O Bloco de Esquerda não sabe nadar, yo… O Pedro Abrunhosa não sabe nadar, yo…

Parece que está instalada a polémica e o desentendimento entre o Bloco de Esquerda e o artista Pedro Abrunhosa, alegadamente motivados por isto:

– Pedro Abrunhosa acusou o Bloco de Esquerda de plágio, de “apropriação indevida de propriedade intelectual alheia” e de “chico-espertice, de alguém muito pouco criativo”, por o slogan partidário escolhido pelo Bloco “Fazer o que nunca foi feito” ser muito parecido com o título da música do cantor “Fazer o que ainda não foi feito.” (Jornal Expresso, em 17 de Fevereiro de 2024)…

Pedro Abrunhosa terá, ainda, acrescentado:

– “Ainda que me tivesse sido pedido autorização prévia, esta teria sido, ainda assim, prontamente recusada. Qualquer partido com aspirações governativas tem que assegurar uma honestidade intelectual blindada, nomeadamente face à capacidade criativa dos cidadãos e ao Direito Autoral conforme consagrado na Lei.” (Jornal Expresso, em 17 de Fevereiro de 2024)…

– “Assim, solicitei já os meus representantes legais através da Sociedade Portuguesa de Autores que notifiquem o partido em causa para imediata retirada da frase de minha autoria de qualquer suporte político/publicitário.” (Jornal Expresso, em 17 de Fevereiro de 2024)…

Que se saiba, o Bloco de Esquerda ainda não comentou as referidas acusações de Pedro Abrunhosa…

Perante tudo o anterior, lembrei-me dos Black Company, que em 1994 editaram um Rap intitulado “Nadar” e que, à época, todos conheciam e cantarolavam…

As pessoas da minha geração, actualmente jovialíssimos, mas experientes, “cinquentões”, saberão muito bem do que falo…

Na altura, o sucesso desse tema musical foi tão grande que a expressão “Não sabe nadar, yo” passou a fazer parte de um léxico utilizado por muitas pessoas, nas mais variadas situações, quase sempre em tom de brincadeira ou ironia…

Voltando à contenda que opõe Pedro Abrunhosa ao Bloco de Esquerda, parece-me isto:

– Da parte do Bloco de Esquerda, se não é plágio, parece que é plágio, tal é a parecença entre as duas expressões…

– Para evitar a acusação de aproveitamento indevido, deveria ter existido, no mínimo, o cuidado de, previamente, informar Pedro Abrunhosa acerca da pretensão de utilizar tal slogan partidário…

– O Bloco de Esquerda deveria ter antecipado que fazer associações políticas e partidárias a alguém, ainda que de forma subliminar, sem o seu consentimento, poderá sempre ser considerado como abusivo e ilegítimo…

– Por seu lado, Pedro Abrunhosa, que por acaso não aprecio particularmente e a quem não reconheço notáveis dotes enquanto Cantor, apesar de me agradarem algumas sonoridades suas, parece ter sido acometido por algum tique de pretensa “super-star”, pelo exagero patente na sua reacção, aparentemente procurando chamar a si muitas atenções e protagonismo…

Portanto, parece que estaremos perante mais um típico episódio de um “Portugal dos Pequenitos”, com “fait-divers” perfeitamente evitáveis e desnecessários…

Resumindo, Bloco de Esquerda e Pedro Abrunhosa, nenhum dos dois ficará bem nesta “fotografia”, pelo que volto ao Rap dos Black Company, que me parece perfeitamente adaptável a esta situação:

O Bloco de Esquerda não sabe nadar, yo…

O Pedro Abrunhosa não sabe nadar, yo…

(Reminiscências de quem tinha 24 anos, quando “Nadar” foi dado à luz do dia…).

Paula Dias

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30 comentários

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    • Mainada on 22 de Fevereiro de 2024 at 20:00
    • Responder

    O Pedrinho passou-se, yo. Deve estar a precisar de ser falado. Ou julgar que é mais falado do que realmente é. Não há plágio nenhum. São frases pequenas e semelhantes, só isso, yo. De resto, o mundo da música está e sempre esteve cheio de plágios flagrantes que, nem por isso, dão azo a tanto barulho. Acho mesmo que o Abrunhosa não sabe nadar, yo. Devia ter ficado no jazz, onde era respeitado.

      • Ana on 22 de Fevereiro de 2024 at 20:49
      • Responder

      Nem mais! Isto não é plágio, era só o que faltava.

        • Marcie on 23 de Fevereiro de 2024 at 12:37
        • Responder

        Sim, não é plágio. No entanto a autora Paula Dias considera: “Da parte do Bloco de Esquerda, se não é plágio, parece que é plágio, tal é a parecença entre as duas expressões…”
        E assim vai o mundo!

          • Paula Dias on 23 de Fevereiro de 2024 at 16:59

          Consegue provar que não é plágio? Gostaria muito de ver essa demonstração, para que não restem quaisquer dúvidas…

          • Mainada on 23 de Fevereiro de 2024 at 17:31

          Eu, que nunca apreciei particularmente o BE, devo dizer que nem a Paula acredita que seja plágio; caso contrário, ao lançar um desafio, deixaria, pelo menos, o quadrinho que diz *responder*, o que, não sei como, nem me interessa, não fez. Qualquer pessoa que entenda o suficiente de comunicação, nomeadamente artística, sabe de caretas que o Abrunjosa entrou pela parede do ridículo dentro. Se fizessemos esse tipo de caça às bruxas por sistema, pouca coisa sobreviveria porque tudo tem a ver com tudo, quanto mais frasezinhas como esta…

          • Mainada on 23 de Fevereiro de 2024 at 17:35

          Também não aparece o *responder* na minha resposta. Logo, justiça seja feita: retiro essa conclusão inicial do meu texto.

          • Ultracongelado on 23 de Fevereiro de 2024 at 18:35

          A autora pede-lhe para provar que não há plágio, pois é muito hábil na arte de baralhar e confundir, no entanto, o ónus da prova cabe a quem faz a acusação. Assim sendo, é a autora quem tem que demonstrar que há plágio, pois é ela quem, à boleia do Abrunhosa, acusa o BE de cometer plágio no artigo.

    • Teresa on 22 de Fevereiro de 2024 at 21:14
    • Responder

    Tenho o telemóvel a ser vigiado. Para além de tremer o ecrã agora apagou o comentário que fiz ao texto. Nem me deixaram acabar.

      • Mainada on 22 de Fevereiro de 2024 at 21:32
      • Responder

      Instala um antivírus e corre-o. Também pode ser uma daquelas maluqueiras que dá ao Android… Mas sim. Os antivírus gratuitos para telemóveis não costumam ser nada de especial e têm sempre publicidade a chatear, mas é melhor do que nada. O Avast, por exemplo.

    • João on 22 de Fevereiro de 2024 at 22:04
    • Responder

    Mas isto agora passou a ser o esquerda. net?

      • Mainada on 22 de Fevereiro de 2024 at 22:32
      • Responder

      Não tem nada que ver com esquerda e direita, nem o Abrunhosa tem ligações à direita. Mas pode ser absurdo. O que, no presente caso, bem parece.

    • AC on 22 de Fevereiro de 2024 at 22:23
    • Responder

    Muito bem, Paula Dias!👏👏

    • Mainada on 23 de Fevereiro de 2024 at 0:35
    • Responder

    É verdade que o Arlindo fez o favor de publicar este artigo política e artisticamente ingénuo, mas a autora é a Paula Dias…

    • Figuras on 23 de Fevereiro de 2024 at 7:14
    • Responder

    Anda tudo muito nervoso e sensível. Perspetivam-se mudanças de cadeiras e há mais expetativas que as cadeiras…

    • Mustang Horse on 23 de Fevereiro de 2024 at 8:38
    • Responder

    Dói-lhe alguma coisa, Pedro Augusto? Pois, bem me parecia que sim…

    • António on 23 de Fevereiro de 2024 at 12:23
    • Responder

    Estou de óculos escuros.

    • Ultracongelado on 23 de Fevereiro de 2024 at 18:49
    • Responder

    Percebe-se muito bem nas respostas que dá a quem nos comentários discorda do que escreve o bom humor e o espírito democrático da autora. Sempre pronta na resposta, não perde uma oportunidade para diminuir ou insultar.
    “Talvez @ AA tenha andado ligeiramente distraíd@…”. ; “Lamento que alguns tenham o “sentido de humor de uma anémona” .
    Enfim, uma serva da verdade num mundo de ignorância e distração.

    • Paula Dias on 23 de Fevereiro de 2024 at 21:23
    • Responder

    Mainada:
    Não percebo e não sei porque desapareceram, lá em cima, os quadrados “Responder”. Não tenho qualquer responsabilidade pelo seu desaparecimento. Portanto, “Mainada”, escusa de vir com acusações absolutamente infundadas.

    Ultracongelado:
    “Assim sendo, é a autora quem tem que demonstrar que há plágio, pois é ela quem, à boleia do Abrunhosa, acusa o BE de cometer plágio no artigo.”

    “A autora” não acusou o BE de plágio, quem o fez foi Pedro Abrunhosa.
    O principal problema desta controvérsia é uma pessoa ver-se associada a um Partido Político sem o seu consentimento, por via de um slogan indissociável dessa pessoa. Será tão difícil perceber isso? Aceitaria que o associassem a um qualquer Partido Político sem o seu consentimento?

    AA:
    Apreciei, particularmente, o 5º ponto do seu comentário, parece-me uma sugestão muito válida, apesar de não gostar da sonoridade dessa “cantiga” do Abrunhosa. E, sim, faz muito bem ao corpo e à alma e devia ser praticado com regularidade…

      • Mainada on 23 de Fevereiro de 2024 at 21:35
      • Responder

      Cara Paula, tem que ler tudo, uma vez que já me expliquei (simplesmente não consigo apagar posts). Vai ver que se ler tudo ficará mais informada.

      • Ultracongelado on 23 de Fevereiro de 2024 at 21:36
      • Responder

      Está tudo dito, então. Obrigado uma vez mais por nós trazer a luz!

      • Ultracongelado on 23 de Fevereiro de 2024 at 21:40
      • Responder

      Paula Dias on 23 de Fevereiro de 2024 #
      02Rate This

      Consegue provar que não é plágio? Gostaria muito de ver essa demonstração, para que não restem quaisquer dúvidas…

        • Paula Dias on 24 de Fevereiro de 2024 at 6:11
        • Responder

        Ultracongelado:

        Consegue provar que não é plágio? Gostaria muito de ver essa demonstração, para que não restem quaisquer dúvidas… Mantenho a pergunta e registo que, até agora, ninguém o demonstrou…

        Aceitaria que o associassem a um qualquer Partido Político sem o seu consentimento? Registo, ainda, que não respondeu à pergunta fundamental, que explica toda esta controvérsia…

          • Ultracongelado on 24 de Fevereiro de 2024 at 7:34

          O ónus da prova cabe a quem acusa e não o contrário. É a Paula quem tem que demonstrar o que deixa perceber no artigo. “– Da parte do Bloco de Esquerda, se não é plágio, parece que é plágio, tal é a parecença entre as duas expressões…”. E ainda mais quando de forma insistente, na resposta aos comentários, pede uma demonstração de que não há plágio, reafirmado a sua convicção de que há.

          • Ultracongelado on 24 de Fevereiro de 2024 at 7:41

          “Consegue provar que não é plágio? Gostaria muito de ver essa demonstração, para que não restem quaisquer dúvidas… Mantenho a pergunta e registo que, até agora, ninguém o demonstrou…”
          Está a argumentar de forma falaciosa. Comete a falácia do apelo à ignorância, que consiste em tomar algo como verdadeiro ou falso só porque ninguém conseguiu provar o contrário. No caso, continua a supor como verdadeira a tese de que houve plágio porque ninguém consegue provar o contrário. Mas repito, é a Paula que tem que provar que houve plágio e não o contrário.

      • AA on 25 de Fevereiro de 2024 at 12:11
      • Responder

      Cara senhora,
      Então pratique o ponto cinco “porque lhe faz bem à sua saúde mental”…

    • Ultracongelado on 23 de Fevereiro de 2024 at 21:37
    • Responder

    nos trazer a luz

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