Mais uma “paródia” nacional: não testar os alunos…

 

O Ministério da Educação anunciou no passado dia 11 de Janeiro que o Pessoal Docente e Não Docente das escolas (cerca de 220 000 sujeitos) seria testado ao vírus Covid-19 nas próximas semanas, mas que os alunos seriam excluídos dessa testagem, sem, contudo, esclarecer os fundamentos de tal decisão (Jornal Público)…

 Se não estivéssemos em Portugal, poder-se-ia considerar que se trataria de um engano, de um lapso ou de um mal entendido… “Só que não”…

  “Só que não” porque, efectivamente, estamos num país onde proliferam a “esperteza saloia” e os Governantes “chicos-espertos”…

 É, de facto, assombrosa e inacreditável a “esperteza saloia” do actual Ministério da Educação e não pode deixar de se assinalar a estratégia ardilosa, tão típica da “chico-espertice”:

 Perante a variante mais transmissível do vírus e perante o número recorde de casos confirmados nos últimos dias, o Ministério da Educação prescindiu de testar os alunos que, paradoxalmente, correspondem à maior percentagem de sujeitos que diariamente entra numa escola…

 Ou seja, o Ministério da Educação dispensou da testagem oficial cerca de 1.2 milhões de alunos do Ensino Básico e Secundário, sem qualquer justificação plausível…

 E quando não existem fundamentos ou explicações plausíveis para decisões nada naturais, mas antes muito duvidosas, o mais óbvio é conjecturar-se acerca dos motivos subreptícios patentes nessas resoluções, desde logo este:

 O Ministério da Educação excluiu os alunos da testagem porque recusa confrontar-se com o número real de contágios existente nessa população, depreendendo-se que, se não o fizesse, rapidamente se constactaria a inexistência de condições sanitárias para que as escolas permanecessem abertas ou, dito de outra forma, não haveria outra alternativa que não fosse a de decretar o fecho dos estabelecimentos de ensino…

 Pela não testagem oficial dos alunos, é muito mais fácil manipular dados e esconder da opinião pública a real situação que se vive em cada escola, conseguindo-se, assim, “abolir” artificialmente milhares de alunos contagiados, que não entram em qualquer computo estatístico do Ministério da Educação…

 O fundamental é manter as escolas abertas, mesmo que o respectivo funcionamento esteja “a milhas” de corresponder ao da normalidade desejada…

 No momento actual, que importa o número significativo de alunos ausentes das aulas, em cada escola, por motivo de terem tido algum teste positivo ou algum contacto de risco?

 O que importa é que se continue a fazer de conta que as aulas seguem a um ritmo perfeitamente normal, sem um número significativo de ausentes, sem interrupções, como se não existissem infectados em contexto escolar… O que importa é omitir o caos instalado…

 A escola presencial é aquela que conta“, terá afirmado o Ministro da Educação no passado dia 10 de Janeiro (Notícias Sapo, Joana Morais Fonseca)…

 “A escola presencial é aquela que conta”, se for efectivamente presencial, se não existirem interrupções sistemáticas, causadas pelas recorrentes e sucessivas entradas e saídas de alunos, de professores ou de funcionários, infectados ou em isolamento profilático…

 “A escola presencial é aquela que conta”, se for uma escola tranquila, com condições para proporcionar interacções sociais e aprendizagens efectivas, sem o medo permanente de contágio e de adoecer e sem incertezas constantes e insanáveis quanto ao amanhã…

 A actual “escola presencial” vive assente na premissa: o que hoje é, amanhã pode já não ser… A maior parte das crianças e dos jovens percebe muito bem essa inconstância e sente essa insegurança, gerando-se frequentemente ansiedade, angústia e desequilíbrio emocional…

Defender a boa saúde mental dos alunos não pode significar “empurrá-los” para o caos e para a insegurança… Manter as escolas abertas, a qualquer custo, e fazer de conta que isso basta para que os alunos tenham uma boa saúde mental não é sério nem honesto…

 A saúde mental dos alunos não se resume nem se cinge à escola presencial e, mesmo que assim fosse, as actuais condições de funcionamento dessa escola dificilmente contribuiriam para a boa saúde mental de alguém…

 Usar a (suposta) boa saúde mental dos alunos como pretexto para manter as escolas abertas nas actuais circunstâncias, não pode deixar de se considerar como um embuste sórdido, sobretudo quando também já se percebeu que o que verdadeiramente está em causa é o resultado eleitoral do próximo dia 30 de Janeiro…

 Evitar tomar qualquer medida que possa ser considerada como impopular e que possa influenciar negativamente o resultado eleitoral do Partido Político que sustenta o actual Governo, é a prioridade… O resto pode esperar…

 O Ministério da Educação faz de conta que se preocupa com a saúde mental dos alunos, descurando grosseiramente a respectiva saúde física e negligenciando a existência de interdependências entre ambas, e utiliza essa falácia como um subterfúgio para tentar alcançar um desígnio que é partidário…

 A saúde, física e mental, não pode ser instrumentalizada para atingir fins partidários…

 Este Ministério da Educação tem uma fórmula infalível para “resolver problemas”: fazer de conta que não existem problemas…

 Está tudo bem, as escolas estão abertas e todas muito bem preparadas, os alunos e o pessoal docente e não docente estão todos muito felizes e não adoecerão, nem física nem mentalmente… “Só que não”…

 Não testar os alunos, mais parece uma “paródia” nacional de muito mau gosto e com consequências previsivelmente desastrosas…

 

(Matilde)

 

 

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9 comentários

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    • Valia a pena pensar nisto! on 15 de Janeiro de 2022 at 11:19
    • Responder

    100% de acordo.
    Mais grave, os professores alinham na farsa, sujeitando-se ao teste para fazerem parte da estatística de propaganda dos costas que virá a seguir, com o discurso “foi testada a comunidade escolar e, com apenas com 1% de positivos, as escolas portuguesas são os locais mais seguros do planeta”.
    Se os professores pensassem, por um segundo que fosse, recusar-se-iam a ser testados até que fosse TODA A COMUNIDADE ESCOLAR.
    (Nem uma amostra significativa foi!!!!)
    Ou serão, pelos seus comportamentos perigosamente inadequados, os professores (AO e AT) um risco para os alunos????!!!!
    Enquanto isto é ouvido todos os dias, pela “isenta” comunicação social, o filinto-grande-líder-dos-kapos (um destes dias ainda seremos obrigados a usar o penteado dele) como representante dos professores!!!
    Vejam aqui quem a criatura representa:
    https://eduardovitorrodrigues.pt/apresentacao-da-candidatura-de-filinto-lima-a-junta-de-freguesia-de-oliveira-do-douro/

    • Atento on 15 de Janeiro de 2022 at 11:28
    • Responder

    O outro grande líder faz-se de morto!
    Só apareceu para defender o tacho, à revelia da democracia, e para furar a fila das vacinas, sem qualquer dignidade!!!! São mesmo esses os valores que a escola deve transmitir na formação das novas gerações !!!!!!

    Evidências:

    https://www.dn.pt/portugal/amp/pais-e-diretores-chumbam-mudancas-na-gestao-das-escolas-5688182.html

    https://www.google.com/url?sa=t&source=web&cd=&ved=2ahUKEwiytP3omuXyAhVQzYUKHQqnA3EQFnoECBIQAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.vozprof.com%2Fo-presidente-da-associacao-nacional-de-dirigentes-escolares-vacinado%2F%3Famp&usg=AOvVaw0KY8Q86tyAkWnRAthg10qD

    • Lamentavel on 15 de Janeiro de 2022 at 12:27
    • Responder

    Já recebi a ordem da direção da escola para ir fazer o teste. Santa hipocrisia.

    • pretor on 15 de Janeiro de 2022 at 13:07
    • Responder

    Ora aqui está a prova do horror se mortes em Portugal…

    https://www.publico.pt/2022/01/15/sociedade/noticia/inverno-comeca-menos-mortes-quatro-anos-anteriores-pandemia-1991961

    Inverno começa com menos mortes do que nos quatro anos anteriores à pandemia

    Investigadora do Insa explica que a mortalidade no Inverno “está sempre muito relacionada a dois fenómenos que acontecem em simultâneo, que são a actividade gripal e o frio extremo”.

    • Helena on 15 de Janeiro de 2022 at 13:53
    • Responder

    O milionário dos laboratórios Germano de Sousa diz:

    “Uma testagem em massa só seria realmente eficaz se fosse possível fazê-la quase todos os dias. De outro modo, não sei se será muito útil.”

    Até ele percebe…
    Os tugas por sua vez amam filas para testes. E a ser violados pelo nariz.

      • 🤣🤣🤣 on 15 de Janeiro de 2022 at 17:35
      • Responder

      Esta xuxalista já acabou com a pandemia. Parabéns!!!! Simples, é só deixar de fazer testes.
      É exatamente por isso que as escolas são locais seguros. Não testam os alunos.

    • Dário Tavares on 15 de Janeiro de 2022 at 15:52
    • Responder

    Assim vai ser fácil no fim do mês. Quem quiser que está fantochada continue já sabe em quem votar.

    • esperança on 15 de Janeiro de 2022 at 22:39
    • Responder

    Este mundo está cheio de medos, de confusão. Vejam o que o Pedro Simas disse, deixem circular o vírus para alcançarmos uma verdadeira imunidade de grupo. Vivam sem medo, isto está a ficar uma paranoia coletiva. Morreram em dois anos cerca de 20 mil pessoa de covid (das quais nem sabemos que doenças tinha associadas a maior parte), quando por ano morrem muitas mil pessoas de gripe e pneumonia, outras tantas e muito mais de cancro, de diabetes «… Não percebo! Parece que agora só se morre de covid. E melhor acordar ! Quem tem medo de viver, morre em vida…

    • Maria on 16 de Janeiro de 2022 at 10:16
    • Responder

    Completamente de acordo. Os alunos na sua maioria estão infetados, mas isso não interessa. O que importa é que as escolas são os sítios mais seguros do planeta!!!!
    O meu voto não levam eles.
    Tenho uma turma com seis infetados em casa. Não se pode dar matéria nova. Isto é o faz de conta. Que hipocrisia!!!Tudo para não se fechar as escolas.
    Abram os olhos professores. Somos nós os culpados de toda esta trapalhada!!!
    Que classe mais desorganizada!
    Deixem os Filintos e outros que tais irem para as televisões fazerem a sua propaganda e nós calados.
    Chega de tanta hipocrisia. Denunciem.

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