O papel dos Assistentes Sociais no Sistema Educativo

O Agrupamento de Escolas Miguel Torga de Sabrosa e a AIDSS realizaram congresso online com o objetivo de refletir e debater o papel dos Assistentes Sociais Escolares: O evento decorreu no dia 30 de março e contou com a presença regular de mais de 260 participantes.
O Congresso promovido pela AIDSS- Associação de Investigação e Debate em Serviço Social e pelo Agrupamento de Escolas Miguel Torga de Sabrosa permitiu uma reflexão exaustiva sobre a relevância do papel dos Assistentes Sociais no Sistema Educativo.
O Dec. Lei nº190/1991 criou os serviços de psicologia e orientação (SPO), onde o profissional de serviço social integra as equipas técnicas, mas esta legislação encontra-se completamente desadequada à realidade dos Agrupamentos de Escolas.
Atualmente as Assistentes Sociais que exercem funções em meio escolar, encontram-se em situação de precariedade de trabalho, trabalhando em agrupamentos de escolas que integram territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP), zonas económica e socialmente desfavorecidas, marcadas pela pobreza e exclusão social, violência e indisciplina, com elevadas taxas de abandono e insucesso escolar.
A intervenção dos profissionais de serviço social evidenciou-se, recentemente, em meio escolar, trazendo um olhar diferente, atento aos pormenores, não só identificando as fragilidades, mas percecionando o apoio que cada um necessita, as potencialidades que têm ou que podem desenvolver para serem atores interventivos da sua própria história.
A escola tem a responsabilidade de intervir em primeira linha, encontrando soluções para as situações referenciadas, devendo apenas sinalizar casos para outras entidades de intervenção em infância e juventude, após esgotar todos os seus recursos.
O aluno é o centro do sistema educativo, sendo importante respeitar a sua pessoa, o seu EU, sem esquecer que somos seres iminentemente sociais, que nos integramos num espaço, quer na família, quer na escola, que interagimos uns com os outros e que precisamos criar laços afetivos.
O empoderamento das famílias e dos alunos, para definir o rumo do seu processo de aprendizagem fará a diferença, tornando as escolas num verdadeiro espaço de inclusão, onde é fundamental transformar a obrigação de estar na escola, pela vontade de estar na escola.
O serviço social tem um papel primordial na equipa de profissionais especializados, promovendo um trabalho em equipa multidisciplinar, criando sinergias positivas, focando-se essencialmente na descoberta de soluções, assumindo um comprometimento transformacional com toda a comunidade escolar.
No âmbito do Programa Nacional Promoção do Sucesso Educativo (PNPSE), a implementação do plano de desenvolvimento pessoal, social e comunitário em contexto de pandemia, constituiu-se como uma nova oportunidade de afirmação do serviço social em meio escolar.
É importante garantir a estabilidade das equipas técnicas, de forma a permitir uma avaliação sistémica das famílias a longo prazo, considerando os contextos onde se inserem, o que não se coaduna com a prática de contratação anual dos profissionais de Serviço Social.
A defesa e garantia dos direitos da profissão é imprescindível, quer através das organizações sindicais, quer através da Ordem dos Assistentes Sociais, processo que ansiosamente aguardamos pela sua conclusão!

Margarida Messias (Assistente Social e Relatora do congresso)

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1 comentário

    • Francisco Sousa on 8 de Abril de 2021 at 19:38
    • Responder

    Os assistentes sociais que vão para a Segurança Social ( é lá o escritório deles!) e façam o trabalho de campo indo aos domicílios dos alunos. É mais fidedigno e real. Escusam de ir para as escolas fazerem os defavorecidos sentirem-se humilhados em frente aos coleguinhas! A escola já tem actores a mais.
    Esta escola que se pretende inclusiva só cria estigmas. Há alunos que ficam verdadeiramente humilhados e têm vergonha de ser vistos pelos colegas a entrarem em SPOs, CAAs e afins.
    InsInstalem-se noutros locais afastados da vista de todos para atuarem com delicadeza. Os alunos quecisam de apoio real que preserve as suas condições do conhecimento dos coleguinhas que por essas razões os eccluem e fazem bullyng.
    LTrabalhem com eles ao fim de semana, ao fim da tarde, 2 ou 3 tardes a subtrais nos carregados horário escolares destes infelizes que têm de vos gramar a dar nas vistas em plena escola.
    Xô! Vão para os vossos escritório, consultórios nem que seja uma tenda no bairro ou na junta de freguesia… mas na escola não. Basta de os expor!

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