Rui Cardoso

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E querem os professores respeito!

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Entre o “respeito” e o “dar-se ao respeito”


Muitos professores já foram “educados” na mesma ecologia que torna os seus alunos impossíveis de educar. O problema complementar é que muitos pais são exactamente iguais.

Entre o “respeito” e o “dar-se ao respeito”

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Professores: a Grande Depressão

O professor, todos o sabem, é a melhor coisa que há no mundo depois do pão às fatias. Mas o ambiente nas escolas, calha bem a metáfora, é de cortar à faca.

Professores: a Grande Depressão

Poucas expressões serão mais explícitas do que esta que nos chega dos anos 30 do século passado para falar do que se passa dentro da escola : A Grande Depressão. Não se pense que é hipérbole ou uma comiseração que vitima os 130 mil professores que há em Portugal. O ambiente é mesmo de esgotamento e de engulho.

Os professores pagam as contas da casa da maioria dos psicólogos e psiquiatras deste país. A quantidade de professores a atingir estados de desfalque emocional e físico pode medir-se pelo absentismo docente. Um absentismo que burla as estatísticas. E burla-as porque ninguém quer dedicar um segundo útil que seja a acautelar o absentismo docente. Afinal, nunca se fala de absentismo docente a não ser como sinónimo de absentismo fraudulento. E esta é a razão principal da pandemia de infelicidade encardida que se abateu sobre os professores. É por causa desta incoerência generalizada com que se trata a escola.

O absentismo docente por doença é uma catástrofe genuína que nada nem ninguém procura temperar ou recompor. Apenas vilipendiar. É um verdadeiro “Crash” profissional. O absentismo docente é meramente visto como corruptela e sintoma da negligência dos professores. São incontáveis as parangonas de jornais que referem as estimativas de falsos atestados médicos e falsas declarações sobre a situação de saúde dos professores. Nada mais interessa senão o pelourinho. Tudo é feito a partir de julgamentos de intenção, sofismas de desacreditação.

Continua

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Em Educação que serviços mínimos poderão existir?

Na minha perspectiva, em educação, os serviços mínimos são iguais a serviços máximos.

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Requisição a partir de 1 de fevereiro?

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André Pestana afirmou que o governo quer que haja requisição na Educação a partir de dia 1 de fevereiro.
Não especificou como pretendem realizar esta requisição, nem quem vai abranger. Vai hoje ao Ministério das Finanças discutir a situação.

 

 

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Os Professores não sabem ensinar – Ricardo Araújo Pereira

 

 

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Reserva de Recrutamento n.º 17

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 17.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 23 de janeiro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 24 de janeiro de 2023 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 17

Listas – Reserva de recrutamento n.º 17 

 

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A escola deixou de ser um lugar feliz: “As salas de professores parecem um velório”

Esta sexta-feira, há nova ronda negocial entre o ministério da Educação e os sindicatos dos professores. Entretanto, a tristeza e o cansaço destes profissionais, a falta de meios materiais e humanos, currículos extensos e horários pesados parecem sobrepor-se ao riso e às brincadeiras das crianças. Ouvimos alunos, professores, pais, assistentes operacionais e psicólogos e o retrato não é bom: a escola está a deixar de ser um lugar feliz e as carências do ensino público adensam o fosso da desigualdade social

A escola deixou de ser um lugar feliz: “As salas de professores parecem um velório”

 

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Desistir não pode ser uma opção…

 Em 23 de Março de 2022 foi oficialmente conhecida a lista dos 17 Ministros que integrariam o XXIII Governo Constitucional…

Em 2 de Abril de 2022, o Blog DeAr Arlindo publicou um texto da minha autoria (Uma “tempestade perfeita”…), que não comungava do optimismo geral que se manifestava na altura, e que começava assim:

O meu entusiasmo pela indigitação de João Costa como Ministro da Educação deve ser semelhante à euforia evidenciada por um prisioneiro condenado à morte, a caminho do cadafalso…

 

Infelizmente, o exagero dessa imagem não é uma figura de estilo… A desesperança é muito real, assim como a descrença de que algo venha a mudar para melhor…

 

Decorreram cerca de 9 meses desde esse escrito e, lamentavelmente, já é possível afirmar, com toda a convicção, que as expectativas anteriores se confirmaram:

– À vista de todos, a acção do Ministério da Educação tem sido frequentemente pontuada por uma certa desfaçatez, traduzida, muitas vezes, pela pretensão de impor as suas próprias “verdades”, tentando substituir a Realidade por determinados “factos alternativos”

– À vista de todos, a acção do Ministério da Educação permite inferir a sua indisponibilidade para melhorar as condições de trabalho dos profissionais de Educação, parecendo, antes, mover-se por um certo prazer sádico, ao enveredar obstinadamente pelas “soluções” mais tortuosas, desleais e perversas…

– O Ministério da Educação, assim indica a sua acção, na verdade, parece subestimar e desprezar aqueles que tutela…

Em concreto, e no que se refere à Classe Docente, as propostas do Ministério da Educação, conhecidas em 18 de Janeiro de 2023, em virtude de pseudo-negociações com Sindicatos, permitem ter a certeza de que nada mudou para melhor, antes pelo contrário:

– O produto desses encontros entre o Ministério da Educação e os Sindicatos já ouvidos tem resultado num verdadeiro fiasco, sem qualquer cedência relevante por parte da Tutela…

– Adivinha-se que o Ministério da Educação tenha ido para estas “negociações” sem qualquer intenção de atender às pretensões dos profissionais de Educação, mas talvez antes numa perspectiva semelhante a esta: “O Ministério impõe e os Sindicatos acatam”…

Nesse sentido, tornaram-se visíveis alguns “inconseguimentos” (alusão a Assunção Esteves), aberrantes, por parte do Ministério da Educação, resultantes de uma suposta “falta de dinheiro”, da ausência de “vontade política” e/ou de excesso de “vontade política”, e que continuarão a asfixiar e a aniquilar a Escola Pública:

– Recuperação integral do tempo de serviço dos Professores? Impossível de concretizar, não há dinheiro…

– Revogação do actual Modelo de Administração e Gestão Escolar? Impossível de concretizar, não há vontade política…

– Revogação do actual Modelo de ADD? Impossível de concretizar, não há vontade política…

– Fim das vagas para a progressão ao 5º e 7º Escalões? Impossível de concretizar, não há vontade política, nem dinheiro…

– Revogação do Concurso de MPD? Impossível de concretizar, não há vontade política…

– Carga insana de trabalho burocrático e entulho de papéis e registos? Obviamente, continuará, não há vontade política para os eliminar…

– “Escola de faz de conta”, onde impera o facilitismo, para enganar alunos e respectivas famílias? Obviamente, continuará, não há vontade política para a eliminar…

-Devaneios, como o Projecto MAIA ou o Modelo actual de Inclusão? Obviamente, continuarão, não há vontade política para os eliminar…

– Conselhos Locais de Directores? Obviamente, pretende-se a sua criação, há excesso de vontade política para os concretizar…

Em resumo, o lema que melhor tem definido a actuação do Ministério da Educação e que parece destinado a durar, será talvez este: Os Unicórnios são nossos amigos ou, em alternativa, Somos todos tão felizes!

 

Fantasia e irrealismo, como nos Contos de Fadas, mas sem um final feliz…

E o final infeliz desta história só poderá ser mudado se os profissionais de Educação conseguirem levar a sua luta até onde for necessário, de modo a evitarem esse desfecho…

Neste momento, já não é possível delinear outro caminho que não seja o de prosseguir com o maior número possível de acções de protesto, visíveis e audíveis, custe o que custar, doa a quem doer…

E não há nisso qualquer radicalismo, o Ministério da Educação é que estaria mal acostumado com determinadas “lutas” inconsequentes, plausivelmente apegadas a certas agendas partidárias…

À medida que a luta ganha cada vez mais apoiantes, também vão surgindo alguns “bem iluminados”, que tudo vão fazendo para branquear e mascarar a realidade que se vive na maior parte das Escola Públicas, defendendo a propaganda do Ministério da Educação, servindo os seus interesses…

A todos esses, temos que responder sem medo e sem vacilar… Desistir não pode ser uma opção.

Lembrando Salgueiro Maia, um Homem verdadeiramente íntegro, corajoso e democrata, na esperança de que as suas palavras nos possam inspirar a todos:

 

“Há alturas em que é preciso desobedecer”

Porque o “estado a que chegámos” (alusão a Salgueiro Maia) não muda, nem acaba, sem a participação activa de todos os profissionais de Educação…

Alguém estará disposto a “morrer na praia”?

(Paula Dias)

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Federação Nacional de Educação vai participar na manifestação de 11 de Fevereiro

 

FNE decidiu apoiar a greve por distritos, estando a ponderar se também entrega pré-avisos para a mesma para os últimos dias da paralisação. Federação diz que proposta é “bastante poucochinho”.

Federação Nacional de Educação vai participar na manifestação de 11 de Fevereiro

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O André Pestana não é radical … é meigo no pedir! Jorge Braga

 

A 4 de outubro de 2015 António Costa perdeu as eleições que lhe deram acesso a ser primeiro-ministro de Portugal. Desde então tem sido o primeiro-ministro, tendo agora maioria absoluta.

Convém agora definir, de uma forma clara e inequívoca e absolutamente incontestável, o impacto desta governação nos professores. Com factos de fontes seguras. Com uma análise cuidada. Com valores reais.

Uma forma clara e precisa de perceber o valor atribuído a uma dada classe profissional é observar o impacto da inflação na respetiva remuneração.

Um impacto positivo vem traduzido por um impacto nulo ou quase nulo da inflação ou até uma valorização salarial, caracterizando uma valorização da profissão em causa.

Uma profissão pouco valorizada verá o seu rendimento reduzido significativamente, com o impacto da inflação.

O Instituto Nacional de Estatística disponibiliza uma ferramenta para atualização de valores com base no Índice de Preços ao Consumidor – esta ferramenta é de utilização muito discutível, mas apresenta uma forma clara de perceber o impacto da inflação nos vencimentos ao longo do tempo.

A tabela abaixo demonstra os resultados para duas carreiras importantes em Portugal: Professores e Deputados em Regime de Exclusividade, comparando os valores de 2015 e 2023 (exceto para os Deputados cujo valor se refere a 2022 – estou a simplificar a análise e admitir que o valor de 2023 vai ser o mesmo – não é de todo expectável que o valor em 2023 baixe … )

A atualização dos valores desde outubro de 2015 a dezembro de 2022 origina um fator de multiplicação de 1,15665701025858, segundo o INE.

Analisando a tabela algumas conclusões saltam à vista:

O valor mais baixo de aumento necessário (face ao salário atual) para que os professores recuperem o perdido pela inflação acontece para o índice 167 com 167,52 € (apenas uma coincidência este valor!). Tal traduz um aumento mínimo de salário de 10,54%. Ou seja: se aumentarmos o salário de um professor no 1.º escalão de 167,52 € por mês ele fica a ganhar o mesmo que em 2015 quando António Costa entrou para o poder, considerados os efeitos da inflação.

Para os deputados houve uma perda de rendimento face à inflação de apenas 206,34 € (e note-se que nem sequer estão a ser considerados outros suplementos que não a exclusividade).

Ou seja. Um professor do primeiro escalão com 1589,01 € de salário em 2023 perdeu de salário bruto 167,52 €. Um deputado perdeu 206,34 € … mas ganha em 2022 – 4 054,11€ (portanto cerca de 2,5 vezes mais do que o professor).

Um professor do 10.º escalão perdeu, comparativamente, 418,53€ . Em 2015 este professor estaria a 318,79 €de distância de um deputado. Hoje essa distância aumentou para próximo do dobro estando o professor a 580,92 € de distância.

Qualquer professor acima do 2.º escalão perdeu mais dinheiro no seu salário do que um deputado apesar de o seu valor base ser menos de metade. Um deputado ganha hoje mais do dobro do professor do 3.º escalão … e mesmo assim o professor perdeu mais dinheiro desde 2015. 217,51 € contra 206,34 do deputado.

E nem sequer estão a ser discutidos todos os outros suplementos que os deputados têm e os professores não.

Foi assim que os governos de António Costa trataram Deputados e Professores desde 2015.

Portanto quando André Pestana pede 120 € para todos os profissionais de educação está a pedir muito pouco. Nem sequer dá para cobrir a perda por inflação do Índice 167 (ficam a faltar quase 50 euros mensais!).

Pelo menos a inflação desde que António Costa é primeiro-ministro é o mínimo a exigir a António Costa.

O André Pestana não é radical … é meigo no pedir!

Fontes

Atualização IPC

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ipc

Vencimento de Deputados https://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/EstatutoRemuneratorioDeputados.aspx

Vencimentos de Professores – 2015

https://www.arlindovsky.net/2015/01/17/

Vencimentos de Professores – 2023

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“Tudo deve mudar para que tudo fique como está” Paulo Prudêncio

“Tudo deve mudar para que tudo fique como está”

Nestes momentos de negociação entre governos e sindicatos, há um histórico que me recorda sempre o escritor italiano Giuseppe Lampedusa: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”. É exactamente o que não pode acontecer. É evidente que a presença do recente sindicato STOP dificulta a repetição dos entendimentos fatais (2008) por parte das restantes organizações e que vários sindicatos da plataforma usaram nos anos que se seguiram com efeitos na falta estrutural de professores e na sua precarização. O que o Governo já apresentou antecipando as reuniões com os sindicatos, é obviamente insuficiente e provocado pelo desespero com a falta de professores. Mas há todo um mal-estar gerado pelo ambiente não democrático (injustiça, parcialidade e autocracia) nas escolas que tem que mudar e que não tem incidência financeira; é apenas radicalismo ideológico. Nesta fase, há que aguardar pela primeira ronda de negociações com os sindicatos e manter as formas de contestação.

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Dança entre agrupamentos também para professores do quadro

 

Proposta do Ministério da Educação vai levar mais professores a ficar com insuficiência de componente lectiva e a serem colocados pelos novos conselhos locais de directores.

Dança entre agrupamentos também para professores do quadro

 

Os professores do quadro que vão ser geridos pelos novos conselhos locais de directores poderão ser colocados a dar aulas em mais do que um agrupamento ou escola não agrupada, o que não acontecia até agora. Esta é uma das novidades da proposta apresentada pelo Ministério da Educação (ME), nesta quarta-feira, no âmbito das negociações do novo regime de recrutamento e gestão de professores apresentado aos sindicatos de professores.

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O caos na Educação – José Afonso Baptista

 

O primeiro problema da Educação em Portugal é que deixou de ter uma liderança forte, unida e esclarecida. Os líderes, com fins e objetivos desencontrados, estão reféns uns dos outros.

A incidência do caos situa-se a três níveis principais: a hipocrisia do governo que levanta a bandeira da inclusão e da igualdade, mas pratica níveis de exclusão desastrosos; a fragmentação e partidarização sindical que impedem uma classe docente unida e mobilizada para objetivos comuns; a escola e os seus atores, situados no epicentro do terramoto, na cratera do vulcão e no olho do furacão, sem uma saída segura das fúrias da natureza humana.

O governo enche a boca com a escola pública, mas promove a escola privada, menos exposta ao caos. Ao reservar o espaço da tranquilidade e da estabilidade para a escola privada, o governo transfere uma grande parte da despesa, do investimento e da responsabilidade para as famílias, aliviando o orçamento do estado. Menos alunos, menos professores, menos escolas, é um alívio para as finanças públicas. A escolaridade é obrigatória, é o motor do progresso e da economia, mas o estado lava as mãos e assobia para o lado. É o estado que desvaloriza, esvazia e desautoriza a escola pública.

O governo exclui anualmente milhares de alunos da escolaridade obrigatória e outros tantos milhares de frequentar o ensino superior. Mas mais, muitos milhares com sucesso académico vão enriquecer outros países. Uma grande parte da nossa força de trabalho mais qualificada, o estado oferece-a de mão beijada a quem não investiu um cêntimo para a formar. O governo não combate a pobreza, cultiva-a. Não combate as desigualdades, aprofunda-as.

O governo e alguns ex-governantes continuam a ver a educação e a escola com a lupa dos nossos avós e bisavós. O professor dá a lição igual para todos, sem qualquer concessão às diferenças, o ME faz os exames iguais para todos, ignorando talentos e capacidades individuais que não têm espaço nos exames, e promove o suposto “mérito” dos que conseguem passar no funil de tamanho único, excluindo todos os que não obedecem a esse perfil. A escola continua um “dogma” impenetrável, minado pela normalização, pela competição e pela seleção. Os exames são a norma-travão que impõe a “indiferença às diferenças”.

A autonomia da escola e dos professores é o maior embuste que o ME já inventou, que alimenta discursos, mas desresponsabiliza os atores no terreno. Inclusão e autonomia são os polos principais da hipocrisia do governo, sendo poucas as escolas com saber e experiência suficientes para ultrapassar esta onda de mentira organizada.

A dispersão e fragmentação do universo sindical enfraquecem o movimento de libertação dos professores. Uma dezena de organizações sindicais, com origens partidárias nos vários espetros políticos, tudo contribui para visões diferentes, desencontradas e ultrapassadas da escola e da educação. O que mobiliza não é tanto a luta pela escola e pela educação, nem mesmo a valorização dos professores, mas poderá haver uma “mística” partidária a tentar novos espaços de penetração. Ao contrário de outras classes profissionais, como os médicos ou os enfermeiros, onde o espírito de classe se sobrepõe a derivações político-partidárias, os professores tendem a organizar-se à sombra de partidos que favorecem o divisionismo.

A “unicidade” sindical imposta há 50 anos explodiu, fragmentou-se e fracionou de tal modo a classe docente que não conseguimos vislumbrar uma orientação, uma ideia clara que una e não disperse. A única coisa comum é a revolta porque a afronta foi tão longa e deprimente que indignou toda a gente, menos aqueles que estão submetidos à linha de rumo do partido do governo.

O que é mais triste é que há sindicatos e professores que não acreditam nem na escola nem na honestidade e dignidade dos seus dirigentes. Recusam as autarquias porque são ninhos partidários, como o governo, que preferem a fidelidade, por mais incompetente que seja, a dirigentes com a neutralidade e independência que todos respeitem. A democracia parece cada vez mais um mundo em ruínas porque são falsos e podres os pilares que a sustentam. É neste quadro que alguns sindicatos e muitos professores negam a autonomia das escolas para recrutar e fixar o corpo docente, preferindo a burocracia irracional do ME à seleção criteriosa dos professores de acordo com as necessidades das escolas e dos alunos.

A instabilidade e a humilhação do corpo docente, o caráter errante e incerto da sua profissão, o desgaste de não poder programar a sua vida no aconchego familiar e na disciplina da organização da escola revoltam os professores e a sociedade em geral. A escola só é eficaz se tiver autonomia, capacidade e os meios para se organizar e gerir a si própria, identificando e ultrapassando a nível local, com conhecimento de causa, os problemas que enfrenta. É esta escola, livre e democrática, que alguns sindicatos recusam. Pior ainda, muitos professores vão nesta onda. Não estará ao alcance dos professores, divididos, “construir um ministério” amigo da classe docente. Mas é da competência dos professores organizar a escola como espaço de autonomia, de democracia, de inclusão e de igualdade.

Os sindicatos dos professores sobressaltaram o país, acordaram e assustaram o “monstro” adormecido. A sua luta é justa e só peca por tardia. Resta saber se, na sua diversidade de interesses e de ideologias, conseguem levar o barco a porto seguro ou se o deixam à deriva em parte incerta e à mercê de marés e de incontornáveis ondas alterosas.

19-01-2023 | diário as beiras

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PROPOSTAS DO GOVERNO…É ISTO A BOA FÉ? – Luís Sottomaior Braga

 

Estamos a desconversar.
Façam uma análise de conteúdo.
Aquilo é só sobre colocações, falta tudo o RESTO (carreira, vagas, quotas, salários, etc).

No documento pdf do Governo vejam quantas vezes aparece a expressão “quadro de agrupamento”.

Aparece uma única vez, na citação inicial do programa do Governo. Na concretização das medidas propostas, supostamente subordinadas a esse dito cujo programa, nem uma vez.

O modelo do governo não é “professores em escolas”, é “PROFESSORES EM QZP AOS SALTINHOS”, num território mais pequeno, mas aos saltinhos (como os QZP de concurso são 6, em alguns casos até podem ser mais saltinhos).

PROFESSORES PARTILHADOS EM ESCOLAS É COISA MÁ. Quer dizer que vão continuar a gerir serviço tempo a tempo e vão continuar a colocar professores com 14 e menos horas.

PARA CONTRATADOS, MESMO EM SUBSTITUIÇÃO, OS HORÁRIOS DEVEM SER SEMPRE COMPLETOS (22 HORAS).

A componente não letiva gera crédito horário e, por isso, justifica o que estou a dizer. Quando as escolas tem muita gente com redução letiva o Estado corta ao crédito para contratação a mais. Se essas pessoas metem baixa, tem de se repor.
E CONTRATADOS SÃO SEMPRE MAIS BARATOS…..

E como os concursos para a transição dos “QZP grandes” para os pequenos são limitados ao território dos antigos QZP, isso não redistribui, nem vai diminuir muito os deslocados….

O CONSELHO DE DIRETORES, que já se disse que é inaceitável, está lá. E quais serão os critérios para ficar “sem serviço” e cair nas mãos desse órgão tão giro?

Sugestão para os negociadores: criem NORMAS DE TRANSPARÊNCIA:

Lista de vagas para colocação, criadas para concurso e existentes em cada escola e QZP, publicadas todos os anos, COM ANTECIPAÇÃO e sujeitas a consulta pública e pronúncia dos candidatos potenciais.

Não saber o que há para agarrar em matéria de vagas é um dos problemas “friccionais” do sistema. A transparência administrativa é um óleo para correr melhor.

 

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“Em vez de andarem sempre a criticar professores, pais deviam fazer TPC” – Joaquim Jorge

 

 

“Governar é antecipar os problemas. António Costa está mal rodeado e o ministro da Educação que, anteriormente, foi secretário de Estado, tinha a obrigação de resolver os problemas que ficaram em stand by, em vez de se pôr a inventar problemas.

“Em vez de andarem sempre a criticar professores, pais deviam fazer TPC”

O ministro da Educação teve um erro de cálculo ao pensar que os professores não avançavam para este tipo de luta pelos seus direitos e que tivesse tamanha dimensão.

A falta de professores existe porque ninguém quer ser professor. Está é a verdade nua e crua. Ser professor é das profissões mais nobres que há, mas ninguém quer ser professor, o seu reconhecimento social está nas ruas da amargura e de rastos.

Ninguém quer ser professor, porque um professor pouco ou nada exerce a sua função – ensinar. Passa a vida no meio de papéis e decisões burocráticas, que são de bradar aos céus.

O ensino precisa de ser simplificado, eficiente e respeitado pela sociedade em geral a começar pelos pais.

Uma escola não é um armazém de alunos. Uma escola é um local de aprendizagem e de educação. Uma escola não é um local onde se deixam os filhos para que estejam ocupados.

Assim não vamos lá.

Não chega o Presidente da República – que foi professor -, dizer bem dos professores. É preciso atos e decisões tomadas rapidamente.

Os pais, em vez de andarem sempre a criticar os professores e a meterem-se na vida da escola, deviam fazer o TPC e aprenderem como funciona uma escola, a classe docente e as suas condições de trabalho que deixam muito a desejar.

Os pais falam muito porque a sua única preocupação é não terem onde deixar os filhos. Querem lá saber dos problemas dos professores e da escola! O egoísmo social atinge o clímax nesta relação.

Os professores não são ‘amas’, os professores são uma classe com multifunções, uma delas é ocupar os alunos para os ensinar. Isso sim – ensinar, não é para tomar conta de alunos e tê-los ocupados.

Os pais esquecem-se que os professores também são pais.

O impacto desta greve na opinião pública tem sido colossal e impressionante. O ministro da Educação, em vez de procurar aproximar-se das reivindicações dos professores e perceber o que se passa, procura criar um clima de intimidação, medo e suspeição, alegando que os professores podem ter faltas injustificadas se a greve foi ilícita ou pela recolha de fundos.

Quando se faz uma greve, ela tem por finalidade criar o maior impacto possível e chamar à atenção dos seus motivos.

O tempo de desprezo pelos professores acabou! O ministro da Educação, João Costa deve preocupar-se em resolver os problemas dos professores, em vez de, andar a ver onde pode pegar com os professores. Um ministro existe para governar, não existe para justificar o injustificável.

Já, Eça de Queiroz dizia: «Todo o ministro que entra – deita reforma e coupé. O ministro cai – o coupé recolhe à cocheira e a reforma à gaveta».

Os professores estão de parabéns.”

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Os habilidosos – Santana Castilho

 

“Sabemos que nos mentem. Eles sabem que nos mentem. Eles sabem que nós sabemos que nos mentem. Nós sabemos que eles sabem que nós sabemos que eles nos mentem. E, mesmo assim, eles continuam a mentir.”
Alexander Solzhenitsyn

1. A inesperada maioria absoluta do PS trouxe à governação o cheiro da decadência. Na Educação, a descolagem da realidade tornou a área nauseabunda. Para quem já viveu a implosão do guterrismo e do socratismo, a situação presente prenuncia fim idêntico.
Infelizmente, o debate sobre as questões da Educação só ocorre sob ondas de alarme e de urgência, quando as coisas começam a descambar gravemente e a paz podre fica ameaçada. É nessa altura que os políticos habilidosos acordam.
Considerando que os pré-avisos das greves em curso foram enviados com a antecedência legalmente prevista, a haver algumas objecções ou dúvidas, era nessa altura que deveriam ter sido levantadas. Porquê só agora o Governo pede pareceres sobre a sua legalidade? O que podiam e deveriam ter feito os habilidosos António e João Costa, durante sete anos, tantos quantos levam de governo, para, com tempo, e não agora, que os professores se levantaram do chão, evitar os prejuízos aos alunos e às famílias, que hoje invocam para, uma vez mais, tentar virar a sociedade contra os professores?
2. Na intervenção de abertura de uma audição na Comissão Parlamentar da Educação, João Costa afirmou que “o Governo nunca propôs qualquer processo de municipalização do recrutamento de professores”. Tem razão o manipulador. O que o habilidoso propôs foi que, depois de recrutados os professores e colocados em “mapas intermunicipais”, seriam conselhos locais de directores, funcionando sob tutela de Comissões Intermunicipais e substituindo a graduação profissional e as preferências legitimamente manifestadas pelos candidatos por “perfis de competências” por eles concebidos, que definiriam os locais de trabalho dos novos escravos. Ou seja, o artista escolheu um trilho bem mais sinuoso para chegar ao mesmo resultado, isto é, desvirtuar completamente o actual modelo de concursos. Este ministro é o cérebro duma pedagogia que substituiu ciência por crenças, que excluiu em nome da inclusão, que trocou rigor por facilitismo e que transformou um edifício sério num bazar de bugigangas. Este ministro é um criador de burocracia doentiamente controladora, que há sete anos vem, laboriosamente, escravizando os docentes portugueses.
O aceno patético aos manifestantes, em Coimbra, o discurso fantasioso aos directores, na Maia, ou a réplica ao que Sampaio da Nóvoa escreveu, certificaram um ministro definitivamente imprestável para gerir o caos que criou e incapaz de perceber que os protestos actuais são geneticamente diferentes dos anteriores.
3. O primeiro-ministro disse que os protestos resultam de “muito erro de percepção”, porventura de “uma contra-informação grande através da rede WhatsApp, dizendo que os presidentes de câmara é que passavam a contratar os professores, o que é absolutamente mentira”. “Quanto ao pessoal docente não há nenhuma competência a transferir para as câmaras. Isso é uma falsidade total”, também disse.
O erro é de percepção ou do que está escrito na Resolução do Conselho de Ministros n.º 123/2022, de 14 de Dezembro? Se lá está atribuída às CCDR (que resultam da vontade dos presidentes das câmaras) a incumbência de “acompanhar, coordenar e apoiar a organização e funcionamento das escolas e a gestão dos respetivos recursos humanos e materiais, promovendo o desenvolvimento e consolidação da sua autonomia “, a que devemos dar crédito? Ao que escreveu ou ao que disse António Costa?
E disse, ainda, ser essencial mudar um modelo de concurso que faz com que os professores andem “anos e anos com a casa às costas” até se vincularem. Que cara dura! Se assim pensa, por que nada fez durante os últimos sete anos?
4. A nota enviada à comunicação social pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), apelando ao Governo para que decrete, “com urgência, serviços mínimos e adequados a que os alunos possam permanecer no interior da escola em condições de segurança e com o direito à refeição”, merece um esclarecimento.
Não existem serviços mínimos em Educação. Já uma vez foram ilegalmente decretados, mas o Tribunal da Relação reconheceu o abuso.
In “Público” de 18.1.23

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Às Mulheres que também são profissionais de Educação…

 

No geral, o número de Mulheres que leccionam em cada escola é significativamente superior ao número de Homens a exercer a mesma função…

Ao nível do Pessoal Não Docente também se verificará, por certo, um número significativamente superior de profissionais do sexo feminino…

Segundo os dados mais recentes disponibilizados pela Plataforma Pordata, relativos ao ano de 2021, referentes ao Ensino Pré-Escolar, Básico e Secundário, cerca de 78,1% dos elementos que integram o universo docente serão Mulheres, o que, indubitavelmente, permite afirmar que a “feminização” é concreta e relevante no seio dessa classe profissional…

O Corpo Docente, nesses níveis de ensino, é predominantemente feminino e a hegemonia das Mulheres parece óbvia…

Não me agradam, nem me revejo, nas perspectivas feministas radicais, assentes na eliminação de qualquer tipo de supremacia masculina e na visão de Homens e Mulheres como inconciliáveis opostos e inimigos, mas também repudio as perspectivas ilustradas por um certo “machismo troglodita”, eivado da representação da Mulher como uma boa dona-de-casa, submissa e insignificante, tantas vezes efectivamente desrespeitada e humilhada, que ainda subsiste em algumas mentes mais retrógradas, independentemente do estatuto socioeconómico ou das habilitações literárias…

Não nos enganemos: qualquer tipo de “guerra dos sexos” será sempre inútil e falaciosa.

Em vez disso, talvez faça mais sentido reconhecer a existência de saudáveis diferenças entre o sexo feminino e o masculino, no plano físico e fisiológico, mas também ao nível das disposições emocionais e psicológicas, assumindo que não vale a pena cair na tentação de procurar estabelecer comparações entre o que não é similar…

E escusamos de ter ilusões, ambos os sexos são permeáveis a fragilidades, medos, angústias, complexos e inseguranças, por vezes até “inconfessáveis”, e não há nisso quem seja forte ou fraco…

Resta-nos, portanto, aceitar as diferenças naturais existentes, sem desvalorizar umas e sobrevalorizar outras, evitando recorrer a alguns estereótipos, derivados de certas representações sociais preconceituosas, relativas a ambos os sexos…

Todos fazem falta na presente luta do Sector da Educação, mas, e de acordo com os dados facultados pela Plataforma Pordata já mencionados, não será possível ignorar que as Mulheres terão aí um papel decisivo e indispensável…

Os profissionais de Educação do sexo masculino que me perdoem, mas esta franca reflexão não pode deixar de ser dedicada a todas as Mulheres que trabalham na Educação, Docentes e Não Docentes, apesar de nem sempre me agradarem as “discriminações positivas”…

Além disso, prezo e aplaudo a participação diligente do sexo masculino nas presentes contendas e, metaforicamente falando, também defendo, há muito tempo, que seria desejável a observação de uma maior paridade entre os níveis de estrogénio, progesterona e testosterona existentes nas escolas…

Não obstante tudo o anterior, este apelo, sob a forma de reconhecimento, é sobretudo dirigido às Mulheres que também são profissionais de Educação:

A força das Mulheres só será uma surpresa para aqueles que as subestimam”…

(Roubado da Internet, de autor desconhecido).

– Não podemos deixar que nos subestimem, nem que nos intimidem…

 – Não podemos deixar de participar activamente na reivindicação dos Direitos que são de todos os profissionais de Educação…

– Não podemos assentir o que nos queiram impor porque isso não é aceitável para nenhum profissional de Educação…

Objectivamente, o presente movimento reivindicativo na Educação só poderá ser bem sucedido com a continuação do envolvimento activo das Mulheres que trabalham nesse Sector…

Sem qualquer dúvida, as Mulheres que também são profissionais de Educação têm mostrado uma inquestionável capacidade de mobilização, dando um contributo fundamental para a consecução dos objectivos previstos no “caderno de encargos” da presente luta…

E se as diferenças entre os genótipos e as características fenotípicas do sexo feminino e masculino existem e são incontornáveis, também não têm impedido a união e a complementaridade em causas comuns…

Porque a luta, à semelhança dos Anjos, não terá sexo… Alegadamente…

(Paula Dias)

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Quais os motivos que levam os técnicos a aderir à greve?

 

– O relato de uma psicóloga escolar

 

 

Vejo a minha classe profissional a manifestar a necessidade de ter uma carreira especial desde que comecei a trabalhar como psicóloga no Ministério da Educação. Espantem-se: nós já tivemos as nossas funções, direitos e deveres regulamentados! Porém, posteriormente, fomos englobados na carreira geral da Função Pública, o que representou um retrocesso na dignificação da nossa profissão. Veja-se alguns exemplos:

– Apesar de os psicólogos escolares se orientarem por um código deontológico, algumas direções deixam claro que este fica “à entrada da escola”, manifestando uma imposição de conduta, como que se tivéssemos de responder primeiramente ao que cada agrupamento entende ser da nossa atuação profissional.

Um dia, um antigo diretor de um agrupamento onde trabalhei, com o seu lápis azul, ousou ler e modificar pedidos de encaminhamento de alunos para serviços de saúde exteriores, com o argumento que teria o dever de conhecer e controlar a informação!

Mesmo denunciando à Ordem dos Psicólogos Portugueses e ao Ministério da Educação, estas situações persistem, pelo que urge a regulamentação e o reconhecimento da autonomia técnica e científica da nossa classe.

 

Incompreensivelmente os diplomados em Psicologia continuam sem habilitação própria para a docência, estando impossibilitados de lecionar essa disciplina.

 

Embora a Ordem dos Psicólogos Portugueses tenha criado as especialidades profissionais e o Referencial Técnico para os Psicólogos Escolares, os quais clarificam as suas competências e os domínios de intervenção, os agrupamentos teimam frequentemente em solicitar a intervenção do psicólogo escolar como se se tratasse de um psicólogo clínico. Atrevo-me a dizer que é o mesmo que pedir ao INEM, responsável pelos primeiros socorros, que faça o mesmo que um médico cirurgião. Ambos são fundamentais na assistência médica, mas assumem funções e campos de atuação distintos.

 

–  Há anos que os psicólogos efetivos e que trabalham longe da sua residência reclamam maior facilidade na autorização da mobilidade geográfica e na sua consolidação. Este problema agravou-se seriamente com os que obtiveram vínculo contratual através do Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública. Não temos direito à mobilidade por doença, a permuta ou a apoios monetários por deslocação. Esta situação é incomportável com os custos associados e impossibilita a conciliação com a vida familiar. Perante estas pessoas (sim, porque se tratam de pessoas, muitas com família e algumas com doenças crónicas), o Ministério da Educação teima em mostrar frieza e insensibilidade.

 

– Precisamos de tempo e condições para tarefas “não visíveis” como planificar atividades, construir materiais, elaborar relatórios e pareceres. Seria fundamental que todos os psicólogos escolares tivessem no seu horário definido horas de trabalho indireto porque se há diretores compreensivos a este nível, também há os que se mostram inflexíveis e ignoram todas estas necessidades.

O mesmo se aplica às pausas letivas: alguns psicólogos estão na escola e outros estão em casa (a trabalhar ou a usufruir desse período). Outros organizam-se de forma rotativa com colegas. Para uma classe que lida com questões emocionais desgastantes e que habitualmente tem excesso de trabalhopor serem poucos para muitosé importante proteger a sua saúde mental. As pausas letivas podem e devem servir para esse propósito. Promovemos a saúde mental nas escolas, mas a escola/Ministério também deve fomentar a saúde mental dos seus trabalhadores.

 

– Há anos que os psicólogos técnicos especializados veem os seus contratos renovados sem se perspetivar a obtenção de um vínculo contratual estável.

 

Os psicólogos escolares denunciam estas situações há muito, mas tem faltado coragem política para as resolver. Porque há necessidade de regulamentar a nossa carreira e de dignificá-la, junto-me a esta greve!

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Manifestação de Professores no Porto à noite

 

 

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Todos estamos a lutar pela mesma carreira

 

 

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Burocracia nas escolas também ajudou ao “tsunânime” dos professores

Além das questões de carreira e salariais, o mal-estar docente resulta também da burocracia com que os professores se confrontam nas escolas e de ser uma profissão muito desgastante, pelo que a paz social só voltará às escolas quando os governos satisfizerem de forma plena e completa as reivindicações de todo o corpo docente

Burocracia nas escolas também ajudou ao “tsunânime” dos professores

A perspetiva de uma parte dos professores deixar de ser recrutada por meio de concursos a nível central e poder vir a ser selecionada e contratada através de concursos locais (não autárquicos, mas por um conselho local de diretores de agrupamentos escolares) constituiu a gota de água que, qual tsunami, gerou a revolta docente a que se tem assistido por todo o país.

De facto, o profundo descontentamento de que os professores ora dão mostras é devido a questões de carreira “stricto sensu” (a não recuperação da totalidade do tempo de serviço congelado na época da troika, mas não só; a existência de quotas nas avaliação de desempenho; a necessidade de obtenção de vaga para acesso ao 5.º e ao 7.º escalões; o aumento da idade para a aposentação, mesmo para quem já tenha mais de 40 anos de serviço docente), mas também devido a um conjunto de situações que de forma larvar têm vindo a contribuir para agravar o mal-estar docente.

No âmbito desse conjunto de situações, queixam-se os professores da excessiva carga burocrática com que são confrontados nas escolas. Também António Sampaio da Nóvoa, anteriormente embaixador de Portugal na UNESCO, com o prestígio académico que lhe é reconhecido, em artigo no “Público”, dia 6 do corrente, no qual procede a uma avaliação, v.g., dos “últimos sete anos” de João Costa no ministério, e no qual reduz a política educativa deste a um conjunto de sete “nadas”, coloca a seguinte questão: “Disposições para facilitar e desburocratizar o dia a dia dos professores?”. À qual responde: “Nada”!

Em artigo de resposta ao reitor honorário da universidade de Lisboa (no mesmo jornal, dia 10) sobre esta matéria, João Costa limita-se a responder que “está em curso (…) um levantamento da atividade burocrática dos professores, com vista à sua redução”… Até pode estar em curso há vários anos, pois há vários anos que nós e outros sindicatos reivindicamos uma solução para este desiderato – o problema é que os anos passam e ela teima em não chegar.

Sistematicamente, os professores são obrigados à elaboração e preenchimento de múltiplas grelhas, a que se junta a resposta a inquéritos e plataformas digitais, quantas vezes fora da escola e em prejuízo do tempo que deveria ser para usufruto pessoal ou familiar.

Não raro são levados a frequentar e a investir em ações de formação contínua para além do seu horário de trabalho, situação atípica em outras profissões especializadas e com idênticos graus académicos.

Por vezes, os professores são convocados pelos dirigentes escolares para um número excessivo e demorado de reuniões, das quais importa elaborar atas quase sempre longas, não vá algum órgão da tutela fazer esta e mais aquela exigência. Outras vezes, são levados a preencher toda uma série de papelada cujo préstimo se desconhece, mas que retira tempo e disponibilidade intelectual para aquilo que deve ser a função nobre do professor: o ensino, o ato pedagógico, a interação com os respetivos alunos. Tarefa assaz difícil quando um único professor tem centenas de alunos.

Acresce a elaboração e preenchimento de múltiplas grelhas, a que se junta a resposta a inquéritos e a submissão daquilo que deveria ser a sua autonomia pedagógica a plataformas digitais, no tempo que poderia ser aproveitado para a sua valorização cultural “lato senso”.

E como se tudo isto não fosse já de mais, as escolas têm vindo a ser confrontadas com sucessivas alterações curriculares de âmbito nacional, mas introduzidas de forma mais ou menos dissimulada, pois, ao contrário do que seria normal, nem todasforam plasmadas em letra de lei, facto que facilitaria o seu escrutínio pela cidadania e pelo Parlamento. Redundaram quase sempre em criação de nomenclatura e na imposição de novas siglas pedagógicas, perfis, com carradas de textos/materiais afinal normativos que só uma boa preparação em hermenêutica por parte do corpo docente permite que se tornem inteligíveis.

No fundo, a sobrecarga burocrática emana de uma pré-compreensão da tutela sobre os professores que os obriga a proceder a registos despiciendos e a enviar uma multiplicidade de documentos redundantes para os órgãos das escolas e agrupamentos, desviando os professores do foco nos alunos.

A par do sobretrabalho, da desvalorização da profissão e da carreira, do desrespeito pelos professores, é também toda esta parafernália burocrática, agravada pela crescente indisciplina discente, que contribui para o “burnout” de muitos docentes, principalmente os mais velhos, mas não só, e que tem dissuadido os jovens universitários de se matricularem nos mestrados em ensino, provocando a atual enorme falta de candidatos com qualificação profissional para o ingresso na carreira docente.

Mais do que pedir pareceres à PGR, indiscutivelmente legítimos e porventura necessários, sobre a onda de contestação que se instalou no seio da profissão docente, importa que os governantes atentem que ela só é suscetível de ser estancada com o seu pleno e completo reconhecimento material e simbólico.

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A Manifestação de Professores na imprensa estrangeira…

 

 

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Sociedade Portuguesa de Matemática arrasa Aprendizagens Essenciais da disciplina

 

O documento é omisso, vago, impreciso e desestruturado, indicia um grande retrocesso no ensino da
matemática ao adotar, agora, para a Matemática A opções muito próximas, mas menos estruturadas
do que as tomadas nos finais do século passado, algumas delas já amplamente criticadas desde os
fins do século XX por se terem revelado nefastas no ensino da Matemática como, por exemplo, o
uso intensivo de calculadoras ou de meios tecnológicos para formular conjeturas sem a devida
validação por processos analíticos.

PARECER DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE MATEMÁTICA
ÀS NOVAS APRENDIZAGENS ESSENCIAIS DE MATEMÁTICA A
PARA O ENSINO SECUNDÁRIO

 

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Salários de professores desvalorizam 45% desde 2005

Em 2005, um professor com 26 anos de serviço ganhava cerca de 800 euros a mais do que um docente com o mesmo tempo de serviço em 2022, estima o dirigente da Federação Nacional de Professores Vítor Godinho. “É uma desvalorização brutal de 45%”, diz, o que ilustra o deteriorar da carreira.

Salários de professores desvalorizam 45% desde 2005

Hoje arrancam em Lisboa as greves distritais, convocadas pela Fenprof e mais sete sindicatos. A expectativa é de que a adesão seja elevada, prevendo-se mais fechos de escolas. Para 11 de fevereiro está agendada uma manifestação que Mário Nogueira acredita “superará” a Marcha pela Educação de anteontem.

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Força, professores! – Alexandre Parafita

Eles sim, são os heróis de Portugal. Muito acima de futebolistas, políticos, ministros, deputados ou banqueiros.

Conheço muito bem a tortura da sua rotina. Trabalham de sol a sol nas escolas com horários sobrecarregados, turmas enormíssimas (muitas carregadas de problemas que as famílias não resolvem). Mas trabalham também pelas noites e madrugadas dentro (com pastas e pastas de exames, de planos de aula, planos de recuperação de alunos, RTP’s – Relatórios Técnico Pedagógicos, registos regulares da evolução dos alunos, informações para encarregados de educação, redação de atas, fichas de trabalho, testes de diagnóstico e testes de avaliação, elaboração e correção de fichas de leitura, exercícios de expressão escrita, relatórios de autoavaliação do desempenho docente… etc, etc. etc.). Muitos estão deslocados a centenas de quilómetros das suas famílias, distribuindo ternura e carinho pelos filhos de outros, mas impedidos de o fazerem com os seus. E muitos ainda não conseguem sequer constituir família em face da instabilidade a que estão sujeitos.

Eles sim, são os heróis. Conseguem fazer milagres, ser inventivos, contrariando as desventuras de um sistema que lhes retira direitos de ano para ano, de um sistema inibidor do entusiasmo e da criatividade, um sistema que fomenta o desrespeito e a humilhação social dos seus professores (“Perdemos os professores, mas ganhámos a opinião pública”, disse um dia a Ministra).

E continuam, ainda assim, a obter resultados, a plantar sorrisos entre as crianças, a abrir rumos de esperança no seio dos jovens.

Se o Ministro Costa não entende isto, o que está ele a fazer na Educação?

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Os professores – Teresa Côrte Real

Pode ser que seja desta. Pode ser que o pais perceba que grande parte do que nos sobressalta e que impede a equidade e  crescimento presente e futuro reside aqui. No Educar.

Os professores

Ponto prévio: fui professora no ensino privado durante 22 anos e dois dos meus filhos foram alunos de duas escolas públicas. Sei o que é por isso poder escolher. Eu e eles tivemos esse privilégio. Que muitos, cada vez mais, não têm. Uma escola que seja Escola. E é também por esses ou para eles que está crónica vai.

Não me vou alongar nas reivindicações dos professores nem no que levou a esta grave. São mais do que conhecidas. Resumem-se numa palavra: dignidade. De ensinar e do aprender. Muito além do tempo de serviço, da instabilidade, do valor monetário recebido há o não reconhecimento da sociedade toda pelo esforço e empenho tantas e tantas vozes ignorado e estruturante para o bem estar e o desenvolvimento de gerações de portugueses. Porque um professor de verdade é muito mais do que o que debita dados científicos, as regras da gramática ou mostra que juntando azul e amarelo se chega ao verde com que se pinta um desenho. É quem, em conjunto com a família, tem a responsabilidade (e a maravilha) de transmitir a cada uma das crianças e jovens que por ele passa o espanto da descoberta, o porquê das coisas, a curiosidade que leva a saber mais. O querer aprender e não se ficar pelo que lhe é dado. Quem promove o salto da tal alavanca social que a Escola, no seu todo, tem que ser. Quem não deixa para trás os que, pelas circunstâncias sociais em que nasceram ou cresceram, menos hipóteses terão de aprender e de se superar. A tal promoção da excelência e de impulsionar saber, a Escola Pública que o Estado constitucionalmente está obrigado a defender. E há tantos, tão bons exemplos disso mesmo.

Só que, e ao contrário de outros países como os do Norte da Europa, este papel tem vindo a ser, década após década, mais desvalorizado e reduzido. Polarizada a questão, reduzida aos Mários Nogueiras que também a ajudaram a destruir. Sufocada por critérios programáticos carregados de ideologia e por uma infindável burocracia que afastam os vários intervenientes. Que não tem em conta a estabilidade de alunos e professores, tão essencial ao sucesso da missão. E que cada vez mais aprofunda o fosso entre uns e outros. Os que podem escolher e/ou a quem são dadas condições para exercer aquela que é muito mais do que uma profissão e quem não os tem. Não se pode pregar a inclusão e depois não investir no que está na sua base.

Pode ser que seja desta, com um protesto cada vez mais transversal que o país acorde para o que se passa há muito na Educação  Portugal. Que se sente à mesa da negociação quem de facto é Professor e não apenas quem disso faz carreira. Pode ser que o pais perceba que grande parte do que nos sobressalta e que impede a equidade e  crescimento presente e futuro reside aqui. No Educar. Pode ser

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Há muito que não se via uma manifestação de professores com tanta gente

Há muito que não se via uma manifestação de professores com tanta gente como a de este sábado. Segundo o sindicato que convocou o protesto, foram cerca de 100 mil profissionais do setor da educação contra o Governo e em defesa da escola pública. Exigem que sejam contados todos os anos da carreira e pedem a demissão do ministro da Educação.

A manifestação dos 120 mil professores foi a maior de sempre, decorria o ano de 2008. Quase 15 anos depois, não chegam a tantos, mas o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) aponta para quase 100 mil participantes.

Saiba mais aqui

 

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Com a classe ao rubro, luta dos professores está para lavar e durar

Sondagem revela que maioria dos portugueses está com os professores. A partir desta segunda-feira, a Fenprof entra na onda de greves que tem levado ao encerramento de centenas de escolas.

Com a classe ao rubro, luta dos professores está para lavar e durar

 

 

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“Este ministro da Educação é um artista que julga que os outros são uns mentecaptos que não sabem ler nem escrever”: Santana Castilho

 

 

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O PULSAR DOCENTE – Carlos Almeida

 

Carta de Direitos/Tempos de Conquista

O pensar e o sentir dos   educadores e professores portugueses é de mágoa, revolta, reivindicação e conquista de direitos perdidos do ECD (Estatuto da Carreira Docente) e tempo de serviço que trabalhamos e descontamos para a Caixa Geral de Aposentações/Segurança Social, congelado e “roubado” para progressão pelo ME (Ministério da Educação). O consulado dos governos Sócrates e seguintes humilharam e vilipendiaram a classe docente com danos “terroristas” irreparáveis à imagem e autoridade dos professores. Dizemos não à degradação e   contínua destruição da carreira docente defraudada. O ME está em estado de   negação. O sentimento de traição da tutela lateja desde 2005, desde Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues (“Não era grave perder os professores”), passando pelo Passismo/Cratismo (“Havia professores a mais”). Tiago Brandão    Rodrigues foi uma nulidade para esquecer. João costa tem a oportunidade de, em parceria com os professores, fazermos história. Durante a Covid-19, o desempenho dos professores foi de adaptação, resiliência e excelência.  Até ao presente, o autismo, a arrogância, o autoritarismo e a prepotência, levaram à perda de confiança política e conduziu à rutura ME/Professorado. Haja memória e gratidão.              

 Obrigado professores. Bem hajam.

Carlos Calixto

Respeito!

Premeditadamente, este artigo de opinião é politicamente incorreto, é incómodo porque diz verdades que denunciam mentiras e maldades tutelares.  Queremos abanar consciências. Exigimos reconhecimento, ser valorizados e pagos de acordo com as responsabilidades que desempenhamos na formação da pessoa humana dos alunos. Muito mais que cansados e merecedores, estamos exaustos e fartos de ser tratados como “espúrios bastardos”; temos direitos e o direito legal ao que é nosso. O Estatuto da Carreira Docente tem sofrido alterações aberrantes que o desvirtuam, desfiguram e tornam uma caricatura do que já foi em tempos. Do tempo em que comecei a trabalhar e era feliz como professor.  Inn illo tempore.

Os governos não têm cumprido o “contrato”. Tenho mais de 30 anos de docência e não vou chegar ao topo da carreira, (apesar de me ter saído a lotaria com o único Excelente a que a minha escola tinha direito), assim como uma grande maioria dos colegas. O ME não se tem comportado como pessoa de bem e de boa fé. Temos trabalhado com regras de jogo sujo, viciadas, que mudam sempre para pior, consoante dá jeito aos governos. Ao longo da longa carreira vamos ser “roubados” no tempo de serviço, nas progressões, na carreira, nos ordenados e na pensão de reforma.  Empobrecimento garantido. Contrapartidas nada. É obrigatório e de justiça haver formas de compensação. Perante os últimos escândalos, é gritante a desconsideração, (vide casos TAP, indemnizações milionárias, remodelações governamentais, alegados casos de corrupção que se multiplicam, o partidarismo, o amiguismo, o nepotismo e o caciquismo), paulatinamente assistimos a um gradual ambiente de degradação política e a um lento “apodrecimento do regime democrático”.

Adensa-se a destruição da escola pública. O calvário dos professores não tem fim por causa da burocracia insane do “sucesso virtual”, medidas ad hoc e números martelados para a estatística, rácios e indicadores de um sucesso educativo “de faz de conta”, enganador para pais e alunos. Os professores   sentem-se mal por obrigados, participarem nesta “farsa”. Haja coragem política e acabe-se por Decreto com a avaliação sumativa/exames e passe a haver apenas avaliação formativa. Saia o Decreto. Façamos a assumpção de que há alunos que pura e simplesmente não querem nem tão pouco estão para aí virados, estudar. Deixe o professor de ser o bode expiatório do sistema.                  Os professores estão em sofrimento. Os pais tenham mão nos filhos.                       A tutela articule com a docência e não contra a docência. Diretores e Inspeção idem aspas. É urgente e imperativo mimar os professores.

Castigar os professores com burocracia (sonegando tempo precioso de preparação de aulas), actas Golias com mais de 40 páginas, grelhas, relatórios, testes, perfis e assinalamentos, apoios, planos de aulas de substituição, planos de recuperação, medidas de inclusão: universais, selectivas e adicionais, definidas e implementadas com base nas evidências, em função das necessidades educativas dos alunos, rumo ao sucesso educativo garantido. Mais o trabalho com a psicóloga. Mais o trabalho com a equipa da CPCJ. Mais trabalhos. Mais planificações e reuniões. E os professores dizem que a escola vai de mal a pior e que os alunos pouco aprendem. Que saudades de dar aulas.

O problema é bem mais fundo do que a informação veiculada pela comunicação social. A classe há vários anos que é desconsiderada pelo poder político, subinvestimento e desinvestimento na escola pública e no professorado. Passar, ter aproveitamento, dá menos despesa ao erário público que reter, reprovar. O preço a pagar no futuro vai ser muito superior, sendo que a escola não pode pactuar com a formação de “analfabetos funcionais”.

Donde, estudar, o estudo não se compadece com “educar para a felicidade”, (escola de Paulo Freire), facilidades, facilitismos e motivação avulsa de kahoots e quizzes. Testes de exames do IAVE, de cruzinha/escolha múltipla, (mais intuitivos o tanas).  Apetecia-me escrever português vernáculo, não posso, mas posso dizer que há alunos que já não sabem escrever à mão, articular as ideias estruturadas num texto, perde-se a escrita cursiva, a motricidade fina, o raciocínio crítico, análise, síntese, argumentação, contraditório. Ganha-se dedos bem treinados e olhos muito bem castigados pelo excesso de luz azul. Criticar o “debitar matéria” e conhecimento dos professores mais experientes e conservadores e menos modernaços é ver a Educação de “patas para o ar”. Estudar é saber, trabalho e exigência. O acto pedagógico de ensinar e educar consiste na partilha do saber professor-aluno. Nem as ferramentas telemáticas/digitais são o “Santo Graal” milagreiro, nem o papel é pecado no processo de ensino-aprendizagem. O ponto de equilíbrio q.b. de todas as ferramentas pedagógico-didácticas, (sem os fundamentalismos álcoolizantes de certas mentes), são a solução/método do critério consciente da abordagem professoral per si do sucesso educativo, na relação humana íntima e única professor-educando, no caminho da construção da pessoa humana do aluno. O caminho faz-se caminhando lado a lado na gradual autonomia, emancipação e responsabilidade pelo outro.

“As raízes da Educação são amargas, mas o fruto é doce”. Aristóteles

“Sucesso não é sobre o resultado final, é sobre o que você aprende no caminho”. Vera Wang

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Cora Coralina

“É no problema da Educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. Immanuel Kant

“Eles ensinaram-me mal, mas eu lixei-os que aprendi bem”. M.F. Patrício

Num universo paralelo, num mundo invertido, radical e moderno, com o argumentum ad nauseam do ultra/mega sucesso educativo (…) e por que não o Reiki, meditação reikiana, transferência de energia, alinhar chakras, promover o equilíbrio energético e manter o bem-estar físico e mental em harmonia. Talvez assim ajudasse a melhorar/resolver o processo/resultados de ensino-aprendizagem. O “chato da coisa” é que estudar dá trabalho (…) e o professor in extremis lá consegue o desiderato. Extenuante!

Os professores andam muito infelizes. Perdeu-se a atractividade da docência e se pudéssemos muitos de nós fugíamos da profissão. A escola hoje é angustiante, surreal e disruptiva. É ridículo e afronta o comentário da Ex. ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que há tempos mostrou surpresa e não compreender como se chegou aqui, sobre a falta de professores. Dois comentários: Falhou e estava errada quando afirmou que “não era grave perder os professores desde que ganhasse os pais e a opinião pública”. Haja vergonha na cara. Também é erro político, o facto do Governo de Passos Coelho e o ministro da Educação Nuno Crato terem feito alterações legislativas e tomado medidas de redução da carga horária disciplinar, facto que em 2013 levou ao desemprego de cerca de 30000 professores, sendo que muitos deles não voltaram, alegando que “havia professores a mais” e ter apelado à emigração dos jovens. É única a autoridade, identidade, unicidade, singularidade e condição dos professores na organização escola. O professor É!

É lamentável e miserável a posição da Confap, (Confederação Nacional das Associações de Pais), ao pedir serviços mínimos ao ME, condicionando a luta e reivindicações dos professores e o legítimo direito à greve. Não percebeu a importância de um corpo docente estabilizado e focado. A felicidade docente leva a melhor desempenho, melhores aprendizagens e melhores resultados escolares. Do imperativo de um novo paradigma na relação ME/professores/sindicatos. Da importância da sobrevivência da escola pública   e do apoio da comunidade educativa, pais e alunos, da sociedade civil. Somos pela proposição, negociação, concertação social e pela greve quando para lá do limite. Governo, ME e Ministério das Finanças têm de dar respostas cabais aos problemas reais da classe docente, (um dos maiores grupos sócio-profissionais de Portugal e da Função Pública, senão mesmo o maior, e sendo uma carreira especial). Estamos muito para além do limite (mas em tempo negocial e com tudo em aberto). Este é mesmo o momento da verdade. Xeque-mate!

Simbolicamente, invocando a “Alegoria da Caverna” de Platão, as imagens projectadas na parede, as sombras, são uma ilusão de óptica. O verdadeiro “monstro” está escondido a projectar, manipular, manietar, iludir com subtilezas, mentir, dividir e reinar. Decididamente, os “monstros” não são os professores. Somos as vítimas. De facto, assim é.

Temos direito a uma carreira que garanta a dignidade da condição docente. Temos direito à estabilidade na profissão. Temos direito à progressão na carreira e ao fim das quotas/vagas na avaliação. Temos direito a um regime de mobilidade por doença humanista e sem baixas médicas “vigiadas”. Temos direito a um regime especial de aposentação docente com 36 anos de serviço (sendo reconhecida a especificidade e desgaste da profissão docente).  Temos direito à pré-reforma docente em termos a negociar num novo ECD. Temos direito a um horário respeitador da intelectualidade docente, sem ultrapassagem dos limites do tempo de trabalho. Temos direito a um aumento da redução do horário lectivo por idade e tempo de serviço, na componente individual de trabalho (dada a complexidade e exigência, doenças profissionais, síndrome de burnout, trabalho caseiro, etc. da escola hoje). Temos direito à eliminação dos constrangimentos burocrático-administrativos asfixiantes. Temos direito a uma actualização/aumento salarial que anule a inflacção e reponha o poder de compra há muito perdido. Temos direito a turmas e programas mais reduzidos e respeitadores dos ritmos de aprendizagem dos alunos. Temos direito a inverter o ciclo de degradação das condições de trabalho docente. Temos direito a ter uma compensação por despesas varius educatio. Temos direito a ter os mesmos direitos e condições de trabalho que as regiões autónomas. (Nos Açores houve uma redução/equiparação dos horários da Educação pré-escolar e do 1º ciclo aos horários do 2º e 3º ciclos do ensino básico e do ensino secundário, passando de 25 para 22 horas lectivas semanais). A República é a mesma. O argumento estafado da “autonomia” não colhe. Não podemos ter um país com três realidades diferentes (Continente, Açores e Madeira) para o mesmo grupo sócio-profissional. Para uns tudo. Para os outros nada. Não é sério, não é justo, não é negociável e cria acrimónia. Os professores estão muito zangados com o Ministério da Educação, António Costa e o Governo. Temos direito à indignação (Mário Soares) e a dizer não à discriminação e à “escravatura” docente. Temos o direito professoral de ser determinantes numa escola pública de massas, democrática e de qualidade. Temos o direito da palavra e da razão que não pode ser contida nem calada. A luta faz-se com todos e de todas as formas, com a força e determinação dos professores nas reivindicações, nas greves, nas negociações, nos acordos. A luta é agora. Dizemos presente.

 

 Temos o direito a Ser Professores!

 

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Professores à espera de “consequências” após protesto que levou milhares à rua

 

 

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Quem se mete com os professores… aprende.

 

Aqui estou eu– em casa. Mas a minha mente e o meu coração estão com os colegas que se dirigem à Manifestação em Lisboa, sobretudo depois de ouvir ontem, de novo, as inverdades do Ministro João Costa.

Afirmou que decorrem negociações! Pois, Sr. Ministro, forçadas por uma greve que dura há mais de um mês!!! A opinião pública, pouco atenta aos pormenores profissionais, acredita nestas afirmações distantes da verdade. O Ministro esqueceu que tinha encerrado o processo negocial e o tinha adiado para os primeiros meses do novo ano!!

Também esquece que tem que dar o primeiro passo para reiniciar esse processo, convocando os Sindicatos e que é o Senhor e o seu Ministério que têm vindo a prejudicar famílias e alunos, ao fazer de conta de que nada se está a passar nas escolas– sim, à espera que os professores se cansem de perder salário para os vencer pelo desânimoenquanto as crianças há mais de um mês vivem a situação de não saber quais as aulas de cada dia e perdem tempo precioso de aprendizagem. Durante a primeira semana de greve, o Sr. Ministro passou por professores em greve sem dizer “Bom dia”; nessa semana, a comunicação social não falou de Greve de Professores- tal o bloqueio à informação.

Quem encerrou as negociações em novembro e as prorrogou para o início de 2023? Foi o Ministério da Educação, o mesmo que afirma em Janeiro que DECORRE o PROCESSO NEGOCIAL. Um processo unilateral, em que os representantes dos professores vão receber ordens para transmitir aos seus associados? Não pode mais ser!

É com descaso e inverdades, com perseguições e pedidos de pareceres de verificação de legalidade, com desconfianças e no fundo, só AMEAÇAS que acrescentam desrespeito a quem grita “RESPEITO”por se sentir pontapeado por ‘superiores e inferiores,’ que o Governo do nosso País pretende trazer calma a pessoas tão cansadas??


Ponham-se no lugar do outro. Deixem a má vontade e as birras. Olhem para o interesse dos alunos e do país.

  SE NÃO FOR POSSÍVEL, MUDEM-SE OS ATORES.

 

Fátima Ventura Brás – 42 anos de Serviço- 8.º Escalão

 

 

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A Manifestação já está no Rossio e ainda há muitos professores no Marquês

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Conferência de Imprensa da equipa ministerial

 

Na conferência de Imprensa, João Costa, referiu que esta greve tem impacto mínimo para os professores e impacto máximo para as crianças e encarregados de educação.

“A forma de luta quer parecer desprezar as negociações em curso.

Esta greve não tem razão de ser, é atípica e desproporcional.

É vital tornar a carreira docente mais atrativa e valorizada.”

Ainda não há resposta aos pareceres sobre a greve dos professores.

O ministro está disposto a continuar no cargo.

Não descarta a imposição de serviços mínimos. (secretário de estado)

A execução da greve não bate certo com o que está nos pré-avisos de greve.

A imprevisibilidade da greve está a levantar duvidas ao ministério sobre a sua legalidade.

 

 

 

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Reserva de recrutamento n.º 16

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 16.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 16 de janeiro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 17 de janeiro de 2023 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 16

Listas – Reserva de recrutamento n.º 16

 

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Quem está com um erro de perceção é João Costa

Se é verdade que o modelo de contratação foi a gota que fez transbordar o copo, também é verdade que o copo já estava cheio de injustiças, que se foram acumulando ao longo dos últimos 20 anos.

Quem está com um erro de perceção é João Costa

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Está solidário com a greve parcial por tempo indeterminado dos professores?

 

 

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Quem trava agora a luta dos professores? – Carmo Machado

 

Desta vez, os professores exigem que este périplo de desprezo relativamente ao seu trabalho termine, escreve a docente Carmo Machado

Quem trava agora a luta dos professores?

Finalmente, a tão sonhada união dos professores de Portugal está em curso. Cansados do desprezo descarado de que têm sido alvo pelos sucessivos governos – independentemente da sua cor – saíram à rua e puseram em curso um movimento de luta que se pode resumir na resposta de quem, profissionalmente, já não tem nada a perder porque já praticamente perdeu tudo: o tempo de serviço, o direito a uma carreira justa,  o respeito dos sucessivos governantes, uma atualização salarial, a dignidade profissional e a paciência. E conseguiram esta união sem os inúmeros bafientos sindicatos de professores que tão bem têm contribuído para a desunião da classe e a destruição da sua imagem perante a sociedade.

Tendo na forja uma alteração aos concursos e a descentralização de competências no setor da educação para as autarquias, o Ministro da Educação e a sua equipa talvez não contassem que esta tentativa (entretanto refutada) de municipalização da educação viesse desencadear uma torrente de revoltas. Depois da desilusão, do desânimo e da inação dos últimos anos, a classe docente decidiu tomar finalmente as rédeas do ensino em Portugal. E de todos os distritos do País começaram a surgir notícias de professores em greve, manifestando-se em frente às escolas, pela dignidade da sua profissão. Pouco a pouco, este movimento de revolta foi crescendo, alastrando-se a toda uma classe que há muito se sente vilipendiada nos seus direitos e ridicularizada nas suas obrigações.

Não parece ser já fácil parar os professores sem que antes lhes sejam reconhecidos direitos essenciais que assegurem o mínimo de condições para viver condignamente como a contabilização de todo o tempo de serviço, a reestruturação da carreira docente, antecipação da idade de reforma, entre outros. E tudo isto levado a cabo pelo mais recente sindicato que representa todos os professores (S.T.O.P.), provocando o tão necessário abanão de que a classe precisava. Apesar de as duas maiores estruturas sindicais de professores, Fenprof e FNE, e outros oito sindicatos independentes terem recusado aderir a esta greve, os professores (sindicalizados ou não) finalmente perceberam que era altura de mudar as regras deste jogo que só os prejudicava e do qual saíam sempre perdedores. As diferentes tutelas do pelouro da Educação, os diversos ministérios e ministros, de vários Governos e diferentes quadrantes políticos, têm vindo sucessivamente a desvalorizar  os professores de Portugal. E mesmo depois de terem assistido ao importante papel desempenhado por estes ao lado de outras forças prioritárias nos períodos de confinamento decorrentes da pandemia Covid-19, durante os quais o ensino funcionou de forma não presencial – em que da noite para o dia os professores montaram uma escola à distância com os seus próprios meios – continuam sem promover qualquer tipo de valorização da classe. A tutela nunca percebeu – ou não quer perceber?  – do que se está realmente a tratar quando se trata de professores:  da garantia de futuro e de progresso de um país.

Desta vez, os professores exigem que este périplo de desprezo relativamente ao seu trabalho termine. O S.T.O.P. convocou uma greve para todo este mês de janeiro que, para além de rejeitar as propostas de alteração aos concursos, exige resposta a muitos outros problemas antigos. E os professores aderiram. Há escolas fechadas por todo o País. Há assistentes técnicos e pessoal auxiliar que se uniu aos docentes nesta mesma luta. Há professores que nunca antes fizeram uma greve ou participaram numa marcha a empunhar cartazes e a preparar-se para rumar a Lisboa no próximo sábado, 14 de janeiro. Porque estão zangados. Porque estão cansados. Porque estão fartos de ser joguetes nas mãos dos (des)interesses políticos. Porque, como diz uma entre muitas vozes nesta profissão, a da professora Helena Rechena, urge restaurar a autoridade do professor em Portugal mediante a adoção de medidas concretas e efetivas de combate à indisciplina e displicência; importante será também que os professores deixem de se sentir manietados por uma teia burocrática kafkiana, desprovida de qualquer mais valia prática e que os obriga a justificar/fundamentar toda e qualquer decisão; que lhes seja reconhecido o seu papel fundamental na sociedade acompanhado por um ordenado condizente com a sua responsabilidade; que vinculem os professoras contratados, durante décadas com a casa às costas a suprir necessidades do sistema, com salários estupidamente ridículos, sem direito a progressão na carreira e, em muitos casos, a centenas de quilómetros das suas residências; que as quotas para acesso aos 5º e 7º escalões sejam eliminadas de vez e que a todos seja feita justiça através da contagem integral do tempo de serviço prestado ao País.

Sem a obtenção de respostas concretas a estas reivindicações, quem vai conseguir parar os professores?

 

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ORIENTAÇÕES SOBRE A GREVE EM DGESTÊS – Luís Sottomaior Braga

 

Existe um tipo de linguagem a que chamo o Dgestês.
Há vários séculos havia uns textos jurídicos e normativos chamados Digesto.
Foram essenciais na história do Direito e eram coisa mais clara e objetiva.

O Dgestês é, por seu lado, uma prosa redonda, às vezes confusa, até criptica, cheia de conceitos gerais e indeterminados e muitos gerúndios e particípios (marcas de uma linguagem de passividade).

Muitas vezes, transcreve a lei, na esperança de que o ato de a exibir e fazer ler transcrita ilumine por infusão, mas sem hermenêutica, os consulentes.

O Dgestês interpreta mal e quase sempre adianta pouco a quem conheça o artigo 9º do Código Civil e tenha umas luzes dos princípios do CPA.

Há 15 anos, ganhei um processo contra o Ministério no Supremo, por causa destes tiques de escrita pouco criativa de quem faz estas “orientações”.

Da minha prática de 28 anos de servidor do Estado, dirigente em 2 ministérios, 2 cursos de administração escolar bem tirados, um CADAP e uma passagem fugaz, mas estudiosa e com sucesso escolar, de um par de anos, numa faculdade de Direito, concluí, há muito, que o Dgestês é um dos ramos mais paradoxais do chamado “Direito circulatório”.

UM EXEMPLO DE DGESTÊS NA GREVE

Nestas “orientações” não desilude as minhas expetativas.

Afirma o que já sabemos porque lemos bem a lei: NÃO PODE HAVER SUBSTITUIÇÃO DE TRABALHADORES EM GREVE.

A abertura dos estabelecimentos escolares
IMPLICA A SEGURANÇA E BEM ESTAR DOS ALUNOS NO INTERIOR DAS INSTALAÇÕES.

Como disse nos últimos dias: se não houver garantia de segurança e bem estar, as escolas fecham.

Porque, se um aluno rachar a cabeça e se magoar a sério, por estarem 500 alunos com 1 assistente operacional, a responsabilidade é de quem o permitiu e não acautelou os superiores interesses dos jovens e crianças.

Quem não faz greve trabalha e fica na escola (é a outra orientação….). Brilhante iluminação.

NA DGESTE NADA DE NOVO

Para mim, nada de novo, face ao que sabia e considerava e praticava antes destas orientações, há muitos anos e com muitas greves de experiência (muitas delas vividas do lado do MAI).

Fico à espera do texto de orientações em DGestês para a manifestação de 14 de Janeiro.

Tirando o tom dúbio e de meias palavras da redação, em típico estilo Dgestês, que pode servir para dar falsa energia a alguns que querem manter escolas abertas como “cercados com alunos deixados sozinhos à sua sorte”, não vejo para que servem estas orientações que não trazem novidade.

Novidade seria dizer: “abram as escolas seja como for….o governo precisa para parecer que não se passa nada”. Um jurista, como o que assina o papel, não se arriscava a tal coisa.

Mas há diretores, que preferem o Dgestês, a beber diretamente das fontes da lei, que vão achar que diz isso. Mas não diz.

Aos que pensam que diz, poupo-os ao adjetivo que me ocorre. Andamos todos com problemas para tratar e não vale a pena destratar ninguém.

 

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