Professor, profissão de risco
Não é por acaso que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera a profissão de professor como uma das profissões de risco. Risco físico e psicológico. Outrora, era uma profissão de respeito. Hoje os professores não só não são respeitados, como são agredidos, verbal e fisicamente, sujeitos a atos de vandalismo, enxovalhados por alunos e pais, e a classe é frequentemente sujeita a um rosário de comentários humilhantes que uma certa opinião blasfema faz correr nos media e redes sociais, num tom geralmente provocatório. É ferida que sangra. Ilustrou-o bem o recente artigo na “Notícias Magazine”, do JN, com o relato das experiências traumatizantes de violência contra professores. Jamais um professor será o mesmo quando agredido em contexto escolar. Humilhado e desautorizado, carrega para sempre esse trauma, especialmente quando tem de prosseguir a sua missão, “amarrado” à mesma escola e à mesma rotina. A escola é o espelho da sociedade. Daí que a violência nas relações sociais, na família e na comunidade vá projetar-se no seu interior, num crescendo à medida que a escolaridade obrigatória se alarga e abrange uma franja significativa de adolescentes e jovens para quem a “imposição” da escola é também uma violência, tal como o é o cumprimento das elementares regras de civilidade e harmonia das relações humanas. Neste quadro, o professor é o outro, o estranho, o alvo a abater, alguém que está no outro lado da trincheira; uma inquietante realidade que ganha força perante a consciência de uma certa impunidade de que gozam os infratores. Estranho desequilíbrio este, quando o “tasse bem” de uns representa anos e anos de trauma para os outros, que, desde aí, apenas anseiam largar a profissão que um dia preencheu os seus sonhos mais auspiciosos. *Escritor e jornalista



