FONTE

Secaram-se teus olhos

de um tempo antigo

O passado nada mais é que um nome

O que vejo hoje,

Mãe,

tuas mãos docemente poisadas sobre o colo

Teu rosto

Teu rosto estelar

fitando ternamente

minha face

e dizendo

Vem sentar-te aqui

Como quem puxa

o fio de teia

para sempre preso

a meu coração

Então, reparo

de mulher

mingo-me de novo menina

Aninho-me em teu colo

O mundo ao nosso redor suspenso

em teu peito

como se tudo retomasse seu início

outra vez

E apetece-me chorar

por ter a pura felicidade

espelhada no teu rosto

vibrando fortemente

dentro de mim

 

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