A maior conquista de Abril? Educação – João André Costa

A maior conquista de Abril? Educação

A resposta à pergunta do título é imediata e óbvia. Não apenas a liberdade daquela madrugada, mas mais do que a liberdade quando a liberdade de nada serve se não usada para libertar mentes de crenças e modos de vida.

Antes do 25 de Abril, a educação era um privilégio das classes dirigentes. E o povo, pá? O povo aprendia até à quarta classe e o trabalho infantil era norma num país tão subdesenvolvido como os do terceiro mundo, onde os senhores doutores e os engenheiros eram os pais e os filhos da minoria política dirigente.

Minoria essa alicerçada no trabalho de sol a sol de toda uma nação a troco de nada, quando muito um tecto, duas cadeiras e a cama no chão partilhada entre pais e filhos, a assinar de cruz e a dizer que sim ao senhor e ao prior, geração após geração sob o signo da ignorância e o medo do castigo eterno, prisioneiros da fome e do temor.

E ai de quem dissesse alguma coisa, ai de quem reclamasse, protestasse ou fugisse numa terra onde as prisões, a tortura e a morte não precisavam de se justificar.

Com o 25 de Abril veio a educação e o ensino até à universidade, universidade essa gratuita até aos anos 90. A educação foi o fim do medo, a descoberta da verdade, a exposição da mentira, o questionar da informação, duvidar das decisões, participar e sair à rua, expressar a nossa opinião, manifestar, aderir a greves, o poder escrever, provocar, desassossegar sem receio de represálias, da polícia ou o medo dos bufos ao virar da esquina, dentro de casa ou à mesa à hora de jantar.

Porque a educação é uma chatice para as chefias e classes governantes e não há nada pior do que um povo que escreve livros, que lê livros e viaja, curioso por querer saber mais, contactar com outras culturas e maneiras de ver o mundo, ansioso por viver mais e melhor, como se isso fosse possível — e é.

Por tudo isto, viva a liberdade, viva o 25 de Abril. A educação é para a vida e pela mesma perdemos conta ao sangue derramado, às mortes e execuções em Peniche, no Aljube, no Tarrafal.

Por isso, o ataque à escola pública, a delapidação da escola pública ao longo de anos e governos desde então, despida de meios, com uma classe docente dividida entre professores envelhecidos e precários, na esperança do retrocesso a outros tempos, quando a educação era o privilégio de meia dúzia, educados em casa ou em colégios particulares. E a universidade? É paga por quem pode, nem por isso por quem quer.

A educação não é um privilégio, é uma conquista de Abril, é um direito pelo qual lutamos em cada palavra, em cada casa e rua e os professores são a sua maior arma.

Sem educação não há liberdade. Sem educação não há resistência. Sem educação não há Abril, só esquecimento e um povo embrutecido entre a praia, futebol e centros comerciais.

Por isso continuamos a lutar e a repetir, ano após ano, antes do 25 de Abril, durante o 25 de Abril e depois do 25 de Abril, viva a liberdade, 25 de Abril sempre!

 

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3 comentários

    • Paulo on 25 de Abril de 2019 at 16:18
    • Responder

    É pena que o 25 de Abril não tenha ainda permitido a criação de regras de educação por parte dos alunos. Existe liberdade em excesso na escola atual, em que os professores não são respeitados nem valorizados, nem pelos alunos nem mesmo pelos pais.

    • Ave Rara on 25 de Abril de 2019 at 16:41
    • Responder

    .
    A Ongoing, o grupo Moniz da Maia e o grupo Joe Berardo, três dos maiores devedores da Banca, causaram perdas de quase 1500 milhões de
    Berardo sacou 962 milhões de euros

    Um aluno, de 12 anos, da Escola Francisco Torrinha, na cidade do Porto, agrediu um professor, de 63 anos, a soco e a pontapé. (06.04.19)

    Viva a Liberdade!…
    Viva a Javardice!…

    Viva o 25 de Abril!…..e a escola pública (claro está)
    .

    • Maria on 26 de Abril de 2019 at 13:52
    • Responder

    “Antes do 25 de Abril, a educação era um privilégio das classes dirigentes.” Para afirmar é preciso conhecer. A minha família estudou, chegaram longe, médicos, advogados… , os meus avós e pais não faziam parte da elite.

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