Depois de chuva intensa, pode acumular-se água na superfície das estradas e ocorrer aquilo que comummente se designa por “aquaplaning”, sobretudo quando algum condutor é apanhado desprevenido, em alta velocidade, num contexto como esse…
O contacto entre os pneus da viatura e o excesso de água na superfície da estrada pode desencadear uma derrapagem, com perda de tracção e de controlo da direcção da viatura, deixando a mesma de obedecer à acção do respectivo condutor…
Portugal mais parece um veículo em “aquaplaning”, desgovernado, sem direcção e sem controlo, prestes a despistar-se e a sair disparado da estrada, embatendo no que quer que lhe apareça pela frente…
E, pior do que isso, não se vislumbra qualquer “condutor” com a competência e a credibilidade necessárias para evitar o desastre iminente, capaz de incutir confiança e apaziguamento aos “passageiros” que se encontrem na viatura…
O debate entre os pretensos “condutores” do país, Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro, mostrou exactamente o anterior…
Ficou bem patente o deserto de ideias, a esterilidade, o vazio, a aridez, a desolação…
E escusam de vir os “comentadores encartados” perorar por vencedores e vencidos, tentando mascarar o óbvio:
– No fim, ninguém ganhou, mas quem perdeu foram os Portugueses…
Depois do dia 10 de Março, a “viagem” será, com certeza, atribulada e o risco de não chegar ao destino será grande…
De forma absolutamente desiludida, mas consciente, depois de constatar que, afinal, nenhum Partido Político defende seriamente a Escola Pública ou valoriza e respeita os profissionais de Educação:
– No próximo dia 10 de Março, se só houver um voto em branco é meu…
Recuso, terminantemente, enveredar pelo, deprimente e humilhante, caminho do “menos mau”, acabando por legitimar o que é mau…
A forma como, em período eleitoral, todos os Partidos políticos têm vindo a “leiloar” a Escola Pública e os respectivos profissionais de Educação: “Quem dá mais, meus senhores? Quem dá mais?” é simplesmente ridícula e inaceitável…
Jamais aceitarei tornar-me num item de um qualquer “leilão”, transformada numa mercadoria que pode ser adquirida pelo lance mais elevado…
Falta seriedade, falta credibilidade e falta honestidade intelectual a todos os Partidos Políticos e respectivos líderes…
Os votos em branco não contam?
Contam, contam… Contam como protesto, como forma de exercer a Cidadania e de “lavar a Alma”…
Este país mais parece um enorme campo de sucata, enferrujada, podre e feia…
Neste momento, só me ocorre mais isto, como forma de ilustrar o meu desalento:
“Não: não quero nada
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?”
(Álvaro de Campos, extracto do Poema Lisbon Revisited 1923).
Paula Dias




7 comentários
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Não será certamente o único voto em branco. Pode contar com o meu também!
Nunca vi tanta miséria e falta de caráter juntos. Não haverá neste país um candidato sério, honesto, carismático e com propostas viáveis para corrigir o que sucessivos governos PS e PSD fizeram ao povo português?
Votem em branco e depois venham para aqui dizer que a vida corre mal!
São adultos, escolham! Não saber escolher é infantil! Se, ao menos, o voto em branco retirasse deputados da AR ainda serviria para alguma coisa…
O PSD não tem governado quase nunca nestes últimos 20 anos… Exceto quando o PS deixou o país na bancarrota e teve de obedecer à Troika!
Já o PS, desde Sócrates, tem sido muito bom para os professores, não é mesmo?
É curioso que mesmo tendo governado pouco tempo lembro me bem de medidas pouco simpáticas para os professores. Isto, claro está, os que conseguiram manter o emprego na altura da troika.
Refere-se ao congelamento de 2005 (Sócrates), às ultrapassagens na carreira (Costa e Alexandra Leitão), à não devolução do tempo de serviço (Costa), à avaliação de desempenho com quótas (Maria de Lurdes e Sócrates), ao fingimento de que está tudo bem nas escolas (Sócrates e Costa)?
Não nos esqueçamos permanentemente do Durão Barroso que, com o seu fantástico “o país está de tanga”, deixou o país paralisado logo no dia seguinte. Lembro-me bem. Depois, deixou o governo entregue ao Santana mal arranjou o tacho de presidente da CE. Simplesmente, pirou-se sem olhar para trás. E é, hoje em dia, persona non grata, na CE. Tendo em conta tudo o que fez por Portugal, em lugar de continuar a arranjar lugares aqui e acolá, deveria ser persona non grata em todo o lado, especialmente cá. Quanto às políticas de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues (mais os esbirros Valter Lemos e Jorge Pedreira), acho que todos estamos de acordo que deveriam estar na masmorra mais funda. A Maria de Lurdes Rodrigues, de vez em quando, vai à TV opinar como se tivesse alguma coisa de jeito a dizer. O Costa? O Costa, com todos os seus erros, é um santo à beira dessa gente. E ficou muito longe, mas muito longe, de levar o país à bancarrota. O Passos Coelho foi, como todos muito bem sabemos, graças à sua teimosia imperecível, muito além da Troika. Não esqueçamos de que, além do que nos fez, queria acabar com os subsídios que tanta falta nos fazem. E que os horários, com a manigância dos minutos, cresceram que não foi brincadeira durante o seu consulado. Isto é muito mais complicado e entrelaçado do que o que normalmente fazemos, que é, ainda que com razão, atirar palavras de ordem.
É um completo absurdo e uma total falta de respeito por todos os sacrifícios feitos por milhares de professores em prol da escola pública e da recuperação do tempo de serviço, apelar ao voto em branco num contexto eleitoral onde vários partidos, da direita à esquerda, incorporaram nos seus programas eleitorais a recuperação total do tempo de serviço que nos foi roubado. Quanto ao resto, vamos certamente ter oportunidade de avaliar e de decidir em conformidade no próximo ato eleitoral!
Não vou votar em branco, vou votar na recuperação do tempo de serviço que nos foi roubado!