Gestão: FENPROF divulga dados globais do inquérito realizado junto de cerca de 25 000 docentes de todo o país
“As propostas da FENPROF sobre gestão democrática das escolas refletem o pensamento dos professores” – esta foi uma das mensagens em destaque na conferência de imprensa realizada esta tarde em Lisboa. No encontro com os jornalistas, a Federação deu a conhecer as conclusões essencias de uma reunião realizada anteriormente com diretores de agrupamentos/escolas e divulgou os dados globais do inquérito realizado junto de cerca de 25 000 docentes de todo o país.
Presentes na Mesa o Secretário Geral, Mário Nogueira; Manuela Mendonça e Francisco Almeida, do Secreatraiado Nacional; e o Diretor do Conservatório de Coimbra, Manuel Pires da Rocha.
Porque é muito importante para o debate em curso o contributo de quem, por um lado, tem estado envolvido na gestão das escolas, e, por outro, continua a defender a gestão democrática, a FENPROF convidou, para debater o tema da gestão, um grupo de diretores, provenientes de diversas regiões do país, com os quais pretende discutir a sua proposta e recolher contributos que a possam melhorar.
Esta reunião, realizada nesta terça-feira, na sede da FENPROF em Lisboa, foi mais um dos diversos espaços criados pela FENPROF para construir uma proposta de gestão democrática para as escolas, que será apresentada ao Ministro da Educação na reunião trimestral que deverá ter lugar durante o próximo mês de março. Estiveram presentes diretores de várias zonas do país, alguns dos quais dirigentes da ANDE, incluindo o seu presidente.
Inquérito respondido
por 24 575 professores
Outro momento importante deste processo de construção foi o inquérito recolhido em todo o país, ao qual responderam 24 575 professores, estando os resultados globais já apurados, após o que se iniciaram, desde a semana passada, reuniões em todas as escolas e agrupamentos para debater o tema, a partir do resultado com ele verificado.
A FENPROF elegeu a alteração ao regime de gestão hoje em vigor como um dos seus principais objetivos reivindicativos, durante o ano de 2017. Para esse efeito, promoveu uma consulta aos professores (que teve uma grande participação) sobre vários aspetos do atual modelo e alternativas para que a gestão dos estabelecimentos de educação e ensino volte a ser democrática.
FENPROF nunca desistiu!
Mário Nogueira destacou o conjunto de iniciativas desenvolvidas pela FENPROF para devolver o perfil democrático ao regime de gestão, liquidado em 2008 pela Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, e que permaneceu com os governos PS e CDS/CDS.
“A FENPROF nunca desistiu! É preciso mexer na gestão das escolas”, realçou o dirigente sindical.
O documento com as estatísticas do inquérito pode ser visto aqui e os resultados finais clicando na imagem de cima.




22 comentários
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Depois de se ter feito o apuramento da verdadeira vontade dos profissionais da educação – os professores -, pergunta-se o que falta para eliminar, de vez, esta gestão que está a destruir, aos poucos mas eficazmente, o espírito democrático nas escolas. Seria bom que a vontade dos professores – a gestão democrática – não fosse desprezada pelo ME. Porque se calam os outros sindicatos? O silêncio é ensurdecedor. Este é um assunto que deveria levar para a rua os milhares de professores descontentes a exigirem a democracia de volta às escolas. Provavelmente, os que se queixam nas redes sociais não se levantariam do sofá.
Concordo em pleno. Os professores também fruto deste modelo de gestão estão mais comodistas. A luta depende também dos sindicatos e muitos deles estão condicionados pelo poder político. As redes sociais pelo menos funcionam como uma catarse. As pessoas desabafam.
Mas alguém que comece a luta e muitos se juntarão.
Tenho 26 anos de serviço e nunca vi inquérito tão falacioso. É por estas e por outras que a credibilidade dos professores está como está: cada vez mais posta em causa. E é assim que assuntos fundamentais para a vida das escolas (como a gestão e a liderança) são tratados pelas estruturas que deviam representar os professores em vez de representar interesses politico-partidários.
Conversa de chacha. Os diretores estão longe de ser o principal problema da educação. Aliás, na maioria das escolas, nem se tem contacto com tal figura, visto estes estarem remetidos às escolas-sede. A gestão diária é feita pelos coordenadores de estabelecimento. Não conheço o diretor do meu agrupamento. Só a espacos temos contacto com uma das adjuntas (educadora), responsável pelas EB1.
E verdade. Eu também não conheço o Diretor do meu agrupamento. Por vezes, até brincamos( embora o assunto seja bem sério) , dizendo que o cargo de Diretor é uni(im)pessoal.
Com tantos problemas que a escola enfrenta nos dias de hoje, essa distância interpessoal não facilita (até agrava) a resolução de problemas dentro de um agrupamento.
Exato. Antes de discutir se deve ser um diretor ou um conselho executivo, convém antes corrigir os defeitos dos agrupamentos, instituindo uma gestão pedagógica próxima.
O actual modelo de gestão com a figura do poder unipessoal do DIRETOR é tudo menos democrática.
O anterior modelo – Conselho Diretivo – era democrático porque eleito por todos (e não por um Conselho Geral que se presta a cambalachos). Por outro lado, O Modelo Anterior – Conselho Directivo – era muito mais económico para o ERÁRIO PÚBLICO porque não existiam SUPLEMENTOS REMUNERATÓRIOS como atualmente e nunca faltaram candidatos aos lugares de gestão das escolas.
O Governo deve mudar por completo o Modelo de Gestão Escolar e acabar com a figura do DIRECTOR e com os SUPLEMENTOS REMUNERATÓRIOS.
Quanto gasta atualmente o Estado em SUPLEMENTOS REMUNERATÓRIOS????
Façam as contas:
https://dre.pt/application/dir/pdf1sdip/2010/12/24800/0592205924.pdf
E os problemas começaram aí, quando não se recebia por estar na gestão da escola (quer dizer davam-se bónus na progressão na carreira). Resultado: ia malta sem jeito nenhum para a gestão, ganharam o gosto e lá ficaram até hoje.
Temos diretores com muito jeito para agestão, não haja dúvidas.
Deve ser por isso que tem havido cada vez mais contestação a este modelo de gestão absurdo que confere poder, quase ilimitado, ao diretor.
com os mega não deve gastar muito.
Supondo que a maioria tem mais de 1500 alunos.
Dará qualquer coisa como:
750 (diretor) + 400 subdiretor + 900 adjuntos (caso sejam 3, o que nem sempre acontece) x 12 meses = (24600 x 700 agrupamentos/escolas = 17 220 000.
17 milhões de euros. 0,02 do orçamento de MEC.
Já agora, conhece alguém que aceite de borla ir para a gestão de um agrupamento (já não há escolas autónomas).
Eu conheço quem esteja disposto a ir para a gestão a custo ZERO e o meu amigo Alexandre também conhece.
Todos os Presidentes dos Conselhos Directivos não tinham qualquer Suplemento remuneratório, isto é, desempenhavam o cargo a CUSTO ZERO.
Gerir um mega pro bono? Não acredito. Lembre-se que muitos Presidentes eram nomeados pelas direções regionais, por inexistência de candidatos.
A equipa do ministro da educação está manietada e nada consegue fazer na alteração da gestão das escolas.
O Sr. Mário Nogueira já saiu do congresso do PCP?
Ainda não percebi o que é que ele anda a fazer no meio dos professores!
Anedótico!
Em 2015 o Pedro Passos Coelho tinha como objetivo acabar com a mama dos Diretores ganharem um Suplemento Remuneratório de 750 EUROS POR MÊS.
Veja-se a noticia à data:
Diretores escolares “em polvorosa” com receio de perder suplemento remuneratório
http://www.dn.pt/portugal/interior/diretores-escolares-em-polvorosa-com-receio-de-perder-suplemento-remuneratorio-4457381.html
750 Euros por Mês é MUITO DINHEIRO….para além disso NÃO DÃO AULAS…..em conclusão SER DIRETOR É UMA GRANDE MAMA.
A maior parte dos diretores que são Professores que não querem dar aulas mesmo sem “suplemento remuneratório” só para não darem aulas até se esfarrapam todos para irem para a direção das escolas.
O atual modelo de gestão escolar é uma vergonha. Os diretores são prepotentes e prestam-se a situações de compadrio, amiguismo, cunhismo….
Este modelo de gestão escolar é também um modelo que fica caro ao “érario público” se o comparar com o modelo anterior em que existia um “conselho diretivo” sem qualquer tipo de “suplementos remuneratórios”
Os conselhos executivos já tinham suplemento (perto de 500 euros), desde 98.
Pronto, já conhecemos a opinião dos professores.
Agora, embora já não me afete, gostava de saber a opinião dos outros diretamente interessados: pais e alunos. Penso que a Fenprof não vai deixar de realizar esses inquéritos.
A deterioração do clima que se vive nas escolas passa ao lado quer dos alunos quer dos pais, pois sabemos que é sobre os professores que a prepotência de muitos diretores é exercida. Ainda que alunos e pais aplaudissem o atual modelo de gestão, isso não branquearia a ação de muitos diretores que, ao abrigo da lei, abusam do poder que lhes foi dado. E ainda recebem um suplemento remuneratório. E não têm de sofrer o desgaste de dar aulas a turmas com trinta alunos.
Os Presidentes dos Conselhos Diretivos e Executivos também recebiam suplemento.
Mas acha que só os professores é que devem ser ouvidos?
Acha que a Escola é dos professores?
Os Presidentes dos Conselhos Diretivos e Executivos também recebiam suplemento, mas todos os professores poderiam votar e a sua intervenção era mais limitada que a dos diretores, cujo poder é enorme. Como muitos não têm bom-senso para o aplicar, há os desvarios que todos conhecemos.
É óbvio que todos devem ser ouvidos e é claro que as escolas não só dos professores. Mas todos sabem que não há um trabalho produtivo se não houver liberdade e é disso que se trata. É necessário não desvirtuar a questão: basta estar atento ao que os professores pensam para se perceber que não querem este modelo de gestão.
Claro que a escola é dos professores. Repare neste argumento: o órgão de gestão deve ser eleito. Por quem? Todos os professores e assistented e representantes dos pais. Uma democracia gira, ainda mais criativa que a cubana. Uns tem direito ao voto, outros a ser representados no voto.
A Democracia direta não interessa a estes democratas.