18 de Abril de 2021 archive

Vamos Entrar na Semana Provável da Publicação das Listas Provisórias

Em 20 de março fiz artigo com os tempos de espera entre o início das candidaturas e a publicação das listas provisórias nos últimos 11 anos.

Tendo em conta as datas dos concursos anteriores apontei para o dia 21 de abril a data provável de publicação das listas provisórias, passando-se assim 42 dias após o dia da abertura do concurso.

Se as listas provisórias não forem publicadas esta semana então vamos ter um dos prazos mais longos entre a abertura do concurso e a publicação desta primeira lista, pois iria ficar acima dos 47 dias de diferença, algo que não acredito que aconteça.

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2021/04/vamos-entrar-na-semana-provavel-da-publicacao-das-listas-provisorias/

Entrevista de Tiago Brandão Rodrigues à TSF

Pois eu acho que era melhor não termos Ministro algum do que um palmo de Ministro.

 

Plano de recuperação: “É melhor ter uma mão com poucas coisas do que uma mão cheia de nada”

 

 

Bateu-se pela manutenção das escolas abertas. Perdeu e ganhou. Por momentos, pareceu isolado. Na véspera da abertura total dos estabelecimentos, o ministro da Educação assegura que “este confinamento correu verdadeiramente melhor do que o primeiro”, explica a polémica do atraso na entrega de computadores e pede “realismo” em propostas como academias de verão e alterações no calendário escolar.

 

Continua aqui

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2021/04/entrevista-de-tiago-brandao-rodrigues-a-tsf/

Plano de recuperação: “É melhor ter uma mão com poucas coisas do que uma mão cheia de nada

Plano de recuperação: “É melhor ter uma mão com poucas coisas do que uma mão cheia de nada

Para um ministro que defende, como nenhum outro, o ensino presencial como garante da aprendizagem, como foi viver estes tempos de escolas fechadas?

Obviamente que foram tempos difíceis. Não foram tempos difíceis para mim, foram difíceis para as comunidades educativas e penso que foram tempos difíceis para a sociedade portuguesa. Obviamente que lamentei em cada momento não ter encontrado mais argumentos para preservar as escolas abertas.

E sentiu, de facto, que esses momentos foram de derrota?

Não, não, de todo. Sem nenhum tipo de inconsciência, e é preciso dizê-lo, tenho lutado com todas as minhas forças e com toda a minha razão para que as escolas sejam sempre a prioridade. Porque, independentemente da priorização de outros setores da sociedade que são igualmente valiosos, eu penso que a sociedade portuguesa, através das famílias, através dos alunos, através do fantástico trabalho feito por diretores, professores, educadores, todos aqueles que estão na periferia da escola mas também com voz muito alicerçada, por exemplo, nos autarcas, que tiveram um papel muito importante, entenderam que as escolas tinham de estar abertas. E eu entendo também que isto vai deixar um lastro positivo.

Teme que estas gerações percam mais do que um ano ou dois anos letivos?

Obviamente que tememos todos. Agora, o que temos que fazer é, entre todos, encontrar sustentação, obviamente financeira, mas também de trabalho, de políticas públicas, para que possamos ter novas estratégias complementares às que já existem. Falamos muito agora da possibilidade da criação de um plano, que estamos a preparar, para a recuperação e consolidação das aprendizagens, mas este é um trabalho que está a ser feito pelas escolas desde há muito. Depois do primeiro confinamento, apresentámos um plano que tinha um conjunto de metodologias no que tocava à reorganização dos currículos e também a um grande investimento nos recursos humanos. Nunca nos podemos esquecer que este ano temos mais 3300 professores. De julho até agora, pudemos contratar mais oito mil assistentes operacionais com uma forte aposta nas tutorias personalizadas. E todo esse trabalho está a ser feito.

Com a continuação do plano de desconfinamento, que suscitou tantas reservas aos especialistas, uma evolução desfavorável dos números poderá colocar as escolas sob pressão?

Acho que esta semana se deu um sinal inequívoco de que temos de continuar a desconfinar e que, mesmo nos sítios onde não é possível desconfinar ao mesmo ritmo que gostaríamos que fosse possível em todo o país, se tomou uma opção relativamente ao sistema de ensino. Nós sabemos bem que a Educação em tempos pandémicos é sempre uma Educação de contingência. Porque aquela ideia, muitas vezes quase de chavão e de argumento fácil, de que esta crise será uma grande oportunidade, para as escolas não o é necessariamente. É uma falácia pensar que uma crise pode configurar uma oportunidade. O que fazemos no sistema educativo é tentar acompanhar a ciência disponível, os consensos que natural e frequentemente têm sido tão precários, e tentar tomar as melhores opções.

Com o regresso dos alunos do Secundário, quantos testes vão ser feitos?

São mais de 200 mil testes previstos. No fundo, são todos os professores do Ensino Secundário, independentemente de serem das vias científicas ou humanísticas, das vias profissionais ou das vias artísticas e todos os alunos, estudantes do 10.º, 11.º e 12.º ou do 1.º, 2.º ou 3.º ano do ensino profissional e também todos os não docentes das nossas escolas.

Em relação aos alunos, teme que haja pais que não autorizem?

Isso acontece no Ministério da Educação, em todas as empresas da Global Media e em todas as empresas deste país. A testagem não é obrigatória, a vacinação não é obrigatória. Isto é, todos tentamos criar consciência relativamente à importância destes meios suplementares. As escolas têm bolhas de funcionamento, têm circuitos de circulação, têm máscaras, nós agora providenciámos a todas as escolas do ensino público máscaras para o primeiro ciclo e aconselhamos fortemente a sua utilização, temos também uma higienização das mãos acrescida e dos espaços. E sabemos que com os varrimentos de testagem e com a vacinação que está a acontecer, estamos a robustecer a resiliência do sistema educativo para poder viver em tempos pandémicos.

Tem havido notícias de turmas inteiras que são colocadas em isolamento. Houve alguma alteração das normas para casos positivos?

O referencial mantém-se. Mas a DGS entendeu que queria ser mais preventiva. Mais, não só relativamente a esta questão como do limiar dos 120 casos por 100 mil habitantes. Quando estávamos a fazer a testagem ainda com as escolas abertas, no dia 20 de janeiro, tínhamos os 960 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias como limiar mínimo. Para verem como a intensificação da abordagem da testagem mudou, neste momento estamos com um limiar de 120 casos por 100 mil habitantes. E a mesma coisa aconteceu relativamente às escolas. As autoridades de saúde têm intensificado a testagem de todos os contactos. O que tem sido intensificado é essa estratégia para tentar mitigar a propagação e o surgimento de surtos.

Tem insistido que os computadores não são o alfa e o ómega do ensino à distância, mas a questão da entrega dos computadores marcou esta pandemia. Pode atualizar quantos computadores foram entregues às escolas?

Este Governo tinha no seu programa algo absolutamente central: uma transição para uma escola digital que não estava, única e simplesmente, restringida aos computadores. Por isso, e só por isso, é que eu disse que o ensino à distância e a construção de uma escola digital não se restringem única e simplesmente aos computadores. Obviamente que o fornecimento de equipamentos e de conetividade é absolutamente central, mas também tem associada a formação de professores, que nós iniciámos. E, depois, a disponibilização de recursos didáticos digitais e, também, a desmaterialização. Nesse sentido, o que aconteceu foi que o Ministério da Educação, logo que possível, começou a tratar dessa transição.

MAIS AQUI

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2021/04/plano-de-recuperacao-e-melhor-ter-uma-mao-com-poucas-coisas-do-que-uma-mao-cheia-de-nada/

Uma Síntese Longa do STOP

Reunião com o ME 16 abril – SÍNTESE

 

A reunião iniciou-se com uma intervenção do Secretário de Estado João Costa sobre os pontos sobre consulta aos sindicatos:

– Referiu a necessidade de um plano para a recuperação das aprendizagens, após 2 anos letivos perturbados pela pandemia onde ocorreu nomeadamente uma aceleração das desigualdades sociais. E reconheceu que não é despejando horas e horas de aulas em cima dos alunos que estes recuperarão e que até poderia ser contraproducente em algumas idades.

– Formação inicial de pessoal docente – reconhece que já temos muita falta de professores e que, nos próximos anos, se irá agravar face aos muitos que vão sair para aposentação, mas que, em que alguns cursos, já está a haver aumento de alunos nos mestrados de ensino havendo casos onde já há mais candidatos do que vagas (ex: História). Reconheceu que no atual modelo estágio esta primeira imersão no contexto de trabalho é fraca, é demasiado escassa/pontual, não há experiência de turma, etc.

A Secretária de Estado Inês Ramirez defendeu que o despacho é auto-explicativo e que este pretende, essencialmente, a adequação dos prazos (sem alterar a substância) dos prazos das observações das aulas e da formação contínua e enunciou que cada sindicato teria 7 minutos para abordar os 3 temas.

 

“Intervenção do S.TO.P.

Antes de mais queremos informar que em representação de muitos docentes que nos solicitaram, o S.TO.P. volta a alertar, mais uma vez, o ME que já deveria ter iniciado reuniões de negociação coletiva sobre vários temas fundamentais que continuam adiados. Por exemplo: quotas de acesso ao 5.º e 7.º escalões; precariedade docente (AEC e Contratados) incluindo a questão dos colegas lesados da Segurança Social e vinculação pelas reais necessidades do sistema educativo; rejuvenescimento da classe docente; direito a uma pré-reforma digna; por uma gestão escolar democrática; ultrapassagens na progressão da carreira; concursos docentes justos através da graduação; contabilizar mestrados e doutoramentos antes da entrada nos quadros, etc.

Ponto  1 (Despacho) – ao contrário do que está no despacho propomos e consideramos fundamental que esteja garantida, de forma inequívoca, que a nenhum docente lhe seja impedido de aceder à menção de Excelente na Avaliação de Desempenho quando, por motivos que não lhe sejam imputáveis, não tenha a possibilidade de cumprir o requisito de observação de aulas. Ainda por cima quando no último ano todos reconheceram e reconhecem o excelente trabalho, esforço e dedicação que a classe docente demonstrou no atual contexto da pandemia. Ou seja, particularmente neste contexto seria totalmente injusto e inaceitável a impossibilidade dos professores acederem à menção de excelente por motivos que não lhe sejam imputáveis. Reafirmamos também a nossa total oposição à atual avaliação com quotas e percentis profundamente artificiais e injustos. Seria razoável que, administrativamente, os professores só pudessem atribuir por exemplo 5% de níveis 5 e 20% de níveis 4 aos alunos de cada turma? Ninguém entenderia e muito menos os professores. Então porque é que os professores devem ser avaliados segundo esse tipo de quotas totalmente artificiais e injustas?

Ponto 2 (Consulta):

Recuperação das aprendizagens – Somos totalmente contra aumentar o período de aulas do ano letivo, porque isso é mau para todos sobretudo em termos pedagógicos para os alunos (eles não são máquinas e precisam de pausas/férias para recuperarem energias para as futuras aprendizagens). Se se pretende efetivamente aumentar a recuperação das aprendizagens há alternativas sérias e pedagógicas. Continuamos a propor uma redução significativa do número de alunos por turma e também a humanização do ensino porque professores com centenas de alunos naturalmente não conseguem uma relação mais próxima e humana com cada aluno. Deveria haver um limite máximo de alunos que um docente poderia ter. O ME sabendo que há professores com 200/300/400/500 alunos durante um ano letivo, considera que, apesar do seu esforço/dedicação, é realista que o professor crie uma relação minimamente próxima/humana com todos eles? É realista pedir que um professor memorize centenas de nomes diferentes todos os anos? Este consequente afastamento entre aluno-professor potencia ou diminui as aprendizagens das nossas crianças/jovens? Estudos demonstram que uma relação mais humana/emocional entre aluno-professor potencia as aprendizagens e a sua consolidação. Como é público, esta e outras questões fundamentais para os nossos alunos, o S.TO.P. defende e levou, nomeadamente ao Parlamento em Outubro passado mas, mais uma vez, nada mudou. Defendemos também uma reformulação dos programas com estreita coordenação e acordo das Associações de Professores das diferentes disciplinas (sem prejuízo da carga letiva das mesmas). Deveria haver um programa específico e exato de várias disciplinas para alunos surdos, pois os mesmos não aprendem nem conseguem desenvolver o programa e aprendizagem de igual forma que uma turma regular. Deveria haver um programa específico e exato de várias disciplinas para alunos cegos, pois os mesmos não aprendem nem conseguem desenvolver o programa e aprendizagem de igual forma que uma turma regular. Como também já defendemos em outras ocasiões, e também importante para a melhoria/recuperação das aprendizagens dos alunos, a necessidade de mais psicólogos escolares.

Também não pode haver recuperação das aprendizagens minimamente uniforme pelo nosso país, com a crescente falta de professores em várias zonas geográficas que, nos últimos anos, mesmo antes da pandemia, deixaram milhares de alunos sem professores durante longos meses a algumas disciplinas. Ou seja, como também o S.TO.P. já defendeu, nomeadamente no parlamento, é fundamental que o ME crie, urgentemente, incentivos financeiros (subsídios de alojamento e de transporte) para os professores poderem lecionar nas regiões onde o custo de vida é mais elevado. É que, apesar de algumas narrativas, muitos milhares de professores têm salários tão baixos que não compensam os custos inerentes a trabalhar longe de sua casa.

 Ponto 3 – Formação inicial de pessoal docente – propomos, novamente, a urgência do regresso aos Estágios Remunerados (à semelhança do que existe noutros países europeus e que já existiu em Portugal). O estágio pedagógico deve ser acompanhado por pessoal docente da Escola e da instituição de Ensino Superior e estes acompanhamentos devem estar previstos nos horários dos professores. Mas não basta termos estágios remunerados se os cursos de formação de professores continuarem a esvaziar como aconteceu de forma drástica nas últimas duas décadas. E isso aconteceu e acontece fruto das políticas dos últimos governos, em que houve uma profunda desconsideração e desvalorização da classe docente. Por isso, consequentemente, cada vez há menos pessoas a quer ser professor. Só há uma maneira de inverter este processo de uma forma sustentável e mantendo a qualidade do nosso sistema educativo: é preciso tornar a Profissão Docente mais apelativa. Para isso é necessário a valorização da Profissão, com melhores condições de trabalho (por exemplo, menos burocracia, redução da componente letiva em todos os níveis de escolaridade a partir dos 40 anos e definição clara que todo trabalho com alunos tem que ser considerado como componente letiva, vinculação tendo em conta as reais necessidades do sistema educativo, direito de regresso para todos à CGA, horários de trabalho que permitam aos professores o tempo necessário para a realização das suas atividades profissionais e para a reflexão sobre as suas práticas pedagógicas, direito a formação gratuita e dentro do horário de trabalho, etc) e também salários mais apelativos (fim das quotas na avaliação e no acesso ao 5.º e 7.º escalões, contagem de todo o tempo de serviço roubado, aumento dos salários para compensar a perda do poder de compra pelo menos da última década, etc). Sem esta urgente valorização, o ME afirma que está preocupado com a falta de professores e o seu envelhecimento mas, na prática, nada faz para inverter este grave problema que já prejudica severamente milhares de alunos e as suas aprendizagens nos últimos anos e que irá agravar-se ainda mais. Denunciamos mais uma vez as profundas injustiças de Professores sem grupo de recrutamento (por exemplo na área do Teatro/Expressão Dramática), onde há professores profissionalizados (concluíram licenciatura pré Bolonha via ensino com estágio pedagógico integrado) que, por não terem grupo de recrutamento, são obrigados a candidatarem-se a contratações de escola na categoria de “técnicos especializados” embora desempenhem funções docentes. Quando é que o ME cumpre a Resolução da Assembleia da República 37/2018 de 7 de fevereiro? Esta recomendava ao Governo a valorização e dignificação dos técnicos especializados das escolas públicas, promovendo a sua contratação efetiva e combatendo a respetiva precariedade, devendo ser criados grupos de recrutamento para os técnicos especializados, nas diversas áreas disciplinares a que atualmente correspondem funções de docência, com vista à sua vinculação na carreira docente.

Pondera o ME criar um novo grupo de recrutamento para o 1º ciclo, mais especificamente para as turmas de alunos surdos? Tendo os professores em questão formação no 1º ciclo, na língua gestual portuguesa (LGP) e todas as bases necessárias (metodologias e pedagogias adaptadas) para ensinar esse grupo de crianças. É urgente e imprescindível que haja docentes formados especificamente para essas turmas, nem que seja através de uma pós-graduação como há para a Educação Especial. Pondera também o ME criar um novo grupo de recrutamento para o 1º ciclo para os alunos cegos? Consideram que o ensino, como está, está estruturado e preparado para as aprendizagens desses alunos?

Por falta de tempo iremos enviar por email o desenvolvimento nomeadamente destas últimas questões e mais uma vez reafirmamos a urgência de reuniões sobre os temas referidos no início desta intervenção que preocupam claramente a classe docente.”

—————————————————————-

No final da reunião, o Secretário de Estado João Costa agradeceu os contributos de todos os sindicatos e que acompanhemos agora a fase consulta pública. E referiu que, essencialmente, o seu objetivo não é tanto tecer grandes comentários mas, sobretudo, ouvir as nossas impressões/recomendações.

A Secretária de Estado Inês Ramirez revelou, talvez também resultado da intervenção inconveniente do S.TO.P., profundo incómodo face ao S.TO.P., nomeadamente quando em determinado momento queixou-se “Estivemos ocupados a contestar Providências Cautelares irresponsáveis que querem pôr em causa a colocação de docentes e a própria abertura do ano letivo, alguns só com o objetivo de tentarem aqui um cavalo de troia para a obtenção de futuros associados”.

Como, do que sabemos, o S.TO.P. foi o único sindicato a avançar com a Providência Cautelar (P.C.) e já que na contestação que o ME fez à P.C. do S.TO.P. usou esse mesmo argumento de que alegadamente esta seria “irresponsável” é importante esclarecer o ME sobre alguns aspetos.

  • O ME pode não estar habituado a este novo tipo de sindicalismo mas a decisão de avançar com esta P.C. foi feita no provavelmente maior Plenário Nacional de Professores dos últimos tempos (sócios e não sócios) com cerca de 200 colegas (salvo erro aprovado por unanimidade). Ou seja, a suposta “irresponsabilidade” foi fruto de uma decisão democrática;
  • Quando o ME apelida de “irresponsável” a P.C., além de tentar desconsiderar a decisão democrática de cerca de 200 colegas, está sobretudo a ofender a douta decisão do juiz que aceitou liminarmente a P.C. Ou seja, se esta P.C. fosse efetivamente “irresponsável e a querer pôr em causa a colocação de docentes e a própria abertura do ano letivo” o juiz não a teria aceite mas sim recusado liminarmente. Independentemente do desfecho final da P.C. por algum motivo o Juíz considerou minimamente válida a argumentação da P.C. de que estes Concursos Docentes violavam direitos fundamentais dos cidadãos;
  • Quem verdadeiramente está a desestabilizar “a colocação de docentes e a própria abertura do ano letivo” é o ME com as suas políticas educativas que levam nomeadamente à falta crónica de professores e de pessoal não docente e as suas alterações profunda introduzidas nos últimos Concursos Docentes (mudando regras no meio/fim do jogo, coagindo com ameaça de desemprego docentes a concorrer a todo o país e algumas dessas alterações com resultados profundamente lesivos para os docentes, as suas famílias e os próprios alunos, tal como aconteceu a 25 agosto de 2017).
  • Como o ME sabe, nesta fase inicial dos concursos docentes quando a P.C. foi apresentada, ainda é perfeitamente possível corrigir as profundas injustiças que alteraram as regras a milhares de professores da norma travão e da Mobilidade Interna sem questionar a colocação de docentes e a própria abertura do ano letivo.
  • Sugerimos à Secretária de Estado uma revisão da literatura clássica grega.

Será que a greve consequente que o S.TO.P. dinamizou em finais do ano letivo 2017/2018 também foi irresponsável? É que também essa greve foi resultado de várias sondagens independentes onde milhares de professores elegeram essa forma de luta como a claramente mais desejada para lutar contra o roubo do tempo de serviço. Será que a luta/greve contra o amianto escolar que o S.TO.P. ousou mais uma vez dinamizar após muitos anos de silêncio contra esse grave problema de saúde pública também foi irresponsável?

Afinal o que é irresponsável/condenável: o roubo no tempo de serviço e o amianto nas escolas, ou as lutas consequentes (e profundamente inconvenientes para o poder) contra essas injustiças?

Posteriormente a Secretária de Estado, mais uma vez revelando um profundo incómodo face ao S.TO.P. e à sua intervenção, duvidou da existência de professores com um número tão elevado de alunos no mesmo ano letivo e desafiou o S.TO.P. a apresentar-lhe casos concretos de docentes com mais de 500 alunos. Aceitamos o desafio e por isso, apelamos aos colegas – por exemplo de disciplinas como Informática/TIC e Educação Musical – que nos enviem o número de alunos que tiveram no último ano letivo e/ou no presente ano letivo.

Pf. Enviem-nos os dados (pelo menos com a referência da disciplina, ano letivo, Agrupamento Escolar e o número total de alunos ao longo desse ano letivo) para S.TO.P.SINDICATO@GMAIL.COM

Também ficou evidente que o ME se mostrou incomodado com a parte da intervenção do S.TO.P. onde denunciamos de forma veemente que, fruto das políticas dos últimos governos com profunda desconsideração e desvalorização da classe docente tem havido cada vez menos pessoas a querer ser professor nas últimas duas décadas. E já que fomos desafiados a enumerar casos concretos de professores com mais de 500 alunos durante um ano letivo, desafiamos a tutela (ainda por cima quando esta tem facilidade em conseguir esses números) que nos envie os dados globais atuais dos cursos de formação de professores e sobretudo que nos responda à questão de fundo: serão suficientes para substituir a falta de professores que já existe e que tende a agravar-se nos próximos anos (como reconheceu o Secretário de Estado João Costa)?

Por último sobre o despacho, a Secretária de Estado, talvez também respondendo às críticas do S.TO.P., tentou justificar porque não considera injusto que um professor seja privado de aceder à menção de excelente por motivos que não lhe sejam imputáveis, justificações essas que não convenceram causando alguma indignação expressa por parte de várias associações sindicais.

Concluindo, como ficou evidente, o ME mais uma vez voltou a não responder a muitas das questões que o S.TO.P. levantou em particular sobre a urgência de reunir sobre os temas que preocupam muitos milhares de professores e que o S.TO.P. mais uma vez tentou ser a sua voz nesta reunião. Relembramos que legalmente não são os sindicatos que podem convocar o ME para reuniões e que não podemos impor uma mudança na ordem de trabalhos das reuniões convocadas pelo ME.

E algo foi mais uma vez evidente, o incómodo do ME face ao S.TO.P. claramente demonstra que este continua a não estar habituado a ser questionado desta forma. Como é público o ME tentou “amansar” o S.TO.P. desde o início chegando mesmo a puni-lo durante 18 longos meses em que este sindicato foi o único a ser excluído das reuniões do ME com todos os outros sindicatos. A cada vez maior adesão dos Profissionais de Educação ao S.TO.P. e às suas lutas inovadoras é que “obrigaram” o ME a voltar a reconhecer o S.TO.P. em reuniões.

Agradecemos a todos os muitos colegas docentes que nos enviaram as suas propostas e que, sem dúvida, nos permitiram ser cada vez mais, a voz de muitos nas escolas que se têm sentido sem voz. Iremos continuar, como sempre, disponíveis para dinamizar as lutas que forem necessárias para termos JUSTIÇA e RESPEITO para todos que trabalham (e estudam) nas Escolas.

JUNTOS SOMOS + FORTES!

NOTA: Relativamente à acusação do ME sobre a falta de base científica do S.TO.P. sobre a questão do número de alunos nos cursos de formação de professores, além de aguardamos serenamente que o ME nos envie os dados concretos, recordamos que desde 5 de agosto de 2020 que o S.TO.P. aguarda (sem qualquer resposta)  que o ME diga qual o fundamento científico para que nas escolas a distância seja de “1 metro se possível” e nos restantes setores da sociedade seja no mínimo 2 metro. Relembramos também que na reunião de 7 de janeiro de 2021 a mesma Secretária de Estado duvidou da veracidade das afirmações do S.TO.P. sobre um aumento mais acentuado de casos COVID-19 nas idades escolares após o início deste ano letivo. O S.TO.P. nessa altura, numa atitude séria e construtiva, enviou prontamente ao ME os links das notícias que confirmam as afirmações que o S.TO.P. fez na referida reunião. Solicitámos e aguardamos até hoje (passados mais de 3 meses) que nos enviem as notícias/factos em que o ME se baseou para nos questionar.

Como se pode confirmar na nota final desta publicação: https://sindicatostop.pt/3213-2/

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2021/04/uma-sintese-longa-do-stop/

Da motivação docente… A meritocracia por quotas.

 

Trabalhadores motivados, com adequadas aptidões e ferramentas, operando num clima organizacional sustentável, são os ingredientes chave para melhorar os processos, trabalhar com limitações financeiras e, finalmente, satisfazer os clientes e conduzir ao sucesso da missão” (Niven 2003: 35). Não vejo nada disto nas Escolas portuguesas… e cada vez menos.

Cabe ao “patrão” a cultura da meritocracia. Se ele não motiva, através de recompensas, os seus funcionários, eles não estarão dispostos a ser mais do que aquilo para que são pagos. Não vale a pena acrescentar tarefas às que usualmente fazem, porque só irão ser feitas de acordo com o que lhes pagam. No mundo empresarial todos sabem disso e se querem crescer aplicam-no. Um funcionário satisfeito é muito mais produtivo, está mais do que estudado e provado.

Este é o resultado prático de uma avaliação por quotas.

Na classe docente a meritocracia está disfarçada, chamam-lhe quotas. Não vou discutir se quem é contemplado com o “título de mérito” é ou não merecedor do mesmo, essa discussão há-de ser eterna. O que interessa são as quotas.

Num sistema em que se quer que os trabalhadores deem o seu melhor, que necessitam que deem o seu melhor, não se pode limitar o reconhecimento com quotas. As quotas são limitadoras do sucesso de qualquer empresa, de qualquer “empreitada”. Um sistema onde é permitido afirmar que um trabalhador tem mérito para ser recompensado, mas não possui quotas para o fazer, está condenado ao fracasso. A desmotivação vai tomar conta de todos aqueles que trabalharam para o mérito e, com o tempo, dos que algum dia teriam o tal mérito. Se um individuo vê outro ser injustiçado é mais do que aceitável que presuma que o mesmo lhe pode vir a acontecer.

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2021/04/da-motivacao-docente-a-meritocracia-por-quotas-2/

Seguir

Recebe os novos artigos no teu email

Junta-te a outros seguidores: