Opinião Mário Silva

declaração de óbito

 

 

Depois de, em 2005, ter sido declarada a doença terminal no sistema educativo, e da implementação das terapêuticas com efeitos secundários destrutivos, eis que após uma expetativa de vida de 10 anos em estado moribundo, se declara a morte do sistema educativo. Esta é anunciada sob a forma de municipalização da educação, da qual envio duas certidões, que todos deveriam ler atentamente, pois serão aplicadas a nível nacional nos anos vindouros.
Estas certidões foram divulgadas por dois colegas que estão integrados nos agrupamentos de um dos municípios que se voluntariou para o projeto, presidido por uma personagem mais conhecida pelo seu cargo diretivo na liga de futebol.
Lendo a matriz de responsabilidades e as cláusulas contratuais, conclui-se singelamente que o MEC passou a ser a câmara municipal e o seu presidente, o respetivo ministro; a escola limita-se a ser o que é atualmente…
Preparai as exéquias, arrumai os assuntos pendentes, pois a médio prazo os nossos agrupamentos serão ministrados pelo respetivo presidente da câmara do concelho onde estão inseridos (com todas as consequências derivadas do exercício de poder autárquico, sobejamente conhecidas do cidadão…).

Para os crentes, lá nos encontraremos no paraíso celestial; para os não crentes, hasta la vista.

 
Contrato de Educação e Formação
 

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Matriz de Responsabilidades
 

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1 comentário

  1. hasta la vista!

    “a escola limita-se a ser o que é atualmente…” – apenas discordo desta parte. Já é pouco hoje em dia mas será ainda menos no futuro…

    Não deixa de ter a sua graça, os directores da Milú no momento do DL 75/2008 – o da autonomia e dos directores – os tais rostos… (que a prática e os interesses foram outros):
    Num looooooooooooongo preâmbulo do supracitado: (Advertência: é para rir!)

    “… Em segundo lugar, com este decreto -lei, procura -se REFORÇAR as LIDERANÇAS DAS ESCOLAS, o que constitui reconhecidamente UMA das MAIS NECESSÁRIAS MEDIDAS de REORGANIZAÇÃO do regime de administração escolar. Sob o regime até agora em vigor, emergiram BOAS LIDERANÇAS e ATÉ LIDERANÇAS FORTES e existem até alguns CASOS ASSINALÁVEIS de DINAMISMO
    E CONTINUIDADE. Contudo, esse enquadramento legal em nada favorecia a emergência e muito menos a disseminação desses casos. IMPUNHA-SE, por isso, criar condições para que se AFIRMEM BOAS LIDERANÇAS e LIDERANÇAS EFICAZES, para que EM CADA ESCOLA EXISTA UM ROSTO, UM PRIMEIRO RESPONSÁVEL, DOTADO DA AUTORIDADE NECESSÁRIA para desenvolver o projecto educativo da escola e executar localmente as medidas de política educativa. A ESSE PRIMEIRO RESPONSÁVEL PODERÃO ASSIM SER ASSACADAS AS RESPONSABILIDADES pela prestação do serviço público de educação e pela gestão
    dos recursos públicos postos à sua disposição.
    ESTE OBJECTIVO CONCRETIZA-SE no presente decreto -lei pela CRIAÇÃO DO CARGO DE DIRECTOR, coadjuvado por um subdirector e um pequeno número de adjuntos, MAS CONSTITUINDO UM ÓRGÃO UNIPESSOAL e não um órgão colegial.
    Ao director é confiada a gestão administrativa, financeira e pedagógica, assumindo, para o efeito, a presidência do conselho pedagógico. Exercendo também competências no domínio da gestão pedagógica, sem as quais estaria sempre
    diminuído nas suas funções, entende -se que o director deve ser recrutado de entre docentes do ensino público ou particular e cooperativo qualificados para o exercício
    das funções, seja pela formação ou pela experiência na administração e gestão escolar. No sentido de reforçar a liderança da escola e de conferir maior eficácia, mas também mais responsabilidade ao director, é -lhe conferido o poder de designar os responsáveis pelos departamentos curriculares, principais estruturas de coordenação e supervisão pedagógica.
    Finalmente, o presente decreto -lei corresponde a um terceiro objectivo: o REFORÇO DA AUTONOMIA DAS ESCOLAS. A necessidade de reforçar a autonomia das escolas tem sido reclamada por todos os sectores de opinião. A esta retórica, porém, não têm correspondido propostas substantivas, nomeadamente no que se refere à identificação das competências da administração educativa QUE DEVEM SER TRANSFERIDAS PARA AS ESCOLAS. Convém considerar que a autonomia constitui não um princípio abstracto ou um valor absoluto, mas um valor instrumental, o que significa que do reforço da autonomia das escolas tem de resultar uma melhoria do serviço público de educação. É necessário, por conseguinte, criar as condições para que isso se possa verificar, conferindo maior capacidade de intervenção ao órgão de gestão e administração, o director, e instituindo um regime de avaliação
    e de prestação de contas. A maior autonomia tem de corresponder maior responsabilidade….

    Este país é, no mínimo, uma anedota onde os decisores se servem e/ou servem interesses e conivências de momento e GOZAM com os pobres tristes que lhes dão os votos.

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