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Quando se deixa de ser professor não se volta à profissão

Desencantou-se pela precariedade no ensino. Em Lamego, há um professor de Educação Física que abandonou de vez a escola, para se dedicar à produção de cereja. Sabe que há muita concorrência no concelho, mas o truque é apanhar o fruto da árvore e ir entregar o mais rapidamente possível ao consumidor. José Costa não tem saudades do tempo em que era professor.

A carreira de ensino não conseguiu atrair e fixar José Costa, que há mais de 10 anos, e após três anos consecutivos de instabilidade, decidiu mudar de rumo. Hoje tem a certeza que já não volta atrás e o futuro é mesmo como agricultor.

Colhe o fruto e, depois, distribui e vende diretamente da árvore para os minimercados. Esse é o truque do antigo professor de educação física, de 37 anos, para fintar a concorrência.

“Eu e o meu pessoal começamos a partir das 6h30 a colher o fruto até às 11h30 e depois eu vou entregar diretamente às mercearias. É diferente da rota comercial da cereja, que passa por duas, três mãos”, revela José Costa, insistindo que “as cerejas vão diretamente da árvore para os minimercados”.

Ainda que habituado desde sempre a ver os pais a trabalhar na agricultura, na Quinta do Casal, em Lamego, ao terminar o ensino secundário José Costa decidiu enveredar pela licenciatura em Educação Física, com o objetivo de um dia dar aulas.

“Os meus pais queriam algo mais seguro para mim”, recorda. Mas passados três anos de instabilidade no ensino, sem número de horas que justificasse, José Costa decidiu mudar de vida e hoje trata as cerejas por tu.

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Falta de Professores – Elsa Manero

 

A falta de Professores no terceiro ciclo e secundário é notória.

As Universidades, responsáveis pela formação de professores, não têm feito um investimento na abertura de Cursos de Mestrado em Ensino.

Os Cursos de Mestrado em Ensino constituem um elemento importante na formação de professores, uma vez que visam a aquisição de habilitação profissional para a docência. Um licenciado que pretenda fazer o Mestrado em Ensino tem de frequentar o Mestrado na Universidade do Porto ou na Universidade de Lisboa. Nem todas as Universidades Públicas têm Mestrado em Ensino. As Universidades Públicas deveriam investir nos Mestrados em Ensino dos grupos de recrutamentos mais deficitários, que são, segundo estudo do Conselho Nacional de Educação, são Educação Tecnológica, Economia e Contabilidade, Filosofia, História e Geografia, as áreas em que deverá haver mais reformas no 3º ciclo e secundário.

Fazendo uma pesquisa, a única Universidade que leciona o Mestrado em Ensino em Economia e Contabilidade, é a Universidade de Lisboa.

Segundo o CNE, a maioria dos docentes das escolas poderá estar reformado até 2030:

Até 2024, deverá haver menos 17.830 professores, nos cinco anos seguintes serão menos 24.343 e finalmente, entre 2029 e 2030.

O Governo terá de deixar de reconhecer a falta de Professores, deve agir para mitigar o problema a médio e longo prazo.

Elisa Manero

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O ensino (cada vez menos) público no Reino Unido – João Costa

E se a direcção de uma escola pública inglesa recruta professores e pessoal auxiliar, quem recruta o director? Os “governadores” da escola, mais precisamente o governing body, o qual é composto por representantes não remunerados da comunidade em redor. Sim, leram bem, não remunerados e, no entanto, com o dever último de gerir uma escola.

O ensino (cada vez menos) público no Reino Unido

Sim, existem linhas curriculares orientadoras, mas nem por sombra sonhem com um Governo a ter uma palavra a dizer sobre o currículo ministrado em cada escola, num país onde a cada corpo docente cabe a responsabilidade de decidir sobre os conteúdos mais adequados em função dos alunos em mãos.

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Viva “la vida loca”…

 As aulas terminaram oficialmente, mas o frenesim e a vertigem continuarão, incessantemente, em cada escola…

As aulas terminaram, mas começou, entretanto, uma corrida verdadeiramente desenfreada, frenética e vertiginosa, tendo como meta um derradeiro clímax, atingido pela prescrição de inúmeras e, muitas vezes, incompreensíveis tarefas. Tarefas sempre imperiosas, urgentes e prioritárias, como se isso fosse lógico ou possível…

Bateladas de solicitações, muitas vezes redundantes e absolutamente irrealistas, sem fim à vista e sem um propósito claro ou definido, mas impossíveis de ignorar…

E o mais certo é ficar-se preso num círculo vicioso de trabalho insano e de automatismos comportamentais, repetindo-se até à exaustão todos os vícios e erros de funcionamento, sem que surja algum tipo de pensamento crítico, contestatário ou inconformado, capaz de interromper esse movimento errático e ecolálico…

Age-se, frequentemente, em modo de “piloto automático”, empreendendo a maior parte das acções sem verdadeira intencionalidade e sem plena consciência… Na condição de “adormecidos e entorpecidos”, tende a aceitar-se todas as decisões tomadas por terceiros e a deixar-se de procurar soluções para os problemas, como se se tivesse abdicado da capacidade de pensar por si próprio…

O mais importante parece ser continuar a cumprir todas as “orientações”, mesmo que o absurdo seja notório ou até embaraçoso…

Aparecem, assim, e como que por uma inverosímil geração espontânea, convocatórias para inúmeras reuniões, disto, daquilo e daqueloutro; catadupas de pedidos de elaboração de registos e relatórios, da mais variada ordem e natureza: estratégias, procedimentos, metodologias, para tudo e para todos; análises de resultados por disciplinas, por turma, por ano, por altura e peso dos alunos e pela cor dos respectivos olhos; pareceres sobre tutorias, cidadanias, mentorias, articulações várias, entre muitos outros; estratégias de remediação por aluno, por turma ou pelo que se queira…

Acresce-se que o que está enunciado nessa panóplia de documentos e de registos nem sempre corresponde ao que na prática foi realizado, servindo apenas como adorno ou como tentativa de mostrar uma “realidade” que efectivamente não existe…  

Tudo isto, muitas vezes, sem nexo e sem “fio condutor”, mas com muita fantasia, traduzida por uma enorme capacidade inventiva e criativa…

Tanta pretensa proactividade, tanto suposto trabalho colaborativo e tanto dinamismo ilusório! E é simplesmente assim, porque sim…

A alucinação, o desvario e o frenesim são notórios:  formulam-se exigências, seguidas de mais exigências, muitas vezes, inconsistentes e atabalhoadas, sem se saber para que efectivamente servem ou que eficácia ou pertinência têm…

No fundo, espera-se que outros demonstrem um elevado “espírito de missão” (raios partam o “espírito de missão”!)  e confia-se no seu expectável conformismo e silêncio, que certamente os levará a cumprir um número infindo de tarefas, ainda que desnorteadas e absurdas…

E não pode deixar de se perguntar:

– Que diabo andam a fazer alguns órgãos de coordenação e de supervisão pedagógica de muitos Agrupamentos? Terão plena consciência das orientações por si emanadas?

– Não são esses órgãos que apreciam e validam a maior parte das decisões e orientações pedagógicas? Não querem, não sabem ou têm medo de agir e de contrariar esta insuportável “normalidade”?

E todo o frenesim, entropia e vertigem, gerados por esta espécie de delírio, assentes em percepções alteradas da realidade e traduzidos por inúmeras medidas avulsas e “mantas de retalhos”, vão sendo aceites e interiorizados, como se fossem uma “fatalidade irreversível” ou uma “realidade normal”…

Durante o próximo mês, viver-se-ão dias de muita “vida loca” em praticamente todas as escolas… E não será, por certo, no sentido da diversão, da folia ou da farra (antes fosse!), mas antes da insanidade, alienação e desvario…

As reclamações ou contestações, essas, obviamente, poderão esperar e ficar para depois, como quase sempre ficam… Agora não há tempo, agora estão todos demasiado ocupados a cumprir um sem número de tarefas iminentemente insanas…

Num Agrupamento de Escolas, quantas reclamações ou protestos são formalmente endereçados ao Conselho Pedagógico ou ao Conselho Geral, quer por Grupos de Recrutamento, Departamentos ou por alguém em termos individuais?

Havia duas maneiras de partir: uma era ir embora, outra era enlouquecer” (Mia Couto, “Terra Sonâmbula”).

Nas escolas não faltam motivos para “enlouquecer”: desde o confronto com insanáveis injustiças (ADD, mecanismos de progressão na Carreira, entre outras), até atitudes déspotas e ditatoriais por parte de alguns superiores hierárquicos, passando pela insustentável carga burocrática, pela “roleta russa” dos Concursos ou pela obrigação de satisfazer algumas pretensões fantasiosas e devaneios alheios, de que é exemplo paradigmático a execução do Projecto MAIA…

Vamos embora ou enlouquecemos? Ou fazemos alguma coisa para não ir embora, nem enlouquecer?

No pior dos cenários, e ainda que não se tenha ido embora, talvez alguns já tenham “partido” há muito, desistindo de si próprios e dos outros, sem se darem conta disso…

Quem pára esta alucinação?

(Matilde)

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