8 de Abril de 2021 archive

Plano de vacinação para as escolas – Carlos Santos

[As minhas melhores faculdades mentais devem ter ficado congeladas juntamente com o tempo de serviço que me é devido, pois era capaz de jurar que ainda ontem acabei o raio das 29 reuniões e de redigir uma ata de 73 páginas anexadas por 194 documentos e – vejam só – acordo e estou outra vez em aulas… pior, parece que por ali, de alguma forma, todos tiveram o mesmo pesadelo que eu e vagueiam moribundos!]

– Estes professores estão sempre a lamentar-se que não têm trabalho, que estão desempregados, com saudades de regressar à escola e, agora que vos estamos a dar quase meio ano de trabalho letivo na escola sem interrupções, já se estão a queixar que não vão aguentar!
[O que querem? Somos um grupo de adultos, pelos vistos a maioria de nós suficientemente instruídos e inteligentes para aceitar um emprego muito mal pago e sem benefícios, com cada vez mais horas de trabalho inútil e burocrático, repleto de insegurança, itinerância e com uma aposentação esvaziada do dinheiro que descontámos durante toda uma vida!].
– Temos valorizado muito os nossos professores! Prova disso é que vos iremos vacinar contra o Covid… com algumas exceções.
Os professores que não irão tomar a vacina são… o grupo maioritário nas escolas – aqueles com menos de trinta anos…
[Esperem lá! Não é esse o grupo que há anos não comparece nas escolas? Tem-se baldado ou alguém se tem esquecido deles?!]
– Também serão excluídos os professores que maldizem do nosso estimável Ministro da Educação… nem todos, não fiquem nervosos! Só aqueles que falam mal dele diariamente…
[Será que estão mesmo interessados em vacinar os vossos prezados professores?]
– Bem, é melhor excluir este critério senão, aparentemente, sobrarão vacinas… e isso não convém. Bom, adiante…
Vamos administrar-vos já a vacina por estarmos imensamente preocupados em vos imunizar.
[Não será essa repentina pressa, por remota hipótese, devido a rumores que a posicionam como a mais barata, a qual querem despachar devido às crescentes dúvidas sobre a sua qualidade?]
– Longe de nós querermos poupar dinheiro com os professores! Sois velhos, estais a chegar à aposentação, tendes montes de doenças e nós temos imensa vontade de vos darmos uma vacina para poderdes viver o suficiente para usufruir da reforma pela longa carreira de trabalho em prol da nação.
[Se é assim tão boa, qual o motivo de não nos deixarem escolher qual das vacinas preferimos tomar?].
– Nesse caso, quem não apreciar o nosso gesto altruísta, fica para o fim da lista de vacinação.
[Mas se há suspeitas de que a vacina possa ter antecipado a ida de algumas pessoas para junto da glória do Senhor e alguns países a terem reservado só para certos níveis etários, não seria melhor aguardar?]
– Raio dos professores, sempre a pensarem só neles próprios… nem morrer querem, só para não darem a ganhar às agências funerárias! Se se tivessem dado ao trabalho de ler as letras miudinhas, teriam visto que estava lá escrito que não temos nenhum interesse em que os professores morram… pelo menos por agora… exceto se for em agosto ou tiverem acabado de receber a autorização para irem para a reforma! Até lá, cumpram o vosso dever de tomar a vacina para termos quem tome conta… queria dizer, que eduque e ensine as nossas criancinhas.
[Comovente, sem dúvida, esta repentina preocupação com a propagação do vírus num local que sempre asseguraram ser de baixa transmissibilidade!]
– Não reclamem! Se a tomarem agora, ficarão purificados! Receberão gratuitamente uma ultraluxuosa, prestigiada, de alta qualidade, glamurosa, intensamente testada dose de dor de cabeça com uma porção de febre, dores musculares, mas depois usufruirão de umas excursões até à casa de banho, mais conhecida entre os mortais como uma relaxante diarreia, num revitalizante efeito detox.
[Sim, sem dúvida, excrementos é a vossa especialidade. Agora a expressão “estarem-se a cag@r para os professores” ganha outro sentido!…]
– Se não ficarem satisfeitos, ficam desde já a saber que não aceitamos devoluções nem desculpas, pois no dia seguinte queremos-vos sorridentes na escola a tomar conta dos miúdos, porque uma caganeira e uma febrezita não são desculpa para não irem trabalhar e deixarem os pais presos em casa a tomar conta dos filhos, as empresas paralisadas e o país a ir à falência!
[Colegas, tenho de vos dizer, realmente quando o objeto em causa se trata de porcaria, o Ministério da Educação está altamente qualificado para falar sobre o assunto. Acho que, a partir de hoje, vou deixar de ir à casa de banho com medo de ser recrutado para esta equipa ministerial.]
– Lamento desapontá-lo, mas isso é uma inverdade, pois o tema sobre o qual o ministro está altamente qualificado, não é excrementos, mas desporto, onde faz questão de estar presente sempre que não pode comparecer nas escolas. Mas preocupamo-nos supinamente com a qualidade de vida dos nossos prezados professores.
[Ó, como me impressiona que estejam sempre tão interessados com a saúde e condições de trabalho dos professores e no bem-estar emocional das suas famílias. Como me sensibiliza saber que vos rouba o sono saber que os professores trabalham cada vez mais, com burocracia inútil que os leva à exaustão; que tenham cada vez menos autoridade e sejam vítimas de violência física e verbal, fruto das vossas campanhas de difamação; que se preocupam com o facto de que todos os anos milhares de professores tenham de deixar os filhos longe a crescerem à distância para poderem cumprir a sua mui nobre função missionária de difundir o evangelho educacional; que vos comove que, tal como um burro atrás de uma cenoura, trabalhemos cada vez mais anos até termos conseguido colecionar o inventário completo de doenças inscritas nas bulas farmacêuticas, incluindo a demência para podermos esquecer que temos todas aquelas doenças e nem sequer nos lembrarmos que um dia (quiçá) venhamos a ter direito a uma reforma! Pois, caros colegas, vou dar-vos uma novidade: peguem nessa literatura de cordel e usem-na numa daquelas romarias à casa de banho depois de terdes tomado a vacina.]
– Lá estão vocês outra vez a querer lixar a economia! Se puséssemos todos os professores a trabalhar perto de suas casas e das suas famílias, quem alimentaria o mercado de arrendamento?… e das gasolineiras?… e das oficinas?… e das concessionárias das autoestradas?… e dos concessionários de automóveis?… e das empresas de transporte?… e quem dava trabalho a tantos psiquiatras?! Os professores, esse bando de egoístas privilegiados sempre a queixarem-se só porque têm de andar umas décadazitas de terra em terra a fazer turismo por esse país fora à pala do erário público, ou andarem diariamente no passeio pelas belas estradas deste nosso maravilhoso Portugal, ou a ocuparem o demasiado tempo que têm livre a educar e a tomar conta dos miúdos, só porque a maioria dos pais não têm habilitações suficientes para o fazer?! Sois uns ingratos!
Dão-vos as vacinas antes dos outros e ainda se queixam!
[Perdoem-me por ser um simples mortal que não tem uma certificação superior em medicina, em farmacêutica ou em ciências políticas. Desculpem ter tomado tanto do vosso tempo. Por favor, continuem com o maravilhoso plano de saúde e segurança que amavelmente nos reservaram.]
– Os benefícios da vacina para a coletividade superam em muito alguns poucos casos imprevistos que possam vir a surgir…
[…e que se danem os danos colaterais? Vocês acreditam que, de uma ou de outra forma, não fará grande diferença, porque mais dia menos dia as pessoas lá teriam na mesma de morrer, não é verdade?]
– Informamos que após a toma da vacina, no caso de sentirem algum mal-estar permanente deverão consultar um médico…
[A sério!? Não deveríamos antes consultar uma cartomante ou um canalizador? Não fosse esse sábio conselho e acho que nunca ninguém se iria lembrar disso! Eu até estava desejoso de tomar a vacina, mas lamento desapontar a vossa piedade cristã, pois tenho a sanita entupida. Além disso, só para eu ficar esclarecido. Essa vacina, cura-nos do burnout, do desrespeito profissional, da precariedade e da injustiça do congelamento de carreiras? Ou só cura os pais do pesadelo de terem os filhos de volta a casa e as empresas de não puderem aumentar os lucros?]
– Vocês não são capazes de ver o copo meio-cheio…?
[Qual copo? Aos anos que tenho ouvido falar desse tal copo, mas nunca o vi, quanto mais a água!]
– Será que gostas de ser professor? Gostas de crianças?
[Do ponto de vista empírico, pode-se dizer que sim. Sempre que vou trabalhar tenho-as visto… têm andado por ali, um pouco por todo o lado. Quando era miúdo e ia para a escola, brincava com elas e dávamo-nos muito bem… mas, estranhamente, embora há quase cinquenta anos que continue a ir para a escola, há uns anos para cá, não sei porquê, essa fraternidade dissipou-se…]
– Já vimos que o problema não é a vacina, são os políticos…
[Não sou esquisito, mas de gosto seletivo, devo confessar. Só não gosto de alguns estadistas, sobretudo daqueles que falam do que não sabem, especialmente os que estão ligados à minha profissão. Mas confidencio-vos uma coisa que não vos tenho dito. No fundo, eu até gosto de políticos… na verdade, adoro-os, mas só quando estão calados, pois assim que abrem a boca até consigo aguentar bastante tempo, até quase ao fim da primeira frase. Não por culpa deles, apenas porque fui clinicamente diagnosticado com uma doença incurável – baixa capacidade de tolerância… a gente inútil e conversa malcheirosa.]

Boa vacinação para todos
Nota: só não tomo a vacina, porque não me deixam.
[Carlos Santos]

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Em16 mil testes realizados nas escolas só 0,1% com resultado positivo

 

Sobre as escolas, a ministra Vieira da Silva diz que está a ser feito um “rastreio associado ao início de atividade” e que foram alteradas as regras de testes. A partir de hoje, além dos contactos de riscos, irão ser testados “muitos mais contactos” relacionados com os alunos infetados, o que fará com que “sejam encontrados mais casos”. Contudo, realça que, dos 16 mil testes realizados nos estabelecimentos de ensino, apenas 0,1% tiveram resultado positivo.

 

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Vacinação de Professores e Pessoal Não Docente adiada para 17 e 18 de abril

 

Vacina da AstraZeneca suspensa.

Segundo declarações do responsável da Task Force da vacinação em Portugal, vice-almirante Gouveia de Melo,  a vacinação do pessoal docente e não docente que iria acontecer no fim de semana de 10 e 11 de abril será adiada para o fim de semana seguinte.

O mesmo responsável também afirmou que esta população será vacinada com  a vacina mais apropriada à idade de cada um.

DGS vai “encontrar uma solução” para quem já tomou a 1.º dose e tem menos de 60 anos.

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Decisão sobre a AstraZeneca às 18:30

Já em 2020 vi cancelada muita coisa ao longo do ano, 2021 pode seguir pelo mesmo caminho. Sou vou aguardar pela decisão para saber se faço parte dos jovens ou não. 🙂

Decisão sobre vacina da AstraZeneca anunciada às 18h30

 

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) e o Infarmed vão anunciar em conferência de imprensa esta quinta-feira, pelas 18h30, se a administração da vacina da AstraZeneca a grupos etários mais jovens vai ser suspensa em Portugal. Na conferência, que terá lugar na sede da Autoridade Nacional do Medicamento, em Lisboa, estarão presentes a Directora-Geral da Saúde, Graça Freitas, o presidente do Infarmed, Rui Ivo, e o coordenador da task-force para a vacinação contra a covid-19, Henrique Gouveia e Melo.

Uma dezena de países da União Europeia já optou por suspender o fármaco naquelas faixas etárias. As decisões surgiram depois de a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) ter admitido que existe uma ligação entre este fármaco e casos raros de tromboembolismo associado a baixa acentuada de plaquetas.

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A possível origem da 4.ª vaga

Todos os cuidados serão poucos.

O Público noticiou, hoje, que nas duas semanas de aulas em que apenas a EPE e o 1.º Ciclo estiveram em funcionamento, aconteceram 47 surtos em escolas desses níveis de educação/ensino. Esta semana o 2.º e 3.º ciclos regressaram às escolas. Temos, neste momento, mais de dois terços dos estudantes nas escolas e, em princípio, dia 19 regressarão os alunos do secundário. A escola passará a estar em pleno funcionamento.

Os cuidados não estão a ser descurados nas escolas, mas todos os cuidados são poucos. A ameaça do agravamento da situação pandémica está sobre as nossas cabeças e o primeiro ministro já admitiu que as escolas são locais de preocupação, logo, deixaram de ser os tais lugares seguros.

Regresso dos alunos do secundário às aulas presenciais pode dar origem a quarta vaga da pandemia

O regresso dos alunos do secundário às aulas presenciais pode dar origem a uma quarta vaga da pandemia em Portugal. O alerta está num estudo de investigadores portugueses e holandeses. O regresso destes alunos às aulas presenciais está previsto para 19 de Abril.

 

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50 positivos em EB/JI de Póvoa de Santa Iria

Um surto na Escola Básica e Jardim Infantil do Casal da Serra obrigou ao encerramento do estabelecimento de ensino. Depois de surgirem vários casos na semana passada, na segunda-feira foi feita uma testagem na escola e dada ordem para encerrar. Há 50 casos positivos entre adultos e crianças.

 

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O papel dos Assistentes Sociais no Sistema Educativo

O Agrupamento de Escolas Miguel Torga de Sabrosa e a AIDSS realizaram congresso online com o objetivo de refletir e debater o papel dos Assistentes Sociais Escolares: O evento decorreu no dia 30 de março e contou com a presença regular de mais de 260 participantes.
O Congresso promovido pela AIDSS- Associação de Investigação e Debate em Serviço Social e pelo Agrupamento de Escolas Miguel Torga de Sabrosa permitiu uma reflexão exaustiva sobre a relevância do papel dos Assistentes Sociais no Sistema Educativo.
O Dec. Lei nº190/1991 criou os serviços de psicologia e orientação (SPO), onde o profissional de serviço social integra as equipas técnicas, mas esta legislação encontra-se completamente desadequada à realidade dos Agrupamentos de Escolas.
Atualmente as Assistentes Sociais que exercem funções em meio escolar, encontram-se em situação de precariedade de trabalho, trabalhando em agrupamentos de escolas que integram territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP), zonas económica e socialmente desfavorecidas, marcadas pela pobreza e exclusão social, violência e indisciplina, com elevadas taxas de abandono e insucesso escolar.
A intervenção dos profissionais de serviço social evidenciou-se, recentemente, em meio escolar, trazendo um olhar diferente, atento aos pormenores, não só identificando as fragilidades, mas percecionando o apoio que cada um necessita, as potencialidades que têm ou que podem desenvolver para serem atores interventivos da sua própria história.
A escola tem a responsabilidade de intervir em primeira linha, encontrando soluções para as situações referenciadas, devendo apenas sinalizar casos para outras entidades de intervenção em infância e juventude, após esgotar todos os seus recursos.
O aluno é o centro do sistema educativo, sendo importante respeitar a sua pessoa, o seu EU, sem esquecer que somos seres iminentemente sociais, que nos integramos num espaço, quer na família, quer na escola, que interagimos uns com os outros e que precisamos criar laços afetivos.
O empoderamento das famílias e dos alunos, para definir o rumo do seu processo de aprendizagem fará a diferença, tornando as escolas num verdadeiro espaço de inclusão, onde é fundamental transformar a obrigação de estar na escola, pela vontade de estar na escola.
O serviço social tem um papel primordial na equipa de profissionais especializados, promovendo um trabalho em equipa multidisciplinar, criando sinergias positivas, focando-se essencialmente na descoberta de soluções, assumindo um comprometimento transformacional com toda a comunidade escolar.
No âmbito do Programa Nacional Promoção do Sucesso Educativo (PNPSE), a implementação do plano de desenvolvimento pessoal, social e comunitário em contexto de pandemia, constituiu-se como uma nova oportunidade de afirmação do serviço social em meio escolar.
É importante garantir a estabilidade das equipas técnicas, de forma a permitir uma avaliação sistémica das famílias a longo prazo, considerando os contextos onde se inserem, o que não se coaduna com a prática de contratação anual dos profissionais de Serviço Social.
A defesa e garantia dos direitos da profissão é imprescindível, quer através das organizações sindicais, quer através da Ordem dos Assistentes Sociais, processo que ansiosamente aguardamos pela sua conclusão!

Margarida Messias (Assistente Social e Relatora do congresso)

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Duas semanas = 47 surtos = metade dos alunos

Escolas registaram 47 surtos em duas semanas e só com metade dos alunos em aulas

Número representa mais de metade dos surtos contabilizados a 18 Janeiro, pouco antes dos estabelecimentos de ensino encerrarem, e quando todos os níveis de escolaridade estavam a funcionar presencialmente.

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