Estão as escolas portuguesas preparadas para adaptar-se à revolução tecnológica e às profissões do futuro?

A revolução tecnológica já é uma realidade em Portugal e trouxe com ela modificações importantes no âmbito laboral e educativo. Já se sabe que o mundo do trabalho é uma área em constante mutação, que está condicionada diretamente por mudanças sociais, económicas e de índole científica e tecnológica. E os programas educativos devem acompanhar atentamente estas alterações, preparar-se para lhes fazer frente e, sempre que possível, adiantar-se às novas realidades e antecipar cenários.
Umas das principais inovações introduzidas ao longo das últimas décadas foi, sem dúvida o acesso à Internet e a sua democratização a nível global. Atualmente 85% dos portugueses já afirma utilizar a web diariamente e, em média, passa 6h30 diárias conectado, das quais mais de duas horas são dedicadas às redes sociais. E que dizer do uso crescente dos dispositivos móveis e da necessidade de estar permanentemente ligados à rede global, num mundo em que inclusivamente a comunicação entre pais e professores já se faz através dos grupos de Whatsapp?
Sim, a tecnologia transformou a sociedade, a forma como consumimos e como nos comunicamos. E criou novas necessidades, tanto ao nível do consumo como da oferta de produtos e serviços, dando inclusivamente origem a novas profissões, principalmente no âmbito digital, e levando à obsolescência de outras, mais manuais e que podem ser facilmente substituídas pelas máquinas e pela inteligência artificial.

Os desafios dos professores perante a revolução tecnológica
Perante esta nova realidade, os professores e as escolas têm um papel fundamental no processo de preparação dos formandos para o mercado de trabalho. Mas, como podemos preparar os docentes para que estejam atualizados e possam responder às dúvidas destes alunos cada vez mais informados, mais exigentes, constantemente conectados e com uma sede de conhecimento inesgotável? Precisamos de renovar os quadros, contratando a professores Millenials? Quais são os principais âmbitos onde as instituições educativas devem centrar os seus esforços e atenção? E quais serão os perfis profissionais mais procurados nos próximos anos?
De acordo com o Fórum Económico Mundial, em pouco mais de dez anos (concretamente em 2030), muitas das competências atuais dos trabalhadores terão mudado completamente. Inclusivamente, há vários estudos que afirmam que nessa década, entre 75% e 85% das profissões mais procuradas não existam hoje em dia. Serão criadas nos próximos anos. Pelo que a reciclagem permanente e a formação constante e especializada vão ser elementos fundamentais para os profissionais do âmbito educativo.
Competências necessárias para as profissões do futuro
Há muitas teorias sobre este assunto, e – como acontece sempre que falamos do futuro – uma boa parte delas está baseada em simples especulações. Mas há quatro áreas fundamentais onde supostamente a transição para a nova realidade do mercado de trabalho será mais fácil: concretamente em estudos relacionados com Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Pelo que está claro que as escolas devem prestar especial atenção a conteúdos vinculados com estes quatro tipos de conhecimento. Cada vez são mais necessários os programadores informáticos, os analistas de Big Data, os especialistas em Realidade Aumentada, Marketing Digital, a Internet das Coisas ou a Inteligência artificial, para dar apenas alguns exemplos.
E há mesmo áreas que inicialmente estavam vinculadas ao universo do ócio e do lazer, que com o passar dos anos se converteram em trabalhos com colocação quase garantida, devendo por isso ser considerados seriamente entre as áreas com grande potencial de empregabilidade. É o caso dos Community Managers, que são atualmente uma das profissões mais procuradas pelas empresas. Ou dos fãs de videojogos, ou praticantes de distintas modalidades de eSports, que em alguns países inclusivamente já são vistos como uma profissão.
Há também muitos casos de jogadores internacionais que nos últimos anos converteram o póquer em profissão, dedicando-se essencialmente às suas modalidades e eventos online. E Portugal não é exceção. Também aqui começam a surgir os primeiros nomes de relevo neste desporto mental, que participam em importantes torneios internacionais e que estudam, jogam e vivem do póquer, muitos deles vinculados ao mundo das matemáticas ou da computação, devido ao raciocínio lógico que exigem este tipo de atividades mentais.

O futuro da educação perante este novo cenário
Perante este cenário, as escolas devem em primeiro lugar começar a dotar-se das infraestruturas e dos recursos técnicos necessários. E formar constantemente os professores para que eles dominem essas novas tecnologias e saibam transmitir aos alunos os benefícios, potencial e limites da sua utilização. E, claro está, é fundamental adaptar os currículos escolares para que os conteúdos e as competências transmitidas aos alunos, sejam as requeridas por um mercado de trabalho que se tem vindo a transformar a uma velocidade vertiginosa, e que provavelmente mudará muito mais ao longo da próxima década. Estaremos preparados?