No final do segundo período eram 30 mil alunos sem professor a pelo menos uma disciplina. E no próximo ano já serão cerca de 110 mil na mesma situação, conforme um estudo realizado pela antiga diretora da Direção Geral de Estatísticas da Educação. A lista de disciplinas com falta de professores é cada vez maior: Português, Matemática, Biologia e Geologia, Física e Química, História, Geografia, Inglês, Filosofia, Informática. Só este ano, até ao mês de maio, serão 861 professores reformados e não há quem os substitua. O problema está à vista e os estudos são demolidores na dimensão da catástrofe anunciada. Ainda assim, pergunto, será que sabemos o que se passa nas escolas? Quantos alunos vão começar o terceiro período sem aulas por falta de professores?
O estudo do Pordata aponta como saída: baixar as qualificações dos professores, reduzir horas de apoio ao estudo e aumentar o número de alunos por turma. Como é que chegámos aqui? Porque o Governo tratou o problema de forma leviana.
Como é que se resolve no imediato? Permitam-me dar o exemplo de uma professora com quem falei ontem. Chama-se Cristina, mora em Almodôvar e todos os dias vai dar aulas a Mértola. São quase 100 quilómetros por dia e, nos dias que correm, pelo menos mais 40 euros por mês em combustível.
No debate do programa de Governo, o Sr. Primeiro Ministro, que sempre rejeitou que a chave para a falta de professores estava nos baixos salários e no custo das despesas, garantiu que a inflação que irá consumir esses mesmos salários é apenas transitória. Na altura, perguntei-lhe: quantos alunos é aceitável que fiquem transitoriamente sem aulas porque os professores não têm dinheiro para pagar as despesas de transporte ou habitação? E quanto tempo dura esta transição?
O mesmo que dizemos sobre as máscaras, aplica-se à existência de alunos sem aulas.
As escolas têm de regressar à normalidade. Normalidade não é ausência de adversidades, é boa política educativa, é preparação, é investimento, é professores a todas as disciplinas. Professores cuja cara os alunos conhecem. Normalidade será acolher nas nossas escolas todas as crianças ucranianas que fogem da guerra. E, mais um vez, o problema nunca será a sua chegada mas a capacidade do governo de dotar a escola de professores de português e recursos humanos para os acompanhar.
Não se trata de salvar o ano nem de pôr em marcha grandes epopeias. No que toca às escolas, pede-se apenas normalidade.
Declaração política do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, a 13 de abril de 2022




9 comentários
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Onde é que o BE andou nos últimos 6 anos?
Como dizia o camarada Arnaldo de Matos: isto é tudo um putedo.
Só lamento que o BE não tenha tido esta ‘normalidade’ quando serviu de muleta ao Governo PS nos 2 últimos mandatos.
Os professores não esquecem e, por isso, também não perdoaram nas urnas.
Mais um partido do táxi a caminho da trotinete.
Hipocrisia do BE no seu melhor e de 40% dos docentes que votou no mesmo, esperando que a mesma receita desse um bolo diferente.
Afirmas portanto que 40% dos professores portugueses de alguma maneira se revêem nas teorias marxistas de Leon Trotsky, sobre a tomada e o exercício do poder?
Afirmo que cerca de 40% votou no partido do Largo do Rato, a julgar pelos resultados os votos entre a classe docente não terão sido muito diferentes…
Nas teorias em que eles se revêem ou se sabem quem foi Karl Marx ou Trotsky isso já não sei… e se leram as suas obras ainda menos…
Tens uma base científica para as tuas conclusões e ,já agora, quantos inquiridos, o nº da tua amostra e a margem de erro?
Patetas que desconhecem que o são há muitos.
Do alto da sua sapiência, acha que a distribuição de votos dos docentes é muito diferente das restantes profissões?
As amostras e margens de erro das sondagens davam empate técnico a poucos dias das eleições e os resultados foram o que se viu. Faça o estudo que bem lhe apetecer que nunca obterá o resultado certo. Experimente fazer uma sondagem no seu Agrupamento e, surpreendentemente, vai perceber que ninguém votou na maioria…
Quanto ao seu último parágrafo faço minhas as suas palavras…
40 euros de gasóleo por semana, certo? Era bom se fosse por mês… mas nem pensar…