Da Legalidade ou da Moralidade?

Dos 1954 docentes que estão enquadrados nas vagas abertas ao Concurso Externo Extraordinário existe um docente que encontra-se em boa posição para vincular neste concurso (em princípio no QZP 7) e que no dia 1 de Setembro de 2014 terá 69 anos de idade.

Do ponto de vista legal não há qualquer impedimento em atribuir esse lugar à docente.

Do ponto de vista moral essa vaga devia ser entregue ao candidato seguinte, visto que a docente completa 70 anos no dia 12/9/2014 e de acordo com a Lei 35/2014, de 20 de Junho, a sua relação jurídica de emprego caduca nesse dia.

Terá o MEC capacidade para atribuir mais um lugar no QZP 7 quando está a permitir vincular um docente que apenas poderá ser do quadro por 12 dias?

 

70 anos

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33 comentários

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    • Eumesma on 10 de Julho de 2014 at 17:55
    • Responder

    Não fico admirada! No ano passado, no concurso de vinculação extraordinário, vinculou, no grupo 230 um colega com mais de 60 anos; tive oportunidade de “falar” com ele aqui no chat; esse colega ocupou o 1º lugar na MI.

    • sandra s. on 10 de Julho de 2014 at 18:03
    • Responder

    Arlindo,
    São vários os colegas com mais de 60 anos que vão agora efetivar.
    Imoral é um país e os seus sucessivos governantes desrespeitarem assim profissionais. Não sei se são colegas que vêm do privado (estando já efetivos) ou se sempre trabalharam precariamente para o MEC . Se for o último caso, é vergonhoso que um estado de direito tenha permitido estas situações… E considero que essas pessoas( que sempre trabalharam no ensino público) devam adquirir vínculo, sim, mesmo que seja por um dia por respeito ao trabalho duma vida desenvolvido.

    1. São 15.
      http://www.arlindovsky.net/2014/07/idade-dos-elegiveis-ao-cee/
      Mas esses ainda podem ter alguns anos de serviço pela frente, não muitos, mas podem.
      Agora o caso de cima só pode ter 12 dias de serviço.

        • Maria on 10 de Julho de 2014 at 23:33
        • Responder

        E conclui a sua carreira profissional, indo para a reforma com 12 dias de serviço no primeiro escalão da carreira docente (índice 167) e uma medalha de cortiça,(ou um queijo da serra…)

        • Luís Miranda on 11 de Julho de 2014 at 9:32
        • Responder

        Preocupado com este caso, mas nada com colegas com muitos anos de serviço que pelo simples facto de terem tido um ano com horário incompleto ou temporário, vão ser ultrapassados pelos que tiveram a sorte de terem 4/5 anos de horários completos e sucessivos , e isto com efeitos retroactivos?

    • Comtodorespeito on 10 de Julho de 2014 at 18:45
    • Responder

    Com todo o respeito pelas pessoas independentemente de qualquer idade, sinceramente…muitos dos colegas que vão vincular acima dos 40 anos são provenientes do privado e aproveitam do fato de a graduação do privado ser idêntica a quem presta serviço no ensino público.O problema está aí com esta vinculação extraordinária estão a tirar lugare a pessoas com menos idade que estiveram sempre no público e agora tem as vidas ceifadas.São pessoas que serviram sempre o ensino público e estão a meio da vida com filhos para criar e casas para pagar.estas pessoas com mais de 50 anos salvo raras exceções terão a sua vida já orientada.Os colegas mais jovens com boas notas tiradas em estabelecimentos credíveis estão a ver o seu sonho morrer e a sua vocação é asfixiadas.Muitos irão emigrar e irão constituir famílias no estrangeiro não contribuindo assim para a renovação de gerações.Os jovens entre os 20 e os 30 anos vão embora porque a sua idade e as atuais condições da Europa só lhes dão vantagem.Sinceramente as pessoas vindas do privado que só tem 365 dias de serviço no público vão vincular, parece-me sórdido e vil..

      • Contratado de bolsos cheios on 10 de Julho de 2014 at 19:15
      • Responder

      Completamente de acordo. Mas a isto a FNE fecha os olhos…

        • Zé Manel on 10 de Julho de 2014 at 20:10
        • Responder

        E por acaso é proibido os colegas do privado vincularem? E ter mais de 40 anos torna-os cidadãos com menos direitos do que os mais jovens? Porque é que a graduação no privado devia ser menor do que no público? Não, não estão a tirar lugares a pessoas com menos idade, estão a concorrer segundo a Lei, a qual é igual para todos, percebeu? Ou nem com um desenho lá chega? Ai os mais jovens têm a vida ceifada? Têm filhos para criar? Casas para pagar? Boas notas? E por acaso acha que os restantes não têm os seus problemas? E por acaso acha que isso lhe dá mais direitos do que aos restantes? E se tiver que emigrar, qual o problema? Afinal, quem se julga tão mais capaz do que essa maldita casta de velhos leprosos pode muito bem emigrar e mostrar o que vale, ou estará à espera que esses velhos leprosos emigrem? Sabe,um dia, tendo o filho levado o velho pai ao monte para lá o deixar à espera do último extertor, cobriu o progenitor com uma manta para que a morte o levasse quentinho. Então, o velho pai disse-lhe: filho, leva a manta contigo para que o teu filho te cubra quando cá te vier trazer.

          • Cristina M. on 10 de Julho de 2014 at 21:18

          Pois tem toda a razão colega! Somos todos iguais, mas, como muito bem sabe (e aqui talvez pague o justo pelo pecador ou a parte pelo todo) muitos destes colegas que vão sair do privado para vir para o público (já quase com um pé na reforma) tem na sua maioria a intenção de continuar a fazer a sua perninha no privado (onde sempre trabalhou) e continuar a fazê-lo depois da reforma! Cada um sabe de si, claro…) Se a lei o permite, claro… Como muito bem dizia o Arlindo, talvez seja uma questão de moralidade… Cada um vê e defende o lado que lhe dá mais jeito e todos têm razão! Se o estado não olha por nós, quem olhará?

          • fagagag on 10 de Julho de 2014 at 21:25

          Caro colega, há uns anos isso não era possível!!! Os nossos queridos e estimados colegas do ensino privado não podiam concorrer nos concursos do Ministério da Educação (dita Escola Pública)….. o tempo de serviço do privado não era contabilizado para cocncursos públicos… deve obter informação relatiava a essa situação….. devemos ser honestos e falar verdade! Hoje em dia os professores do MEC estão sujeitos a todo o tipo de atropelo legal e ilegal…. enfim…sem mais comentários……. deve-se informar, para não escrever anormalidades…… a legislação tem sido como o vento… para norte, para sul, para ………..

          • fagagag on 10 de Julho de 2014 at 21:29

          Já agora para a Cristina – não somos todos iguais!!! Mesmo!…… também se deve informar melhor…. para chegar a essa conclusão……. Deveríamos ser, mas não somos…… haja paciência!

          • T. on 11 de Julho de 2014 at 14:59

          José Manuel, os professores do privado e do público são iguais! O tempo de serviço é que não devia ser igual. Quando fui professor no publico trabalhei pelo país inteiro a morar por vezes em condições terríveis, mas lá ia sobrevivendo. Sempre na ansia que ia melhorar com o passar dos anos. Não tinha “cunha” para ficar num privado perto de casa. Quem fica no privado, ou não tem graduação para entrar no publico ou conseguiu com uma “cunha” ficar num colégio perto de casa! Quer exemplos????????? São tantos!!!!Quer nomes ????????????Também os exponho aqui!!!!!!! Os contratados do publico lá vão lutando e resistindo, até que ……Trocaram as voltas! Por isso abandonei o ensino. Abri uma empresa há 5 meses e pelo meu mérito fui convidado para trabalhar numa multinacional! Trabalhei 9 anos no ensino público e o meu mérito foi o desemprego! Perdi para muitos contratados que vem do privado e que juntaram anos inteiros de tempo de serviço. Os melhores que lecionavam no público a ficarem desempregados e os alpinistas aproveitarem-se…Agora que estou de fora do ensino, cada vez tenho mais pena dos meus colegas do publico! Estou com eles! Isto não criar uma guerra entre contratados, é a verdade dos factos !

      • Safira on 10 de Julho de 2014 at 20:34
      • Responder

      Zé Manel se nós os novos imigrarmos quem é que vai ter filhos para os “velhos” darem aulas? Ou agora com 60 anos vão ter bébés? Se realmente são colegas do privado que se deixem ficar por lá e por lá acabar os seus dias de ensino e deixem a porta aberta para quem está precário há vários anos. Realmente alguém que vai vincular por 12 dias… Devia ser proibido!

      • Cláudia C on 11 de Julho de 2014 at 12:43
      • Responder

      Concordo consigo, mas é só para lembrar que muitos dos colegas com mais de 40 anos não vieram do privado, mas sim do público que tão mal os tem tratado (e com boas médias, apenas tiveram a pouca sorte de tentar fazer outras coisas durante um par de anos).

      • Ana Almeida on 11 de Julho de 2014 at 16:24
      • Responder

      Não generalizem; tenho mais de 40 anos e nunca lecionei no privado

    • Comtodorespeito on 10 de Julho de 2014 at 18:48
    • Responder

    Este concurso deve ser anulado para repor a justiça .Há que fazer a distinção entre os que mourejaram no ensino público em condições!!!!!! e os mercenários do ensino.

      • Zé Manel on 10 de Julho de 2014 at 19:47
      • Responder

      E por acaso os que lecionaram no privado não são tão professores como os restantes? Haja paciência para aguentar tanto asno!

        • sandra s. on 10 de Julho de 2014 at 20:08
        • Responder

        São professores como os restantes, Zé Manel, o tempo de serviço é que NÃO É! Porque não foi adquirido por intermédio de um CONCURSO PÚBLICO.
        Quem se sujeitou a horários temporários, incompletos e distantes vê-se agora ultrapassado por pessoas que se tivessem trabalhado sempre no ensino público não tinham a graduação que dizem ter e que ainda por cima vão agora ficar com muitas vagas que, do meu ponto de vista, não deveriam ter direito a elas.

          • Zé Manel on 10 de Julho de 2014 at 20:19

          “se tivessem trabalhado sempre no ensino público não tinham a graduação que dizem ter e que ainda por cima vão agora ficar com muitas vagas que, do meu ponto de vista, não deveriam ter direito a elas.”
          1) como sabe que não teriam a a graduação que dizem ter? Acaso está a insinuar que a graduação desses colegas é falsa? Se tem provas disso, vá para a justiça; se não tem, está a fazer acusações graves e punidas por lei, sabia disso? Quanto ao direito às vagas, felizmente que ele não é decidido por si.

          • sandra s. on 11 de Julho de 2014 at 16:31

          É fácil detetar irregularidades ou erros na graduação dos professores que desde sempre constaram das listas, porque podemos fazer comparações com os anos anteriores. O problema é não ser possível fazer o mesmo aos que só muito recentemente passaram também a integrá-las. O que é certo é que ano após ano temos vindo a ser ultrapassados por pessoas com graduações elevadíssimas. Aliás, nos últimos 10 anos poucos são os contratados que têm conseguido subir nas listas graduadas MESMO TENDO HORÁRIO COMPLETO todos os anos. Porque será?
          Olhe, eu não estou a insinuar nada, apenas constato os que consta nas listas graduadas, porque são públicas, tal como todos os professores contratados que ano após ano vão ficando para trás. E continuarei a dizer que as vagas deveriam, por direito, ser para quem sempre trabalhou no ensino público.

    • THIS MORTAL COIL on 10 de Julho de 2014 at 19:05
    • Responder

    é no mínimo vergonhoso..

  1. A grande golpada!

    • Manel on 10 de Julho de 2014 at 20:11
    • Responder

    Deixem lá a senhora reformar-se vaidosamente efectiva!
    Na verdade existem coisas que me andam a chatear mais. Honestamente o facto de não poder marcar umas férias decentes após um ano de trabalho, já que me parece que passaremos os próximos tempos pendentes de vários concursos sobre os quais não conhecemos as datas, tampouco as regras. Será esta uma profissão tão pouco desgastante que quem a ela se dedica não mereça o descanço do campeão?
    Outra coisa, que medidas de entre as tomadas verdadeiramente beneficiou a qualidade de ensino? Não deveria ser essa a visão de qualquer medida tomada?
    Quanto a isto não quero que alguém se reforme com o transtorno emocional de não ser efectiva, porque nada mais do que isso conseguirá com esta vinculação.
    Cordialmente caros colegas 🙂

      • Cristina M. on 10 de Julho de 2014 at 21:23
      • Responder

      Efetiva, certamente que era, porque ao contrário do público no privado não se anda anos e anos em renovações de contrato! Não era é na função pública!

    • Vale on 10 de Julho de 2014 at 20:39
    • Responder

    Arlindo. Trabalha 12 dias e opta por descontar também para a ADSE. 12 dias depois, já se reforma e fica com a ADSE.

      • PipaII on 10 de Julho de 2014 at 21:25
      • Responder

      Pela ADSE? grande vantagem …até dá vontade de rir.

    • Pedro on 10 de Julho de 2014 at 21:22
    • Responder

    “O vínculo termina em caso de impossibilidade absoluta e definitiva do trabalhador prestar o seu trabalho”. Vejam o que acontece nas escolas, em que há professores com treze e catorze turmas e 400 ou mais alunos, e outros com duas ou três turmas e 35 ou 40 alunos. O desgraçado que tem 400 ou mais alunos vai ficar impossibilitado mais rápido de prestar o seu trabalho, perdendo o seu emprego mais rapidamente. Será este o prémio merecido pelo trabalho que o professor de 400 alunos merece? Será que isto é justo? para quando o equilíbrio do trabalho desenvolvido nas escolas?

    • Zé Manel on 10 de Julho de 2014 at 21:51
    • Responder

    Parecem aqueles herdeiros que esperam ansiosos pelo último fôlego da velha tia, para depois se degladiarem pelos parcos haveres da desdita, quais hienas mal cheirosas arreganhando os dentes por um pedaço de carcaça já coberta de moscas. Infames abutres, nada mais mereceis do que o meu silêncio e o meu desprezo. Fui.

  2. Se esses senhores quiserem ajudar, basta/podem ;

    – Efetuar o pedido de aposentação de imediato

    – Colocar atestado de imediato.

    • Supeprof on 11 de Julho de 2014 at 10:51
    • Responder

    Para aqueles que ainda não perceberam (ou dá-lhes jeito fazerem-se desentendidos):

    Os factos são:
    os professores do privado são admitidos por cunha, trabalham ao lado de casa, têm remuneração à parte e, mantendo-se a cunha, mantém-se o horário completo anual durante os anos que quiserem. E assim a sua GRADUAÇÃO PROFISSIONAL AUMENTA de uma forma muito FÁCIL!
    Os professores do público são admitidos através de uma lista ordenada, trabalham numa qualquer escola deste país, têm o salário cada vez menor e, caso não haja oportunistas do privado a passar à frente, caso o MEC não faça cortes na despesa, caso… etc, etc… poderão, ou não, ter horário completo anual.
    Acontece que quando os professores do privado querem dar aulas no público basta “meterem-se” na lista ordenada e passarem à frente de todos. Porque o MEC agora permite.
    Honestamente, não é uma INJUSTIÇA?!

      • Cláudia C on 11 de Julho de 2014 at 12:49
      • Responder

      Isto é, de facto, uma grande injustiça!

    • ComtoAgapitodorespeito on 11 de Julho de 2014 at 12:06
    • Responder

    Olhem amigos os professores que trabalham no ensino público que se dirijam ao Provedor de Justiça e mandem os sindicatos à américa..Se se faz tanta manifestação pelos contratados que penam no público e se vai para uma organização como o Tribunal Europeu para vincular depois os do privado é inédito.Várias hipóteses se podem pôr:
    a9os professores do público são asininos:
    b) os sindicalistas são filhos das damas da noite
    continuem para chegarmos a uma conclusºao válida

    • maria isabel moura on 11 de Agosto de 2014 at 1:06
    • Responder

    Tenho 56 anos de idade, sou do grupo de história e uma das pessoas “elegíveis”. Sempre trabalhei no público e quase sempre concorri a nível nacional. Digo quase sempre porque infelizmente tenho um filho com uma doença mental crónica que nem sempre me permitiu concorrer para todo o país.
    Nunca gostei de entrar em polémicas, pois todos somos professores e como todos sabem além de percorrermos milhares de quilómetros todos os anos, mal pagos e por vezes a passar mal em muitos aspetos, trabalhamos mais do que muitos que tiveram a sorte de ficar efetivos há muitos anos.
    Neste caso, independentemente da minha colocação, sinto-me injustiçada, pois deveríamos ser posicionados no escalão correspondente ao nosso tempo de serviço, no meu caso quase 26 anos de serviço. Tantos anos a lutar por um lugar era o mínimo que poderiam fazer para colmatar as terríveis injustiças que os professores contratados sofrem e continuam a sofrer todos destes anos.

  1. […] Mas acho que ainda ninguém deu conta que um dos docentes que vai entrar no Concurso Externo Extraordinário se aposenta por limite de idade passados 12 dias de entrar no quadro. […]

  2. […] no dia 10 de Julho tinha colocado este post sobre este assunto. Não para criticar quem entrava no quadro com esta idade, mas por considerar […]

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