Juro: o meu coração caiu-me aos pés.
Eu tinha lido a legislação de fio a pavio, consultado os blogues, deambulado por entre os corredores cibernáuticos da DGAE. Não me enganara ao submeter a candidatura.
Mas agora, com letrinhas bem explícitas, lá estava: “invalidada”.
Percorri os dados com a minuciosa lupa da clarividente dúvida: nada me parecia incorreto.
Corri num ápice ao gabinete da excelentíssima senhora diretora, aguardei pacientemente que a porta permanentemente cerrada abrisse e procurei esclarecimentos.
– Não sei qual é o espanto, tu tens horário incompleto, não reúnes condições para vincular. Tens de corrigir isso.
Tentei contra argumentar, a legislação, as letrinhas douradas na portaria 129, mas ela revelou-se inflexível, que visse isso com a chefe da secretaria que tinha mais que fazer.
Saí porta fora com um nó apertado na garganta. A excelentíssima senhora diretora sentada na sua poltrona, alheia de canseiras e aborrecimentos, aguardando o beija-mão das eleições que se avizinham, e eu ali especada, o coração caído aos pés, com dezassete anos de aulas a palpitarem-me no peito, o bilhete para o último comboio na mão e o aviso súbito de cancelamento.
Estarrecida, corri para o computador, imprimi a dita portaria e foi munida de armas que arremeti contra a secretaria.
Sem desviar os olhos do portátil, o abutrezinho burocrático abanou logo a cabeça na minha direção:
– Olhe, professora, só faço o que me mandam.
– Mas, repare, diz aqui: “à exceção do ano escolar 2016/2017”.
Estiquei bem o dedinho nervoso a apontar as letrinhas douradas, caramba, a minha vida presa numa linha, por que razão tenho eu de passar por isto?

E na minha cabeça, a bombear-me o sangue nos miolos, o pensamento avassalador de toda esta injustiça de quem não quer saber.
Não basta o governo fazer da precariedade dos outros a sua bandeira, continuar a olhar para nós, professores, como uma classe marginal, ainda tenho de gramar esta neblina de desesperança que a minha própria escola me estende.
Desprezando a minha angústia e desalento, rematou o discurso com um “fale com a senhora diretora”.
E, então, estamos nisto, a diretora de porta outra vez fechada, as horas a contar, e eu pedindo por socorro ao deus da DGAE que, lá por detrás das teclas do seu computador, teima em ignorar a desesperança dos pequeninos.




29 comentários
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Gosto particularmente da expressão “abutrezinho burocrático”. Pobres das nossas escolas…
Infelizmente, no nosso país há professores que não têm competências para interpretar o que lê. Caramba, somos professores, ensinámos os nossos advogados e juízes a ler e, agora temos de lhes pedir que nos esclareçam o que lemos?
Essa diretora, muito provavelmente, não deveria ocupar a função que ocupa, provavelmente, estaria a necessitar, não de uma mas de muitas formações para aprender o que o passar de longos e monótonos anos de falta de inovação e inoperância.
Infelizmente, os políticos gostam de escolher bem os seus súbditos. Já viu o que seria se os gestores escolhidos pelos políticos fossem competentes? Como conseguiriam eles brincar com a nossa classe?!!!
Substitua o provavelmente por “seguramente” … mas há mais como essa diretora pelo país fora … há muito lixo investido no cargo … muuuiiito … infelizmente!!!! Agradeçamos a uma não menos escória, de nome M de Lurdes R !!!!!
A mim não me entra na cabeça como existem diretores? assim. Penso que cada Diretor deve de querer um corpo docente estabilizado, com a maioria efectivos, ou será que preferem “técnicos especializados” para terem cunha, e depois votarem no “padrinho”.
Podia dizer qual a escola! Sem rodeios deve fazer isso, sem problema! Fico à espera!
Os DIRECTORES destes Agrupamentos deviam ser alvo de imediato Procedimento Disciplinar por manifesta incompetência e negligencia.
O Senhor Director da IGEC tem por obrigação aferir das denuncias aqui postadas dado serem públicas.
Já aqui referi que existe muita incompetência por parte de muitos dos Directores de Escolas Públicas pese embora o facto destes serem bem remunerados pela função que exercem.
Vamos aguardar pela actuação da Inspecção Geral de Educação (IGEC) que repito deve ser imediata.
Por outro lado, dado este procedimento de um qualquer Diretor lesar objectivamente a vida do professor(a) em causa é passível de serem accionados mecanismos judiciais e pedido de indeminização civel e esse DIRECTOR (incompetente, negligente…) RESPONDE pelo acto. Não é o Ministério que responde, é isso sim, o ANORMAL QUE SE ENCONTRA NO CARGO DE DIRECTOR.
Absolutamente de acordo … essa escória de incompetentes, que inchados na sua pobreza de importância, não são nem o postilhão da razão e muito menos exemplares de literacia legislativa … a sorte deles é que estão num sistema completamente podre que, por inércia, os acoita e exime totalmente de responsabilidades … mas ainda há tribunais neste país … e alguns fazem justiça … eu, no lugar da colega fazia exatamente isso que refere … uma queixa crime!!!!
Era bom que nos comentários, mesmo de forma anónima nomeassem os Agrupamentos. Facilita a denúncia à Inspeção.
Ia sugerir exactamente o mesmo. Obrigado pela antecipação.
Endereços da IGEC
Inspeção-Geral da Educação e Ciência
Av. 24 de Julho, 136
1350-346 LISBOA
Telef.: 213 924 800
Fax: 213 924 960
e-mail: [email protected]
Equipa Multidisciplinar da Área Territorial Norte
Rua António Carneiro, 140
4300-025 PORTO
Telef.: 225 021 634
Fax: 225 094 261
e-mail: [email protected]
Equipa Multidisciplinar da Área Territorial Centro
Rua General Humberto Delgado, 319 – 3.º
3030-327 COIMBRA
Telef.: 239 488 180
Fax: 239 483 867
e-mail: [email protected]
Equipa Multidisciplinar da Área Territorial Sul
Av. 24 de Julho, 136 – 2.º
1350-346 LISBOA
Telef.: 213 924 800
Fax: 213 924 960
e-mail: [email protected]
http://www.ige.min-edu.pt/content_01.asp?BtreeID=04/00&auxID=
Estes artistas – director(a) – respondem disciplinarmente perante a IGEC e respondem civilmente perante os Tribunais.
Não amigo. Quem deve informar de que agrupamento se trata é a pessoa que escreveu o artigo e omitiu o nome do agrupamento onde o órgão de gestão tem de ser ensinado a gerir
Colega,
O Arlindo está a tornar pública a listagem de Agrupamentos cujos diretores são umas BESTAS QUADRADAS.
Aqui estão os agrupamentos:
Agrupamento de Escolas de Airães, Felgueiras
Agrupamento Padre Vítor Melícias, Torres Vedras
Agrupamento de Escolas Gil Vicente, Lisboa
Agrupamento de Escolas de São João da Pesqueira
Agrupamento de Escolas Aquilino Ribeiro Oeiras Lisboa
Escola Secundária da Trofa
(…)
A Lista está a ser divulgada no post abaixo. Aqui:
http://www.arlindovsky.net/2017/05/as-invalidacoes-com-nome-de-agrupamento/#disqus_thread
Adorei o seu texto!
Parabéns!
(…espero que fique resolvido rapidamente!)
A responsabilidade da validação é 100% da Direcção/Director(a)
Os directores foram, na sua grande maioria, colocados no sítio com a ajuda dos Partidos que através de professores, que frequentam essas pouco recomendáveis associações, fazem intriga nas Escolas até colocarem no “posto” a pessoas que irá compensá-los com um “docinho” não lectivo ou um “cargozito” suave.
A um professor também lhe foi invalidada a candidatura a norma travão.
Com efeito esse professor no fim deste ano letivo tem os tais 4 contratos anuais e sucessivos e no mesmo GR.
O problema está que em 2013/2014 tem o seu recibo da colocação onde atesta a sua duração de 365 dias e a DGRHE nem sequer responde a esta dúvida.
Neste caso o Diretor tem feito várias diligências, sempre infrutíferas.
O tribunal não é solução, a praça pública funciona muito melhor.
Completamente de acordo. Uma das formas de resolver esta bandalheira dos Senhores Directores é o caso saltar para a Comunicação Social.
Vamos ver se isto amanhã não fará 1ª página de alguns Jornais.
Durar 365 dias não significa que tenha sido anual. Anual é quando se inicia efetivamente a 1 de setembro e termina a 31 de agosto e não é temporário. Houve algumas colocações feitas em outubro há 2 ou 3 anos em que lhes foi contado 365 mas não retroagiram a 1, nem lhes foi possível a renovação
Exactamente Filipe, para alguns casos foram-lhes contados e muito bem 365 dias, e que este ano (oxalá que sim) possam vincular com essa “benesse”, se foi para alguns … deve ser para todos.
Por outro lado, os colegas que entraram na RR2 este ano e que legalmente não deveriam retroagir a 1 de setembro a DGAE (e bem, a “conselho” do Arlindo) fez retroagir a 1 de setembro, que sirva para a NT.
Ou há moralidade ou comem todos … É criar falsas expectativas, e não cumprir com a informação que foi prestada …
Deve verificar se o início do contrato está a 1 de setembro ou se apenas lhe foi dado 365 dias. Uma coisa não é sinónimo da outra. Nos casos em que a colocação foi antes do início das aulas é bem provável, nos outros nem tanto
Diana ; As escolas dispões de livro amarelo (de reclamações), é apenas uma sugestão, dado ter esgotado a via do diálogo.
(Ainda bem que já perceberam, que a responsabilidade é do Diretor…. andavam a insistir que a culpa é sempre dos serviços administrativos…)
Obrigada Diana por partilhar esta situação connosco. Pobre do pessoal contratado que depende destes Senhores Diretores …
Valha-me Deus! Ainda não repararam que o texto da D. é ficção, ainda que se possa basear em factos verídicos?!
Finalmente alguém atento.
É ficção!
Baseada em factos reais? É possível, tal como a maior parte da ficção.
Ninguém percebeu que se o que ela escreveu fosse verdade, e se estivesse a referir a factos ocorridos com a própria, teria ali a lenha necessária para ser queimada num processo disciplinar?
O Ministério de Educação tem na sua base de dados os docentes que preenchem cumulativamente os requisitos da Vinculação Extraordinária, basta cruzá-los com a validação/invalidação das respetivas candidaturas ou estarei a pensar mal? E, assim identificar o erro/interpretação da portaria que regula o concurso.
Espero não haver candidaturas válidas de docentes que não têm cinco contratos nos últimos seis (incluindo 2016/2017 até à data da abertura do concurso). Estaremos atentos às listas provisórias/definitivas.
Estes são os diretores que temos. As exceções são raríssimas. São todos verdadeiros comissários políticos. São o cancro das escolas. Isto todos sabemos, professores contratados ou do quadro. As questões importantes são: por que razão o PS não permite eleições democráticas nas escolas? Por que razão os sindicatos continuam calados (alguém sabe onde anda o Dr. Nogueira?)?
Professores em luta!
A FENPROF entregou no Ministério da Educação (5/05/2017) um pedido de reunião ao Ministro, a realizar com caráter de urgência, na qual pretende obter respostas concretas e inequívocas sobre um conjunto de aspetos relacionados com carreiras, aposentação, horários de trabalho, combate à precariedade e gestão das escolas (ver carta entregue no ME).
São questões há muito apresentadas ao ME, a última vez em 5 de abril, em reunião realizada com o próprio Ministro; foram igualmente apresentadas ao Primeiro-Ministro em 18 de abril.
Entende a FENPROF que esta reunião com o Ministro da Educação deverá ter lugar antes de 26 de maio e que, até 26 de maio, todas as questões colocadas no ofício hoje entregue no ME deverão ser devidamente esclarecidas.
Entretanto, até essa data, a FENPROF promeverá as seguintes ações:
– 17 de maio – Dia Nacional de Luta dos Professores, compreendendo:
11:30 horas – Concentração de Professores, junto ao ME, para entrega de milhares de postais exigindo a aprovação de um regime excecional de aposentação.
14:30 horas – presença nas galerias da Assembleia da República para acompanhar o debate sobre a Petição “Respeitar os docentes, melhorar as suas condições de trabalho e valorizar o seu estatuto de carreira”, entregue pela FENPROF, com mais de 20.000 assinaturas, e que aborda aspetos como as carreiras, a aposentação e os horários de trabalho.
Nas escolas: data limite para a aprovação de Moções a enviar aos grupos parlamentares, exigindo a resolução dos problemas; início do debate sobre as lutas a desenvolver em junho, caso o ME não responda às questões suscitadas, estando em cima da mesa a possibilidade de realização de Manifestação Nacional em 17 de junho e/ou de Greve(s) a partir de 19 de junho.
– 22 de maio (14:30h) – Entrega de Pré-Aviso de Greve para 7 de junho e dias seguintes, coincidente com o período de avaliações, para os docentes das escolas públicas de ensino artístico especializado, em defesa da abertura de um processo de vinculação extraordinária, a decorrer ainda no presente ano letivo.
– 26 de maio – Prazo para o ME responder às questões colocadas pela FENPROF, com a realização de reunião em que participe o Ministro da Educação.
– 29 e 30 de maio – Reuniões das direções dos Sindicatos de Professores para analisar as respostas do ME e a opção dos professores para prosseguir a luta.
– 31 de maio – Reunião do Secretariado Nacional da FENPROF para decisão sobre as formas de luta a desenvolver no mês de junho.
Ao longo do mês de maio, os docentes contratados irão dirigir Requerimentos ao Ministério da Educação, no sentido de serem abertos novos processos de vinculação extraordinária, uma vez que não se encontram abrangidos pelo PREVPAP.
Caso o ME, no despacho de Organização do Ano Letivo 2017/2018, não reintegre os intervalos na componente letiva dos docentes do 1º Ciclo do Ensino Básico, a FENPROF entregará um Pré-Aviso de Greve, para o próximo ano letivo, de 30 minutos diários, de forma a que estes professores vejam regularizado o seu horário.
O Secretariado Nacional da FENPROF
5/05/2017
http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=226&doc=10912
Cada ação tem o seu tempo útil… de que serviu a farsa da consulta aos professores ocorrida há meses se não existiu mais qualquer ação concreta visando a reposicao da democracia nas escolas? Os diretores estão, apressadamente, a fazer-se “eleger” em abomináveis plebiscitos.
Existia um “tempo útil”, para promover as alterações urgentes. Passou, com o silêncio ensurdecedor dos sindicatos. A alteração do modelo de gestão está para as escolas como o 25 d abril esteve para os direitos dos trabalhadores… se é que me faço entender… o resto é conversa para adormecer incautos.
Exmo. Senhor
Ministro da Educação
Ministério da Educação
Senhor Ministro,
Pelas notícias vindas a público e pelos documentos que já se conhecem, não é garantido que o descongelamento das carreiras dos docentes tenha lugar em janeiro de 2018. Será ou não descongelada a progressão na carreira docente em 1 de janeiro de 2018? Esse descongelamento
respeitará os requisitos de progressão e a estrutura de carreira que hoje vigora, fixados no ECD?
Sendo reconhecido o elevado desgaste que atinge os docentes portugueses, agravado pelo seu igualmente reconhecido envelhecimento, urgem medidas que, por um lado, o atenuem e, por outro lado, garantam a necessária renovação geracional. Nesse sentido, irá o ME, no âmbito do despacho de Organização do Ano Letivo (OAL), clarificar os conteúdos das componentes letiva e não letiva dos horários dos docentes? Há, ainda, garantia de que as horas de redução da componente letiva, por antiguidade, reverterão para a componente de trabalho individual?
(…)
http://www.fenprof.pt/Download/FENPROF/SM_Doc/Mid_115/Doc_10912/Anexos/Oficio_entregue_ao_ME.pdf