O melhor do lado tecnológico – parte I

O futuro é uma coisa linda.

Estamos a dar aulas, sonhamos um dia ter a sala de aula virada para uma janela de virtualidade ultra digital e eis que, finalmente, esse dia acontece.

Subitamente, em todos os computadores de todas as salas, uma pen misteriosa e um programa especial que descarregamos para o nosso próprio telemóvel permite, através dessa mágica rede de radiação eletromagnética a que chamam “uaifai”, partilhar conteúdos diretamente no quadro interativo.

A minha euforia suplanta todos os limites e arrisco, como nunca antes fiz, rebentar de vez com as aulas expositivas, optando pela “flipped classroom” naquilo que tem de melhor: trabalho prático, investigação em equipa, e o meu telemóvel a apresentar o “planning” do trabalho que me demorou dois entusiasmantes dias a delinear.

Subitamente, então, no meio da minha eufórica partilha de motivação borbulhante, um coelhinho branco comedor de relva irrompe no ecrã do quadro interativo.

Carrego no teclado do telemóvel com estranheza, perscruto o computador e as respetivas ligações, clico em todas as teclas de comandos ao meu alcance, mas o diabo do coelhinho prossegue impassível ruminando a relva, fazendo refém todo o meu trabalho de um par de dias.

Pela sala irrompe um burburinho divertido, parece que esta rapaziada acha mais piada ao coelhinho do que ao cenário virtual de aprendizagem e as gargalhadas só sossegam quando desligo tudo e regresso à aula à moda tradicional.

Quando os alunos saem, peço ajuda ao Rafael, o cromo informático da turma, para tentar perceber o que se passou.

Com o rosto ruborizado, tenta ocultar um sorriso maroto, mas confessa:

–  Professora, a culpa não é sua. Todos temos acesso à rede Wi-Fi e houve pessoal que descarregou um programa que interfere com a projeção. Não fique zangada, foi só uma brincadeira e prometo que não repetimos.

Incrédula, regresso à sala de professores onde uma colega colericamente ruborizada e com um nítido instinto matador escreve, furibunda, uma participação disciplinar contra uma turma inteira de um PCA com índole de potencial utente do sistema criminal português, mas, pelos vistos, bastante criativa.

Pelas entrelinhas do seu discurso enervado, percebo que, afinal, tive muita sorte na minha inesperada interferência: a ela os alunos interromperam a projeção com um inusitado gif de uma cena porno. Em “loop”…

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2 comentários

    • Feiticeira Do Tempo on 1 de Março de 2017 at 21:13
    • Responder

    Um dia os alunos descobrem o acesso à redes das impressoras… e nem quero pensar no que alguns vão mandar imprimir.
    Ter as impressoras em rede para podermos imprimir dos nossos computadores pessoais é bom (e acontece na maioria das escolas)… mas existe sempre um elemento de risco.

      • francisco m. on 4 de Março de 2017 at 1:37
      • Responder

      vão imprimir: ´´não jogas com o baralho todo”

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