“Será que vou trabalhar para o ano?” As incertezas dos professores contratados
O final do ano lectivo representa o início da angústia e da ansiedade daqueles que ensinam a termo.
Carla Oliveira vive em Coimbra mas, em busca de uma colocação, já percorreu o país. É assim para os professores contratados: o último dia de aulas pode também ser o último dia de trabalho. São milhares nesta situação em Portugal.
“Assim que terminam as aulas e começam as primeiras reuniões de avaliação, a sensação é: será que vou fazer isto pela última vez?”, confessa Carla Oliveira à Renascença.
E férias? “Féria nenhumas! São todas passadas a ler blogues, a ler notícias, a estar atenta a alguma coisa que possa sair da parte do Ministério, que nos possa dar a mínima esperança para um futuro um bocadinho melhor”, revela a professora que tirou o curso há 11 anos.
Como contratada, Carla Oliveira, mãe de uma criança de cinco anos, vive em busca de uma colocação, sempre incerta. E as perspectivas para o ano não são animadoras.
“Se calhar, praticamente todos os professores contratados vão ficar sem emprego. A seguir, haverá um maior número de professores com horário zero. Isto, obrigatoriamente, vai-se repercutir ao nível da qualidade do ensino”, avisa, acrescentando que são “muitos mesmo” os professores que vão ficar de fora.
Ainda assim, para o ano, Carla vai voltar a concorrer para todo o país. Porque precisa de trabalhar.
Os sindicatos dizem que as mais recentes medidas do Ministério da Educação, tal como a revisão curricular e os mega agrupamentos, ameaçam levar para o desemprego dezenas de milhares de docentes.




7 comentários
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O drama dos professores contratados e também os do quadro.
Apesar da realidade do dia a dia ser igual entre os professores dos quadros e os contratados… a precariedade não tem nada a ver… Infelizmente muitos de nós (contratados) não vamos obter uma colocação no próximo ano letivo ao contrário da generalidade dos professores do quadro! A hecatombe vai acontecer nos professores das expressões.. que provavelmente vai levar a que a grande maioria dos professores contratados vão para o desemprego… e alguns quadros fiquem com horário zero.
Mas dizer que todos/quase todos os professores contratados vão para o desemprego, é um exagero e manifestamente exagerado! A percentagem de contratados da maioria das escolas deve andar bem acima dos 30% (a minha já se aproxima dos 50%)…
Com o que acabei de escrever não quero dizer que a situação não seja grave… É! Obviamente!!!!
O problema é que quando aparecem pessoas a dizer que vão TODOS os contratados para a rua (Mário Nogueira) e outros a dizerem coisas parecidas só levam ao pânico generalizado e, no início do ano vem o MEC a dizer que os números não têm nada a ver com os valores avançados pelos sindicatos e afins…
Quem me dera q assim fosse! Oxalá
!
Só de pensar na merd@ da fila da Segurança Social no dia 1 de Setembro… e que me levanto às 4 da manhã para ser o primeiro da fila… para não perder um dia de subsídio!
(Quando este sistema já deveria ser entre o Ministério da Educação e o da Seg.Social, que cruzavam informação sobre as colocações… eram horas de atendimento a fio que não se desperdiçavam… As escolas informavam via seg.social directa a colocação e era terminado o subsídio tb. )
Nunca tenho férias descansado, tem ela de estar sempre a ver se o ministério coloca mais um aviso a trocar as regras… apetece-me dizer …filhos da put@ há 10 anos put@ de vida… o povo esquece-se que nem 1000 euros ganhamos! comparem com um docente do quadro com o mesmo tempo de serviço que chega aos 1800euros…
para marido de professora.
compreendo-o perfeitamente,é desgastante.
estes profs são humilhados por esta cambada como nunca se viu.
esta enganado
eu tenho 19 anos de serviço e ganho 1400 euros
E o clímax dá-se nos finais de Agosto: «a angústia do guarda-redes antes do penalty» – Wim Wenders.