Este futuro que se f****.
P**** para isto. Mas que m**** vem a ser esta?
O Jonas está outra vez com o telemóvel na mão depois de lhe ter pedido para o guardar? Grande palerma… Ninguém me paga o suficiente para aturar as m******* destes imbecis que temos de gramar antes de entrarem nas instituições de correção juvenil.
Aproximo-me de mansinho, pois se aquele tolo julga que a mesa me inibe a visão de raio-x está bem enganado, o estafermo.
Contudo, apercebo-me que afinal tem, não um, mas dois telemóveis nas mãozinhas de traficante de tecnologia móvel, mais um potencial utente do belíssimo sistema jurídico português, este PCAzito do caraças.
– Ouve lá, Jonas, eu não te pedi para guardares o telemóvel? Ainda não acabaste a tarefa e queres que eu me aborreça contigo?
Cá por dentro fervo em lume denso, mas, com este grupo de estroinas delinquentes, a fala tem de ser calma, mansinha e ponderada.
O puto, no seu 1m80 de escuridão temerosa, mas adocicada, sabe-o e, no seu típico sotaque feito de candura e africanidade dengosa, retorque, tranquilo:
– ‘Storinha, relaxa, já acabei esta parte, mas deixe-me exp´rimentar isto agora para ver se o p’ograma funciona.
– Ouve, tu andas a traficar telemóveis? – inquiro com um sorriso afoito.
– Hé, ‘storinha, nada dessas cenas! Olha aqui, é o telemóvel da Leónia.
O meu olhar atravessa o outro lado da sala onde a morena sorridente acena ao robusto namo
rado.
– Explica lá isso melhor…
Então, o diabo em pessoa, mascarado de adolescente empreendedor e motivado para competências tecnológicas, clarifica-me tudo.
– Profess’ora, tu vês? O meu telemóvel está ligado ao da Leónia. Eu tenho acesso às cenas dela só pelo telemóvel. Descarreguei este p’ograma e dá p’a ‘tarmos sempre ligados. Eu protejo a minha dama. É o amor…
É amor o caraças, meu grande bruto, porque, logo a seguir, não satisfeito com o seu enormíssimo ato de empreendedorismo, revela-me ainda o que deixara oculto, enquanto poisa ambos os telemóveis na carteira.
Com o telefone da Leónia desligado, acede, a partir do seu, ao olho bem aberto do telemóvel dela e vê, na privacidade daquele espaço, o teto da nossa sala.
Sorri, numa candura sem limites que me ofusca o juízo, enquanto eu contra-argumento com questões de privacidade cujo significado tenho de trocar por miúdos.
Depois desisto e viro-me para ela, a potencial vítima ou enormíssima burra.
– Leónia, mas tu não percebes que ele tem acesso a TUDO o que tens guardado no teu telemóvel? Pior, sem saberes, está a ver a tua intimidade e pode partilhá-la com quem lhe apetecer sem que saibas de nada.
– Não, professora, o Jonas não é desses, ele só quer me proteger-me.
Não bastando tamanho argumento de idiotice, estas incorreções gramaticais atiram-me ao tapete.
P**** que pariu esta m****. Alguém me explique como gerimos estes energúmenos futuristas. Eu não consigo, eu não aguento tanta, tanta estupidez humana…