Políticos “ineducáveis”, Professores “espectadores”…

 

Eugénio Tamagnini foi Vice-Reitor da Universidade de Coimbra e Ministro da Educação Pública do Governo de Oliveira Salazar entre 1934 e 1936…

Em 1934, Eugénio Tamagnini, de acordo com uma gradação da inteligência, pressuposta e conjecturada por si, categorizou os indivíduos em idade escolar, apresentando a respectiva distribuição, em termos de percentagem, da seguinte forma:

– Indivíduos ineducáveis (8%);

– Indivíduos normais estúpidos (15%);

– Indivíduos com inteligência média (60%);

– Indivíduos com inteligência superior (15%);

– Indivíduos notáveis (2%)…

O conceito de inteligência sofreu muitas reformulações desde 1934, mas, à época, a categorização apresentada por Eugénio Tamagnini, talvez influenciada pelo pensamento de Alfred Binet e Théodore Simon, seria perfeitamente aceitável…

Pelo olhar actual será impossível não considerar como escabrosa a rotulagem concebida por Eugénio Tamagnini…

Ainda assim, torna-se muito tentador utilizar a mesma terminologia, quando se avalia o actual espectro político português, fazendo as necessárias alterações, em termos de percentagens:

– Políticos “ineducáveis” (95%);

– Políticos “normais estúpidos” (3%);

– Políticos “com inteligência média” (2%);

– Políticos “com inteligência superior” (0%);

– Políticos “notáveis” (0%)…

Da Esquerda à Direita, Portugal mais parece um “território protegido” ou uma “reserva natural” de Políticos “ineducáveis”, tomados que estão, esses “cidadãos públicos”, pela crença na sua própria impunidade…

No geral, os Políticos “ineducáveis” não aprendem com os seus próprios erros, nem os corrigem;

Agem como se todas as suas acções estivessem abrangidas, e protegidas, pela ausência de qualquer castigo ou punição;

Bastará analisar a quantidade e a gravidade de delitos económicos, relacionados com corrupção, alegadamente cometidos por muitos desses Políticos “ineducáveis”, para se perceber o enraizamento da crença na sua própria impunidade;

Não atribuem qualquer importância aos julgamentos que possam ser feitos acerca de si, nomeadamente ao facto de não inspirarem confiança nem honestidade…

No meio dessa “reserva natural” de Políticos “ineducáveis” há Médicos, há Enfermeiros, há Polícias, há Agricultores e também há Professores, com uma “pequena” diferença entre si:

– Os Médicos e os Enfermeiros conseguiram domar alguns desses Políticos “ineducáveis”, os Polícias e os Agricultores também estarão a caminho de o concretizar e os Professores vão assistindo às lutas alheias…

 – Os Professores vão assistindo às reivindicações destemidas dos Médicos, dos Enfermeiros, dos Polícias e dos Agricultores…

– As escolas continuam abertas, em pleno funcionamento, com os Professores, sempre muito dóceis, a fazer o seu trabalho como se tudo lhes corresse pelo melhor e como se não tivessem motivos, mais do que suficientes, para “abanar” o país…

– O país, que não chegou a ser “abanado” pelos Professores, já se esqueceu, há muito, da pretensa luta Docente que, sem dar sinais vitais, visíveis e audíveis, acabou remetida à indiferença e ao entorpecimento…

Na verdade, aquilo que os Professores mais têm feito tem sido Assistir:

– Assistir à coragem alheia;

– Assistir às vitórias alheias;

– Assistir ao prazer do sucesso alheio, afectados por um certo “voyeurismo” e pela frustração de se verem confrontados com o seu próprio fracasso;

– Assistir, como se fossem meros espectadores…

Pela sua capacidade de mobilização e pela sua força de união, Médicos, Enfermeiros, Polícias e Agricultores conseguiram demonstrar que têm a coragem necessária para fazer parar o país, se necessário for…

Perante lutas sérias e profissionais corajosos, alguns Políticos “ineducáveis” têm sido obrigados a ceder e a atender às reivindicações de certas classes profissionais…

Os Professores só não o conseguem porque não querem…

No geral, os Professores continuam “perdidos” e entretidos nas suas quezílias internas, muitas vezes assoberbados com a “medição do tamanho de alguns órgãos do corpo humano”, a vaidade individual constitui-se como um apelo inultrapassável…

Os Sindicatos que supostamente os representam continuam num beco sem saída, reféns de si próprios, com discursos e “acções” meramente destinadas ao “consumo interno” dos próprios Sindicatos, sem quaisquer efeitos ou benefícios concretos para os putativos representados…

Face aos Políticos “ ineducáveis” que abundam por aí e às eleições do próximo dia 10 de Março, existirá, neste momento, algum Político, ou algum Partido Político, capaz de suscitar um verdadeiro entusiasmo por parte dos eleitores?

Com franqueza, não creio que exista esse Político, nem esse Partido Político, nem esse entusiasmo…

Da minha parte, será, com certeza, a primeira vez que irei votar sem qualquer convicção genuína, procurando, apenas, fazer uma escolha pelo critério do “mal menor”, tendo como principal objectivo contribuir para que o Chega e o Partido Socialista não consigam alcançar resultados satisfatórios…

O Chega nunca prestará e o Partido Socialista actual também não presta, são essas as únicas convicções que me farão sair de casa, para ir votar no próximo dia 10 de Março…

Podemos sempre “fazer a descoberta do que presta e não presta nesta vida” (Miguel Torga)…

O “escárnio” e a “maledicência” presentes neste texto pretendem ser uma crítica, sem complexos, aos maus costumes instalados, numa conjectura política e social onde dificilmente se vislumbrará alguma saída airosa.

O conteúdo deste texto apenas me compromete a mim, que o escrevi.

Paula Dias

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10 comentários

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    • on 4 de Fevereiro de 2024 at 13:23
    • Responder

    Os professores encontram-se amordaçados, nas escolas, pelos kapos, a que chamam diretores.
    Tudo como antes do 25 de abril.

    • Estêvão on 4 de Fevereiro de 2024 at 15:48
    • Responder

    Perfeitamente de acordo com o que escreve.Parabéns.

    • Simplex on 4 de Fevereiro de 2024 at 16:37
    • Responder

    Como conseguem avaliar a Inteligência do Professor?

    – Com grelhas inteligentes
    – Professores politiqueiros
    – Gestão caciquista
    – Toneladas de papeis com medidas
    – Terror ao minuto

    – Sem coragem, sem empenho, sem destino.

    • PROFESSOR(A) on 4 de Fevereiro de 2024 at 17:48
    • Responder

    Realmente a inteligência dos profes pode-se medir por artigos como este e os diversos comentários, não todos, obviamente, espalhados pelo blog.
    Quem não está satisfeito que mude de profissão. Ou então espere pelo que aí vem se a direita, que se vai aliar à extrema direita ninguém tem dúvidas, ganhar as eleições. Este PS fez assim tão mal às escolas? E os PAFES onde indica que vai votar? Que santinhos! Que tempos maravilhosos!
    Venha de lá a privatização e/ou mais poder para os diretores e veremos como vai ficar a escola e o emprego dos profes.
    Pensem um pouco consequências antes de se precipitarem pelo desânimo do momento.
    A reflexão, a cultura e o conhecimento não pode ser enredado pelas urgências das redes sociai.

      • Mustang Horse on 4 de Fevereiro de 2024 at 18:39
      • Responder

      “Este PS fez assim tão mal às escolas?”

      Quem faz uma pergunta como esta ou desconhece por completo as consequências das políticas educativas dos últimos oito anos ou então é um defensor tão acérrimo do Partido Socialista que não vê para além do que esse partido lhe impinge e impõe.

      Tem a certeza de que é PROFESSOR(A)? Se é, não parece. Parece muito mais um comissário político do Partido Socialista, tão inteligente, mas tão inteligente, que acha que todos os outros é que são imbecis. O Partido Socialista tem, de resto, muitas criaturas semelhantes, todos com a mania de superioridade intelectual, sobretudo quando as coisas não lhes correm bem.

        • Anónimo on 4 de Fevereiro de 2024 at 21:30
        • Responder

        Vê-se que o PROFESSOR(A) não passa de um cacique do PS a fazer campanha.
        Quem é professor a sério sabe bem o que tem acontecido na Educação desde 2005, quando Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues elegeram os professores como alvos a abater, prejudicando a sua carreira, a sua reforma, a sua vida.
        Cortes, congelamentos, ultrapassagens, não reposição indiciária como deveriam ter feito em 2007/2008, etc.
        E ainda querem mais disto?!

    1. Eusébio Tamagnini. Fui ver a biografia na Wikipédia e acho que era o bom-senso em pessoa. Quem me dera ter um ministro assim. Por ter sido ministro do Professor Salazar, é logo descartado como “fascista”. 50 anos de propaganda abrileira, se calhar, já chega!!!

    2. Tenho aqui ração para ti, Maria de Lurdes!

    • J.P. F. on 5 de Fevereiro de 2024 at 10:50
    • Responder

    Essa classificação desse senhor Tamagnini corresponde exactamente à ideia que tenho, após 40 anos de profissão. Pode ser “escabrosa”, mas é a PURA REALIDADE. Existem pessoas totalmente ineducáveis e nenhuma ideologia fofinha mudará isso. Serão sempre incapazes de desempenhar qualquer tarefa útil e à Sociedade compete mantê-las longe da criminalidade, porque aí, então, é o desastre.

    CURIOSAMENTE, SÃO ESSES ALUNOS QUE MANDAM NAS ESCOLAS.
    Estragam as aulas, espancam colegas, funcionários e professores, lançam o medo.

    Todas as análises da treta que os “especialistas” fazem, ignoram esse FACTO!!!!!!!!!! Porque o demente do Paulo Freire evacuou umas alarvidades sobre “Educação”, somos obrigados a dizer que o Rei vai vestido.

      • Anonimo on 5 de Fevereiro de 2024 at 19:43
      • Responder

      O problema não é serem ineducáveis.
      O problema é que há muito trabalho a fazer fora da escola para que eles o possam ser.
      E esse trabalho não pode ser feito pela escola. Tem de ser feito pela família, pelas assistentes sociais, pelos tribunais e até pelas forças de segurança (nalguns casos).
      Colocar todo o trabalho na escola é uma fantasia que dá péssimos resultados.

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