O Novo Perfil de Competências dos Alunos

Ministério quer dar mais espaço aos alunos na sala de aula e fora dela

 

 

São 10 as áreas de competências que passarão a nortear aquilo que um aluno deve conhecer quando chega ao fim da escolaridade obrigatória.

 

 

 

Não aos monólogos, sim à interacção! Esta será, em resumo, uma das consequências práticas em sala de aula que o Ministério da Educação (ME) espera alcançar com o novo perfil de competências de alunos, que se prepara para adoptar, segundo apontou o jurista Guilherme d’Oliveira Martins.

O também ex-ministro da Educação do PS, entre 1999 e 2000, presidiu ao grupo de trabalho a quem o ME encarregou de definir quais as competências que os alunos devem ter no final de escolaridade obrigatória até aos 18 anos. O documento foi apresentado neste sábado.

“A assumpção de princípios, valores e competências-chave para o perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória implica alterações de práticas pedagógicas e didácticas”, afirma-se no documento, que irá agora para consulta pública. E estas alterações, defende-se, passam em muito por recentrar o lugar do aluno na aprendizagem.

Por exemplo, criando na escola “espaços e tempos para que os alunos intervenham livre e responsavelmente” e também promovendo, “de forma sistemática, na sala de aula e fora dela, actividades que permitam ao aluno fazer escolhas, confrontar pontos de vista, resolver problemas e tomar decisões com base em valores”. Os professores, acrescenta-se, também deverão “abordar os conteúdos de cada área de saber associando-os a situações e problemas presentes no quotidiano da vida do aluno ou presentes no meio sociocultural em que insere”.

Avaliação também muda

“Trata-se de um momento-chave porque o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos [aprovado em 2009 e concretizado a partir de 2012/2013] foi apenas um acto administrativo. A partir de agora passa a ser também um acto educativo que dá resposta à seguinte pergunta: porquê estar na escola até aos 18 anos?”, frisou o secretário de Estado da Educação, João Costa.

A capacidade de comunicação é uma delas, adiantou Oliveira Martins, sendo transversal a duas das dez áreas de competências elencadas como prioritárias (linguagens e textos e informação e comunicação). E também o relacionamento interpessoal, sem o qual a aprendizagem estará condenada mesmo que se passe em salas com tecnologia de ponta, alertou o historiador.

No novo perfil de competências afirma-se que neste domínios os alunos deverão ser capazes, entre outras vertentes, “de ouvir, interagir, argumentar, negociar e aceitar diferentes pontos de vista, ganhando novas formas de estar, olhar e participar na sociedade”.

Objectivo: flexibilidade

Para além destas três áreas de competências, foram seleccionadas as seguintes: raciocínio e resolução de problemas; pensamento crítico e pensamento criativo; desenvolvimento pessoal e autonomia; bem-estar e saúde; sensibilidade estética e artística; saber técnico e tecnologias; consciência e domínio do corpo”.

“Foi um desafio exigente porque para definir um perfil de competências é preciso compreender a grande diversidade” que coexiste nas escolas, afirmou Oliveira Martins, em declarações aos jornalistas, acrescentando que o grande objectivo é o de “incluir todos, sem correr o risco de facilitar”. O que, segundo ele, se poderá conseguir garantido “flexibilidade” nas aprendizagens, na gestão do currículo e nas práticas em sala de aula.

A flexibilidade está, aliás, na base de um dos oito princípios que subjazem à definição das áreas de competências consideradas essenciais num perfil que Oliveira Martins descreve como sendo “humanista”, porque nele “as pessoas estão em primeiro lugar”. Para tal, defende-se, terá de se assumir que “a flexibilidade é instrumental para se dar a oportunidade a cada um de atingir o perfil proposto, de forma coerente, garantindo a todos os acesso às aprendizagens”.

O documento apresentado neste sábado é o pontapé de saída para “um puzzle maior”, indicou o secretário de Estado João Costa. E deste puzzle farão parte, entre outras peças, a definição de quais serão as aprendizagens essenciais a integrar no currículo e também que partes deste serão de decisão das escolas. “Se tudo correr bem, no próximo ano lectivo, nos anos iniciais de ciclo, já se estará a trabalhar nesta base”, acrescentou.

“Não há mais – e há muito que não as há – ciências dita “duras” e ciências dita “moles”, saberes essenciais e saberes dispensáveis; conhecimento material útil e cultura acessória e inútil”, disse o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, no final da sessão de apresentação do perfil de competência. O actual ministro demarcava-se assim, uma vez mais, das opções adoptadas pelo anterior titular da pasta, Nuno Crato, que elegeu um número reduzido de disciplinas como sendo “estruturantes”, entre e4las o Português e Matemática.

O perfil de competências, que será assumido pelo ME como um referencial, estará agora 30 dias em consulta pública, que o ministério pretende transformar num “processo proactivo”, desafiando por exemplo os Conselhos Gerais das escolas a pronunciarem-se sobre o documento, revelou João Costa. Os Conselhos Gerais são os órgãos máximos das escolas, onde têm assento representantes dosa professores, dos pais, dos alunos e das comunidades locais.

Notícia integral do Público on-line, por Clara Viana.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2017/02/o-novo-perfil-de-competencias-dos-alunos/

6 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • sempre de acordo on 11 de Fevereiro de 2017 at 19:01
    • Responder

    Mais uma vez estamos no “faz de consta” que negociamos e discutimos.
    Este perfil é tão alargado, tão genérico e tão cheio de lugares comuns que toda a gente vai concordar.
    Serve para um aluno, para o perfil de um político, de um empresário, de um polícia, de um magistrado. Serve para tudo, o que significa que não tem qualquer utilidade.
    Depois, sem qualquer discussão vai ser apresentada a operacionalização, que já está mais do que elaborada, como sendo a única via possível para atingir aquele perfil.
    Essa operacionalização é que tem o que interessa, mas não é discutida.
    Conclusão: foi tudo discutido e toda a gente concordou, não havendo razões para as reclamações que irão aparecer.

    • RF on 11 de Fevereiro de 2017 at 21:32
    • Responder

    Treta. Ideologia. A merda do costume.

    • SapinhoVerde on 11 de Fevereiro de 2017 at 22:04
    • Responder

    A abertura deste Ministro é um sinal positivo, apenas está muito mal aceossorado. Que os currículos e a maneira de ensinar está ultrapassada é verdade. Um aspecto positivo é a não concentração em apenas no Português e Matemática como disciplinas fundamentais. A tecnologia é muito importante (TIC EVT ET).

    • Domingos on 11 de Fevereiro de 2017 at 23:11
    • Responder

    Em suma, cheira-me que nos vão dar mais trabalhinho. E que tal combater, verdadeiramente, a burRocracia nas escolas?! E deixarem de sobrecarregar os DTs com tudo e mais alguma coisa. Querem mudar tudo, mas a precariedade docente continua. Farto destes idiotas!

    • Luísa Nogueira on 12 de Fevereiro de 2017 at 15:54
    • Responder

    Gostava de ler o documento. Não encontrei no site do ME, mas provavelmente não procurei bem… É possível dar nota de onde é possível encontrá-lo? Obrigada.

    1. Não está ainda no site da DGE. Mas podes ver o documento neste artigo. http://www.arlindovsky.net/2017/02/o-perfil-dos-alunos-a-saida-da-escolaridade-obrigatoria/

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Seguir

Recebe os novos artigos no teu email

Junta-te a outros seguidores: