Este post do João Adelino Santos e a procura da verdade fez-me fazer algumas comparações sobre o número de docentes na Educação Especial.
Nos números que apresentei de manhã com a comparação das contratações entre este ano e o anterior existem menos 401 docentes contratados colocados na Educação Especial do que em igual período do ano passado, mas acrescem 157 docentes colocados através da vinculação extraordinária e mais 100 docentes colocados nos grupos da Educação Especial no concurso interno e provenientes de outros grupos de recrutamento (3ª prioridade).
O saldo final nestas contas até ao dia 14 de Outubro é de menos 144 docentes na Educação Especial.
E com estes números facilmente desmonto a afirmação seguinte do David Rodrigues:
O João Adelino Santos refere que no seu agrupamento existiu uma redução de 50% do número de docentes da Educação Especial. Com números individuais a apontar para uma redução de 50% e um número geral apontado pelo presidente da Associação Nacional de Docentes da Educação Especial para uma redução de 25% acho estranho que a redução final dos meus dados apontem para números bastante inferiores.
ADENDA: Lembrei-me apenas depois da publicação do post que não devo considerar na diferença cerca de 100 docentes que entraram na vinculação extraordinária e já estavam no ano letivo anterior a trabalhar nestes grupos de recrutamento enquanto docentes contratados. Assim o saldo negativo não é de 144 docentes, mas deve andar pelos duzentos e poucos docentes.
Para completar este post fica aqui o vídeo com parte da intervenção de Pedro Passos Coelho no programa da RTP que originou este debate sobre a Educação Especial.




10 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Boa tarde Arlindo,
Os números e os cálculos valem o que valem mas pelas informações que me chegam através de inúmeros colegas, colocados em diversos agrupamentos da zona centro, existe uma redução bastante significativa de profs de educação especial nas escolas.
Ana
No texto acima, o Arlindo, com todo o respeito e admiração que tenho pelo excelente trabalho desenvolvido no blog e em prol dos professores, generalizou as minhas afirmações. No entanto, o que refiro diz respeito à realidade do agrupamento onde me encontro a lecionar. No texto original, está “Ainda com alguma paciência, republico os dados relativos à situação que me é mais próxima e que contrariam as afirmações acima. O panorama dos alunos com necessidades educativas especiais nos últimos anos no agrupamento mantém-se estável quanto ao número de alunos e às suas tipologias. No entanto, este ano verificou-se uma redução dos professores de educação especial em 50%, assim como do horário semanal de psicologia de 35h para 18h. Consequentemente, existem alunos com necessidades educativas especiais sem apoio direto por um docente de educação especial, enquanto que outros viram reduzido significativamente o número de horas de apoio.”
Sem ter dados concretos quanto à redução efetiva de docentes de educação especial, posso adiantar que pela zona centro foi bastante significativa!
Author
Tens razão Adelino. Com a pressa de trabalhar os dados para verificar a redução de 25% apontada pelo David Rodrigues nem me apercebi que a redução dos 50% que falavas era apenas no teu agrupamento. Já retifiquei o post.
Era interessante conhecer os dados por região para perceber o que terá acontecido na zona centro.
Se tiver tempo ainda trato disso durante o fim de semana.
Não sei se foi possível contabilizar os docentes com horário zero que, internamente, foram “deslocados” para a educação especial e, assim, “escaparam” a DACL. Aqui pelos meus lados há um número significativo, com especialização, pertencente a EVT, 1º ciclo, Português e ET.
Tem vindo a chegar-me aos ouvidos que, em muitos agrupamentos, docentes sem qualquer especialização ou experiência de trabalho com crianças com NEE viram contemplados, nos seus horários, alguns tempos de apoio com estas crianças, por insuficiência de docentes da Ed Esp…
Querendo contribuir positivamente para o esclarecimento desta questão e tendo como base os dados das colocações emanados dos resultados das sucessivas colocações das reservas de recrutamento, parece-me que existe uma clara dualidade de critérios na afetação de professores de educação especial. Pelos dados disponibilizados, a zona cento tem sido uma das prejudicadas na colocação de docentes deste grupo de recrutamento, apesar das sucessivas e manifestas solicitações de docentes por parte das direções dos agrupamentos. Porque será? Afinal, quais são os critérios definidos pelo MEC para a afetação de docentes de educação especial? Existem bolsas predefinidas por região? Para quando um levantamento dos alunos que não estão a ser apoiados pela educação especial? E daqueles que não estão a beneficiar da totalidade dos apoios prescritos nos respetivos programas educativos individuais? Porque não respeita o MEC o princípio constitucional da confiança quando as direções dos agrupamentos solicitam mais docentes de educação especial? Pois, dos fracos não reza a história… Bem, o rol de questões sem resposta poder-se-ia estender…
Arlindo, na zona centro é certo o corte e generalizado. Tenho conhecimento de muitas escolas que viram reduzidos (e muito) o número de docentes de educação especial ainda que, também em muitos casos, tenham mantido ou até aumentado o número de alunos com NEEP. Neste momento, há muitas escolas que apenas conseguem assegurar apoio (e pouco) a alunos com CEI, deixando sem qualquer apoio especializado e necessário alunos com graves défices cognitivos, linguísticos (entre outros) e abrangidos por outras medidas. É triste assistir a tudo isto. Já nem sequer falo na falta de humanidade destas medidas, relembro a falta de visão táctica a médio prazo: alunos com NEEP que usufruam de um verdadeiro apoio especializado ultrapassam grande parte das suas dificuldades, adquirem autonomia e, mesmo em casos mais graves, muitos conseguem tornar-se adultos com características que lhes permitem integrar com sucesso o mundo laboral e contribuir activamente para a sociedade. Negar-lhes esse apoio conduz a uma poupança imediata mas a gastos bem maiores no futuro pois condenaremos muitos a uma vida de dependência e “institucionalização”. Também atesto que, em muitos casos, há docentes de outras áreas a prestar “apoio” a estes alunos, assistindo-se a uma espécie de “entreter” sem qualquer finalidade que não a de preencher horário (do aluno e do docente). Não culpo os colegas e, porventura, nem as escolas que, em muitos casos, não tiveram a tal proclamada autonomia para proceder de outra forma.
Bem, efetivamente a redução de profs. de EE nas escolas foi drástica! Sou do Norte e nesta zona a diminuição de docentes desta área é enorme. Na minha escola, por exemplo, aumentaram os alunos com NEE, mormente os de Currículo Específico, e, no entanto, foram-nos atribuídos menos 2 professores!! Fizemos várias exposições que não obtiveram qualquer resposta. Temos tido imenso problemas com a distribuição dos apoios. Existem alunos sem ele e a outros é como quem dá um recado! Isto é vergonhoso e não me venham dizer, como li neste blogue, que o David Rodrigues exagerou!!! Estamos, claramente, a regredir no tempo!! Voltamos à segregação, o que é uma clara afronta aos princípios da filosofia da escola inclusiva!!!
Para além da obrigatória análise educativa que deve ser feita à redução de docentes da Educação Especial, espero que os colegas que tantas vezes perguntam se vale a pena investir numa pós-graduação nesta área percebam, finalmente, que quando lhes é dito “não” é porque existem motivos para isso.
É caso para dizer que os números não mentem e que lamentavelmente na área da Educação Especial ainda é mais fácil cortar do que noutros grupos de recrutamento.
http://www.noticiasdecoimbra.pt/alunos-com-necessidades-educativas-afetados-por-falta-de-professores-em-coimbra/
Um de muitos casos…