Os professores e as eleições – Observador
Arnaldo Santos / Professor e Jurista
Este não é o tempo para ideologias políticas de direita ou de esquerda, ou de ficar agarrado à cor do partido político em que sempre votaram. É tempo de repor a justiça e de reconquistar o respeito.
Ler, ouvir ou ver notícias sobre os professores e o tempo de serviço que o Governo diz não ter dinheiro para pagar, nunca é demais. Particularmente para os professores e para as respetivas famílias que sentem, na pele, a falta do dinheiro pelo qual trabalharam, e a subtração do direito à mudança dos escalões para a progressão na carreira.
O congelamento das carreiras teve estas duas implicações: não houve aumentos e não houve progressões que, naturalmente, implicam aumentos. Já falámos de justiça num artigo anterior. Dissemos, na devida altura, que era um conceito objetivo: dar a cada um aquilo que é seu, e o que é que é seu e de cada um, é aquilo que cada um merece, e merece na medida em que dá, e deve dar de acordo com as suas capacidades. Este é o conceito objetivo de justiça. Sendo este conceito objetivo, completo, não dá margem para o conceito subjetivo da meia justiça.
Não existe meia justiça. Devolver dois anos, nove meses e dezoito dias de tempo de serviço aos professores é utilizar um expediente inexistente: a meia justiça. A fundamentação deste conceito, inexistente, segue aquela máxima: mais vale qualquer coisa na mão do que coisa nenhuma a voar, para calar a boca aos cidadãos que não estão habituados a fazer valer a justiça e os seus direitos, até ao fim. Tiques de outros tempos em que o lema era “comer e calar”. Outros tempos que alguns insistem em não esquecer. Nós somos o resultado da nossa história.
Fazer valer os direitos até ao fim. Esta frase é forte, pelo menos em Portugal. Até costuma utilizar-se outra: apurar responsabilidades até às últimas consequências, doa a quem doer. Parece que estamos numa brincadeira e, de vez em quando, vem alguém que diz: acabou-se a brincadeira. Por isso é que ninguém leva nada a sério… Ensina-se no Direito Administrativo, que é aquele ramo do Direito que regula as relações jurídicas entre a Administração Pública e os cidadãos, que para travar os administrados de fazer valer os seus direitos até ao fim, leia-se recuperar o tempo de serviço, basta que a Administração Pública utilize o argumento do interesse público, do bem comum, ou que se coloca em risco o equilíbrio das contas públicas, para qualquer Tribunal Administrativo dar por terminada a ação, ao abrigo da separação de poderes, não dando provimento às intenções dos administrados. Se isto não é xica espertice é o quê? Infelizmente é o que temos… O Estado coloca as contas públicas em causa, diariamente, com negócios ruinosos, e não há ninguém que se importe com o interesse público?
No próximo dia 6 de outubro vamos a votos. Que razões podem ter os professores para ir a votos? Existem cerca de 146.830 professores em Portugal (dados da Pordata para 2018). Muitos destes professores ainda têm os dois progenitores vivos, têm maridos, mulheres, irmãos, filhos, tios, primos, netos, afilhados, (etc…) e têm amigos. Se quiserem façam como o outro: é fazer as contas. Se cada professor exercer o poder de influência que tem, e se todos votarem nos partidos (que todos sabem quais são) que dizem que a recuperação integral do tempo de serviço dos professores é um imperativo nacional de justiça e de respeito, faz mossa ou não? Este não é o tempo para ideologias políticas de direita, de centro ou de esquerda, ou de ficar agarrado à cor do partido político em que sempre votaram, como se fosse o clube de futebol ou uma religião. É tempo de causas, é tempo de repor a justiça e de reconquistar o respeito.
P.S. Não sou sócio, adepto, filiado, simpatizante de nenhum partido político.




9 comentários
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Fabricar papelinhos
Em várias ações
A 75 eurinhos
O iave dá lições
Eles vão mudando, sempre com promessas do género da «palavra dada é palavra honrada», mas depois vai dar mais ou menos no mesmo… é tudo a mesma m…
Qual é o partido que sugere?
Sim é tempo de todos abrirmos os olhos.
Colegas, sim… ” É tempo de repor a justiça e de reconquistar o respeito.” … Subscrevo com toda a convicção!
O Dia J (J de justiça!) está nas nossas mãos… no nosso voto.
Também “não sou sócio, adepto, filiado, simpatizante de nenhum partido político” mas estou com todos aqueles que já não aguentam com mais exploração e mais injustiças.
Por mais que se reportem as questões mais injustas nada assumem nem resolvem. O que verdadeiramente vai interessando são os jobs for the boys e o empurra com a barriga… para que as mordomias não se lhes acabem.
EU VOU FAZER A DIFERENÇA.
NESTAS ELEIÇÕES O MEU VOTO VAI SER VERDADEIRAMENTE DIFERENTE!
Derrubado e enxovalhado por A.Costa, pelo PS, e pela Comunicação Social, eu, enquanto professor, de momento, apenas desejo recuperar a minha dignidade profissional. Quanto às eleiçoes, aos colegas professores e respetivos familiares lembro as palavras de um Mestre:
Se nos picarem, não sangramos?
Se nos fizerem cócegas, não rimos?
Se nos envenenarem não morremos?
E, se nos ultrajarem, não nos vingaremos?
William Shakespeare.
Também eu não tenho partido e detesto políticos porque, no fim, são todos iguais e fazem todos o mesmo: servem-se a eles e aos amigos, ao séquito de incompetentes que lhes lambem as botas….
Mas sinto -me desencantada /esgotada com tudo o que estão a fazer aos professores e farei o meu trabalho junto da minha família para que o meu e o seu(deles) voto seja bem direcionado e sempre, sempre, contra as maiorias!… transformam-se em Ditaduras….
Posso não saber o que quero.
Mas, sei muito bem o que não quero.
PS? NÃO!!!NUNCA!!++!
Eu até acho que o PS não esteve mal… sendo também verdade que lhes correu tudo bem… mas, como professor, só se fosse muito sádico votaria no PS… e eu não gosto sequer de quem me olha de lado, quanto mais quem me fez o que este tipo fez a todos os professores… e quando digo «o que fez» nem me refiro a não reconhecer o tempo de serviço, ou outras coisas menos positivas para a classe docente, digo-o sobretudo pela forma como o fez, quando sentiu que a opinião pública estava contra os professores não deixou de aproveitar politicamente a situação dando mais uns «pontapés» nos desgraçados que já «estavam no chão a cambalear»… para mim, políticos assim, com falta de caráter, nunca mais… temos pena!
Se o Costa ganhar por poucochinho irá fazer novos acordos à sua esquerda. Ficará tudo igual, lamentavelmente. O BE e o PCP não terão força suficiente para reverter as ideias do PS, relativamente à nossa situação. Ao invés, esses partidos terão do Costa fundos para a subsídiodendências, como a mais recente medida de apoio à natalidade. Costumo apelar ao voto em branco para que não custe muito não votar no nosso partido…
Com a atual solução política vamos continuar na mesma!