Category: Rui Cardoso

O Portal das Matrículas continua em baixo, isto vai dar problemas…

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A RTS ainda vai dar lucro ao estado de 242,7 milhões de euros

Rui Baleiras, coordenador da UTAO, garante que fica mais barato para o Estado deixar sair para a reforma os professores que querem fazê-lo ao atingir a idade legal, e substituí-los por novos, do que manter no sistema educativo até aos 70 anos os atuais docentes do quadro

“Causa aflição” que se apliquem medidas salariais no setor público sem instrumentos para avaliar “os seus custos e eficácia”

Temos de distinguir o que é o impacto bruto e o impacto líquido. O bruto resulta do acréscimo na remuneração base dos docentes e nas contribuições do Ministério da Educação para a proteção social desses docentes. E aí, segundo as nossas contas, varia entre 41 milhões de euros em 2024 e os 469 milhões de euros em 2028, ano cruzeiro. Em termos líquidos, isto é, descontando as receitas que vão ocorrer por conta do IRS, por conta das contribuições dos trabalhadores e do empregador público para a Caixa Geral de Aposentações ou Segurança Social, e ainda por conta das contribuições dos trabalhadores beneficiários da ADSE [sistema de saúde dos funcionários públicos], o impacto é menos de metade: 18 milhões em 2024 e 202 milhões em 2028.

Os esclarecimentos do gabinete do ministro da Educação são bem-vindos e a sua necessidade justificou-se por as previsões de impacto orçamental da UTAO diferirem das elaboradas pela equipa técnica do Ministério. A UTAO fez o seu trabalho sem conhecer o estudo do Ministério e vice-versa. Foi uma boa prática. Não restam dúvidas sobre a independência do relatório da UTAO face aos legítimos interesses políticos do Governo.

De acordo com a melhor informação que tenho neste momento, não conhecemos nenhum outro trabalho que tenha sido feito com o nível de profundidade deste. Usámos microdados, usámos dados individuais sobre cada um dos 108 mil docentes que existem na carreira.
A explicação ministerial para a diferença nas previsões dos dois estudos faz sentido. O próprio relatório da UTAO já antecipava que seria natural existirem diferenças nas conclusões numéricas das duas entidades. O comunicado indica que a diferença nos impactos quantificados resulta, nomeadamente, de hipótese diferente sobre a idade de saída da carreira para a aposentação. Tem lógica. O modelo da UTAO assumiu que cada docente se reforma ao atingir a idade legal para aposentação sem penalizações. Pelo que afirma o comunicado do Governo, o seu estudo assume que a aposentação só acontece aos 70 anos.

O que redunda num maior encargo global com pessoal docente do que no estudo da UTAO. Poderá haver outras diferenças metodológicas, não sei. Teria de ler o estudo, em particular, a descrição do modelo, da base de dados e das hipóteses embutidas no mesmo para descobrir outras causas eventuais para a diferença de resultados. Seja como for, julgo que o sentido qualitativo a extrair do relatório da UTAO é análogo ao que transparece do comunicado do gabinete do ministro.

Estudámos a possibilidade de os docentes que saírem para a reforma serem substituídos por profissionais novos, contratados para o 1.º escalão da carreira. Fizemos as contas com base na atribuição do crédito de tempo acordada entre Governo e sindicatos. Assumimos então que, por cada saída para a aposentação, entra para o quadro, na 1.º posição remuneratória, um novo docente, de tal modo que o quadro de pessoal terá sempre o mesmo número de profissionais ao serviço entre 2024 e 2027.

E o que é que acontece?

Somando os resultados para estes quatro anos, prevemos que haverá a renovação de 17.470 docentes (num quadro sempre com 108.289 docentes). As 17.470 saídas libertarão 527,8 milhões de euros de despesa líquida e as 17.470 entradas para o 1.º escalão aumentarão a despesa líquida em 285 milhões de euros. Em conclusão, a manutenção do número de docentes no sistema fará reduzir a massa salarial, líquida de receita para o setor público, em 242,7 milhões de euros.
Fica mais barato para o Estado deixar sair para a reforma quem quiser fazê-lo ao atingir a idade legal mínima para o efeito, e substituir quem se reforma por docentes novos, do que manter no sistema educativo até aos 70 anos os atuais docentes do quadro. A razão é a diferença entre o salário auferido no ano da reforma e o salário de entrada na carreira. Poderá até acontecer que com esta troca haja menos ausências por doença e horários com mais horas por docente. Julgo saber que, a partir de determinada idade, os docentes têm direito a uma redução no número semanal de horas letivas.

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Governo não vai alterar despacho que define a organização do ano letivo

O Governo decidiu manter as orientações do executivo anterior que definem a organização do ano letivo. O ministério da Educação diz que quer assim transmitir mais estabilidade às escolas e espera um ano tranquilo depois de ter chegado a acordo com o professores.

Governo não vai alterar despacho que define a organização do ano letivo

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Plano de recuperação de aprendizagens prometido para julho

Diretores desesperam por novo despacho de organização do ano letivo (OAL) mas ministério revela que não vai fazer “alterações estruturais”.

Plano de recuperação de aprendizagens prometido para julho

O novo plano de recuperação das aprendizagens vai ser apresentado em julho, revelou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI). Com o fim das aulas do 1.º ciclo e do Pré-escolar e da primeira fase de exames do Secundário no final desta semana, os diretores querem começar a planear o próximo ano letivo e aguardam pela publicação do despacho de Organização do Ano Letivo (OAL). No entanto, o diploma não vai sofrer “alterações estruturais”, assumiu a tutela em resposta enviada ao JN.

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Foi lançado concurso Público para fornecimento de equipamentos para a criação de Laboratórios de Educação Digital (LED) nos estabelecimentos do 2.º e 3.º ciclos

Parece que desta vez é que vai ser… Valor do preço base do procedimento: 3.317.679,32 EUR

01/CPI/SGEC/2024 Concurso Público Fornecimento de equipamentos para a criação de Laboratórios de Educação Digital (LED) nos estabelecimentos do 2.º e 3.º ciclos dos ensinos básico e secundário da rede pública Secretaria-Geral da Educação e Ciência A receber propostas  

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Falta despacho da organização do ano letivo

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Pais fecham escola a cadeado em protesto contra violência de aluno e acusam mãe de agredir professora e funcionária

Família está a ser acompanhada pela CPCJ e que o menino também está a ser seguido devido ao comportamento desviante

Pais fecham escola a cadeado em protesto contra violência de aluno e acusam mãe de agredir professora e funcionária

Encarregados de educação fecharam a cadeado a entrada da Escola Básica de Vila Chã de Sá, em Viseu, devido ao alegado comportamento agressivo de um aluno.

Ao que o CM apurou junto de alguns familiares dos estudantes, o menino, que frequenta o segundo ano, provocou vários desacatos desde que chegou à escola e, na sexta-feira, quando a mãe foi chamada para uma reunião, terá iniciado uma discussão e agredido uma professora e uma funcionária.

“A minha filha assistiu a tudo. É uma coisa que não devia acontecer. Nem eles, nem nós devíamos assistir a isto. O respeito tem que existir. A educação parte de casa”, disse a mãe de uma aluna da mesma turma do rapaz. 

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O mal-estar escolar e a mobilidade como fuga

Haverá sempre muitas razões para mudar de escola. No entanto, basta estarmos atentos, e ouvirmos as estórias à nossa volta, para percebermos do mal-estar escolar que alastra como mancha.

O mal-estar escolar e a mobilidade como fuga

Em homenagem a Santana Castilho e à sua dedicação à educação e a perspetiva fortemente crítica e humanista de tantas das suas crónicas.

O ‘mal-estar dos professores’, assim como ‘mal-estar dos estudantes’ são temas recorrentes de há muito tempo. A educação é um daqueles sectores de instituições compactas em que estão face a face grandemente duas equipas: neste caso, a dos professores e a dos alunos. Muitas vezes a política de educação vai alternando entre a culpa de uns e a desculpa de outros, mas raramente centra a sua atenção nas instituições na sua complexidade: ou seja, nas comunidades escolares, na cultura e clima organizacionais da escola e no tipo de liderança.  Ora, muitos dos actuais problemas do sector são complexos e implicam essa análise reticular.
Em Portugal, no presente, o professor vive num paradoxo, uma vida desalinhada: se, por um lado, é alguém a quem é solicitado quase tudo em sala de aula e em relação a alguns alunos (pai/mãe; tutor; educador; assistente social; psicólogo; etc.); fora da sala de aula e da relação com alguns alunos, a vida é demasiadas vezes por demais despojada, pela míngua de tanto e por viverem tanto entre paragens. A alma cheia já não compensa a vida tantas vezes envergonhada. Mas para cúmulo, muitas vezes na sua escola, onde deveria ser acarinhado, é tratado como um mero funcionário e é, até, por vezes, o elo mais fraco da instituição escolar. Portanto, “se estás mal muda-te!”, como se costuma dizer, e há mesmo directores que fazem tudo para que determinados professores se mudem. E é isso mesmo que podemos constatar nos concursos internos.

O concurso interno 2024/25 em curso para todos os professores do ensino não superior e cujos resultados sairão no final deste mês de junho, se por um lado apresenta um número bastante acrescido de vagas, o que é muito positivo, possibilitando a muitos professores aproximação à residência, pode também dar-nos alguns indícios, tal como outros anteriores,  acerca deste mal-estar escolar e de uma mobilidade como fuga. Há, segundo julgo entender, dois grandes universos neste concurso. Por um lado, temos os docentes que sendo efetivos numa determinada escola e estando colocados noutras escolas (ao abrigo de justificações várias), procuram nestes concursos ficar efetivos numa escola mais perto da sua residência. No entanto, há todo um outro universo de docentes que concorrem por pretenderem sair da escola, mas que não seria de esperar que o fizessem, quer porque a) pretendem sair da escola em que estão efetivos há muitos anos; b) estão já perto da idade de reforma e, ainda assim, pretendem sair; c) pretendem sair para uma escola mais distante da sua residência ou d) pretendem sair …para a escola ao lado. Portanto, aqui temos uma oportunidade para associações de professores, a confederação das associações de pais, os sindicados, o conselho nacional de educação, a tutela e todos os que considerem que a educação é central, contribuírem em função de um estudo sociológico que se impõe. Desde logo podemos fazer um ranking das escolas em que mais professores concorrem para sair. Claro que tal ranking não nos dirá o suficiente do mal-estar escolar. Tornar-se-á necessário ouvir os professores para saber das razões certas. Daí teremos facilmente não só uma fotografia do que está mal nas escolas mas também indicar-nos-á, especificamente, algumas escolas que corporizam de forma mais clara esse modelo do mal-estar escolar.

Só para se ter uma ideia, neste concurso do total de 46.089 candidatos, 16.972 (36,82%) são professores efetivos do quadro de escola. Destes, 58,34% têm entre 50 e 60 anos e 17,48% têm 60 ou mais anos! Ou seja, temos muitos professores efetivos (porventura demasiados) a concorrer para mudar de escola a menos de 10 anos da reforma.*

Haverá sempre muitas razões para mudar de escola. No entanto, basta estarmos atentos, e ouvirmos as estórias à nossa volta, para percebermos do mal-estar escolar que alastra como mancha. Vejamos alguns exemplos que se repetem.

Há escolas que tinham ‘clubes’ que desapareceram. Resultado do empenho e de um compromisso vocacional com a educação de professores específicos estes ‘clubes’, que possibilitaram experiências educativas fundamentais na vida dos jovens, desapareceram em alguns casos devido ao ambiente escolar criado, ao tipo de gestão, à inflexibilidade, ao não possibilitar horas para tal actividade… .

Um outro exemplo: professores vocacionados para dar aulas apenas ao Ensino Básico (do 7.º ao 9.º) ou, ao invés, que têm a sua maior motivação em dar aulas ao Secundário (10.º a 12.º) e que (às vezes sabe-se lá porquê!) são obrigados a dar aulas também no outro grau. Não entendendo a razão, os professores sentem-se mal tratados, perdem a motivação e colocam em causa o seu compromisso profissional.

Um outro aspecto é o da distribuição de turmas e horários que se esperam em cada ano com uma ansiedade em que as expectativas tanto pedagógica e profissional (acompanhamento das turmas de um para outro ano) quanto de conciliação entre vida profissional e familiar (que se sentem sempre em risco) se vêm tantas vezes goradas em função de decisões que não são entendidas como racionais.
Outra estória recorrente é a de professores que dedicaram décadas da sua vida (com prejuízos para a vida pessoal e familiar) a uma escola e que se reformam sem uma palavra dos directores, sem um agradecimento, nada! Funcionários descartáveis no final de contas! E que para os demais professores servem, claro, como pré-avisos e estórias morais, colocando em conflito o seu compromisso profissional vocacional em face da realidade institucional e, especificamente, da gestão dos agrupamentos. O que se evidencia é a operarialização dos professores em agrupamentos-fábrica.

Quantos professores querem sair das escolas onde estão? Quais as razões pelas quais não saem? Quantos professores só não saem para não claudicarem perante um óbvio abuso de poder dos directores? E quantos não saem por questões de proximidade à residência e tal ser fundamental por necessidade de apoio familiar, seja a pais, filhos ou netos? Quantos professores não concorrem com medo de represálias, caso não sejam colocados e lá continuem? E quantos professores, apesar de tudo, concorrem para sair e a que custos? Quantos concorrem a mudança de escola já perto da reforma? Quantos concorrem a mudança de escola até para mais longe da sua residência de família? Quantos concorrem para leccionar em graus de ensino que não são os seus preferidos? Em suma quanta mobilidade em fuga se esconde nestes concursos internos de professores?

Mas não se trata só dos professores, mas também dos funcionários administrativos! Quantos sentem o peso do mal-estar escolar? Quanto já tentaram sair: de uma escola para outra ou mesmo para outros sectores da administração? Quantos receberam o não da direcção em relação a esse desejo de mobilidade?

Em suma, quantos profissionais estão presos numa escola e como tal aprisionamento tem efeito sobre as suas vidas, as vidas dos demais colegas de trabalho, sobre a comunidade escolar como um todo. Que educação podemos ter se os professores vivem um ambiente educativo que sentem como de abuso de poder e violência? Que educação podemos ter enquanto ensino para a liberdade? E, neste texto, abordamos o caso dos professores do Ensino não Superior porque no caso do Ensino Superior a mobilidade nem sequer é possível, praticamente.

E como é que as lideranças escolares são avaliadas em função de todos estes aspectos? Cada indivíduo é as suas circunstâncias, ou seja, a relação (abusiva ou não) que se estabelece entre a direcção de uma escola e um determinado professor-funcionário ou funcionário administrativo é muitas vezes até desconhecida para os colegas (pelos menos em todas as suas facetas). Assim, como não há uma auditoria às razões de mobilidade docente e à centralidade da gestão escolar em tais processos, a má gestão de recursos humanos e das escolas enquanto comunidades humanas não é avaliada e, portanto, todos os abusos absurdos não entram na avaliação externa das escolas. Não só esta falta de escrutínio é uma cumplicidade com a violência porque a permite e permite a sua reprodução e a sua impunidade, mas também, devido a tal falta de escrutínio e ao desconhecimento das boas e más práticas de gestão de forma clara, as mais das vezes os professores efectuam uma mobilidade às cegas: “Se calhar vou para uma escola pior, mas estou tão farta disto!”

Cada um de nós enquanto indivíduo tem a oportunidade ao longo da vida de estar do lado da violência ou da sua recusa. Mas este deve também ser um desígnio central de várias instituições responsáveis e, claro, de toda a política e, especificamente, da política educativa.

Paulo Castro Seixas

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O Algoritmo – Paulo Guinote

Há cerca de uma semana a UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) produziu, finalmente, o seu estudo sobre a recuperação do tempo de serviço docente, sete meses depois de ter sido pedido pelo grupo parlamentar do PSD.

 

O algoritmo

 

São mais de 100 páginas que dão uma sensação de complexidade e solidez, apresentando diversos cenários, apoiados em descrições metodológicas e quadros mais ou menos extensos. Haverá quem, perante isso, receie desbravar o que está escrito e é apresentado como facto fundamentado, preferindo replicar o que alguma comunicação social decidiu colocar em destaque.

Claro que o mais imediato foi escrever ou dizer que “em velocidade de cruzeiro”, a partir de 2028, o custo (bruto) da recuperação seria de 469 milhões de euros, tendo os mais atentos acrescentado que o valor líquido seria de 202 milhões. Só que essa formulação, nascida do conteúdo do próprio relatório, transmite uma ideia errada do valor em causa, pois esse é o valor total acumulado para o período de 2024-2028, e não o valor anual a partir de 2028. Na página 71 do relatório, no ponto 212, lê-se que a “aplicação da modulação da medida neste cenário 3 implicará a subida da despesa bruta (líquida) com pessoal no ano cruzeiro de 2028 em 469 milhões€ (202 milhões€) face à ausência de medida”, mas o valor refere-se à despesa total e não à despesa no ano de 2028.

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116 milhões para a Educação em Coimbra

A “Carta Educativa de Coimbra -2.ª Geração”, documento estratégico para o setor que entra em debate esta quarta-feira, prevê investimentos que ascendem a 116 milhões de euros, em manutenção, reabilitação e construção de novos estabelecimentos da rede pública, do pré-escolar ao secundário. Inclui também, embora num prazo que se estende a 2030, a “refuncionalização” da Jaime Cortesão para Escola das Artes e a reabilitação da José Falcão.

Nova Carta Educativa prevê investimento de 116 milhões

Volvidos 16 anos da primeira, a segunda carta educativa de Coimbra vai ser debatida pelo Conselho Municipal de Educação num contexto totalmente diferente, já sem, por exemplo, contratos de associação com o ensino particular e cooperativo, mas com responsabilidades acrescidas para o Município, que com a transferência de competências da administração central ganha força na definição da estratégia local, tendo a autarquia assumido na totalidade a reorganização da rede escolar local, naturalmente articulada com a política educativa nacional. Desde já definiu, numa lógica de proximidade, manter todas as escolas do concelho em funcionamento.
Com “alta ou muito alta prioridade” (1.ª fase da reorganização) surge a criação de duas novas escolas de ensino pré-escolar e 1.º ciclo, na Portela e Quinta das Nogueiras, cada qual com previsão de oito milhões de euros de investimento. Ao contrário do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e secundário, com excedente de oferta, o pré-escolar e 1.º ciclo apresentam défice de salas, em particular no setor urbano, estando também previstas a ampliação da escolas básicas de Santa Apolónia e de Eiras.

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Já podiam estar reformadas, mas aos 70 anos continuam a dar aulas. “Vir para a escola é a minha alegria”

O Governo quer atrair para as escolas professores já reformados ou em idade de reforma. É uma das medidas anunciadas para ajudar, de imediato, a fazer face à escassez de professores em vários grupos disciplinares e muitas regiões do país. Mas já há quem permaneça nas escolas, mesmo que o bilhete de identidade lhes diga que já deviam estar reformados. Eduarda e Elisabete estão a poucos meses de fazer 70 anos e é na escola que são felizes.

Já podiam estar reformadas, mas aos 70 anos continuam a dar aulas. “Vir para a escola é a minha alegria”

 

 Manuela Micael

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O IGEFE já está a preparar a RTS

“Em aditamento ao email anteriormente enviado, e agradecendo desde já o feedback dado por algumas escolas, há necessidade de acrescentar mais alguns pontos a verificar e incluir umas notas com esclarecimentos aos pontos solicitados anteriormente:

 

  • Data de início de funções docentes (1º dia de aulas no caso dos docentes); 
  • Data de início de ingresso na carreira (data em que o docente entrou no quadro);
  • Data de entrada no escalão atual;
  • Data de entrada na unidade orgânica atual;
  • Habilitações académicas atualizadas incluindo a data de conclusão;
  • Número de dias de tempo de serviço prestado (Verificar se no registo biográfico eletrónico se o Tempo de serviço está devidamente registado e individualizado por anos).

Nota: É obrigatório que o tempo de serviço seja individualizado por ano escolar a partir de 1/09/2004, sendo que o tempo de serviço anterior a essa data pode ser acumulado

  • Grupo de recrutamento;
  • Número de horas de formação obrigatória no escalão atual e data do cumprimento;
  • Observação de aula; (sim/não)
  • Avaliação do desempenho no escalão anterior (Escalão/Data/ Menção)

Nota: Devem preencher o escalão anterior, a data de conclusão do processo avaliativo e a menção. Preenchimento obrigatório quando a menção for Muito Bom ou Excelente

  • Avaliação do desempenho no escalão atual (Data/ Menção)

Nota: Caso o docente tenha sido avaliado no escalão atual, devem preencher a data de conclusão do processo avaliativo e a menção obtida.

 

Estes campos constam nas aplicações informáticas de pessoal, pelo que poderão solicitar ao fornecedor de software apoio, caso existam dúvidas.

 

Esclareço ainda que são as escolas que processam os vencimentos dos docentes que devem ter estes dados atualizados nas respetivas aplicações informáticas.

 

Mais uma vez, muito obrigada pela vossa colaboração”

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Uma inutilidade será sempre uma inutilidade…

 

Uma inutilidade será sempre uma inutilidade, uma xaropada será sempre uma xaropada…

Pelos dados disponíveis, o Projecto MAIA tem-se revelado como uma inutilidade, uma xaropada, um fiasco, um devaneio, uma alucinação, ainda que alguns Partidos Políticos, em particular o Partido Socialista e o Partido Comunista Português, se esforcem por manter e perpetuar tal insensatez…

No passado dia 21 de Junho, na Assembleia da República, o Partido Socialista e o Partido Comunista Português votaram contra todas as iniciativas que propunham a suspensão do Projecto MAIA…

Já o PSD, pela sua abstenção, “lavou as mãos como Pôncio Pilatos” e deixou passar a manutenção de uma inutilidade, de uma xaropada, de um fiasco, de um devaneio, de uma alucinação…

O Projecto MAIA, que em vez de simplificar a avaliação dos alunos a transformou numa imensurável trapalhada,fundamenta-se em pressupostos teóricos inconcretizáveis, ignora as condições humanas e materiais existentes na maioria das escolas e não apresenta benefícios perceptíveis em termos práticos, tratando-se, portanto, de algo absolutamente inútil, ineficaz e imprestável…

E tivemos, assim, mais uma demonstração de que a actual Democracia se esforça por manter e oficializar a existência de projectos inúteis, ineficazes e imprestáveis, em parte significativa das escolas portuguesas…

E tivemos, assim, mais uma demonstração de que a actual Democracia não ouve quem trabalha diariamente em contexto escolar, nem se interessa por resolver os problemas aí identificados, entre eles a sobrecarga de burocracia suscitada pela adesão ao Projecto MAIA…

Mas a adesão ao Projecto MAIA, teoricamente voluntária, também poderá ser travada pelas próprias escolas, cabendo aos respectivos Conselhos Pedagógicos essa decisão…

Afinal, a quem servirá o Projecto MAIA?

Aos Alunos não servirá certamente, por tudo o que se conhece acerca da implementação desse Projecto em muitas das escolas aderentes…

Os Critérios de Avaliação por Domínios, essa admirável “inovação educacional” concebida pelo Projecto MAIA, traduz-se, quase sempre, em cada escola, pela complexidade e pela abundância de documentos, muitas vezes indecifráveis para os Alunos, a quem, paradoxalmente, se destinam…

Muitas vezes, dezenas e dezenas de páginas, algumas delas impossíveis de decifrar e de descodificar, tantos são os Domínios, Subdomínios, Temas, Ponderações, Instrumentos de Avaliação, Instrumentos de Registo, Descritores por Níveis de Desempenho em cada Domínio, Tabelas para Operacionalização dos Critérios de Avaliação em cada Domínio, Áreas de Competências, Menções Qualitativas e Quantitativas, etc, etc, etc…

Se não serve aos Alunos, que teoricamente deveriam ser os principais destinatários das pretensas e propagandeadas vantagens de tal Projecto, serve a quem?

Em termos teóricos, o Projecto MAIA deveria ter como principais beneficiários os Alunos, conforme apregoado em todos os documentos produzidos pelos respectivos criadores, mas, na prática, torna-se muito difícil reconhecer que esse projecto de avaliação pedagógica tenha gerado benefícios reais para aqueles a quem se destina…

Assim sendo, que qualidades terão sido reconhecidas a esse projecto pelos Partidos Políticos que impediram a respectiva revogação?

Com franqueza, torna-se muito difícil acreditar que os Alunos possam ser a maior preocupação de tais Partidos Políticos, a não ser que se conceba que é possível afirmar uma coisa, mas em simultâneo defender o seu contrário…

Nesta questão em particular, a credibilidade de quem não permitiu a revogação do Projecto MAIA cai por terra, com grande estrondo…

E depois ainda se mostram muito perplexos face à instalação de um certo populismo radical, que tudo fará para recriar o conceito de Democracia e que sabe muito bem como aproveitar as incongruências alheias, no sentido de cooptar simpatias…

Paula Dias

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Não aos centros educativos – João André Costa

 

A Lei Tutelar Educativa, ou Lei n.º 166/99 de 14 de Setembro, é clara: os centros educativos destinam-se exclusivamente ao internamento de menores e jovens e o seu funcionamento varia entre o regime aberto, semiaberto ou fechado de acordo com as medidas de internamento.

 

Não aos centros educativos

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Aluna de 14 anos agredida a soco e pontapé na escola por vingança

Menor foi agarrada pelos cabelos e empurrada, sofreu vários hematomas e partiu dois dentes. A escola não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

Aluna de 14 anos agredida a soco e pontapé na escola por vingança

Uma aluna, de 14 anos, de uma Escola Secundária de Vila Nova de Gaia, foi filmada enquanto era violentamente agredida por outro estudante no estabelecimento de ensino. Sofreu vários hematomas e partiu dois dentes. O caso ocorreu em maio deste ano e, ao CM, a mãe da menor garante que não foi primeira vez que a filha foi agredida na escola. Apresentou queixa na PSP pelas duas situações e espera que se faça justiça. O CM contactou a escola, mas não obteve resposta.

A imagens mostram a violência da agressão. A menina foi agarrada pelos cabelos, empurrada e agredida a soco. “Esta não é a primeira vez. Em abril, a minha filha foi agredida por uma colega e pela mãe dela quando estava no refeitório. A escola nem me ligou a dizer, soube pelos pais de outros alunos. Nessa altura apresentei queixa contra a mulher e a menor foi suspensa da escola durante 12 dias. Quando voltou disse à minha filha que queria falar com ela para lhe pedir desculpa. Foram para uma zona mais isolada e foi aí que ela foi agredida por um outro aluno. Foi a primeira agressora que filmou e que depois partilhou o vídeo na Internet”, contou a mãe da menor agredida.

Tal como da primeira vez, também nas últimas agressões, tanto o jovem que aparece a bater como a que filmou foram suspensos 12 dias da escola. “Eles são suspensos, mas voltam a fazer o mesmo. Vou com este caso até às últimas consequências. A violência tem de terminar nas escolas”, concluiu a mulher.

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Instituto de Gestão Financeira da Educação recupera verbas envolvidas em fraude

O Ministério da Educação, Ciência e Inovação foi hoje informado pelo Instituto de Gestão Financeira da Educação (IGeFE) que já foram recuperados os cerca de 2,5 milhões de euros que foram transferidos na sequência de um esquema de fraude.
O rápido reporte do IGeFE às autoridades competentes – que estão a investigar o caso – permitiu que todas as entidades envolvidas na operação, incluindo o sistema bancário, conseguissem recuperar as verbas esta manhã.
Desta forma, foi frustrada a tentativa de fraude que envolveu três transferências bancárias, realizadas este mês, para o pagamento a uma empresa que presta serviços informáticos, tendo as verbas sido transferidas para um IBAN de uma outra entidade.
Tendo-se apercebido que a empresa que tinha prestado os serviços não estava a receber os pagamentos, o IGeFE apresentou de imediato uma denúncia à Polícia Judiciária, que se encontra a investigar o caso.
O caso levou o Presidente do Conselho Diretivo do IGeFE a apresentar a demissão, ontem aceite pelo Ministro, para preservar a credibilidade e prestígio institucional do IGeFE, entidade essencial para o funcionamento do MECI, sobretudo na gestão diária da dimensão financeira do sistema educativo. Foram ainda afastados outros dirigentes com responsabilidades neste processo.
Até à nomeação do novo Presidente do Conselho Diretivo do IGeFE, mantêm-se em funções o vice-presidente e o vogal.
O Ministro da Educação, Ciência e Inovação ordenou a abertura de um inquérito interno.

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92 professores querem sair do Agrupamento de Escolas Padre Benjamim Salgado

Noventa e dois professores do quadro de escola do Agrupamento Padre Benjamim Salgado, de Joane, concorreram para sair, no concurso interno de professores para o ano letivo de 2024/2025. É o agrupamento de escolas do país onde mais docentes querem ir para outros estabelecimentos de ensino.

92 professores querem sair do Agrupamento de Escolas Padre Benjamim Salgado 

Em declarações ao OPINIÃO PÚBLICA, o diretor do Agrupamento de Escolas Padre Benjamim Salgado (AEPBS), José Moreira, reconhece que o número de docentes que pediu para sair é elevado, mas acredita que a situação será facilmente ultrapassada.

O agrupamento tem 199 docentes no quadro, desde o pré-escolar ao ensino secundário, pelo que a saída de 92 representa mais de 46% do número total de docentes. José Moreira diz que essas vagas serão preenchidas com facilidade, “porque se há professores que querem sair, também há muitos que querem entrar”. Além disso, o responsável aponta que desses 92 docentes, cerca de 26 estão a desempenhar funções fora do AEPBS. “Portanto, em bom rigor, o número de docentes do agrupamento a pedir mudança para outro quadro é relativamente menor”, afirma.

De qualquer forma, estas saídas causam sempre alguma instabilidade ao nível do quadro docente, mas, mais uma vez, José Moreira entende que os impactos não serão preocupantes. “Os professores são profissionais altamente qualificados e determinados no seu trabalho, portanto tanto trabalham na Escola Padre Benjamim Salgado, como numa escola em Braga ou no Algarve”, sublinha, reconhecendo, porém, que “terá sempre que haver um maior trabalho inicial da parte dos docentes e da Direção do Agrupamento para que todos fiquem alinhados com o projeto educativo”.

De resto, a nível nacional,  mais de 46 mil docentes concorreram para sair do quadro de escola onde estão, o que representa um aumento de 37% face ao último concurso, em 2022, cujo número de pedidos de mudança foi de 33.700. Segundo notícias veiculadas na imprensa nacional, muitos desses docentes apontavam como razões para a saída o cansaço, a vontade de ficar mais perto de casa e críticas à gestão do Agrupamento onde estavam a lecionar.

Questionado pelo OP sobre o assunto, José Moreira reconhece que possa  haver algum descontentamento entre alguns docentes, mas entende que essa não será a principal razão para quererem sair, até porque lembra, no último concurso do género, em 2022, o AEPBS “também teve um elevado número de professores a quererem mudar, cerca de 50, e nessa altura era gerido por outra direção”.

Para o diretor, que cumpre o segundo ano neste cargo, a principal razão, pelo menos aquela que lhe transmitiram alguns docentes, é a vontade de ficar mais próximo da área de residência. “E deram-me dois motivos: por um lado, a questão económica, porque as viagens ficam mais caras devido ao aumento do preço dos combustíveis, e por outro, o facto de muitos destes docentes terem mais de 50 anos, com os pais idosos a seu cargo, e por isso querem ficar mais próximo da família”.

O AEPBS integra essencialmente alunos residentes nas freguesias de Joane, Mogege, Pousada de Saramagos, Vermoim e Castelões mas, relativamente à frequência do ensino secundário, muitos alunos provêm de outras freguesias de Famalicão, bem como de freguesias limítrofes do concelho de Guimarães.

Em 2023, a Escola Secundária Padre Benjamim Salgado foi a escola do concelho de Famalicão melhor posicionada do Ranking das Escolas.

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Consulta Nacional a Educadores e Professores do Ensino Básico e Secundário

 

Consulta Nacional a Educadores e Professores do Ensino Básico e Secundário , até 28 de junho de 2024.
𝗥𝗲𝘀𝗽𝗼𝗻𝗱𝗮 𝗮𝗾𝘂𝗶 ▶️ https://bit.ly/4bSyTji
Com os resultados da consulta de junho de 2024, a FNE pretende reunir as preocupações dos educadores e professores para pressionar o Governo a investir numa Educação de qualidade, justa, inclusiva e sustentável.

 

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Atualização das remunerações anuais que servem de base de cálculo das pensões

Foi publicada a Portaria que determina os valores dos coeficientes a utilizar na atualização das remunerações anuais.
As regras da atualização das remunerações anuais que servem de base de cálculo das pensões encontram-se definidas no artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 187/2007, de 10 de maio, que define e regulamenta o regime jurídico de proteção nas eventualidades invalidez e velhice do regime geral de segurança social.
FINANÇAS E TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL

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É PROIBIDO PROIBIR – José Afonso Baptista

 

Falo do uso dos telemóveis na escola. Podíamos alargar esta guerra a outras instituições e geografias, mas a abordagem na escola poderá servir a outros contextos. Passando em revista as orientações da UNESCO, de governantes e altos responsáveis, de médicos e psicólogos, de ministros da educação, diretores de escolas, pais e alunos, deparamos com pontos de vista difíceis de conciliar, o que poderíamos resumir de forma simples: cada cabeça sua sentença. A meu ver, o debate deveria centrar-se entre proibir ou educar. Se proibimos, as crianças têm o sentimento de que a ditadura lhes caiu em cima, mas, e vendo bem, inibimos aprendizagens fundamentais do mundo que as espera; se educamos, estamos no caminho da democracia, do diálogo, do debate, analisando prós e contras e definindo regras, com todos, que respeitem a todos. A pedagogia está do lado da democracia.

Conhecemos os riscos dos telemóveis, sobretudo a distração e a falta de concentração, que alguns críticos associam a práticas de ensino que não são de hoje. De facto, os telemóveis não melhoram a audição das prédicas do professor, mas os riscos são reais. As vantagens, essas são de peso: os alunos ganham autonomia e meios para aceder diretamente à informação de forma imediata, adquirem competências digitais que são hoje a mola real do desenvolvimento e do progresso, além das facilidades de comunicação com os parceiros envolvidos nas aprendizagens, colegas e professores. A pandemia mostrou que as crianças das tecnologias, com smartfone e PC, resistiram melhor ao isolamento e ao encerramento das escolas.

Sem smartfone, termo que utilizo para distinguir o “telefone inteligente” do “telefone burro”, que só permite falar e trocar mensagens, mantemos a escola nos ambientes de trabalho do passado ultrapassado, quando é certo que as crianças e jovens de hoje nasceram e vivem noutro mundo. Se a escola o ignora, mantém e alimenta a fronteira que separa os operacionais inteligentes, ativos e pensantes, com iniciativa própria e espírito crítico, dos analfabetos sem meios para integrar o presente quanto mais para antecipar o futuro.

Se proibimos, “tout court”, não educamos, não formamos, não ajudamos a distinguir o bem do mal, não damos capacidades nem a consciência dos riscos, não preparamos para enfrentar armadilhas que espreitam ao virar da esquina. Sim, os riscos existem, desde o cyberbullying às fake news, à publicidade enganosa, à própria dependência e abuso dos ecrans, mas fazem parte dos processos de aprendizagem. Se não temos capacidade de prever e prevenir, o perigo espreita a cada momento. A escola deve preparar para enfrentar os riscos.

Como podemos proibir as crianças de usar os telemóveis se pais e mães são incapazes de dar dois passos sem estarem agarrados? O exemplo na família e na sociedade é poderoso. Passe o exagero, mas hoje as crianças nascem enquanto a mãe, agarrada ao telemóvel, em pleno trabalho de parto, atende a chamada do marido para informar que está tudo a correr bem e que a criança já resvala entre o útero e a marquesa. Ou quando uma mãe em licença de parto, na sua caminhada ou passeio pelo parque, segura com uma mão o telemóvel e com a outra empurra o carrinho onde a criança esperneia e desespera impaciente por um simples olhar e um sorriso. Não, o telemóvel está primeiro! Só me queixo das mães? Os homens não estão isentos de culpas idênticas, mas têm a sorte de não entrar em trabalho de parto e geralmente nem têm licença de paternidade. Os telemóveis não são inocentes e os bons exemplos nem sempre vêm de cima.

As crianças nascem e vivem no raio de ação dos telemóveis, ainda mal dão os primeiros passos e já têm um telemóvel que as ocupe para não chatearem ninguém. Aprendem intuitivamente a manipular e descobrem o que muitos adultos procuram em vão. Aprendem os telemóveis como aprendem a andar, ou a falar, simplesmente vendo, ouvindo e experimentando. E descobrem muitas vezes o que nós adultos não vemos. E ensinam aos “mais velhos” o que descobriram por tentativas e erros.

Aprender as tecnologias é hoje tão urgente como aprender a andar, a falar, a escrever, a contar e em muitos casos prioritário. As tecnologias não ensinam a andar, mas ensinam ou ajudam a aprender as outras competências e a sentir a necessidade de as adquirir. Tudo está ligado.

O problema que sobra é o das crianças e jovens que não têm PC – relembro: Personal Computer -, nem smartfone, e que em casa ficam privados de “estar ligados”, o que significa, sem acesso a todo o tipo de informação que a net disponibiliza sem limitações e sem horários, e ficam sem ligação aos professores e aos colegas e amigos, tantas vezes companheiros de trabalho. Este foi o isolamento que mais sofreram e mais os atrasou. O PC e o smartfone devem fazer parte obrigatória do equipamento escolar, dando às escolas os meios para colmatar esta brecha, e dando às crianças sem meios o acesso a estes instrumentos de trabalho. Na verdade, é aqui que a proibição doi mais, porque é aqui que atinge o maior grau de severidade. As crianças pobres estão proibidas de falar ao telefone, de enviar e receber emails, de recorrer ao Google e à Wikipédia e de perceber que a falta de inteligência natural dos responsáveis é mais difícil de entender e aceitar do que a inteligência artificial.

20-06-2024 | diário as beiras

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PJ realiza buscas em escola da ilha de São Miguel nos Açores

Em causa estão alegadas fraudes relacionadas com procedimentos de contratação pública e ajustes diretos entre a escola e empresas de comércio de material de escritório.

PJ realiza buscas em escola da ilha de São Miguel nos Açores

A Polícia Judiciária (PJ) está a realizar buscas na Escola Antero de Quental, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, esta quarta-feira, avança a Antena 1 Açores.

De acordo com esta rádio, a investigação está relacionada com alegadas fraudes com procedimentos de contratação pública e ajustes diretos entre a escola e empresas de comércio de material de escritório.

As buscas decorrem desde manhã e devem manter-se durante a tarde.

O Notícias ao Minuto já tentou contactar o departamento da Polícia Judiciária (PJ) dos Açores mas, até ao momento, não conseguiu confirmar esta informação.

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Presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Gestão Financeira da Educação apresenta demissão

O Ministério da Educação, Ciência e Inovação teve hoje conhecimento de que o Instituto de Gestão Financeira da Educação (IGeFE) foi alvo de fraude que envolve a transferência de verbas que ascendem a 2,5 milhões de euros, que está já a ser investigada pelas autoridades competentes.
Em causa estão três transferências bancárias realizadas este mês para o pagamento a uma empresa que presta serviços informáticos, tendo as verbas sido transferidas para um IBAN de uma outra entidade.
Tendo-se apercebido que a empresa que tinha prestado os serviços não estava a receber os pagamentos, o IGeFE apresentou de imediato uma denúncia à Polícia Judiciária, que se encontra a investigar o caso.
Perante este caso, o Presidente do Conselho Diretivo do IGeFE apresentou hoje ao Ministro da Educação, Ciência e Inovação o pedido de demissão, já aceite pelo Ministro, para preservar a credibilidade e prestígio institucional do IGeFE, entidade essencial para o funcionamento do MECI, sobretudo na gestão diária da dimensão financeira do sistema educativo. Foram ainda afastados outros dirigentes com responsabilidades neste processo.
Até à nomeação do novo Presidente do Conselho Diretivo do IGeFE, mantêm-se em funções o vice-presidente e o vogal.
O Ministro da Educação, Ciência e Inovação ordenou a abertura de um inquérito interno.

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“Fraude” leva à demissão do Presidente do Instituto de Gestão Financeira da Educação

Em causa está a transferência de verbas que ascendem a 2,5 milhões de euros, que está já a ser investigada pelas autoridades competentes.

“Fraude” leva à demissão do Presidente do Instituto de Gestão Financeira da Educação

“O Ministério da Educação, Ciência e Inovação teve hoje conhecimento de que o Instituto de Gestão Financeira da Educação (IGeFE) foi alvo de fraude que envolve a transferência de verbas que ascendem a 2,5 milhões de euros, que está já a ser investigada pelas autoridades competentes”, pode ler-se.

Em causa estão três transferências bancárias realizadas este mês para o pagamento a uma empresa que presta serviços informáticos, tendo as verbas sido transferidas para um IBAN de uma outra entidade.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, ordenou a abertura de um inquérito interno.

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Concurso Pessoal Docente 2024/2025 – Açores

Oferta de emprego para contratação a termo resolutivo

  1. Projeto de lista ordenada de graduação NOVO

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Concurso Pessoal Docente 2024/2025 – Açores

Concurso Interno de Afetação

Projeto de lista ordenada de graduação NOVO

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MANUAIS ESCOLARES PLATAFORMA MEGA CRONOGRAMA 2024/2025

 

 

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Função pública – motivação

O tão alegado elevador social (que supostamente era posto em marcha pela educação) encravou no 1º andar e neste momento está em descida para a cave. Hoje os mais habilitados estão longe de conseguir ir de férias para lugares exóticos e distantes. Pior, são chefiados por pessoas com menos ou nenhuma habilitação, que têm uma “carreira”, mas nos corredores partidários.

Função pública – motivação

O filme futurista de culto, Blade Runner, prospectiva um mundo onde muitos trabalhos são desenvolvidos por “replicantes”, cópias de seres humanos, mais fortes e mais inteligentes que estes, mas com um tempo de vida limitado. No filme, estes seres, foram desenvolvidos para trabalhar em condições adversas e em planetas distantes. No fundo os funcionários públicos ideais, altamente funcionais, substituíveis, já que são produzidos em fábricas e que nem sequer precisam que se lhes pague a reforma. Infelizmente é ficção, mas mesmo na ficção há uma revolta, os “replicantes” querem o direito a uma vida humana, sem prazo de validade.

Na vida real, actual, sempre que não é possível substituir o humano por uma máquina ou pela “inteligência artificial”, há que motivar “as tropas”, sejam elas militares ou civis, professores ou profissionais de saúde, técnicos ou administrativos. Sem complicar muito (para isso temos muitas teorias “comprovadas”) diria que há pelo menos cinco constantes a considerar na motivação “das tropas”: um horizonte temporal realista em que a sua vida pode melhorar, que as possibilidades são dadas a todos por igual, equidade, que o esforço é recompensado e que a diferenciação é reconhecida.

Ora nada disto é realidade na função pública. Começando pela avaliação de desempenho, que na maioria dos funcionários é feita através do “SIADAP” um sistema “universal” para avaliar todo o funcionalismo. O sistema foi configurado para dar resposta a um ano de trabalho com base em 3, 4 ou 5 descritores. As classificações são dadas numa escala de 1 a 5, como no ensino preparatório, o que acarreta grandes distorções e iniquidades.

Finalmente as “quotas”! define o SIADAP que haverá quotas de classificação, que não são todos bons nem todos maus e que não compete sequer ao classificador definir quem é bom, muito bom ou mau, mas à regra das quotas. Com grande publicidade e expectável gaudio dos avaliados, foram redefinidas as ditas quotas. Segundo o artigo 75.º, do SIADAP, a diferenciação de desempenhos é garantida através da fixação das seguintes percentagens:

a) 30 % para as avaliações de desempenho muito bom e, de entre estas, 10 % do total dos trabalhadores para o reconhecimento do desempenho excelente;
b) 30 % para as avaliações de desempenho bom.

Há um valor, uma percentagem, que não é descrita no diploma, mas que decorre dos valores anteriores: 40% terão de ter classificação de suficiente ou insuficiente, independentemente do seu desempenho.

Ora vamos pensar num exemplo prático: 10 investigadores trabalham e descobrem a pólvora ficam contentes, o laboratório estatal ganha mais uma estrela, os noticiários difundem a boa nova…no final do ano, 3 investigadores serão classificados com muito bom, 3 com bom e 4 com suficiente. Isto não é gestão, é mesmo aberração.

Como pode alguém ser “motivado” sabendo que mesmo que tenha um desempenho impecável, excelente, a quota não lhe permite ser considerado como tal.

Para ajudar, os custos com a ADSE (assistência na doença), aumentaram muito e, por via das péssimas negociações feitas, a oferta desceu, muitos médicos deixaram de ser prestadores de serviços à ADSE.

Há dias, os partidos que suportam o governo propuseram uma redução do IRS atá ao 8º escalão, a proposta foi chumbada por toda a oposição, (BE, PCP, PAN, PS e Chega) com execepção da IL, assim, funcionários como os militares a partir de coronel, os médicos, enfermeiros especialistas, professores, as forças de segurança a partir de superintendente não vão ver o seu rendimento melhorado, passaram a ser considerados “ricos”.

Tem havido, onde mais se precisa, como na saúde, no ensino e nas forças de defesa e segurança, uma debandada dos serviços a que acresce uma enorme dificuldade na contratação, situação aliás pública. Quem quer ser, nestas condições, servidor público?

Com a extinção das carreiras, acabaram as provas que eram feitas para subir de patamar. As provas eram um sistema de controlo das subidas, garantindo por um lado uma estrutura piramidal e por outro que as condições de acesso eram idênticas (equidade).

Nesse tempo havia duas possíveis subidas, uma que decorria da inflacção e do tempo de serviço chamemos-lhe “horizontal” (acréscimo pequeno) e outra mais forte (“vertical”) que obrigava a provas. Defendo o regresso que deste princípio que entendo motivador.

O tão alegado elevador social (que supostamente era posto em marcha pela educação) encravou no 1º andar e neste momento está em descida para a cave. Hoje os mais habilitados estão longe de conseguir ir de férias para lugares exóticos e distantes. Pior, são chefiados por pessoas com menos ou nenhuma habilitação, que têm uma “carreira”, mas nos corredores partidários.

Entendo que se deve refazer todo o sistema de avaliação, começando na escala que deverá promover a diferenciação, por exemplo de 0 a 20, que o tempo de atingir o topo tem de ser realista, digamos 20 anos para quem for sempre muito bom e 25 para quem “só” for bom. Se voltar a haver carreiras estruturadas em pirâmide as quotas até podem deixar de fazer sentido.

Repor provas, teóricas (e práticas quando a carreira o justifique). E valorizar os curricula pesando o que traz valor ao sistema e não situações abstratas.

Um Estado não existe sem as suas estruturas de suporte. Se é na versão minimalista, chamemos-lhe liberal, ou maximalista, seja socialista, depende da decisão política, na certeza de que as que ficarem devem funcionar bem. Ora a maioria das funções do Estado são funções com uma forte componente humana, sem motivar não se conseguirá nem um desempenho satisfatório nem manter os existentes ou recrutar futuros. Se a função pública perdeu 12,9% de poder de compra desde 2010 e a forma de gestão não mudar, brevemente a máquina fica como as locomotivas em que caiu o motor.

Vamos sabendo que o número de funcionários vai aumentando, na certeza que não é onde são precisos.

Importa que a contratação das unidades de gestão seja feita de forma não partidária, por quem tenha provas dadas e que não se enquadre no fatídico princípio de Peter.

Finalmente, que, quem quer pagar bananas acabará por comprar o que não quer.

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UTAO não consegue dizer quanto custa devolver tempo congelado a todas as carreiras

 

Unidade Técnica de Apoio Orçamental diz que medida equivalente à dos docentes implicaria dar 16 pontos aos trabalhadores de outras carreiras, mas calcular impacto orçamental é uma “impossibilidade”.

 

UTAO não consegue dizer quanto custa devolver tempo congelado a todas as carreiras

 

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Esclarecimento sobre a RTS – Ministério da Educação

Esclarecimento – Ministério da Educação

Relativamente a notícias divulgadas hoje à tarde sobre o Relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) da Assembleia da República sobre Contagem de tempo de serviço em falta para efeitos remuneratórios: docentes e demais carreiras das Administrações Públicas, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) esclarece o seguinte:
  • As estimativas da UTAO em relação ao custo da recuperação do tempo de serviço são inferiores aos cálculos do MECI. A diferença resulta da adoção de critérios e cenários diferentes do cálculo do custo, nomeadamente a idade de saída para a reforma.
  • O custo hoje divulgado pela UTAO de 470 milhões de euros em 2028, dos quais “202 ME em termos líquidos”, tem em conta o universo dos professores dos quadros entre o 1.º e o 9.º escalão da carreira, tendo sido retirados os docentes que atingem a idade legal de aposentação.
  • Os cálculos do MECI têm em conta que todos os professores abrangidos permanecem na carreira até aos 70 anos, sendo esta a principal diferença para os custos da UTAO.
  • No dia 21 de maio, após ter sido alcançado um acordo com sete estruturas sindicais de professores, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação disse, em declarações aos jornalistas, que a recuperação do tempo de serviço congelado dos docentes teria, em2024, um custo para o Estado (líquido, de acordo com a denominação do relatório da UTAO) de cerca de 40 milhões de euros.
  • O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre referiu também que, a partir de 2027, após estar concluído o processo de recuperação do tempo de serviço, a medida teria um custo anual para o Estado (líquido, de acordo com a denominação do relatório da UTAO) de cerca de 300 milhões de euros, segundo as estimativas de uma equipa técnica do MECI.
  • Os 300 milhões de euros não representam, assim, o acumulado da despesa ao longo de 2024, 2025, 2026 e 2027.
  • Os 300 milhões vão reduzindo a partir de 2028, à medida que os docentes vão passando à aposentação.

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Professores primários estão mais velhos, têm demasiado trabalho e alunos a mais

 

Apenas 5% dos professores que dão aulas têm menos de 40 anos.

Professores primários estão mais velhos, têm demasiado trabalho e alunos a mais

Os professores do 1.º ciclo estão mais velhos e trabalham demasiadas horas, segundo um estudo da Fenprof, que revela que muitos dão aulas em edifícios degradados, com falta de equipamentos e turmas demasiado grandes.

Entre o final de 2023 e o início deste ano, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) realizou um questionário sobre condições de trabalho no 1.º ciclo ao qual responderam milhares de professores, uma amostragem “representativa da realidade das escolas e dos docentes”, disse a sindicalista Catarina Oliveira.

Apenas 5% dos professores que esta segunda-feira dão aulas têm menos de 40 anos, revelou Catarina Oliveira, que também é docente do 1.º ciclo e, apesar de ter quase 48 anos, é “considerada uma jovem pelos colegas”.

Quase metade dos professores (48,5%) tem mais de 51 anos e a grande maioria dá aulas há mais de duas décadas.

A sindicalista salientou que a experiência poderia ser uma vantagem, mas “o desgaste de anos de serviço, aliado à crescente sobrecarga de tarefas que nada têm a ver com o ensino, acaba por suplantar essa vantagem quando se fala de trabalhar com crianças e das necessárias agilidade e capacidades física e mental”.

Quase todos os professores são titulares de turma (79,2%), tendo um horário que ultrapassa largamente as horas previstas por lei, disse por seu turno José Feliciano Costa, secretário-geral adjunto da Fenprof, em conferência de imprensa esta segunda-feira em Lisboa.

Uma em cada quatro turmas (24,1%) ultrapassa o número de alunos previstos na lei e, nas turmas com alunos que precisam de medidas seletivas ou adicionais, a situação é ainda mais preocupante.

Segundo o inquérito, 46% destas turmas têm mais de 20 alunos e num terço destas turmas existem mais crianças apoiadas do que o previsto por lei (o limite é dois). Para Catarina Oliveira, há uma “dupla irregularidade promovida por sucessivos” governos.

Também existem problemas nas turmas com alunos estrangeiros. A lei prevê a presença de um professor de Português Língua Não Materna quando a escola tem mais de dez alunos imigrantes, mas muitas têm menos pelo que não são abrangidas pela medida.

Segundo Catarina Oliveira, “77,5% das escolas tem de conseguir proporcionar o serviço educativo a estas crianças sem o apoio de qualquer docente focado na aprendizagem do português enquanto língua não materna”, o que acaba quase sempre por sobrecarregar os professores do 1.º ciclo.

A maioria dos professores (59%) considera que as turmas são muito grandes e que fica em causa o direito ao apoio individualizado, à interação personalizada, mas também “à disciplina dentro da sala de aula e à produtividade do trabalho”.

O inquérito revelou ainda que mais de 40% dos professores são “obrigados ou pressionados a fazer a vigilância dos intervalos”, perdendo o direito a uma pausa consagrada na lei.

Também as reuniões acontecem roubando tempo da vida pessoal, segundo a opinião de 44,1% dos inquiridos.

Um em cada sete professores atribui a sobrecarga de trabalho à burocracia, que representa quatro ou mais horas de trabalho semanal para 60% dos docentes.

“Esta sobrecarga afeta, acima de tudo, a vida pessoal e familiar (89,1%), a saúde mental (76,2%), a planificação de atividades (70,7%) e a produção de recursos (70,1%)”.

Apenas 13,3% dos professores com mais de 60 anos usa as reduções de horário a que tem direito, disse Catarina Oliveira, explicando que os docentes não pedem a redução do tempo de trabalho direto com alunos porque muitas vezes são-lhes atribuídas tarefas igualmente desgastantes.

Catarina Oliveira contou a história de duas professoras de uma mesma escola que pediram a redução de cinco horas semanais e foi-lhes atribuída, em alternativa, a turma da colega, “ou seja, havia um dia em que tocavam de turma e iam dar aulas para a sala do lado”.

Quase metade dos edifícios (40,6%) necessita de obras e 70% não tem equipamentos suficientes. As maiores falhas são ao nível da rede de internet, dos computadores e dos espaços desportivos.

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“Qualquer dia, vamos andar todos algaliados em rede”…

 Oito anos de governação por António Costa/Tiago Brandão Rodrigues/João Costa transformaram a Área da Educação, em particular a Escola Pública, numa amálgama de insensatez, deixando-a em frangalhos, sem rumo definido e sem identidade reconhecível…

Para o actual Ministro da Educação, a tarefa de consertar o anterior apresenta-se como algo francamente ingrato, hercúleo, muito difícil de concretizar, tantos são os aspectos a carecer de intervenção urgente e os inúmeros problemas herdados da anterior gestão…

Em muitas escolas o Corpo Docente encontra-se visivelmente envelhecido e a falta de Professores tornou-se num problema incontornável…

 

Em 14 de Junho passado foram anunciadas, pelo Ministro da Educação Fernando Alexandre, as linhas gerais do Plano +Aulas +Sucesso, tendo como principal objectivo a redução do número de alunos sem aulas…

Entre as medidas anunciadas, destaca-se uma, dirigida aos Professores mais “entradotes”:

– “Incentivar o prolongamento da vida ativa dos professores”, que alegadamente comportará uma remuneração adicional, até 750 euros brutos, para quem atingir a idade de reforma e queira continuar a dar aulas (Site oficial do XXIV Governo, consultado em 14 de Junho de 2024)…

Há poucos anos, quando já era notório, mas ainda não “universalmente aceite”, o envelhecimento da Classe Docente, ouvi, numa Sala de Professores, qualquer coisa parecida com isto, proferida por uma Professora de Matemática, com um apurado sentido de humor:

– “Qualquer dia, vamos andar todos algaliados em rede”…

A afirmação anterior, que naturalmente suscitou o riso generalizado de quem a ouviu, não terá sido, contudo, levada muito a sério, uma vez que, à época, o mais certo seria que (ainda) não se acreditasse que os problemas do envelhecimento docente e da falta de Professores pudessem tomar, em relativamente pouco tempo, proporções tão graves e alarmantes, como as que se verificam neste momento…

Dado o desencanto e o “supremíssimo cansaço, íssimo, íssimo, íssimo cansaço” (alusão a Álvaro de Campos)  que, no geral, grassam na Escola Pública, parece muito difícil acreditar que o repto, aparentemente bem intencionado, lançado pelo Ministro, possa ter uma adesão significativa por parte daqueles a que se destina: os Professores “entradotes”…

De forma sarcástica, mas nunca desrespeitosa para com os Professores “entradotes”, dir-se-ia que o mais avisado será, talvez, lançar um Concurso para o fornecimento de algálias, andarilhos e aparelhos geolocalizadores com botão de pânico, com vista ao equipamento das escolas com esses apetrechos…

Fatalmente, ninguém vai para novo…

Pode não parecer, mas este texto pretende ser, de certa forma, um elogio à Velhice… Nos tempos que correm, conseguir chegar a Velho é um verdadeiro feito…

Um elogio à Velhice de quem vai a caminho de também poder ser considerada como “entradota”, ainda que o meu espelho seja, frequentemente, “muito piedoso” e nem sempre me mostre alguns indisfarçáveis cabelos brancos ou rugas e outras inconfessáveis mazelas… Se é que me faço entender…

Já o espelho da escola costuma ser absolutamente “cruel e inclemente” e mostra-me, muitas vezes, aquilo que o meu tenta disfarçar… Deve ser da incidência da luz… Deve, deve…

E a culpa disto tudo será, com certeza, das tágides, só pode ser das tágides…

A propósito das comemorações oficiais dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões e do Plano +Aulas +Sucesso, lembrei-me das tágides…

As tágides, ou ninfas do Rio Tejo, tidas como supostas musas inspiradoras de Camões, já não serão o que eram, pois parece que deixaram de cumprir a sua principal função: estimular a criatividade e a imaginação…

As tágides talvez se tenham cansado dos Portugueses e “deram de frosques” para outras paragens ou então continuam no Tejo, mas muito provavelmente inebriadas pelas mais variadas substâncias estranhas que vão parar ao leito de tal rio, andarão perdidas nas muitas “trips” proporcionadas por tais consumos…

E, já agora, ainda que não seja “devota” de Camões – o meu “Deus” é, e será sempre, Fernando Pessoa – não pode deixar de se assinalar a notável capacidade de imaginação, de criatividade e de escrita de alguém que há 500 anos já seria um portentoso “influenciador”…

Precisa-se urgentemente de criatividade, imaginação e ousadia…

Paula Dias

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Mais de 46 mil professores efetivos querem mudar de escola

Há agrupamentos que vão ver sair mais de 90 docentes. Segundo o representante dos diretores escolares, isso é preocupante, porque “uma saída em massa, se todos a conseguirem, provoca uma grande renovação e não haverá grande estabilidade nessas escolas”.

Mais de 46 mil professores efetivos querem mudar de escola

No concurso interno de professores para o ano letivo de 2024/2025 mais de 46 mil (46.088) docentes concorreram para sair, o que representa um aumento de 37% face ao último concurso, em 2022, cujo número de pedidos de mudança foi de 33.700. Há agrupamentos onde mais de 90 professores querem mudar para outra escola.

No Agrupamento de Escolas Padre Benjamim Salgado, em Vila Nova de Famalicão, 92 professores do quadro de escola (QE) concorreram para sair. No Agrupamento de Escolas de Vilela, Paredes, são 90. Na lista dos agrupamentos que vão perder mais docentes há 23 escolas com 50 ou mais pedidos de saída. A grande maioria desses agrupamentos situam-se nas zonas Norte e Centro do país e apenas seis na zona Sul. O Diário de Notícias contactou dezenas de docentes para perceber o que os leva a quererem uma mudança e os motivos são variados, sendo o excesso de trabalho a principal causa apontada.

Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública,   acredita que o modelo de gestão está por detrás desta realidade. “O ambiente nas escolas causado pela autocracia é angustiante”, afirma. Uma docente a lecionar numa zona de Braga, e que não quis identificar-se para não sofrer represálias, partilha a mesma visão. “Sou QE há 16 anos e concorri para sair. As direções das escolas estão muito incrustadas no posto. Na minha escola é a mesma pessoa há mais de 30 anos e o modelo de gestão é o mesmo há décadas. Foi isso que me motivou a tentar sair”, afirma. A docente acrescenta a retirada de poder de decisão aos professores. “Há 10 ou 12 anos os departamentos tinham voz. A nossa participação na escola agora é mais executar o que outros determinam e é muito desmotivante. Somos uns meros executores e guardadores de crianças. É preciso um abanão no sistema educativo. As pessoas andam a arrastar-se nas escolas. As escolas devem voltar ao seu papel de ensinar”, conclui.

Já Isabel Braga, efetiva na Escola de Colos, em Odemira, há oito anos, está a dar aulas em mobilidade no Cercal do Alentejo e concorreu para tentar ficar efetiva na escola onde está colocada.  “Em Colos estava sobrecarregada e tive todos os sintomas de burnout, tinha turmas de 2.º e 3.º ciclos, quatro disciplinas, era diretora de turma (DT) e pertencia ao conselho geral. Nesses oito anos fui também coordenadora dos exames. Estava esgotada”, conta.

“Tenho de levar trabalho para casa e trabalhar até à uma ou duas da manhã”

O excesso de trabalho também está na origem da vontade de mudança de uma docente que não se quis identificar, porque não sabe se irá conseguir mudar e não quer “ter problemas”. É QE há mais de 20 anos numa escola do Seixal e está desgastada com o “excesso de trabalho burocrático”. Apesar de estar muito próxima da sua residência, a professora de Educação Musical concorreu para mudar de agrupamento. “As minhas 35 horas de trabalho semanal são, na realidade, muito mais de 50, pois, com a quantidade de turmas que tenho, para fazer o que me compete tenho de levar trabalho para casa e trabalhar, todos os dias até à uma ou duas da manhã”, salienta. No início da carreira, recorda, tinha sete ou oito turmas, agora, mesmo com a redução de horário (a partir dos 50 anos), tem nove – caso contrário teria 11. “Já tive 22 turmas nesta escola. O trabalho de conhecer os alunos, de planificar, de adaptar as atividades, é imenso. Quem quer fazer um trabalho honesto não o consegue com este número de alunos. E temos meninos com educação específica integrada, e tudo isto exige tempo e trabalho”, lamenta.

A docente diz sentir estar a trabalhar pro bono e ter chegado ao limite. A somar ao excesso de trabalho está ainda “a falta de respeito dos alunos e dos encarregados de educação [EE].  Este ano foi demais a indisciplina e a falta de respeito dos EE. Como DT, fico desmotivada com as queixas que faço aos EE por causa, por exemplo, dos palavrões ditos dentro da sala de aula sem ver da parte deles qualquer preocupação. A falta de respeito foi a gota de água, assim como a falta de vontade dos alunos em aprender”. E conta que tem alunos que “colocam a cabeça na mesa e se recusam simplesmente a trabalhar.  Este ano com isto tudo entrei numa depressão. Estive até ao fim sem baixa, mas não aguento mais. Ainda na sexta-feira passada meninos da minha DT fecharam uma menina numa sala, sabe-se lá para fazer o quê”, recorda. A professora de Música diz ter chegado a pensar mudar de profissão e confessa-se “completamente desgastada”.  “Estou perto de casa e era uma escola onde pensei que me ia reformar, mas temos uma direção que em tempos tinha sensibilidade para estas questões. De há dois ou três anos para cá mudou. Por exemplo, no ano passado cortaram-nos as horas todas para as atividades, como os clubes de teatro e outros. São estes pequenos momentos de prazer que ajudavam a contrabalançar os mais negativos, e já não os temos.”

“Tratam-nos como se fôssemos guardadores de crianças”

Patrícia Carreira, professora do 1.º ciclo, mas com habilitações também para o 2.º, concorreu para sair da escola porque quer mudar para o 2.º ciclo. Há mais de 20 anos na mesma escola, na Margem Sul, diz ter chegado ao limite. “Sempre gostei muito do que faço e de trabalhar com crianças, mas quero mudar de grupo de recrutamento e tem a ver com as condições de trabalho. Gostei muito até a escola se transformar num depósito de crianças. A atribuição de tarefas que nos dão e que não fazem parte da nossa função, como vigiar recreios e hora de almoço, ou saber se as crianças já foram ao dentista, são esgotantes.” E salienta ainda o facto de não ter direito à redução de horário, à semelhança dos professores dos outros ciclos, e não ter qualquer redução para os cargos que lhe são atribuídos, como a direção de turma. “Nas escolas de 1.º ciclo não há sequer uma secretaria para tratar qualquer assunto burocrático.”

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As mudanças das regras de aposentação (anteriormente tinham direito a aposentar-se mais cedo por terem um horário alargado) e a falta de redução de horário também pesaram na decisão de Patrícia Carreira. “Depois há toda uma falta de respeito pela figura do professor e educador. Tratam-nos como se fôssemos guardadores de crianças e é esperado de nós uma série de obrigações que nada tem a ver com a função de ensinar”, frisando que que “quando falta uma professora, os alunos são distribuídos pelas outras turmas”, chegando a ter mais de 40 crianças numa sala. “As condições de trabalho são cada vez piores. Prolongou-se mais uma vez o calendário escolar, os professores e as crianças estão cansados. Não temos, por exemplo, recursos para os alunos estrangeiros e cai tudo em cima de um só professor. Vou sair da minha escola porque não consigo trabalhar mais. E, como eu, muitos professores com habilitação para o 2.º estão a tentar mudar”, desabafa. Patrícia Carreira diz adorar lecionar no 1.º ciclo mas já não aguentar fazê-lo neste modelo de gestão. “Há 15 ou 20 anos não era assim, agora é um depósito escolar.”

Representante dos diretores acredita que as vagas vão ser preenchidas

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), acredita que “o sistema irá encarregar-se de colocar docentes nas escolas onde os professores querem sair”. Questionado pelo DN sobre os motivos que levaram mais de 46 mil docentes a querer mudar de QE, o responsável acredita ser sobretudo a vontade de se aproximarem da área  de residência. “De uma forma global, podem não estar satisfeitos com aquela comunidade educativa para a qual estão a trabalhar, mas o primeiro critério é sempre ficar mais perto de casa.” Contudo, diz, “numa escola onde muitos querem sair pode haver motivos coletivos”. Já sobre os “danos” para os alunos, admite que “uma saída em massa, se todos conseguirem, leva a uma grande renovação e não haverá grande estabilidade nessas escolas, principalmente no Interior, onde todos os anos o corpo docente é renovado”. Mas, apesar dos números expressivos de professores a concurso para mudança de QE, diz que ficaria “admirado se essas vagas não fossem preenchidas”. “Pode haver QE não ocupados, mas são milhares de professores a concorrer. Somos mais de 100 mil docentes”, explica. O presidente da ANDAEP alerta para outro problema: “Pode dar azo a atestados médicos por parte dos professores.”

Arlindo Ferreira, diretor do Agrupamento de Escolas Cego do Maio e autor do blogue ArLindo (um dos mais lidos no setor da educação), também entende que o principal fator de mudança é a aproximação à área de residência, mas “poderá haver casos onde as pessoas não se estejam a sentir bem ou estejam a ter excesso de trabalho”. O responsável lembra que, quando há concurso interno, “há sempre muita instabilidade nas escolas”, tornando o trabalho dos diretores muito “difícil”. “É difícil para os diretores porque cada escola tem a sua forma de trabalhar e temos de ensinar o funcionamento da escola aos professores que chegam.”

Já do ponto de vista do aluno, defende, “acaba por ser prejudicial, quando há muitas mudanças de docentes, principalmente no 1.º ciclo. É difícil para os mais novos”.

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ISTO NÃO PASSA NAS NOTÍCIAS… Carlos Santos

 

Há alturas, locais e pessoas que não se esquecem…
Não há dúvida de que os alunos estão cada vez mais indisciplinados e lidar com os pais vai-se tornando mais difícil a cada ano.

Dominados pelo peso do trabalho, as semanas não passavam, os dias arrastavam-se e, sem aviso, num ápice, somos apanhados pelo inesperado do último dia, da última aula, do derradeiro sorriso, daquele brilho no olhar…
Quantos de nós, na última aula não recebemos cartazes, cartas, desenhos e palavras de gratidão e de afeto dos nossos alunos?
Quantos pais, nas reuniões de entrega das avaliações, ou mesmo, ocasionalmente, na rua, nos endereçaram palavras de gratidão pela influência que fomos para os seus filhos?
Quantos não foram os alunos que nos abraçaram, choraram e nos endereçaram palavras comoventes no último dia de aulas?
Mesmo aqueles alunos de quem menos esperávamos, vimos reações que nos emocionaram. Possivelmente, mesmo quando os repreendíamos, fomos os únicos que lhes prestávamos tenção. No meio de toda a partilha de conhecimento, sem nos darmos conta, transmitimos ensinamentos para a vida e figurámos como modelos de referência para muitos deles e, essencialmente, estivemos presentes.

Mas isto não passa nas notícias, não vende jornais, não aumenta o salário, não abre vagas nas escolas mais perto de casa, não alivia o excesso de trabalho nem repõe muita da injustiça que nos tem sido dirigida, mas define o que realmente somos para quem diariamente está connosco nas nossas aulas. Na verdade, à imprensa, que procura sangue farejando atrás de alguma imprecaução do pedagogo, não lhe interessam estas miudezas insignificantes.

Se calhar sou eu que estou a ficar demasiado mole… se calhar, no meio de tantas lutas, burocracia, ofensas propagadas na comunicação social e a cíclica incompreensão ministerial e popular, acabamos por nos esquecer da importância que representamos na vida dos nossos estudantes e a perceção por parte de alguns pais. Expressões como “agradecido pela paciência, pela partilha de conhecimento, pelos ensinamentos para a vida”, “respeito pelo seu trabalho”, “admiração”, “fez pensar e refletir”, “gratos e honrados pelos professores que teve e por todos os ensinamentos” e tantas outras palavras, fazem-nos acreditar que, apesar de tantos sacrifícios, ainda vale a pena sermos professores.
Mas, escutar as palavras que afloravam da boca dos alunos “vamos ter saudades suas” ou “gostávamos tanto que continuasse a ser nosso professor”, tocam-nos e lembram-nos da enorme responsabilidade e do privilégio ímpar de estarmos a desempenhar a mais importante profissão do mundo; uma profissão que faz mudar vidas; que algures no meio do desempenho das nossas obrigações, nas nossas salas de aula, está a acontecer algo muito especial; que diante nós, diariamente, estão os jovens que irão mudar o mundo, cada um deles uma pessoa especial que irá fazer coisas extraordinárias ao longo da vida (palavras que faço sempre questão de partilhar com eles); mas, acima de tudo, termos a noção de que, mesmo com as nossas falhas, de uma ou de outra forma, todos nós contribuímos para aquilo que mais desejamos – que eles venham a ser felizes.

Mais outra escola que irei deixar ficar para trás, deixando mais pedaços de mim espalhados por todos os que conheci. Carregando na bagagem este misto de bênção e maldição, na hora da despedida, levamos connosco um aperto no peito de saudade de todos os que iremos deixar para trás e a riqueza das experiências que acumulámos e dos laços que criámos, que irão ficar incrustados para sempre na nossa memória.

Parabéns a todos os professores pelo excelente trabalho que realizámos, o qual não é possível ser mensurado em nenhuma grelha Excel, nem cabe em nenhuma quota de avaliação, porque abarca emoções, formação de caráter e o trabalho que realmente conta, que só quem está diariamente nas escolas é que compreende e sabe o que efetivamente significa e a importância que representa na vida das nossas crianças e jovens.

Carlos Santos

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A vida sob videovigilância nas escolas

 

A recolha de imagem de docentes, discentes, auxiliares e público em geral dentro de um estabelecimento de ensino deve estar claramente sinalizada.
De igual modo, deve a escola dispor de sinalética a sublinhar o direito de cada um a aceder às suas imagens de acordo com a lei de protecção de dados.
Qual o propósito do uso de videovigilância? Na escola do Luís, uma escola de e para alunos problemáticos, a resposta é óbvia não fossem os problemas de comportamento constantes e o uso de câmaras um garante do bem estar de alunos e adultos em redor.
Apesar da resposta óbvia, não há um sinal indicativo sequer, ao invés sendo o sinal a ameaça diária de colegas e demais auxiliares de denúncia do Luís caso o mesmo aja de determinada forma.
Ora, como ainda ninguém explicou ao Luís o significado de agir de determinada forma mais respectivos exemplos, o Luís não age, só reage, e o medo é constante.
Medo, e nesta altura nada como falar de saúde mental quando a pressão é constante a partir do momento de entrada na escola, cumprimentar como deve ser todos os colegas e alunos, entrar a horas na sala de aula e a todas as horas durante o dia entrar a horas e à hora certa na sala de aula não vá haver uma queixa e há sempre quem esteja de olhos nas câmaras de circuito fechado.
As idas à casa de banho são portanto e por conseguinte devidamente controladas, não vá o Luís demasiadas vezes à casa de banho e de imediato a conduta profissional em causa e a devida reunião com o Coordenador de Departamento.
Talvez por ser este um dos poucos poderes à disposição de quem trabalha na escola do Luís e a bufaria a melhor maneira de passar o tempo.
E o Luís a vítima ideal a dançar ao tom da música e quem a toca é quem verdadeiramente manda.
E o emprego do Luís em causa, sempre em causa, e os colegas já lhe disseram, tal como dizem todos os dias, serem as suas ameaças apenas uma piada só porque o Luís é estrangeiro e o Luís cala e consente por não querer voltar para a sua terra onde para além de terra não há mais nada.
Entretanto, o Luís já deixou de ir à casa de banho e para não ter de ir deixou de comer e beber durante o dia em longos jejuns de praticamente 24 horas e comer só mesmo em casa, longe das câmaras, longe da vigilância, longe da denúncia.
Poder-se-ia dizer estarmos de volta ao tempo da outra senhora e a outra senhora somos nós entre câmaras de videovigilância, alunos de telemóvel em riste e agora e claramente visíveis e audíveis todas as manifestações na rua mais a mensagem clara para quem neste país pretende trabalhar.
E sim, existe o direito individual à objecção de recolha de imagem mas ai de quem objecte e nas outras escolas é igual.
Nas ruas é igual, a caminho de casa é igual, mas compras também, a ida ao cinema, o café ao balcão, à entrada da praia e graças à inteligência artificial agora já temos câmaras com reconhecimento facial e a vida do Luís é um verdadeiro filme e o Luís o cidadão exemplar, o profissional exemplar, o professor exemplar e devidamente bem comportado a começar todas as frases com “desculpe” e a acabar num “obrigado” e o porquê de pedir desculpa para existir.
Subserviência.
Devidamente bem comportado e uma presença regular nas redes sociais dos seus alunos apesar da proibição do uso de telemóveis na sala de aula e o Luís uma estrela do YouTube, TikTok, Instagram, Facebook,
X, WhatsApp, Telegram e a lista continua ao ritmo das novidades e das idades dos petizes.
Não há fim à vista a não ser quando o Luís chega a casa, o seu porto de abrigo, e não fosse o facto de o vizinho da frente ter agora uma daquelas campainhas com câmara e talvez tudo estivesse bem.

 

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Diretores ou Diretoras?

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Professores: um plano que não é mais do mesmo

 

Simplificar regras para substituir rapidamente professores de baixa e incentivar com bolsas os jovens que queiram ser professores são boas ideias para uma crise que põe em causa a escola pública.

 

 Professores: um plano que não é mais do mesmo

 

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Apresentação do Plano para a Educação (direto)

 

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Reserva de recrutamento 2023/2024 n.º 37

 

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 17 de junho até às 23:59 horas de terça-feira dia 18 de junho de 2024 (hora de Portugal continental).Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 37

Listas – Reserva de recrutamento n.º 37

 

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𝐌𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐝𝐨𝐜𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐚𝐬 – Madeira

Informa-se que se encontram a decorrer, 𝐚𝐭𝐞́ 𝐚𝐨 𝐝𝐢𝐚 𝟐𝟏 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐧𝐡𝐨, os procedimentos com vista à mobilidade de docentes entre escolas, para o ano escolar 2024/2025, pelos seguintes motivos:
Mobilidade por deficiência ou doença incapacitante
– Mobilidade por filhos menores ou gravidez
– Mobilidade mediante proposta do órgão de gestão

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(sem título)

Pais e alunos não valorizam as provas de aferição e a prova está nos números. Dados do Júri Nacional de Exames divulgados hoje revelam que dos 94.460 alunos inscritos nas provas de ontem, apenas 65.908 as realizaram.

Mais de 30% dos alunos faltaram às provas de aferição de Português e Estudo do Meio do 2.º ano

 

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