Um guarda da PSP, voluntariamente, manifestou-se em frente à Assembleia da República e, em pouco tempo, sentiu-se acompanhado por muitos milhares de colegas de profissão que largaram tudo para o apoiar e não baixaram os braços até serem recebidos pelos representantes dos partidos. Durante dias da semana, sem medo, perturbaram e chamaram a atenção, sem preocupações de prejudicar a segurança pública enquanto lutavam pelos seus direitos.
Os agricultores vieram para as ruas em dias de semana, cortaram estradas, passaram noites em branco ao relento e não desmobilizam enquanto não virem satisfeitas as suas reivindicações, alegando que agora é o momento.
Os médicos, com a sua luta e greve, não se preocuparam em pôr em risco a saúde e a vida de doentes, mantendo-se determinados e intransigentes.
Os professores têm os sindicatos a anunciar tréguas até às eleições e, quando alguns professores tentam renovar a luta (fui o 1º a tentar fazê-la renascer logo na 2ª semana de janeiro), assistimos à indiferença de muitos colegas, como se nada fosse com eles, enquanto outros tentam desacreditar e desmobilizar os que ainda tentam lutar por todos.
Greves aos dias de semana, não dão jeito, bloquear as estradas é violento, perturbar, pode causar incómodos aos outros cidadãos, passar uma noite em branco, pode matar-nos, parar as escolas, pode deixar-nos a passar fome e prejudicar os alunos e arranja-se todo um conjunto de justificações para não se fazer nada que as outras classes profissionais fazem. É sempre mais do mesmo, com a sala de professores e as redes sociais a servirem de muro das lamentações, mas empreender uma luta que parasse tudo e incomodasse, obrigando a classe política a responder às nossas reivindicações, é aborrecido e dá trabalho.
Forças de segurança e agricultores, com um nível médio de instrução inferior ao dos professores, demonstram um nível de inteligência muito superior.
E, nós, mais uma vez, iremos assistir a outras classes profissionais conseguirem alguma coisa, porque foram bater-se sem tréguas, enquanto nós ficamos em casa a lamentar-nos à espera de que tudo se resolva por si só?
Não tenho qualquer dúvida de que o maior desafio está dentro de nós e tem nomes – vontade e coragem. Dois sentimentos que, quando se juntam, se tornam invencíveis.
Carlos Santos

20 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
No entanto, esses mesmos polícias, conseguiram fazer a guarda de honra a 50 NAZIS e deixaram agredir jornalistas.
Interessante, muito interessante.
Não aceito comparações com polícias. A nossa luta não tem nada a ver com a luta deles.
Pois. Engana-se.
A nossa luta é a mesma luta de todos os que são injustiçados e vilipendiados.
Não reconheço a sua tentativa de encostar o protesto das forças de segurança com a extrema-direita.
Aliás, vê-se bem no que escreve que é parcial. Os polícias não estiveram a fazer guarda de honra a ninguém. Estiveram a circuscrever 50 nazis, como afirma, a uma caixa de segurança, mantendo os demais cidadão que estavam fora dele protegidos de extremistas.
A luta de todos os injustiçados por governos corruptos e ladrões deve ser ouvida e as justas pretenções atendidas.
É pena é que alguns tentem encostar protestos a extremismos, em particular quando eles são mais do que justos.
Não sei quem estará mais enganado. O que é o movimento zero?
Ao contrário do que afirmou, hoje não garantiram a segurança de cidadãos civis como eu. Garantiram a segurança de 50 NAZIS. A prova é que agrediram transeuntes e jornalistas. A TV mostrou. Mas, fosse como fosse, para proteger nazis não pediram baixas médicas. Além disso ameaçam com boicote às eleições de 10 de Março. Nunca vos vi recusar transportar exames quando os professores estavam em luta.
Respeito a vossa luta por aumentos salariais ou melhores condições de trabalho. Mais nada. Subsídio de risco? Qual risco?
Sejam honestos na vossa luta se querem ser respeitados..
Não sou polícia. Acho que confundiu as coisas.
Peço desculpa, tinha ficado com essa sensação. Mas o discurso era muito semelhante.
Luto pela minha classe e sempre que possa contra as injustiças de que falou. Com polícias, nunca.
Com franqueza Agostinho, quando a sua visão só vê a sua classe e não a realidade nacional, muito lhe escapa. Só vê a maçã, mas nem quer olhar para a macieira, muito menos para o pomar?
É a grande derrota dos professores, conheço bem as causas. Não se sabem salvar a si próprios, mas acham que podem salvar o pomar. As lutas da minha classe profissional não são as lutas dos tratores ou dos polícias ou dos advogados. Todos terão razões justas para lutar, mas nenhum deles é o dono ou o salvador do pomar.
Muita polícia, aliada ao movimento zero perdeu credibilidade. Façam uma limpeza, a mesma que os seus aliados propõem.
Os 50 nazis não poderiam ser deixados à solta, ou haveria distúrbios, não acha? Isso é má-vontade sua.
Espero é que eles sejam poucos mais do que os que encenaram aquela marcha Hitleriana das tochas. E espero que em breve a extrema-esquerda seja reduzida ao mesmo número, porque é igualmente totalitária.
Que podia haver distúrbios sabemos nós, por isso os foram proteger.
Na mesma lógica, por que razão não foram também proteger os cidadãos em Famalicão? Não sabiam que também podia haver distúrbios.
Eu não tenho nem boa nem má vontade. Factos. Os resultados estão à vista.
Você insiste que os polícias que para lá foram, foram proteger os nazis.
Mas porque pensa assim?
Estiveram, como era seu dever, a circunscrevê-los numa “gaiola” ou “caixa”, para que não interagissem com os populares e causassem problemas.
Quais factos?
E por acaso o jogo de Famalicão, que não se realizou, era de alto risco? Não se devem comparar situações incomparáveis,
Daqui a pouco estaria a dizer que para ir prender um carteirista tinha de ir um regimento do exército.
“Quando o ódio veste fardas”
Hoje, no telejornal da SIC.
Tem razão, o autor. Uma verdade (inconveniente)!
A confirmação de regra…
Tem toda a razão. A maioria dos professores está à espera que os problemas se resolvam sem dar o corpo às balas.
Não é com manifestações, grevezinhas ou vigílias que se consegue algo. Para esse tipo de luta não estou disponível.
Até ao dia de hoje, conseguimos uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
Ou mudámos de estratégia e partimos para uma luta a sério doa a quem doer,ou todo vai ser o mais do mesmo.
E que luta a sério é essa?
Juntares-te ao movimento zero?
O amigo. Vai dar banho ao cão.
Os professores podem começar por fazer greve ao sobretrabalho…a todas as reuniões que não estão contempladas no seu horário os docentes não devem comparecer (e não desconta no ordenado).
Link: https://www.fenprof.pt/pre-avisos-de-greve-ao-sobretrabalho
Uma profissão feminina e está tudo dito.
Há semanas que pergunto o mesmo. A resposta é sempre a mesma. Têm medo de quê? Se não for agora, quando, depois de estar tudo decidido.
Os professores podem e devem começar por fazer greve ao sobretrabalho.
Às reuniões que não estão contempladas no seu horário os docentes não devem comparecer (e não desconta no ordenado).
Link: https://www.fenprof.pt/pre-avisos-de-greve-ao-sobretrabalho