Desculpem-me a tradução livre que fiz do texto, mas achei importante divulgar. Os problemas na educação e no que isso representa para a vida pessoal de cada professor não está circunscrito ao nosso país, mas…
O texto foi retirado do “theguardian” e é o testemunho de uma professora inglesa.
Hoje é um bom dia. Levantei-me e lavei a louça e talvez, se hoje continuar a ser um bom dia, vou tomar um banho, lavar meu cabelo e trocar de roupa. Poderia até ir buscar os meus filhos à escola. Estas podem parecer pequenas tarefas, mas nas últimas três semanas tenho vivido numa névoa provocada pela medicação que comecei a tomar para a ansiedade aguda e depressão. À medida que o nevoeiro levanta, a realidade acena e decisões terão que ser tomadas. Estou paralisada de medo, mas não posso continuar com minha vida assim. Preciso ser corajosa, olhar profundamente para dentro de mim e aceitar o que me está a tornar doente. Eu já decidi – nunca mais porei um pé numa sala de aula. Já não sou professora. Estou farta. Porque é que os professores devem falar sobre saúde mental com os alunos e colegas? Há três semanas, considerava o suicídio. Estava disposto a acabar com a confusão, dúvidas e inutilidade que sentia. Não queria ir – ou assim eu pensava. Durante meses, uma nuvem escura de depressão tinha sido pendurada sobre a minha cabeça. Não conseguia dormir; não conseguia comer; eu duvidava que tudo o que fiz; fui esquecida; estava confusa; e, o mais preocupante, estava perdendo a minha confiança dentro da sala de aula. Como a depressão piorou, comecei a ter ataques de pânico. Eu levantava-me às 4 da manhã, realizando determinados rituais, antes de conseguir encontrar a coragem para conduzir até ao trabalho. No dia em questão, tive duas aulas terríveis. Eu não conseguia controlar a turma e sentia que não poderia continuar. Mas, em determinado ponto, num frio e cinzento momento, tive uma epifania. A realidade era, que eu queria viver. Eu sou uma mãe, sou uma mulher, sou uma filha, sou uma irmã, sou uma amiga para muitos. O que eu não quero, é ser professora.
.Ao longo da minha carreira de professora de 13 anos, foi-me dito por colegas professores, inspetores de Ofsted, alunos e pais que eu sou uma boa professora – uma “natural”. Tenho obtido excelentes resultados, sentia entusiasmo ao falar sobre a matéria, e interessei-me apaixonadamente em relação ao bem-estar dos meus alunos. Apenas algumas semanas antes, o nosso gerente de comportamento, tinha transferido um “difícil” estudante de 11 anos para a minha turma. No final da aula, o rapaz disse-me que tinha acabado de ter a aula mais interessante e agradável da sua vida e desejou ter escolhido estudar sobre os assuntos abordados nessa aula. Quando saiu da sala de aula, acrescentou: “Você é uma excelente professora.” No entanto, o ensino tem arruinado minha vida. Ele rasgou a minha alma, comeu-me e cuspiu-me. Eu já não sou uma pessoa despreocupada, tagarela, como já fui. Ele roubou-me a saúde, roubou-me a minha auto-estima e, o mais importante, quase me roubou a vida.
Texto parcial
(clicar na imagem) in theguardian 27/02/2016




3 comentários
Parece quase a minha vida! Adoro a minha profissão, mas se não fosse o xanax com antidepressivo atípico e muita auto terapia e determinação não sei se conseguiria. Tenho um transtorno da ansiedade generalizado com ataques frequentes de pânico! É terrível, esgotante e condome-me imensa energia…
Este retrato é infelizmente a atualidade de muitos professores no mundo.Aqui em Portugal infelizmente não é denunciada a condição brutal de certos professores assediados moralmente (mobbying) por colegas e superiores.
Não são só os pais ou os alunos.
Porque é que toda a minha gente estuda o burnout e ninguém se debruça sobre o mobbying?
Usei os termos ingleses porque é mais eduquês…
As depressões atingem mais os professores que se querem sentir bons professores.
“foi-me dito por colegas professores, (…) que eu sou uma boa professora (…) Tenho obtido excelentes resultados” – Esta obsessão produz depressões a um ritmo alucinante! Não há bons professores, há professores que querem fazer bem o trabalho e não passa disso, um trabalho. Não esperem gratificações e palmadas nas costas… ajudaria a aceitarem-se e a suportar o lixo com que têm de lidar todos os dias.