25 de Abril de 2021 archive

Agenda da Comissão de Educação para Dia 27 de Abril

… é imensamente longa, com 19 pontos, estando prevista a minha audição durar 44 minutos.

No dia 23 de abril foi nomeada Relatora da Petição, a Deputada Maria Joaquina Matos do PS.

Neste momento a petição conta com 19760 assinaturas e gostava de levar na terça feira o número redondo de 20 mil assinaturas.

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A minha luta – Acabar com a dupla penalização. – Arte por um canudo

A minha luta – Acabar com a dupla penalização.

Hoje, dia 24 de abril, véspera do dia revolução democrática, reinvidico uma greve! Vou solicitar uma greve por justiça  a todos sindicatos dos professores! Reinvidico esta luta para dar visibilidade e protestar junto dos nossos governantes a imoralidade que é ter mais de 40 anos de serviço e ser penalizado por uma coima que se chama fator de sustentabilidade que atinge 14,7% do ordenado. Chama-se dupla penalização que os sindicatos (professores) falam como fator de injustiça e até imoral, mas nada fazem para acabar com esta imoralidade.

Não é justo que se trabalhe 40 anos e depois seja penalizado em dupla penalização por pedir antecipação da aposentação. Ser penalizado por não ter a idade legal da aposentação (idade 66,7) é uma coisa que se aceita! Agora ser penalizado das duas formas ao fim de 40 anos se serviço, por fator de sustentatibilidade (14,7%) e restantes anos (6%) por cada ano que falte até aos 66,7 anos, é que não é aceitável.

Ter 63,6 anos de idade e 41,5 anos de serviço e ser penalizado em 32,7% do ordenado se atualmente pedisse a antecipação da aposentação é inadmissivel.

Exemplifico de forma prática: estar 41 anos ao serviço do Ministério da Educação para conseguir $1000 e depos por 3 anos de antecipação roubarem $327 é no minimo uma grande roubalheira que nos fazem e se aceitamos estamos a ser coniventes com este roubo.

Assim vão ter que me aguentar nem de que seja de muletas. Os novos não vão entrar, os mais velhos vão continuar e os alunos é que ficam a perder. Não existem pré-reformas nem  saídas amigáveis. O lema é ficar até esgotar.

Assim, a minha luta é então que se acabe com o fator de sustentabilidade para quem tem 40 ou mais anos de serviço independentemente da idade. Quem tem 40 anos de serviço já não é novo e também nada traz de novo ao ensino.

Esta minha luta parece não se enquadrar na luta dos sindicatos! Não vejo este slogan nos cabeçalhos dos cartazes dos sindicatos. “40 anos de serviço = a isenção do fator de sustentabilidade”. Este slogan devia ser também um dos gritos de ordem das greves e manifestações das lutas sindicais agendadas. Eu vou estar do lado de cá a torcer que assim seja.

Se acontecer, como mais velho, dou lugar aos mais novos. Todos ganham e principalmente a escola e os alunos.

Hoje gostaria de estar em luta!

Bisbilhotices

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Comemoração da revolução de abril de 1974.

 

Passaram 47 anos desde que uma ditadura foi deitada a baixo e uma democracia foi instalada. Antes tínhamos pensamento único, partido único, censura, polícia política, tribunais especiais, ou seja tudo o que fazia com que a palavra democracia fosse letra morta. Depois foi instalada uma democracia, de início tutelada pelos militares revoltosos, que se afastaram da vida política, num exemplo raro.

Passados 47 anos o expresso (de dia 23) fez uma sondagem em que só 10% dos portugueses diz viver uma democracia plena. Este resultado deve fazer-nos pensar que a democracia plena tem vindo a ser capturada por grupos de interesses.

Não posso deixar de assinalar que nas escolas há cada vez mais captura pelos diretores do funcionamento das escolas em nome de uma eficiência neoliberal. Os alunos estão acantonados a processos democráticos de escolha da comissão de finalistas, pois as associações de estudantes preocupam-se basicamente com esta questão, ou com os orçamentos participativos em que escolhem entre projetos para gastar até 1000€, projetos esses previamente aprovados pelo diretor. Os professores elegem representantes no Conselho Geral, que escolhe o diretor e os coordenadores de departamentos, entre 3 nomes propostos pelo diretor. Os coordenadores são importantes na avaliação docente, mas há diretores que em vez de lhes dar autonomia, promovem reuniões de coordenação de acesso às quotas disponível, contornando o espírito da lei que diz que a SADD deveria limitar-se a seriar as propostas de classificação. Neste processo a própria avaliação externa, com aulas assistidas, é desvalorizada em nome de um controlo absoluto pelo diretor/a diretora.

O que se passa nas escolas em termos de prática democrática é importante para a defesa da própria democracia, pois com práticas democráticas os futuros adultos estarão mais atentos à sua defesa, mas a escola parece ensinar que quem manda tem poder absoluto e deve tudo controlar. Não há autonomia dentro da escola. O conceito de cidadão como ator social interveniente é abandonado.

Esta é a reflexão que quis trazer a propósito da escola na comemoração de mais um aniversário do 25 de abril. Estamos a contribuir para uma democracia limitada em especial na escola conforme a sondagem do expresso?

Rui Ferreira

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Não queremos regressar ao tempo da mordaça

 

Não queremos regressar ao tempo da mordaça
ao regresso dos carcereiros
não seremos indiferentes
ao trabalho sujo dos pretendentes a tiranos
vigilantes aos discursos
daqueles que nos querem privar da liberdade
que com balelas retóricas
são fingidores determinados
a sua ambição
é destruir a igualdade e a democracia
a sua maquilhagem encobre a sua tirania
as suas mãos trazem marcas de sangue
o seu riso é o sinal do delírio de um predador
não há alibis para os ditadores
apesar de todas as tentativas não passarão
resistiremos unidos
na força da razão libertadora
o nosso coração pertence aos injustiçados
estamos na barricada dos que não esqueceram Abril
não podemos desperdiçar mais tempo
erguer a voz
na comunhão da coragem
resistiremos
João Fernandes

 

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O desconcerto da liberdade – João Jaime Pires

 

Os bons vi sempre passar, / no mundo graves tormentos; / e para mais me espantar, / os maus vi sempre nadar, / em mar de contentamentos.(i)
1. Tantas vezes fui à guerra… que só sei é guerrear. (ii)
A pandemia deixará marcas que dificilmente esqueceremos. Também não esqueceremos o esforço que foi feito para que rapidamente tudo passasse ao digital; o acentuar das desigualdades para quem não domina a língua, nem tem condições de habitabilidade onde possam coexistir o espaço de trabalho, o espaço familiar, o espaço escolar; as dificuldades para quem não tem recursos tecnológicos; a incerteza para
quem não tem capacidade de superação dos problemas.
A “capacitação” digital da maior parte das escolas veio “fora de tempo”, numa corrida imposta que se revelou não ser suficiente nem adequada. Desde o plano tecnológico (cujo lançamento foi feito em 2006/2007) que não havia um investimento sério nas escolas, o que provocou alguns dos problemas por que passaram os alunos e as famílias. No entanto, não é possível compreender ou analisar as desigualdades tendo unicamente em conta as carências tecnológicas. Acreditar na escola enquanto “elevador social” é olhar apenas para uma parte do processo; se a escola “presencial” esconde a pobreza, a escola online expõe outras pobrezas, que se evidenciam, acentuam e envergonham, numa economia que não responde de forma adequada às migrações, ao desemprego, às qualificações, aos salários dignos. Acreditar na escola enquanto “elevador social” é um olhar que perdeu atualidade – hoje a escola devia ser um “elevador nacional”. Quando conseguiremos aceitar que um maior número de cidadãos mais escolarizados irá contribuir para um País melhor?
No ensino online não é possível fazer uma abordagem do currículo com o mesmo ritmo de um ambiente presencial. Ainda assim, continuamos com os mesmos programas (se é que ainda existem), orientações curriculares (se é que ainda existem), metas curriculares (se é que ainda existem), aprendizagens essenciais (o que atualmente parece ser o menor dos males), um perfil do aluno longe de se cumprir neste ziguezague educacional, e planos, muitos planos de ação estratégica, como se de remendos se tratasse para tapar todos os buracos de um currículo que se vai
alargando em múltiplas áreas, num verbo de encher assustador e sem efeitos visíveis nas aprendizagens. E claro, sempre os habituais exames para aferir todas as aprendizagens e validar todas as classificações.
Tantas vezes fui à guerra… assim é que se vai, / assim é que são, / as gentes que farão / que os dias maus já lá vão…

2. O novo normal (iii)
Ninguém sabe se sabe, / nem que acaso ou que destino nos cabe, / o novo normal é terreno minado / de acasos; / no novo normal, nunca nada vai ser nunca igual.
A educação online foi uma resposta de emergência, mas não é nem será uma resposta fácil. Todas as atividades, ou quase todas, se conseguiram fazer com recurso ao digital, mantendo o contacto através do ecrã e, aparentemente, todos ganhámos competências. Somos quase “especialistas” nas plataformas Teams, Zoom, Classroom, Canvas, Padlet, multiplicam-se webinars, tutoriais, esclarecimentos sobre as melhores técnicas do ensino online, remoto ou a distância com a perda da privacidade individual e familiar já que estamos a trabalhar em casa, em horário “coincidente e contínuo”.
Mas estamos de regresso, e vamos mudar de novo, várias vezes, num só ano, nos ritmos, nas rotinas, nos processos, nas aprendizagens. Da distância ao presencial, microfones, câmaras, cliques e partilhas dão lugar a sorrisos, expressões, vozes, passos… a um “estar” na sala de aula, com manias, conflitos, convívios, cumplicidades, reforçando o mote de que aprender não é só adquirir conhecimento, mas também conviver com o ritual que anima cada escola, o seu ambiente, a sua cultura, a sua diversidade e a sua capacidade de integração.
Voltamos com medos, novos medos, incertezas, mas também esperança, sabendo que
no novo normal, / nunca nada vai ser / nunca igual.

3. E com um búzio nos olhos claros…(iv)

Vinham prá escola, a novidade!
O plano de transição do ensino a distância para o ensino presencial deve ser centrado na premissa de que a escola deve ser sentida como um lugar cuidador, de apoio ao desenvolvimento dos jovens. Neste novo regresso é importante manter uma postura tranquila, com rotinas tanto quanto possível normalizadas, proporcionando momentos de informação e de autocuidado, assim como de descontração dos jovens apesar da
escassez temporal de preparação para os exames nacionais.
É natural que alguns jovens e alguns professores regressem com sentimentos de medo, de ansiedade e de frustração. É igualmente natural que sintam dificuldade em adaptar-se e integrar-se, devido a todas as alterações provocadas pela situação de isolamento, da mudança das rotinas, do corte da convivência presencial com os amigos, das novas modalidades de ensino/aprendizagem e da incerteza face ao futuro. A maioria dos jovens manifesta vontade de voltar à escola, porque esta não é só um local de desenvolvimento de competências cognitivas, é também um local de socialização, de desenvolvimento afetivo e social.
No entanto, a falta de liberdade e a saturação associada à pandemia COVID-19 criaram sentimentos de indiferença e alguma despreocupação no cumprimento de regras. Nos jovens, devido às próprias características da adolescência, tudo isto se agudiza. A necessidade de estar com os amigos, de socializar, acrescida da necessidade de estimulação sensorial e do sentimento de intocabilidade, leva-os a não estar motivados para cumprir regras e, consequentemente, a ter comportamentos de risco. O apoio e aconselhamento psicológico poderão ter um papel muito importante nesta fase e contribuir para a adoção de comportamentos promotores da socialização e da saúde.
Ainda se sabe pouco sobre os efeitos da pandemia COVID 19, na saúde mental das crianças e jovens, apesar de alguns estudos estarem a ser feitos. O futuro o dirá!
E com um búzio nos olhos claros, / ali chegaram para aprender, / o sonho, a vida, a poesia.

4. Somos filhos da madrugada…(v)
Navegamos de vaga em vaga /… pelas praias do mar nos vamos / à procura da manhã clara…

A Escola mudou na forma de ser, de estar, e este “tempo” poderá ser uma oportunidade de repensar o modelo de Escola que queremos e os paradigmas educacionais em que nos movemos. No discurso atual, lidamos com documentos perfeitos, mas práticas seculares; palavras certeiras, mas concretizações nulas; ideais de massas, mas ideias vazias, e, ainda assim, acreditamos ser possível encontrar um equilíbrio entre o ensino online e o ensino presencial, porque parece ser este o “desenho curricular” mais viável no presente e no futuro. É preciso aprender a tirar partido do melhor destes “dois mundos” e colocá-los ao serviço de uma Escola melhor,
de aprendizagens significativas, de currículos flexíveis no espaço e no tempo, em sintonia com a sociedade atual; um novo regresso deve ter por alicerces propostas concretas e coerentes dos grupos de trabalho governamentais, para que a Escola, enquanto espaço de conhecimento, mas também de relação, de cultura, de lazer e de memória, possa ser um lugar de transformação e de mudança para todos.
Que este abril seja o reflexo de um ano em que os filhos da madrugada façam da Escola o mapa sobre o qual a sua vida se desenrola, na esperança de que este seja o regresso a uma vida de afetos, a uma vida de corpos, a uma vida de públicos que, habitualmente encontram também na Escola Secundária de Camões, um lugar de acolhimento. Fica um convite de esperança no regresso, para nos acompanharem, nas comemorações dos 47 anos do 25 de Abril, com a liberdade de ir ou de estar, em presença ou online, nas atividades que organizamos em homenagem a Mário Cesariny, a Carlos de Oliveira, a Amândio Silva. Entre outros, contamos com a participação de Raquel Varela, Vasco Lourenço, Francisco Fanhais, Fernando Cabral Martins, Pedro Loureiro, António Carlos Cortez, Joaquim Vieira, Francisco Bethencourt e do Coro Camões.
Que nesta Liberdade do desconcerto se compreenda que há um mundo à espera de ser concertado.
i Camões, L. Esparsa ao desconcerto do mundo
ii Godinho, S. Tantas vezes fui à guerra. Coincidências, 1983 iii Godinho, S. O novo normal. O novo normal, 2020
iv Trovante. Outra margem. Baile no bosque, 1981
v Afonso, Z. Filhos da madrugada. Traz outro amigo também, 1970

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