Nunca mais chega o Natal…

No fim da primeira semana de aulas, e em jeito de balanço, a quantos profissionais de Educação já terá assomado este pensamento, em forma de um certo desconsolo e de lamentação, que teima em querer sair da “gaveta mais profunda do armário dos desejos inconfessáveis”:

– Nunca mais chega o Natal…

E mesmo aqueles que não sejam grandes entusiastas do Natal, desejarão, por certo, poder usufruir, o mais rapidamente possível, da interrupção lectiva proporcionada por essa época festiva…

Há escolas tranquilas e há escolas frenéticas, há escolas em apneia e há escolas onde se respira, há escolas onde se vive e outras onde mal se sobrevive…

Ano após ano, fica-se, cada vez mais, com a sensação de que as Férias, quase sempre em Agosto, já não conseguem fazer-nos “desligar” como deviam, tantas são as preocupações, as tarefas e os acontecimentos que se sucedem em pleno gozo dessa pretensa interrupção das actividades laborais…

E de nada servirão os discursos “lírico-melosos”, oriundos de muitas partes, que costumam proliferar em cada início de Ano Lectivo, quase sempre do género “vai tudo correr bem”, porque todos sentimos as inquietações que nos afectam e as preocupações que nos assolam, impossíveis de ignorar…

E de nada servirão os discursos “lírico-melosos”, pretensamente estimuladores do bem-estar psicológico, dos afectos positivos, da felicidade e da resiliência, porque todos sabemos que não passarão de meros paliativos, face à dura realidade que, regra geral, se encontra logo ali ao virar da esquina…

E logo ali ao virar da esquina pode haver muito cansaço acumulado, stress, desmotivação, trabalho insano e um alucinado frenesim, muitas vezes gerado pelo excesso de estímulos, tantas são as tarefas em curso e as responsabilidades atribuídas…

Percebe-se, contudo, a intenção desses discursos “lírico-melosos” que, naturalmente, passará pela tentativa de tornar a realidade um bocadinho mais aceitável e suportável…

Não sei quantos dias faltam para a interrupção lectiva do Natal, faltou-me a paciência para fazer as contas, conforme se trate de uma organização por Semestres ou por Períodos, mas, sem crenças assentes num qualquer “mito da supermulher” ou do “super-homem”, enraizadas em enganosos heroísmos, espera-se, por certo, que chegue depressa…

Em liberdade de pensamento e sem a prisão da auto-censura, que chegue depressa o Natal, pensarão, com certeza, muitos profissionais de Educação…

E “parecerá mal” assumir que o Natal nunca mais chega?

Que importa isso, desde que, em cada momento, se faça o melhor que se pode e se sabe fazer?

Mas haverá alguém com pretensões à paciência infinita ou à perfeição angelical?

Mas haverá alguém imune às coisas menos boas que acometem os seres humanos?

Chorar, indignar-se, irritar-se, enfurecer-se ou vociferar impropérios não resolvem problemas, mas ajudam, muitas vezes, a aliviá-los…

No mais recôndito da “minha oficina”, sempre que se justifica, praticam-se todos os anteriores e os resultados costumam ser satisfatórios…

E o Natal, que nunca mais chega…

A abominável expressão “parecer mal” ou “parecer bem”, indubitável resquício do Estado Novo, deveria ser banida do nosso léxico…

Enquanto o Natal não chega, é preciso “descer à Terra” e tomar consciência de que não há ninguém imortal, nem insubstituível, nem infalível, nem imprescindível e que, num determinado momento, qualquer um pode tombar, por motivos vários… E isto é válido para todos os que trabalham numa escola, escusamos de ter ilusões ou crenças irrealistas…

Na escola não há ninguém “incondicional”; “the show must go on”, aconteça o que acontecer…

A ver se nos aguentamos até ao Natal, depois logo se vê… Um problema de cada vez, que não vale a pena sofrer por antecipação…

Paula Dias

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10 comentários

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    • A.silva on 22 de Setembro de 2024 at 11:59
    • Responder

    Vá fazer tricot ou cerâmica!

    Pois eu, com quase 60 anos (e trinta e tal de serviço, não estive para contar), cá estou, com o entusiasmo de sempre, pronto para iniciar mais um ano letivo.

    E com 18 tempos letivos (com turmas) e os seguintes tachinhos:
    – coordenador TEIP
    – diretor de curso (com estágios e PAP para orientar)
    – membro do conselho pedagógico (com duas comissões a meu cargo)
    – coordenador de um CTE (centro tecnológico especializado), que me dá 2 horas extraordinárias

    Acresce, se não me esqueci de nada, a avaliação dos outros 5 colegas de grupo (com a RTS todos devem ser avaliados) e a previsível avaliação (enquanto avaliador externo) de mais 2 ou 3 colegas.

    E em julho lá terei o pincel da formação de turmas.

    Obviamente que em agosto descansei e cag… para a escola, para minha salvaguarda.

    E estou numa das ditas escolas inclusivas

    Faça tricot ou cerâmica.

      • Mustang Horse on 22 de Setembro de 2024 at 14:54
      • Responder

      Ganda “super-homem”, é isso mesmo, força nisso, dê-lhe com força! Ser “super-homem” não é para quem quer, mas apenas para quem pode! E podia continuar, mas acho que já se percebeu quão ridículo é o seu comentário. Bom proveito, “super-homem”! O senhor deve ser mesmo “muuuunta” bom! Continue assim, sem qualquer sentido de humor, ao mesmo tempo que se autoelogia e se vangloria! É disso que as escolas precisam! (mas olhe que alguns caíram por muito menos).

      • RF on 22 de Setembro de 2024 at 18:35
      • Responder

      Força na verga, não é, ó A. silva? Vá para aquele sítio que rima com “orvalho” e que não é “ramalho”.

      • Pois é, Silva on 22 de Setembro de 2024 at 22:02
      • Responder

      Conheço gente assim.
      Foram os que andaram a mamar 30 e tal anos, a enfernizar a vida aos outros e, por isso, quando chegam aos 60 e tal estão fresquinhos e cheios de energia para continuarem a sacar.
      Com que então horas extra de CTE?
      Conheço quem tenha de fazer o trabalho e não tenha essas horas extra.

      • Marques P. on 23 de Setembro de 2024 at 16:17
      • Responder

      Ó senhor boy lateiro A. silva, aqueles professores que se suicidam por não aguentarem mais, e se sentirem demasiado perdidos para procurarem outra profissão, também devem fazer tricot e cerâmica? Aposto que você fica feliz quando eles se matam. Lurditas de ouro em supositório, de facto. Bom proveito.

    • Calves on 22 de Setembro de 2024 at 12:31
    • Responder

    A. Silva,
    Muito bom o seu comentário.
    Revi-me nas suas palavras.
    Abraço.

      • RF on 22 de Setembro de 2024 at 18:38
      • Responder

      Ó Calves, você e A. silva deviam ganhar o prémio Lurditas de Ouro, mas em forma de supositório para vos saber melhor.

    • Dioguito on 22 de Setembro de 2024 at 12:36
    • Responder

    Se ao fim de uma semana já quer férias, se calhar a pessoa em questão está na área errada.

      • RF on 22 de Setembro de 2024 at 18:42
      • Responder

      Se calhar ela está na “área errada” porque gentalha como você e o enteipado lá de cima julgam que estão na área certa. É porque vocês avacalham a escola pública que ela é a merda que é. A verdade é que os peidosos, como você e os outros gajos que comentaram antes, gostam do cheiro das suas próprias emissões gasosas.

        • Marques P. on 23 de Setembro de 2024 at 16:12
        • Responder

        Eles gostam é das emissões gasosas da Lurditas. Lembra-se dos professores a cantar e a fazer momices pelo computador Migalhães? Eles comem as fezes da Lurditas e do Sócrates, se os mandarem. E se der “créditos paraa progressão”. E riem,com os dentes todos castanhos, enquanto piscam o olho à assistência. Lateiragem cor-de-rosa.

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