O meu entusiasmo pela indigitação de João Costa como Ministro da Educação deve ser semelhante à euforia evidenciada por um prisioneiro condenado à morte, a caminho do cadafalso…
Infelizmente, o exagero dessa imagem não é uma figura de estilo… A desesperança é muito real, assim como a descrença de que algo venha a mudar para melhor…
João Costa, como sucessor natural do anterior Ministro, não terá, plausivelmente, nada de novo a oferecer, no sentido em que não se prenunciam alterações significativas ao que foi implementado ao longo dos últimos seis anos…
Ao que tudo indica, o próximo Ministério da Educação não deixará de pautar-se por uma política educativa de continuidade, alinhada com a anterior…
E isso significará, entre outros, que os “lobbies da teoria educativa vigente”, patenteados nos últimos anos, continuarão a exercer o seu domínio e a sua influência e que a “lenga-lenga” já conhecida prosseguirá o seu curso…
Mudará, talvez, a comunicação do Ministério com o exterior, assente na capacidade oratória de João Costa, com um estilo de comunicação muito mais hábil do que o seu antecessor…
Os próximos tempos serão penosos…
Penosos, por muitos e variados motivos:
– Por uma guerra que se instalou na Europa, provocada por uma mente alienada, com consequências previsivelmente devastadoras ao nível humano, económico e social. Obviamente, não ficaremos a salvo dessa colossal crise nem imunes a ela;
– Por uma pandemia que ainda não foi ultrapassada;
– Pelas políticas educativas nacionais desastrosas para a Escola Pública, que parecem ter como objectivo final a sua destruição;
– E, penosos, também, por essas políticas educativas permitirem a existência de superiores hierárquicos que, para se sentirem muito fortes, capazes e poderosos, precisam de agrilhoar, humilhar e tratar com desprezo os seus subordinados…
Abomino qualquer tipo ou forma de Ditadura… E também não suporto tiranos que, com todo o gáudio, parecem dispostos a infernizar a vida de outros, procurando, dessa forma, esconder as suas próprias fraquezas e inseguranças…
Lembrando Salgueiro Maia, um Homem verdadeiramente íntegro e democrata, na esperança de que as suas palavras possam inspirar alguns: “Há alturas em que é preciso desobedecer”…
O exercício do Poder pode não corromper, mas, fatalmente, revelará o verdadeiro carácter…
A Lei e a Ordem são imprescindíveis para regular o funcionamento das instituições, o que não faz falta nenhuma é o Poder exercido de uma forma patológica e a tirania praticada a coberto e em nome das leis e da justiça…
Por tudo o anterior, parecem estar criadas as condições para a formação de uma “tempestade perfeita” nos próximos tempos…
A bem de todos, espero estar enganada…
(Matilde)




2 comentários
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Concordo plenamente. Não podemos continuar a ser cúmplices…
O senhor ministro quer agradar aos diretores custe o que custar. Gosta muito que lhe batam palmas. Adora!
Era assim enquanto secretário de estado, e assim continuará com o estatuto de ministro que tanto ambicionou, ele e o seu séquito, Os educadores e os professores atolados em projetos, projetinhos e outas coisas pensadas na Av. 24 de Julho e na Av. Infante Santo, têm pouco tempo para desenvolver o currículo e ensinar os alunos. O senhor ministro dirá aquilo que ele próprio acha e aí de quem o contrarie… Ele censura, usa o lápis azul. Acreditem que é verdade!
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