“Excursão” escolar origina 23 multas de trânsito para professora e educadora

Este é um bom exemplo que vai deixar os professores a pensar da próxima vez que organizarem uma saída com os alunos, sejam eles de que grau de ensino forem.

Já não é a primeira vez que ouço ou leio casos em que os professores são autuados pelas autoridades durante as saídas com alunos. Lembro-me de um caso em que o Agrupamento não disponibilizou aos docentes que acompanhavam os alunos numa saída a declaração de idoneidade. O resultado foi uma multa de 750€ para o docente que, na sua inocência, se voluntariou para ser identificado. O diretor deitou o corpo de fora e o colega teve que pagar.

Na minha última saída comos miúdos, já este ano letivo, fomos inspecionados pelas autoridades. Segundo palavras do sargento da GNR, foi um encarregado de educação que apresentou uma denuncia, alegando que a escola não tinha reunido as condições de segurança para aquela saída. A escola tinha tudo muito bem organizado, as crianças deslocavam-se em segurança e a documentação pecava por excesso. Falta saber se o pai que fez a denuncia tinha dado autorização para o seu educando acompanhar os colegas naquela saída. (só um encarregado de educação tinha manifestado a não autorização por ter compromissos como seu educando para esse dia) Se deu autorização e a seguir foi fazer denuncia, demonstrou uma grande irresponsabilidade como pai ou mãe, bastava inteirar-se, com a escola, das condições em que se realizaria a saída.

Enfim…

Também houve aquele caso em que o Agrupamento queria imputar as portagens da autoestrada às docentes que organizaram e acompanharam a saída.

Como estes exemplos há muitos…  Estas colegas estão sujeitas a 23 multas que vão dos 120€ aos 600€, o que pode perfazer uma quantia que vai dos 2.760€ aos 13.800€.

 

“Excursão” escolar origina 23 multas de trânsito para professora e educadora

Se o caso não é insólito, é no mínimo invulgar e até estranho e preocupante. Em particular pa­ra a classe docente. Uma professora e uma educadora de infância de Coimbra, vigilantes ocasionais de crianças numa visita escolar, são consideradas autoras de um total de 23 infracções ao Código de Estrada por não terem providenciado cadeiras de retenção para o autocarro onde seguiam, homologado pa­ra este tipo de transporte.

 

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25 comentários

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    • manuel on 5 de Fevereiro de 2020 at 19:24
    • Responder

    É bem feito, para não serem parvas.
    Depois de nos roubarem e maltratarem, decidi há muito cumprir objetivos mínimos para a escola. Acabaram-se as visitas de estudo, os dias da escola, as palestras, as horas extraordinárias, etc, etc.
    O Tiaguinho, os Costas e a laia deles que se danem. Não vão continuar a gozar com a minha cara. Há muita forma de ensinar a próxima geração deste país: bem ou mal…

      • Rui Filipe on 6 de Fevereiro de 2020 at 16:44
      • Responder

      E depois, com muitos alunos “ muito disciplinados e E.E. muito responsáveis”, estou para ver o que acontecerá aos educadores e professores, se houver uma tragédia.
      Claro que a “culpa” será dos educadores/professores.

    • Tio on 5 de Fevereiro de 2020 at 20:05
    • Responder

    Continuem a fazer visitas de estudo…
    Só tem o que merecem.

      • Paulo Anjo Santos on 5 de Fevereiro de 2020 at 21:52
      • Responder

      Colegas que se dão ao trabalho de organizar uma vista de estudo e são multadas por causa de umas falhas do autocarro, só têm o que merecem?! Se nem numa situação destas se demonstra solidariedade… eu é que digo, temos o que merecemos!

        • Falcão on 6 de Fevereiro de 2020 at 1:47
        • Responder

        Caro Paulo Anjo Santos,

        Tenho lido atentamente o que escreves aqui (a começar pela longa polémica com o paspalho que tem apelido de pássaro) e não só concordo com as tuas posições, como sou totalmente solidário com os contratados que continuam diariamente a ser carne para canhão do MEC e tb nas escolas.
        Mas desta vez tenho de te dizer que não concordo ctg. Respeitando totalmente a tua posição e visão da questão, devo dizer-te que sim, quem defende um congelamento das visitas de estudo e outros projetos tem alguma razão, os professores só têm o que merecem quando vão para além daquilo a que são estritamente obrigados. E neste momento, nas escolas portuguesas, organizar visitas de estudo é um risco, um perigo e um branqueamento de tudo o que de mal e errado o MEC nos tem feito ao longo das últimas décadas! Se nos congelam e nos roubam nós temos de responder na mesma medida. Na sala de aula temos de ser profissionais, rigorosos e dar o melhor de nós, fora dela, por agora, defendo que fiquemos congelados. E que ninguém me diga que não se pode educar bem e ser um professor de excelência se não fizer visitas de estudo. Com um computador e internet eu posso levar os meus alunos a muitas visitas de estudo, como todos sabem! E se não levar eu, que levem os pais que são cúmplices de tudo o que de mal se tem feito à classe docente. Basta de levar chapadas e dar a outra face!!!

          • Paulo Anjo Santos on 6 de Fevereiro de 2020 at 13:53

          Agradeço as tuas palavras iniciais, mas nesta não estamos mesmo de acordo. Não estamos porque mesmo no pressuposto de eu concordar que os professores não deviam fazer visitas de estudo como forma de protesto, não iria achar que merece uma multa quem se dá a esse trabalho… e, além disso, eu acho realmente que as visistas de estudo (em número sensato) são importantes. Há muitos alunos que só através da escola têm oportunidade de assistir a uma peça de teatro, ou a ver com os próprios olhos coisas que de outra forma nunca teriam. Para além disso, uma visita de estudo também desenvolve outras competências nos alunos… a minha posição em relação às visistas de estudo, na prática, eu recuso-me a organizar uma, o trabalho que dá não me é pago e os riscos são muitos, mas, quando posso, não nego ajuda a quem precisa de professores para acompanhar turmas de que sou professor… mas jamais diria que um castigo a quem se dá a esse trabalho é bem feito, jamais!

    • Virginia Santos on 5 de Fevereiro de 2020 at 20:10
    • Responder

    Este ano “levantei a lebre” no meu agrupamento e não organizei a visita da minha turma por este motivo.
    A direção está a tentar resolver este assunto, até porque, todos os dias, os alunos são transportados para a escola em autocarros, sem as “cadeirinhas”…

      • Sérgio on 7 de Fevereiro de 2020 at 21:46
      • Responder

      Quem fala do que não sabe dá nisto, ou sai merda ou entra mosca.

    • TB on 5 de Fevereiro de 2020 at 20:41
    • Responder

    É possível saber quantos pontos tinham os bancos do autocarro? Nos de 3 pontos não devem levar banqueta.

    • Kratov on 5 de Fevereiro de 2020 at 22:37
    • Responder

    Esses senhores agentes da GNR e da PSP não se metem com os ciganos! A esses assobiam para o lado e nada d autos! A multar deviam multar o MEC e não os professores! Agentezinhos ignorantes!

    • jose antonio on 6 de Fevereiro de 2020 at 0:00
    • Responder

    Se alguém não cumpriu com as cadeirinhas, acho que a empresa está em falta pois não enviou um autocarro preparado com cadeirinhas para a idade doa alunos. Se foram as docentes que não levaram as declarações então aí são elas que estão em falta. zé toi

    • Nuno Soares on 6 de Fevereiro de 2020 at 0:01
    • Responder

    Ao Sr. Kratov deixo a questão: o que têm a ver os ciganos com a questão!?
    Ignorância quanto baste nessa cabeça!
    Os autos são levantados a todos, indiferentemente do credo, cor ou etnia.
    O pagamento desses autos já não é problema dos agentes fiscalizadores.

    • tabares on 6 de Fevereiro de 2020 at 0:28
    • Responder

    Faz lembrar aquele artista, o Bento, DT duma turma de vocacional (quase todos uns animais), que numa reunião se põe a distribuir serviço como se fosse o diretor da escolinha: «ora temos uma visita de estudo e decidimos que quem vai acompanhar a turma és… tu e… tu.» Fiz-lhe o manguito.

    Outros têm a mania de fazer visitas de estudo “de grupo”, então um gajo chega às escolas e há visitas de todas as turmas do profissional já marcadas. Isso é a coisa que mais me irrita. Há uns gajos que não querem dar aulas e usam estas visitas para “despachar” umas 4 ou mais horas duma vez (e os das técnicas são os piores).

    • Visitas de quê?.. Estudo? on 6 de Fevereiro de 2020 at 7:37
    • Responder

    As visitas de estudo são uma parvoíce e um perigo.
    Parvoíce porque demandam imenso de nós e ainda nos aplicam multas.
    Perigo porque os alunos não sabem andar por lado nenhum, não têm o menor civismo.
    Deitam latas para o chão, encostam-se / riscam carros, fazem o maior alarido! Depois vemos os professores a chamar a atenção, uma berraria que só nos envergonha.

    Fechados nas gaiolas é que estão bem, já que não são responsáveis nem querem saber da visita de estudo para nada. Querem é passeio, gritaria e escândalo.

    • Maria Sampaio on 6 de Fevereiro de 2020 at 10:25
    • Responder

    Gostaria de saber onde se pode pesquisar sobre as regras de transporte de alunos para visitas de estudo. Obrigada a quem tiver a gentileza de responder.

      • Sérgio on 7 de Fevereiro de 2020 at 21:43
      • Responder

      Procure a legislação para transporte coletivo de crianças.

        • Maria Sampaio on 7 de Fevereiro de 2020 at 22:12
        • Responder

        Obrigada!

    • Professor a 100% on 6 de Fevereiro de 2020 at 13:53
    • Responder

    Malta que devia meter a viola ao saco e deixar o tacho do ensino dedicando a outra profissão que os realizasse. Deixem de ser tristes…

    • Lello on 6 de Fevereiro de 2020 at 13:54
    • Responder

    Os Ciganos não são multados…nem presos só recebem o pinga pinga oh NUNO…abre os olhos olha a carteira.

    • Profissional on 6 de Fevereiro de 2020 at 13:56
    • Responder

    Tabares és um artista e deves saber os artigos todos…

      • Tabares on 6 de Fevereiro de 2020 at 23:42
      • Responder

      Artista era aquele (ou aquela?) que forneceu a esses “alunos” a resolução do exame final do “curso” (uma palhaçada), na véspera da sua realização.

    • André Moreira on 6 de Fevereiro de 2020 at 23:04
    • Responder

    Bastante justo, a regras são para ser cumprir crianças até aos 12 anos de idade têm de ter uma cadeira homologada, senão a multa é para os responsáveis, neste caso os responsáveis eram as docentes escolares… Cometeram um crime, pagam por ele.

    • Igor Silva on 7 de Fevereiro de 2020 at 5:48
    • Responder

    Bom dia
    Respeitando a vossa opinião acho que será de bom tom e visto todos saberem muito bem dos direitos terem uma formação de TCC para analisarem o que tem feito de mal durante as visitas de estudo.nao podemos querer ter só direitos pois temos deveres.

      • Helder on 7 de Fevereiro de 2020 at 21:57
      • Responder

      AHH não as Senhoras professoras (grande percentagem) vão em Turismo, a falar das ferias e a fazer mais barulho que os próprios alunos teem lá alguns deveres. A maioria não passam de crianças em idade adulta.

    • Luís Manuel Braga on 7 de Fevereiro de 2020 at 20:52
    • Responder

    Pois é, está tudo certo. Costuma-se dizer que quem não se dá ao respeito, não merece ser respeitado. Eu não concordo, todos devem ser respeitados.
    Todos merecemos ser respeitados mas a realidade é que nem todos respeitam os outros e muitos se põem a jeito aceitando por inércia, resignação ou mesmo burrice, serem desrespeitados.
    A classe docente é uma das mais atingidas e também, mais resignada, no contexto das classes profissionais com habilitações académicas de grau superior.
    A falta de capacidade de sentido crítico face à realidade que os rodeia, o carneirismo, a obediência cega ao superior, muitas vezes um tiranete que sublima a sua mediocridade com a prepotência e, por último, o seguidismo a um -ou vários – sindicatos completamente dependentes de liturgias estranhas aos problemas da classe, converte os docentes em elementos muito pouco relevantes em termos de intervenção social.
    Não menorizo minimamente a importância do seu trabalho para a sociedade e mesmo relevo o facto de ser uma das poucas, senão a única, que está, até agora, isenta de reparos em termos de casos de corrupção.
    Eu, como professor nunca me esqueço que antes de ser professor, sou cidadão e, como cidadão tenho direitos e deveres e um dos deveres é tudo fazer para que os direitos sejam efectivos e não só no papel.
    Porque desde há muito, para mim foi o ano de 2006, deixou de haver respeito por muitos dos nossos direitos, nomeadamente o maior deles, a dignidade, promovido pelo espécime que dá pelo nome de Maria de Lurdes Rodrigues, eu, como forma de luta, passei a cumprir estritamente o que a lei me obrigava. Lamento dizer que o maior obstáculo foi a resignação dos meus colegas que contribuem para que alguém que se dê ao respeito e não abdique da sua dignidade, seja visto como como uma “ave rara”
    E esta ave rara passou de um professor sempre disponível a contribuir, com gozo e só com gozo, com o meu tempo e trabalho para tudo o que fosse interessante e útil, nomeadamente visitas de estudo, para alguém que liminarmente passou a excluir-se de tudo o que implicasse qualquer risco ou mais tempo ou trabalho para além do que era, por lei, obrigado.
    Eu sou daqueles que acredito e defendo que as lutas se fazem com o cumprimento das leis. Que a lei é a melhor forma de combater a prepotência e a estupidez.
    Claro que isso vai a contracorrente. Os sindicatos consideram -dá-lhes mais jeito – que se luta contra o infractor, lesando as vítimas com a perda do ordenado do dia de greve. São opiniões, no meu entender intelectualmente desonestas.
    Concluindo, sermos maltratados, desconsiderados e respondermos a essas ignomínias com resignação, acréscimo de trabalho e dedicação não é correcto, nem politicamente ou socialmente e muito menos como alegados educadores de jovens a quem se deve inculcar o sentido e intervenção critica.

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