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Marcha Pela Escola Pública a Decorrer

Está prestes a começar a Marcha pela Escola Pública que vai descer da Praça do Marquês  até ao Terreiro do Paço, tal como em 2008.

Aos leitores do blog pedimos que na rede social do Facebook deste espaço possam colocar as imagens da marcha para memória futura.

E se encontrarem quem fez este cartaz dêem-lhe os meus parabéns pela enorme criatividade do mesmo.

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O Partido Socialista Mandou a Polícia Parar os Autocarros dos Professores?

… para verificar cintos de segurança (e o conteúdo de malas e mochilas? a sério?), quando em dias de futebol “grande” deixam vandalizar estações de serviço

 

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Eu Diria “Todos os Portugueses ao lado dos Professores”

… menos os rapadores dos tachos do Governo Socialista, dos seus amigos, familiares e afins.

 

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Existem Autocarros a Ser Parados pela GNR

Muitos relatos chegam-me de autocarros a ser parados na viagem a Lisboa.

Deve ser para revistarem os sacos com os fundos de greve dos professores.

 

Braga, 6 autocarros

Porto, 10 autocarros

Barcelos, 2 autocarros


Fafe, 6 autocarros

 

E muitos outros concelhos a caminho com bastantes autocarros.

Também muita gente se desloca de carro ou de transportes públicos.

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Paulo Guinote na CNN Portugal (c/ Vídeo) – Greve dos professores. A “tempestade perfeita” que ganhou “uma dimensão que ninguém estava à espera”

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Greve dos professores. A “tempestade perfeita” que ganhou “uma dimensão que ninguém estava à espera” – CNN Portugal

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De onde vem a revolta dos professores – Três retratos do que é dar aulas hoje

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Continua aqui:

De onde vem a revolta dos professores? Três retratos do que é dar aulas hoje | PÚBLICO

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Maioria Dos Portugueses Ao Lado Dos Professores

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Maioria dos portugueses ao lado dos professores – Atualidade – Correio da Manhã

 

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A Caminho de Lisboa

Neste artigo, em especial nos comentários no Facebook podem deixar as vossas imagens da viagem com destino à “Marcha Pela Escola Pública”.

Podem dizer de que concelho se deslocam e quantos autocarros saem desse concelho.

São 278 concelhos que existem em Portugal Continental e se cada um tiver em média 4 autocarros teremos um mínimo de 50 mil pessoas na Marcha.

Se outros 45 mil  se deslocarem por meios próprios, o número chegará muito próximo dos 100 mil.

A todos os que se deslocam para se manifestarem em defesa da escola pública desejamos uma excelente viagem, com esta música a acompanhar.

 

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A Conferência Do Ministro Costa Analisada A Régua e Esquadro

A Conferência Do Ministro Costa – O Meu Quintal

Já agora:

 

A Grande (E Única?) Novidade Da Conferência De Imprensa Do Ministro Costa Foi…

… que existe uma cirurgiã em Portugal que tem o telefone do ministério ou do ministro e que vai com o telemóvel para a entrada do bloco operatório.

Se eu achasse que a história era real e que a dita médica abandonou a cirurgia por causa da greve dos professores, perguntaria em que hospital ela trabalha, para o evitar no caso de ter uma unha encravada. Ainda bem que foi completamente cilindrada pelo André Pestana e, em especial, pela Rita Garcia Pereira, num debate para o qual não tem qualquer tipo de competências.

(…)

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A Grande (E Única?) Novidade Da Conferência De Imprensa Do Ministro Costa Foi… – O Meu Quintal

 

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498 Aposentados Até Fevereiro de 2023

Com a publicação do aviso n.º 226/2023 (lista mensal de aposentados em fevereiro de 2023) já são 498 os docentes que estão aposentados neste ano civil.

A média destes dois meses apontam para o número previsto de 3515 aposentados em 2023.

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Lista Colorida – RR16

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR16.

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482 contratados colocados na RR16

Foram colocados 482 contratados na Reserva de Recrutamento 16, distribuídas da seguinte forma:

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Conferência de Imprensa da equipa ministerial

 

Na conferência de Imprensa, João Costa, referiu que esta greve tem impacto mínimo para os professores e impacto máximo para as crianças e encarregados de educação.

“A forma de luta quer parecer desprezar as negociações em curso.

Esta greve não tem razão de ser, é atípica e desproporcional.

É vital tornar a carreira docente mais atrativa e valorizada.”

Ainda não há resposta aos pareceres sobre a greve dos professores.

O ministro está disposto a continuar no cargo.

Não descarta a imposição de serviços mínimos. (secretário de estado)

A execução da greve não bate certo com o que está nos pré-avisos de greve.

A imprevisibilidade da greve está a levantar duvidas ao ministério sobre a sua legalidade.

 

 

 

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Hoje, às 19 Horas

Vai ser certamente uma tentativa de esvaziar a Marcha de amanhã, com os mesmos argumentos de antigamente.

Presumo que seja para garantir que nenhuma competência na colocação dos professores passe para as autarquias.

E isso não vai desmobilizar um único professor.

 

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A DESINFORMAÇÃO DO GOVERNO. QUEM MANIPULA E ENGANA AGORA?, Luís Braga

Não sou jurista mas, hoje, à porta da escola, onde estava a explicar como funciona nela o processo de encerramento, como subdiretor e professor dela (ontem tivemos a Inspeção, a mando expresso do Governo, a perguntar, vejam lá a coincidência….), tive de responder a uma prova oral jornalística de lei da greve. Dizem-me que estava com um aspeto zangado.
Há coisas que não consigo calar. Uma delas é a repugnância de ver gente responsável numa Democracia tentar fazer os outros de burros aproveitando a falta e manipulação de informação. Titulares de órgãos de soberania a manipular o povo com a lei mexe com uma corda sensível minha.
Já tive muitos problemas porque, quando invoco uma lei digo qual é (indo à alínea, do ponto, do artigo, do decreto).
O governo diz é “ilegal” é pronto, os jornalistas nem fazem a pergunta seguinte: “diga lá qual é a lei, para eu ver com os meus olhos”.
Ontem, vi o Presidente da República a comentar a greve, que não é intermitente, como se fosse.
Não creio que, se estivesse bem informado pelo Governo, um jurista ilustríssimo como é, tivesse aquela prestação deslizante sobre o Parecer (que se devia chamar Papão, porque é assim que está a ser apresentado).
Por isso, esta manhã, estava zangado. É mais forte que eu: sou de História, que é um ramo de formação de dedicação à Verdade e não de torção de palavras.
OS FUNDOS DE GREVE SÃO ILEGAIS, ANDAM PARA AÍ A DIZER….
Qual é a norma de que lei que os proibe expressamente? Mostrem-ma e aceito conversar sobre o tema. E já perguntei, muitas vezes, e a gente sábia, e nada.
E o ministro diz que é ilegal, mas não diz qual é a norma em que se baseia.
É muito curioso que o Governo e a Fenprof concordem nesta doutrina peregrina de que não pode haver fundos de greve. Mas não digam qual é a lei ou norma que proíbe.
Uma greve, que junta trabalhadores de várias categorias (que fazem greve em simultâneo), não pode ter uma forma de ação solidária, porquê?
Porque o Senhor Ministro não gosta?
Ser ilegal, não é o ministro não gostar, é haver uma lei que o diz.
Os jornalistas deviam perguntar porque, quem diz que é legal, pode cair na chamada prova diabólica. Provar uma inexistência. E isso é injusto. Quem acusa em público deve provar em público.
AS ILEGALIDADES SÓ SOPRADAS AOS JORNALISTAS …..
E, já agora, isto vale também “para a greve ilícita”, “para o modelo por tempos”, “para as consequências” (onde estão as normas invocadas pelos titulares de poder e sindicalistas encartados do costume?).
Somos todos alfabetizados e sabemos ler. Quem é que agora está a tentar manipular, não é, senhor MInistro? Quando entra a jogar o gabinete de comunicação do Governo a coisa muda?
E, já agora, a greve começou em dezembro e, só agora, que arde forte, é que passou a ser ilícita.
Um acampamento está bem, uma greve que fecha escolas é “ilicita”, porquê?
AINDA BEM QUE FALAM COM OS PROFESSORES MAS AS PERGUNTAS SÃO PARA O GOVERNO
Não era a quem faz greve que os jornalistas deviam perguntar pela legalidade, é a quem invoca ilegalidades que não explicam e leis, que dizem muita coisa, mas não são mostradas.
É normal que um ministro, que sofre a maior greve de que há memória da Educação, ande infeliz, mas isso não lhe dá o direito de inventar Leis. Por isso, calo-me quando mostrarem a lei. Quem as invoca tem de as mostrar.
Os fundos de greve estiveram expressamente previstos na 1ª lei da greve pós-25 de abril.
Estavam expressamente previstos, no mesmo artigo que prevê os piquetes.
Essa parte foi retirada, mas sê-lo não significa proibição. Significa que deixou de ser relevante tanta regulação ou até que deixou de ser preciso regular o que não suscitava dúvidas (deixo para os juristas a longa discussão do assunto).
Já revirei, perguntei, questionei com insistência.
É PROIBIDO? ONDE ESTÁ A NORMA PROIBITIVA?
Eu sei que o senhor ministro também não é jurista e, apesar dos seus líricos discursos sobre direitos humanos e cidadania, que, estamos a ver, eram cinismo de marketing, não parece ter muito amor aos direitos fundamentais (a julgar pela forma como anda a tratar quem exerce o seu direito à greve).
Mas é ilegal, porquê? Ou está a deixar a argumentação oculta porque sabe que não há realmente base e o objetivo é tentar desmobilizar acenando com o papão? A ver se ainda vai a tempo de marcar uns pontos antes da manifestação de amanhã…..
Deixo o artigo do Piquete na lei e o sublinhado talvez ajude a responder.
Não sou jurista mas sei ler.
Artigo 533.º
Piquete de greve
A associação sindical ou a comissão de greve pode organizar piquetes para DESENVOLVEREM ATIVIDADES TENDENTES A PERSUADIR, por meios pacíficos, os trabalhadores a aderirem à greve, sem prejuízo do respeito pela liberdade de trabalho de não aderentes.

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Hoje

É véspera da Marcha pela Educação em Lisboa e muitas escolas, senão quase todas, marcarão presença amanhã no Marquês de Pombal.

Por todo o lado hoje fecharam-se escolas e outras mantiveram a presença do pessoal docente, não docente e alunos à porta das escolas no 1.º tempo.

Luís Braga, foi muito claro sobre a iniciativa do Ministro da Educação que mandou investigar os fundos de greve. Responde Luís Braga, diga lá qual é a lei, para eu ver com os meus olhos“.

Paulo Guinote ocupou mais de 10 minutos na CNNP onde foi muito claro sobre os motivos que levam os professores a fazer greve.

Na minha escola, pela primeira vez nesta greve do S.TO.P.,  encerraram todas as escolas do Agrupamento e mais de meio autocarro está pronto para rumar amanhã a Lisboa.

Dificilmente erro nos números e conto que amanhã o número de manifestantes ande mais perto da centena de milhar, do que da meia centena de milhar.

As imagens de hoje serão colocadas mais pela noite.

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Paulo Guinote na CNNP

Greve dos professores. A “tempestade perfeita” que ganhou “uma dimensão que ninguém estava à espera”

 

 

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O professor e autor do blog “O Meu Quintal”, Paulo Guinote, esteve esta sexta-feira no Novo Dia da CNN Portugal. O docente explicou a sucessão de factos que culminou na greve nas escolas a que Portugal tem estado a assistir este mês.

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Mais uma Associação de Pais em Defesa dos Professores

… daquelas que conhecem os verdadeiros problemas da sua escola e não recebem subsídios do Ministério da Educação.

Associação de Pais da Escola Secundária Alberto Sampaio, Braga

Greves dos Professores – Comunicado da Confap e demais subscritores.
Declaração de interesses: somos associados quer da Confederação Nacional das Associações de Pais, quer da FAP-Braga.
Recebemos o “Comunicado sobre a Greve dos Professores” da CONFAP e tomamos conhecimento da subscrição feita pela FAP-Braga.
A nossa posição diverge em muitos aspectos referidos neste “comunicado” e porque “no silêncio dos Justos, medram as Bestas*” importa esclarecer, repudiar e apoiar.
A APESAS já anda preocupada com o rumo da educação pública há muitos anos!
Parece que chegamos a mais uma “curva” neste longo e penoso caminho que é a escola pública em Portugal!
Há muito que repudiamos o desinvestimento, o aligeirar da avaliação, a redução de meios humanos e materiais, as cortinas de fumo da “inclusão”, a falta de democracia na gestão dos agrupamentos, o constante aviltar da figura e da autoridade do professor, a leviana alteração de programas; a incompreensível organização do acesso ao ensino superior, a paupérrima atenção dada ao ensino profissional, vocacional, recorrente ou quejandas alternativas aos programas tradicionais de ciências e humanidades; a prepotência das organizações representativas de pais, a permanente desumanização do ambiente nas comunidades educativas, em suma, ao desleixo ético e material em que caiu a escola pública e as comunidades educativas que nela gravitam!
Todos teorizam sobre o papel da escola pública, mas parece que só poucos se preocupam com as consequências do que defendem!
A falta de responsabilização grassa sem freio!
Todos queremos qualidade, mas pouco assumem que exigirá trabalho empenhado, exemplos cristalinos de quem governa, efectiva responsabilização de quem falta ao cumprimento pontual das regras, ao efectivo cumprimento das normas, ao respeito pelo estado de direito democrático e pela ética republicana!
Queremos do bom e do melhor desde que sejam os outros a pagar a jantarada!?
E isto dura há muito, muito tempo! Estava anunciado que iria estoirar e, não havendo garantias de que seja agora, tarde ou cedo teremos de mudar de atitude para mudar de ambiente na escola pública!
O governo é eleito para cobrar receita, fazer despesa e tratar do bem comum!
Na educação não o tem feito e a factura já vai longa e será sempre paga por nós que não somos “herdeiros opulentos”, “subsidiados perenes” ou “oportunistas sortudos”! É a nós e aos nossos filhos que a falta deste “elevador social” vai prejudicar! Quem exerce o poder ou gravita perto dele parece conseguir escapar a este destino!
Apoiamos a acusação ao governo: ele já devia ter tomado medidas para garantir que os encarregados de educação fossem remunerados pela assistência a crianças e jovens com necessidades especiais ou menores de 12 anos!
O governo já sabia que ia ter greves e que elas iam perturbar os “inocentes” e as suas famílias.
Quanto aos serviços mínimos: todos sabemos que eles são definidos em lei e ninguém se pode escudar no desconhecimento da mesma para urdir cenários fantasiosos ou apelar à violação da legalidade democrática.
Recorde-se que a greve na função pública ou equiparada, constitui um direito fundamental dos trabalhadores traduzido na liberdade de recusar a prestação de trabalho contratualmente devida com o objetivo de pressionar os órgãos da administração pública a atender às suas reivindicações, salvaguardados que sejam os serviços mínimos
“Serviços mínimos” é um conceito indeterminado que releva de interesses fundamentais da coletividade, dependendo em cada caso da consideração de circunstâncias específicas, segundo juízos de oportunidade.
A greve é precedida de aviso prévio e implica a obrigação da prestação de serviços mínimos no caso dos serviços que se destinem à “satisfação de necessidades sociais impreteríveis” ou os “serviços necessários à segurança e manutenção do equipamento e instalações”!
Confira-se o artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa e os artigos 394.º a 399.º, com destaque para o nº2, alínea d) do artº 397 da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (LTFP), aprovada pela Lei n.º 35/2014, de 20 de junho e artigos 530.º a 543.º do Código do Trabalho.
Ora basta analisar o investimento e a atenção que a sociedade e os governos dão à escola pública para concluir que não se trata de “serviço que se destine à satisfação de necessidades sociais impreteríveis”, logo que exija “serviços mínimos”.
Claro que para muitos pais e algumas das nossas congéneres, quer parecer que estaremos perante um caso de “serviço necessário à segurança e manutenção do equipamento e instalações” onde se pode depositar as crianças e jovens enquanto se ganha o pão que se reparte com o governo e que se colocará na mesa! Se a escola pública é isto, então venham de lá esses “serviços mínimos”!
Já que citamos a lei convidamos todos a instruírem-se e a moderar as suspeitas que se levantam!
As greves são, felizmente, originais, mas não podemos sequer suspeitar que os tribunais, a Procuradoria Geral da República, os órgãos de investigação e demais garantes da legalidade não tenham já analisado os contornos destas! Se houvesse algo errado já teria vindo a lume!? Sugerir que assim não é merece total repúdio!
Até prova em contrário somos todos bons rapazes (…enquanto houver dinheiro, dirão alguns cínicos!?)
Todos queremos comunidades educativas serenas e onde todos os membros da comunidade educativa se desenvolvam harmoniosamente.
Todos sonhamos com comunidades educativas onde a justiça e a equidade impere, onde o estado de direito democrático e os valores inerentes à ética republicana reinem equilibradamente.
Todos desejamos as melhores condições de crescimento para as crianças e jovens!
Todos almejamos uma escola pública dotada de recursos que permitam o desenvolvimento de competências, a aquisição de saberes, a humanização de todos e um efectivo “elevador social” que permita uma equitativa oportunidade a todos independentemente das origens socioeconómicas, religiosas, étnicas, culturais, etc….
Isto faz-se com trabalho, investimento rigoroso e justiça de todos, para todos (professores, pais, alunos, assistentes, directores, chefias intermédias, municípios, governos e todos os outros membros da comunidade educativa)!
Estamos mal, sobretudo nós os mais pobres, mas só juntos é que podemos virar a página desta novela de mau gosto em que o governo e outros protagonistas nos obrigam a viver!
Apoiamos as exigências dos professores, dos educadores e dos assistentes, compreendemos e temos que aceitar algumas derivas, mas não podemos tolerar tentativas de ruptura dentro das nossas comunidades educativas, protagonizadas por aqueles que, fossem isentos, mais deveriam apoiar uma mudança consistente desta escola pública!
Claro que desejamos que o governo se sente à mesa com os professores, os educadores e os assistentes para definir uma estratégia de reposição da legalidade e de novas regras conducentes a um convívio sadio no mundo da escola pública!
Claro que isto custa dinheiro, mas o governo tem alternativa: entregue a escola pública à banca ou à TAP e porque aí o dinheiro parece nunca faltar, essa parte do problema ficará resolvida!
Aos grevistas o nosso profundo agradecimento e o nosso apoio. Enquanto aqui estivermos “as bestas não medrarão”!
“Nunca se perde tempo com aquilo que amamos” lema da E.S. de Alberto Sampaio, em Braga.
* in Reflexões; Lourenço de Abrigueiro, 1967.

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CNN Portugal (c/ Vídeo) – Jornada de contestação dos professores continua. Em Lisboa, Penafiel, Algarve e Setúbal as aulas deram lugar à luta

(…)

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Jornada de contestação dos professores continua. Em Lisboa, Penafiel, Algarve e Setúbal as aulas deram lugar à luta – CNN Portugal

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RTP (C/VÍDEO) – Jurista Considera Legal Pagamento De Dias De Greve Com Dinheiro De Professores

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Continua aqui: 

Jurista considera legal pagamento de dias de greve com dinheiro de professores

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Reserva de recrutamento n.º 16

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 16.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 16 de janeiro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 17 de janeiro de 2023 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 16

Listas – Reserva de recrutamento n.º 16

 

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Costa(s), os Professores Têm Toda a Razão!

 

Bom dia.

Sou professor e autor deste cartaz / cartoon que fiz como crítica que gostaria de partilhar convosco. Sou professor e nesta luta critico a desvalorização da nossa carreira, esperando que o Presidente da República, que é também professor, interceda por nós!
Se acharem pertinente o cartaz e quiserem dar alguma visibilidade a ele, era o objetivo, pelo que posso disponibilizá-lo e permitir a sua replicação, para as manifestações, incluindo a de Lisboa.
Obrigado pela atenção.
Boa sorte !
João Pedro Lima

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Quais os motivos que levam os técnicos a aderir à greve?

– O relato de uma psicóloga escolar –

 

Vejo a minha classe profissional a manifestar a necessidade de ter uma carreira especial desde que comecei a trabalhar como psicóloga no Ministério da Educação. Espantem-se: nós já tivemos as nossas funções, direitos e deveres regulamentados! Porém, posteriormente, fomos englobados na carreira geral da Função Pública, o que representou um retrocesso na dignificação da nossa profissão. Veja-se alguns exemplos:

– Apesar de os psicólogos escolares se orientarem por um código deontológico, algumas direções deixam claro que este fica “à entrada da escola”, manifestando uma imposição de conduta, como que se tivéssemos de responder primeiramente ao que cada agrupamento entende ser da nossa atuação profissional.

Um dia, um antigo diretor de um agrupamento onde trabalhei, com o seu lápis azul, ousou ler e modificar pedidos de encaminhamento de alunos para serviços de saúde exteriores, com o argumento que teria o dever de conhecer e controlar a informação!

Mesmo denunciando à Ordem dos Psicólogos Portugueses e ao Ministério da Educação, estas situações persistem, pelo que urge a regulamentação e o reconhecimento da autonomia técnica e científica da nossa classe.

 

– Incompreensivelmente os diplomados em Psicologia continuam sem habilitação própria para a docência, estando impossibilitados de lecionar essa disciplina.

 

– Embora a Ordem dos Psicólogos Portugueses tenha criado as especialidades profissionais e o Referencial Técnico para os Psicólogos Escolares, os quais clarificam as suas competências e os domínios de intervenção, os agrupamentos teimam frequentemente em solicitar a intervenção do psicólogo escolar como se se tratasse de um psicólogo clínico. Atrevo-me a dizer que é o mesmo que pedir ao INEM, responsável pelos primeiros socorros, que faça o mesmo que um médico cirurgião. Ambos são fundamentais na assistência médica, mas assumem funções e campos de atuação distintos.

 

–  Há anos que os psicólogos efetivos e que trabalham longe da sua residência reclamam maior facilidade na autorização da mobilidade geográfica e na sua consolidação. Este problema agravou-se seriamente com os que obtiveram vínculo contratual através do Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública. Não temos direito à mobilidade por doença, a permuta ou a apoios monetários por deslocação. Esta situação é incomportável com os custos associados e impossibilita a conciliação com a vida familiar. Perante estas pessoas (sim, porque se tratam de pessoas, muitas com família e algumas com doenças crónicas), o Ministério da Educação teima em mostrar frieza e insensibilidade.

 

– Precisamos de tempo e condições para tarefas “não visíveis” como planificar atividades, construir materiais, elaborar relatórios e pareceres. Seria fundamental que todos os psicólogos escolares tivessem no seu horário definido horas de trabalho indireto porque se há diretores compreensivos a este nível, também há os que se mostram inflexíveis e ignoram todas estas necessidades.

O mesmo se aplica às pausas letivas: alguns psicólogos estão na escola e outros estão em casa (a trabalhar ou a usufruir desse período). Outros organizam-se de forma rotativa com colegas. Para uma classe que lida com questões emocionais desgastantes e que habitualmente tem excesso de trabalho – por serem poucos para muitos – é importante proteger a sua saúde mental. As pausas letivas podem e devem servir para esse propósito. Promovemos a saúde mental nas escolas, mas a escola/Ministério também deve fomentar a saúde mental dos seus trabalhadores.

 

– Há anos que os psicólogos técnicos especializados veem os seus contratos renovados sem se perspetivar a obtenção de um vínculo contratual estável.

 

Os psicólogos escolares denunciam estas situações há muito, mas tem faltado coragem política para as resolver. Porque há necessidade de regulamentar a nossa carreira e de dignificá-la, junto-me a esta greve!

 

Petições dos técnicos do Ministério da Educação:

Pelo direito de aproximação à zona de residência

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT114380

 

 

Pela não inclusão no processo de municipalização

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT114381

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A Verdade Nua e Crua – Uma Classe Política Corrupta Até ao Tutano que Tem Um Ódio Visceral aos Professores

(…)

Aqui:

E Agora, Um Espaço Para Prosa Longa – O Meu Quintal

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Quem está com um erro de perceção é João Costa

Se é verdade que o modelo de contratação foi a gota que fez transbordar o copo, também é verdade que o copo já estava cheio de injustiças, que se foram acumulando ao longo dos últimos 20 anos.

Quem está com um erro de perceção é João Costa

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Está solidário com a greve parcial por tempo indeterminado dos professores?

 

 

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DECLARAÇÃO, urbi et orbi, do Movimento de Professores do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital

Hoje, a maioria dos professores do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital fizeram greve e fecharam a escola sede e outras escolas deste grande agrupamento.
Entretanto, estes professores entregaram uma declaração à Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital.

 

DECLARAÇÃO, urbi et orbi, do Movimento de Professores do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital, 5-01-2023

 

 Nós, educadores e professores do ensino básico e do ensino secundário do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital (AEOH), consideramos que sucessivas leis, discursos, práticas e desígnios, mais ou menos encobertos, assumidos pelo atual Governo e o seu Ministro da Educação — e que, em muitos aspetos, reproduzem o modus operandi dos últimos Governos e Ministros da Educação — desqualificaram a nossa profissão e tornaram o nosso trabalho na escola extenuante, frustrante e quase impraticável.

Por isso, exigimos mudanças nas políticas educativas.

Queremos uma legislação que combata a indisciplina nas escolas e proteja professores e alunos.

Não queremos mais ser asfixiados por burocracias inúteis, controleiras e mistificadoras, que nos esgotam e roubam tempo para pensarmos, investigarmos e planificarmos aulas.

Queremos que o nosso trabalho na sala de aula seja respeitado e encorajado.

Não queremos uma avaliação de professores assente em critérios etéreos que tendem a premiar os mais habilidosos e a penalizar os mais empenhados, assim como a bloquear ardilosamente a progressão na carreira docente.

Queremos aceder a uma formação de professores séria, que não despreze a nossa atualização científica enquanto glorifica cursos de formação, mais ou menos imprestáveis, nas áreas da capacitação digital, da avaliação pedagógica e dos mindfulness.

Não queremos ser recrutados por autarcas e diretores escolares conluiados e instigados por motivações subjetivas já tão institucionalizadas neste país de «brandos costumes», mas sim por concursos nacionais que selecionam os professores com melhores currículos académicos e profissionais. Sabemos, aliás, que as aspirações de criar um sistema educativo descentralizado num país pequeno, em termos territoriais e demográficos, foram já experimentadas por governos da Monarquia Constitucional e da I República, mas revelaram-se sempre ineficazes e dissolutas.

Queremos a devolução integral dos 9 anos e 4 meses de serviço que cumprimos e que nos foi usurpado para efeitos de aposentação e de progressão na carreira.

Enfim, desejamos que a configuração do nosso sistema educativo seja construída também com a participação dos “professores operários”, que pisam, todos os dias, o chão das salas de aula, e não exclusivamente decretada, de cima para baixo, por políticos e tecnocratas que ignoram, olimpicamente, os problemas quotidianos enfrentados por alunos, professores, assistentes operacionais e outros técnicos que trabalham nas escolas.

Basta!

Consideramos que chegámos ao limite das nossas forças. Sentimo-nos traídos e menorizados por um ministro da Educação que exige o sacrifício dos professores, estrangula muitos de nós com excesso de trabalho, com trabalho precário, com trabalho nómada, com trabalho mal pago, sem nos compensar com a mais elementar solidariedade.

Temos a convicção inamovível que estamos do lado certo da História. Que empenhamos a nossa honra, sacrifício e parcos salários em prol de uma luta difícil que visa dignificar a carreira docente e tornar a escola pública mais justa, exigente, inclusiva e fraterna, nos domínios da formação e educação cívica, científica e/ou profissional.

Por estas e outras razões que não cabem num documento como este, declaramos, à comunidade local e ao país, que a escola pública vai continuar a viver tempos de intensa instabilidade que só será superada quando este ministro da Educação demonstrar genuína disponibilidade para negociar com educadores e professores um novo presente e futuro para a educação nacional.

 

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Desafios – Correntes

120 mil Professores em Greve Num Tempo Lectivo

120 mil professores em greve a pelo menos um tempo lectivo no mesmo dia, é uma resposta adequada à legal consulta de legalidade das greves em curso. Regista-se a dispersão sindical e até um reduzido alheamento. Mas as justas causas relacionam-se com todos os professores e com o cerne da profissão no ensino público; e merecem, no mínimo, actos solidários.

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Tudo vale a pena quando a Greve não é pequena!

A greve dos professores é necessária, assim como a greve cirúrgica dos enfermeiros foi imprescindível. E porque é que eu encontro aqui muitas semelhanças? São dois tipos de greve massivas, bem organizadas, populistas, justas e bem fundamentadas. Hoje o governo pede um parecer à justiça sobre a legalidade da greve numa tentativa frustrada e desconcertada pôr termo à greve. De inibir os direitos dos trabalhadores. De emudecer uma classe em luta pela justiça da profissão, mas também pelo salvamento da escola pública. Tudo isto decorre sobre uma governação fraca, punitiva, pouco empática, que não assume responsabilidades. Que diz e desdiz e volta a contrariar, baralha para dizer que afinal os professores estão confusos (ou talvez senis) de tão envelhecida classe. Não faltará muito tempo a chamá-los de criminosos como foram os enfermeiros apelidados quando se uniam deseperados pelo despedaçar mordaz da profissão, sem qualquer piedade. Eu senti isso na pele. Os meus colegas sentiram isso na pele. As lutas de egos. Os poderes. Os dedos apoentados à cara. Os insultos. As bofetadas sociais e o enxovalhamento. A falta de apoio. Mas tudo isto serviu, pelo menos, para que todos entendessem a importância da união da classe profissional e falta que os enfermeiros fazem no sistema, mesmo com cuidados minimos. A greve cirurgica foi uma solução que entendi, desde sempre, como um ato de grande revolta pela surdez crónica de sucessivos governos. Os professores estão numa barca frágil onde outrora eu também já tive que remar.

Não deixem, por nada, que vos absorvam os direitos de uma luta justa pela educação e formação de um país decadente. Saibam que a última palavra é vossa. Eu também sou formador na escola pública e trabalhei anos, lado a lado, com professores heróicos, empenhados, com iniciativas educativas importantes que constroem, muitas vezes, do seu tempo pessoal e do seu dinheiro. Eu sinto-me um pouco professor porque provei várias vezes dessa dor. Aprendi muito, lado a lado com eles, sobre resiliência e motivação na escola pública, enquanto formador.

Os professores têm um trabalho desgastante. Levam para casa uma cabeça rota de problemas, preocupações, decisões que influenciarão, provavelmente, vidas de pessoas para sempre. Eu também, quer seja dentro da sala de aula ou dentro do internamento hospitalar.<
Quero, de resto, agradecer, a luta, a força e a audácia que têm e, ainda que esta seja uma mera publicação pessoal, dizer-vos que não estão sozinhos. Vão à luta!!

 

Hélder Teixeira, Enfermeiro

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Para Que Não Restem Dúvidas

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Quem trava agora a luta dos professores? – Carmo Machado

 

Desta vez, os professores exigem que este périplo de desprezo relativamente ao seu trabalho termine, escreve a docente Carmo Machado

Quem trava agora a luta dos professores?

Finalmente, a tão sonhada união dos professores de Portugal está em curso. Cansados do desprezo descarado de que têm sido alvo pelos sucessivos governos – independentemente da sua cor – saíram à rua e puseram em curso um movimento de luta que se pode resumir na resposta de quem, profissionalmente, já não tem nada a perder porque já praticamente perdeu tudo: o tempo de serviço, o direito a uma carreira justa,  o respeito dos sucessivos governantes, uma atualização salarial, a dignidade profissional e a paciência. E conseguiram esta união sem os inúmeros bafientos sindicatos de professores que tão bem têm contribuído para a desunião da classe e a destruição da sua imagem perante a sociedade.

Tendo na forja uma alteração aos concursos e a descentralização de competências no setor da educação para as autarquias, o Ministro da Educação e a sua equipa talvez não contassem que esta tentativa (entretanto refutada) de municipalização da educação viesse desencadear uma torrente de revoltas. Depois da desilusão, do desânimo e da inação dos últimos anos, a classe docente decidiu tomar finalmente as rédeas do ensino em Portugal. E de todos os distritos do País começaram a surgir notícias de professores em greve, manifestando-se em frente às escolas, pela dignidade da sua profissão. Pouco a pouco, este movimento de revolta foi crescendo, alastrando-se a toda uma classe que há muito se sente vilipendiada nos seus direitos e ridicularizada nas suas obrigações.

Não parece ser já fácil parar os professores sem que antes lhes sejam reconhecidos direitos essenciais que assegurem o mínimo de condições para viver condignamente como a contabilização de todo o tempo de serviço, a reestruturação da carreira docente, antecipação da idade de reforma, entre outros. E tudo isto levado a cabo pelo mais recente sindicato que representa todos os professores (S.T.O.P.), provocando o tão necessário abanão de que a classe precisava. Apesar de as duas maiores estruturas sindicais de professores, Fenprof e FNE, e outros oito sindicatos independentes terem recusado aderir a esta greve, os professores (sindicalizados ou não) finalmente perceberam que era altura de mudar as regras deste jogo que só os prejudicava e do qual saíam sempre perdedores. As diferentes tutelas do pelouro da Educação, os diversos ministérios e ministros, de vários Governos e diferentes quadrantes políticos, têm vindo sucessivamente a desvalorizar  os professores de Portugal. E mesmo depois de terem assistido ao importante papel desempenhado por estes ao lado de outras forças prioritárias nos períodos de confinamento decorrentes da pandemia Covid-19, durante os quais o ensino funcionou de forma não presencial – em que da noite para o dia os professores montaram uma escola à distância com os seus próprios meios – continuam sem promover qualquer tipo de valorização da classe. A tutela nunca percebeu – ou não quer perceber?  – do que se está realmente a tratar quando se trata de professores:  da garantia de futuro e de progresso de um país.

Desta vez, os professores exigem que este périplo de desprezo relativamente ao seu trabalho termine. O S.T.O.P. convocou uma greve para todo este mês de janeiro que, para além de rejeitar as propostas de alteração aos concursos, exige resposta a muitos outros problemas antigos. E os professores aderiram. Há escolas fechadas por todo o País. Há assistentes técnicos e pessoal auxiliar que se uniu aos docentes nesta mesma luta. Há professores que nunca antes fizeram uma greve ou participaram numa marcha a empunhar cartazes e a preparar-se para rumar a Lisboa no próximo sábado, 14 de janeiro. Porque estão zangados. Porque estão cansados. Porque estão fartos de ser joguetes nas mãos dos (des)interesses políticos. Porque, como diz uma entre muitas vozes nesta profissão, a da professora Helena Rechena, urge restaurar a autoridade do professor em Portugal mediante a adoção de medidas concretas e efetivas de combate à indisciplina e displicência; importante será também que os professores deixem de se sentir manietados por uma teia burocrática kafkiana, desprovida de qualquer mais valia prática e que os obriga a justificar/fundamentar toda e qualquer decisão; que lhes seja reconhecido o seu papel fundamental na sociedade acompanhado por um ordenado condizente com a sua responsabilidade; que vinculem os professoras contratados, durante décadas com a casa às costas a suprir necessidades do sistema, com salários estupidamente ridículos, sem direito a progressão na carreira e, em muitos casos, a centenas de quilómetros das suas residências; que as quotas para acesso aos 5º e 7º escalões sejam eliminadas de vez e que a todos seja feita justiça através da contagem integral do tempo de serviço prestado ao País.

Sem a obtenção de respostas concretas a estas reivindicações, quem vai conseguir parar os professores?

 

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Maior Prejuízo Irreparável é Termos Juristas Assim

Greve dos professores pode causar “prejuízos irreparáveis”, defende jurista

 

Especialista em Direito do Trabalho considera que o Governo deveria ter equacionado decretar serviços mínimos logo que os pré-avisos de greve foram entregues.

 

O que está a acontecer nas escolas, com as greves dos professores, está a criar uma “situação demasiado grave” para exigir que o Governo reflicta, no mínimo, se se “justifica decretar serviços mínimos”, defendeu nesta quinta-feira o advogado especialista em Direito do Trabalho, Luís Gonçalves da Silva.

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Hoje

Agrupamento de Escolas do Viso, Viseu

Agrupamento escolas de Resende

Passos Manuel, Lisboa

Escola comandante Conceição  e Silva, Almada

EB António Correia de Oliveira – Esposende (2º Dia)

Agrupamento Escola Canelas, Vila Nova Gaia

Agrupamento D. Maria secundária e EB2,3 Lamaçães Braga

Agrupamento de Escolas da Nazaré

Agrupamento de escolas de Pedrouços

Hermenegildo Capelo – Palmela

Escola Dr. José Leite de Vasconcelos, Tarouca

Escola Secundária Viriato – Viseu

Agrupamento de Escolas de Monção

EB Azeitão: encerrada pelo segundo dia

Escola da Brejoeira, Azeitão

Luciano Cordeiro – Mirandela

Escolas do concelho de Paredes

 

Escola Básica Deu La Deu Martins Monção

EBS Canelas, Gaia – pessoal docente e não docente

Escola Secundária D.Manuel Martins (2.º dia encerrada)

Agrupamento de escolas da Sé – Guarda

AE Cerco, Porto

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ORIENTAÇÕES SOBRE A GREVE EM DGESTÊS – Luís Sottomaior Braga

 

Existe um tipo de linguagem a que chamo o Dgestês.
Há vários séculos havia uns textos jurídicos e normativos chamados Digesto.
Foram essenciais na história do Direito e eram coisa mais clara e objetiva.

O Dgestês é, por seu lado, uma prosa redonda, às vezes confusa, até criptica, cheia de conceitos gerais e indeterminados e muitos gerúndios e particípios (marcas de uma linguagem de passividade).

Muitas vezes, transcreve a lei, na esperança de que o ato de a exibir e fazer ler transcrita ilumine por infusão, mas sem hermenêutica, os consulentes.

O Dgestês interpreta mal e quase sempre adianta pouco a quem conheça o artigo 9º do Código Civil e tenha umas luzes dos princípios do CPA.

Há 15 anos, ganhei um processo contra o Ministério no Supremo, por causa destes tiques de escrita pouco criativa de quem faz estas “orientações”.

Da minha prática de 28 anos de servidor do Estado, dirigente em 2 ministérios, 2 cursos de administração escolar bem tirados, um CADAP e uma passagem fugaz, mas estudiosa e com sucesso escolar, de um par de anos, numa faculdade de Direito, concluí, há muito, que o Dgestês é um dos ramos mais paradoxais do chamado “Direito circulatório”.

UM EXEMPLO DE DGESTÊS NA GREVE

Nestas “orientações” não desilude as minhas expetativas.

Afirma o que já sabemos porque lemos bem a lei: NÃO PODE HAVER SUBSTITUIÇÃO DE TRABALHADORES EM GREVE.

A abertura dos estabelecimentos escolares
IMPLICA A SEGURANÇA E BEM ESTAR DOS ALUNOS NO INTERIOR DAS INSTALAÇÕES.

Como disse nos últimos dias: se não houver garantia de segurança e bem estar, as escolas fecham.

Porque, se um aluno rachar a cabeça e se magoar a sério, por estarem 500 alunos com 1 assistente operacional, a responsabilidade é de quem o permitiu e não acautelou os superiores interesses dos jovens e crianças.

Quem não faz greve trabalha e fica na escola (é a outra orientação….). Brilhante iluminação.

NA DGESTE NADA DE NOVO

Para mim, nada de novo, face ao que sabia e considerava e praticava antes destas orientações, há muitos anos e com muitas greves de experiência (muitas delas vividas do lado do MAI).

Fico à espera do texto de orientações em DGestês para a manifestação de 14 de Janeiro.

Tirando o tom dúbio e de meias palavras da redação, em típico estilo Dgestês, que pode servir para dar falsa energia a alguns que querem manter escolas abertas como “cercados com alunos deixados sozinhos à sua sorte”, não vejo para que servem estas orientações que não trazem novidade.

Novidade seria dizer: “abram as escolas seja como for….o governo precisa para parecer que não se passa nada”. Um jurista, como o que assina o papel, não se arriscava a tal coisa.

Mas há diretores, que preferem o Dgestês, a beber diretamente das fontes da lei, que vão achar que diz isso. Mas não diz.

Aos que pensam que diz, poupo-os ao adjetivo que me ocorre. Andamos todos com problemas para tratar e não vale a pena destratar ninguém.

 

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A Música do Blog

… para desanuviar um pouco as questões da Educação.

 

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Carta de Um Aluno Aos Seus Professores

Queridos professores,

Obrigado por nos mostrarem, de uma forma tão clara, a importância da Educação e da Escola Pública. Hoje, sinto necessidade de vos dirigir algumas palavras, na medida em que vos reconheço todo o valor e vos agradeço, de coração, toda a entrega e paciência que nos dedicam.
Sei, porque reconheço, que não é fácil ocupar o vosso lugar, numa profissão tão destratada por uma sociedade que não sabe valorizar o essencial.
Há pouco, ouvi a opinião do Diretor Manuel Pereira (Diretor do Agrupamento de Escolas de Cinfães, e Presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares), que me deixou a pensar que o vosso papel não é, de todo, fácil… Esse mesmo Diretor defendeu-vos de uma forma muito nobre, pois reconhece que vos têm feito muito mal ao longo dos anos. Nenhuma alteração que chega às escolas vos beneficia ou vos enobrece. Pelo contrário. Tudo o que vem de novo se torna menos correto e menos valorativo…
Não sei como aguentam tanto, professores. Aguentam os nossos “tiques” de adolescentes; aguentam a burocracia desmedida; aguentam trabalhar com várias turmas do mesmo ano e de anos diferentes; aguentam planificar, de forma adequada, para todos os alunos, atendendo às características específicas de cada um; aguentam estar longe da família ou abdicam de mais tempo de qualidade com ela; aguentam os desabafos dos nossos pais e EE; e ainda têm de aguentar todo o peso que vos colocam na “mochila”, fingindo reconhecer-vos capacidades heróicas quando, na prática, nenhum heroísmo exercido para cada um de vocês é destacado…
Perante o que tenho visto e ouvido, gostaria de vos agradecer:
1. Por não desistirem de nós;
2. Por tentarem garantir o nosso sucesso (enquanto alunos e PESSOAS!);
3. Por continuarem a passar-nos uma mensagem positiva e nos fazerem acreditar no futuro;
4. Por nos sorrirem diariamente, mesmo quando todos os motivos para chorarem estão presentes;
5. Por nos encorajarem e nos ensinarem a não desistir;
6. Por lutarem pela profissão que vos preenche, mesmo quando a motivação que vos é dada é quase nula.

Agora, que penso melhor sobre tudo isto, não consigo entender por que razão é que o ME, que tanto exige de vocês, vos dá tão pouco… Será pedagógico aplicar tanta penalização a pessoas que trabalham diariamente, em casa e na escola, para que nada nos falte a nós? Será producente que o ME vos sacrifique e vos faça sentir pouco importantes e até pouco BRILHANTES na execução das vossas funções?

A mim parece-me pouco bonito, que o vosso “patrão” se mostre tão implacável com a EDUCAÇÃO e com os PROFESSORES. Os professores são os seres que dão vida, brilho e cor às nossas salas de aula. Iluminam-nos nos dias mais sombrios, não são apenas docentes. São amigos, confidentes, psicólogos, amigos (outra vez), enfermeiros, amigos (novamente). São quem passa mais tempo connosco e com quem desbravamos um caminho que seria muito mais solitário e agreste sem a vossa existência!

Desejo que a vossa profissão volte a ser socialmente valorizada, até porque, como disse o Diretor Manuel Pereira “O bem de maior valor dos pais é depositado, diariamente, nas escolas e não nos bancos!” Logo, trata-se de um assunto sério… Ninguém confiaria o seu filho a outro alguém, se esse alguém não fosse confiável!

Eu orgulho-me MUITO de todos vocês! Estão a lutar pelo reconhecimento da vossa profissão e pela justiça moral e intelectual que, tantas vezes, tem sido posta em causa e em cheque. Por muitos. Orgulho-me de vos ter como meus professores e de vos ver a manter uma postura corretíssima, quando, na verdade, o mais fácil seria explodir por todos os lados.

Obrigado, professores, por esta lição de Cidadania Ativa e por continuarem a dar sentido às palavras DEMOCRACIA e JUSTIÇA!

 

 

Um Beijinho a todos.

do vosso aluno,

Simão Martins

 

Aluno do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Fernandes Lopes

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A História Repete-se

A CONFAP lança um comunicado que abre a porta ao Ministério da Educação para confirmar a legalidade da greve, a DGEstE emite umas orientações para a Greve e que nada esclarece, e por fim o Ministério assume o pedido do parecer sobre a legalidade da greve.

Sò quem é novo nestas andanças é que acha tudo isto uma novidade, mas são estratégias antigas.

 

Governo pede parecer sobre a legalidade da greve dos professores

 

 

O Ministério da Educação pediu à PGR um parecer sobre a legalidade da greve dos professores e dos funcionários das escolas, segundo adiantou ao Negócios fonte oficial do Ministério da Educação.

O Ministério da Educação pediu à Procuradoria-Geral da República e ao Centro de Competências Jurídicas do Estado (JurisApp) um parecer sobre a legalidade da execução da greve dos professores.

“O Ministério da Educação pediu parecer jurídico à PGR sobre a legalidade da forma de execução das greves dos professores em curso, convocadas pelo STOP e pelo SIPE. Em simultâneo, solicitou também parecer às JURISAPP”, disse fonte oficial do Ministério da Educação, em resposta às questões que o Negócios tem colocado nos últimos dias.

O Governo ainda não explicou quais as questões que levanta, mas têm publicamente surgido questões sobre o cumprimento dos pré-avisos de greve ou as regras de financiamento da paralisação.

A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) tinha pedido ao Governo que esclarecesse se a greve é legal.

“Sendo este modelo de greve uma novidade, pelo menos, no setor do Ensino (greve ao primeiro tempo letivo do professor, ou a qualquer  tempo  letivo  e  por  tempo indeterminado), a CONFAP questiona o Ministério da Educação sobre as diligências já tomadas no sentido de avaliar a legalidade desta forma de greve”, lia-se num comunicado da confederação de pais.


A greve de professores  e educadores, e que também abarca assistentes operacionais no caso do STOP, irá estender-se até ao final do mês, com as estruturas a convergirem na paralisação por distritos.

 

O principal motivo a desencadear greve e manifestações diz respeito ao processo de seleção e recrutamento de professores, numa altura em que estão a ser conduzidas negociações sobre a legislação que enquadra os concursos de professores e depois de o Governo ter inicialmente aberto a porta à participação de direções de escolas na seleção de docentes segundo perfis de competência.

 

Os sindicatos querem garantir que a colocação continua a depender da graduação profissional, que pesa nota de exame e tempo de serviço, enquanto critério.

 

Os pré-avisos de greve também mencionam outras reivindicações. Entre estas, a valorização de salários, a recuperação integral de tempo de serviço, vinculação automática de docentes ao fim de três anos de serviço, ou ainda a extinção do regime de vagas para subida a escalões mais elevados.

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A escola pública “rebentou”! – Lúcia Vaz Pedro

É a nossa escola. É aqui que trabalhamos. É aqui que “rebentamos”.

A escola pública “rebentou”!

Já dizia João da Ega, em “Os Maias”, a propósito de Portugal: “É a nossa terra. É aqui que vivemos. É aqui que rebentamos.”

Quando falamos de escola pública, falamos de Portugal e daquilo que deveria orgulhar-nos. Por ela, os professores, os funcionários não-docentes “rebentam” todos os dias. E é por isso mesmo que lutamos, para que a escola seja um lugar onde vale a pena “rebentar”.

No entanto, têm vindo a “rebentá-la”, destruindo-a com medidas desoladoras, invertebradamente sem sentido nem eficácia.

Uma escola pública que se preze deveria promover a arte de aprender e de ensinar. Se “rebentam” quem nela trabalha, não há quem a segure, não há quem a enalteça, não há quem se orgulhe dela. E tudo começa por aqueles que deveriam dar o exemplo, os designados para promover, para cuidar e para proteger quem por ela “rebenta” todos os dias.

Porém, esses mesmos são os que ditam leis que fizeram com que a escola pública seja um lugar inóspito, cinzento, onde se paga para trabalhar, onde o ensino deu lugar à burocracia, onde existem barreiras contínuas para progredir.

Trata-se de uma escola onde o que é importante é ser “elástico” para se conseguir “esticar”: esticar medidas sem sentido (RTP”s, inquéritos, plataformas, grelhas, clubes, projetos, formações obrigatórias, mas que não existem e têm de ser feitas fora do horário de trabalho). Esticar o mísero ordenado para que sobre para comer, depois de se pagar a gasolina (cujos preços enchem os bolsos de quem pode) e a renda de uma casa longe da família. Esticar a paciência para com os alunos mal-educados, pedindo-lhes por clemência que estudem para o bem deles.

Esticam-se as notas para que passem, porque é importante termos um país com sucesso educativo, mesmo que os alunos não saibam nada.

Esticam-se os fins de semana para se preparar as aulas e corrigir trabalhos e testes, porque durante a semana passou-se demasiado tempo a preencher papéis obrigatórios para justificar o injustificável, mas que ninguém lê.

E é por tudo isto que os professores “rebentaram” e estão tão “rebentados” que nada os parará até que se cumpra o que é legítimo para continuarem a trabalhar.

E os funcionários não-docentes “rebentaram” com eles, porque também sofrem na pele o atual estado da educação da nossa querida escola pública.

É assustador? Sim! Quem ensinará a geração futura?

Mas quem disse que é preciso aprender? Neste país, basta ser chico-esperto, ter amigos convenientes e bem posicionados que nos ajudem a roubar o povo português. Mas a roubar muito para ser impune. Se for pouco, seremos algemados em praça-pública. Tem de ser milhões para que nos transformemos em heróis e consigamos abrir os telejornais.

Sim, João da Ega, estamos em Portugal! É aqui que vivemos! É por ti, querido país, que “rebentamos”! E a escola pública merece que se “rebente”, que se lute por ela! Pelo bem de todos! Pelo bem de Portugal!

Na verdade, todos nós, um dia, “partiremos”, mas a escola fica. Que fique com dignidade, com o respeito que ela nos merece nem que para isso tenhamos de “rebentar”

Sim, é Portugal! É aqui que vivemos! Por tudo isso vale a pena “rebentar” e recomeçar!

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Eduardo Sá – Título Meu “Sentir os Professores”

Não aprendemos com todas as pessoas que se dispõem a ensinar-nos. Aprendemos, sobretudo, com aquelas que, pelos seus exemplos, vale a pena aprender. Porque nos destapam conhecimentos tão óbvios que, de repente, eles não têm como deixar de fazer parte da nossa vida. Porque o seu entusiasmo, ao pensarem-nos junto de nós, nos arrebata e ele passa a ser nosso, também. Porque transformam enredos semelhantes a labirintos em simples peças da Lego cuja utilidade nem se questiona, tal é a forma como o conhecimento cresce e se aprofunda com elas.

Não, não é verdade que tenhamos aprendido tanto como podia ter acontecido com todos os professores. Mas se isso é verdade em relação a muitas das coisas que eles se propuseram ensinar-nos, guardamos histórias, episódios, maus exemplos (também), gestos e um sem número de pequenos-nada que fazem deles, para sempre, nossos professores.

É por isso que sentir os professores, neste momento, numa espécie de exercício do seu direito à indignação nos devia deixar atentos e orgulhosos.Reconheço que nem sempre os motivos que alegam possam ser, todos eles, bem fundamentados. E reconheço que o ministro contra o qual protestam é um homem sério e empenhado. Mas sente-se que esta “onda” é um esbracejar contra a indolência com que parecemos viver a importância dos professores. Contra uma espécie de saltibanquice ou correria desenfreada “escola acima, escola abaixo” que traz agitação ao arrojado desassossego de quem ensina.Contra a forma como as condições de trabalho, as oportunidades e o respeito pela formação são, continuadamente, “atropelados”. Contra uma ideia falsamente séria e igualitária de trazer “ciência” à paixão de ensinar que se tem transformado num exercício burocrático que esmifra, consome e empalidece o prazer de ser professor.Contra o modo como se desrespeita o nobre acto de ensinar ao permitir-se que haja cada menos professores e cada vez mais licenciados, sem formação, que ensinam.

Será um direito à indignação. E é um exemplo que nos deve orgulhar. Porque quem questiona, quem se insurge e quem quer mudar a escola a torna mais viva, mais preciosa e mais indispensável. E, sendo assim, vale a pena aprender com os bons exemplos.

Eduardo Sá

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As razões dos professores

As razões dos professores

 

Lendo o Ministro, dir-se-ia que, a haver manifestações de professores, deveriam ser para agradecer ao governo a excelência da sua ação. E no entanto, não é isso que vemos. Pelo contrário, há uma nova vaga de protesto que é também uma reação a uma dupla desvalorização sentida nas escolas. A luta em curso é uma lição para quem estiver disponível para aprender

 

Em artigo recente, o Ministro da Educação, João Costa, retorquiu a um texto de António Nóvoa, ex-candidato presidencial apoiado pelo PS, a propósito dos professores. Nóvoa fez, no Público, um balanço ferozmente crítico da política do Governo no campo educativo nos últimos sete anos e da indiferença quanto aos professores. Sete “nadas” caracterizariam a política do PS: ausência de respostas capazes de atrair jovens para a profissão, de avançar na formação de professores, de melhorar formas recrutamento, de criar processos de indução profissional, de promover o bem-estar, de desburocratizar o quotidiano, de valorizar as carreiras, de incentivar projetos de inovação. O ministro respondeu-lhe, no mesmo jornal, com uma lista de medidas.

 

Lendo o Ministro, dir-se-ia que, a haver manifestações de professores, deveriam ser para agradecer ao governo a excelência da sua ação. E no entanto, não é isso que vemos. Pelo contrário, há uma nova vaga de protesto que é também uma reação a uma dupla desvalorização sentida nas escolas. A loquacidade sobre a inovação pedagógica não chega para responder a esse mal-estar. Ignorá-lo ou negá-lo é o pior que pode fazer-se para defender a escola pública e para expandir as possibilidades reais da sua transformação.

A primeira dimensão da desvalorização tem a ver com as carreiras e com a degradação das condições económicas e profissionais dos professores. Num relatório do Conselho Nacional da Educação, publicado em dezembro de 2021, regista-se que os docentes do 1º escalão tinham em média 15,7 anos de serviço e 45,4 anos de idade. A base da profissão é assim constituída por pessoas com mais de 45 anos, a auferir pouco mais de 1100 euros líquidos, a trabalhar precariamente em média 15 anos e a vincular entre os 40 e os 50 anos de idade. Milhares de professores têm hoje um salário real inferior ao de 2010. Muitos estão bloqueados à espera de subir ao 5º e 7º escalões, o que configura uma forma de congelamento salarial, que aliás se soma à não recuperação de todo o tempo de serviço, reivindicação antiga que nunca ficou resolvida. Para o empobrecimento contribuem também os custos de deslocação para fora da área de residência e a ausência de apoios perante as rendas impossíveis para quem tem de se instalar no local da colocação.

 

À desvalorização da carreira por opções económicas – e também agravado por ela – soma-se o desalento pela sobrecarga alienante das exigências burocráticas que consomem o tempo e pela ausência de profissionais em número suficiente para as necessidades. E acrescem ainda as injustiças e arbitrariedades de um modelo de gestão que introduziu a concorrência entre colegas e atribuiu aos diretores um poder excessivo, na linha do pensamento gerencialista tão avesso à democracia. A explosão da indignação aconteceu quando, utilizando a iminência da falta de professores como pretexto, o governo abriu a porta a mais uma machadada no concurso nacional. A possibilidade de eliminar o princípio geral da lista nacional de graduação, permitindo na prática a atribuição de vagas por “perfil”, a ultrapassagem de colegas por colegas, a prevalência da gestão unipessoal (isto é, dos diretores), agravada pela proximidade entre diretores e autarquias, foi lenha suficiente para reacender a fogueira de uma indignação latente.

Essa indignação tem razões fundas, ancoradas no dia-a-dia de quem está nas escolas. Há muitas formas de lidar com elas. Uma é tratá-las como sintoma de ignorância e ingratidão: os professores seriam uns mentecaptos manipulados por dirigentes mentirosos. Outra é opor a mudança escolar aos direitos profissionais: os professores e os sindicatos seriam um obstáculo e a transformação da escola far-se-ia apesar deles e contra eles. Uma terceira, mais auspiciosa, é perceber que não há transformação da escola sem o reconhecimento material e simbólico dos seus profissionais. Este reconhecimento é uma reforma estrutural essencial para que haja um projeto de futuro, motivação e um campo de experimentação e de liberdade criativa nas escolas. Por isso, as manifestações que têm existido merecem a nossa solidariedade. A luta em curso é uma lição para quem estiver disponível para aprender.

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