A massa crítica docente – Da interpretação e sentimentos
ARREPIANTE!!!
É de arrepiar e marcante fazer parte das Manifestações de professores e educadores, que ontem se realizaram no Porto e em Lisboa, dia 04 de março de 2023, sábado, e que ficam para a História como duas grandes Manifestações, ambas com números, alegadamente, na ordem dos quarenta mil (40000) manifestantes/participantes. Sendo que houve colegas que levaram os filhos, alguns menores, que também apitavam nos apitos e gritavam palavras de ordem, e inclusive uma menina/criança, de 6/7 anos, filha de populares, solidários com a causa dos professores, que segurava um cartaz a dizer: “RESPEITO”; sensibilizado e emocionado, pedi autorização para fotografar, para registo e memória futura. Sem palavras (…); simplesmente Lindo! Obrigado!
Oitenta mil (80000) pessoas a fazer a catarse em família é muita gente. É muita União. É muita Determinação. É muita Certeza. Uma Ideia e um Querer inquebrantáveis. A classe docente, a profissão docente, a família docente, uma vez mais demos uma grande lição de cidadania, de civismo, de lutar até à exaustão pela Democracia, pelo Estado de Direito Democrático, pela Liberdade, pelo Respeito dos Compromissos assumidos, pela obrigatoriedade da Honra em cumprir, pela invocação do Justo, da Justiça, da Verdade e da Legalidade. Pelo Cumprimento dos Direitos Laborais. O Professorado NÃO desarma nem desiste.
E isto, depois de dois dias de greve de professores e educadores, dias 02 e 03 de março de 2023, greve fortemente condicionada pela obrigatoriedade do cumprimento de serviços mínimos/serviços máximos, de um colégio arbitral, acção deliberativa, alegadamente ilegal, a contestar em tribunal com providência cautelar, estando convictos da certeza de que o tribunal irá dar razão aos professores. Mas, entretanto, o mal já está feito. O direito à greve começa a ficar ferido de morte, por anulação de eficiência/ineficiência e desmobilização/corte do efeito pretendido. Absolutamente vergonhoso! Para mais, neste Portugal dos nossos dias, socialista surrealizante, de uma Justiça tartaruga, de litigância, mitigação e adiamento demorado, com acenos preocupantes de “um Estado fora da lei”. O desbaratar de uma maioria PS, política, parlamentar, de um partido socialista à deriva, com a prepotência, arrogância e autoritarismo próprios de uma liderança fraca, com desmandos dos “chefes” Costa na Educação e em rápida erosão. Só resta resistir e esperar. Alea jacta est (os dados estão lançados).
Carlos Calixto
À acefalia amorfa e quase colectiva da maioria socialista, os professores respondem com a massa crítica formada e informada, própria de quem tem por missão formar pessoas humanas para a vida em sociedade, com capacidade crítica e interventiva, no exercício pleno da cidadania responsável. Formar cabeças pensantes. Sagacidade, análise, observação crítica, participação na vida pública, capacidade de fazer o contraditório, exigência política e cidadania.
Na conjuntura actual, o Estado português comporta-se de forma estranha, bizarra, mesmo fetichista, para com os professores portugueses do continente. Mais grave ainda, quando se sabe agora que, os colegas dos Açores alegadamente vão recuperar (e bem; parabéns à secretária regional da Educação dos Açores e ao Governo regional), o tempo perdido que medeia na transição entre as estruturas de carreira, fazendo o pleno de justiça e verdade legal e laboral. Donde, situação que só agrava ainda mais a realidade dantesca e de pesadelo dos professores e educadores do continente (também portugueses). Comportando-se o Estado português, com tal e tamanho ROUBO de tempo de serviço e direitos laborais, como “um Estado terrorista”, que tudo exige e nada cumpre. ZERO! Nada de NADA! “Terrorismo de Estado” e preconceito contra os professores.
Mais ainda, é gravíssima a discriminação dos colegas do continente em relação aos colegas das ilhas dos Açores e da Madeira. E mais, é facto que viola gravemente o princípio do direito de/da igualdade entre colegas que têm o mesmo ofício e exercem a mesma função. Pior ainda, já não colhe de maneira nenhuma/alguma, o argumento estafado da falta de dinheiro e das contas certas. Como disse?! (…); “masturbar a inteligência NÃO”!!! Chega e basta de mentiras, manipulação da opinião pública e dos órgãos de comunicação social e adiamentos sine die.
O Sr. Primeiro-ministro António Costa, o seu Governo socialista de maioria absoluta, o seu ministro da Educação João Costa, o grupo parlamentar do PS, têm neste momento e em crescendo, a opinião pública contra e a favor da razão dos professores; têm as sondagens contra, estão em queda livre, e os portugueses do lado dos professores; o Sr. Presidente da República Marcelo, com uma sinaléctica avermelhada ao executivo, com recados vários; a Educação/Ensino/Instrução com destruição em permanência da Escola Pública; uma “guerra total” ME (Ministério da Educação)/Professorado, que revela uma manifesta falta de jeito para a coisa e uma atitude provocatória com cada medida/ proposta mais “tolinha/insane/provocadora” que a anterior; uma farsa negocial composta por truques, semântica e eufemismos, armadilhada e com alçapões, como se os “imberbes dos Profs./Zecos”, não soubessem ler, escrever, contar, interpretar e analisar. Mal pagos, sim. Ignorantes é que não. Foram ultrapassados todos os limites e desrespeitadas todas as linhas vermelhas. Verdadeiramente, não houve interesse político em negociar. Há superavit orçamental e lucros fabulosos. E ainda bem. Deem-nos o que é nosso por direito.
À tutela, nós professores, nós sabemos Sr. Ministro que a grande, principal e única preocupação do ME neste momento é mitigar a falta de docentes. Porém acontece que, somos pessoas, temos família, temos sentimentos e merecemos toda a consideração, deferência, esforço negocial e RESPEITO! OBRIGADO!
Tentar enganar, ludibriar, aldrabar e mentir, É feio. É simples e eficiente negociar, dialogar com cordialidade, com verdade, cara a cara e olhos nos olhos, e com real vontade política para a resolução dos problemas laborais da classe docente. António Costa tem de mandatar João Costa para negociar um Acordo, mesmo que faseado (mas sem mandar para as calendas gregas). Haja Política, animalidade política, faro para fazer acontecer a coisa. Todos ganhamos. Juntos, reparemos/revertamos injustiças/maldades com 18 anos.
Aproxima-se a hora da verdade, do tudo ou nada. Está próximo o dia 09 de março de 2023. Dia de reunião suplementar, em mesa única. A última oportunidade para o Governo mostrar que está empenhado em ser parte da solução e não parte do problema. A questão é toda ela política, de opção e escolha política. Acabar com o problema e diferendo ME/Professores é eminentemente político.
Nada mais, querer ou não querer salvar a estabilidade de um dos pilares do presente e futuro do país. Ter uma política educativa assertiva, acabar com a falta de professores e salvar a Escola Pública.
Infelizmente, os sinais da tutela são contrários. Não parece haver vontade política, e nem pensar em propostas de última hora ultrajantes e de jogo sujo e baixo, de tentar dividir para reinar. O socialismo dos camaradas Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Costa e Costa e políticos rosinha, tem um trauma qualquer com os professores e educadores portugueses, irracional e de todo inaceitável. Embrutecedor dos sentidos, neurónios e sinapses, da mais elementar inteligência mínima, e de não salvaguarda dos superiores interesses da res publica. Até parece haver um “ódiozinho visceral e de estimação” aos professores. De todo inexplicável, inenarrável e intolerável. Estamos aqui.
Não se pode funcionalizar a intelectualidade do professor nem transformar em tarefeiros técnicos, a cientificidade, a pedagogia e a didáctica que são a essência da idiossincrasia docente. Não querer compreender, aceitar ou mesmo negar tal facto, é tirar/acabar com a atractividade e valorização da profissão docente. É matar a Escola Pública. Tal como o SNS (Serviço Nacional de Saúde), também a Escola Pública está em colapso. Com culpas muito acrescidas para esta liderança socialista nada, mas mesmo nada visionária, acautelada, prudente e a servir (não servir) os superiores interesses de Portugal. Com raízes de amargura contra educadores e professores. Vá-se lá saber porquê?!
Repetimos que o problema não é dinheiro. O problema é político!
Repetimos que o Professorado português continental se sente discriminado, ultrajado, abandonado, magoado e ostracizado por um Governo que teima em “pecar” contra os docentes e a docência.
Repetimos que a Burocracia reinante e a ditadura do digital estão a matar a essência/função da Escola Pública de massas, inclusiva e de qualidade.
Faça-se luz. Que o caminho extenuante da exaustão/discussão, dê lugar à negociação, à propositura séria e à concertação. O país, os alunos, pais e encarregados de educação, a comunidade educativa e a Escola Pública muito agradecem e aplaudem. É chegado o momento do aperto de mão.
RESPEITE-SE A VONTADE DOS PORTUGUESES!!!
Em homenagem a todos os educadores e professores, finalizamos com um poema dedicado a todos aqueles que dedicam as suas vidas a formar, educar e ensinar pessoas humanas cultas, livres, críticas, pessoas com cabeças bem feitas, com carácter, respeitadoras, no pleno exercício de uma cidadania responsável pelo outro.
Ser Professor é …
Ser professor é professar a fé e a certeza de que tudo terá valido a pena se o aluno sentir- se feliz pelo que aprendeu com você e pelo que ele lhe ensinou…
Ser professor é consumir horas e horas pensando em cada detalhe daquela aula que, mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original…
Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e, diante da reacção da turma, transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender …
Ser professor é importar-se com o outro numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que necessita de atenção, amor e cuidado…
Ser professor é ter a capacidade de “sair de cena, sem sair do espectáculo”…
Ser professor é apontar caminhos, mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés…
(Jairo Lima)
Ser professor é ser maior e ver para lá do véu!
Sinto-me honrado por fazer parte de um grupo de pessoas que é Gente grande, maior, resiliente, de grande dignidade profissional e mais valia humana e humanista acrescentada.
Um Grande, Grande Abraço a todos os colegas.
CCX.
Nota: professor que escreve de acordo com a antiga ortografia.