Category: Rui Cardoso

Contas confusas em vez de contas certas

Estranho é que tenha havido tantas propostas e decisões sobre recuperação do tempo de serviço dos professores sem ter contas independentes, rigorosas e credíveis.

Contas confusas em vez de contas certas

A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) da Assembleia da República diz que avaliar quanto custa devolver a totalidade do tempo de serviço congelado aos professores — e a outros profissionais de carreiras da Administração Pública similares — tem tudo para ser “a análise de custeio mais extensa” da sua história. E que não conseguirá fazer esse trabalho a tempo de ele ser considerado nas votações das propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2024.

 

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/11/contas-confusas-em-vez-de-contas-certas/

Que força têm 150.649 Professores?

 

A Plataforma PORDATA regista, no ano de 2022, a existência de 150.649 Docentes em exercício de funções nos Ensinos Pré-Escolar, Básico e Secundário…

Que força têm cento e cinquenta mil, seiscentos e quarenta e nove (150.649) Docentes?

Que força têm os Sindicatos de Educação, que supostamente representam cento e cinquenta mil, seiscentos e quarenta e nove (150.649) Docentes?

Sendo realista e honesto, as duas perguntas anteriores, não poderão deixar de ter a mesma resposta:

– Nenhuma…

Sobretudo em momentos de crise, a eficácia da luta de qualquer classe profissional não pode deixar de ser medida pela sua capacidade reivindicativa, nomeadamente pelas pretensões que consegue ou não alcançar junto daqueles que tutelam a sua actividade…

No caso da Educação, no momento presente, o resumo da capacidade reivindicativa da Classe Docente parece ser este:

–  Professores sem rumo definido e Sindicatos à deriva…

Que contestação visível existe, neste momento, dentro de cada escola?

– Nenhuma…

As últimas Greves, à Sexta-Feira, resolveram algum dos problemas que afectam a Classe Docente?

As últimas Greves, à Sexta-Feira, permitiram alcançar alguma das pretensões Docentes?

Sendo realista e honesto, a resposta às duas perguntas anteriores, não poderá deixar de ser esta:

– Não…

As estruturas sindicais que supostamente representam os Professores parecem ter-se transformado em caricaturas de Sindicatos:

– Uns “em frangalhos” (STOP), outros “de pantufas” (FENPROF)…

Que crédito poderá ser reconhecido a tais Sindicatos?

Que capacidade negocial lhes poderá ser reconhecida?

Os Professores estão, efectivamente, “órfãos de Sindicatos”, abandonados à sua sorte…

Quem conseguir, que demonstre que essa não é uma realidade factual…

Parece incontestável que a banalização das folclóricas Manifestações de rua e as habituais Greves à 6ª feira não têm operado qualquer mudança significativa dentro de cada escola, nem removido as políticas perversas e injustas concebidas pela Tutela…

E já se chegou àquele ponto em que não é possível deixar de imputar aos Sindicatos a principal responsabilidade pela desunião Docente e pela incapacidade reivindicativa dessa classe profissional…

Quando as duas principais estruturas sindicais, FENPROF e STOP, optam por digladiar-se em plena praça pública, parece óbvio que abdicaram da defesa comum dos interesses dos seus supostos representados…

Quem conseguir, que demonstre o contrário…

Afinal, o que move essas estruturas sindicais?

O tempo corre a favor de uma Tutela perversa, ardilosa e incapaz de reconhecer e assumir a realidade…

Alguma vez existirá a coragem para fechar as escolas por tempo indeterminado?

O que poderá, ainda, mobilizar os Professores, enquanto classe profissional?

Os Professores aceitam resignar-se e “arrumar as botas” de vez, fazendo de conta que a luta, afinal, não passou de um “erro de casting” ou de um equívoco?

Que força têm cento e cinquenta mil, seiscentos e quarenta e nove (150.649) Docentes?

(Paula Dias)

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/11/que-forca-tem-150-649-professores/

Informações-prova de 2023/2024

 

Já se encontram disponíveis, na página do IAVE, as Informações-prova de 2023/2024.

 Estas podem ser consultadas em: https://iave.pt/provas-e-exames/informacoes/, acedendo à Informação – Prova Geral “.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/informacoes-prova-de-2023-2024/

Os tiros nos pés dos sindicatos de professores – Paulo Freitas do Amaral 

 

 

Os tiros nos pés dos sindicatos de professores

Ontem assisti na TV ao eterno Mário Nogueira, líder do sindicato Fenprof, a atacar o outro presidente André Pestana, líder do STOP, dando uma imagem de desunião perante o governo. Mas o pior de tudo é que ambos os sindicalistas tiveram afirmações totalmente absurdas a propósito das reivindicações dos professores.

Mário Nogueira ficou preso na questão do tempo de serviço e ataca desalmadamente uma nova geração de professores que não usufruiu de profissionalização paga pelo Estado como havia no tempo em que ele se formou e André Pestana faz afirmações em que convoca uma greve de duas semanas dos professores estando com este anúncio a provocar uma viragem da opinião pública contra a sua própria classe profissional que está farta de greves.

Estes dois sindicalistas estão cada vez mais a barricar-se nas suas lutazinhas pessoais dos professores unicamente com mais de 20 anos de serviço e a abdicar das situações de todas as gerações mais novas.

O governo entendeu bem o “calcanhar de Aquiles” dos professores e a melhor forma de os dividir,  pondo os sindicatos a falar contra os colegas de profissão mais novos e sobre o seu pouco tempo de serviço.

Os sindicatos caíram na esparrela e atacaram os professores que têm de pagar um mestrado do seu bolso graças ao tratado de Bolonha para serem professores, ao contrário da profissionalização financiada que havia no tempo dos professores que se queixam de terem ficado com as suas carreiras congeladas por Passos Coelho.

Tenho muitas dúvidas que haja novamente uma mobilização de professores como vimos no passado e até posso arriscar dizer que o Governo ganhou a luta de levar avante as suas decisões.

A divisão numa luta enfraquece e fere de morte. A meu ver, foi o que aconteceu com a luta dos professores com o governo.

 

Paulo Freitas do Amaral 
Professor de História

IN RUA DIREITA

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/os-tiros-nos-pes-dos-sindicatos-de-professores-paulo-freitas-do-amaral/

Eu acho que não é motivo para ter vergonha, é motivo para exigir justiça

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/eu-acho-que-nao-e-motivo-para-ter-vergonha-e-motivo-para-exigir-justica/

Balanço da reunião suplementar que aconteceu esta manhã no Ministério da Educação

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/balanco-da-reuniao-suplementar-que-aconteceu-esta-manha-no-ministerio-da-educacao/

Já há escolas a recorrer a contentores para acolher mais estudantes

Pressão causada pelos estudantes estrangeiros e maior procura no Pré-Escolar levam diretores a aproveitar todos os espaços e a desfasar horários.

Já há escolas a recorrer a contentores para acolher mais estudantes

Há escolas públicas a rebentar pelas costuras que já aproveitam salas de professores para aulas, desencontram horários ou aumentam o número de alunos por turma. “É essencial conseguirmos mais salas”, alerta o presidente do Conselho das Escolas, António Castel-Branco, num ano letivo em que se regista uma procura crescente de alunos estrangeiros em todos os ciclos, acrescida de um maior número de ingressos no Pré-Escolar, apontam os diretores. 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/ja-ha-escolas-a-recorrer-a-contentores-para-acolher-mais-estudantes/

Recuperação das aprendizagens: há medidas que vão tornar-se definitivas

Recuperação das aprendizagens: há medidas que vão tornar-se definitivas
Ministro da Educação diz que as acções de recuperação que “são eficazes devem tornar-se estruturais”. Mas nessa escolha estarão também em equação os recursos que cada uma mobiliza.

Recuperação das aprendizagens: há medidas que vão tornar-se definitivas

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/recuperacao-das-aprendizagens-ha-medidas-que-vao-tornar-se-definitivas/

Aos médicos já não se aplica a máxima do Costa…

Se dermos a uma classe profissional, temos que dar a todas.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/aos-medicos-ja-nao-se-aplica-a-maxima-do-costa/

Quanto ganha um professor por hora de trabalho?

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/quanto-ganha-um-professor-por-hora-de-trabalho/

ESCOLA-ARENA EM METAMORFOSE E (DES)CENTRALIDADE DO PROFESSOR

“Nós não pedimos felicidade, apenas um pouco menos de dor”.                          (Charles Bukowski)

A História da Educação, nos tempos que correm, está marcada pela engenhosidade e inventividade política desde 2005, em que as políticas educativas se fundem com as convicções dos governantes e confundem o superior interesse público da “res publica” com acções pessoais autocráticas, de personalização do poder e do líder, autoritário e sem controlo, despótico. Em que impera a ditadura da maioria, de rompimento disruptivo e de forma distópica com a normalidade; de opressão totalitária sobre a legalidade, a regularidade e o consuetudinário.

É a realidade que se passa hoje na Escola Pública e a verdade que atormenta professores e educadores. A escola-arena consubstancia-se em Portugal no início do século XXI, a partir de 2005/2006, facto confirmado pelo próprio Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, que em declarações à Sic Notícias, em 2015, afirmou: “os professores foram vítimas de uma guerra injusta decretada num conselho de ministros de que fiz parte em 2006”.

Carlos Calixto

Está validada a guerra, em forma de guerrilha institucional permanente com o professorado, tendo como grandes vítimas além dos docentes, os alunos, a Escola Pública, a qualidade do sistema educativo, da sofrívilidade à mediocridade do ensino-aprendizagem. Ora de forma sub-reptícia, ora de forma explícita, o verdugo e o chicote político fere incessantemente os professores, numa tormenta persecutória que é já “assédio moral laboral”.

Vivemos o estranhamento da negatividade negacionista da centralidade do professor no sistema educativo. Uma descentralidadepremeditada e paulatinamente implantada pelo Estado. Cujo objectivo político é minar a autoridade do professor, ao disseminar, diluir o poder e arbítrio, controle e mando docente. Foi morrendo o direito legal de decisão e de se fazer obedecer. Acabada está a autoridade do professor. Afirmado está o poder político autocrático de cultura anti-escola, anti-professor e anti-educação.

Harari valoriza lidar com as mudanças e manter o equilíbrio mental no ignoto. A conjuntura actual é de indignação e revolta dos professores. De libertação da consciência de classe e da “revolução” há muito adiada. “Numa época de mentiras universais, dizer a verdade torna-se um acto revolucionário”. (George Orwell)

Os professores têm entranhado o comportamentoKafkiano do ME e a vivência do desprezo, ostracismo e abandono. Dói! “O poder ilimitado nas mãos de pessoas limitadas sempre leva à crueldade”. (Aleksandr Solzhenitsyn)

Politicamente falando, analisados os factos com visão histórica, concluímos da premeditação, planeamento, consciente má-fé, método e rigor, assertividade cirúrgica e escolhas minuciosas dos ataques às vertentes vitais da profissionalidadedocente. Falamos do octograma do mal. No sentido das oito ideias maquiavélicas postas em marcha: desmantelamento do Estatuto da Carreira Docente (ECD); “quadridentis” ataque à carreira, avaliação-progressão, digito-burocracia, administração e gestão escolar; detonar a autoridade e respeitabilidade docente; cianetamento do clima de escola e toxicidade-relações humanas; negação e menosprezo pela proposição, negociação e concertação.

O esvaziamento da essencialidade docente, conduziu à menoridade intelectual da figura do professor, agora funcionalizado e cada vez mais proletarizado pelos governos, numa imposição ministerial-tutelar ridículo-farsante do “faz tudo”; menos a sua missão central de pedagogo eintelectual, com autonomia e poder de decisão. Ao invés do panorama “pidesco” de vigilância apertada e “prestação de contas” humilhante, no pensar e no sentir dos professores.

O professor finge o que não sente e representa o que não é. Viola violentamente a sua própria consciência, com a ética deontológica em conflitualidade, e vê a sua axio-profissionalidadeconspurcada, numa miríade de tarefeiro-estafeta “burrocrático”. Princípio e insulto destruidor da auto-estima. A profissão não é mais fruição, atracção, valorização e realização pessoal. Para mais, quando é o próprio ministro da Educação, João Costa, a assumir publicamente que apenas 50% dos professores poderiam sonhar alcançar os três últimos escalões da carreira.

Não há motivação porque a escola-arena infantiliza a intelectualidade e maturidade do pensamento docente; é uma escola de diminuta e infinitesimal exigência e do sucesso escolar ficcionado exponenciado, na valência do “faz de conta”. Que choca o professorado na sua proximidade com o facilitismo e aproximação ao grau zero. A massa crítica docente é descrente na “escolinha dos projectos”, endeusada de “inovação” e “felicidade”.

Na escola-arena, a visão política liliputiana do professor-pigmeu faz vingar a importância raquítica da dimensão tecnológica, que não a humana e humano empenhamento dos professores, na miragem invertida e desfocada da sua medida de grandeza, em forma de “circus provocatioabsurdum”, rumo a tempos “apocalípticos” na educação. Temos o “mundus educatus” de patas para o ar, “daquele que não é conduzido” – o aluno.

De sobra temos a burocracia estupidificante e embrutecedora “É fartar, vilanagem”. Quanto menos burocracia melhor. O professor não é burocrata.            A burocracia é depreciativa do trabalho do professor. O professor é intelectual. Precisa da “ociosidade do tempo livre” para poder pensar e preparar as aulas.

Impõe-se um pacto social e político a médio-longo prazo, um novo contrato para a Educação, que recentralize a figura e a autoridade do professor na organização escolar.

Há a contingência emergente da tecno-ciência e da acção pedagógica online. A submissão da humana performance docente à ciber-cultura tecno, exponenciada pelas redes sociais, colide numa dialéctica tensional entre elementos contrários.

A mediatização e o espaço público operam a mudança e transição da “intimidade” da sala de aula para a “extimidade” da escola, num determinismo reducionista e solucionismo apressados, de pensamento único imposto, em nome da escola do futuro e das novas gerações digitalmente nativas e incapazes imberbes analógicos.

Comunicacionismo hiper-mediatizado cibernético, em função à máquina, ao computador e ao tablet, contrário e ao arrepio da solidez temporizada das “humanum” ensino-aprendizagens dos professores; ficando a faltar a conexão e a alteridade do Outro, do interlocutor, do primado do humano, agora secundarizado. Donde, a perda da interacção dos sujeitos professor-aluno, com a imediaticidade a troncar o normal processo de socialização.

A virtualidade e “modus operandi da pedagogia online, na actual Escola Pública em metamorfose, descentra o professor e descentra a proeminência da palavra do professor, “mutatis mutandis”, com descrédito valorativo e nada atractivo para o capital humano e social – subvalorizado e deflaccionado do professor.

Urge acabar com a reduflação do professor e ressignificar o humano na clássica relação da escola de sempre, com os alunos do séc. XXI, 3º milénio d.C., que já nasceram “conectados” às telas, ecrãs e filtros; viciados e isolados socialmente nos recreios das escolas por treinamento contínuo com os smartphones. Sendo os telemóveis uma extensão da sua própria idiossincrasia, de “olhos em bico” em pequenos monitores, dedando freneticamente.

Estar cara a cara, o respirar e o sentir a cumplicidade professor-aluno, o pulsar de interacçãoe emocão e o olhar de duas pessoas, é muito diferente de qualquer interface e de uma qualquer interactividade.

Ser professor é ser humano; não é ser máquina automática, numa escola “travestida” de digitalizações e Inteligência Artificial (IA), apagantedo “homo sapiens”. O sinal e estímulo telemático do paradoxal coercivo tem de acabar já, e o professor, sem demoras, tem de voltar a ocupar a centralidade natural da sua relevância institucional na escola, na comunidade e na sociedade portuguesa.

A escola-arena metamorfoseada, da apologéticapolítica digital, do ChatGPT e da IA faz uma rupturacom a ancestral continuidade educativa, algo de                                                                absolutamente estranho à emocionalidade, centralidade e significação humana e de valores humanistas do professor; em vivência de subalternidade a uma ciber-cultura invasora e arrasadora de métodos, pedagogias, didácticas, hábitos, valores e cultura de escola. O assalto assumido e a assumpção de uma nova “territorialização” que assusta e intimida. De eficácia fracassada e comprovada.

Vem vencendo o projecto tecnológico e tecnocrático e perdendo o projecto humano e de auto-realizaçãohumanista. E o erro, o erro está em pensar que o devir é tecnológico e o passado é antropocentrista, secundarizando e descentrando o papel do professor.

Nada mais errado por parte das “iluminárias das trevas” do ME, deslumbradas com o imediatismo efascínio de digi-modas que agora cá chegam, mas que no estrangeiro avançado e culto, nomeadamente na Europa do Norte, estão a ser abandonadas. Com a agravante da perda da identidade do professor. Facto é que o poder político legitimou e afirmou o primado do wi-fi e do tecnoensino-aprendizagem, em detrimento da pessoa humana do professor.

O professor vê-se encurralado, emparedado, perdido num labirinto que o esmaga entre a “obsolescência” de toda uma vida profissional em concreto, e a “insânia” da tutela na insistência de ambiguidades, projectos e contradições dialécticas doentias, ao martelar o “entranhar o estranhamento”, numa atitude provocatória do ME, que tem como resposta a resistência de toda a classe docente.  Liderar não é impor. Liderar é despertar no outro a vontade indomável de acreditar e fazer. Não se reforma por Decreto!

O Governo e o Ministério da Educação (ME) estão a precisar de uma operação de catarse em larga escala, para limpeza conceptual e purificação ideológica. “The Great Reset”. Apagar para começar a grande reinicialização.

É que o “delirium tremens” de mirabolantes melhorias e sucesso educativo nas aprendizagens “pandémicas”, não passa de uma monumental esquizofrenia e surreal mentira.

A escola-laboratório de projectos falhados, de experiências estrangeiras e influxosimportchanges” falhadas, fundamentalista anti-papel por troca com o e-book de formato digital, de ideários fervilhantes, é tempo de voltar à escola intemporal da axiologia humanista, das pessoas e para as pessoas, tendo como Maestro o Professor.

Só as vítimas da dor sentem a dor e a intensidade do sofrimento da dor que tanto dói e destrói. Entender a dor do Outro é pensar, passar e sentir a mesma doída dor.

“A espécie de felicidade de que preciso não é tanto fazer o que quero, mas não fazer o que não quero”. (Rousseau)

Disse.

Nota: professor que escreve de acordo com a antiga ortografia.

CCX.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/escola-arena-em-metamorfose-e-descentralidade-do-professor/

Dos computadores “em avançada fase geriátrica” a uma sala de aula que mais parece “uma sauna”

 

Dos computadores “em avançada fase geriátrica” a uma sala de aula que mais parece “uma sauna”: os retalhos da vida de um professor

A aula vai começar e, enquanto os alunos vão entrando, inicia-se o ritual que se repete várias vezes ao dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano. Dado que os computadores das salas de aula, em avançada fase geriátrica, com mais de uma década, com software e hardware desatualizados, não oferecem garantias de bom funcionamento e deixaram de ser opção confiável, o professor retira da sua mochila o computador pessoal, o rato, a pequena coluna de som, o adaptador para ligar o cabo VGA do videoprojetor e o hotspot que garantirá uma internet razoável sempre que a rede WiFi da escola falhar, pois todos sabem que isso acontece amiúde e quando está disponível move-se apenas em duas velocidades – devagar e devagarinho. Quanto ao sumário, já nem se tenta registar na aula, pois o programa informático para o efeito (designado por E360, embora lhe assentasse melhor EZero), da responsabilidade direta do Ministério da Educação e pago com o dinheiro dos contribuintes, é uma vergonha inominável: lento e nada intuitivo, incapaz de devolver estatísticas e relatórios significativos, ou sequer numerar os sumários automaticamente, não permite a justificação de faltas pelos encarregados de educação (daí resultando um acréscimo de trabalho burocrático) e mantém alertas de excesso de faltas, na página de entrada, relativos a alunos que estão agora, três anos depois, a concluir o Secundário noutras escolas. Brilhante! Fechado este parêntesis e reunida a parafernália tecnológica que parece ser suficiente para uma aula mais envolvente, dinâmica, motivadora e enriquecedora, passamos à próxima fase de desenvolvimento do processo educativo: no meio do calor sufocante que faz com que os alunos já tenham tirado umas folhas dos cadernos para improvisarem uns leques, pois isto não é bem uma aula, é uma visita de estudo a uma sauna, liga-se o videoprojector, que grita (numas salas com mais ruído que noutras) há muito tempo por substituição e logo surge no ecrã o aviso que já ninguém nota: “substituir lâmpada”! Logo de seguida, surge também o pedido do professor a que os alunos já se habituaram: “apaguem as luzes e desçam os estores, por favor” (aqueles que se conseguem descer, pois muitos estão avariados, esperando por intervenção da autarquia há longos meses). Mesmo assim.… com a sala escurecida no máximo das possibilidades, o que se consegue vislumbrar no ecrã é pouco mais que uma imagem ténue, desfocada e difusa, pois a lâmpada do videoprojector já ultrapassou há muito o seu tempo útil de vida e faltam lumens, precisamos de lumens, e não há lumens!

Também precisamos de recuperar o tempo de serviço congelado, precisamos de ter menos turmas por professor, menos alunos por turma, menos falta de professores (com a devida qualificação científica e pedagógica) menos indisciplina e mais respeito, menos falta de técnicos especializados, psicólogos, terapeutas, mediadores sociais, professores de apoio e educação inclusiva, menos instabilidade e mais justiça nos concursos de colocação de professores, menos hipocrisia política e mais verdade, com efetivas ajudas de custo à deslocação e alojamento, menos professores qualificados a abandonar o sistema e uma carreira mais atrativa que cative os melhores, menos medo e mais direitos e poder deliberativo dentro da escola, menos absolutismo e mais inteligência emocional na gestão escolar, menos competição e menos injustiças no processo avaliativo, menos burocracia, menos papéis, menos redundâncias, tabelas e grelhas, mais tempo para pensar, ler, estudar e organizar, menos pressão para um sucesso estatístico e mais confiança no trabalho dos professores, menos foguetório panegírico nos Planos de Atividades e mais auditórios dignos desse nome, que abram portas a mais Cultura e Cidadania.

Enfim, precisamos de tudo isto e muito mais, mas o professor Ricardo, naquele dia e àquela hora, precisava mesmo era de lumens, e lumens era o que não havia, e quase nada se via, mesmo com as luzes apagadas e cartolinas pretas, coladas de improviso, nas janelas novas com estores velhos e danificados. Ainda assim, e apesar de todas estas limitações, a aula avança, o trabalho decorre, há textos para ler e analisar, animações, vídeos, tabelas, mapas, gráficos e outros documentos para ilustrar, interpretar, demonstrar e explorar, e lá vão trabalhando… professor e alunos, em colaboração constante, “navegando à bolina” da tecnologia disponível, mesmo que às vezes, quando se pretende registar e preencher no quadro, com a participação dos alunos, um esquema, um mapa de conceitos, um friso cronológico, ou fazer qualquer tipo de anotação, seja necessário desligar o projetor e subir o ecrã, pois o quadro (que tem 40 anos e também já pede reforma) fica por detrás do ecrã onde se projeta a imagem do videoprojetor. Logo depois, voltaremos a ligar o projetor, descer o ecrã e continuar a aula, com as condições que (não) temos! Podíamos trabalhar só com o manual e com fotocópias, acetatos, retroprojetores, ou com mapas pendurados no quadro, cassetes VHS e aulas meramente expositivas? Poder, podíamos, mas… não era a mesma coisa! Agora, há mapas interativos, e animações 3D, e visitas virtuais a monumentos e outros destinos de interesse histórico e patrimonial, e Google Arts & Culture, e tantas outras bibliotecas digitais e plataformas de recursos educacionais, gamificação e avaliação formativa, enfim, ferramentas que enriquecem o processo educativo e que devem estar disponíveis para todos, em todas as aulas, em todas as salas, em todas as escolas! Naquela sala de aula, naquele dia, a aula chegou ao fim e, apesar do calor sufocante e de todas as limitações, trabalho foi feito, aprendizagem foi conseguida, com a dedicação e empenho de professor e alunos! Como acontece em tantas salas de aula semelhantes, e com tantos milhares de alunos e professores por este país fora! Com vergonha alheia de um ministro e um governo, que (mal)trata assim a Escola Pública e todos aqueles que lhe dão vida e sentido! E que merecem mais, muito mais, em particular, Respeito, Justiça, Valorização e… Investimento!

Aquela aula terminou, mas o dia continuou, outras aulas se seguiram e à noite houve trabalho de direção de turma para fazer, documentos para preencher, dados para coligir, registos diversos para inscrever em papeladas sem fim, aulas para pensar e organizar, correspondência eletrónica para colocar em dia, um sem número de tarefas, que consomem e aspiram tempo da vida pessoal e familiar, muitas vezes adiada e irrecuperável. É assim a vida de um professor, com a sorte de ter a família sempre por perto e a estabilidade profissional que muitos milhares de colegas ainda não alcançaram! E é por tudo isto, e por todos nós, que vale a pena continuar a lutar, em defesa da Escola Pública, de uma Educação de Qualidade, e de um País com futuro! Aos pais, e respetivas Associações, que leram este texto, deixo a pergunta direta e sentida: o que falta ainda, para chegarem?

 

Ricardo Silva

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/dos-computadores-em-avancada-fase-geriatrica-a-uma-sala-de-aula-que-mais-parece-uma-sauna/

António Costa falta à palavra dada aos professores monodocentes. – José Manuel Alho

 

Pobres do zecos em monodocência!

 

Corria o ano de 2017 quando, a 8 de junho, o já Primeiro-Ministro (PM) António Costa, constatando uma das mais graves e lesivas iniquidades do sistema educativo português, consensualmente aceite, disse o seguinte  sobre os professores em monodocência:

“…relativamente à idade de reforma, como sabe, aquilo que é entendimento pacífico é que não deve haver alterações nessa idade, deve haver sim, uma alteração e criar condições, para que possa haver um conteúdo funcional distinto, em particular, relativamente àquelas situações onde há efectivamente discriminação, que tem aver com situações de monodocência que não beneficiam de redução de horário.”

A 24 de agosto de 2019, em entrevista ao jornal EXPRESSO, declarou:

“Mesmo assim, olhando para os anos que se seguem (e no pressuposto de que vence as legislativas de outubro), o líder socialista diz querer sentar-se com os professores para renegociar aspetos das suas carreiras. Mas com bandeira branca levantada. Costa quer falar de “fatores fundamentais que são habitualmente pouco falados”. E dá dois exemplos: “A questão da estabilidade do corpo docente na escolas”, porque “nada justifica que os professores sejam a única carreira na função pública sujeita, durante uma fase muito longa da vida (de quatro em quatro anos) a um concurso que pode levar os professores a andar a mudar de residência durante várias dezenas de anos”. E, segunda questão relevante, a questão das “monodocências”: “Os educadores do primeiro ciclo não beneficiam das reduções de horários nem da carga de trabalho de que os outros professores beneficiam ao longo da vida”.
“Seria altura para nos dedicarmos mais a temas que têm a ver com a vida dos professores, melhorando a qualidade do ensino, em vez de nos consumirmos tempos infindáveis a revisitar temos sobre os quais não haverá conclusão”, afirma o primeiro-ministro, procurando captar a simpatia de uma carreira que em muitos momentos desafiou o Governo – nomeadamente com a questão da contagem integral das carreiras congeladas por mais de nove anos.”
No passado dia 10 de junho do corrente ano, quando confrontado com uma manifestação de professores descontentes, no Peso da Régua, onde decorriam as comemorações alusivas à efeméride, o governante voltou a lembrar-se do que “falta fazer relativamente aos monodocentes“.
Volvidos quase oito anos sobre o início de funções como PM, António Costa não teve tempo – ou não quis – resolver, com o impenhorável sentido de justiça, uma situação que identificou com antiga e premente. No entretanto, 35 000 eleitores poderão, com sonsa ingenuidade, ter acreditado na máxima “palavra dada é palavra honrada“. Quem caiu na esparrela, foi comid@ de cebolada.
Infelizmente, os sindicatos (mais ou menos) representativos não elegem a questão como verdadeiramente prioritária e, a custo, incluem-na, com recato q.b., no caderno de reivindicações, mas com a timidez de quem, afinal, nunca achou o assunto assim tão importante e a iniquidade assim tão intolerável.
Pobres do zecos em monodocência!

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/antonio-costa-falta-a-palavra-dada-aos-professores-monodocentes-jose-manuel-alho/

Aluno que agrediu professor com ferro em Felgueiras acusado de tentativa de homicídio

Após a pancada inicial, com o professor caído no chão, o aluno de 16 anos “desferiu-lhe várias pancadas, tentando atingi-lo na cabeça, enquanto dizia ‘eu mato-te'”. O arguido ficou sujeito à “obrigação de permanência na habitação, com vigilância eletrónica”.

Aluno que agrediu professor com ferro em Felgueiras acusado de tentativa de homicídio

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/aluno-que-agrediu-professor-com-ferro-em-felgueiras-acusado-de-tentativa-de-homicidio/

Os bons resultados dos alunos na pandemia foram uma “anomalia”

O ministro da Educação dá como exemplo as taxas de retenção registadas em 2020, as mais baixas de sempre. Professores lembram que travão aos chumbos já tinha começado antes.

João Costa: os bons resultados dos alunos na pandemia foram uma “anomalia”

João Costa: os bons resultados dos alunos na pandemia foram uma “anomalia”
Os resultados dos alunos no primeiro ano da pandemia representam uma “anomalia” e, como tal, “2020 não pode servir de referência” em estudos comparativos. O aviso é do ministro da Educação, João Costa, que, em declarações ao PÚBLICO, aponta como exemplo a evolução dos chumbos entre os alunos.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/os-bons-resultados-dos-alunos-na-pandemia-foram-uma-anomalia/

Uma profissão não recomendada a jovens

 

Uma profissão não recomendada a jovens

Custa a crer que a carreira menos atrativa do país possa ser a de professor, especialmente nos dias de hoje, em que os alunos cada vez estudam mais. Segundo a Organização para o Crescimento e Desenvolvimento Económico (OCDE), o ensino superior em Portugal “está a tornar-se tão comum como o ensino secundário ou o ensino pós-secundário não superior entre as pessoas com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos”. É inegável por isso a importância dos ensinos Básico e Secundário (de qualidade) na formação destas novas gerações – e ter professores desiludidos com a profissão compromete este pilar de sustentação.

Os resultados da última Consulta Nacional online a docentes dos Ensinos Básico e Secundário, promovida pela Federação Nacional de Educadores (FNE) junto de 2138 profissionais, revelam que 95% dos professores dizem ter expectativas de carreira pouco ou nada atrativas. Comparando com o ano passado, há mais professores descontentes com a remuneração (97,1% este ano, face aos 96,7% do ano passado), queixando-se que não está ao nível do desempenho de funções. A degradação da profissão, aos olhos de quem a pratica, é notória e preocupante. E não falamos apenas da questão salarial que, uma vez mais pegando nos dados mais recente da OCDE, entre 2015 e 2022, a média dos salários reais dos professores do Secundário caiu 1%, contrariando os 4% de crescimento médio dos países da organização. É também preocupante o futuro da profissão, atendendo à urgente necessidade de renovação. Só entre janeiro e setembro deste ano, passaram à reforma 2207 docentes, um número que deverá chegar aos 3500 no final do ano, segundo notícias recentes com base na análise de dados da Caixa Geral de Aposentações. Ora, se o número de professores que passaram à reforma em 2020 foi de 155 e em 2019 de 128, assim se vê a preocupante aceleração.

Este ano, parece ter havido um sinal positivo com o aumento do número de alunos que escolheram em primeiro lugar cursos universitários que dão acesso à carreira docente. Mas ainda é cedo para tirar ilações quanto ao seu futuro, atendendo a um presente que os professores dizem ser pouco risonho. No mesmo inquérito da FNE, 84,1% dos educadores e professores inquiridos (menos 2,3% do que no ano passado) não aconselham os jovens a seguir a profissão. Uma pesada e frustrante constatação destes profissionais, que se espera que sejam uma fonte de inspiração das novas gerações, dentro da sala de aulas e fora, numa sociedade que valoriza o ensino.

Subdiretor do Diário de Notícias

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/uma-profissao-nao-recomendada-a-jovens/

A ausência da Educação no OE 2024 – Santana Castilho

 

Um orçamento de Estado não se pode circunscrever à gestão das finanças públicas, na perspectiva única de que as despesas não podem superar as receitas. Particularmente num país onde: antes de prestações sociais, 40% dos cidadãos vivem em risco de pobreza; cerca de 50% das empresas não pagam IRC, por apresentarem sistematicamente resultados negativos; 90% do IRC arrecadado provem apenas de 20% das empresas em actividade; 90% da receita de IRS é paga apenas por um milhão e 200 mil contribuintes, de uma população activa de 5 milhões e 222 mil portugueses. São indicadores macroeconómicos que põem a nu que o problema de António Costa, em oito anos de governo, não é a gestão das finanças públicas. É não saber governar, não ter qualquer pensamento estratégico de criação de riqueza, nem ter promovido nenhuma reforma estrutural que altere o quadro descrito. Com este pano de fundo, a irrelevância que o OE 2024 dispensa à Educação é bem o espelho da incompetência do PS para promover o investimento público de que Portugal carece.
Quando a 10 do corrente fez a apresentação pública do OE 2024, Fernando Medina à Educação disse nada. Surpreendente a omissão de Medina? Sim, face à profunda crise em que um sector vital para o desenvolvimento do país vive há anos. Natural, face ao vazio relativo a medidas inadiáveis e relevantes que caracteriza o OE 2024 para a Educação.
O crescimento do valor orçamentado para 2024, comparado com o do estimado para 2023, é de 5,7%. Mas sendo de 5,3% a inflacção prevista pelo próprio Governo até ao final do ano, o crescimento real será de 0,4%. Por outro lado, não podemos deixar de verificar que a relação do valor orçamentado com o nosso Produto Interno Bruto (PIB) volta a cair. Com efeito, quando António Costa chegou ao Governo em 2015, a despesa em Educação, em percentagem do PIB, cifrava-se nos 5,1%. Em 2016 caiu para 4,8%, em 2017 para 4,6%, em 2018 para 4,4%, em 2019 subiu uma décima (4,5%), em 2020 subiu duas décimas (4,7%), para voltar a baixar para 4,6% em 2021 (Fontes/Entidades: INE e PORDATA, última actualização de 22/9/23).
Entretanto, as organizações internacionais que se pronunciam sobre o desejável peso da Educação na despesa pública dos estados recomendam que esse peso seja da ordem dos 6% do PIB.
Olhemos então para o caso português. O valor do PIB em 2022 (já oficialmente determinado) foi 242,3 mil milhões de euros. Se se confirmarem as previsões do Governo (crescimento de 2,2% em 2023 e 1,5% em 2024), teremos em 2024 um PIB ligeiramente superior a 254 mil milhões de euros e, consequentemente, apenas 2,9% desse PIB consignados ao Ensino Básico e Secundário. Se lhe somarmos as restantes despesas previstas para os outros níveis de ensino, ficaremos próximo de 4,3%, valor bem distante dos 6% internacionalmente recomendados e que traduz nova queda na série estatística que caracteriza os governos de António Costa.
Às constatações supra, factuais, é incontornável somar o discurso político que as determina, a saber: as inverdades propaladas por António Costa para sustentar a sua intransigência obsessiva na recusa da recuperação faseada do tempo de serviço dos professores (ver meu artigo de 11/10/23), solução defendida pelo próprio Presidente da República, por toda a Oposição, da esquerda à direita, e por relevantes militantes do PS, o último dos quais Pedro Nuno Santos; o recente chumbo no Parlamento (4/10/23) de todos os projetos que visavam valorizar a profissão docente; o obsceno aumento das despesas do Ministério da Educação (56,2 milhões de euros que, comparados com os 4,2 milhões de 2023, significam um acréscimo de 1237%) para pagar estudos, pareceres e consultadorias aos prosélitos de João Costa, nomeadamente do tipo dos “artistas” que recentemente concluíram, pasme-se, que o encerramento das escolas durante a pandemia gerou uma melhoria espontânea na aprendizagem dos alunos.
Tudo visto, a conclusão é clara: o orçamento para a Educação limita-se à mera gestão corrente, sem qualquer rasgo de intervenção nas múltiplas vertentes carentes de investimento; as matérias mais importantes e decisivas para a educação dos portugueses estão fora do OE 2024.

In “Público” de 25.10.23

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/a-ausencia-da-educacao-no-oe-2024-santana-castilho/

Petição contra a violência na Escola e reforço da Paz e Segurança, em apreciação

 

Petição Nº 219/XV/2

Solicitam medidas contra a violência na Escola e reforço da Paz e Segurança

Texto Final da Petição [formato PDF]
1° Peticionante:

Luís Miguel Sottomaior Braga Baptista

Entrada na AR:

2023.10.02

N° de Assinaturas:

7703

Situação:

Em apreciação

Comissões a que baixou:
XV – Comissão de Educação e Ciência

Data de Baixa à Comissão:

2023.10.04

Admitida em: 

2023.10.18

Situação na Comissão:  Em apreciação
(Nota de admissibilidade) [formato PDF]

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/peticao-contra-a-violencia-na-escola-e-reforco-da-paz-e-seguranca-em-apreciacao/

Os Professores não ficarão a dever nada a António Costa…

 

Pedro Nuno Santos já foi Ministro das Infraestruturas e é, actualmente, Deputado do Partido Socialista…

Mas, ao que tudo indica, não será um Deputado qualquer… Será, talvez, o Deputado mais apontado como potencial candidato à futura liderança do Partido Socialista e, consequentemente, visto como putativo pretendente ao cargo de 1º Ministro…

Há poucos dias, Pedro Nuno Santos que, entretanto, também se tornou comentador televisivo, defendeu, nessa qualidade, a recuperação integral do tempo de serviço dos Professores (SIC Notícias, em 16 de Outubro de 2023)…

E não existiria qualquer polémica nessas declarações, não fosse dar-se o caso de Pedro Nuno Santos, ainda há pouco tempo atrás, ter votado em sentido exactamente oposto ao que advogou em 16 de Outubro passado, conforme confirmou o Polígrafo, em 20 de Outubro de 2023:

– “Pedro Nuno Santos defendeu reposição do tempo de serviço dos professores na televisão, mas votou contra no Parlamento?”

– “O que está em causa?

Deputado socialista e ex-ministro das Infraestruturas votou contra projectos que garantiam a recuperação integral do tempo de serviço dos professores. No comentário semanal na SIC Notícias, 12 dias depois, defendia precisamente essa recuperação para os docentes que tiveram as suas carreiras congeladas. O que mudou?” (Polígrafo, em 20 de Outubro de 2023)…

 Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro.

 

Em 19 de Outubro passado, Pedro Nuno Santos, confrontado com a insanável contradição e incoerência entre as suas mais recentes palavras e as anteriores acções, terá afirmado ao Jornal Público que:

 “Não quer dizer que concorde sempre, mas faço parte de um grupo parlamentar e de um partido e tenderei sempre a respeitar as decisões colectivas dos órgãos do partido e do grupo parlamentar”

Do anterior, decorrem, naturalmente, as questões:

 Para que servem, afinal, os Deputados da Nação?

– Para ser Deputado da Nação será necessário abdicar de determinados Princípios, da Consciência e do Pensamento próprio e crítico?

Esta será a política com “duas caras”, sem Ética e sem Princípios, de manigância, de hipocrisia, de farsa e de ludíbrio, magistralmente instituída por António Costa…

Esta será a política em que mentir se tornou numa rotina, num “novo normal”…

Pelo que se vê com assinalável frequência, essa política, magistralmente instituída por António Costa, terá muitos adeptos e praticantes, dentro e fora do Governo, ainda que Pedro Nuno Santos se esforce por fazer parecer que existe um certo afastamento entre si e o 1º Ministro…

De alguma forma, Pedro Nuno Santos parece trazer à lembrança José Sócrates, nos seus tempos de “delfim” do Partido Socialista…

Já a ligação de António Costa a José Sócrates nunca poderá ser apagada, uma vez que como Ministro de Estado e da Administração Interna do XVII Governo Constitucional (chefiado por José Sócrates), essa cumplicidade será sempre irrefutável…

O “fantasma” José Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues continua a pairar por aí e parece ter deixado fervorosos discípulos e seguidores…

José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues deixaram uma “obra tão bem consolidada” que perdura até aos dias de hoje…

No pior dos sentidos, aquilo que a Escola é hoje deve-se, em grande parte, ao contributo da referida Ministra da Educação, sempre com a chancela de José Sócrates…

António Costa tem-se mostrado como um inefável seguidor do legado deixado por José Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues, cujos devastadores efeitos são os que todos conhecem…

Os Professores não ficarão, por certo, a dever nada a António Costa, mas António Costa ficará a dever muitíssimo aos Professores…

A título de exemplo, e para avivar a memória dos mais esquecidos, eventualmente afectada por algum tipo de défice, lembra-se esta notícia veiculada em 2021:

– “Acompanhado pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, o primeiro-ministro referiu hoje de manhã em Lisboa, no final de uma visita ao Agrupamento de Escolas Dona Filipa de Lencastre, onde sinalizou a abertura do novo ano escolar, que Portugal se encontra claramente “num ponto de viragem” em relação ao controlo da Covid-19, “graças à elevada taxa de vacinação”, dirigindo um agradecimento “muito profundo” às comunidades escolares pelo “extraordinário esforço” que desenvolveram para que a escola “não abandonasse os seus alunos”, mesmo quando tiveram de encerrar fisicamente para se “poder controlar a pandemia”. (Site oficial do Partido Socialista, em 15 de Setembro de 2021)…

A pandemia, felizmente, já lá vai, mas o assinalável esforço e abnegação dos Professores ainda por cá andam…

O esforço e abnegação dos Professores ainda por cá andam, mas sem qualquer tipo de reconhecimento concreto por parte de António Costa que, ao invés disso, parece ter optado por “perseguir” a Classe Docente com perversas manigâncias…

Tentando aliviar um pouco aquilo que já é suficientemente sério e grave, como diria, talvez, a personagem Michelle da Résistance Française (brilhante comédia televisiva Alô! Alô!, estreada nos Anos 80 do Século XX), “listen very carefully, I shall say this only once”:

 La Résistence cannot fail

A Resistência não pode mesmo falhar ou vacilar…

Se vacilar, ficarão impunes, e vencerão, a injustiça, a mentira, a manigância, a hipocrisia, a farsa e o ludíbrio…

Quo vadis Sindicatos da Educação?

O conforto proporcionado pelos gabinetes das Sedes Sindicais talvez não seja bom conselheiro…

 

(Paula Dias)

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/os-professores-nao-ficarao-a-dever-nada-a-antonio-costa-2/

Valência Creche, GR100 – Certificação do Tempo de Serviço, para efeitos de concurso

 

Está disponível, na plataforma SIGRHE > Situação Profissional, a aplicação Certificação de Tempo de Serviço – EPC, através da qual é já possível submeter os requerimentos para certificação do tempo de serviço prestado na valência Creche.

Os docentes deverão anexar, a cada requerimento, uma declaração de tempo de serviço, em conformidade com o modelo DGAE em vigor para a certificação nesta valência. Nesta senda, importa destacar que as declarações de tempo de serviço não podem conter simultaneamente tempo prestado na Creche e na Educação Pré-Escolar.

Em conformidade com o disposto no artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 32-A/2023, de 8 de maio, o tempo de serviço prestado na valência Creche só é passível de utilização em procedimentos concursais a partir de 1 de janeiro de 2024.

Para mais informações acerca do procedimento de submissão, está disponível o Guia do Utilizador.

Modelo DGAE

Guia do Utilizador

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/valencia-creche-gr100-certificacao-do-tempo-de-servico-para-efeitos-de-concurso/

Demissão do Ministro? Para quê?

 

Têm vindo para a praça pública apelos à demissão do ministro da educação. Por mais que me custe dizer, já vi este filme.

O que terá a Educação a ganhar com a demissão do ministro que a tutela? Ficará melhor? Os professores verão as suas demandas validadas? O ensino/aprendizagem entrará numa nova fase?

Duvido.

É da minha opinião que a pedir a demissão de alguém, é pedir a demissão do PM e consequentemente de todo o (des)governo.

A demissão de um só ministro nada trará de mudanças positivas. A pressão que se impõe com o pedido cai por terra com a sua substituição. E a sua substituição só faria sentido se os objetivos políticos mudassem de alguma forma para irem de encontro às exigências da comunidade educativa no seu todo.

O pedido de demissão de um qualquer ministro apenas serve para exercer pressão sobre o “chefe”, mas se este não está disposto, e já o provou, a mudar o rumo político que traçou, de nada serve. Há que pedir a demissão do “chefe”, exercendo a pressão na pessoa certa.

Os problemas dos professores e de outras classes profissionais, nunca se centraram numa pessoa, mas, sim, nas políticas e rumos que o “chefe” deles traça para o país.

Nota final: As políticas e rumos que foram traçados pelo “chefe” foram apresentada no programa eleitoral de cada candidato a “chefe”, o problema é que ninguém os lê com a devida atenção, se é que o lê…

Nota Final 2: Não me venham acusar de estar a defender o ministro, porque não estou. Tenho as minhas divergências com ele e com o rumo que a educação está a ter. Mas como poucos vão ler o “post” até aqui só me vão dar razão…

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/demissao-do-ministro-para-que/

O OE para a Educação num minuto

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/o-oe-para-a-educacao-num-minuto/

Fatalmente, excluiu-se da agenda os temas escolares incómodos

 

Fatalmente, excluiu-se da agenda os temas escolares incómodos

Na longa luta dos professores contra a sua proletarização, lembrei-me muitas vezes do aforismo de Ludwig Wittgenstein: “as relações humanas seriam muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra dor”. Se assim fosse, se governantes e deputados sentissem as dores dos professores, talvez a profissão não estivesse tão proscrita e a queda do laboratório da democracia – a escola pública – não se relacionasse tanto com o aumento brutal das desigualdades educativas e com a radicalização de eleitores.

Aliás, ponha-se a seguinte questão a quem prescreve sobre salas de aula, professores ou escolas:

– Quando é que leccionou a última vez nesse grau de ensino? Se foi há mais de cinco ou seis anos, inscreva desactualização; se nunca o fez, pior ainda.

A propósito, coloque-se a mesma questão a quem está há um ano na mesa de negociações sem qualquer acordo ou avanço significativo; e acrescente-se, enviando-a também ao Parlamento:

– Qual é concretamente a agenda, para além do desespero com a falta de professores após anos a fio de negação?

É que a falta estrutural de professores não se resume à justíssima e viável recuperação do tempo de serviço. Esse afunilamento, revestido por uma sobre-dosagem mediática de falácias, interessa ao Governo e ao marketing político. Tenta virar a opinião pública contra os materialistas professores, permite que o Parlamento fuja a temas incómodos e disfarça a incapacidade do Ministério da Educação em simular futuros encargos financeiros.

O grande problema dos tacticismos na política real, é a própria realidade. O clima escolar caiu num estado tal, que a desorientação tornou incómoda a sua comprovada, e há muito documentada, falta de democracia. O estado de negação tem, como o da falta de professores, mais de uma década. O ambiente escolar radicalizou-se. É indisfarçável. Misturou-se a herança da União Nacional – até com sedes de agrupamento que tratam como colónias as restantes escolas – com os excessos do “processo revolucionário em curso”, como concluiu a OCDE: “a indisciplina coloca Portugal no primeiro lugar do tempo perdido para começar uma aula.”

Mas só se mediatizou a fuga a ser professor, porque estes explodiram em Novembro de 2022. A detonação deveu-se à ideia dos concursos nas escolas, com primazia para a farsa que os avalia. O grito de indignação arrastou os seus intermediários, os sindicatos, que progressivamente também afunilaram a agenda. É surreal o argumento de que professores são bem e devidamente avaliados e que o problema é a percentagem das quotas para tanta excelência. Desconhece-se se esta aberração resultou de outro acordo falhado de bastidores, e corrigir com a agenda das condições de trabalho é, concretamente, um conjunto vazio.

O estado pantanoso da mesa de negociações confere uma responsabilidade histórica aos grupos parlamentares do centro-esquerda e do centro-direita. Acima de tudo, recorde-se que a proletarizarão dos professores se efectivou (2006) em quatro eixos integrados: carreira, avaliação, burocracia e gestão. Dezassete anos decorridos, apenas na carreira houve uma mudança: caiu uma categoria – de professor titular – imposta pelo centro-esquerda, mas o centro-direita substitui-a por outra tragédia: vagas baseadas em quotas.

O clima escolar adoeceu e provocou, por mágoa, cansaço e revolta contida, a “desistência” de milhares de professores em funções e de milhares de qualificados que experimentaram. Note-se que os segundos foram alvo da avaliação com efeitos em concursos durante o congelamento (2011 a 2017), noutra perversidade acordada na mesa de negociações.

Mas também desistirão os que vão entrar numa selva de clientelismo e caudilhismo, e rotulados pela apressada e desorientada impreparação científica e pedagógica. Sublinhe-se que é mais um legado indecente da geração que governa, que concretiza o pecado original: a proletarização.

Em suma, ignorou-se, com hostilidade e arrogância, um estatuto social continuamente humilhado. Descongelou-se, e bem, as carreiras, mas também se accionou uma engrenagem diabólica que tritura a dignidade profissional. A inércia destes oito anos é historicamente inaceitável. Os míseros aceleradores – a hiper-burocracia digital é o único eixo que acelera, mas em sentido contrário -, e os novos índices remuneratórios e vinculações, escondem o essencial neste domínio: dos 130 mil professores da escola pública, já serão apenas 70 mil nos quadros de escolas ou agrupamentos. 

Reconheça-se humildemente os erros. O mundo mudou e é imperativo reconstruir a democracia na escola. Use-se o verbo reconstruir para o que é público e comum. Elimine-se a conjugação exclusiva dos verbos vigiar e fiscalizar. Não se receie as soluções democráticas com pesos e contrapesos. É inadmissível que o legado para um futuro tão incerto inclua a repressão da liberdade de ensinar e aprender e da autonomia dos professores de cada escola.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/fatalmente-excluiu-se-da-agenda-os-temas-escolares-incomodos/

O meu domingo incluiu violência escolar…. LSBraga

 

Quando um colega de outra escola nos telefona para contar que tem uma turma com alunos vários, maiores de idade, em que é ameaçado em muitas aulas e o mandam para o carxxho e que em “é filho da pxxa” …..

E que, há uns dias, um deles avançou para ele para bater e que só não aconteceu porque o docente era maior que o aluno….e uma AO veio socorrer.

E que nas outras aulas já toda a gente desistiu e que ele não consegue dar aulas, porque os alunos saem e entram quando querem e ninguém faz nada e as participações são ignoradas…..

O que se faz? Ouve-se é é-se solidário, certo?

Aconselha-se o que fazer, com base na experiência de quem já esteve ali.

O sítio solitário é triste de quem é agredido por gente que devia querer aprender, mas usa a escola para fazer dos professores alvo…

Porque em muitos sítios quem devia garantir a ordem interna quer apagar rastos.

E a única coisa que vale é a escola segura, mas há professores com medo de se queixar, porque são incomodados pela escola e pelos agressores.

Grave o que estou a dizer? Tenho consciência.

Mas nem seria difícil de provar se não houvesse tanto medo de falar.

No dia em que for apresentar a petição contra a violência no Parlamento gostava de ter histórias destas para contar aos deputados e picar o debate.

Esta de hoje vai ser uma delas.

Quem me puder contar mais, garanto anonimato.

Nem torturado identificarei quem não o quiser. Embora ache que os que são ou foram vítimas destas coisas deviam dar a cara.

E alguns diretores deviam ser pressionados e responsabilizados pela forma como gerem e até promovem por abstenção a apatia face à indisciplina.

Sabem que há sítios onde as participações disciplinares têm de ser aprovadas “superiormente”, antes de ser escritas, e não podem ir para as plataformas, para não sairem do circuito controlado das estatísticas marteladas.?

Isto não pode ser só ganhar o suplemento. É preciso agir.

No caso dos professores insultados ou agredidos deve ser sempre queixa para a polícia, mesmo que a escola queira varrer para debaixo do tapete.

Mesmo os menores de idade podem ser punidos (Lei tutelar educativa).

Deixar andar é que não pode ser.

A experiência de contacto com o sistema Prisional e 6 anos no MAI dizem-me que se a escola falha a “queda no sistema punitivo” é inevitável.

Parafraseando Vitor Hugo:

quem deixa andar na escola, abre a porta da prisão.

 

Luís Sottomaior Braga

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/o-meu-domingo-incluiu-violencia-escolar-lsbraga/

Professores consideram salários baixos e não recomendariam profissão a jovens

A quase totalidade dos professores e educadores considera o seu salário baixo e 84% não aconselhariam os jovens a seguir a carreira docente, revela um inquérito nacional realizado pela Federação Nacional de Educação (FNE).

Professores consideram salários baixos e não recomendariam profissão a jovens

Estes são alguns dos resultados preliminares da consulta nacional ‘online’ levada a cabo pela FNE, entre 13 e 20 de outubro, à qual responderam 2.138 educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário de todo o país.

“Como primeira análise, podemos avançar que as respostas a este inquérito revelaram um fortíssimo descontentamento em relação à remuneração”, sublinha a FNE, revelando que 97,1% dos inquiridos consideram que a sua remuneração não está ao nível das qualificações que são exigidas para o exercício profissional.

Nota-se um ligeiro aumento do descontentamento, quando se compara com os resultados da consulta realizada em 2022 pela FNE, em que 96,7% dos professores e educadores admitiram estar descontentes com o salário.

Questionados quanto às expectativas de carreira, 94% consideram que são “pouco” ou “nada atrativas”: “No ano passado, 56,5% diziam que eram dececionantes e 39,7% que eram pouco atrativas”, refere a FNE.

Numa altura em que as escolas continuam à procura de professores – a Fenprof apontava para 50 mil alunos sem todos os docentes atribuídos um mês após o início das aulas – a tutela tem levado a cabo várias iniciativas para atrair mais jovens para a profissão, mas parecem ser insuficientes na perspetiva de quem já está a dar aulas.

A grande maioria dos educadores e professores que respondeu ao inquérito (84,1%) não aconselharia um jovem a ser professor, sendo que a percentagem desceu ligeiramente em relação ao ano passado (menos 2,3 pontes percentuais).

A consulta revela ainda que mais de oito em cada dez educadores e professores (82,9) sente que o reconhecimento social pela profissão docente é negativo.

“Os respondentes desta consulta deixaram ainda de novo o alerta de reprovação relativamente às políticas deste governo, sendo muito críticos em relação às opções do atual governo em matéria educativa, sendo que 91,9% afirma que são insuficientes e muito insuficientes”, afirma a FNE.

O inquérito abordou outras questões, como por exemplo, a utilização dos telemóveis pelos alunos na sala de aula, com dois em cada três a concordar com o seu uso (67,9% contra 32,1% que discordam).

Sobre o arranque do ano letivo, os professores apontaram como principais preocupações o excesso de trabalho, a excessiva carga burocrática e o excesso de trabalho administrativo.

A maioria dos professores e educadores também deu nota negativa às medidas anunciadas pela tutela para simplificar as tarefas dos professores.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/professores-consideram-salarios-baixos-e-nao-recomendariam-profissao-a-jovens/

E uma escola para pais? Francisco Pedro

Há pais com aplicações no telemóvel para controlar a posição dos filhos na escola

E uma escola para pais? 

Ainda não estamos na época do Natal, mas quando lá chegarmos já sabemos que vão chover as periódicas mensagens de apelo à solidariedade, aos valores morais, à doação de bens aos mais necessitados. Vão surgir as habituais denúncias de excesso de consumismo e as chamadas de atenção para “as criancinhas que passam fome em África” – este ano, provavelmente, com nuances também para as vítimas das novas guerras mais mediáticas, como as da Ucrânia e da Faixa de Gaza.

Será que todos aceitamos isto como normal? Será que quem tem a responsabilidade de educar se sente bem a transmitir e a alimentar esta aparente normalidade, onde os valores solidários, de cidadania e de respeito parecem ganhar importância apenas em determinada época do ano?

Ou será que o mais importante, antes de ajudar a cimentar estes valores, é equipar as crianças com telemóveis topo de gama, com computadores dotados de potentes placas gráficas para um melhor desempenho nos jogos virtuais; é colocá-las a praticar uma modalidade desportiva, com o válido argumento de que lhe faz bem o exercício físico, mas com o secreto desejo de as verem (e pressionarem) a despontar como um futuro Rolnado, Messi, Nadal ou Federer?

Os testemunhos que vos trazemos esta semana, em dois trabalhos distintos, levam a crer que é a segunda hipótese a prevalecer.

Num dos casos, ficámos a saber que há pais com aplicações no telemóvel para controlar a posição dos filhos na escola, chegando mesmo a questionar a direcção do estabelecimento o porquê do aluno estar sempre ao fundo do recreio.

Noutro, constatámos a existência de conflitos entre encarregados de educação e treinadores de futebol, apenas porque os pais entendiam que deviam ser os seus filhos a envergar a camisola com o número 10, um número associado aos craques, líderes e talentosos jogadores da bola.

Perante estes sinais dos tempos, não seria urgente pensar-se também na criação de uma escola para pais?

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/e-uma-escola-para-pais-francisco-pedro/

Com famílias cansadas não se consegue governar

Pede-se às famílias cansadas que não peçam ajuda à escola que a escola está sobrecarregada. Que não peçam ajuda ao SNS que está sobrecarregado. Pede-se sobretudo que as famílias cansadas não incomodem

As famílias estão cansadas

As famílias estão cansadas de jornadas de trabalho de 8 horas que se convertem em 9, 10 ou 12.

As famílias estão cansadas de ter de correr do emprego para apanhar os filhos na escola e voltar à corrida para chegar a casa e fazer o jantar.

As famílias estão cansadas das subidas de preços dos legumes e das frutas, carne, peixe… que obriga todos os dias a repensar refeições com tostões na mão.

As famílias estão cansadas da oscilação dos preços dos combustíveis de ter de saber se é para abastecer esta semana ou esperar pela próxima ou apenas colocar os habituais 20 euros.

As famílias estão cansadas de ter de reunir elementos de outono, camisolas para o Natal, abóboras, camisolas lilás… e outros que tais para levar para a escola.

As famílias estão cansadas de ter de fazer contas para perceber se sobra mês ou se sobra salário.

As famílias estão cansadas de ter de saber sobre taxas de juros, euribor, spreads, indexante, taxa fixa, taxa variável…

As famílias estão cansadas de ouvir que têm de renegociar contratos, rever mensalidades, rever as contas, de analisaram as taxas de esforços.

As famílias estão cansadas de ter de ser especialistas em finanças, economia, geopolítica, saúde, nutrição, ambiente, ecologia, agricultura biológica, tecnologia etc.

As famílias estão cansadas de apoios que não conseguem aceder, porque são desenhados para que só os especialistas os compreendam.

As famílias estão cansadas de ter de compreender as greves, que as deixam sem transportes quando os trabalhadores estão a lutar pela melhoria dos seus direitos laborais.

As famílias estão cansadas de ter de compreender as consultas desmarcadas, as urgências fechadas quando os médicos lutam pela melhoria dos seus direitos laborais.

As famílias estão cansadas de ter de compreender as greves que deixam os seus filhos sem aulas e sem local para ficar quando os professores lutam pela melhoria dos seus direitos laborais.

As famílias estão cansadas de ter de viver em casas que não se adequam às suas necessidades, enquanto alguém especula no setor imobiliário.

As famílias estão tão cansadas que a lei diz que se alguém cuida dos seus a tempo inteiro esse alguém é um cuidador informal, tal é o desgaste das famílias.

As famílias estão cansadas de ter de sobreviver nos intervalos da jornada laboral. O que resta da jornada é pouco tempo. Nesse pouco tempo é pedido que se cultivem, que estejam presentes; que brinquem com qualidade; que se informem; que corram os supermercados para encontrar os preços mais baixos; que negoceiem com os bancos; com as elétricas; com as telecomunicações; que façam receitas saudáveis; que vejam séries; que façam exercício…

Pede-se, ainda às famílias cansadas, que não peçam ajuda à escola, que a escola está sobrecarregada. Também não peçam ajuda ao SNS que este está sobrecarregado.

Se possível, pede-se que as famílias cansadas não incomodem, que assim não se consegue governar.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/com-familias-cansadas-nao-se-consegue-governar/

Listas Provisórias – Projeto C.A.F.E.

Publicação das Listas Provisórias dos candidatos admitidos e excluídos ao Procedimento Concursal com vista à constituição de uma bolsa anual de docentes para o exercício de funções no Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste, em 2024.

Listas Provisórias dos candidatos admitidos e excluídos

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/listas-provisorias-projeto-c-a-f-e/

Reserva de recrutamento 2023/2024 n.º 08

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa- 8.ª Reserva de Recrutamento 2023/2024.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 23 de outubro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 24 de outubro de 2023 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 08 

Listas – Reserva de recrutamento n.º 08  

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/reserva-de-recrutamento-2023-2024-n-o-08/

Nota Informativa VINCULAÇÃO DINÂMICA E PERÍODO PROBATÓRIO 2023/2024

Encontra-se publicada a Nota Informativa VINCULAÇÃO DINÂMICA E PERÍODO PROBATÓRIO.

Consulte a nota informativa:

Nota Informativa VINCULAÇÃO DINÂMICA E PERÍODO PROBATÓRIO

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/nota-informativa-vinculacao-dinamica-e-periodo-probatorio-2023-2024/

Aluno agrediu professora de Educação Física

 

Uma professora da Escola Secundária Miguel Torga, em Bragança, foi agredida, na semana passada, por um aluno do sétimo ano, durante uma aula.

Aluno menor agrediu professora de Educação Física em escola de Bragança

A agressão teve lugar numa aula de Educação Física, quando o aluno do sétimo ano se recusou fazer um exercício pedido pela docente, agredindo-a com um pontapé na cara, apurou o JN. A professora, com cerca de 40 anos, recebeu assistência médica e levou alguns pontos.

No dia a seguir à agressão, a docente  ainda foi dar aulas, mas ao chegar ao local, “paralisou perante a turma”, encontrando-se desde então de baixa médica “e muito traumatizada” com o sucedido, contou ao JN fonte familiarizada com o caso.

A vítima é professora há alguns anos, mas este é o primeiro em que leciona na Secundária Miguel Torga.

Agentes da PSP estiveram no local no dia do incidente. Fonte oficial do comando de Bragança confirmou que foi reportada uma agressão por parte de uma professora relacionada com uma agressão por um menor “no exercício de funções” e que o caso vai ser averiguado e enviado para o Ministério Público.

A diretora do Agrupamento Miguel Torga, Fátima Fernandes, escusou-se a comentar o caso “por se tratar de um assunto interno”, não confirmando nem desmentido.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/aluno-agrediu-professora-de-educacao-fisica/

Uma nova ordem de grupos de recrutamento no ensino – Carlos Ceia

 

Se se perder esta oportunidade, o quadro de habilitações dos professores continuará a ser ilegível em muitos casos, confuso sem necessidade, repleto de iniquidades e pouco atractivo para os jovens.

Uma nova ordem de grupos de recrutamento no ensino

No momento em que está em discussão pública uma nova lei para a formação inicial de professores dos ensinos pré-escolar, básico e secundário, que contém uma actualização dos pré-requisitos de formação ao nível da licenciatura para a admissão a cada mestrado em ensino (o grau necessário para obtenção de habilitação profissional desde 2007), era fundamental que se procedesse a uma revisão dos grupos de recrutamento. Esta é uma matéria sensível, com um histórico pouco feliz nos últimos 40 anos de legislação educativa, com importantes alterações no Decreto-Lei n.º 27/2006, de 10 de Fevereiro, que regula os actuais grupos disciplinares, alterado pelos Decretos-Lei n.º 176/2014, de 12 de Dezembro (com introdução do grupo 120 de Inglês para o 1º Ciclo) e n.º 16/2018, de 7 de Março (com introdução do grupo 360 de Língua Gestual Portuguesa). Em ambas as ocasiões, não se alterou tudo o que devia ter sido alterado e que talvez ajudasse a que tivéssemos hoje menos problemas de recrutamento em alguns grupos.

Sendo uma matéria muito técnica, importa clarificar alguns dos problemas e propor soluções legíveis.

Ao rever o Decreto-Lei n.º 79/2014, de 14 de Maio, alterado pelo Decreto-Lei, nº 176/2014, de 12 de Dezembro e pelo Decreto-Lei, nº 16/2018, de 07 de Março, o mapa anexo com os mestrados em ensino e sua dependência dos grupos de recrutamento existentes, o que sempre se saudou como uma evolução natural e necessária, devia ser já revisto ao mesmo tempo que se procedia à revisão do Decreto-Lei n.º 27/2006 para todos os grupos de recrutamento. A duas leis estão ligadas e não devíamos estar sempre a fazer averbamentos e correcções pontuais.

Vejamos alguns contextos problemáticos. Há um conjunto de disciplinas opcionais no ensino secundário, com diferentes realidades em termos de alunos inscritos e turmas constituídas, cujos docentes não são obrigados a possuir uma habilitação profissional idêntica a todos os restantes docentes: um docente de Ciência Política, Direito, Antropologia, Sociologia ou Psicologia não é obrigado a fazer um mestrado em ensino, porque não existem, mas porque não existem grupos de recrutamento destas disciplinas, logo esses professores não podem adquirir a mesma habilitação profissional que os restantes docentes. Existe ainda o caso da disciplina transversal ao currículo obrigatório de 12 anos: Cidadania e Desenvolvimento. Qualquer professor de qualquer grupo é um potencial docente desta disciplina, por isso existe hoje uma enorme diversidade de situações neste grupo fantasma alimentado com professores de outros grupos, muitas vezes contra a sua própria vontade, porque não foram formados especificamente para este efeito em ciências sociais de base.

Assim, a criação de um grupo de recrutamento novo de Ciências Sociais seria uma solução flexível, porque podia acolher várias das disciplinas ausentes do quadro nacional, garantindo assim a adequação do perfil profissional dos docentes de Sociologia e de Cidadania e Desenvolvimento a um nível de formação científica na área das ciências sociais. Face à existência de algumas disciplinas de ciências sociais no quadro nacional de grupos de recrutamento (Geografia, História, Economia), restringir-se-ia este novo grupo de Ciências Sociais às áreas disciplinares de Antropologia, Ciência Política, Direito, Relações Internacionais e Sociologia, que nunca tiveram recrutamento autónomo para o ensino secundário.

Há condições para a criação de um outro novo grupo de recrutamento para Português Língua Não Materna (PLNM) e respectivo mestrado em ensino. É quase escusado justificar a importância desta disciplina na escola portuguesa de hoje, que só neste ano acolheu mais 30 mil estudantes estrangeiros. A situação destes alunos que não falam português e que estão nas nossas escolas públicas com toda a legitimidade obriga-nos a fazer um reenquadramento dos docentes de Português, sabendo que, por exemplo, temos formado muitos mestres em ensino de Português Língua Estrangeira que estão perfeitamente habilitados a ensinar PLNM e que não têm grupo de recrutamento onde concorrer. O PLNM não pode ficar sujeito a soluções ad hoc de contratação e afectação de recursos docentes como acontece até hoje, sacrificando quase sempre o já deficiente grupo 300 (Português). Assim, impõe-se a criação de novo grupo:

Os actuais cursos de Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico e de Português e História e Geografia de Portugal no 2.º Ciclo do Ensino Básico e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico e de Matemática e Ciências Naturais no 2.º Ciclo do Ensino Básico não podem estar dependentes, em exclusivo, da obtenção prévia de uma licenciatura em Educação Básica; e no Ensino de Português e Inglês no 2.º ciclo do Ensino Básico não faz mais sentido juntar Português e Inglês, duplicando a área do Português quando esta devia ser um grupo único (as razões históricas para os pares disciplinares do Português com outras disciplinas, que herdámos dos anos de 1980 por existir uma falta de cursos de formação de professores de Português, não faz mais sentido em 2023); assim, uma rearrumação do 2º Ciclo devia seguir uma lógica como:

 

Embora não seja necessário alterar os requisitos para o ensino de Inglês para o 1º Ciclo, este é o momento adequado para repensar o grupo 120 e o âmbito da sua actuação. Se em 2014 não existiam recursos humanos qualificados para se actuar no sentido de iniciar o ensino de Inglês no 1º ano do EB, hoje estão criadas as condições para que o currículo nacional seja revisto, passando a incluir essa oferta em todos os quatro anos do 1º Ciclo do EB, cumprindo finalmente o compromisso tantas vezes assumido por Portugal nas instituições europeias de que faz parte, mas que nunca conseguiu cumprir (do Conselho Europeu de Barcelona em 2002 até ao mais recente: “Education and Training 2020” Strategic Framework). De notar que um dos constrangimentos actuais para os docentes do grupo 120 – a enorme dispersão de turmas para formar um horário completo – a que estão sujeitos e que constitui um factor real de desmotivação para seguir para um mestrado em ensino que habilite para este grupo, podia ser mitigado com o alargamento do Inglês a todo o 1º Ciclo, reduzindo para metade essa dispersão actual (porque teriam então o dobro das turmas disponíveis) e motivando mais candidatos a optarem por esta via.

É justa a criação do grupo de Teatro e Expressão Dramática ou Intervenção Precoce, que a FENPROF tem vindo a reclamar, porque os docentes desta área disciplinar estão também numa situação insustentável de desprotecção legal. Recordo a Resolução da Assembleia da República n.º 34/2020, de 3 de Julho, que recomenda a criação de um grupo de recrutamento em intervenção precoce na infância.

O actual grupo 430 (Economia e Contabilidade), reduzido à oferta do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa para um mestrado em Ensino de Economia e Contabilidade, nunca fez sentido enquanto par disciplinar, por não ter referência directa a cursos de licenciatura que, de forma quase generalizada, separam claramente as duas áreas: as licenciaturas em Economia são uma coisa, as de Contabilidade outra bem diferente e em regra em instituições diferentes. Acresce que neste grupo circulam professores com outras formações científicas (Gestão, Direito e Sociologia, por exemplo). Também aqui faz sentido ter um grupo de Economia e outro de Contabilidade. A sugestão da APROCES – Associação de Professores de Ciências Económico-Sociais pode ser outra solução, se se abranger todos os licenciados, pré e pós-Bolonha, nas áreas científicas da Economia, Gestão, Sociologia, Direito e Contabilidade, embora fosse preferível criar o grupo de ciências sociais, onde a Sociologia e o Direito pudessem estar mais facilmente ancoradas.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses há muito que reclama, com legitimidade, a criação do grupo de recrutamento de Psicologia, ausente de todos os quadros legislativos até hoje. Urge também criar este grupo e o respectivo mestrado em ensino de Psicologia, direccionado para os licenciados em Psicologia.

Um dos problemas mais graves que resulta da não adequação dos grupos de recrutamento à realidade das nossas licenciaturas é o dos grupos bidisciplinares de Biologia e Geologia (520) e Física e Química (510). Se as licenciaturas estão, logicamente, a funcionar de forma autónoma seguindo a história e a tradição monodisciplinar internacional destas disciplinas (até o prémio Nobel distingue o da Física e o da Química, precisamente porque são áreas científicas autónomas), nunca fez sentido que os grupos de recrutamento fossem bidisciplinares. É difícil entender como tais pares de disciplinas surgem ainda canonizados apenas na legislação portuguesa, o que impede formalmente de termos mais professores com habilitação profissional nestas disciplinas – e não os vamos ter enquanto persistir este erro.

Todas estas medidas de reordenação dos grupos de recrutamento, a par de uma boa revisão do Decreto-Lei 79/2014 para a formação inicial de professores, ajudaria a resolver problemas que se arrastam há demasiado tempo no sistema educativo português. Traria mais legibilidade e justiça curricular ao sistema. Ajudaria a um recrutamento de docentes mais próximo da realidade das formações de nível de licenciatura existentes em Portugal. Melhoraria o quadro de oferta de mestrados em ensino e assim podia trazer mais candidatos na ordem e sequência lógica das suas formações de base. Se se perder esta oportunidade, o quadro de habilitações dos nossos professores continuará a ser ilegível em muitos casos, confuso sem necessidade, repleto de iniquidades e pouco atractivo para muitos dos nossos jovens.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/uma-nova-ordem-de-grupos-de-recrutamento-no-ensino-carlos-ceia/

Há quem ache que fechar escolas beneficia alunos – Alexandre Homem Cristo

 

“As notas dos alunos subiram durante a pandemia — informou-nos ontem o Público, baseando-se em dois relatórios da DGEEC. Repare-se no pormenor importante: as notas não subiram após a pandemia, como se isso significasse algum tipo de recuperação do dano na aprendizagem. Nada disso: as notas subiram durante a pandemia. Aliás, se a opção for pelo rigor, a afirmação que fez a manchete do Público deveria ser revista: não foi exactamente “durante”, pois as notas nas escolas subiram instantaneamente assim que a pandemia começou. Logo no ano lectivo 2019/2020, quando as escolas básicas foram encerradas em Março até Setembro, as classificações dos alunos subiram em flecha — e nesses patamares elevados se mantiveram nos anos lectivos seguintes (também eles cheios de perturbações ao normal funcionamento das escolas).
Veja-se, por exemplo, o 2º ciclo do ensino básico, onde a percentagem de alunos com classificações internas altas (4 ou 5) subiu bruscamente no ano lectivo 2019/2020 (o primeiro da pandemia). Em Matemática (5º ano), pouco mais de um terço dos alunos tinha bons desempenhos (35% em 2016/2017; 38% em 2017/2018; 39% em 2018/2019). Agora, praticamente metade dos alunos tem notas altas: 46% em 2019/2020; 47% em 2020/2021 e 2021/2022. Ou seja, com a pandemia, a proporção de boas notas deu um salto de 7 pontos percentuais. A tendência é comum à disciplina de Português, onde a melhoria instantânea alcançou os 8 pontos percentuais. Aliás, a tendência é comum aos vários anos de escolaridade: mal começou a pandemia, as notas internas dos alunos subiram.
Face aos dados, importa ponderar sobre a interpretação a atribuir aos resultados — e só existem duas possibilidades. Hipótese 1: se se acreditar que estas notas internas dos alunos são comparáveis com as de anos anteriores e representam uma efectiva melhoria dos alunos, então resta-nos concluir que o encerramento das escolas gerou uma melhoria espontânea na aprendizagem dos alunos. Hipótese 2: se as notas não são comparáveis e apenas revelam que os professores recalibraram os seus critérios de avaliação devido à pandemia, então esta subida de notas não traduz qualquer melhoria na aprendizagem.
Parece-me evidente que a hipótese 2 é a verdadeira. Desejo boa sorte a todos aqueles que se entusiasmaram com a hipótese 1 e aguardo que, em coerência, proponham o encerramento das escolas como medida de promoção da aprendizagem. E se o leitor considerar que não há quem possa tomar a hipótese 1 como boa, então desiluda-se. No Público, os especialistas ouvidos sobre a matéria dividem-se sobre o significado destes dados e vários argumentam a favor de uma efectiva melhoria na aprendizagem no período da pandemia. Pior: na Renascença, Filinto Lima, director de escola e presidente da ANDAEP, associou a recente “melhoria” ao trabalho dos professores e ao sucesso do plano de recuperação da aprendizagem — ignorando que a tal “melhoria” das notas internas ocorreu logo no ano lectivo 2019/2020, com os alunos em casa e mais de um ano antes de o plano da recuperação da aprendizagem sequer existir no papel. Enfim, não me ocorre prova mais definitiva de que a pandemia afectou também a literacia estatística e o bom-senso de quem participa no debate público da educação.
As coisas são como são. O Público fez ontem uma manchete a partir de um debate irrealista, no qual se converteu a inflação de notas internas numa “melhoria” dos alunos. De resto, no contexto da pandemia, essa inflação de notas tem zero de surpreendente. Quem monitoriza as classificações internas dos alunos sabe que estas reagem a incentivos sistémicos. Um exemplo é a realização de avaliações externas: se houver exames, as escolas evitam inflacionar notas internas, porque percebem que serão denunciadas pela comparação dessas notas internas com os resultados dos alunos nos exames. Ora, com a pandemia, os travões contra a inflação de notas internas caíram todos e os incentivos inverteram-se: naqueles anos, não se realizaram provas de aferição ou exames no ensino básico, e instituiu-se que, com as escolas fechadas, seria duplamente penalizador reprovar alunos. A consequência óbvia e previsível foi a subida das notas internas — e estranho seria se tal não tivesse acontecido.
É triste que, no final de 2023, estejamos ainda neste ponto. Enquanto pelo mundo inteiro há diagnósticos alarmantes sobre o dano na aprendizagem causado pela pandemia, em Portugal, o debate público deixa-se encantar por notícias de “melhorias” sustentadas em pensamento mágico. E, enquanto se promovem essas ilusões de “melhoria” dos alunos, continuam dezenas de milhares de alunos sem professor a pelo menos uma disciplina. Quem fica à espera de milagres recebe aquilo que merece.”

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/ha-quem-ache-que-fechar-escolas-beneficia-alunos-alexandre-homem-cristo/

Delinquência juvenil e violência nas escolas aumentaram no ano passado

Violência nas escolas aumentou em 2022, registando os valores mais elevados em seis anos. Em Viseu, recentes agressões a alunos têm suscitado preocupação dos pais e encarregados de educação

Delinquência juvenil e violência nas escolas aumentaram no ano passado

A violência nas escolas aumentou significativamente no ano passado face a 2021, registando os valores mais elevados em seis anos em indicadores como a delinquência juvenil e a criminalidade grupal.

Os dados são publicados no livro “Violência nas escolas – Caracterização, Análise e Intervenção”, de Miguel Rodrigues que será lançado a 7 de novembro e traça o quadro português com base nos registos desde 2011 (ano em que foi extinto o Observatório de Segurança Escolar) e 2022.

De acordo com o balanço mais recente feito pelo chefe da PSP, no ano letivo 2021/2022 registaram-se 6.067 ocorrências em ambiente escolar, mais 1.573 do que no ano anterior, sendo que, em comparação com 2020/2021, diminuíram as ocorrências de natureza não criminal, enquanto as ocorrências criminais passaram de 2.097 para 4.634.

Entre as principais ocorrências, a esmagadora maioria nos distritos de Lisboa e Porto, registaram-se 1.860 ofensas à integridade física, 1.128 casos de injúria ou ameaça e 711 furtos, mas também ofensas sexuais e posse ou uso de arma.

Por outro lado, entre os indicadores relacionados com a violência nas escolas que Miguel Rodrigues analisou, o principal aumento foi na delinquência juvenil, que em apenas um ano cresceu mais de 51%.

De acordo com os dados, no ano passado houve perto de 1.700 casos de delinquência entre os jovens, o valor mais elevado desde 2016, à semelhança do número de casos de criminalidade grupal.

Nesse indicador, o chefe da PSP contabiliza, com base nos dados do Sistema de Segurança Interna, 5.895 casos em 2022 (mais 1.398 do que no ano anterior).
Olhando para a violência no namoro, foram identificados perto de três mil jovens agressores (mais 38% face a 2021) e o perfil é semelhante aos anos anteriores: a maioria homens entre os 16 e os 24 anos.

Com o valor mais elevado, pelo menos desde 2011, o livro destaca ainda o número de crianças e jovens sinalizados por comportamentos de perigo na infância, que cresceu mais de 32%, fixando-se em 9.362 no ano passado.

De acordo com o autor, os principais diagnósticos estão relacionados com comportamentos graves antissociais ou de indisciplina, mas há também situações de consumo de estupefacientes, ‘bullying’, consumo de bebidas alcoólicas, ‘gaming’ (jogos de entretenimento), ‘gambling’ (jogos a dinheiro) e prática de crimes.

Com um aumento menos expressivo, cresceu, ainda assim, o número de jovens internados em centros educativos, que passou de 116 para 119, mas muito abaixo dos valores mais altos da última década, entre 2011 e 2013, e que o autor justifica com a pandemia da covid-19.

Na mesma linha, o número de jovens reclusos aumentou ligeiramente de 149 para 170, contabilizando-se 62 menores, entre os 16 e 18 anos, e os restantes com 19 ou 20 anos de idade.

Jornal do Centro

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/delinquencia-juvenil-e-violencia-nas-escolas-aumentaram-no-ano-passado/

Guerra de política e dinheiro divide sindicalistas do Stop

Grupo anti-Pestana quer ver extratos bancários e suspeita de aproveitamento político.

Guerra de política e dinheiro divide sindicalistas do Stop

A guerra no Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop) conhece um novo episódio, com André Pestana, a cara mais conhecida, debaixo de fogo. Em causa, as contas e suspeitas de aproveitamento político com o intuito de formar um novo partido à boleia da luta dos professores. Pestana desmente as acusações.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/guerra-de-politica-e-dinheiro-divide-sindicalistas-do-stop/

Alteração do regime específico de seleção e recrutamento de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança

 

Decreto-Lei n.º 94/2023
de 17 de outubro

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/alteracao-do-regime-especifico-de-selecao-e-recrutamento-de-docentes-do-ensino-artistico-especializado-da-musica-e-da-danca/

O Copianço, alegadamente, de chavões

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/o-copianco-alegadamente-de-chavoes/

Professores contratados sem atualização dos salários

Governo ainda não cumpriu diretiva europeia, que exigiu o fim da discriminação dos professores contratados. Docentes recebem sempre o mesmo salário, mesmo que tenham décadas de serviço.

Professores contratados sem atualização dos salários

O ano passado, a Comissão Europeia (CE) ameaçou levar o Estado português ao Tribunal de Justiça da União Europeia se o país não resolvesse as diferenças salariais entre os professores contratados e os professores do quadro. Os docentes sem vínculo auferem sempre o mesmo salário, mesmo que tenham décadas de serviço. Já os professores efetivos, veem os vencimentos atualizados ao longo dos anos de trabalho. Uma situação que, segundo Bruxelas, põe em causa o princípio de equidade e confere um tratamento discriminatório entre trabalhadores com as mesmas funções. Recorde-se que foi também uma exigência da CE que levou o Ministério de Educação (ME) a criar a Norma Travão, uma regra de vinculação para os docentes que obtêm três contratos seguidos em horário completo e anual. Uma regra igual à aplicada no setor privado.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/professores-contratados-sem-atualizacao-dos-salarios/

50 mil alunos sem todos os docentes após um mês de aulas

Na última semana, escolas lançaram mais de 800 horários. JN ouviu professores que foram de Vila Nova de Gaia para o Algarve ou recusaram colocação por causa do preço da casa. Quase 3200 docentes aposentaram-se desde janeiro.

50 mil alunos sem todos os docentes após um mês de aulas

Um mês após o arranque das aulas, mais de 50 mil alunos não têm todos os professores de acordo com as contas da Fenprof. Na última semana, entre 6 e 12 de outubro, estavam por preencher 809 horários em contratação de escola. A maioria em escolas de Lisboa (368), Setúbal (148) e Algarve (69) , sobretudo em disciplinas do 3.º ciclo e do Secundário como Português (94), Inglês (65), Física e Química (58), Informática (52), Francês (51) ou Matemática (45). 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/50-mil-alunos-sem-todos-os-docentes-apos-um-mes-de-aulas/

MARMITAS GOURMET

Se não sabem dos privilégios de se ser professor é porque, na verdade, desconhecem a bela vida que levam. Veja-se, por exemplo, o que eles não fazem para poder comer fora todos os dias da semana. Alguns, até se dão ao luxo de andar nisto há décadas às custas do salário milionário pago por todos nós.
Mas desengane-se quem pense que os docentes chegaram a este remanso em primeira viagem. Pelo caminho, país fora, já passaram por outras filiais de igual magnificência.
E onde fica esse santuário gastronómico?
Embora se diga que todos os caminhos lá vão dar, localizado num clubhouse de acesso restrito, situado na distinta sala dos professores, o espaço oferece uma experiência única e inesquecível, certificada por todos aqueles que já experimentaram. Ali, a expressão «almoçar fora» tem um outro significado. Com uma ementa culinária de pratos fritos, estufados, gratinados, grelhados e assados, são os bem «cozidos» que melhor combinam com a classe docente.

Ao fim de uma manhã repartida entre aulas e intervalos barulhentos, almoçar na cantina da escola e não romper o frenesim atordoante da criançada com o momento de silêncio reparador da refeição, seria impensável. Além do mais, o mal que esse stress faria à pele, nem o botox poderia reparar. Assim, na hora do descanso, quando o astro-rei brilha bem alto no céu, a mesa da refeição da sala dos professores começa a encher-se. É aconselhada reserva, pois só a muito custo se consegue garantir um lugar sentado. Ali, o ambiente tendry é sumptuoso. O esmero da lindíssima decoração shabby-chic industrial de cacifos, dossiês, agrafadores e computadores retro, é rematado por mobiliário vintage, com foco na mesa redonda com a mantilha plástica, propositadamente desengonçada para combinar com a envolvência, algo que não se encontra nem no melhor resort. Em redor da mesa, o charme das luxuosas cadeiras de madeira de envelhecimento natural, cuja solidez ergonómica para manter os glúteos firmes, só encontra rival no milenar ritual japonês de sentar no chão à hora da refeição.

Depois de repousar as nádegas naquelas poltronas de pinho, cada docente retira os manjares dos deuses galardoados com estrelas Michelin, bem-acondicionados nas suas malas thermiques Louis Vuitton, Hermès, Gucci ou Prada, adquiridas na superfície comercial exclusif da Feira da Ladra. É vê-las a abrir as valises de requinte e de lá saírem as mais raras iguarias: elas são as refinadas carnes maturadas «Les restes d’ontem», Omoletes aromatizadas «O que meu petit à la maison não quis manger na janta», a salada russa «vai com todos», o farrapo velho «Sobras de tout la semaine», os ossos de entrecôte sem chicha chuchados Al dente e, neste menu de degustação, não poderia faltar o requintado prato vegetariano de sande de Salade com tomate e folhinha de alface. De notar que, neste espaço de haute cuisine, grande parte não chega à mesa sem antes passar pelo indispensável micro-ondas, que nem sempre está a funcionar, facto que confere o enorme entusiasmo de a um empratamento quente poderem ter a feliz surpresa de terem um prato frio ou semifrio. Tudo isto, sempre bem regado com uma garrafeira de seleção composta pelas melhores águas das torneiras locais.
De vez em quando, para sobremesa, apresenta-se o famoso bolo “Fiz anos ontem”, que é de chorar por mais, mas é o que havia.

Quando a preocupação com fichas, testes e todo o género de materiais didáticos, que enchem pastas e pensamento, levam algum professor a se esquecer de trazer de casa a sua maleta de assinatura contendo a refeição (acontece com alguma frequência), sempre poderá experimentar o sabor de um dia de dieta para manter a linha.

Por uns instantes, põe-se a escola e a criançada de lado. Começa-se a falar do que se irá fazer para a janta, dos filhos, dos escândalos VIP, dos casos que aconteceram nas aulas, das atividades escolares, das constantes interpelações dos pais os alunos e, na rúbrica que não poderia faltar, nesta passerelle chiquérrima com cheiro a Saint Laurent, comentam as sebosas que não se juntam àquele clube da marmita, porque só falam e vivem para escola.
Então e todas aquelas vezes em que são interpeladas por um alto dignatário do seu staff – que respeitosamente pede perdão pela interrupção daquele momento de retiro –, para solicitar a sua intervenção urgente para sanar os ânimos dos seus queridos alunos que trocam mimos nos jardins, fazem sentir como é de um primor apurado ter um serviço personalizado à mesa que provoca inveja a qualquer alto dirigente. Melhor do que isso, só mesmo quando, entre garfadas, os colegas se dão ao trabalho de lhes trazerem à mesa um manancial de documentos para preencherem ou assinarem. Um serviço personalizado de um status social que não está ao alcance de qualquer mortal.

Como a alta gastronomia não se limita ao paladar, sabor ou aroma, por vezes a extravagância e o excesso de tempo livre toma proporções apoteóticas, levando-as a meterem-se nos seus clássicos do século passado, de glamour superior a qualquer banal Rolls-Royce e, como loucas, irem pelas boulevards ladeadas por palmeiras até outras paragens très chic. Chegadas aos arrabaldes desses olimpos, podem maravilhar-se com o esplendor dos epítetos «Restaurante Feitoria», «Belcanto», «Fortaleza do Guincho» ou «Valle Flôr» que apuram o seu apetite. Sentam-se na zona lounge, do outro lado da rua desses templos dos sabores, abrem as suas marmitas e consomem o seu banquete ainda com mais vontade; parece que ali, ao ar livre, com aquela vista magnífica de cortar a respiração, o alimento tem outro sabor e ajuda a passar todo aquele excessivo tempo de deleite, longe de casa.

No fim da hora da refeição, chora-se, não se podendo saber ao certo se por aquele maravilhoso momento ter passado tão depressa, se pela ânsia de se entregarem ao ruído ensurdecedor da multidão de juventude que aguarda calorosamente do outro lado da porta daquele refúgio.
Lágrimas partilhadas por todos os colegas de muita idade que, sem o apanágio de poder trabalhar longe de suas casas, já não se poderem deliciar com o prazer de merendar constantemente na escola e pertencer ao clube privado da marmita.

Assim se compreende o motivo de se amar tanto esta profissão cheia de regalias.
Ninguém faz uma ideia do divino privilégio de um professor em Portugal poder praticar um turismo gastronómico de eleição durante toda uma carreira profissional, a trabalhar longe de casa, só para poder desfrutar da oportunidade de comer diariamente fora e usufruir de um serviço exclusivo de cozinha de autor.

Carlos Santos

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/10/marmitas-gourmet/

Load more