Sem pretender que este texto seja uma “crónica criminal ou policial”, não pode, contudo, deixar de se notar a sucessão de notícias, dando conta de vários homicídios entre jovens, perpetrados com recurso a armas brancas, muitas vezes através de facadas, e quase sempre por motivos absolutamente fúteis…
Verdadeiramente assustador, e muito preocupante, pensar que um jovem seja capaz de recorrer à violência extrema, acabando por matar outro jovem, sem quaisquer motivos atendíveis, se é que neste caso isso possa existir, ou sequer enquadráveis no direito de legítima defesa, que assiste a todos os cidadãos…
Que valor terá a Vida para esses jovens homicidas?
Estarão convencidos de que a vida real funciona como um qualquer videojogo, onde cada jogador pode ter várias vidas?
Estarão convencidos de que a vida real funciona como um qualquer videojogo, onde a ideia de imortalidade é, recorrentemente, veiculada de forma perversa e capciosa?
Ao que tudo indica, poderemos estar perante jovens incapazes de prever e de antecipar as consequências de determinados actos, iminentes praticantes de acções absolutamente irreflectidas…
Ao que tudo indica, poderemos estar perante jovens que manifestam uma notável imaturidade emocional e um incontornável descontrole emocional, mostrando-se incapazes de gerir determinadas frustrações…
A procura de confrontos individuais e/ou de grupo funcionará muitas vezes como uma fonte de adrenalina, quase como se se tratasse de uma dependência química, onde não existe qualquer obstaculização moral e ética à prática de determinados crimes ou de comportamentos violentos…
A prática de acções violentas decorrerá, assim, com toda a “normalidade” e desfaçatez…
Em resumo, esses jovens serão comandados pela irresponsabilidade e pela impulsividade, que os levará à prática de agressões contra terceiros, potencialmente fatais…
A crueldade com que muitos desses actos são praticados denuncia a ausência de empatia e de sentimento de culpa, assim como o desrespeito total pelos direitos do outro…
Sem generalizações abusivas e sem visões catastrofistas, não há, contudo, como ignorar ou escamotear esta realidade:
– Parece que estamos a criar seres humanos monstruosos, capazes das maiores atrocidades e isso não pode deixar de nos preocupar a todos, enquanto cidadãos, profissionais de Educação ou mães e pais…
Entre jovens, parece que matar alguém ameaça tornar-se num acto banal…
Jovens sem qualquer noção da tragédia, da infelicidade e do sofrimento causados pelo acto de matar alguém, em particular nas famílias das vítimas, mas também nos seus próprios familiares…
É verdadeiramente aterrador imaginar que algum desses jovens homicidas possa ter tirado a vida a alguém por mero divertimento…
Paula Dias



11 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Houve um ano em que dei aulas na prisão de Custóias. Uma das coisas que aprendi com os “meus presos” é que, pelo Porto fora, certamente que também no resto do país, pelos bairros, o que não faltava era putos com armas de fogo. Não eram armas de guerra, tipo Estados Unidos, mas armas de fogo, sim. Isto já foi há uns bons anos, sei lá, para aí há uns 16, dizendo assim de cor.
Todos sabemos que os jovens que vivem em certos bairros andam armados com facas. Dizem eles que é para se defenderem.
Mas quando há lutas entre grupos usam nas.
E para resolver situações individuais também.
E levam nas para a escola. Constituem um perigo muito grande.Se fossem revistados a entrada muitas ficariam na gaveta. Mas ninguém tem coragem de fazer esse trabalho.
Todos sabemos mas fazemos de conta até haver uma desgraça. E de vez em quando há .
Depois é que choramos.
Muitos jovens vivem num universo de verdadeiro faroeste. É cultural.
Que exagero!!! Até parece que vivemos nos Estados Unidos. Já vi que a escriba é espectadora/leitora assídua da CMTV e do DN!
O jovem colega tem pouca experiência profissional e pensa que sabe tudo. E agride.
Eu falo do que sei e do que experimentei. Trabalhei em muitas escolas que serviam bairros sociais e em que os alunos me falavam das suas dificuldades e alegrias. E das facas que tinham.
Uma vez numa rusga da polícia um aluno meu foi encontrado em companhia de outro que a polícia suspeitava que tinha roubado. As mochilas foram revistadas. E o meu aluno foi encontrado com uma navalha que excedia os cms para ser considerada inofensiva.
A advogada dele pediu me ajuda para fazer a defesa dele.
Falo do que sei e do que experimentei. Não porque veja a correio da manhã ou leia o JN. Não me interesso por crimes.
Não seja ridículo. Respeite os que já viveram profissionalmente mais do que o jovem colega de escolinhas de vilas do interior onde não se passa nada. Felizmente para si.
Há mais de 600 agrupamento/ENA por este pais. Escolas serão mais de 1.000 e o ilustrissimo sr. generaliza só porque esteve nuns bairros sociais! Saia do seu nicho de Lisboa/Porto e verá que é exagerado tudo o que o “seja ridículo” pensa que sabe. Há problemas? Há. São os que pensa que há, no pais inteiro? Não, não são.
Além disso, essa situação que descreveu, aconteceu na escola, alguém foi agredido, alguém morreu? Tenha paciência, pá.
E para quem tanto sabe e tanto sofreu, sentir que umas palavras como “espetadora/leitora do CM ou JN” é, na sua mente, uma agressão, então ou é muito sensível ou tudo que escreveu é tanga.
E essa do jovem, vai lá vai. Conclusões muito precipitadas, não acha?
Para saber, nem o seu “não seja ridiculo” me afeta por, já diz o povo: ” vozes de burro…”
Não seja idiota, amigo.
Continua ridículo. A estrebuchar. A patinar.
Vê se que nem leu o artigo da Paula dias. Fala do mesmo que eu. Só que eu concretizei . Da violência entre jovens com facas.
Se quer continuar a negar a realidade e a viver na maionese, colega, é consigo.
Se levar uma facada na aula ou ao virar da esquina não diga que não o avisámos.
Ciganos?
Não é preciso ir por aí. A vida de muitos bairros é outro universo. Numa perspectiva não-lisboeta, não é preciso ir por aí… Se forem, são. Mas nada indica coisa nenhuma.
As facas, e até armas de fogo, generalizaram se a todas as etnias dos bairros sociais.
Basta crescerem num meio social em que as facas sejam uma arma de defesa para a adotarem.
Como os antigos cowboys .
Mesmo os jovens mais pacíficos dizem me que as têm.
Acredite quem quiser. Se não querem, metam a cabeça na areia como as avestruzes e vivam felizes.
what an exceptional post, this is lovely
Führerschein kaufen<a
kupić prawo jazdy<a
Buy ielts & pte<a
A violência está na vida real e é transmitida diariamente na televisão. Diariamente Vejo crianças mortas e feridas perante a impassividade de quem manda no mundo.
Os videojogos violentos e de guerra não são criados por crianças/jovens são feitos por multinacionais que têm interesse na banalização da violência/guerra como forma de resolver as divergências.
Estes jovens sao marginais duma sociedade sem esperança, para eles não há nada a perder.
Moro na Senhora da hora e Tenho 2 filhos adolescente que estávamos no norte Shoping, na semana passada e infelizmente assistiram a uma situação gravíssima, que merece uma reflexão profunda e uma atuação urgente. Somos um país da UE, temo que não transformemos nos pais com valores dee vida e índices de criminalIdade americanos.