Tag: educação

Em relação à Greve Geral de dia 11

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/em-relacao-a-greve-geral-de-dia-11/

3 Notícias Sobre a Falta de Vergonha, no Quintal do Paulo

Coisas Que Calculei Serem Possíveis, Mas Que Esperava Que Não Existisse Gente Com A Falta De Vergonha Necessária Para As Aproveitar – 1

 

Diretor, que já ultrapassou a idade da reforma, atribui-se a si próprio uma turma para lecionar e recebe o subsídio de Diretor acumulando os 750€ das medidas contra a falta de professores.

 

 

Coisas Que Calculei Serem Possíveis, Mas Que Esperava Que Não Existisse Gente Com A Falta De Vergonha Necessária Para As Aproveitar – 2

Esta, dizem-me que é por terras de Viriato, mas acredito que não seja caso único, por este ou aquele zunzun que vou ouvindo. Confesso que esta é uma situação que me choca, por razões diferentes, tanto como a anterior, porque é uma dimensão da chico-espertice que acaba por desacreditar os pedidos de serviços moderados.

Professora nas mesmas condições de reforma, em serviços moderados ao abrigo da FAT, que só tem uma turma atribuída mas também aufere o dito suplemento.no âmbito das medidas contra a falta de professores.

 

 

Coisas Que Calculei Serem Possíveis, Mas Que Esperava Que Não Existisse Gente Com A Falta De Vergonha Necessária Para As Aproveitar – 3

Como devem calcular (espero!), eu não invento estas situações. Na sequência das duas anteriores, outr@ director@ fez-me chegar mais uma possibilidade.

Professores que usufruem de Acordo de Cedência de Interesse Público num sindicato, têm um horário ultra reduzido na escola e, por estarem a lecionar após a idade da reforma, usufruem do acréscimo remuneratório. São dezenas…podem ter apenas uma ou duas turmas.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/3-noticias-sobre-a-falta-de-vergonha-no-quintal-do-paulo/

Professores recebem horas extra com retroativos desde 2018

Ministério instruiu escolas a corrigir forma de cálculo. Professor a meio da carreira que faça duas horas extraordinárias por semana recebe mais 915,48 euros este ano, segundo cálculos do CM.

Professores recebem horas extra com retroativos desde 2018

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/professores-recebem-horas-extra-com-retroativos-desde-2018/

O Admirável Mundo Novo dos Concursos de Professores, Agora em Modo Municipal

Há ideias que parecem ter sido concebidas numa tarde particularmente longa de reunião, quando já ninguém distingue um decreto de uma receita de bacalhau. A mais recente maravilha política, que andam a espalhar, é a possibilidade de entregar às autarquias a contratação de professores, tudo isto num país que ainda tenta perceber o que significa realmente o Decreto-Lei 32-A, essa novela jurídica que prometia justiça nos concursos, mas que acaba por produzir um aroma ligeiramente agridoce de desigualdade.

Imaginar câmaras municipais a gerir concursos de professores é quase tão reconfortante como pedir a um gato para tomar conta de um aquário. Tecnicamente possível, sim, mas o desfecho faz qualquer pessoa, com dois neurónios ativos, suar. O problema é que os concursos docentes, já de si um ritual burocrático de desespero, cairiam num caos tão denso que nem com GPS se encontraria a saída.

O Decreto-Lei 32-A foi pensado para trazer transparência e equidade, mas, agora, querer-se-ia acrescentar um novo elemento, a criatividade municipal, que é como despejar gasolina sobre uma fogueira e dizer, com ar muito sério, que tudo vai correr bem. Basta olhar para o histórico, porque em Portugal os concursos são tão sensíveis como a porcelana chinesa, mas colocados nas mãos das autarquias, correm o risco de se transformar num jogo de cadeiras para adultos desesperados.

Comecemos pelas desigualdades regionais, que já existem e agradecem qualquer oportunidade para crescer com entusiasmo. Um município oferece melhores condições, outro município oferece uma planta em cima da secretária. Resultado, migrações internas forçadas.

Depois temos o festival da influência local. Em teoria, tudo seria rigoroso, transparente, algorítmico. Na prática, haveria sempre o primo do cunhado do vereador que gostaria de dar aulas de História, mesmo que a última vez em que abriu um livro tenha sido pouco antes de nascer.

E claro, a instabilidade anual permaneceria firme e hirta, porque se há coisa que este país venera é a capacidade de manter um professor a saltar de escola em escola como se estivesse numa gincana. Agora, com concursos municipais, teríamos professores que não mudariam só de escola, mudariam de concelho, de freguesia, de presidente de câmara e de prioridades políticas conforme a cor partidária que estivesse mais bem humorada naquele mandato.

Mas o verdadeiro apogeu deste plano residia numa ironia deliciosa. Passar a contratação para as autarquias seria vendido como uma medida de proximidade, eficácia e modernização. O que não se diria é que abriria a porta a um labirinto burocrático com 308 entradas e zero saídas, onde cada município teria o seu mini decreto, a sua interpretação criativa das regras, o seu método original de avaliar mérito… E tudo isto com a serenidade habitual de quem nunca teve de preencher uma plataforma concursal em Portugal.

No fim de contas, entregar às câmaras a contratação de professores seria a versão educativa do velho ditado português, em equipa que já está complicada, mexe-se mais um bocadinho para ver se piora. Mas haverá sempre quem garanta que é um avanço extraordinário, uma revolução sensata, uma modernização inadiável. A verdade, porém, é cristalina, o que hoje é confuso tornar-se-ia incompreensível, o que hoje causa ansiedade, tornar-se-ia pânico e o que hoje é mau, tornar-se-ia verdadeiramente pior.

E o pior de tudo é que, no fim, os professores lá estariam, resilientes, cansados, armados de paciência e ironia, a tentar ensinar crianças com o mesmo empenho de sempre. Porque se há classe que aguenta tudo, até ideias destas, é a classe docente. O país sabe disso, e talvez por isso continue a testar os seus limites com uma paixão quase poética.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/o-admiravel-mundo-novo-dos-concursos-de-professores-agora-em-modo-municipal/

Escolas pedem mudança na lei e mais apoios para lidar com indisciplina e violência

Uma repotyagem em destque no Público de hoje da página 2 à página 5.

 

Há uma “percepção de insegurança”: escolas pedem mudança na lei e mais apoios para lidar com indisciplina e violência

 

Uma criança com dedos mutilados e vários outros casos puseram o tema em cima da mesa. FNE pede medidas urgentes para escolas onde “indisciplina se encontra fora de controlo”.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/escolas-pedem-mudanca-na-lei-e-mais-apoios-para-lidar-com-indisciplina-e-violencia/

2.027 professores sem habilitação denunciados ao Tribunal de Contas

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/2-027-professores-sem-habilitacao-denunciados-ao-tribunal-de-contas/

A inversão do ónus da prova transforma o professor em réu – Alberto Veronesi

 

Vivemos tempos estranhos. O professor entrou na sala de aula e tornou-se suspeito até prova em contrário. Basta uma queixa, muitas vezes anónima, e lá vai ele ter de se explicar, de se defender, de provar que não fez o que o acusam de ter feito. A lógica virou do avesso. Já não é quem acusa que tem de fundamentar a acusação, é o acusado que tem de demonstrar a sua inocência. E isto, convenhamos, é uma brutalidade jurídica.

A inversão do ónus da prova transforma o professor em réu

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/a-inversao-do-onus-da-prova-transforma-o-professor-em-reu-alberto-veronesi/

NOTA INFORMATIVA Nº 12 / IGeFE / 2025 – Prestação de serviço docente extraordinário

 

NOTA INFORMATIVA Nº 12 / IGeFE / 2025 – Prestação de serviço docente extraordinário

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/nota-informativa-no-12-igefe-2025-prestacao-de-servico-docente-extraordinario/

Espero que todos os professores sejam um exemplo de educação e expliquem – Raquel Varela

Espero que todos os professores sejam um exemplo de educação e expliquem, em qualquer grau de ensino, o que são direitos sociais, civis e políticos, e porque está a ser convocada uma greve geral. Isso chama-se cidadania, a conquista de ser cidadão pleno. Claro, podem não fazê-lo em nome da “isenção”, abdicar da sua liberdade de cátedra – prevista em todos os graus de ensino – e continuar a ensinar o programa do Governo para a cidadania que inclui “literacia financeira” (como ser culpado por não conseguir viver com o salário mínimo) ou “empreendedorismo” (porque é que cada um é culpado pelo próprio desemprego). Assim, em vez de um programa que explica e responde às questões sociais de milhões de portugueses, à realidade objectiva, darão o programa escolar do Governo, “isento”, da IL, AD, Chega e claro PS. A escola é um lugar de conhecimento objectivo, mas não de neutralidade ética.

Quando se alega a isenção – que a extrema direita adora – acaba-se a dar o programa que a extrema direita adora. Tenho um familiar a estudar na Universidade de Barcelona, recebeu emails de vários professores a explicar um dia que não ia haver aulas porque eles tinham aderido à greve pela Palestina. Este é o momento de explicar que a greve foi colocada sob a alçada do código penal em 1849 mas que, sempre ilegal, até ao século XX, nunca deixaram de existir greves e cada vez mais. Talvez porque não tenha deixado de existir exploração. E ambos – repressão legislativa de Estado e exploração – são conceitos científicos. Ao contrário de literacia financeira e empreendedorismo, que são comunicação para justificar a desigualdade social, e a luta de uma classe, a da burguesia. Este lutam com a sua classe, explicando que não há já luta de classes, proibindo imigrantes de fazerem greve (são ilegais) e ilegalizam de facto a greve (no pacote laboral), e não chamam a isto a sua luta de classe burguesa, chamam “modernização”. Aí está outra aula de cidadania – na verdade disciplina que não devia existir, deve ser dado em história e filosofia – o que é a modernidade, com o seu séquito de crises, guerras e revoluções.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/espero-que-todos-os-professores-sejam-um-exemplo-de-educacao-e-expliquem-raquel-varela/

Mas É Preciso Reportar ao MECI???

Se a Estratégia de Cidadania é da ESCOLA e se foram dados os passos corretos para a sua elaboração porque é preciso reportar isso ao MECI?

 

Cidadania. Escolas fecham Estratégias pedidas pelo Ministério sem saber o que acontece após o prazo acabar, mas algumas podem falhar prazo

 

 

Escolas têm até 12 de dezembro para definir Estratégia de Educação para a Cidadania. Mas algumas dizem ainda não ter sido informadas sobre “quando” ou “como” vão reportar ao Ministério da Educação.

 

As escolas têm menos de duas semanas para elaborar e apresentar as suas Estratégias de Educação para a Cidadania. O prazo (12 de dezembro) foi estipulado e anunciado pelo Ministério da Educação em agosto deste ano, mas o processo em causa “é longo”, diz o representante dos diretores, Filinto Lima, salientando que obriga à existência de consenso entre “professores, pais, alunos e até funcionários”.

Em agosto, o Ministério tutelado por Fernando Alexandre publicava a nova Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC). O documento surgiu no âmbito da proposta do Governo para a revisão de Cidadania e Desenvolvimento, que gerou polémica em volta do alegado desaparecimento dos conteúdos de educação sexual desta disciplina que não se veio a verificar. A Estratégia assenta em oito dimensões a implementar nas disciplinas dos ensinos básico e secundário: Direitos Humanos, Democracia e Instituições Políticas, Desenvolvimento Sustentável, Literacia Financeira e Empreendedorismo, Saúde, Risco e Segurança Rodoviária, Media e Pluralismo e Diversidade Cultural.

Na nota informativa emitida pelo Ministério da Educação em agosto, lia-se que “os Agrupamentos de Escolas e as Escolas não Agrupadas (AE/EnA) devem elaborar as suas estratégias de Educação para a Cidadania até 12 de dezembro“, sendo que devia constar “o modo de organização do trabalho” e o(s) ano(s) de escolaridade em que serão lecionadas todas as Aprendizagens Essenciais obrigatórias a cumprir. A par disto, na estratégia em causa as escolas devem também definir quais as entidades externas com as quais desejam colaborar.

A Estratégia publicada em Diário da República determina ainda que as escolas definam os critérios de avaliação das aprendizagens dos alunos e o modelo de avaliação da implementação da estratégia da escola, mas tal não é exigido até 12 de dezembro, de acordo com a nota explicativa do Ministério. A Estratégia estabelece que ao Conselho Geral de cada escola, cabe definir orientações e critérios para elaborar a estratégia e a aprovação da mesma; ao Conselho Pedagógico, compete a aprovação dos “critérios de avaliação da componente curricular de Cidadania e Desenvolvimento”.

elaboração deste documento “é um processo longo”, destaca Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP). “O processo tem várias fases. Primeiro tem de se ouvir os professores, pais, alunos e até funcionários. E só depois tem uma fase de elaboração e aprovação. Há muita gente para se ouvir, é um documento que exige a auscultação de toda a comunidade e demora”, explica.

E admite que “muitas escolas poderão não cumprir o prazo”. Caso isto se verifique, diz, “o Ministério da Educação terá de o alargar”. No entanto, este não será o caso dos três agrupamentos ouvidos pelo Observador, que adotaram ritmos diferentes na elaboração das suas estratégias.

No agrupamento de escolas Agualva Mira Sintra o documento foi aprovado a 22 de outubro, conta o diretor Luís Henriques. “Fizemos a mesma prática dos outros anos, mas desta vez tendo em conta as orientações enviadas pelo Ministério da Educação: pegámos no documento que já tínhamos e atualizámos em função das indicações. O documento foi logo aprovado em [reunião do] Conselho Pedagógico a 22 de outubro.”

Mas não ficou por aqui, uma vez que “o novo normativo prevê que os pais se possam pronunciar”. “Levei o documento, depois, a Conselho Geral, onde também têm assento os pais. E ainda antes disso, nas reuniões de avaliação intercalar, os conselhos de turma (compostos também pelos encarregados de educação) tiveram oportunidade de analisar os temas propostos para cada ano e pronunciar-se”.

“Não sabemos quando nem como vamos reportar este trabalho. Até ao momento não recebemos nenhuma orientação [do Ministério da Educação]”
Luís Henriques, diretor do agrupamento escolas Agualva Mira Sintra

“De forma geral, não houve dúvidas e os pais aceitaram” a estratégia apresentada pela escola, diz Luís Henriques, pelo que, na sua opinião, “o trabalho da escola está feito”.

Na escola secundária do Pinhal Novo, o processo de elaboração desta estratégia também se deu por encerrado no mês de novembro. “Já temos a estratégia definida e já foi aprovada em Conselho Pedagógico em novembro”, conta Carlos Vilas.

O diretor detalha que a estratégia a aplicar no 3.º ciclo “é relativamente fácil” de definir, uma vez que os temas “estão bastante balizados e são obrigatórios”. “No que toca aos temas facultativos, dividimos em termos de peso, de acordo com o que consta nos conteúdos das diferentes disciplinas”, diz Carlos Vilas. Já no ensino secundário, será o “próprio conselho de turma que vai adaptando os temas abordados na disciplina”.

Aqui surge a única diferença entre o agrupamento Agualva Mira Sintra e a secundária do Pinhal Novo: o segundo ainda está a “preparar as reuniões para avaliação” da estratégia da escola, nas quais “os encarregados de educação e os alunos vão poder definir e aprovar o plano de turma”.

 

Escolas desconhecem se estratégias elaboradas devem ser enviadas para o Ministério da Educação

 

Esta escola e o agrupamento Agualva Mira Sintra partilham, no entanto, a mesma dúvida: não sabem se devem enviar a Estratégia elaborada para a Cidadania para o Ministério da Educação.

“Não sei o que o Ministério da Educação nos vai pedir até ao dia 12 [de dezembro]. Não sabemos quando nem como vamos reportar este trabalho. Até ao momento não recebemos nenhuma orientação”, afirma o diretor do agrupamento localizado em Sintra, Luís Henriques. E o mesmo diz Carlos Vilas, responsável pela secundária do Pinhal Novo: “Até agora não temos indicação para enviar o documento para o Ministério da Educação. Vamos apenas submeter online no site.”

Em agosto, o Ministério não referiu o que aconteceria depois de 12 de dezembro. Mencionou, porém, que “após a aprovação deste plano, os pais e encarregados de educação deverão ser informados de todas as atividades a desenvolver no âmbito da concretização dos projetos que envolvam Educação para a Cidadania”, e que os agrupamentos escolares e escolas não agrupadas têm autonomia “para definirem as suas estratégias e as abordagens pedagógicas mais adequadas para os seus contextos específicos”.

A prioridade “neste momento é elaborar o documento”, salienta o representante dos diretores, Filinto Lima. Quanto ao resto, como o decorrer das aulas de Cidadania, tudo “está a decorrer de forma natural”.

“Acontecem uma vez por semana, lecionadas por professores (sendo que não há um grupo de recrutamento para esta disciplina). Estão a funcionar dentro das dimensões das grandes temáticas” delineadas pelo Ministério liderado por Fernando Alexandre.

“Envolvemos os alunos na escolha de algumas atividades: uma tem que ver com ações de voluntariado e outra com literacia financeira”
Rosária Alves, diretora do agrupamento de escolas de Benfica

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/mas-e-preciso-reportar-ao-meci/

434 bibliotecas até parece muito, mas são migalhas para pombos

O Ministro da Educação anunciou com pompa e circunstância a criação de mais 434 bibliotecas escolares até 2026 e o país inteiro parece ter decidido bater palmas como se tivesse acabado de testemunhar uma revolução educativa. A verdade é bem menos épica. Em Portugal existem cerca de 4 700 escolas do 1.º ciclo, espalhadas pelos 308 concelhos do país, e perante estes números as tais 434 bibliotecas são pouco mais do que um aperitivo mal servido.

O anúncio promete beneficiar 50 mil alunos. Parece impressionante até nos lembrarmos de que estamos a falar de um universo muito maior de crianças que continuam em escolas onde a biblioteca é um conceito distante, quase mítico. Se estas 434 novas bibliotecas fossem um passo decisivo, eu seria o primeiro a celebrar, mas quando fazem cócegas à superfície do problema não consigo evitar soltar uma gargalhada amarga.

O mais curioso é ver a velocidade com que toda a gente se apressa a elogiar o feito. Dá a sensação de que basta acenar com umas prateleiras novas e uns livros plastificados para que o país entre em modo festa. A estratégia é velha: dar pouco, apresentar como muito e esperar que o público aplauda obedientemente. E, pelos vistos, funciona. Os portugueses continuam a agradecer migalhas com entusiasmo, tal como os pombos que correm atrás de quem lhes atira meia dúzia de grãos de milho.

Claro que 434 bibliotecas são melhores do que zero. Ninguém discute isso. O problema é quando transformamos um gesto mínimo numa epopeia nacional. Quando olhamos para a realidade, percebemos que isto não é um grande investimento nem uma mudança estrutural. É apenas mais um anúncio reluzente para encher manchetes e distrair-nos do facto de que milhares de escolas continuam sem os recursos essenciais para promover hábitos de leitura dignos.

Em suma, celebramos como se nos tivessem oferecido um banquete quando, na verdade, mal nos deram um prato de amostras. E o mais triste é que ainda agradecemos.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/434-bibliotecas-ate-parece-muito-mas-sao-migalhas-para-pombos/

Educação em estado terminal. Sintomas de uma biosfera pedagógica em colapso – José Afirmou Baptista

O planeta geme. As veias secam. Secam rios, glaciares, aquíferos. Mas num ápice viram a agulha e transbordam, num desequilíbrio que já não é episódico, mas sistémico. As florestas ardem, os polos desfazem-se em lágrimas geladas, as espécies migram ou desaparecem. O clima enlouqueceu, está tonto. E com ele, tudo o que dependia da estabilidade para florescer. A Terra, que durante milénios foi berço e abrigo, tornou-se um campo de sobrevivência. O seu colapso não é apenas físico, é simbólico, ético, civilizacional. E como todo o organismo em crise, os sintomas espalham-se para os seus sistemas vitais. A educação não escapa. Com ela se evapora e extingue esse órgão sensível que é a cultura. Outrora clareira de abrigo no meio da selva social, a escola tornou-se um terreno instável, onde se multiplicam os sinais de colapso, de doença. O chão já não é firme. As raízes da vocação apodrecem em silêncio, sufocadas por camadas de burocracia e desilusão. O degelo começou há décadas. Primeiro, derreteram-se os vínculos entre gerações, e desapareceram os mestres que transmitiam saberes com a maior delicadeza. Depois, vieram as políticas de contenção, os cortes, os silêncios. A memória pedagógica escorreu pelos corredores como água sem destino, deixando apenas placas de gelo fino onde antes havia chão fértil. Incêndios emocionais devastam os corpos docentes. O burnout alastra como fogo em pinhal seco, alimentado por calendários insensatos e exigências que não reconhecem o humano. Há professores que ardem por dentro, sem que ninguém repare, porque o fumo da exaustão é invisível nos relatórios da burocracia. As enxurradas levam os mais jovens, os mais criativos, os mais inquietos. Fuga em massa. A escola já não os segura. A cada ano, mais uma leva de talentos é arrastada para longe, como se a vocação fosse incompatível com a sobrevivência. Formamo-los para os ver partir. Ficam os resistentes, os que aprenderam a respirar em ambientes tóxicos saturados. A temperatura nas salas sobe. Não por falta de ar condicionado, mas pela tensão acumulada. Relações tóxicas, hierarquias opacas, falta de escuta. O clima pedagógico tornou-se irrespirável. Já não há primavera nas reuniões, nem verão nas aprendizagens. Só um inverno prolongado, onde cada aula é uma travessia na escuridão. E há os deslocados. Os professores nómadas, que percorrem quilómetros entre escolas, como aves migratórias sem estação. Não criam laços, não deixam sementes. São corpos em trânsito, vozes que ecoam no tempo frio e desaparecem no calor do verão. A escola sem rosto, sem alma, sem continuidade. A sociedade e a cidade espalham a desordem e a confusão onde devia haver harmonia. O ódio e o crime vêm ao almoço e ao jantar, como atrações entre a publicidade das televisões. Os clubes e os partidos são os mestres do ódio. Juntamente com as guerras. Tudo com vastos painéis de especialistas que não deixam espaço para o diálogo em família. A biosfera educativa está em colapso. E como em qualquer ecossistema sem equilíbrio, quem mais sofre são os mais frágeis: os alunos. Sentem o cheiro do incêndio, o frio do degelo, o susto da enxurrada. Mas não sabem nomear. Ninguém lhes dá ouvidos

.
04-12-2025 | diário as beiras

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/educacao-em-estado-terminal-sintomas-de-uma-biosfera-pedagogica-em-colapso-jose-afirmou-baptista/

Reserva de Recrutamento 22

Como deixou de haver notas informativas não sabemos se esta é a última reserva do 1.º período ou se para a semana ainda haverá uma ou duas reservas.

Reserva de Recrutamento 22 2025/2026

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/reserva-de-recrutamento-22-5/

03/dez/2024 AJDF na AR, na Comissão de Educação e Ciência

A escola está doente e quem ensina paga a fatura. A Medicina do Trabalho é o remédio tardio que alguns diretores preferem manter proibido.

Há 1 ano, na Comissão de Educação e Ciência, a AJDF denunciou na Assembleia da República as falhas graves na aplicação da Medicina do Trabalho aos professores.

Hoje, depois de duas Notas Informativas do MECI, persistem os incumprimentos de muitos diretores: recusam consultas, ignoram as Fichas de Aptidão para o Trabalho e transformam o poder hierárquico em instrumento de assédio/mobbing para silenciar professores.
É do nosso conhecimento, devidamente documentado, que alguns diretores recorrem a práticas ilegais, atuando pro lubitu suo, como se a legalidade fosse opcional.

IGEC e ACT continuam sem garantir fiscalização eficaz nem responsabilização.
O resultado? Mais assédio/mobbing, mais baixas médicas, mais alunos sem aulas.

É urgente responsabilizar quem escolhe falhar.
A impunidade tem de acabar.

Os professores não podem continuar a ser tratados como peças descartáveis.

Há um discurso que inverte os papéis: o professor é tratado como entrave e a lei como capricho.
Falham os que recusam aplicar a lei e os que transformam um direito num incómodo.

A lei obriga, a dignidade impõe e o dever é de todos: o incumprimento não pode ficar impune.

Delegação da AJDF presente na Audiência:
• Paulo Ribeiro – Presidente
• Sofia Neves – Vice-Presidente
• André Fernandes – Secretário e Tesoureiro
• Carla Gomes – Presidente da Mesa da Assembleia Geral

🎥 Vídeo completo da intervenção na Assembleia da República:

🎥 Vídeo no Canal Parlamento:
https://canal.parlamento.pt/cid/8192/audiencia-a-associacao-juridica-pelos-direitos-fundamentais
📽️ Créditos de vídeo/imagem: @missaoescolapublica

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/03-dez-2024-ajdf-na-ar-na-comissao-de-educacao-e-ciencia/

Professores do 1 Ciclo vão poder usufruir de formação em Didática da Leitura e Escrita

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/professores-do-1-ciclo-vao-poder-usufruir-de-formacao-em-didatica-da-leitura-e-escrita/

Ministro da Educação anuncia mais 434 bibliotecas escolares

É de informar que isto já está em andamento nas escolas.

 

Fernando Alexandre garante que até final de 2026 haverá 50 mil alunos de 1.º ciclo que terão biblioteca nas escolas, num investimento de mais de 3 milhões de euros

Ministro da Educação anuncia mais 434 bibliotecas escolares

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/ministro-da-educacao-anuncia-mais-434-bibliotecas-escolares/

A paixão pelas Bibliotecas

O Ministério da Educação, Ciência e Inovação apresenta hoje um conjunto de medidas para o reforço da Leitura no 1.º Ciclo do Ensino Básico, designadamente:
 Expandir a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) no 1.º Ciclo;
 Implementar o Programa de Ensino, Didática e Aprendizagem da Leitura;
 Aplicar novamente o Diagnóstico de Fluência Leitora no 2.º ano em 2025/2026 em todas as escolas;
 Fornecer a escolas e professores materiais adicionais para o Diagnóstico de Fluência Leitora.
A Leitura é a base de uma boa aprendizagem e é determinante para o sucesso escolar dos alunos, sendo ainda fundamental para a construção de competências e para estimular o pensamento crítico e a curiosidade.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/a-paixao-pelas-bibliotecas/

Concurso Externo Extraordinário 2025/2026 – Aperfeiçoamento da Candidatura

 

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 3 de dezembro e as 23:59 horas do dia 5 de dezembro de 2025 (hora de Portugal continental) para efetuar o Aperfeiçoamento da candidatura ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

FAQ – Aperfeiçoamento da Candidatura ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026

SIGRHE – Aperfeiçoamento da Candidatura ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/concurso-externo-extraordinario-2025-2026-aperfeicoamento-da-candidatura/

O Guernica do Professor e a Urgência da Ação

Por: Lina Fernandes ( Professora de Educação Especial do Agrupamento de Escolas do Paião – Figueira da Foz)

Iniciemos este trabalho, não com uma celebração, mas com uma sensibilização, assumindo a data que nos convoca: o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Usamos este termo, muitas vezes camuflado e suavizado por eufemismos, porque a verdadeira mudança e a construção de uma escola inclusiva genuína não se fazem evitando os conceitos, mas confrontando a realidade que eles espelham. É essa realidade complexa e, por vezes, brutalmente caótica que nos remete para o famoso quadro de Pablo Picasso, Guernica .

A tela, com as suas figuras retorcidas, bocas abertas num grito mudo e a sensação de desmembramento, simboliza o estado de angústia e asfixia de muitos alunos e, também de inúmeros professores, perante o novo e nobre paradigma da escola inclusiva. O ideal é luminoso, mas a prática é sombria: queremos e tentamos corresponder às necessidades daqueles que nos são “entregues”, corresponder à imensa diversidade dos alunos, incluindo aqueles com necessidades que o termo “deficiência” tão inequivocamente define, mas mesmo conseguindo recarregar diariamente a bateria da empatia, sentimo-nos esmagados pela falta de apoios e sufocados numa espiral de burocracia que nos impede de ser quem devíamos ser.

A escola, transformada num espaço aberto à “total diversidade”, como defende o jurista Laborinho Lúcio (2018), exige do docente uma postura de permanente reinvenção. O desafio não reside na vontade de incluir – que é inegável – mas nas condições sistémicas para o fazer. Como Laborinho Lúcio alerta: “Aos professores pode pedir-se muito. E pede-se. Mas não pode pedir-se tudo” (2021). O nosso grito de Guernica nasce da exaustão em tentar dar tudo sem ter as ferramentas necessárias. A realidade dos professores, perante este novo paradigma, não é linear. O foco na diferença e na individualidade pressupõe tempo, recursos e autonomia, elementos que escasseiam. A burocracia excessiva faz-nos sentir como as figuras fragmentadas da tela, desprovidas de foco e de força para a ação transformadora.

É neste contexto de complexidade que o professor é urgentemente chamado a adotar uma postura dinâmica e a integrar as mais variadas metodologias ativas. Não podemos continuar a ser meros transmissores de conteúdos; a inclusão exige que sejamos orientadores e facilitadores da aprendizagem.

As metodologias ativas – como o trabalho por projetos, a aprendizagem cooperativa ou a diferenciação pedagógica – são as chaves para responder à diversidade. Contudo, esta mudança de paradigma choca de frente com as restrições impostas e com a dura realidade vivida pela nossa sociedade em geral e pelos nossos alunos em particular.

António Sampaio da Nóvoa alerta precisamente para o perigo do professor ver o seu “espaço vital de ação” diminuído, correndo o risco de se tornar no “professor micro-ondas, ‘aquecendo’ e ‘servindo’ a pedagogia e os conteúdos preparados por outros” (2025). O paradoxo é cruel: somos impelidos a ser dinâmicos e facilitadores, mas o sistema confina-nos a um papel de executantes burocráticos. A energia que deveria ser canalizada para a diferenciação e para o desenho de caminhos ativos para o aluno com deficiência (e para todos os outros) é gasta a preencher relatórios e a lutar por recursos básicos.

O ideal da inclusão, segundo Luís de Miranda Correia, exige que a escola seja um guia para educadores e professores, munindo-os de estratégias para que o aluno se sinta verdadeiramente incluído (2016). Mas como implementar estratégias eficazes de diferenciação sem tempo para planear, refletir e cooperar? Conclusão: Da Denúncia de Guernica à Construção da Paz O quadro Guernica é uma denúncia. O nosso ensaio é uma denúncia. Não podemos construir uma escola inclusiva fingindo que o desafio da deficiência e da diversidade se resolve com a suavização da linguagem ou com normativos sem sustentação real. A verdadeira escola inclusiva passará por reconhecer e valorizar a postura dinâmica do professor enquanto orientador. Passará por investir na formação e na redução da burocracia que nos retorce o espírito. O fim da angústia do professor – o fim do nosso Guernica – só será possível quando o sistema sair da inércia, protegendo o tempo e a autonomia dos docentes para que possam, de facto, ser os arquitetos da inclusão que os nossos alunos merecem.

É tempo de dar forma à paz e à esperança que, mesmo no caos da tela, se insinua. É tempo de transformar a denúncia da dor (o Guernica) na ação concertada que tornará o princípio inclusivo numa realidade escolar sustentável

Lúcio, J. H. L. (2018). O Lugar do Não-Saber: Ensaios sobre a Escola, a Família e a Cidadania. Edições Afrontamento.

Lúcio, J. H. L. (2021). A Escola e a Construção da Confiança. Edições Afrontamento.

Nóvoa, A. S. (2025). Professores: Imagens do Futuro Presente. Edições Educa.

Correia, L. de M. (2016). Inclusão e Necessidades Educativas Específicas: Um Guia para Educadores. Porto Editora.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/o-guernica-do-professor-e-a-urgencia-da-acao/

Promessas Que Ficaram na Gaveta

Apoio aos diretores de turma ainda não chegou e há quem recuse horários porque não quer assumir o cargo

 

Medida foi anunciada pelo Governo em junho de 2024, como parte do plano “+ Aulas + Sucesso”, mas não saiu do papel. Representante dos diretores escolares alerta para o “cansaço extremo” dos docentes.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/promessas-que-ficaram-na-gaveta/

Informações-Prova 2025/2026

 

Informação-Prova Geral  – atualizada a 2 de dezembro

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/informacoes-prova-2025-2026/

“Portugal é dos países onde os professores mais se queixam da indisciplina”, concluiu a OCDE há uma década e repetiu-o este ano em que a idade da reforma volta a aumentar

 

Por Paulo Prudêncio

“Portugal é dos países onde os professores mais se queixam da indisciplina”, concluiu a OCDE há uma década e repetiu-o este ano em que a idade da reforma volta a aumentar

“A indisciplina reina nas salas de aula e coloca Portugal no primeiro lugar do tempo perdido para começar uma aula. Os seus professores são, na Europa, os mais desgastados e os que mais preenchem burocracia inútil. São vítimas de uma organização de trabalho que os adoece, mas são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos.” Estas conclusões têm cerca de uma década.

Ora, a mesma OCDE conclui em 2025 (“reportado por 62,1% dos professores, sendo muito mais alto, 73,6%, entre quem tem 5 ou menos anos de experiência”): “barulho e interrupções: Portugal é dos países onde os professores mais se queixam da indisciplina. A sua maior fonte de stress é o trabalho administrativo. Em nenhum país a taxa é tão alta.”

E o que mais impressiona nestes 10 anos de intervalo, é o silêncio do MECI e o desprezo do mundo político. Quando muito, a direita, que inclui a extremada, finge que acompanha os protestos dos professores quando a esquerda governa e vice-versa. Logo que se passa para governo ou para suporte parlamentar, assume-se a condição de amnésico. Além disso, um manto de mutismo caracteriza as campanhas eleitorais.

Aliás, ser professor tornou-se, há muito, uma gestão do desgaste, da mágoa, da revolta contida e da possibilidade da baixa médica. Acima de tudo, uma sociedade adoeceu quando mais de metade dos professores relata “agressões físicas ou verbais por parte dos alunos”. Apesar de, e como já escrevi, ser injusto generalizar até pela dificuldade dos estudos empíricos: “cada aluno não é um potencial agressor, nem cada professor um provável agredido.”

E o pior é o vigente cruzar de braços. Mas há soluções e sumarie-se duas ou três.

Mude-se radicalmente (e este radical é no mais sensato registo) o trágico, e populista, “estatuto” que fez do encarregado de educação um “cliente que tem sempre razão” na escola, com a habitual alegação indisciplinadora que os miúdos, as crianças-rei, percebem desde cedo: – Se a professora não se portou bem, diz que eu vou à escola.

Este clima é uma das consequências da burocracia, da autocracia desastrosa nos mega-agrupamentos, da avaliação dos professores e do que converteu em “castigo” as horas de redução por idade e tempo de serviço dos seus horários – é até degradante quando a “pena” cai nas mãos de pequenos tiranetes.

Na verdade, recorde-se que a maioria dos professores viu a idade da reforma passar dos 52 (pré-escolar e primeiro ciclo) ou 57 anos de idade (restantes ciclos), para os recentes 66 anos e 11 meses. E como nunca se criaram equipas educativas para leccionar o primeiro ciclo – o professor da turma finge que lecciona todo o currículo e não tem redução de horário com a idade -, infernizou-se os horários dos restantes ciclos – nivelando por baixo e estimulando a divisão da classe – com inutilidades destinadas aos excessos e aos dogmas na avaliação dos alunos, na interdisciplinaridade e nas articulações horizontal e vertical. Como tudo isto se tornou monstruoso sem sistemas de informação modernos e com avaliações externas inspiradas em meados do século XX, a redução transformou-se num “castigo” e num dos principais contributos para o desgaste que dificulta a liderança em ambientes de indisciplina e para a “fuga” ao exercício.

E, claro: se temos anos a fio de ciberbullying e dos algoritmos do ódio (as crianças crescem, desinformam-se e indisciplinam-se num país deslaçado, agressivo e violento), também temos uma maioria política desinteressada em limitar o acesso a redes sociais com o argumento surreal da censura às crianças e jovens. Aliás, veja-se a indiferença da sociedade com a crescente doença silenciosa dos quadros de mérito académico ou de valor até em crianças do primeiro ciclo e pré-adolescentes (no desporto, já se fazem Campeonatos do Mundo para miúdos de 10 a 12 anos de idade). Para além da tensão relacional entre os miúdos após as primeiras publicações e da violação dos direitos fundamentais, a OMS já inclui o bournout precoce na prevenção da saúde pública (e, no mínimo, reflicta-se com Roy Baumeister ou Michael Sandel). E apesar desta pandemia ainda se sustentar na ditadura portuguesa, a obra fundamental “Nenhuma medalha vale a saúde de uma criança”, de Jacques Personne, descreve a tragédia na União Soviética e na RDA. Os quadros e medalhas, equiparados à exploração do trabalho infantil, destinavam-se à arrepiante promoção de dirigentes, médicos, treinadores, professores e políticos, e, tantas vezes, à “sobrevivência” dos progenitores (e também ao ego).

De facto, e em síntese, a prevalecente imaturidade pedagógica, que estimula a indisciplina nas salas de aula, espelha-se em gritantes irresponsabilidades da seguinte família: publicitar informação crítica, e detalhada, sobre as formas de ciberbullying no mesmo espaço escolar onde se divulga quadros de mérito.

Nota: por falar em silêncio e mutismo, registe-se o apagão mediático quase generalizado da seguinte notícia do Público de 24 de Novembro de 2025: “Tolentino de Mendonça partilha Prémio Eduardo Lourenço com a “classe dos professores em crise”. O cardeal e poeta falou da “precariedade nas condições de trabalho”, da “complexidade sempre maior dos requisitos burocráticos” e de “uma espécie de solidão social” que afectam tantos professores. Diz-se hoje que são uma classe em crise e que perdeu o prestígio social que lhe estava associada. São preocupantes, em muitas partes do mundo, os indicadores do desgaste, desmotivação e burnout entre os professores.(…)”Numa época de acelerada transformação, como a que vivemos, onde se inauguram tantas possibilidades, mas também tantas incógnitas, como o impacto da inteligência artificial, a omnipresença da tecnologia, a crescente incerteza e vulnerabilidade entre os jovens, precisamos de potenciar o papel dos professores como indispensáveis mediadores culturais e humanos.(…)O professor “não é uma profissão do passado, é uma missão indispensável ao futuro”, porque é necessária a existência de “mestres e educadores, não só para encontrar respostas, mas para formular perguntas”.”

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/portugal-e-dos-paises-onde-os-professores-mais-se-queixam-da-indisciplina-concluiu-a-ocde-ha-uma-decada-e-repetiu-o-este-ano-em-que-a-idade-da-reforma-volta-a-aumentar/

A idade das Educadoras de Infância não conta para nada

As educadoras de infância deste país avançam para os 66 anos a trabalhar como quem sobe uma colina íngreme carregando às costas vinte e cinco pequenas forças da natureza entre os três e os cinco anos. A cada manhã entram na sala como heroínas silenciosas, mas o corpo já não acompanha a coragem e a cabeça já não caminha à velocidade de um tablet de última geração. Espera-se delas um vigor atlético que nem atletas profissionais mantêm aos cinquenta, quanto mais na casa dos sessenta, e ainda se exige que sorriam com graça enquanto equilibram choros, birras, recortes, plasticinas, reuniões, relatórios, legislação mutante e plataformas digitais que mudam mais depressa do que os cabelos ficam brancos. Diz-se que envelhecer é um privilégio, mas tentar acompanhar vinte e cinco mini-furacões quando o corpo protesta em todas as articulações ultrapassa o privilégio e entra diretamente na categoria de teste de resistência absurda.

É curioso como o sistema educativo finge não ver o óbvio: a partir de certa idade, por mais boa vontade que haja, a reciclagem tecnológica torna-se uma gincana digna de reality show. As novas metodologias chegam embrulhadas em jargões pedagógicos que parecem ter sido escritos por um algoritmo histérico, e muitos esperam que estas profissionais as dominem com a naturalidade com que uma criança domina um ecrã táctil. Mas a verdade é que há um limite biológico, emocional e cognitivo que não desaparece com formações obrigatórias ou com manuais de inovação. Fingir o contrário é apenas uma maneira elegante de não admitir que estamos a pedir o impossível.

Permitir que estas educadoras se reformem mais cedo não seria um luxo nem um capricho, mas um ato elementar de lucidez. Ganharíamos todos: elas recuperariam o direito a envelhecer com dignidade, o sistema deixaria de se apoiar na exaustão disfarçada de vocação e as crianças teriam quem as acompanhasse com energia genuína em vez de esforço hercúleo. Mas continuamos a tratar o desgaste como se fosse parte natural da profissão, uma espécie de taxa inevitável, como se fosse perfeitamente razoável esperar que alguém com mais de seis décadas de vida acompanhe o ritmo de vinte e cinco seres humanos cuja energia desafia as leis da física.

No fundo, empurrar estas profissionais até aos 66 é uma forma particularmente refinada de sarcasmo institucional: exige-se-lhes o impossível, finge-se que é perfeitamente normal e ainda se aplaude como se fosse prova de resiliência nacional. Talvez um dia o país perceba que manter educadoras exaustas em serviço não é poupança, é teimosia disfarçada de gestão. E até lá, elas continuam, heroicas e cansadas, a segurar com as próprias mãos um sistema que insiste em fazer de conta que não está a desmoronar.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/a-idade-das-educadoras-de-infancia-nao-conta-para-nada/

Luc Julia diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico – Paulo Prudêncio

Há muito que se percebeu que a sociedade que aí vem informatizará tudo o que for para informatizar, automatizará tudo o que for para automatizar e que as aplicações digitais usadas para controle e vigilância serão usadas para controle e vigilância. É o nível 4 da transição digital. O nível 5, que será longo e incerto, inclui a inteligência artificial (IA) e a robotização (já usei estes argumentos noutros textos).

Luc Julia diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico

E escute-se um dos criadores da Siri (“a Siri é um assistente virtual da Apple que ajuda a realizar tarefas com comandos de voz: fazer chamadas, enviar mensagens, definir lembretes, procurar informações na internet e controlar dispositivos domésticos inteligentes”. Para interagir com a Siri, pode-se, portanto, falar ou digitar os comandos. A Siri foi criada pela SRI International e adquirida pela Apple em 2010).

Um dos criadores da Siri, Luc Julia, e a exemplo de outros criadores deste universo que se afastam com mais ou menos humor, diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico e afastou-se. Além disso, os dissidentes são muito críticos dos algoritmos que varrem instantaneamente toda a internet e produzem (IA-Generativa) informação sem distinguir o que é verdadeiro ou falso. Agrava-se porque o algoritmo privilegia, na exibição aos utilizadores de todas as idades, os conteúdos que geram ódio e irritação, e que viciam, e que têm privilegiado os políticos que banalizam o mal, as mentiras constantes e a violência.

No universo escolar, também é muito questionável que se queira falar com um robô como se fosse um professor que ensina e ajuda a formar a personalidade (as redes sociais, tão caras à demagogia estridente, já o estão a fazer, até com as crianças e pre-adolescentes, há quase uma década, mas o intelectualismo vintage estava tão inebriado com as tecnologia que nada via).

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/luc-julia-diz-que-nao-tem-a-certeza-que-queira-falar-com-o-seu-frigorifico-paulo-prudencio/

A “excelência” não é coerência…..

 

Uma das coisas mais divertidas nas contradições ideológicas das escolas é ver os que defendem que os alunos “excelentes” devem ter as notas exibidas ao mundo”para seu bem” (e elas não são obtidas com comparação), em quadros de emulação, que, ao mesmo tempo, acham que as notas dos “excelentes professores” devem ser altamente secretas….

E, nem com a Comissão Nacional de Proteção de Dados, a dizer que as devem entregar aos outros avaliados, o fazem…..

E dizem e teimam, contra a lei e pareceres feitos por Juízes Conselheiros do Supremo Trinunal Administrativo, que não devem ser publicadas, divulgadas, ou sequer comunicadas, aos que são puxados para baixo por esses “ilustres profissionais” terem excelente ou muito bom.

Os argumentos peregrinos para exibir quadros de mérito dos alunos não justificariam fazer quadros de mérito dos “celentes” docentes do percentil?

Eu gostava de saber quem são os excelentes professores da minha escola e, por exemplo, se, entre eles estão os que apoiaram o plágio do diretor anterior, em apatia na participação nos órgãos.

Como alguém pode ter 10 na sua avaliação (ou excelente), que implica nota alta no item participação, a atuar anos com comportamentos que levaram à dissolução dos órgãos em que (não) agiu?

A nota dos alunos não é privada (mas só a eles diz respeito porque não afeta outros), mas a dos professores, que lha atribuem (que afeta a de outros por comparação em quotas com efeitos na carreira e salário), é secreta.

Não é, mas as escolas incumprem a lei.

O desvalor de menores de idade é público, o de adultos responsáveis é secreto e impenetrável, até para reclamar ou recorrer na defesa de direitos.

E nem se comunica a quem tem prejuízo com ela…..

Os quadros de mérito supostamente são coisa boa, mas para os professores, que defendem tal coisa, o “mérito” é segredo….

Portugal medíocre no seu melhor…..

Há excelências que pensam tão mal….

Luís Sottomaior Braga

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/a-excelencia-nao-e-coerencia/

Estamos a criar monstros, em vez de seres humanos?

É praticamente impossível não se ficar atordoado com notícias como as que vieram a público nos últimos dias, dando conta de certos actos bárbaros, ilustrativos da bestialidade humana,completamente desprovida de empatia pelo outro:

Onze elementos dos Bombeiros Voluntários do Fundão estão acusados de várias agressões, entre as quais, violação sexualcolectiva e coacção sexual. Essas agressões, gravadas porcâmaras de vigilância e pelos próprios agressores, terão sido perpetradas contra um jovem de dezanove anos de idade da mesma corporação. Alegadamente, um dos agressores desempenhava inclusive o cargo de “Chefe” na citada instituição;

Dez militares da GNR e um agente da PSP estão acusados de exploração/escravização de imigrantes. Segundo um relatório publicado pela Polícia Judiciária em 25 de Novembro passado:

Em causa está uma organização criminosa que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal.

Através de empresas de trabalho temporário, criadas para o efeito, aproveitava-se da vulnerabilidade dos mesmos, explorando-os, cobrando alojamentos e alimentação e mantendo-os sob coação através de ameaças, havendo mesmo vários episódios de ofensas à integridade física.

Ao longo de vários meses, a PJ realizou inúmeras diligências investigatórias que permitiram obter indícios e elementos incriminatórios, bem como traçar o quadro geral do funcionamento deste grupo violento, de estilo mafioso.”

Tanto no primeiro caso, como no segundo, dominam a maldade, a crueldade, a violência e as agressões, praticadas contra seres humanos em situação de incapacidade de defesa e/ou de fragilidade, o que torna a cobardia e o sadismo destes agressores em algo absolutamente monstruoso e repugnante.

No caso dos bombeiros do Fundão, e ao que tudo indica, a maldade e a crueldade terão sido praticadas de forma gratuita,para gáudio e divertimento dos agressores.

No caso dos militares da GNR e do agente da PSP, terão sido praticadas, sobretudo, com o objectivo de enriquecimento ilícito, à custa da escravização de seres humanos.

Em ambos os casos, os alegados agressores não são crianças ou jovens, eventualmente sem noção das consequências ou da gravidade dos actos praticados. São adultos. Adultos.

São adultos, em quem, à partida, se deveria poder confiar e com responsabilidades sociais acrescidas, uns enquanto bombeiros, os outros enquanto agentes de autoridade.

Estes dois acontecimentos, onde estão bem espelhadas a monstruosidade e a perversidade de alguns pretensos seres humanos, não pode deixar de nos preocupar, mas, tambémenvergonhar, a todos, enquanto cidadãos, enquanto agentes educativos e enquanto mães ou pais…

No sentido anterior, não podemos ignorar nem escamotear nenhuma das bárbaras agressões recentemente conhecidas, sob pena de nos tornarmos potenciais cúmplices, coniventes com manifestações de abominável violência.

Admitindo que, em ambos os casos, alguns dos alegados agressores possam ser pais, que exemplo estarão a dar aos seus próprios filhos?

Como conseguirão encarar os seus próprios filhos?

Subjugar, agredir e/ou humilhar costuma ser típico de criaturas monstruosas, más, cruéis, selvagens, que não são dignas de serem apelidadas de “humanas”.

Há que ter a coragem e a frontalidade de reconhecer a existência de tais criaturas e de defender que tudo deverá ser feito para as erradicar do mundo onde vivemos, desde logo, afastando-as, para sempre, de todas as funções públicas ou de interesse público que exerciam e punindo-as legalmente por todos os crimes praticados.

Convirá não esquecer que a credibilidade e a idoneidade das instituições onde militam os acusados também dependem do anterior.

O pior que poderá acontecer a estas vítimas é serem duplamente penalizadas:

– Penalizadas por a sua dignidade ter sido vilipendiada e penalizadas por não verem a Justiça ser aplicada…

Da dor já ninguém as poderá livrar, mas que, pelo menos, consigam ver punidos os seus brutais agressores…

Não podemos deixar que o mal triunfe, não podemos deixar que o mesmo se “normalize”. Não é possível ficar em silêncio perante tamanhas aberrações comportamentais, opostas à racionalidade e à humanidade.

Hoje as vítimas são as que se conhecem, amanhã poderemos ser nós ou algum dos nossos… O mal não acontece só aos outros…

Afinal, o “homem das cavernas” não desapareceu. Anda por aí e pode revelar-se nas mais variadas circunstâncias…

A civilização ainda não conseguiu anular a perversidade e a maldade patentes em algumas mentes ditas “humanas”…

Afinal, a natureza humana nem sempre é naturalmente boa, como defendia Rousseau:O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”…

Ainda que todos os acusados possam gozar do princípio jurídico da presunção de inocência, à luz do que já se conhece, torna-se praticamente impossível acreditar que nestes dois episódiospossam existir efectivos “inocentes”…

Inocentes só mesmo as vítimas…

A “normalidade” não pode ser isto…

Estamos a criar monstros, em vez de seres humanos?

Paula Dias 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/estamos-a-criar-monstros-em-vez-de-seres-humanos/

O Desgaste Oculto e o Engano da Idade Cronológica na Reforma dos Professores

A discussão sobre o aumento da idade legal para a reforma tem ignorado um factor crucial e cientificamente comprovado a idade biológica da população que trabalha. Enquanto os critérios actuais se baseiam estritamente na esperança média de vida e na consequente idade cronológica o corpo humano está a apresentar um envelhecimento acelerado em comparação com os anos que celebramos o que torna o adiamento contínuo da reforma insustentável e injusto.

O caso dos professores serve como um exemplo paradigmático deste desfasamento. Estes profissionais estão sujeitos a um stress cognitivo e emocional elevado ao longo de décadas de serviço que se manifesta não só em problemas de saúde mental mas também num desgaste físico evidente. A idade biológica destes indivíduos muitas vezes ultrapassa significativamente a idade cronológica devido a fatores como as longas horas de trabalho a correção noturna de testes o esforço vocal constante e o ambiente de trabalho por vezes exigente. Forçar um professor a prolongar o seu tempo de serviço apenas porque a idade cronológica legal aumentou ignora a realidade da sua capacidade funcional e o esgotamento acumulado.

Estudos recentes na área da epigenética utilizando ferramentas como os relógios epigenéticos têm demonstrado que o ritmo a que as células envelhecem é altamente variável. Estes relógios que medem a metilação do ADN um marcador molecular do envelhecimento fornecem uma estimativa mais precisa da idade biológica de um indivíduo do que o simples número de aniversários. A investigação aponta para o facto de que fatores como o stress crónico a exposição ambiental e o estilo de vida aceleram este relógio biológico. O prolongamento da vida útil da população não significa necessariamente um aumento de anos saudáveis. Viver mais tempo com mais doenças e menor capacidade funcional é o que a ciência está a indicar para muitos profissionais. Por exemplo artigos científicos demonstram que altos níveis de stress ocupacional têm um impacto negativo direto nos biomarcadores de envelhecimento celular.

Defender que a idade da reforma deve ser revista tendo como referência a diminuição da idade biológica em vez do aumento da idade cronológica é uma questão de justiça social e racionalidade económica. Manter trabalhadores altamente desgastados em funções por mais tempo conduz a uma diminuição da produtividade a um aumento do absentismo e a custos significativos para o Serviço Nacional de Saúde devido ao agravamento de doenças crónicas. A lei deveria reconhecer o desgaste diferenciado de cada profissão e de cada indivíduo. A introdução de um Fator de Desgaste Biológico no cálculo da idade de acesso à reforma seria um mecanismo justo que permitiria a reforma antecipada sem penalização para aqueles cujo corpo já atingiu um nível de envelhecimento biológico que compromete a sua qualidade de vida e capacidade de trabalho. A reforma deve ser uma recompensa pelo serviço prestado e pelo desgaste inerente não um alvo móvel ditado por uma estatística cega.

Venham mais uns anos… Quem tem, hoje, 50 anos, se fizer uma simulação simples no site da CGA, descobrirá que só se poderá reformar aos 68,5 anos… por agora!

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/o-desgaste-oculto-e-o-engano-da-idade-cronologica-na-reforma-dos-professores/

FNE Exige Resposta Urgente do MECI Sobre a Falta de Vagas para a Profissionalização em Serviço

Falta de vagas na Profissionalização em Serviço exige resposta urgente do MECI

 

A Federação Nacional da Educação (FNE) tem recebido várias manifestações de preocupação de professores candidatos à Profissionalização em Serviço, que se deparam com a ausência de vagas suficientes para darem continuidade ao seu percurso profissional. Esta situação está a gerar compreensível apreensão e incerteza num conjunto de docentes que, de boa-fé e cumprindo todos os requisitos, se vê agora sem respostas claras sobre o seu futuro.

A falta de vagas deixa os candidatos sem saber quais os passos seguintes, sem informação sobre alternativas e sem garantias quanto à sua situação profissional imediata e futura. Para a FNE, esta ausência de orientação é inaceitável e contraria os princípios de transparência, previsibilidade e estabilidade que devem nortear a política de recursos humanos na educação.

A FNE considera urgente e indispensável que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) esclareça, com carácter de urgência, como pretende resolver este problema e quais as medidas previstas para garantir a abertura das vagas necessárias para assegurar a profissionalização de todos os candidatos que reúnem as condições exigidas, a definição de um calendário claro e público, que permita aos interessados tomar decisões informadas, e a garantia de que nenhum docente será prejudicado pela insuficiência de resposta administrativa.

Estes docentes têm desempenhado funções nas escolas, contribuindo diariamente para o funcionamento do sistema educativo e para a aprendizagem dos alunos. Não podem agora ser confrontados com um vazio de informação e com o risco de ficarem numa situação profissional indefinida.

A FNE reitera a sua total disponibilidade para colaborar na construção de uma solução que respeite os direitos destes profissionais e assegure a estabilidade necessária ao sistema educativo. O MECI deve, sem demora, prestar uma resposta cabal e responsável que dê segurança aos docentes e garanta que nenhum fica para trás.

Porto, 28 de novembro de 2025

A Comissão Executiva
Federação Nacional da Educação

Ofício enviado ao MECI – PDF 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/fne-exige-resposta-urgente-do-meci-sobre-a-falta-de-vagas-para-a-profissionalizacao-em-servico/

Às vezes esqueces-te todos os dias do porquê de ser professor – João André Costa

 

Por ser Sexta-feira à tarde e à Sexta-feira à tarde a Directora pega na pastinha e vai para casa toda laroca à hora de almoço.

Diz ser o seu dia livre, o dia de ir ao mercado e, por conseguinte, a sua mera presença na escola é em si um grande e excelso favor pelo qual o povo e os súbditos devem estar eternamente agradecidos, incluindo o Luís.

O Luís ao fim do dia por sua conta e sozinho de vigia à paragem de autocarro e a razão é simples quando se quer garantir um fim-de-semana com um mínimo de paz, a começar logo pela Sexta-feira.

O contrário mais a sua ausência de plantão à paragem de autocarro não é senão o catalisador para a pancadaria geral da populaça estudantil, resultado directo da aridez vocabular quando as emoções estão à flor da pele.

E com a pancadaria e pela pancadaria a certeza de ficar para trás a trabalhar na escola até às tantas enquanto se separam alunos e contendas mais os primeiros-socorros da praxe e os telefonemas para os pais imediatamente acusatórios da falta de vigilância da escola e a culpa é do Luís.

E, portanto, lá vai o Luís feito emplastro para a paragem de autocarro, uma delas pelo menos, até porque os alunos não moram todos no mesmo lugar e essa é a ordem natural das coisas.

O pior é tentar explicar isto à Directora já em casa de pantufas e vinho branco na mão, e não literalmente na mão caso contrário era para sorver mas no copo e o copo na mão, enquanto vê as tardes da Tânia e a vida é bela.

Isto porque a porrada pode mesmo ser o verbo do dia, ou da tarde, na outra paragem distante de oitocentos metros e a obrigação do Luís é a de ser omnipresente ou então partir-se em dois enquanto corre de uma paragem para a outra com a mesma celeridade das mensagens de texto enviadas para o telemóvel da Directora.

Hoje a missão do Luís é simples: garantir a ida para casa de dois alunos desavindos em autocarros separados e já lá vem o primeiro cachopo a atravessar a estrada a caminho da paragem mais distante.

O segundo aluno ainda está na escola e tudo estaria bem caso o Luís soubesse de cor onde cada aluno mora e como o primeiro já vai a caminho, o Luís indica por telefone à Luísa na escola estar o caminho não apenas livre mas seguro.

Sete minutos depois chega o segundo cachopo e o galo do Luís ao vê-lo atravessar a mesma estrada em direção à paragem mais distante.

E o Luís no seu encalço enquanto no telemóvel chovem ameaças e condenações e a certeza de um processo disciplinar na Segunda-feira.

A culpa é do Luís e o Luís devia saber de cor cada morada, cada rua, cada porta, a cor de cada casa e se tem um cão ou um gato.

E sim, o fim-de-semana inevitavelmente perdido enquanto o Luís deita os bofes pela boca mesmo a tempo de chegar à outra paragem onde os dois rapazes não só estão juntos como se preparam para entrar no mesmo autocarro daqui por dois minutos.

A ordem no telefone é só uma e aqui vai o Luís para dentro do autocarro a caminho da Picheleira.

Mas o autocarro está à pinha e o Luís não tem onde se agarrar, a porta não fecha, o motorista tenta uma, duas, três vezes, o Luís empurra uma, duas, três caneladas e o Luís aos pulinhos de dor para fora do autocarro mesmo a tempo de ver fechar as portas e o Luís para trás a chuchar de dedo na boca.

E agora explicar isto à Directora? De paralítico do cérebro para baixo, a Directora chamou-lhe de tudo entre raios, relâmpagos e trovões, e não só os raios, relâmpagos e trovões do lado de lá do telefone mas deste lado também numa daquelas bátegas de água impossíveis, e como o Luís não trouxe o guarda-chuva a certeza é só uma e esta é, definitivamente, uma Sexta-feira memorável.

E se a vontade de chegar ao fim da semana já era pouca, ainda para mais quando se tem o emprego de pai e a catraiada toda em casa à espera, agora é zero.

A pancadaria a bordo do autocarro foi épica, rapidamente alastrando-se pelo bairro da Picheleira fora mais os bombeiros, policia e jornalistas e a tromba do Luís no Pasquim da Manhã do dia seguinte: “Professor tresloucado incita batalha campal”.

O Luís acorda de repente, ainda a suar e como de costume a suar quando o Luís se esquece de tirar as meias.

E quando o Luís se esquece de tirar as meias, a noite é como o dia e recheada de pesadelos.

O Luís pega no jornal.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/as-vezes-esqueces-te-todos-os-dias-do-porque-de-ser-professor-joao-andre-costa/

Projeto C.A.F.E. – Procedimento concursal 2026 – Listas definitivas

 

Publicação das Listas Definitivas dos candidatos admitidos, selecionados e excluídos ao Procedimento Concursal com vista à constituição de uma bolsa anual de docentes para o exercício de funções no Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste, em 2026.

Listas Definitivas dos candidatos admitidos, selecionados e excluídos – Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste em 2026

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/projeto-c-a-f-e-procedimento-concursal-2026-listas-definitivas/

Um cidadão forma-se em casa através do exemplo dos pais

Desde há muitos anos que se repete a ideia de que a escola é responsável por formar cidadãos, mas a verdade é bem mais simples e muito menos confortável. A educação não começa no portão da escola e muito menos termina nos horários letivos. Começa em casa, entre rotinas apressadas, conversas à mesa e atitudes que as crianças absorvem antes mesmo de perceberem o significado das palavras. São esses pequenos gestos que moldam a pessoa que irão ser muito antes de aprenderem as capitais da Europa ou o ciclo da água.

A escola esforça-se, cria projetos, promove campanhas e inventa formas de explicar civismo, empatia e respeito. No entanto, o que uma criança vê em casa supera qualquer manual ou projeto. Uma criança que cresce a observar boas atitudes acabará por entender a importância do diálogo. Uma criança que presencia gritos como método de resolução de conflitos aprende a gritar ainda antes de saber argumentar. Uma criança que vê portas a serem fechadas com violência acabará por crescer com a mesma incapacidade de lidar com frustrações. Não é magia, é repetição.

Muitos pais continuam a acreditar que basta deixarem os filhos na escola para que esta corrija o que não se faz em casa. Como se o simples facto de a frequentar fosse garantia de se tornar uma boa pessoa. A escola faz o que pode e, por vezes, tenta fazer o que não pode. Mas nenhum professor consegue desfazer em algumas horas diárias o que se constrói em anos e anos de rotinas familiares de todo o tipo.

Os adultos que hoje criticam o mundo e a vida que levam raramente percebem que grande parte dos seus comportamentos são reflexos diretos da infância que tiveram. Repetem relações falhadas, atitudes destrutivas, vícios herdados e padrões de vida que lhes estão colados à pele. Crescem à espera que o futuro seja diferente, mas continuam a percorrer os mesmos caminhos que os pais lhes mostraram e nada fazem para o alterar.

Se queremos realmente uma sociedade mais justa e humana, a mudança não começa na escola. Começa no seio familiar. É aí que se aprende a partilhar, a pedir desculpa, a ouvir, a esperar, a cuidar e a respeitar. É aí que se forma o carácter. A escola pode reforçar valores e ensinar a viver em comunidade, mas não substitui o exemplo diário dos pais. A cidadania nasce muito antes de se aprender a conjugar verbos ou a resolver equações, vem do berço.

Chegou o momento de muitos pais reconhecerem que o futuro dos filhos depende menos do que eles exigem à escola e mais do que fazem em casa. Se quiserem filhos adultos diferentes daqueles que hoje criticam, terão de começar por ser diferentes enquanto pais. Porque o verdadeiro ciclo que vale a pena quebrar é o que transforma erros antigos em heranças inevitáveis.

A sociedade constrói-se com professores dedicados, sim, mas sobretudo com famílias que assumem a sua parte do trabalho de educar os seus filhos dentro de padrões de aceitáveis pela sociedade e para a sociedade. É na soma desses dois mundos que se forma um cidadão capaz de pensar, sentir e agir com consciência e bom senso. E é essa responsabilidade partilhada que decide o tipo de pessoas que deixamos para o futuro.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/um-cidadao-forma-se-em-casa-atraves-do-exemplo-dos-pais/

Reserva de Recrutamento 21 2025/2026

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 21.ª Reserva de Recrutamento 2025/2026.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de sexta-feira, dia 28 de novembro, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 2 de dezembro de 2025 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento nº21 – 2025/2026

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/reserva-de-recrutamento-21-2025-2026/

Grupo de professores de Escola Portuguesa de Díli em greve

 

“O não cumprimento da legislação por parte da tutela relativamente ao pagamento do subsídio de instalação [ao qual consideramos ter direito] levou a esta paralisação”, referem os professores em nota.

Grupo de professores de Escola Portuguesa de Díli em greve

Um grupo de professores da Escola Portuguesa de Díli realizou esta quinta-feira uma greve para exigir o pagamento de subsídio de instalação, que lhes foi inicialmente atribuído e terão agora de devolver.

“O não cumprimento da legislação por parte da tutela relativamente ao pagamento do subsídio de instalação [ao qual consideramos ter direito] levou a esta paralisação e resulta da necessidade de manifestar preocupação e descontentamento face à situação laboral que nos tem afetado nos últimos meses, bem como defender os direitos e garantias que a legislação portuguesa consagra para os trabalhadores em funções públicas“, referem os professores numa nota à imprensa.

O grupo de 31 professores esteve a dar aulas na Escola Portuguesa de Díli em mobilidade estatuária, tendo terminado funções a 31 de agosto de 2025.

Os professores concorreram ao concurso interno, realizado em julho de 2025, mas o resultado e a respetiva aceitação só aconteceu, quando já estavam de férias em Portugal.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/grupo-de-professores-de-escola-portuguesa-de-dili-em-greve/

O Peso do Silêncio e da Cumplicidade na Escola – José Pereira da Silva

 

O poder, quando é mal usado, tem um sabor frio. Não se mede pelo que se constrói, mas pelo que destrói: reputações, confiança e dignidade. Há quem o use para ferir, manipular a verdade, para tornar a mentira realidade. Pergunto-me muitas vezes que prazer encontra quem segue esse caminho… Que ganho há em tentar esmagar um colega, em distorcer o que é evidente, em humilhar e dominar?
E depois estão os que observam. Que veem, sabem, mas escolhem não agir. Alguns passam ao lado, indiferentes, como se nada lhes dissesse respeito. Outros, pior ainda, decidem apoiar quem abusa, ajudando a perpetuar injustiças, compactuando com mentiras, colaborando com a perseguição. O silêncio e a cumplicidade transformam-se em armas poderosas, que fortalecem o opressor e prolongam o sofrimento e a injustiça.
Mas nem tudo se perde. No meio do medo, da mentira e da conveniência, há quem resiste, não se curva, não desiste, mesmo quando está só, porque sabe que a verdade e a razão estão do seu lado. A coragem é ausência de medo, é decidir agir, permanecer firme, defender o que é justo, mesmo quando é difícil e não se tem apoio dos pares.
A escola não pode ser apenas um lugar de transmissão de conhecimentos. Deve ser um espaço de valores, de exemplo, de cidadania e de resiliência. Cada gesto, escolha, silêncio, cumplicidade, transmite uma lição invisível, mas real. A responsabilidade é de todos nós: o que toleramos, defendemos, compactuamos, molda o ambiente que deixamos aos que aprendem conosco.
No fim, ser educador é, sobretudo, viver aquilo que se ensina. É ter coragem quando é mais fácil silenciar. É resistir quando tudo parece inclinar-se para o erro. E confiar que, mesmo no meio de injustiças e cumplicidades, a integridade, a verdade e a razão continuam a existir, e que é nelas que reside a esperança de uma escola justa e humana.

José Pereira da Silva

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/o-peso-do-silencio-e-da-cumplicidade-na-escola-jose-pereira-da-silva/

66 anos e 11 meses é a idade da reforma em 2027

Em 2027, a idade da reforma em Portugal vai subir para 66 anos e 11 meses, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/66-anos-e-11-meses-e-a-idade-da-reforma-em-2027/

A escola a tempo inteiro e o país a tempo parcial

Sempre defendi que o modelo pedagógico ideal para o primeiro ciclo era simples. As aulas acontecem de manhã, quando o cérebro das crianças está acordado, pronto para aprender, e a tarde fica reservada para outras actividades (AEC), de preferência com sentido. Mas, em Portugal tem-se uma capacidade espantosa de complicar. Em vez de pensar nas aprendizagens, pensa-se no depósito de crianças. A escola a tempo inteiro não serve as crianças nem os professores, serve sobretudo a logística familiar e uma espécie de repouso social. A escola passa a ser o prolongamento de casa, a incubadora pós-moderna onde as crianças são estacionadas até que alguém as venha recolher ao fim do dia.

O problema é, que continuam a confundir a escola com um abrigo infantil. Como se uma escola pudesse substituir aquilo que se constrói na sala de estar, ao jantar, numa conversa sobre o mundo, ou num não na hora certa. Depois admiram-se quando os resultados não acompanham as elevadas expectativas. Não percebem que não se trata de quantidade de horas, mas da qualidade da relação com o saber e da segurança do ambiente familiar.

Mas se isto fosse, apenas, uma questão pedagógica, seria fácil. A coisa torna-se verdadeiramente surreal quando olhamos para as Atividades de Enriquecimento Curricular. Querem música, dança, karaté, mandarim e robótica, tudo por valores simbólicos, mas depois espantam-se quando não conseguem contratar técnicos. Há quem pense que um profissional da área vai abandonar tudo para ganhar umas horas avulsas que mal dão para pagar o combustível. Municípios e empresas de AEC andam numa caça ao tesouro que, obviamente, não tem frutos. O mercado de trabalho não se rege por voluntariado. Há quem tenha contas para pagar.

E é aqui que entra a ironia do costume. Portugal congratula-se por ter a escola a tempo inteiro, mas esquece-se de que funciona num país a tempo parcial. A exigência é grande, mas a remuneração é pequena. A procura é alta, mas a estabilidade não existe. Depois perguntam por que razão não há técnicos interessados. Talvez porque ninguém consegue viver com salários que parecem calculados por quem nunca fez um orçamento doméstico.

A cereja no topo do bolo é acreditar que tudo isto acontece em nome das crianças. As crianças ficam saturadas, passam dez horas, ou mais, na escola e aprendem menos do que poderiam aprender. Criámos um sistema que serve mais os adultos que os alunos. Um sistema que empurra profissionais para horários impossíveis e famílias para a ilusão de que tudo se resolve com mais tempo na escola.

O país gosta de se convencer de que tem uma educação moderna e virada para o futuro. Mas modernizar não é esticar horários até ao limite e chamar-lhe evolução. Modernizar é respeitar ritmos, contratar com dignidade, evitar que as escolas funcionem como armazéns de crianças e ter a coragem de assumir que a pedagogia não deve ser construída em função das necessidades da agenda dos pais e encarregados de educação.

Enquanto insistirmos na fantasia de escola a tempo inteiro, nos moldes atuais, continuaremos a formar alunos cansados, professores exaustos e técnicos inexistentes. E depois admiramo-nos que o sistema falhe. Talvez seja porque anda a funcionar a tempo inteiro, mas sempre em esforço, e com recursos a tempo parcial.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/a-escola-a-tempo-inteiro-e-o-pais-a-tempo-parcial/

Antes de abrir a boca deve-se confirmar qualquer denúncia

Diretora e Associação de Estudantes da Escola Secundária Gil Vicente garantem que a informação veiculada pela deputada do Chega “é falsa”. A deputada diz que recebeu uma “denúncia” de um encarregado de educação.

Escola de Lisboa desmente Rita Matias e a proibição de uma festa de Natal

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/antes-de-abrir-a-boca-deve-se-confirmar-qualquer-denuncia/

Sobre a Finalização dos Contratos no Mês de Dezembro

A DGAE desde 2023 tem notificado as escolas, no fim da primeira semana de dezembro, que estariam impedidas de finalizar os contratos dos docentes até ao início de janeiro sem efeitos retroativos.

Esta medida é devido à necessidade do docente para ser candidato à vinculação dinâmica ter contrato ativo no dia 31 de dezembro. E como as reservas são suspensas em grande parte do mês de dezembro, os contratos, mesmo que finalizados, são prolongados até ao primeiro dia útil de janeiro.

Em 2023 a informação foi dada no dia 6 de dezembro e em 2024 no dia 7 de dezembro.

O que prevjo é que a mesma informação seja dada por essa altura e semelhante aos anos anteriores.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/sobre-a-finalizacao-dos-contratos-no-mes-de-dezembro/

Inverteu-se a lógica do Ensino Profissional?

Muito dificilmente alguém com responsabilidades na área da Educação poderá deixar de reconhecer a importância do Ensino Profissional nas escolas públicas, desde logo pela sua natureza essencialmente prática e predominantemente orientada para a inserção no mercado de trabalho.

Os “doutores e engenheiros” fazem falta ao país, mas não bastam para satisfazer as necessidades do mercado de trabalho, em todas as suas vertentes.

O Ensino Profissional deve ser reconhecido e valorizado? Deve.

O Ensino Profissional permitiu reduzir o abandono escolar? Permitiu.

Permitiu reduzir o abandono escolar, mas…

Ao mesmo tempo que o Ensino Profissional tem permitido reduzir o abandono escolar nas escolas públicas, também se foi tornando no “parente pobre” das vias de ensino, frequentemente olhado como a derradeira alternativa/oportunidade para conseguir manter muitos alunos na escola, tendo como principal objectivo o cumprimento da escolaridade obrigatória.

Para muitos alunos, a frequência de um determinado Curso Profissional não é uma questão de vocação ou sequer uma escolha consciente, mas antes a única forma de continuarem na escola até aos 18 anos de idade e, se possível, concluírem o Ensino Secundário.

Dadas as incontornáveis dificuldades de aprendizagem experimentadas no Ensino Básico, um número significativo de alunos acaba por enveredar por Cursos Profissionais, muitas vezes convictos de que os mesmos serão mais fáceis do que as alternativas existentes no dito “Ensino Regular”.

O principal resultado do anterior costumam ser Turmas repletas de alunos, mas nem sempre os próprios saberão bem o que ali estão a fazer.

Muitos desses alunos têm, à entrada para o 10º Ano de Escolaridade, 16, 17 anos de idade, consequência mais óbvia do insucesso escolar ocorrido ao longo do Ensino Básico.
O Ensino Profissional acaba, assim, por ser encarado como uma escapatória, sobretudo para os alunos que, à saída do Ensino Básico, apresentam um perfil plausivelmente incompatível com a frequência de Cursos Científico-Humanísticos.

Por vários motivos, poderá ser difícil assumir o anterior e reconhecê-lo, mas na prática, no quotidiano das escolas, acaba por ser essa a crença vigente.

Mas o Ensino Profissional existente nas Escolas Públicas não pode continuar a ser visto como uma via de ensino “enjeitada”, sobretudo destinada aos “perdedores”.

Enquanto subsistir essa convicção, muito dificilmente se poderá valorizar, de forma efectiva, o Ensino Profissional e promover a dignificação que o mesmo merece, sem esquecer que, diariamente, muitos alunos e profissionais de Educação dão o seu melhor, na prossecução de bons resultados.

Sobretudo pela especificidade inerente a qualquer Curso Profissional, não fará qualquer sentido deixar de lado ou ignorar a necessária vocação/aptidão, para a respectiva área de actividade.

No momento actual, e já há vários anos, parece que se inverteu a lógica do Ensino Profissional:

– As imprescindíveis vocações/aptidões tendem, cada vez mais, a serem desvirtuadas e substituídas por outros factores que, na maior parte dos casos, nada têm a ver com escolhas conscientes e intencionais, por parte dos alunos.

O Ensino Profissional não deveria ser isso. A mentalidade não pode ser essa.

Reduzir o Ensino Profissional a um meio pelo qual se cumpre a escolaridade obrigatória e se diminui, artificialmente, o abandono escolar, como muitas vezes acontece, é subverter a sua essência e a sua finalidade…

Há alunos francamente empenhados e motivados nos respectivos Cursos Profissionais e que conseguem obter resultados escolares consonantes com a sua dedicação, mas esses estão muito longe de ser a maioria.

A maioria vai-se arrastando pelos corredores das escolas, uns à espera que chegue a maioridade, outros à espera de alcançar “o mínimos dos mínimos”, comummente designado por “sucesso escolar”…
Mas no fim o que realmente conta e importa serão os dados fornecidos pelas estatísticas oficiais, tantas vezes irreais e enganadoras, traduzidas por taxas de sucesso a rondar os 100%…

O que poderá estar mal nos Cursos Profissionais quando as respectivas taxas de sucesso rondam a plenitude?

Certamente, tudo estará bem quando uma taxa de sucesso ronda a plenitude…

Ou será que não?

Paula Dias

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/inverteu-se-a-logica-do-ensino-profissional/

Nota Explicativa do MECI Sobre o OE 2026

Clicar na imagem para abrir a Nota Explicativa do MECI sobre o Orçamento de Estado de 2026 na Educação.
 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/nota-explicativa-do-meci-sobre-o-oe-2026/

Load more