Situações Que se Descobrem Depois do Concurso Feito

E já numa fase adiantada das colocações.
A falta de informação que sempre existiu com o concurso para 2014/2015 também foi um dos grandes problemas que afetaram os professores. Não foram apenas os erros das fórmulas, ou os subcritérios que tornaram este arranque do ano letivo um dos piores de que há memória.
Durante a fase de concurso nem a própria DGAE sabia responder às perguntas dos docentes e agora vão surgindo respostas “não oficiais” que poderiam mudar as opções dos docentes na fase de candidatura.
Ficam dois exemplos que me chegaram por mail
Depois de ter lido a legislação, para garantir que poderia concorrer à contratação de escola, aceitei o horário que obtive em BCE e posteriormente fiz a denúncia do mesmo. Telefonei para o CAT do Ministério para me certificar de que estava tudo certo e fui informada que o meu nome apenas seria retirado da RR, mas que me manteria nas listas da BCE das restantes escolas a que concorri. Insisti que não era isso que tinha lido na legislação, mas garantiram-me que, tendo aceite e denunciado o meu 1º contrato, me manteria nas restantes listas da BCE e apenas seria retirada da RR.

Sinceramente não foi esta a ideia com que fiquei da leitura da legislação. Pensei que apenas me restava a hipótese de concorrer às ofertas de escola que, para o grupo, devem começar a surgir lá para janeiro Será que consideram as listas de BCE como oferta de escola? Isto faz sentido? Fui eu interpretei mal? Ainda me disseram que posso concorrer às novas bolsas, aquelas cujas escolas se esqueceram dos grupos de recrutamento ou de abrir concurso… Será isto verdade ou será que me deram a informação errada?

Aqui depreende-se que qualquer colocação em BCE independentemente da duração do contrato ou do número de horas (tal como em Contratação de Escola) o docente é retirado definitivamente da Reserva de Recrutamento.
A denúncia de uma BCE dentro do período experimental impede apenas o docente de ser colocado na mesma escola da BCE mas não permite o regresso do docente à Reserva de Recrutamento.
O segundo mail é uma dúvida comum que tem levado a que os docentes se sintam prejudicados por não estar a ser possível obter uma melhor colocação em BCE
Mas quem fica colocado na Contratação Inicial e/ou Reserva de Recrutamento só poderá ficar colocado num horário em que seja possível o completamento do horário até ao limite das 6 horas de acumulação. Ou seja; quem ficou colocado na Reserva de Recrutamento com um horário de 18 horas apenas se mantém em concurso para as BCE para horários até 10 horas (4 horas para ter um horário completo + 6 horas que é o máximo permitido para acumulação) e quem apenas disse estar interessado em ficar colocado para intervalo de horários superiores a 15 ou 18 horas nunca mais será colocado pela BCE.
Gostaria que expusesse esta minha situação no seu blog por esta situação ser muito grave e objeto de um recurso contencioso, e na qual se encontram muitos contratados:
Uma vez que em várias listas de BCE estou em 1º e 2º lugares, estranhei na passada sexta-feira, dia 10, não ter sido notificada pela DGAE. Ontem de manhã, dia 13, decidi telefonar para cada uma dessas escolas para saber o que se tinha passado.
Fiquei absolutamente transtornada quando dois diretores me informaram que a docente que havia sido selecionada pela DGAE, para essas mesmas duas escolas, estava na 17ª posição da lista do grupo 200! E eu em 1º e 3º lugares!
 
Como isto é possível? Se estou dentro do meu período experimental, podia perfeitamente denunciar o contrato na escola onde me encontro colocada e aceitar a colocação da BCE!!
Mas a saga não acaba aqui…
Decido ir à DGAE, nessa mesma manhã, onde serenamente me informaram que a BCE só serve para efeitos de acumulação e completamento de horário para os docentes que ficaram em Contratação Inicial e em Reserva de Recrutamento! Ou seja, se um docente só concorreu a horários superiores a 15 horas na BCE, que foi o meu caso e de muita gente (na expetativa de conseguir horários razoáveis) e estando na reserva de recrutamento colocado com 12 ou mais horas, será automaticamente excluído pelo sistema, na medida em que não pode ter mais do que 26 horas. Continua na BCE mas nunca será chamado enquanto estiver colocado em RR.
Perguntei à senhora que me atendeu o seguinte: “Onde está escrito e qual a lei que definiu essa regra do jogo, desconhecida de muitos? Obviamente que os contratados tiveram interesse em concorrer a horários maiores, porque no momento em concorreram em setembro pela 1ª vez à BCE, pensaram (E BEM!) que poderiam ficar em BCE melhor colocados do que em RR!”
A senhora respondeu-me:”Professora, é a informação que me deram a nível superior”.
Arlindo, isto é gravíssimo e dantesco, pois quando concorremos à BCE ninguém sabia que essa seria uma das regras do jogo; isto é, qualquer contratado se soubesse disso teria concorrido também a horários pequenos para poder completá-los se ficasse eventualmente numa reserva de recrutamento!
Isto é de loucos, pois as regras do jogo da malfadada BCE não foram claras nem precisas desde o início, o que permitiu que a tutela alterasse e continue a alterar as regras quando considera conveniente! Onde é que está escrito e estabelecido que um docente colocado na CI e na RR não pode optar por um horário da BCE mais favorável, dentro do seu período experimental? O que aconteceu foi claramente um impedimento sem qualquer base legal e uma estratégia suja, por parte da tutela, de os docentes já colocados, independentemente do seu horário (completo ou incompleto, anual ou temporário), não poderem escolher livremente, dentro do prazo legal, o horário que melhor lhes convinha.
Portanto, decidi contatar o meu sindicato e agendar uma reunião com a advogada do contencioso, que logo de imediato me afirmou que todos os contratados na minha situação deveriam recorrer e interpor um recurso contencioso. Há que pôr um fim com dignidade, coragem e justiça a todo este processo!
Isto só será possível se a maioria dos contratados lesados levarem até às últimas consequências este processo horripilante e que causa repulsa, encetado pelo Ministério da Educação.
É fundamental não desistirmos e lutarmos pelos nossos direitos e pelo nosso futuro profissional!
Por isso, e por fim, faço-te um apelo: publica no teu blog, visto por mulheres de docentes, essa minha história, que não é fictícia… É bem real, infelizmente…
Um obrigada,
Vanessa Gomes

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14 comentários

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    • Ricardo420 on 14 de Outubro de 2014 at 22:26
    • Responder

    “Aqui depreende-se que qualquer colocação em BCE independentemente da
    duração do contrato ou do número de horas (tal como em Contratação de
    Escola) o docente é retirado definitivamente da Reserva de Recrutamento.”

    Como???? Fiquei em BCE num contrato de apenas 6h e anual. Como muitos estou à espera da próxima reserva de recrutamento (nesta altura terei no máximo 20 e poucos à minha frente por colocar).

    Está a dizer que fiquei retirado da reserva de recrutamento por ter aceitado um horário de 6h??? Não é possível. Seria mau de mais…

    • El Greco on 14 de Outubro de 2014 at 22:32
    • Responder

    Olá, Arlindo! E deixa-me dizer-te que esta semana dezenas de professores (como no meu caso, hoje!) estão a ser notificados por mail (a par das escolas e das instituições) autorizando a sua mobilidade estatutária. Já não serão publicadas listas. Vergonha pelo arrastar da situação quando estes destacamentos deveriam ter sido deferidos antes de 1 de Setembro e só agora estão a sair da secretária do Sec. de Estado? Parece-me evidente…

    • Maria on 14 de Outubro de 2014 at 22:34
    • Responder

    Depois do testemunho da Vanessa,
    e como eu me enquadro perfeitamente no relatado, não restam dúvidas, amanhã mesmo vou contactar o meu sindicato e solicitar o apoio necessário para seguir igual procedimento.

    • mpl on 14 de Outubro de 2014 at 22:45
    • Responder

    E onde estão as listas da BCE3, as que aparecem nas páginas das escolas?

    • AM on 14 de Outubro de 2014 at 22:50
    • Responder

    Sou filha de uma docente que está na mesma situação (na segunda situação descrita). Sempre achamos que estando dentro do período experimental, se poderia denunciar a colocação de RR e optar pela BCE. São dois concursos distintos. O que podemos fazer? Não há lei, não há respeito…. só má fé e destruição.

    • Alex on 14 de Outubro de 2014 at 23:29
    • Responder

    Inflizmente o caso da Vanessa e muitos outros não irá ter bom fim, pois se na lei é omisso o facto de quem sai de onde e quando, a tutela irá responder que detetou esse ponto omisso e que regulamentou da forma que achou mais (des)equilibrada… Enfim mais do mesmo neste arranque (a)normal do ano letivo… nem no tempo dos mini-concursos havia esta palhaçada….

    • Evieira on 14 de Outubro de 2014 at 23:54
    • Responder

    Vanessa Gomes, a minha situação é idêntica: fiquei colocada num horário temporário de 16 h na rr2. O prazo para rescindir acabou ontem. Na BCE de 10/10/2014 ficou colocada numa das escolas para onde concorri uma colega três números depois de mim. Não desisti da BCE e, de acordo com o ministro, só seriam retirados os colocados em horários completos. Então por que razão não fui contactada pela Dgae, de forma a denunciar o contrato temporário em tempo útil e optar pela colocação anual? Já fiz a exposição ao sindicato e aguardo resposta. Estes atropelos são injustos e inadmissíveis num estado de direito. Juntos somos mais fortes. Por isso denunciem!!!

    • jonas on 15 de Outubro de 2014 at 0:05
    • Responder

    Vale a pena re…ler. http://vistodaprovincia.blogspot.pt/

    • Marta R on 15 de Outubro de 2014 at 0:06
    • Responder

    ATENÇÃO: O acesso a um emprego público, pago com o dinheiro de todos os cidadãos, deve sempre passar por um concurso público e transparente. A Constituição da República é muito clara no CAPÍTULO I: Direitos, Liberdades e Garantias Pessoais – Artigo 47.º -“Liberdade de escolha de profissão e acesso à função pública”, onde refere no nº 2 que “Todos os cidadãos têm o direito de acesso à função pública, em condições de igualdade e liberdade, em regra por via de concurso. “

    • Rita on 15 de Outubro de 2014 at 0:58
    • Responder

    Sou mais uma das lesadas com esta situação (confesso que já nem arranjo palavras que descrevam totalmente aquilo que sinto…). Péssima colocação em CI, não desisti da BCE, as listas supostamente corrigidas saem ainda dentro do meu período experimental, e sou impossibilitada de obter melhor colocação!

    Quem vai pagar por isto?!

    • Ricardo420 on 15 de Outubro de 2014 at 12:05
    • Responder

    Consegui falar com o CAT e confirmaram-me o pior cenário possível. Quem ficou colocado em BCE é retirado da Reserva de Recrutamento, idependentemente do número de horas. Perguntei à assistente onde estava essa informação e ela disse que não estava em lado nenhum… isto é uma palhaçada total!

    • RMMCA on 15 de Outubro de 2014 at 12:30
    • Responder

    Eu também estou nesta situação, com 13h em CI e vi-me excluído de horários completos nas BCE, apesar de estar em 1º em 6 escolas e em 2º em 16 e assim por diante. Da DGAE disseram-me que só podia ter horários até 15h (13+9 (22) + 6 de acumulação – Total 28h). Tem graça que na sexta fiquei num horário de 18h que com o meu já dá 31h! Para este já era possível mas para os de 22h não. É que além desta trabalhada à ainda o problema do 5º contrato sucessivo e completo que muitos ficaram de fora e que para o ano perdem a 1ª prioridade do concurso.
    As palavras do ministro e depois dos diretores é que tudo passa para as escolas onde não vamos saber quem foi colocado e em que muitos do horários têm subcritérios feitos à medida de colegas menos graduados.
    Mas era muito difícil as escolas pedirem horários e as vagas serem ocupadas em CI pelos candidatos mais graduados da lista nacional?
    Passar tudo para as escolas é acabar com a graduação nacional com a justificação que as escolas são diferentes e por isso precisam de ter professores específicos para cada escola, desde que sejam contratados, porque se forem quadros podem ser o pior professor do mundo, com regular na avaliação, sem mestrado ou doutoramento sem experiencia de clubes que já é bom para a escola.

    • Ricardo420 on 15 de Outubro de 2014 at 13:14
    • Responder

    CIRCULAR Nº B14024576Q
    “15.2. PERMANÊNCIA NO CONCURSO – Nos termos do n.º 3 do artigo 36.º do Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, na redação em vigor, apenas a colocação em contratação de escola implica a retirada da reserva de recrutamento. Nas demais possibilidades o docente pode sempre continuar a concurso (RR/BCE/CE) para completamento de horário e/ou acumulação. Assim, os candidatos podem regressar à RR e BCE, para efeitos de nova colocação.”

    Daqui deduzo que o CAT deu-me informações erradas. Segundo este ponto da circular devo-me manter em concurso para RR e BCE de forma a completar o horário.

    Estarei a interpretar corretamente ou é wishful thinking?

    • Cecília on 15 de Outubro de 2014 at 16:51
    • Responder

    Concordo na integra com a posição da colega Vanessa Gomes!! Vamos criar um modelo e expor em contencioso todas estas situações de injustiça que afetaram práticamente todos os docentes opositores a este “malfadado concurso”!!! Eu também me sinto muito lesada neste concurso pois, apesar de ter ficado com horário completo na CI a 9 de setembro de 2014, a 300Km de casa, logo na 1ª BCE, fiquei em 1º lugar numa escola mesmo ao lado da minha área de residência, onde estava disponível um horário completo anual e para o mesmo grupo de recrutamento (430-Economia Contabilidade) no qual eu tinha sido colocada. Assim, e apesar de me encontrar no período experimental não pude ocupar esse horário, (telefonei, escrevi, reclamei por escrito e até hoje não obtive qualquer resposta)…ficando esse horário por preencher até à 2ª BCE….Todas estas situações têm que ser denunciadas!!!

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