Deputados propôem alterar concurso de docentes que “criou injustiças”
Os deputados do PCP e do Bloco de Esquerda defenderam hoje no parlamento projetos para “corrigir” as mudanças feitas no último concurso de docentes, por considerarem que promoveu mais injustiças na colocação de professores.
Os deputados debateram hoje um projeto de resolução do Bloco de Esquerda e um projeto de lei do PCP sobre o regime de recrutamento e mobilidade do pessoal docente nos ensinos básico e secundário, assim como uma petição com quase nove mil assinaturas a reclamar o concurso interno realizado no verão do ano passado.
Em causa está a decisão do Governo em alterar as regras do último concurso interno, destinado aos professores dos quadros que querem mudar de escola.
No verão do ano passado, o Ministério da Educação anunciou que nesse concurso só estariam disponíveis horários completos, ficando de fora os incompletos.
Ficaram assim vedadas escolas a docentes que acabaram por ficar colocados mais longe de casa: “Professores menos graduados conseguiram colocação em escolas mais próximas”, recordou hoje a deputada do PCP, Diana Ferreira, acrescentando que a “situação gerou indignação dos professores”.
“Este é um caminho que só tem causado problemas aos docentes”, acrescentou, referindo-se a uma decisão semelhante tomada no concurso de 2017/2018, com “consequências desastrosas” e que levou a uma guerra entre ministério e docentes.
O Governo teve de recuar e alterar o diploma, que voltou a considerar no concurso interno tanto os horários completos como os incompletos.
O PCP apresentou hoje um diploma que vai nesse sentido: “Propomos a abertura de um concurso antecipado para os docentes, devendo ser considerados todos os horários completos e incompletos (..) e assim acabar com as opções erradas que o Governo insiste em tomar”, afirmou a deputada comunista Diana Ferreira.
Também a bancada do Bloco de Esquerda apresentou um projeto de resolução para “corrigir o problema da falta de professores nas escolas”, disse Joana Mortágua.
A deputada bloquista recordou a história dos professores, “conhecidos como os lesados de 25 de Agosto”, que estavam vinculados a um quadro de zona pedagógica e foram surpreendidos com “uma alteração que veio dizer que só podiam concorrer para horários completos e não incompletos como acontecia até então”.
A deputada do PS, Ana Isabel Santos, explicou que a decisão de ter apenas horários completos no concurso interno respeitou a legislação, visou “garantir a correta gestão dos recursos”, sublinhando que “não foi omitida qualquer informação aos candidatos”.
O deputado Rui Tavares, do Livre, disse que iria “acompanhar os peticionários e a proposta do PCP”.
Assim como a deputada Carla Castro falou pela Iniciativa Liberal para garantir que irão acompanhar a iniciativa de corrigir o concurso interno.
Também o grupo parlamentar do Chega apresentou uma proposta sobre o assunto, mas o deputado Gabriel Mithá Ribeiro focou-se em criticar o sistema e a “esquerda” que “nunca disfarçou ser inimiga dos valores constitucionais”.
No seu discurso falou no parlamento como “um espaço fechado”, criticou o “totalitarismo democrático” e a imposição de “valores específicos da sociedade como a democracia ou ativismo”.
Defendeu que “professores e escolas têm de deixar de ser barrigas de aluguer”, criticando a indisciplina e a burocracia nas escolas e falando em “prostituição” das instituições que estão subjugadas ao poder político.





3 comentários
Agora que o PS tem maioria absoluta é que o BE e o PCP se lembram dos professores…
…pois, porque no tempo da Geringonça eles não tinham poder negocial nenhum…
O que se passa com a colocação e professores é uma vergonha.
Um médico, por exemplo concorre a um hospital, às unidades de saúde que lhe interessam. Não concorre para um QZM (Quadro de Zona Médica, tipo QZP mas médica) e se ficar mais longe de casa tem direito a subsidio de transporte e/ou alojamento. Idem para os juízes, polícias …. etc.
Pois bem acabe-se com os QZP, tudo QE. Eu estou a lecionar na mesma escola há muitos anos e não estou efectivo nessa mesma escola ….
Também a polémica da MPD …. as juntas médicas quando reconhecem que um docente não está apto para exercer funções docentes mandam-no trabalhar, nas outras profissões chegam a acordo de reforma, reconversão ….
Já trabalhei fora do ensino, e nunca estive efectivo numa empresa, mas o ordenado apenas tinha a ver com os anos de experiência, ou seja, o meu “escalão” seria exactamente o mesmo quer integrasse em quadro de empresa ou não.
Por fim, qual a empresa, pública ou privada, que tem ambito nacional e tem concurso nacional???
Exemplos: os CTT têm balcões em todo o país mas quando se concorre é para uma dada estação dos correios; a CP concorre-se para revisor da linha de Cascais, para a estação do Estoril …. Um juiz concorre para uma comarca, e não para uma QZC (Quadro de Zona de Comarca).
Sim acabem com todas as mobilidades, mas acabem também com a casa às costas
E injustiça é a nova lei da Mobilidade Por Doença.
– Cheios de ilegalidades, além de erros que vai pôr docentes, com várias doenças terminal e oncológicos, e outras doenças incapacitantes ( deficiência física, invisuais, por perdas mobilidade por acidentes em serviço, etc ) .
Onde vai obrigar, os docentes MPD , de percorrer um raio de 20 + 20 = 40 kilometros , das suas Habitações Permanente, para lecionar .
Onde vai provocar, que ficaram fora do seu perímetro de vários tratamentos médicos e médicos de família, e tomaram várias tipos medicação e injeções , e de cuidados enfermagem nos seus centros de saúde, que ficam na área das suas Habitações Permanente.
– Além que o Novo Decreto lei da MPD, obriga pela primeira vez ao documento de Atestado Multiusos . E para concorrer obrigatoriamente, tem apresentar o Atestado Multiusos.
– Assim é uma injustiça, já que um docente com menos tempo de serviço, e tenha um Atestado Multiusos, passa há frente no concurso , dos docentes com mais tempo de serviço ( e não tenham o Atestado Multiusos) .
– É uma injustiça, já que as juntas médicas, para obter o Atestado Multiusos, estão atrasados.
– É uma injustiça, já que os docentes que pela primeira vez, ao obter o Atestado Multiusos , nunca teriam a tempo o respectivo certificado, para concorrer a MPD.
É necessário o BE e PCP. E os Sindicatos se unirem contra a lei de MPD, por ser uma injustiça e prejuízo para todos docentes, este novo decreto lei por doença incapacitantes.
– Já que nunca terão a tempo os documentos necessários, para concorrer por MPD , no ano lectivo 2022 /23 .