No passado dia 29 de Janeiro, ficámos a conhecer os resultados de um Estudo realizado pelo ISCTE, coordenado por Isabel Flores, sobre o absentismo docente, analisado ao longo de cinco anos…
Entre outras conclusões, o referido Estudo, citado pela Agência Lusa em 29 de Janeiro de 2024, refere que:
– “Em média, os professores do ensino básico e secundário faltam cerca de dois milhões de dias por ano.” (Isabel Flores, citada pela Agência Lusa, em 29 de Janeiro de 2024)…
– “Apesar da grandeza dos números, a grande maioria dos professores nunca falta ou falta menos de 10 dias por ano e por isso nem é justa a ideia de imaginar que as escolas ficam abandonadas.” (Isabel Flores, citada pela Agência Lusa, em 29 de Janeiro de 2024)…
– “Os níveis de absentismo entre os professores das escolas públicas são semelhantes aos das restantes classes da Administração Pública.” (Isabel Flores, citada pela Agência Lusa, em 29 de Janeiro de 2024)…
– “A saúde é o principal motivo das faltas e, em metade dos casos analisados, são doenças crónicas que justificam as ausências, mas também há muitos registos de doenças pontuais (25%).” (Isabel Flores, citada pela Agência Lusa, em 29 de Janeiro de 2024)…
Acreditando nos dados fornecidos pelo referido Estudo, em particular nas afirmações anteriores, e usando de honestidade intelectual, não haverá nos dados apresentados qualquer evidência ou prova que permita inferir ou concluir que, em termos gerais, a Classe Docente seja “absentista por natureza” ou que recorra ao absentismo injustificadamente…
Sem querer entrar numa longa discussão acerca dos motivos que terão, eventualmente, justificado a ausência ao serviço de alguns Professores, muitas vezes intimamente relacionados com os graves males que afectam o exercício da docência, não poderá, contudo, deixar de se afirmar o seguinte:
– Independentemente dos motivos que levaram determinados Professores a faltar ao serviço em certas ocasiões, as justificações de faltas apresentadas pelos mesmos terão sido aceites pelos Serviços Administrativos e pelas Direcções dos respectivos Agrupamentos de Escolas, o que, à partida, as tornará legítimas, por não poderem deixar de estar fundadas na legalidade…
Dificilmente alguém faltará ao serviço sem apresentar provas que o justifiquem ou sem dar conhecimento dessa ausência à respectiva Direcção de Agrupamento, procedendo à revelia da mesma…
– Assim sendo, as faltas ao serviço dos Professores terão sido devidamente justificadas, ao abrigo da Lei, em conformidade com a Lei e, como tal, não poderão deixar de ser consideradas como lícitas e legalmente validadas…
Face aos resultados do Estudo anteriormente mencionado, levantaram-se muitas vozes, entre as quais a de Vital Moreira, que apresenta uma interpretação acerca dessas conclusões que, no mínimo, poderá ser susceptível de causar perplexidade e estupefacção…
Um artigo publicado no Jornal Política ao Minuto, datado de 30 de Janeiro de 2024, denominado “Professores a faltar? “Escândalo que mina a confiança na escola pública”, citou a opinião de Vital Moreira cerca do absentismo docente, patente no Blogue Causa Nossa:
– “É um escândalo esta elevadíssima falta de assiduidade dos professores do ensino público, que deixa milhares de alunos sem aulas e sem aproveitamento e que vai minando a confiança na escola pública” (Vital Moreira, Blogue Causa Nossa, em 30 de Janeiro de 2024)…
– “É evidente que nada de semelhante se passa nas escolas privadas. A uma cultura de irresponsabilidade profissional no sector público, soma-se uma gritante carência de ética de serviço público. Enquanto a falta de assiduidade não for devidamente penalizada na avaliação de desempenho profissional, a situação só pode piorar.” (Vital Moreira, Blogue Causa Nossa, em 30 de Janeiro de 2024)…
Em resumo, Vital Moreira:
– Qualifica como “um escândalo esta elevadíssima falta de assiduidade dos professores do ensino público”;
– Considera que o absentismo docente é uma manifestação da “cultura de irresponsabilidade profissional no sector público”, a que se somará “uma gritante carência de ética de serviço público”;
– E defende que “esta elevadíssima falta de assiduidade” tem que ser “devidamente penalizada na avaliação de desempenho profissional”…
Não sei em que fundamentos se baseou Vital Moreira para ter proferido tais declarações, mas, com franqueza, não parece que possa ter sido nas conclusões do Estudo já mencionado, sobretudo quando a própria Coordenadora do mesmo, Isabel Flores, enfatizou isto:
– “Apesar da grandeza dos números, a grande maioria dos professores nunca falta ou falta menos de 10 dias por ano e por isso nem é justa a ideia de imaginar que as escolas ficam abandonadas.”
E também isto:
– “Os níveis de absentismo entre os professores das escolas públicas são semelhantes aos das restantes classes da Administração Pública.”
Portanto, a inferência mais óbvia que se poderá extrair das declarações de Vital Moreira é que, com forte probabilidade, estaremos perante uma análise enviesada, não corroborada pelos resultados do próprio Estudo, nem pelas declarações da respectiva Coordenadora…
Em 2009, Vital Moreira aceitou o convite de José Sócrates para liderar a Lista do Partido Socialista às Eleições para o Parlamento Europeu (Deputado Europeu de 2009 até 2014), tendo-se auto-intitulado, nessa altura, como “socialista freelancer” (TVI Notícias, em 19 de Maio de 2009)…
Não sei se ser “socialista freelancer” pode ou não ter alguma influência nas análises realizadas sobre absentismo docente…
Sei que o 1º Ministro António Costa e o Secretário de Estado da Educação/Ministro da Educação João Costa tiveram uma acção governativa durante oito anos dominada pela sobranceria, típica de quem se considera intocável e acima de qualquer crítica ou julgamento, chegando mesmo a verificar-se diversas tentativas de atropelamento à Liberdade de Expressão e ao Direito à Greve, absolutamente inaceitáveis num pretenso Estado de Direito Democrático…
E também sei que a denominada “elite dos Intelectuais de Esquerda” se mostrou silenciosa, passiva e condescendente em relação aos Governos de António Costa, sem dar quaisquer sinais de indignação face a tais tiques de autoritarismo, parecendo julgar as agressões perpetradas pela Tutela à Classe Docente como aceitáveis, desculpáveis ou meramente metafóricas…
Acredito que parte significativa das faltas dadas por Professores, nomeadamente as ausências ao trabalho por motivo de doença, possa estar directamente relacionada com insuportáveis sintomas de burnout, justamente propiciado e acentuado pelas políticas educativas concebidas pelos Governos do Partido Socialista nos últimos oito anos…
Ao fixar-se na “grandeza dos números”, Vital Moreira parece ter feito uma “leitura selectiva” e uma “interpretação truncada” das conclusões do presente Estudo, preterindo a contextualização, o enquadramento e a relativização desses dados numéricos…
Os Professores, a quem não parece ser reconhecida responsabilidade profissional, nem ética de serviço público, aparecerão, assim, como incorrigíveis “faltistas”, pelo menos para alguns…
Paula Dias




17 comentários
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Excelente análise. Parabéns.
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excelente quê???????
Bandalho do caralho!………
Os professores faltam para irem de fim-de-semana, para irem de férias para a praia tropical e para irem fazer compras e bater tacão………..
mais uma professora CHANFRADA
professora da escola com 40 anos entra com o carro pela escola dentro e foi levada para o Hospital de Santo António.
https://www.jn.pt/2992336075/carro-entra-em-escola-de-rio-tinto-professora-e-alunos-feridos/
mais uma parva que anda a bater tacão na escolinha dos pobrezinhos
Quanto ao ABSENTISMO e á pouca Vergonha que é a escolinha publica veja-se:
“Uma equipa de investigadores do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa analisou o absentismo entre a classe docente ao longo de cinco anos e concluiu que, em média, os professores do ensino básico e secundário faltam “cerca de dois milhões de dia por ano”, contou à Lusa a coordenadora do estudo, Isabel Flores”
Em média 11 mil professores faltam diariamente à escola
Em média, 11 mil professores faltam diariamente ao trabalho e essa ausência significa que, todos os dias, cinco mil turmas são afetadas pela falta de, pelo menos, um professor.
https://observador.pt/2024/01/29/professores-faltam-cerca-de-dois-milhoes-de-dias-por-ano/
Javardos!!!!!!!!
SUINOS!!!!!!!!!!!!
Continuem a Bater Tacão porcas do caralho!!!!!!!!!
Esta MERDA não ocorre no Ensino Privado e no Ensino COOPERATIVO
Venha o CHEQUE-ENSINO o mais rapidamente possível
Viva André Ventura!
Viva a AD
Viva Luis Montenegro!
Viva Portugal
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Mais um dia sem tomar a medicação… Saltámos, outra vez, a medicação? Apesar de o seu caso não ter cura, não deve deixar de tomar medicamentos sem aconselhamento médico… Quem é amiguinho, quem é?
Pessoal!!!! O Tavares está outra vez a ter um ataque de raiva. Tragam Xanax, cocaina ou um martelo. Alguma destas soluções deve resolver o problema.
Mas quem é que tirou o açaime a este gajo?
Estudo realizado pelo ISCTE? O instituto da Milú? Poupem-me e passem à frente…
Se faltam é porque precisam e quererem ainda prejudicar, ainda mais, os docentes por isso, é ignóbil. Em vez de andarem a realizar estudos que em nada trazem de proficiente para a melhoria do estado da Escola Pública, deviam debruçar-se em realizar estudos e propostas sobre e o escandaloso fenómeno da INDISCIPLINA tal um cancro que se espalha e deteriora o Ensino Público.
Esta gente do ISCTE, grande maioria da familia do partido socialista, andam a entreter-se a fazer estudos ridículos. E nós, portugueses andamos a pagar impostos altíssimos para sustentar esta gente incompetente.
Pior, é que a porcaria inútil que publicam pode influenciar negativamente a vida das pessoas.
Lurdex infinitamente grata ao seu Pratido . Como é maravilhoso ISC_TAR.
Excelente texto. Excelente lógica.Parabéns, Paula.
Não entendo a necessidade deste estudo. Menos o Timing da divulgação pública.
O PS mandou? E o ISCTE obedeceu?
Perplexidade! Que pretendem?
Denegrir os pobres e maltratados professores que neste momento passam frio dentro das salas de aula e pagam para trabalhar longe da sua residência oficial?
Afastar ainda mais os jovens da profissão ?
Este vital Moreira devia ter vergonha do que escreve e da persona em que se tornou.
Neste momento com tanta militância e mudança já não deve saber quem é. Outra Zita Seabra vendidos ao grande capital.
Os professores deviam em massa abandonar as salas de aula. Deixar as escolas vazias.
Esse fulano é um idiota.
Depois queixam.se que ninguém quer ser professor.
Boa análise. Faltou apenas dizer que seria ilegal penalizar profissionais por motivos alheios à sua vontade (doença) ou por motivos de parentalidade (e que o nosso país tanto precisa…)
todos os textos que a Paula escreve, são de uma clarividência fantástica. Objectiva, clara e de leitura agradável, que prende! Obg
Qual foi a vida académica de Vital Moreira, em termos de trabalho? Em quantos distritos trabalhou? Em quantos concelhos trabalhou ?Em quantas escolas trabalhou? Quantos Km teve de fazer da escola para o trabalho e vice-versa?
A vida de nómada, com família constituída, não costuma ser um mar de rosas.
Falar sem moral é uma canalhice.
O que se passa na educação é o que se passa noutros ministérios e noutras profissões. Devia haver maior fiscalização aos atestados e baixa médicas, pois muitos são fraudulentos, Ainda há pouco apanharam um milhares falsos e não há meios humanos para fiscalizar mais. É o que temos no país. Depois dá nisso, como vamos melhorar? ze toi
Os professores também envelhecem! Também ficam doentes!
Felizmente estou ” quase quase a bater com a porta no Ensino”!
FARTO DE TANTA INSENSIBILIDADE!
Aos colegas que ficam, lhes desejo um ESTADO que os dignifique. Que os tratem como SERES HUMANOS!
Well done! Your discussion on the future of renewable energy is both hopeful and pragmatic. Eager to see these solutions implemented.