MUDANÇAS (pouco) PEDAGÓGICAS, apenas PORQUE SIM…
Sobre o ANTES, o AGORA e o DEPOIS da EDUCAÇÃO
Segundo o que diz a minha mãe, aprendi tarde a perceber qual é a esquerda e qual é a direita; e ainda hoje me baralho com as coisas relacionadas com a orientação espacial. Por outro lado, de política, seja ela de esquerda ou de direita, também não percebo muito. Contudo, reservando-me a humildade, penso que sei o suficiente para perceber que neste momento “todos os lados” parecem ter alguma dificuldade em identificar e colocar em prática princípios que connosco se identifiquem e nos orientem.
AS MUDANÇAS no sistema de Educação têm sido inúmeras. Desde o momento em que me deram um papelinho (que não sei por mais quanto tempo será válido) onde está escrito que posso ser professor, passaram apenas 6 anos. Neste período, tivemos 3 ministros da Educação, duas reformas curriculares, novas políticas educativas e demasiados confrontos entres os diferentes profissionais que trabalham neste setor.
A Educação, os professores, todos os outros profissionais que trabalham neste sistema digno e, principalmente as crianças, sejam elas GRANDES ou pequeninas, precisam de tempo. Tempo para conhecerem e se adaptarem, tempo para pensar e para consolidarem aquilo que fazem e aprendem. De facto, não pode dizer-se que aqueles, lá no topo, não têm criatividade e vontade de mudança. Respeito-os imenso e tento compreender a dificuldade em exercer o seu trabalho nos dia de hoje. Contudo, já dizia Paulo Freire, que para ensinar é preciso querer bem aos educandos. Valha-nos a relativa autonomia que temos para exercer a nossa profissão, o bom senso de cada um, a vontade de auto-aperfeiçoamento e partilha com outros profissionais daquilo que fazemos e vivemos no nosso dia a dia nas escolas.
Por outro lado, devemos lembrar-nos: as mudanças FAZEM-SE COM AS PESSOAS e não para elas. Eu posso até querer mudar completamente a sala de estar da casa da minha mãe; isto é, torná-la melhor (na minha opinião, que é muitas vezes subjetiva). Contudo, tenho a certeza que ela prefere participar nesse momento dado que, apesar das minhas boas intenções e porque eu não sou muito bom com a esquerda e com a direita, posso até colocar as plantas no lugar mais isolado e escuro da sala. E remorsos é coisa que eu não quero, principalmente porque nunca tive nada contra as plantas e muito menos contra as crianças que também gostam de respirar. Os diferentes intervenientes que “fazem educação” não devem trabalhar de “costas voltadas”. Os alunos precisam de todos nós para que o serviço que lhes prestamos continue a ser de qualidade; porque o (ainda) é.
Há que parar com as experiências avulsas, averiguar mais junto dos professores se estes concordam com as tais alterações e porquê e se, inclusive, for para mudar, DEVEM, em conjunto, BIPENSAR* COMO é que se deve IMPLEMENTAR, gradualmente, ESSE PROCESSO.
*porque queremos bem aos outros (ou pelo menos devemos querer); ato de pensar, pelo menos, duas vezes antes de agir.
Rui Tiago Filipe
[email protected]
Professor do 1.º Ciclo




4 comentários
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Fantástico texto, excelentes metáforas.
É verdade…no meio desta “luta” certas pessoas esquecem-se do que é realmente importante…os educandos.
Sou do 910…e é com tristeza que vejo colegas dizerem que “tiraram este curso para ter umas horitas!” Eu fui para esta área porque o 910 não são só os meninos com dificuldades de aprendizagem, “os fáceis de tratar”, são todos os meninos com necessidades educativas especiais. Ser professor é lindo, necessita de vocação….o professor de Educação Especial precisa de vocação e dedicação, ver além do que está a vista….
Muitas vezes fui substituída e articulei com pessoas que queriam era trabalhar, umas horitas….e muitas vezes eram colegas que se preocupavam com o facto de estar longe ou “como não há grande coisa a fazer porque é tão deficiente porquê se ralar!”….
Tanta gente tira o 910 para trabalhar…sim, nós todos queremos o mesmo trabalhar…mas não nos podemos limitar a esta ambição! Estes meninos com necessidades educativas especiais precisam do professor de EE a 100%.
Quem anda a tirar este curso deveria pensar além das horitas, para não chegar perante os alunos e ficar mal disposto perante a baba, os vómitos, o bater da cabeça contra uma pareda….porque estes meninos são mais do que isso…são crianças que devem ser entendidas e ajudadas a ultrapassar as suas dificuldades para terem qualidade de vida.
Tenho pena que haja colegas que não percebam isso….e percebo plenamente a mensagem do colega Rui Tiago….porque em 1.º lugar….deveria estar os alunos.
Arlindo, eu costumo medir a relevância dos assuntos pelo número de comentários.
E cheguei, como já referi anteriormente, à triste conclusão: tudo o que tiver mais de 6 linhas e tenha um pendor mais literário, ninguém quer saber. Não se lê! Triste realidade. Vou repetir: o Mec sabe em quem dar porrada.
Ah, é verdade, mas tiveram médias de cursos de 17 e 18.
Ai, é? Sim, e ainda são especialistas em Educação Especial! Ai, é? Sim, e tiveram média de 18 e 19. Ai, é?
Tanta pena dos pobrezinhos e dos meninos e meninas com dificuldades de aprendizagem. Coitadinhos!
Rui Tiago Filipe, parabéns pelo seu pequeno texto. A sua mãe deve rebentar de orgulho. Eu, colega que sou, rebento de orgulho, sim senhor. Bem haja!
Rui Tiago, entre as dificuldades com a esquerda e a direita, escolheu o bom caminho! Parabéns.