso que considero que aumentar salários, por si só, não resolverá este problema. A verdadeira mudança reside na educação: educar para a responsabilidade, para o planeamento, para o autocontrolo, para a sustentabilidade e para a consciência cívica. E, naturalmente, quando alguém se recusa a aprender, terá de enfrentar as consequências das suas escolhas. Sem consequências não há motivação para mudar.
O que mais surpreende, porém, é assistir à incoerência das próprias instituições que deveriam promover estes valores. Em muitos contextos educativos vigora um modelo vertical, punitivo e pouco democrático, que não dá o exemplo de cidadania que afirma querer ensinar. É neste ponto que a seguinte frase ganha especial pertinência:
“Talvez iliterato e sem dúvida roubado no fundamental: Liberdade e Democracia. Sempre assediados e manipulados pelo regime vertical/punitivo com enormes aberrações no que concerne ao desvario autocrático da Tirania_Diretoria instaurada. Depois desejam ensinar Cidadania… a quem?”
A pergunta final é decisiva.
Como pode um sistema que não vive a cidadania pretender ensiná-la?
Se queremos uma sociedade mais consciente, sustentável e equilibrada, precisamos de instituições coerentes e de educação sólida. Sobretudo, precisamos de recuperar a primazia do ser sobre o ter. Só assim poderemos construir um futuro em que liberdade, democracia e cidadania deixem de ser palavras decorativas e passem a ser práticas reais e vividas.
Mas esta personagem acha que é quem?
Que vá lá para a universidade fazer comícios.
Sim, vou dizer aos meus alunos de 11/12 anos que devemos estar contra o pacote laborar e fazer greve porque é um governo de direita e, quando isso acontece, temos todos que obedecer às comentadeiras de extrema-esquerda das flotilhas.
Tenha juízo que já tem idade para isso.
Quero lá saber do sonso do ministro, do Núncio beato, dos emprenhadores LiberaLOLs, dos encarregados de educação burgessos, dos azeiteiros do Chunga e dos cabrões dos directores e dos papéis. Vou continuar a dar o que sempre dei e cagar de alto para a “literacia financeira”.