Mais salário e respeito pela profissão poderá atrair mais professores
É preciso aumentar salários, atribuir subsídios e tornar a profissão mais respeitada para que a carreira de professor seja mais atrativa, divulga a OCDE no seu relatório anual sobre Educação.

A escassez de professores está a aumentar em todo o mundo, segundo um estudo da OCDE que analisou diferentes políticas e concluiu que é preciso aumentar salários, atribuir subsídios, mas também tornar a profissão mais respeitada.
Há cada vez mais diretores escolares “a relatar a falta de professores” e são também mais aqueles que associam esta escassez a falhas na instrução dos alunos, alertam os investigadores do “Education at a Glance 2024”, o relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que fornece estatísticas sobre os sistemas educativos dos 38 Estados-membros.
Nos restantes países, o envelhecimento da classe e a dificuldade em atrair jovens qualificados que ocupem o lugar dos que se reformam é um desafio: Entre 2013 e 2022, os professores com mais de 50 anos na OCDE aumentaram de 35% para 36%, mas em Portugal, passaram de 33% para 57%.
Sem professores, as aprendizagens dos alunos não se fazem e, segundo os diretores escolares, a situação tem vindo a agravar-se: a proporção de alunos prejudicados passou de 26% em 2018 para 47% em 2022.
Mas também aqui esta é uma média que esconde realidades bem mais dramáticas, como é o caso de Portugal, que surge ao lado de outros sete países onde o aumento foi superior a 30 pontos percentuais em apenas quatro anos.
“A escassez de professores pode agravar as desigualdades”, acrescentam os investigadores, explicando que é nas escolas mais desfavorecidas que se sente mais o problema: “Isto é preocupante, pois os alunos que mais precisam de aprendizagem de alta qualidade parecem ser os que têm menos acesso a ela”.
Regressando aos 21 países em análise, nove sofrem com a falta de professores a todas as disciplinas e outros nove a apenas algumas áreas.
“As escolas não são igualmente afetadas” e os países avançaram com diversas medidas: Cerca de um terço passou a oferecer subsídios a quem aceitasse ensinar em escolas remotas e cerca de um em cada dez países oferece subsídios a quem ensina em escolas desfavorecidas a nível socioeconómico.
Os investigadores da OCDE sublinham a necessidade de aumentar salários, atribuir subsídios e melhorar as condições de trabalho para tentar atrair e reter pessoal docente de qualidade.
Os salários dos professores ainda são inferiores aos de outros trabalhadores com qualificações equivalentes em quase todos os países, refere o estudo.
Mais uma vez, Portugal surge como uma exceção, mas agora ao lado da Costa Rica e dos professores do ensino secundário na Alemanha que também auferem salários superiores à media dos trabalhadores com as mesmas qualificações.
Em Portugal, o Governo desenhou agora um subsídio de deslocação, entre 150 e 450 euros mensais, para quem fique colocado a mais de 70 quilómetros de casa e aceite dar aulas numa escola com falta de professores.



7 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Mas os diretores tiveram 100% de aumento com a mlr. Leu bem, 100%.
Para quem trabalha, dá aulas mesmo, 20% de CORTES.
Em Portugal , os professores auferem salários superiores à médiavdos trabalhadores com as mesmas qualificações? Então, Portugal está mesmo no fundo poço. Aliás, não tem sido motivo para captar novos professores. Algo não bate certo não é?
Excelente resposta.
A OCDE devia ser corrida à traulitada na cabeçorra!
Anda há anos com tretas pedagógicas e inclusões e flexibilidades e estatísticas atamancadas
e agora fez-se luz.
De que escalões estamos a falar quando se diz que auferimos salários superiores aos trabalhadores com as mesmas habilitações que as nossas? Todos?! E as ajudas de custos desses trabalhadores também estão incluídas?
Neste momento estou desempregada, no entanto, em Lisboa, Setúbal e Faro estão à disposição horários completos desde o início de setembro. Será que é porque não quero trabalhar ou porque teria de pagar para trabalhar?
Não nos esqueçamos que nós pagamos deslocações e estadia, mas tal não nos é deduzido no IRS. No final do ano eu irei pagar o mesmo valor de IRS que pagaria se morasse ao lado da escola onde leciono. Claro que a vida dá muitas voltas e nunca é uma palavra a evitar, mas se as minha vida se mantiver tal como está, prefiro ficar por cá, quem sabe ter a sorte de apanhar um horário de pelo menos 14 horas ou mudar de atividade, mesmo recebendo menos. Pois, para além de estar longe da família ,pouco ou nenhum é o ganho.
Sei que houve uma proposta de aumento do apoio à deslocação, mas ainda não sei como vai ser atribuído. Existirá alguma relação com o rendimento anual declarado (declaração de IRS)? Isto porque alguém já me falou sobre isto, mas pode apenas ser uma confusão.
Há ainda outro aspeto que me choca. A título de curiosidade, tenho estado a ver os horários em oferta de escola e alguns, senão bastantes, estão distribuídos em cinco dias por semana, isto quando já se fala na semana dos quatro dias para as empresas, e, como se não bastasse, alguns deles terminam à sexta às 18 e iniciam à segunda às 8h30. Caros senhores Diretores, a menos que haja uma muito boa explicação, se estão com dificuldade em contratar professores para estes horários esta não é a melhor forma de os atrair, sobretudo se forem de longe. Eu penso que, a este nível, também há muito a fazer pelas escolas, e não só ao nível dos horários. Reforço o que disse anteriormente, pode haver uma boa justificação para esta mancha horária, cada caso é um caso. Boa sorte para todos!
E os diretores terem mais respeito pelos seus professores?
O que poderá motivar os professores do quadro é permitir que possam concorrer na 1 prioridade aos grupos de recrutamento para os quais têm habilitação.
Durante anos, foram e continuam a concorrer apenas a um grupo na primeira prioridade quando poderiam colmatar falhas do sistema se os recursos fossem distribuídos conforme a motivação dos profesdores.