Ex.mo Prof. Doutor David Justino,
Venho, por este meio, mostrar a minha insatisfação no âmbito da colocação de professores. Para alguns o problema na colocação de professores deriva do facto do sistema ser centralizado, ou seja, se houvesse uma descentralização esse problema não existiria.
Contudo, estou convicto que o problema é exatamente o contrário, ou seja, os problemas começaram a aparecer quando se deu alguma autonomia às escolas. Com a colocação nas plataformas de critérios de seleção como por exemplo: Dinamizou e participou em Projetos e Atividades, no âmbito dos Projetos Educativos dos AE/ENA (TEIP e/ou escolas com contrato de autonomia), nos últimos 5 anos letivos coloca-se em causa a justiça na colocação e a autonomia poderá resultar na colocação de amigos, enteados e conhecidos.
Como representante do Conselho Nacional de Educação, Vossa Excelência tem mais responsabilidades, devendo pugnar por uma colocação de professores mais justa e honesta, que respeite a graduação profissional (nota de final de curso + tempo de serviço).
Considera justo que um qualquer professor faça e tenha feito ao longo de muitos anos um enorme sacrifício, lecionando nas ilhas e continente deslocado de casa a muitos km, auferindo salários baixos para ganhar tempo de serviço, para depois ser ultrapassado por colegas menos graduados através de critérios muito pouco justos utilizados na “descentralização”?
Considera justo que um docente por ter apenas 25h de formação acreditada ultrapasse outro, que possui mais 5 ou 6 anos de serviço do que ele? Ou seja, uma simples formação de 25h qualifica mais um professor do que anos de experiência a lecionar em várias escolas e a trabalhar com os mais diferenciados alunos e níveis de ensino, assim como, nas mais diversas atividades cumprindo o projeto educativo da escola/agrupamento?
Mesmo critérios como a avaliação de desempenho e o desempenho de determinados cargos que à partida parecem critérios justos, não o são quando tais critérios não dependem unicamente do dinamismo e da qualidade do docente. A avaliação de desempenho é atribuída por cotas que muito dificilmente são atribuídas aos professores contratados por muita qualidade que os mesmos tenham demonstrado. A responsabilidade pela atribuição de determinados cargos é da total responsabilidade dos diretores das escolas e não do docente.
Sendo presidente do referido Conselho, peço que lute pela justiça e igualdade entre todos os cidadãos, através de uma colocação mais justa, o que sempre aconteceu quando esta era feita tendo por base apenas a graduação profissional do docente. O problema não é a centralização, o problema é precisamente o contrário: A TENTATIVA DE DESCENTRALIZAÇÃO.
Na expectativa de que o assunto exposto seja merecedor de análise por parte de V. Ex.ª, despeço-me com os mais respeitosos cumprimentos,
O Docente,
Jorge Rosa




13 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
concordo plenamente todos deviam mandar esta carta aos milhares, pode ser que assim vejam o que querem tapar com a peneira
esta história dos concursos está cheia de paradoxos. por exemplo, por que raio exigem, nos subcritérios formação creditada quando os professores contratados não são obrigados a fazê-la? se não são obrigados é imprescindível pois não estão na carreira. logo, deveria ser um critério não válido, ilegal, inconstitucional.
a respeito da proclamada descentralização, bastaria, se esses senhores quisessem, olhar para os concursos deste ano: o único que correu dentro de uma normalidade aceitável foi a reserva de recrutamento, precisamente aquele que não se insere nesse tão afamado paradigma da descentralização. as escolas têm muitas variáveis de atuar em nome da descentralização e da autonomia, desde áreas disciplinares, carga horária, etc. os concursos devem ser através da lista graduada. todos aceitam isso, sem grandes exceções.
tá visto que é preciso dar um módulo de formação aos directores “Como seleccionar os melhores critérios para a escolha do candidato mais acertado para um determinado grupo de recrutamento”.
obviamente que quis dizer prescindível, o contrário do que está em baixo plasmado.
Totalmente de acordo!
Quem é este David Justino? Um fulano que já foi ministro da educação?
Ah!! não se esqueçam que há presidentes de agrupamentos que não abdicam deste tipo de colocação, referindo que a abdicarem do mesmo, estão a abdicar da pouca autonomia que foi dada ás escolas………….imaginem porquê…..Eu conheço alguns.
eu também conheço infelizmente mas temos que denunciar
“A avaliação de desempenho é atribuída por cotas que muito dificilmente são atribuídas aos professores contratados por muita qualidade que os mesmos tenham demonstrado.”
As cotas medem distâncias, enquanto as quotas são atribuídas por universo. Pelo que há contratados a terem avaliação de Muito Bom e Excelente (esta só até 2012).
Deve haver cuidado quando se escreve e se divulga, pois este tipo de erros vem dar razão a quem anda a denegrir os professores.
Por outro lado, não se pode generalizar a utilização de critérios “estranhos”, pois diversos Agrupamentos optaram pelos critérios mais diretos, como tempo de serviço, habilitação académica e melhor ADD.
Além disso, diversos professores colocam respostas erradas, tendo que ser excluídos.
É pena quando as posições que se assumem só têm a ver com o próprio umbigo, chegando ao ponto de se culpar os diretores por não comprovarem os dados errados.
Já agora, entreguem o lugar de primeiro-ministro ao cidadão mais velho do país. Certamente, com a sua experiência de vida, será a pessoa mais qualificada!
PRESIDENTE
David Justino
[email protected]
http://www.cnedu.pt/pt/contactos/contactos
concordo plenamente todos deviam mandar esta carta – esta carta não pode se pode tornar em texto para criar uma petição e exigir abertura do debate na Assembleia. ?? o que pensam …. se nada fizerem estes senhores /directores avançam
Muito bem!