Como (re)organizar o 1º ciclo… Ideias?…

imagesGR2V86GBO fim da monodocência aproxima-se a largos passos, será o fim de uma era que, no nosso país, dura desde sempre.

Fomos caminhando, com pequenos passos, para o estado em que nos encontramos hoje, fomos aceitando as mudanças, adaptando-nos às desventuras de um nível de ensino em constante mudança, qual tubo de ensaio…

Os “illuminatum” nunca tiveram em consideração os interesses de todos os intervenientes, nunca viram o 1º ciclo como um todo.

Na última década as mudanças têm-se agudizado, são constantes, todos os anos se enfrentam novos desafios novas arbitrariedades. Se se têm em conta os interesses dos alunos? A meu ver, eles, só têm servido de desculpa para tais mudanças.

No próximo ano letivo, o do 1º ciclo irá sofrer uma das mais drásticas mudanças dos últimos anos. Não pelo seu conteúdo, mas pelo número de mudanças impostas. Um novo programa de Português, depois de verem implementadas as metas e um novo programa de matemática, a introdução do Inglês como disciplina obrigatória, o que lhes aumentará a carga letiva e para alguns, a disciplina de Iniciação à programação virá sobrecarregar ainda mais o seu horário, já por si, pejado de horas fechados dentro de quatro paredes. E isto das 9h às 17h:30m. É o horário chamado normal… mas muitos ainda frequentam outras instituições, seja para a prática de desporto, seja para a ocupação de tempos livres, pois os pais não têm horários que coincidam com a vida académica dos seus educandos. Tudo isto vai tornar as vidas das crianças ainda mais complicadas.

Isto tudo para dizer o quê?

Para dizer que o sistema de ensino no 1º ciclo, tal como está, e tal como está a ser projetado para o próximo ano letivo, não vai beneficiar os interesses da “bandeira”, leia-se alunos, que alguns usam como desculpa para tentar deixar marca. O sistema de ensino necessita de ser totalmente revisto e não estou a falar em termos de conteúdo, de número de disciplinas, do que deve ser ou não lecionado, estou a falar na sua organização.

O horário do 1º ciclo encontra-se, na maior parte das escolas, no espaço temporal das 9h até às 17h:30m. Isto, porque se entendeu ser mais benéfico no que diz respeito, à ocupação do tempo das crianças e à necessidade dos encarregados de educação de terem de exercer uma profissão e de a conciliar com os horários escolares. Mas será que beneficia as aprendizagens? A meu ver, não. O período do dia em que o cérebro está mais apto a exercer qualquer tipo de atividade que envolva a aprendizagem, isso está mais do que provado, não sou eu que o afirmo, eu só o constato todos os dias, é a parte da manhã. Não cabe na cabeça de ninguém lecionar uma aula de matemática ou português das 16h:30m às 17h:30m. Então, porque não organizar as atividades letivas exclusivamente nessa parte do dia?

A organização do sistema de ensino no 1º ciclo, e em qualquer outro, deve ter em atenção todos os fatores e intervenientes no processo. Os alunos devem poder aproveitar, da forma mais eficaz, a sua estadia na escola para que o processo ensino/aprendizagem se realize. Aos encarregados de educação, deve ser assegurado que os seus educandos têm um ensino de qualidade e que explore todas as suas capacidades. Deve também ser assegurada a escola a tempo inteiro, uma vez que, nos dias de hoje e na sociedade em que vivemos, Assim o exige. Deve também garantir aos profissionais de educação, vulgo, professores, o exercício da profissão aproveitando os períodos de maior concentração para as crianças desta faixa etária. E nisto devemos estar todos de acordo. Se os níveis de aprendizagem subirem, todos os intervenientes ganharão.

Mas porque é que o sistema se mantém? Porque é que, os responsáveis e os políticos, não olham com mais atenção para os tais países que tantas vezes usam como termo de comparação para outras matérias e veem que somos dos poucos países a persistir com este sistema? Isso, como se diz, “cada um sabe de si”… Só sei que este sistema está dado por adquirido, mais vale não se discutir porque, mudar dá muito trabalho, nem que seja para melhor.

Pois, muitos de nós, professores de 1º ciclo, temos a nossa opinião de como o sistema podia mudar e melhorar, mas não temos palavra nos órgãos decisivos. Uma coisa é certa, quase todos sabemos que a mudança é possível. E isso, tem sido assunto de conversa ao longo de muitos destes anos. Pessoalmente, também tenho a minha opinião…

Uma organização possível seria a que já é utilizada em outros países, atividades letivas da parte da manhã e não letivas da parte da tarde, como na Alemanha (ver aqui). Mas como operacionalizar? Como faze-lo sem aumentar a despesa com a educação? E é claro, sem ferir os princípios de uma escola a tempo inteiro? Vou tentar explicar da melhor forma.

Da parte da manhã, que passaria a ter inicio às 8h, ou perto dessa hora, nunca antes. Os professores titulares de turma organizariam as áreas curriculares, Português, Matemática, Estudo do Meio e as Expressões, constantes no programa curricular deste ciclo, durante este período. Terminaria, esta importante parte do dia, pelas 13h.

A hora de almoço decorreria das 13h às 14h:30m.

O período da tarde situar-se-ia entre as 14h:30m e as 17h:30m. Neste espaço de tempo, os alunos beneficiariam de atividades complementares e de enriquecimento curricular. Seria durante a parte da tarde que disciplinas como, o Inglês, obrigatório para os alunos do 3º e 4º anos, a partir do próximo ano letivo, a nova disciplina de Introdução à programação para o 1º CEB, o projeto de educação para a saúde, PASSE, aulas PRESSE, EMRC, orientação do estudo, bem como outros projetos ao nível de escola (hora do conto) ou concelhio e as AEC’S já existentes.

Como já foi mencionado acima, o horário letivo da parte da manhã seria mais produtivo para os alunos, embora a mancha letiva tenha um início “vespertino”, as crianças teriam a vantagem de assimilarem melhor as matérias lecionadas. Os “números” a que tanta importância é dada pelas organizações “observadoras”, isso espelhariam.

Na parte da tarde, o horário seria composto de atividades “mais” lúdicas, mas de igual importância no desenvolvimento das crianças. Dariam aos encarregados de educação a segurança de uma escola a tempo inteiro sem interferir nas atividades letivas e na performance académica dos alunos.

De seguida apresento dois horários possíveis, um de uma turma e outro de um professor, para que se possa visualizar a possibilidade apresentada.

 

Horário Turma
2ª feira 3ª feira 4ª feira 5ª feira 6ª feira
8:00 Português Matemática Português Matemática Português
8:30 Português Matemática Português Matemática Português
9:00 Português Matemática Português Matemática Português
9:30 Português Matemática O.C. A.E. Expressões
10:00 E. M E.M. O.C. A.E. Expressões
10:30 Intervalo
11:00 E. M. E. M. E.M. Português Matemática
11:30 E.M. Português E.M. Português Matemática
12:00 Matemática Português Matemática Português Matemática
12:30 Matemática Português Matemática E.M. Inglês
13:00 Matemática Expressões Matemática E. M Inglês
Almoço
14:30 O. Estudo In. Prog. Inglês PASSE/PRESSE In. Prog.
14:50 O. Estudo In. Prog. Inglês PASSE/PRESSE In. Prog.
15:00 Proj. Escola EMRC Proj. Escola O. Estudo Expressões
15:50 Proj. Escola EMRC Proj. Escola O. Estudo Expressões
16:10 Ed. Física Musica Expressões Ed. Física Musica
17:00 Ed. Física Musica Expressões Ed. Física Musica

 

 

Horário Professor
2ª feira 3ª feira 4ª feira 5ª feira 6ª feira
8:00  

 

 

Horário Letivo

8:30
9:00
9:30
10:00
10:30
11:00
11:30
12:00
12:30
13:00
Almoço
14:30 Reservado a reuniões Trabalho individual Atendimento Enc. Educ. Trabalho individual Trabalho individual
15:00
15:30 Hora de estabelecimento
16:00
16:30 Trabalho individual Trabalho individual
17:00

Nota: sexta feira das12h:00m às 13h:00m o professor cumpre uma hora de estabelecimento (não consegui formatar a tabela)

Em termos económicos, não creio que o orçamento do ministério da educação sentisse muita diferença, é tudo uma questão de maximizar recursos. É claro que tal mudança vai envolver alterações na organização dos agrupamentos. Mas somos todos professores, não é por ser professor do 1º ciclo, que deixo de ser professor para os alunos dos outros ciclos. Se tiver que exercer a profissão com esses outros alunos, dentro das minhas competências, vou faze-lo. A colaboração dos professores de EVT, dos professores bibliotecários, dos professores de apoio e até dos professores de Matemática e Português em coadjuvação, em apoio educativo ou em orientação ao estudo, professores de Ciências em atividades experimentais… Isto seria uma quase revolução…

Revolução! Revolução, seria os professores do 1º ciclo, na sua totalidade ou quase, terem condições dignas de trabalho nas escolas para efetuarem todo o tipo de trabalho a que estão obrigados. Mas isso é uma utopia.

E agora puxando a corda, a escola a tempo inteiro podia ir além das 17h:30m. Quando possível ainda se poderia acrescentar uma hora ao horário dos alunos, que disso necessitassem ou por razões académicas ou por impossibilidade de coordenação de horários Pais /Alunos. Já me estou a “esticar” muito. Mas se a organização for a adequada, até se poderia colmatar a falta de apoio que as nossas crianças tê na realização dos famigerados TPC. Um professor de apoio, uma hora por dia, a alunos que necessitassem mesmo da tal hora, o que já acontece em alguns agrupamentos e sempre existiu nos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo.

É claro que este modelo não é consensual, é claro que as crianças vão estar fechadas dentro de quatro paredes o dia inteiro, é claro que o tempo para brincadeiras individuais será reduzido, é claro que, fora as disciplinas de carater obrigatório, as outras serão de carater facultativo, caberá aos encarregados de educação, como até hoje, optar ou não, pela sua frequência.

As vozes começam a levantar-se. O certo é que o sistema, conforme está, deixou de funcionar, deixou de dar respostas às exigências da sociedade atual. Os responsáveis têm andado a tapar buracos ao longo dos anos sem resolverem o problema. Só o têm piorado. Chegamos ao ponto que, ou o sistema se modifica, ou o sistema cai. É urgente a mudança, resta-nos saber para onde nos levará…

 

 

 

 

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31 comentários

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    • Luis Cardoso on 15 de Abril de 2015 at 20:47
    • Responder

    Basicamente é fazer como acontece na Madeira desde 2005… Uma breve pesquisa sobre escola a tempo inteiro na RAM e as respostas são encontradas.

    • AOliveira on 15 de Abril de 2015 at 20:47
    • Responder

    Concordo plenamente com tudo o que disse, colega!


  1. Trabalhei na Madeira em 2008 e modelo já era assim, apesar de o horário letivo ser de manhã ou de tarde devido a falta de salas… Tínhamos aulas de enriquecimento curricular, havia clubes de artes, de português, de informática… Era uma solução que me parece muito possível, não fosse a falta de vontade…
    Eu modificaria uma coisa, não penso que seria necessário colocar as expressões no horário letivo (as aulas de Expressão Motora, Dramática, Musical e Plástica poderiam funcionar no período da tarde) e se calhar colocaria as aulas a iniciar às 8.30. Só trabalhei uma vez no horário duplo da manhã e a verdade é que às 8 tinha sempre poucos alunos e ainda demasiado ensonados. Mas que aquele período até ao intervalo rendia, rendia! Por vezes até eu ficava surpreendida com o que conseguíamos fazer!

      • Pois on 15 de Abril de 2015 at 23:26
      • Responder

      “Era uma solução que me parece muito possível, não fosse a falta de vontade…” – Isto é que era um ponto que discutir com muita atenção e detalhe! Penso que se fizesse um estudo se iria concluir que a maior parte do corpo docente não tem vontade e, por isso, qualquer mudança será um fracasso nas suas mãos! A mim, parece-me muito positiva esta (re)organização. Desde que cada tempo esteja sobre a responsabilidade de quem sabe o que está a fazer.

      Por exemplo, Educação física, Música, Inglês ou In. Prog. nas mãos de um professor oriundo das ESECS, sem formação adicional em cada área, vai dar asneira de certeza!

    • Nuno Costa on 15 de Abril de 2015 at 22:18
    • Responder

    Concordo em pleno. E porque não nos juntamos todos, professores do 1º ciclo (e quem mais a nós se queira juntar) e lutamos para que isto seja uma realidade? Não estará na hora de pararmos de fazer das escolas muros das lamentações e depois não fazer nada?

      • Pois on 15 de Abril de 2015 at 23:32
      • Responder

      Chama-se conformação. Milhares e pessoas resignadas e com poucas capacidades, que se escondem atrás de discursos conflituosos e críticos, que mostram apenas não saber do que estão a falar.

      Muitos estão amedrontados por isto, porque têm medo de mostrar a sua incompetência!

      Desculpem-me mas deve-se levar as verdades à discussão.


      1. “Desculpem-me mas deve-se levar as verdades à discussão.”

        … E depois sou eu que sou mau se me apetecer discutir a verdade da forma!

        • Zé Manel on 16 de Abril de 2015 at 0:09
        • Responder

        Nada como discutir as verdades, seja isso o que for. A poio…

    • Fafe on 15 de Abril de 2015 at 22:28
    • Responder

    Funcionou!

    • Eusocar on 15 de Abril de 2015 at 22:58
    • Responder

    Olá, boa noite a todos.

    Concordo em grande parte com este artigo, mas sou ainda mais radical. Com efeito, sou radicalmente contra a escola a tempo inteiro. Há crianças, algumas muito pequeninas, que mal conseguem estar com os pais. O que poderemos esperar destes futuros adultos que não tiveram tempo para brincar e cuja educação foi totalmente entregue apenas e só à escola? Provavelmente já não verei no que isto da “escola a tempo inteiro” vai dar, mas tenho quase a certeza de que não será coisa boa! Alguns dirão: “é tudo muito bonito, mas os pais não têm horários que lhes permitam estar com os filhos, por causa dos empregos.” Pois bem, eu já trabalhei num país bem do centro da Europa onde as coisa funcionavam assim: 2ª, 4ª e 6ª – aulas das 8 às 16 com intervalo para almoço das 12 às 14h. 3ª e 5ª, aulas da 8 às 13 (tarde livre). Todas as crianças iam almoçar a casa! Não há refeitórios nas escolas!
    Bem sei que não será possível, num país como o nosso que vê a educação como uma despesa, implementar um sistema deste género, nem mesmo o que é proposto pelo Arlindo. Contudo, é importante que estas questões comecem a ser discutidas.
    Obrigado Arlindo por trazer o 1º Ciclo para o debate.

    • Eusocar on 15 de Abril de 2015 at 23:09
    • Responder

    Peço desculpa ao Rui Gualdino Cardoso por lhe ter roubado a autoria do artigo e a ter atribuído ao Arlindo, no meu comentário. Referia-me naturalmente ao Blog e não autor do artigo. Apresento as minhas desculpas ao verdadeiro autor do artigo e felicito-o por trazer este assunto para debate.

    • anónmo on 15 de Abril de 2015 at 23:09
    • Responder

    vou ser muito sucinto, com este tipo de organização vão continuar a
    existir colegas das AEC com horários no máximo de 10 horas=500€, e isso
    tem de acabar por motivos óbvios, solução será a pluridocência ou a
    introdução de horários duplos. Isto é apenas um ponto de partida para se
    pensar na organização do 1ºciclo. É necessária uma avaliação aos
    programas (muito extensos ou não, adequados ao nível de desenvolvimento
    ou não), bem como as horas que as crianças passam na escola, etc. etc.
    etc. mas há que repensar o 1º ciclo!


    1. AEC das 8 às 20 h – escola a tempo inteiro e horários completos para quem as “dá”!
      Os putos precisam lá de leitura, escrita e cálculo – óbvio!!!

        • anónimo on 16 de Abril de 2015 at 14:11
        • Responder

        Caro J.F, está-me a parecem que não percebeu o que eu quis dizer, em momento algum referi que que escola a tempo inteiro deveria ser das 8 às 20h. Se os alunos precisam só de leitura, escrita e cálculo? NÃO! O Português e a Matemática são as disciplinas mais importantes? NÃO! Os alunos precisam de várias áreas de aprendizagem (Português, Inglês, Educação Física, Expressões Plástica, etc.)! Quais são as mais importantes? TODAS! Simples!

        Atente o exemplo dado pela Isabel e poderá verificar que podem existir outras formas de organização que não as atuais.

        E não, não estou só preocupado com as condições laborais dos professores, mas como é óbvio quando os horários no seu todo são curtos (6h,8h,10h), isso interfere com a disponibilidade e motivação do professor por mais que queiramos ignorar isso. A escola é de todos, alunos, professores, auxiliares de educação e encarregados de educação, se todos trabalharem para um fim os resultados serão bem melhores no futuro!


  2. Coitadinhos dos meninos! Sao crianças mas não têm tempo para brincar! Ainda bem que fui criança noutro tempo!

    • anónimo on 16 de Abril de 2015 at 0:15
    • Responder

    sobre a RAM:

    http://www01.madeira-edu.pt/drpre/ArtiFiles/T212.htm

    • Isabel on 16 de Abril de 2015 at 1:14
    • Responder

    Também trabalhei na Madeira onde os alunos tinham aulas das 8h30 às 18h30. Na minha escola os alunos tinham o titular só de manhã ou só de tarde. O resto do horário era completo com atividades extra curriculares: inglês, música, plástica, informática, estudo, biblioteca, ed física, clube de leitura ou clube de inglês. Atenção que estas aulas tinham sempre uma vertente lúdica. O prof titular não tinha o horário repartido e os profs das atividades tinham horário completo. Era bom para todos. Já se sabe que isto implica muito dinheiro em ordenados porque os profs das atividades eram contratados como se fossem titulares….Isto já existe há muito anos, mas é claro que o modelo não é aplicado no continente porque aqui o principal objetivo é poupar e não melhorar a educação. Ah, e as prés também tinham estas atividades!

    • Hélder Peixoto on 16 de Abril de 2015 at 9:12
    • Responder

    Já há mais de dez anos que na Madeira funciona desta forma (não sei se ainda funciona) e tive a oportunidade e o prazer de “provar” esta experiência!!!
    Tinha o horário duplo da manhã e funcionava tudo muito bem… muito bem mesmo.
    O pior era para os alunos com o horário duplo da tarde (mesmo assim, o processo de aprendizagem funcionava muito bem)…

    • Hélder Peixoto on 16 de Abril de 2015 at 11:09
    • Responder

    Só acho que o horário das atividades da tarde devia ser flexível… não ser tão rígido como o Arlindo apresenta (sei que é só um exemplo seu).

    • Isabel on 16 de Abril de 2015 at 11:36
    • Responder

    Estou a ter alguma dificuldade em perceber uma coisa!!!

    Onde está a mudança!!!??? Parece-me que é voltar aos tempos em que só havia aulas de manhã ou de tarde.

    Acho que se esqueceram, que a partir do próximo ano letivo o Inglês SERÁ curricular para o 3º e 4º ano!!!!! E tendencialmente também o será para o 1º e o 2º num futuro próximo!!!!!

    As crianças passariam a começar o “dia de trabalho” ás 8 e a acabar ás 17:30, pelo menos!!! Não vejo decréscimo, mas acréscimo das horas passadas na escola.

    E lá se volta a insistir nas disciplinas de 1ª e de 2ª! E lá voltam os profs do 1º ciclo a ter 3 tardes livres (desculpem, de trabalho individual….)!

    P.S.: Sou professora emãe de 2 filhos em idade escolar!!!!!!

      • José on 16 de Abril de 2015 at 12:12
      • Responder

      Lá vamos nós cometer os mesmos erros!!! Eles vão ter duas tardes livres nós vamos ter um dia livre (desculpem, trabalho individual…). Eles têm 25 horas letivas nós temos 22 (desculpem, tempos 45 minutos). etc. etc etc. Continuamos a discutir o acessório e deixamos o essencial.

        • susana c. on 16 de Abril de 2015 at 23:53
        • Responder

        Não me parece que a questão levantada pela Isabel seja acessória. Começar as aulas às 8h parece-me contraproducente. Aliás, vários estudos a serem atualmente divulgados nos Estados Unidos aconselham a que as aulas não comecem antes das 9h. Por outro lado, porque é que o português e a matemática devem ser mais importantes que a música, as artes e o desporto? Não nego ser importante ter competências de planificação e cálculo mental. Tão pouco menosprezo a capacidade de alguém se expressar corretamente, quer oralmente, quer por escrito. No entanto, devemos que ter em consideração que há pessoas, neste caso, crianças, que mostram maiores capacidades no domínio das artes ou do desporto, sem que isso as torne pessoas de segunda ou como muit@s, infelizmente, ainda consideram: “mais burras”.

    • pedroc on 16 de Abril de 2015 at 12:47
    • Responder

    Para uma gestão eficiente de recursos humanos, materiais e espacias o 1º ciclo deverá organizar-se tal como os ciclos seguintes. Qualquer outra forma terá sempre entraves, e dependendo de quem opina as propostas aparecem ao sabor dos interesses de cada um…

    – vou só apontar um problema face à proposta apresentada: uma escola com 6 ou mais turmas precisa de 3 professores de cada uma das áreas colocadas ao final da tarde (musica, ed. física, expressões) – será isso o melhor para a escola? ter que lidar com 9 professores quando poderiam ser apenas 3? fará sentido ter os limitadíssimos espaços desportivos, ou a biblioteca/laboratório/sala tic, etc. sobrecarregados ás 16:30h com todas as turmas da escola, e durante o dia estão ao abandono?

    É necessária uma grande volta, sem dúvida, mas o que acontece no 2º ciclo poderá ser uma saída – porque não uma ou duas tardes/manhãs livres para os alunos do 1º ciclo?

    • Raquel on 16 de Abril de 2015 at 14:53
    • Responder

    O meu filho, no 2º ano, como faz o horário duplo da manhã , tem o horário semelhante ao que propõe. 8h-13:30 e depois as AEC’s facultativas 14:30/15:30!
    Não sei como será com o inglês no 3º ano, mas deduzo que substitua AEC e passe a ser de frequência obrigatória! Sendo a sala um “contentor”!

    Pq na escola Tb há o horário duplo da tarde, das 13:30-19h (uma violência, nem sei que mais dizer!)

    É que muitas escolas não funcionam em regime de horário normal por falta de salas!

    Como vão resolver?!?’b

    • Raquel Ribeiro on 16 de Abril de 2015 at 14:58
    • Responder

    O meu filho, no 2º ano, como faz o horário duplo da manhã , tem o horário semelhante ao que propõe. 8h-13:30 e depois as AEC’s facultativas 14:30/15:30!
    Não sei como será com o inglês no 3º ano, mas deduzo que substitua AEC e passe a ser de frequência obrigatória! Sendo a sala um “contentor”!

    Pq na escola Tb há o horário duplo da tarde, das 13:30-19h (uma violência, nem sei que mais dizer!)

    É que muitas escolas não funcionam em regime de horário normal por falta de salas!

    Como vão resolver?!?’

    • Horários on 16 de Abril de 2015 at 15:00
    • Responder

    Exercício teórico que está incompleto.
    Só fala no horário de um professor e de uma turma.
    Esqueceu-se dos horários dos outros professores (só o de Inglês, para ter horário completo, precisa de ter 12 turmas do 1º ciclo), das outras turmas que esse professores e do horário das várias instalações (salas de aula e outras instalações) onde vão decorrer as varias aulas/actividades.

    Quando se fazem os horários é preciso ter em conta que é preciso coordenar três tipos de horários diferentes: horários dos alunos/turmas, dos professores e das instalações.
    E em muitos casos esta coordenação é feita tendo em conta todo o agrupamento, porque podem existir professores que trabalham com turmas de vários ciclos e em várias escolas do agrupamento!!!


    1. Porque não escolas com dormitórios?!
      O melhor para as crianças é terem no 1º ciclo um horário semelhante ao 2º? Tudo preenchidinho? 9 às 18? Perfeito para não chatear os papás. Janta e… caminha que se faz tarde!
      Peço desculpa mas ando baralhada com tudo isto…
      Também sou professora e mãe de dois filhos, felizmente o mais novo a concluir o 1º ciclo este ano.
      A.

        • Horários on 16 de Abril de 2015 at 23:29
        • Responder

        Não estou a discutir o que é melhor ou pior para as crianças.
        Estou apenas a transmitir a realidade.
        O fim da monodocência implica que a elaboração dos horarios no primeiro ciclo vai ter os mesmo problemas que existem nos outros, que é a necessidade de conjugar múltiplos horários.
        Vai complicar algo que já é complexo. Principalmente nos casos em que quem leccionar no 1º ciclo também leccionar noutros ciclos. E com o Inglês isso, quase de certeza, vai acontecer, pois tenho a certeza que muitos colegas do 2º e 3º ciclos vão completar os seus horários com turmas do 1º ciclo.
        Que está na elaboração de horários “apenas” vai ter mais problemas para resolver. E acredite que não são poucos.


  3. O 1.º ciclo (na minha perspectiva, primária tinha muito mais dignidade) é imprescindível para toda a subsequente escolaridade das crianças.
    Aceitar ao que parece, como uma espécie de rendição, o fim da monodocência no 1.º ciclo e pensar estruturar este ciclo da mesma forma que os seguintes é uma aberração – são crianças com idades compreendidas, em média, entre os 6 e os 9 anos de idade.

    E, há sim, áreas mais importantes que outras nos primeiros anos de escolaridade o que não significa dizer que umas são de 1.ª e outras de 2.ª
    Desde logo,o português e a matemática são ferramentas elementares e fundamentais que carecem de aprendizagens sólidas e bem consolidadas nestas idades. São estas que poderão proporcionar, dificultar ou até obstaculizar, consoante o grau de domínio e/ou de falta dele todo o sucesso escolar na diversidade e complexidade que, com a idade e desenvolvimento cognitivo, se vão abrindo ao longo da sucessiva escolaridade.
    As áreas da expressão e criatividade artística, corporal…, são nestas idades áreas complementares de formação dos indivíduos e, é neste âmbito, que devem ser encaradas.
    Depois de tudo isto as crianças ainda precisam de tempo para brincar e isto já não deve ser no âmbito da escola (de onde devem, diariamente, sair o mais cedo possível que precisam tempo para outras coisas) … afinal, onde está o dito “sector social” ou as “comunidades locais” ou as autarquias e as instituições sociais (desportivas/ recreativas/ culturais…) e, a existirem, servem para quê?
    A Escola não pode servir para tudo – a Escola tem que, fundamentalmente, servir para aprender!


  4. https://wordpress.com/post/3706521/9094

    • Vanda Cachapa on 17 de Abril de 2015 at 19:25
    • Responder

    Falta contabilizar o intervalo diário.


  1. […] “O fim da monodocência aproxima-se a largos passos, será o fim de uma era que, no nosso país, dura desde sempre.” Blog “Ar Lindo” […]


  2. […] cerca de um ano atrás, escrevi que o fim da monodocência estava próximo, “O fim da monodocência aproxima-se a largos passos, será o fim de uma era que, no nosso país, d…Hoje, parece que se voltou a afastar. Mas até quando? Com exceção do Inglês no 3º e 4º anos e […]


  3. […] cerca de um ano atrás, escrevi que o fim da monodocência estava próximo, “O fim da monodocência aproxima-se a largos passos, será o fim de uma era que, no nosso país, d…Hoje, parece que se voltou a afastar. Mas até quando? Com exceção do Inglês no 3º e 4º anos e […]

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