Filinto Lima e Manuel Pereira levam a Fernando Alexandre o pedido de que as provas do 9.º ano sejam feitas, este ano letivo, ainda em papel em vez de em computador. Os diretores estão preocupados com o elevado número de computadores avariados e alertam que as provas digitais, com peso na classificação final de Português e Matemática, podem penalizar alunos que não puderam treinar nos portáteis.
Já António Castel-Branco assume que vai alertar o ministro para “o problema mais grave” das escolas: “a falta de professores na região de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve que vai estender-se, em breve, a todo o país”. Para o presidente do Conselho das Escolas – órgão consultivo do ministério da Educação – até “faz sentido” a fusão com o ministério do Ensino Superior por se tornar mais fácil exigir a abertura de mais vagas em cursos na área da Educação, especialmente em mestrados em Ensino, por ser determinante para a resolução da escassez de docentes.
Os três dirigentes sublinham, a propósito da escolha dos secretários de Estado, conhecer bem Pedro Cunha, que há cerca de um ano era o diretor Geral da Educação, nomeado pelo anterior ministro, João Costa. “Conhece bem a realidade das escolas, tem noção das consequências da falta de professores”, frisa Filinto Lima. Já Alexandre Homem Cristo, assumem, conhecem apenas das crónicas do Observador. “Não é do sistema” mas os diretores “estarão disponíveis para trabalhar com a nova equipa”, garante o presidente da ANDAEP.
O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof) assume que o novo secretário de Estado Adjunto da Educação, Alexandre Homem Cristo, não terá direito a “estado de graça” porque esse período de benefício de dúvida se dá a quem não se conhece as ideias. “O que não é o caso”, frisa ao JN. O politólogo, escolhido para “número 2” da Educação e que irá liderar as negociações com os professores, foi assessor parlamentar do CDS, entre 2012 e 2015 e cronista do Observador durante vários anos.
“A Educação está entregue a quem tem ideias mais liberais e que podem por em causa a escola pública”, afirma, recordando como exemplos “preocupantes” de Homem Cristo, a defesa dos contratos de associação, o fim da lista graduada ou o recrutamento dos professores pelas escolas.
Cristina Mota do movimento Missão Escola Pública começa por sublinhar que a escolha do porta voz da AD para a Educação para o Governo “não foi de todo uma surpresa”. As “ideias liberais” como o fim da lista graduada, como principal critério na ordenação de colocação dos professores, também preocupam a docente. No entanto, aponta, “há pontos de convergência” como a recuperação das provas de aferição no final dos ciclos (em vez de no meio), mais exames na conclusão do Secundário ou o regresso dos “28 mil professores profissionalizados” que deixaram de concorrer.
Já para o líder da FNE “mais importante do que os nomes são os resultados”. A federação primeiro vai avaliar a disponibilidade de negociação da nova equipa, depois o desfecho desses encontros.
“Tivemos muitas reunião com João Costa mas pouco evoluímos”, refere. A FNE já anunciou uma contraproposta aos 20% de recuperação do tempo de serviço previstos no programa da AD. Pedro Barreiros apresentará a Alexandre Homem Cristo o pedido de que a primeira tranche seja de 30% e defende que a primeira reunião possa acontecer antes da aprovação do programa do Governo.
A FNE já enviou um pedido de reunião apresentar o seu “roteiro para a legislatura”. A Fenprof pretende entregar no Parlamento, na semana de 15 a 19 de abril, as quatro petições sobre a carreira docente, condições de trabalho, precariedade e aposentação.
Interpelados sobre se consideram que a escassa maioria do Governo pode ser mais facilmente atingida com a contestação, Nogueira admite que o Parlamento pode ter um papel crucial até na reversão de medidas, Pedro Barreiros afirma que os próximos 60 dias serão determinantes. “Se obtivermos alguns ganhos a contestação é esvaziada. Está nas mãos do Governo. Estamos disponíveis para encontrar soluções. Nada justifica a luta pela luta”, defende o líder da FNE.
12 comentários
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E o que é que esses montes de estrume do Filinto e do Pereira representam?
As associações deles são assim uma coisa pró clandestino.
No mínimo vergonhoso este comentário…
A Cristina Mota de repetente é toda convergências. Ela, o amigo Guinote, o Arlindo. Já vimos isto à chegada do Crato. Não defendem a escola pública. Defendem a direita.
Mais imparcialidade neste blog, sff!!!!
Os lambe-botas vão ao beija-mão a salivar pela carreira especial e pelos índices à maneira.
O problema da falta de professores NÃO IRÁ afetar as outras regiões do País além das regiões de Lisboa e Algarve.
Este problema JÁ AFETA todo o País.
Basta ir á página de um qualquer Agrupamento e ver os concursos para contratação de professores.
Lembro-me que o João Costa, até o fim da legislatura mostrou-se sempre irredutível nos simulacros de negociações com os sindicatos. Cometeu ilegalidades como a imposição de serviços mínimos. Era a soberba da maioria absoluta.
Lembro-me também aquando da votação para a recuperação do tempo de serviço o PS, o PSD e a IL votaram contra e poucas semanas antes do fim da legislatura o PNS mostrou-se contra a recuperação.
Agora é a favor.
Penso que é muito importante acabar com as vagas de acesso ao 5º e 7º escalão, pois esta é uma medida fracturante e que causa guerra e instabilidade dentro das escolas. É também uma arma das Direções contra os colegas e que favorece os compadrios.
Em última análise, esta medida leva a um professor que se sinta injustiçado a deixar de acreditar na escola, no seu Projeto Educativo e a perguntar-se o que anda ali a fazer; consequentemente trabalha menos, visto que ganha o mesmo e tem a mesma avaliação ou abandona o ensino.
Convinha os srs. diretores dizerem ao sr. Ministro que, para a recuperação do tempo de serviço dos professres, têm de acabar com a necessidade da porcaria de vagas aos 5.º e 7.º escalões. Senão não se recupera tempo nenhum, nunca mais!
Mas convém dizer!
Não é para ficar caladinho, como os srs. diretores têm o costume de fazer, para salvaguardar a sua imagem perante “o patrão”!
Ora, nem mais!
Se a necessidade de vagas para o 5.º escalão e o 7.º se mantiver, então não se chega a recuperar o tempo. Fica-se na lista de espera para entrar nesses escalões eternamente e não se recupera nada.
Mais valia acabarem de vez com a necessidade de vagas a escalões, que até é uma coisa que só acontece aos professores, já que nenhuma outra profissão da administração pública (e, pelo que sei, do privado) em que isso aconteça.
Se o sr. Secretário de Estado acabar com as listas graduadas, então entrega o recrutamento aos compadrios, favorecimentos, amiguismos e pequenas corrupções que graçam por este país em todo o lado em que as coisas funcionam assim.
Esperemos que o bom senso prevaleça e nada disso seja feito.
Escolher professores só será possível se os houver. Ora, parece que vai ser um pouco difícil com os números que têm sido divulgados.
E sobre o pessoal não docente, zerinho. Como sempre.
Da minha parte, não há mais do que me compete. Nem tempo de serviço, nem dicas sobre o concurso. Têm o recenseamento. Têm o aviso de abertura. Ninguém quer saber de nós. Então, eu também não quero saber dos srs. professores. Que aprendam.