Resposta a post de 23/12

Transcrevo na integra a resposta que o Diretor do AE da Nazaré enviou para publicação no blog a propósito da publicação de um artigo no dia 23/12 na qual omiti no artigo o remetente e destinatário da mensagem, mas que depois se tornou público com uma notícia publicada no Jornal de Notícias na qual não fiz qualquer referência aqui no Blogue.

 

Exmo sr. Diretor Arlindo,

A propósito do seu “post” de dia 23 de dezembro, com o título: UMA MENSAGEM DE NATAL DO DIRETOR A UMA “COLEGA”, decidi fazer o seguinte comentário que espero seja publicado:

Nunca recebi tantas mensagens de solidariedade, de apoio e de concordância com a minha atuação como neste final de ano.

O seu post não fazendo comentários, até porque afirma “Abstenho-me de qualquer consideração moral por ser uma mensagem demasiada imoral”(português um bocado macarrónico), permite a ofensa gratuita tanto no blog como na sua página do facebook. Num e noutro local, todos podem expressar a sua opinião concordando ou não. Contudo, não é aceitável que alguém que tem 25.000 leitores diários (eu sou um desses 25.000) permita que se ofenda alguém gratuitamente quando, até pela função que desempenha, (diretor de um agrupamento) deveria saber que o que eu fiz é absolutamente legal e praticado em muitas escolas.
Com esta atitude demonstrou que a ética, a boa educação, o civismo e a integridade só se conhecem quando convém. Noutros “posts” que não lhe interessam, aparece uma mensagem do género “removido pelo responsável da página”. Neste caso não o fez, nem no blog nem na pág. do Facebook e só encontro uma razão: eu toquei numa das “vacas sagradas” da profissão de professor” – FÉRIAS ou leia-se dias sem por os pés na escola.

Considerando que o blog tem cerca de 25000 leitores, o post apenas obteve 7 comentários (número completamente irrelevante) e desses apenas o Sr. António Tobias, pelo palavreado apresentado devia ter um espelho à sua frente e estar estar a visualizar a sua casa.

Quanto ao Facebook, também serviu para ver onde chega a má educação de alguns profissionais da educação, porque chamar-lhes professores é insultar a palavra e os verdadeiros professores. (Devo ter tocado no ponto fraco a todos)

Serviu ainda para demonstrar a ignorância de quase todos: para eles, interrupção letiva é não fazer NADA RELACIONADO COM A ESCOLA. Pois estão muito enganados e o esclarecimento do Ministério da Educação ao JN veio provar isso mesmo.

Com pessoas destas, com estes comentários quando se fala de trabalho numa escola, não admira que a escola pública esteja de rastos. O que ensinam estes senhores aos nossos alunos quando se consideram intocáveis são muito malcriados e explodem quando alguém PÕE O DEDO NA FERIDA?

Todos nós diretores, sabemos que há colegas que trabalham muito mais do que as 35h semanais, enquanto outros se encostam à custa do trabalho dos primeiros. Depois, ainda surgem aqueles atestados e tentativas de artigos 102 cirúrgicos e estratégicos que darão mais um fim de semana prolongado no estrangeiro, porque se compraram umas viagens low cost e agora não se podem perder. É claro que nisto não se deve falar, é um ataque à escola pública.

Apenas um último esclarecimento: entro na escola sede todos os dias às 8.20 (as aulas começam às 8.30 e terminam às 17.20) e saio depois das18h;

O Agrupamento de Escolas da Nazaré tem 1390 alunos, cerca de 130 professores e tratamo-nos todos pelo primeiro nome, sem senhorias mas com respeito.

Desejo a toda a equipa um bom 2019!

JOÃO JOSÉ RIBEIRO MAGUETA

DIRETOR DO AENAZARÉ

Para que se acautelem estes desejos de fazer recair nos professores trabalho adicional no período das interrupções letivas remeto mais informação sobre o assunto para o extrato de um artigo, publicado pelo António Duarte, do Blogue Escola Portuguesa, sobre o horário de um docente quando existe interrupção letiva.

 

Primeiro, ao contrário do que insinua o autor da missiva, o horário lectivo dos professores não é válido durante os períodos de interrupção lectiva. Assim determina o artigo 91º do ECD, que no entanto admite que os docentes possam ser chamados a prestar serviços decorrentes das necessidades da escola. Mas nesses casos deverá ser previamente elaborado um plano, do qual terá de ser dado conhecimento aos professores. Abrangendo, obviamente, todo o corpo docente, e não apenas um ou outro professor constante de uma qualquer “lista negra”. Comportamentos persecutórios ou discriminatórios por parte dos dirigentes dos serviços são ilegais e seria bom que todos percebessem isso sem necessidade de recurso, pelos visados, a procedimento judicial.

Em segundo lugar, a ideia de que a jornada de trabalho semanal é elástica, podendo esticar ou encolher segundo as necessidades do serviço, não tem cabimento na administração pública, onde não existe o chamado banco de horas. Ninguém pode ser obrigado a trabalhar mais horas numa semana sob o pretexto de que descansará noutra em que haja menos trabalho para fazer. O que é necessário é fazer uma gestão adequada do serviço, distribuindo-o de forma mais equitativa e eliminando reuniões e burocracias inúteis. Como a dita “avaliação intercalar”, um conceito legalmente inexistente. Ou então pagar, pelo trabalho que se faz a mais, as devidas horas extraordinárias…

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2019/01/resposta-a-post-de-23-12/

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