Professor, profissão de risco
Não é por acaso que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera a profissão de professor como uma das profissões de risco. Risco físico e psicológico. Outrora, era uma profissão de respeito. Hoje os professores não só não são respeitados, como são agredidos, verbal e fisicamente, sujeitos a atos de vandalismo, enxovalhados por alunos e pais, e a classe é frequentemente sujeita a um rosário de comentários humilhantes que uma certa opinião blasfema faz correr nos media e redes sociais, num tom geralmente provocatório. É ferida que sangra. Ilustrou-o bem o recente artigo na “Notícias Magazine”, do JN, com o relato das experiências traumatizantes de violência contra professores. Jamais um professor será o mesmo quando agredido em contexto escolar. Humilhado e desautorizado, carrega para sempre esse trauma, especialmente quando tem de prosseguir a sua missão, “amarrado” à mesma escola e à mesma rotina. A escola é o espelho da sociedade. Daí que a violência nas relações sociais, na família e na comunidade vá projetar-se no seu interior, num crescendo à medida que a escolaridade obrigatória se alarga e abrange uma franja significativa de adolescentes e jovens para quem a “imposição” da escola é também uma violência, tal como o é o cumprimento das elementares regras de civilidade e harmonia das relações humanas. Neste quadro, o professor é o outro, o estranho, o alvo a abater, alguém que está no outro lado da trincheira; uma inquietante realidade que ganha força perante a consciência de uma certa impunidade de que gozam os infratores. Estranho desequilíbrio este, quando o “tasse bem” de uns representa anos e anos de trauma para os outros, que, desde aí, apenas anseiam largar a profissão que um dia preencheu os seus sonhos mais auspiciosos. *Escritor e jornalista




9 comentários
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Será assim tão difícil aumentar a segurança nas escolas, sobretudo nas mais problemáticas?
É lá agora!
O Mário do sindicato é que sabe: pôem lá pessoas que só tiraram o curso pá! Isto vindo dum gajo que não põe os pés na escola há anos.
Ainda por cima o Mário – que se calhar nunca andou na Universidade e pouco deve saber sobre ser professor ou dar aulas – faz tábua rasa da presunção de inocência e desata a apelidar o alegado professor agressor de não professor. Se calhar também não conhece a figura do docente com habilitação própria. Está na Lei senhor Mário. Não querendo desculpar ou culpar antes da averiguação e da responsabilização as alegadas atitudes do docente – sim senhor Mário, foi contratado para dar aulas é professor! Ou é o quê? Estudasse!
E sobre os professores agredidos, o funcionário do sindicato não disse uma palavra a correr nas televisões. Ou os contratados também não são professores? Só a malta dos 9 meses e não sei quantos dias. Palhaçada.
Olá Zeca, fui este fim de semana o Kart Center de matosinhos e senti-me um piloto de F1!
Bonito texto, parabéns!
Dentro deste contexto escrevi https://www.insensato.pt/2019/10/o-afastamento-dos-professores-do-ensino.html
Há milhares de professores com esgotamento nervoso… Os últimos governos (Ministério da Educação) têm promovido a indisciplina nas escolas com o enorme facilitismo que decretou…Nenhum aluno pode reprovar…Mesmo que não aprenda nada …A culpa é sempre do professor…. A indisciplina é brutal, os alunos perceberam que a escola foi transformada num circo e os professores em palhaços…E para que tudo piore ainda mais, o Primeiro-ministro manteve o mais incompetente ministro para mais quatro anos…
Sim, ser professor é de facto uma profissão de risco, mas o PS considerou que as profissões de risco são as da polícia, GNR e militares, pelo que lhes atribui situação de reserva aos 50 anos e daí passam para aposentação sem penalização aos 55. Os professores, como merecem ser maltratados só aos 67 anos terão direito à pene aposentação.