Rui Cardoso

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Tommy ou a má sorte de ser criança – João André Costa

 

Para nascer neste mundo é preciso ter muita sorte e sorte não é, nem nunca foi, o nome do meio do Tommy.
Aluno do oitavo ano na escola do Luís, o Tommy já viu de tudo e tudo é desde a mãe vítima de violência doméstica à toxicodependência dos pais, tudo é um par de anos em casa dos avós enquanto a mãe recupera e o pai não, e tudo é o falecimento do irmão mais novo vítima de leucemia e a hospitalização da mãe depois de mais uma intoxicação e quem diz intoxicação diz overdose.
Dir-se-ia estar o Tommy traumatizado e está, bastando a ausência de um professor ou um novo aluno na escola para levar a mais um episódio de auto-mutilação e a ansiedade na ponta das canetas, nos lápis, nas unhas, compassos e nos famosos afias a nascer do chão independentemente dos mil cuidados levados a cabo pela escola ao melhor estilo de um filme de terror.
E às vezes o Luís pensa não ter sido esta a razão para um dia se entregar ao ensino: não só para ensinar mas para cuidar do outro, a começar no aluno e a acabar na família e sociedade em redor.
E o Luís não queria ser enfermeiro, mas é, e de caminho tudo o resto e o Luís nem sequer tem filhos. Não precisa, basta ir para a escola.
Escusa é de trazer os “filhos” para casa e para as noites sem sono.
Voltando ao Tommy, a mãe teve alta hospitalar e o Tommy voltou a casa para mau grado dos serviços sociais.
Isto porque dia sim, dia não, o Luís recebia chamadas ininterruptas da assistente social a perguntar sobre o bem-estar do Tommy e se mãe está à altura da tarefa mais todas as responsabilidades intrínsecas.
De caminho, a esmerada assistente social convocou a mãe para o tribunal com o único objectivo de colocar o Tommy numa família de acolhimento e o Luís sem perceber o porquê de querer tanto mal a uma criança.
Mas com o aproximar da data do julgamento o Luís recebeu uma chamada da advogada oficiosa a perguntar da justiça do Luís e o Luís disse de sua justiça: a mãe traz o Tommy todos os dias à escola e todos os dias vem ao portão esperar pelo Tommy; sim, o Luís já foi lá a casa entregar trabalhos de casa quando o Tommy esteve doente e a casa está arrumada e em condições; não, a mãe não sabe como fazer ou reagir e a ansiedade da mesma e dos demais professores é uma constante a cada episódio de auto-mutilação; e sim, a mãe pede ajuda e, mais importante ainda, aceita a ajuda e os conselhos de quem na escola trabalha com o Tommy o dia por inteiro; sem esquecer aquando da hospitalização do Tommy a achar-se um peso para todos e a não querer mais estar presente e a mãe prontamente no hospital para render o Luís, e é sempre o Luís, como representante legal da criança.
Em suma, a mãe não tem mãos a medir nem as respostas todas, e quem são os pais com as respostas todas, e na ausência de respostas mil e uma perguntas e a mãe do Tommy pode não saber mas quer saber e está a tentar cuidar e amar apesar dos anos perdidos e por causa dos anos perdidos.
A advogada oficiosa agradeceu para dar lugar à assistente social na caixa de correio electrónico, mas como o Luís já tinha dito de sua justiça à advogada “por favor entre em contacto com a mesma” e por escrito podemos ser quem quisermos e dizer tudo quanto queremos (até começar a liberdade do outro).
Uma semana depois a advogada oficiosa foi lá à escola: estava só de passagem e queria dizer olá e obrigada em nome do Tommy à guarda da mãe por decisão do tribunal.
Por decisão do tribunal e graças ao testemunho do Luís e não é apenas uma questão de bom senso, faz sentido e é justo.
E se como professores olvidamos tantas vezes o nosso papel diante do frenesim dos dias e dos petizes ao nosso cuidado, a verdade é só uma: estamos a mudar a vida das crianças, um aluno de cada vez.
Naquele dia o Luís mudou a vida do Tommy e o Tommy nunca se esqueceu. Apesar de não dizê-lo. Não é preciso, está aqui escrito.

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Como pretende o governo valorizar os Professores?

Valorizar os professores

l Até ao final da legislatura, rever o Estatuto da Carreira Docente, tornando a carreira mais atrativa, transparente e equitativa, acabando com as quotas no acesso aos 5.º e 7.º escalões, e atualizando em alta os primeiros escalões remuneratórios;

l Desburocratizar o trabalho dos professores, dando-lhes autonomia, autoridade e melhores condições para ensinar e apoiar os alunos;

l Adequar a formação contínua às necessidades de professores e escolas, valorizando a autonomia das escolas na elaboração dos seus planos de formação;

l Rever as habilitações para a docência e o modelo de profissionalização em serviço, ajustando os perfis às necessidades do sistema;

l Identificar as necessidades de professores para a próxima década, estabelecendo contratos-programa com as Instituições de Ensino Superior (IES) de forma a responder às necessidades identificadas por grupo disciplinar e região;

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Programa do XXV Governo Constitucional

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Consulta Nacional sobre a carreira docente e as condições de trabalho no ano letivo 2024-2025

 

Aberta a Consulta Nacional sobre a carreira docente e as condições de trabalho no ano letivo 2024-2025

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A culpa é dos educadores? José Afonso Baptista

A culpa é dos educadores?

Dizemos às crianças para serem boas pessoas. Ensinamos valores, apelamos à honestidade, pregamos a paz, a justiça e a fraternidade. Esta mensagem percorre a escola, a casa e a igreja. Repetimos os mesmos mandamentos: não roubarás, não matarás, respeitarás o outro.

Mas o que vemos no mundo real? Vemos o contrário: guerra em direto, ódio espalhado Urbi et Orbi, corrupção legalizada, desigualdade gritante. Se educamos para o bem, por que triunfa tantas vezes o mal?

O contraste é tal que a pergunta se impõe: será a educação uma fraude? A culpa é dos educadores? São incompetentes os que ensinam?

Educamos para a virtude mas o vício alastra. Ensinamos a paz mas continuamos a enterrar mortos. Falamos de democracia mas impõem-se ditaduras. Acreditamos na igualdade mas florescem racismo, sexismo e exploração. Onde está a falha?

O nosso discurso na escola é como a “Carta dos Direitos Humanos”: nobre, necessário, mas tantas vezes traído.

Talvez o problema esteja menos na escola e mais na própria condição humana. Educar não é programar. O ser humano não é uma tábua rasa nem uma máquina. Somos seres contraditórios, livres, instáveis. Dentro de nós coexistem o bem e o mal, a compaixão e a crueldade, o desejo de justiça e a tentação do poder. A história da humanidade não é uma linha reta de progresso, mas uma luta constante entre elevação e queda.

Os grandes educadores sempre souberam disso. Só os ingénuos acreditam que basta ensinar a virtude para que ela floresça. Hannah Arendt mostrou como os maiores crimes podem ser cometidos por homens “normais” que apenas obedecem a ordens. Camus evocava a peste para testar a fibra dos que nela vivem. Paulo Freire insistia que ninguém educa ninguém sozinho; os homens educam-se uns aos outros, em comunhão, num processo inacabado.

A escola tenta. As famílias educam, tantas vezes com palavras do bem e exemplos do mal. As igrejas pregam a fraternidade, mas o que vemos é culpa e exclusão. Os meios de comunicação educam, mas cultivam o consumo, o medo e o sensacionalismo. E os líderes políticos? Também educam pelo que dizem e pelo que fazem. E o que mostram muitas vezes? Que vencem os espertos, os violentos, os oportunistas.

É nesse caos que se reconhece o valor da verdadeira educação. Educar é propor direção num mundo sem bússola. É resistir ao mal quando parece mais fácil. É despertar no outro a possibilidade de escolher, mesmo sabendo que pode errar. É um trabalho lento, frágil, sujeito ao fracasso, mas essencial.

Não é justo culpar os educadores. A escola não pode substituir a sociedade inteira. Mas também não deve isentar-se. É preciso exigir mais: mais coragem para enfrentar conflitos reais, mais espaço para a formação ética, mais diálogo entre saberes e gerações. A escola não deve ser refúgio do mundo, mas ensaio para o enfrentar.

No fundo, educar é uma batalha contra a nossa própria sombra. É lutar contra o egoísmo com a força da empatia. É resistir ao ódio porque sabemos amar. É ultrapassar o imediatismo porque temos memória, razão e imaginação.

A perfeição não é deste mundo. Mas a educação existe porque acreditamos que podemos aproximar-nos dela. Cada gesto de justiça, cada palavra de bondade, cada ato de escuta é um passo nesse caminho. Mesmo quando caímos, levantamo-nos e é isso que ensinamos.

O ser humano falha. Mas também resiste, perdoa, aprende. E é essa frágil, imperfeita, mas teimosa capacidade de crescer que dá sentido à educação.

Não somos deuses, nem anjos, nem demónios. Somos humanos. E é por isso que educar continua a ser possível e indispensável.

José Afonso Baptista

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Reserva de Recrutamento 36 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 23 – 2024/2025

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de colocação, não colocação, retirados e Listas de colocação administrativa da 36.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025 e as Listas definitivas de colocação, não colocação e colocações administrativas da 23.ª Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 2024/2025.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de sexta-feira dia 13, até às 23:59 horas de segunda-feira dia 16 de junho de 2025 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota Informativa – Reserva de Recrutamento 36 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 23 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento 36 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 23 – 2024/2025

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Concurso Nacional 2025/2026

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de admissão/ordenação, de exclusão, de colocação, de não colocação e de desistências, do Concurso Nacional 2025/2026.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de sexta-feira dia 13 de junho, até às 23:59 horas de sexta-feira dia 20 de junho de 2025 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

Nota Informativa n.º 14 – Nota Informativa da Publicitação das listas definitivas  2025/2026

Listas Definitivas do Concurso Externo 2025/2026

Listas Definitivas do Concurso Interno 2025/2026

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Lista ordenada provisória de candidatos admitidos e excluídos ao Concurso de Contratação Inicial -RÃ Madeira

 

 
 

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𝐈𝐧𝐬𝐜𝐫𝐢𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 – 𝐌𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚 𝟐𝟎𝟐𝟓/𝟐𝟎𝟐𝟔 – RAM

𝐈𝐧𝐬𝐜𝐫𝐢𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 – 𝐌𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚 𝟐𝟎𝟐𝟓/𝟐𝟎𝟐𝟔
– Docentes de quadro de escola aos quais não seja possível atribuir pelo menos 6 horas de componente letiva ou que tenham perdido a sua componente letiva por motivo de extinção, fusão, suspensão ou reestruturação;
– Docentes de carreira de escola do Continente e das escolas das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores que pretendam exercer transitoriamente funções docentes noutra escola da R. A. Madeira.
A candidatura à mobilidade interna é precedida de 𝐢𝐧𝐬𝐜𝐫𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐨𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐚 a decorrer entre 11 e 13 de junho de 2025.
(Candidaturas Mobilidade Interna: 23 a 25 junho 2025)
Mais informações e legislação de suporte

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Proibição de utilização de redes sociais para menores de 15 anos?

Será um ato de extremismo ou um exemplo a seguir?

 

O governo francês anunciou esta terça-feira várias medidas contra a violência nos adolescentes, incluindo a proibição de redes sociais para menores de 15 anos, na sequência da morte de uma vigilante escolar durante um controlo de mochilas.

França prepara proibição de utilização de redes sociais para menores de 15 anos

Estas medidas surgem após a morte de uma vigilante escolar esfaqueada por um aluno de 14 anos durante uma revista de mochilas.

 

O governo britânico quer impor medidas mais “apertadas” para limitar o tempo que as crianças podem passar nas redes sociais. As propostas incluem um limite de duas horas diárias e um “recolher obrigatório” a partir das 22h00.

Reino Unido quer impor “recolher obrigatório” e limite de duas horas diárias para crianças nas redes sociais

Peter Kyle, ministro da Ciência e Tecnologia do Reino Unido, afirma que está a ser analisada a “natureza viciante de algumas apps e smartphones”. O ministro afirma que não tem sido possível falar publicamente sobre os planos para reforçar as leis de segurança online, porque a legislação aprovada pelo anterior governo em 2023 ainda não tinha sido implementada.

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As Escolas portuguesas não estão imunes.

Não é uma questão de poder vir a acontecer, é quando vai acontecer.

 


Nas últimas décadas, escolas e universidades deixaram de ser apenas lugares de ensino para se tornarem, demasiadas vezes, cenários de tragédias. Ataques com armas de fogo e armas brancas têm ocorrido com crescente frequência em todo o mundo, deixando comunidades devastadas e traumas difíceis de ultrapassar

Um problema sem fronteiras: da América à Europa, ninguém está ‘imune’ à violência nas escolas

Os Estados Unidos, o Brasil e outros países enfrentam uma escalada preocupante destes incidentes, levantando questões sobre segurança, acesso a armas e influência de discursos radicais online.

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O VOLUNTARIADO DOCENTE NÃO PODE SER REGRA IMPOSTA – Carla Feteira

O VOLUNTARIADO DOCENTE NÃO PODE SER REGRA IMPOSTA

Nas escolas, é frequente vermos professores a participarem em festas, saraus, desfiles ou outras atividades fora do seu horário de trabalho. Muitos fazem-no de forma voluntária, movidos pelo entusiasmo, pelo gosto em dinamizar projetos ou pelo compromisso com os alunos e a comunidade escolar. No entanto, essa dedicação, por mais nobre que seja, não pode transformar-se numa obrigação implícita nem servir de medida para julgar os colegas que optam por não seguir o mesmo caminho.

É fundamental compreender que nenhum professor é legal ou contratualmente obrigado a prestar serviço fora do seu horário letivo sem compensação. Quando o faz, fá-lo por escolha própria. Exigir o mesmo de todos, direta ou indiretamente, é desrespeitar o direito de cada profissional gerir os seus limites, a sua disponibilidade e o seu equilíbrio pessoal.

A cultura escolar deve promover a colaboração e o reconhecimento mútuo, não a pressão silenciosa ou a comparação moral entre quem diz “sim” e quem opta por dizer “não”. Valorizar o trabalho voluntário não pode implicar desvalorizar a decisão legítima de não o fazer. Cada professor tem as suas razões — familiares, de saúde, pessoais ou até de princípio — para traçar os seus limites.

O verdadeiro profissionalismo está em cumprir com responsabilidade aquilo que é contratual e ético. Tudo o que é dado além disso deve ser visto como um contributo generoso, nunca como uma exigência. A liberdade de escolha deve ser respeitada como parte essencial da dignidade profissional.

Tenho dito!

Carla Feteira

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É a humilhação, estúpido! – Paulo Prudêncio

 

– Irrita-me que os melhores lugares nas filas da frente estejam quase sempre vazios, porque estão reservados para vips que não pagam nem aparecem – dizia-me um amigo preocupado com o crepúsculo da democracia na sociedade dos zangados. Se bem me recordo, houve, pela década de 1990, um movimento para civilizar as bilheteiras. Mas perdeu-se essa decência, como se perdeu o espírito do “dia inicial inteiro e limpo”. Os tempos são de tratamento vip para vips, usufruído na primeira oportunidade até pelos demagogos mais críticos e vocais.

É a humilhação, estúpido!

De facto, os inúmeros avisos da decadência foram sugados pelo triângulo das vaidades, dos interesses instalados e dos chico-espertismos; e o mal está feito. Resta buscar o tempo perdido, na linha da magistral descrição de Marcel Proust sobre o declínio da sociedade francesa do final do século XIX e início do século XX. Com efeito, as elites exibiam-se, com aquela superioridade de quem habita a vida dos príncipes e dos seus salões e num ir e voltar entre os lados de Méséglise (da mundana burguesia) e de Guermantes (da decrépita aristocracia), convencidas da sua invisibilidade e de uma exclusiva imunidade às tragédias (vã, como se devia saber).

Agora, não adianta discutir se os eleitores têm razão. Até porque a história tem exemplos para todas as correntes, incluindo protestos que correram mal: desde eleitores que votaram em quem historicamente mais contribuiu para atrasos e pobreza, até aos que, fatigados com a imperfeição da democracia, pareceram possuídos pela síndrome de Estocolmo ou por uma obsessão pelo abismo. Atente-se é nas suas razões. Assuma-se que a memória cedeu demasiado terreno à desinformação (foi fatal a subvalorização do ensino das humanidades e das artes nos currículos escolares), e aja-se.

Acima de tudo, os extremismos alimentaram-se em classes médias espremidas e esquecidas – e com ricos cada vez mais ricos – e na crise da representatividade. Aliás, foi no século XIX e com receio da democracia directa exercida pelas massas, que se criou a representatividade e um sistema de classe – a dos políticos profissionais – que não é realmente democrático nem representativo. É uma oligarquia de especialistas no poder. É, em regra, desconsiderada como elite, mesmo que se exiba à sombra de sábios. Efectivamente, aumentou-se o desconhecimento entre representantes e representados e gerou-se oposições extremadas guiadas pelo ressentimento.

Por outro lado, o desencanto dos eleitores estrutura-se no humilhante aumento brutal das desigualdades educativas. E por mais que se ignore a educação nas campanhas eleitorais, o vexame emerge em três níveis:

1. Ressentimento causado pela “impossibilidade” meritocrática de promoção material e social sem uma certificação do ensino superior;

2. Jovens – certificados com curso superior e que ainda não emigraram – desanimados com as saídas profissionais não adequadas às expectativas, com baixos salários e sem acesso a habitação;

3. Jovens eleitores que cresceram sem informação histórica e humanista que filtrasse os algoritmos do ódio, da misoginia, da violência e das notícias falsas, e com encarregados de educação igualmente fascinados com o smartphone e incapazes de impor regras (o que o mercado gulosamente agradece).

A função nuclear da educação fagilizou-se, em simultaneo com a diminuição do papel emancipador da escola. Por este caminho, só os ricos a terão com qualidade. É que para além dos cortes curriculares, os professores foram alvo de uma humilhação social e profissional – com a cumplicidade da bolha político-mediática – patente na sua gravíssima falta estrutural. Durante duas décadas apontaram as causas burocráticas de tanta desconfiança e desautorização. Acima de tudo, foram vítimas da avaliação Kafkiana e de uma gestão autocrática das escolas que aboliu o voto directo e criou um universo de parcialidades familiar da crise de representatividade. E se a imagem do poder local melhorou, desde 2005, por via da limitação inequívoca de mandatos que aproximou eleitos de eleitores, as escolas continuaram expostas a caudilhos e dinossauros.

Se não se trava este capítulo da história universal da humilhação, não adianta proclamar que a esperança vergará ventos ou marés. Esta tempestade perfeita ensombra o futuro e, de facto, é um conjunto vazio anunciar que o mundo mudou. Na verdade, um apagão da democracia não será inédito e é espantoso que se relativize ou se ignore. Mas o mais inaceitável, é saber-se que os que o sabem não mudam sequer o que ainda está nas suas mãos, porque adoecerem de ganância e de falta de empatia.

https://correntes.blogs.sapo.pt/e-a-humilhacao-estupido-4586165

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Notificação da decisão da reclamação da Candidatura Eletrónica ao Concurso Interno e Concurso Externo 2025/2026

Encontra-se disponível para consulta a notificação da reclamação da Candidatura Eletrónica ao Concurso Interno e Concurso Externo 2025/2026. .

SIGRHE

Nota informativa – Notificação da decisão da reclamação – NI n.º 13/2025

 

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Pais de crianças com deficiência insatisfeitos com resposta escolar

O DL 54/2018 foi-nos vendido como a solução para todos os males. Como a verdadeira inclusão de todos os alunos na escola pública. Longe disso…

A falta de professores, o rácio de Assistentes Operacionais e a sua formação para lidarem com crianças e jovens com deficiência, a falta de condições nas escolas, a dispersão destas crianças e jovens por várias escolas do pré-escolar e 1.º ciclo sem condições físicas e recursos humanos para as acolher, são só alguns dos problemas com que se deparam todos os dias. Uma criança que não fala, não interage, necessita de ajuda para as suas necessidades mais básicas, higiene, comer, movimentar-se… que necessita de fisioterapia, terapia da fala, de uma assistente operacional em permanência… e a lista continuaria…

 

A falta de aplicação de medidas está a gerar um forte descontentamento entre pais com crianças e jovens com necessidades educativas específicas: 73% consideram que a inclusão nas escolas não melhorou desde a implementação do decreto-lei que regula a educação inclusiva.

É uma das conclusões de um inquérito a que o JN teve acesso sobre a aplicação do decreto-lei 54/2018, realizado pelo Movimento por uma Inclusão Efetiva (MIE), de pais de crianças e jovens com deficiência, neurodivergência e surdez.

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Sobre a organização do próximo ano letivo e o calendário escolar: estabilidade ou estagnação? – José Manuel Alho

Porque é que andamos a fingir que a escola acaba em junho…

quando já acabou em maio?

Sobre a organização do próximo ano letivo e o calendário escolar: estabilidade ou estagnação?

 

O fim da linha… em junho?

Em julho de 2024, através do Despacho n.º 8368/2024, o Governo decidiu fixar, de uma assentada, o calendário escolar para quatro anos letivos, até 2027/2028. À época, justificou-se a decisão com a necessidade de “estabilidade”, depois de alcançado um entendimento com as estruturas sindicais dos professores para a devolução faseada do tempo de serviço. A tutela optou também por não alterar o despacho de organização do ano letivo, reafirmando essa intenção numa comunicação pública em junho de 2024 (SIC Notícias e SPGL). Agora, em 2025, com a tomada de posse de um novo governo — que é, na prática, uma continuidade — reina o silêncio. Nada foi ainda dito sobre eventuais alterações. Será este mutismo sinal de serenidade ou prenúncio de mais um ciclo de indiferença política?

Calendário fechado até 2028: visão ou cegueira política?
Num país onde tudo muda ao sabor do vento — ou das eleições — decidir, em 2024, o calendário escolar até 2028 parece um exercício de fé cega na estabilidade. Estabilidade? Ou rigidez? Ademais, congelar decisões a quatro anos de distância num sistema tão mutável é negar espaço à avaliação, ao bom senso e à realidade de quem vive a escola todos os dias. As escolas são organismos vivos, não fábricas de peças repetidas.

1.º Ciclo: mais horas, mais calor, mais cansaço
Terminar o ano letivo a 30 de junho, com 25 horas semanais de aulas, é uma tortura disfarçada de normalidade. As crianças do 1.º Ciclo chegam a essa data em frangalhos. Exaustas. Entediadas. Na esmagadora maioria das escolas, não há ar condicionado, sombra suficiente ou espaços de qualidade. Há, sim, salas abafadas, calor, desmotivação e um prolongamento de dias sem sentido pedagógico.

Crianças cansadas não aprendem. Professores esgotados mantêm-se de pé. À custa de quê?
Junho transforma-se num mês de sobrevivência. De faz-de-conta. O cansaço compromete as aprendizagens, a motivação desvanece-se, e a indisciplina aumenta. A Escola, em vez de formar, entretém. Se puder. O desgaste, esse, atinge os professores de forma brutal. Recorde-se: estamos perante uma classe de desgaste rápido — físico, emocional e mental. E o silêncio da tutela sobre isto continua a ser ensurdecedor.

Escola pública: instituição de ensino ou parque de estacionamento infantil?
Assistimos, desde o início deste século, a um desvio da função educativa da Escola. Os calendários e as cargas horárias parecem responder mais a lógicas assistencialistas do que pedagógicas. Em vez de qualificar a Escola Pública, adaptá-la verdadeiramente ao século XXI, dar-lhe meios e flexibilidade, opta-se por torná-la um repositório de crianças para que os pais possam trabalhar descansados. À custa de quê? Da saúde e bem-estar dos miúdos e dos profissionais da educação.

É tempo de inverter a lógica
Para o ano letivo 2025/2026, urgiria ter o bom senso de repensar. Reduzir a carga letiva no 1.º Ciclo para 22 horas semanais. Terminar o ano letivo a 15 de junho. Garantir, por meio de protocolos com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que junho seja um mês de atividades diferenciadas, integradoras, leves e estimulantes — e não prolongamento de um calendário exaustivo. E, acima de tudo, desburocratizar a vida docente. A Escola precisa de mais tempo para pensar, refletir, construir. E menos para preencher grelhas e relatórios inúteis.

A continuidade no governo não pode ser sinónimo de imobilismo
Se nada muda, o futuro repete os erros do passado. A estabilidade só é virtude quando não se confunde com estagnação. E é isso que, até agora, parece que se anuncia: um tranquilo e burocrático desinteresse pelo que verdadeiramente importa.

Porque quem vive a Escola merece mais. Muito mais.

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Diretores com limite de mandatos mudam de escola

Diretores com limite de mandatos mudam de escola

Diretores com limite de mandatos mudam de escola

As lideranças das escolas públicas estão em fase de grandes mudanças, com a saída este ano de mais de 200 diretores, por limite de mandatos, uma vez que muitos entraram em 2009, após a aprovação do novo modelo de gestão pelo Governo de José Sócrates. Isto significa que cerca de um quarto dos 811 agrupamentos escolares de Portugal continental já realizaram ou vão realizar processos eleitorais este ano.

 

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Professor de Leiria ganha Global Teacher Prize Portugal

Professor de Leiria que transforma salas de aula em laboratórios criativos vence Global Teacher Prize Portugal

Docente da Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, ficou conhecido por transformar salas de aula em laboratórios de criação, tendo criado oficinas de serigrafia e clubes de design.

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Reserva de Recrutamento 35 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 22 – 2024/2025

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de colocação, não colocação, retirados e Listas de colocação administrativa da 35.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025 e as Listas definitivas de colocação, não colocação e colocações administrativas da 22.ª Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 2024/2025.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 9, até às 23:59 horas de quarta-feira dia 11 de junho de 2025 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota Informativa – Reserva de Recrutamento 35 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 22 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento 35 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 22 – 2024/2025

 

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Os secretários de estado da educação são:

Ministério da Educação, Ciência e Inovação

  • Secretário de Estado Adjunto e da Educação
    Manuel Alexandre Mateus Homem Cristo
  • Secretária de Estado da Administração Escolar
    Maria Luísa Gaspar do Pranto Lopes de Oliveira
  • Secretária de Estado da Ciência e Inovação
    Helena Cristina de Matos Canhão
  • Secretária de Estado do Ensino Superior
    Cláudia Sofia Sarrico Ferreira da Silva

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Trabalho de casa de Fernando Alexandre: atrair novos professores para as escolas

 

Com a crise política, houve dossiers importantes na educação que ficaram em suspenso: a revisão do Estatuto da Carreira Docente e do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior.

Trabalho de casa de Fernando Alexandre: atrair novos professores para as escolas

 

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Agressões e ameaças entre estudantes em frente à escola de Machico

 

Dois jovens estudantes da Escola Básica e Secundária de Machico, um de 16 e outro de 14 anos, envolveram-se, esta tarde, numa violenta altercação à frente do estabelecimento de ensino, a poucos metros da entrada principal.

Agressões e ameaças entre estudantes em frente à escola de Machico

De acordo com testemunhas no local, a discussão terá rapidamente assumido contornos intensos após uma provocação. No vídeo a que o JM teve acesso, mas entendeu apenas publicar uma ínfima parte, é possível ver os dois jovens a trocar palavras antes de começarem aos socos, durante alguns segundos.

Enquanto a agressão decorria, outros estudantes observavam sem intervir. Apenas um deles se aproximou no final e conseguiu, aparentemente, pôr termo ao conflito.

Testemunhas afirmam que os jovens prometeram voltar a confrontar-se no dia de amanhã, com ameaças que prometem elevar os contornos de violência e que estão a ser levadas a sério pelas testemunhas que relataram os acontecimentos ao JM.

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Contratação de Docentes – RAM


A candidatura à contratação na Região Autónoma da Madeira decorre de 4 a 6 de junho.

Candidaturas em: https://agir.madeira.gov.pt/Account/Login

 

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Ministro da Educação mantém-se

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Concurso contratação inicial – Região Autónoma da Madeira

𝟰 𝗮 𝟲 𝗱𝗲 𝗷𝘂𝗻𝗵𝗼 | 𝗔𝗻𝗼 𝗘𝘀𝗰𝗼𝗹𝗮𝗿 𝟮𝟬𝟮𝟱/𝟮𝟬𝟮𝟲
Somos a informar que Concurso de Contratação Inicial para selecção e recrutamento do pessoal docente da educação, dos ensinos básico e secundário e do pessoal docente especializado em educação ensino especial da Região Autónoma da Madeira, para o ano escolar de 2025/2026, 𝗱𝗲𝗰𝗼𝗿𝗿𝗲 𝗱𝗲 𝟰 𝗮 𝟲 𝗱𝗲 𝗷𝘂𝗻𝗵𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟱
As Candidaturas procedem-se por via eletrónica através da Aplicação de Gestão Integrada de Recursos (AGIR), em:

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Concurso Interno e Concurso Externo de vinculação de docentes às EPERP – Candidatura

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 3 de junho e as 18:00 horas do dia 9 de junho de 2025 (hora de Portugal continental) para efetuar a candidatura ao Concurso Interno e Concurso Externo de vinculação de docentes às EPERP.

Nota informativa de Candidatura ao Concurso Interno e ao Concurso Externo de vinculação de docentes às EPERP 2025/2026

Manual de Instruções de Candidatura ao  Concurso Interno e Concurso Externo de vinculação de docentes às EPERP 2025 / 2026

 

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Os “expatriados” de que ninguém fala

 

 

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AS CRIANÇAS INVISÍVEIS (SÓ DIZEMOS ADEUS UMA VEZ…)

Lágrimas silenciosas e olhares vazios são estrelas que vão morrendo lentamente sem que ninguém consiga perceber como o mundo vai ficando mais triste e o céu mais só, numa sociedade estúpida com cada vez mais gente e menos pessoas.

Na condição de professor, eu aprendi que falhar, me esquecer de coisas e me enganar, são imensos defeitos que – ao contrário da implacável exigência de infalibilidade que a sociedade tem para comigo – revelam que sou apenas humano. Mas também sei que irei estar lá quando o vosso filho for negligenciado por vós, quando estiver envolto em solidão, precisar de ajuda, precisar de ser salvo das famílias desestruturadas, que infligem maus-tratos; quando a criança que têm à vossa responsabilidade precisar desesperadamente de atenção, de ser visto e ouvido, nós, professores, iremos fazer por estar lá para ele. Órfãs de pais vivos, abandonadas dentro de casa pelos próprios progenitores, com falta de atenção, de acompanhamento, de querer, de querer saber, de cumprimento das mais básicas obrigações parentais, tantas crianças negligenciadas e invisíveis no seio das suas famílias, a quem se dá um telemóvel e por aí fica o cumprimento das obrigações dos pais, quando lhes falta o mais importante – atenção e afeto.
Ciente de tudo isto, com todas as virtudes e defeitos que sabemos que temos, nos dias de hoje, ser professor em Portugal é cada vez mais um ato de coragem.
Na verdade, na minha formação, nunca ninguém me disse que ser professor era tudo isto e muito mais; nunca ninguém me avisou que só se diz adeus uma única vez, porque só nós é que sabemos como soa a voz das crianças invisíveis que desaguam nas nossas salas de aula…
De peito aberto, deixo o testemunho do peso desses fardos que todos nós carregamos.

Na minha sala de aula assomou um grito de socorro…

Tudo o que querias é que te vissem.
Dir-se-ia que nunca chegaste a ter os teus dez anos, nem nunca os irás ter; nem sei mesmo se alguma vez foste criança. Começaste a aceitar que a tristeza era normal.
Bateste à porta de um céu sem deus. Onde estava quando mais precisavas dele? O que de tão importante o ocupava para, também ele, não estar para ti?
Que mal fizeste para merecer tudo o que te estava a acontecer?
Terias de gritar mais alto e chorar mais ainda para que te conseguissem ouvir?
Deixaste o teu nome num pedaço de papel às portas do céu e regressaste para o teu inferno. «Lar» tornou-se num lugar profundo e escuro. Invariavelmente, todos nós, ao fim do dia, voltávamos para o nosso céu, enquanto tu não tinhas nenhum e regressavas para um lugar que nenhum de nós conhece nem consegue imaginar. Essa era a tua vida…

Apesar de tudo, ainda tiveste a generosidade de não desistires de mim viajando todos os dias mil quilómetros para aqui para seres vista.
Todos os dias fugiste mil quilómetros do abismo para te refugiares aqui, debaixo das minhas asas na esperança de que te pudesse proteger.
Vieste de tão longe só para estares sentada mesmo à minha frente e, nem eu, te consegui ver; nem mesmo, quando, no fim da aula, ficavas um pouco mais, na derradeira expectativa de que eu conseguisse perceber a tua dor.

Só hoje consigo escutar a angústia do teu pensamento clamando “Quantas vezes terei de aqui voltar até que me consigas ver? Tenho estado, desde sempre, neste banco sentada à tua espera e não me vês? Quem me poderá salvar agora? Já aqui morri mil vezes e não me viste, mas voltarei sempre na esperança de que olhes e me vejas, nem que tenha de deixar crescer os meus cabelos até ganharem raízes neste chão para não ter de voltar para aquele sepulcro de dor.
As pessoas tornaram-se impessoas e olham-me indiferentes com o mesmo olhar de ignorância dos santos de pau e porcelana que dormem nos altares. Elas nunca saberão o que é estar morto em vida ou tão só no meio da inércia de uma multidão onde todos viram a cara e fingem não ver. Nunca o saberão, porque no reino dos homens as pessoas estão tão ocupadas a olhar-se ao ecrã que, simplesmente, deixaram de ver e de sentir. Esta é a minha vida da qual não consigo sair. Olhem para mim e vejam o enorme vazio que me encheu.
Já não consigo respirar, nem dormir, nem gritar. O grito afogado na garganta e as lágrimas esfarrapadas que saem dos meus olhos secos é tudo o que me resta das noites de solidão no meu quarto. Sempre que me vou embora espero que alguém chame o meu nome para eu me voltar e poderem ver toda esta tristeza que tomou conta de mim. Apenas queria ter o direito de chorar como uma criança, ser lírio do campo, porque não sou mulher, não sou adulto, não sou uma coisa, não sou um peso para ninguém, não sou um defeito, nem culpada por ter nascido; quero chorar a minha verdade pelo amor que não me deram, a dor que me infligiram, o passado que me marcaram e o futuro que me roubaram.
Quando eu me esfumar no ar, me misturar como rios no mar e a terra me receber de braços abertos, ninguém dará por isso. Fecho os olhos, abandono-me, voo para longe de mim e deixo de sentir tudo com esperança de me esquecer, de deixar de me sentir, deixar de existir… deixar-me ir para onde mais ninguém me conseguirá magoar.
Será que só me irão ver e escutar quando os anjos cantarem para mim às portas desse céu distante?
Como deixei de saber sonhar, onde moravam os meus sonhos, abundam agora ervas daninhas. Quem me dera ter um par de asas e poder voar para lá daquela colina onde há um mundo que nunca conheci. Será que haverá para mim um tempo e um lugar com campos forrados de açucenas e primaveras com cheiro a terra molhada pelas primeiras chuvas e céus pintados com arco-íris habitados por sonhos e estrelas espalhadas até ao infinito?
Caminho descalça sobre o fio da navalha sentindo as dores na minha alma que são mais profundas do que a das nódoas que me cobrem o corpo escondidas numa vergonha da qual não sou culpada. Afinal, eu só queria que, um dia, pudesse saber o que é isso de «ser criança»…”

Tentaste gritar tudo isso, mas não foste capaz.
Tanto choro esteve escondido atrás desse olhar e nem uma só gota o conseguiu abandonar, porque já não tinhas mais para dar.
Não querias falar disso, só desejavas que te abraçasse com força e compreendesse a dor que todas essas lágrimas guardadas podiam contar. Querias crescer depressa para poderes fugir dos adultos, tanto como cresceres devagar para nunca vires a ser essa gente crescida.

Tenho de confessar que andei tão absorto no trabalho, repleto de tantas inutilidades que me mantiveram distraído, que não enxerguei um palmo diante do meu nariz.
É bem verdade que, aos poucos, os nossos olhos vão sento tapados por um sistema desumano movido por outros interesses maiores do que tu. Trabalho mal feito em casa por parte dos pais – uns, negligentes, por défice de atenção para com os filhos, outros, pais-helicóptero com excesso de zelo que não deixam os filhos pensarem ou resolveram qualquer problema ou adversidade que surja – vão enchendo as turmas com um número crescente de alunos diferenciados, pouco autónomos e com crescentes necessidades de apoio que nos absorvem. Depois, há o monstro… todos conhecem-no pelos intermináveis Decretos-lei, Leis, Despachos e Circulares, infinitos nomes como PASEO, DAC, PAA, PEA, ACND, ModA, TEIP, CEI, MPSSAI , PAFC, RTP…, mas o seu verdadeiro nome é «Burocracia». Toda a espécie de documentos atirados para frente dos nossos olhos, na escola e em casa, até que, sem darmos por isso, nos cegaram. Absorvidos por todo este trabalho excessivo, pelos nossos problemas pessoais e diversos papéis que temos de representar na escola, de repente, em pleno alto-mar, dão-nos uma boia e dizem-nos que, para além de ensinar, cabe-nos a missão de salvar todos os que foram atirados borda-fora por esta sociedade selvagem que foi incompetente na tarefa de cuidar das nossas crianças. Na realidade, o fracasso pandémico desta multidão que vive para lá dos portões das escolas, atirou para os professores a responsabilidade de se tomar como garantido que não há nada que não pertença às obrigações da Educação.

Mas, de modo nenhum, isso me serve de consolo quando fico em silêncio a conversar com os meus pensamentos. Neles, esquecida por um mundo doente, escondeste-te num recanto da minha alma onde mais ninguém te conseguirá magoar. Nesse esconderijo nos meus sonhos, onde perpetuamente ainda esperas por mim, junto com tantas outras mágoas que foram sendo guardadas. O único lugar onde, hoje, inutilmente tenho de te dizer que quero que saibas que nunca estarás só; que sempre que quiseres esta será a tua casa. Só quero dizer que agora te estou a ver e sinto muito. Apenas queria ainda poder ir a tempo de te dizer que, se tens medo, eu estou a caminho; que irei manter os vampiros longe de ti e que ninguém mais te poderá voltar a fazer mal; que, enquanto estiveres aqui abrigada, ninguém te poderá magoar; que não faz mal aliviares em lágrimas a dor que te vai na alma; que não há nada de errado contigo, apenas com um mundo demasiado imperfeito para amar as suas crianças. Ninguém quis saber, ninguém fez por te merecer enquanto a sua indiferença ia assassinando a tua infância.
Só eu sei o quanto te queria ver montar o unicórnio cor-de-rosa a cavalgar o arco-íris até aos campos floridos de lírios. Pela infelicidade que irei carregar até ao fim dos meus dias, este é o único lugar onde te consegui salvar – na minha memória que guardo no meu peito, onde as tuas lágrimas se juntaram às minhas até à eternidade…

Esses olhos tão novos já viram tanto; esse corpo frágil já sofreu tudo da vida; esse coração puro já amargurou o castigo pelo pecado dos outros.
Nunca me irei esquecer da tristeza enterrada nos teus olhos, nem do tormento da tua dor, nem do ensurdecedor grito de silêncio da solidão onde estavas sepultada.
Vieram atrás de mim para casa onde me desfaço nesse oceano de culpa afogado nos remorsos daquilo que não fui capaz de fazer.
Nunca me tinham dito que, ao abraçar esta profissão, ela iria invadir a minha vida, nem da tolice ingénua de pensar que sabia muito quando, na verdade, da vida, não sabia quase nada.
Apesar de ninguém compreender, é por ti que todos os dias me levanto e vou para a escola, para ainda ir a tempo de conseguir ver a tuas lágrimas no olhar de tantas crianças em risco que ainda poderei ajudar a alimentar na sua sede de aprender, mas, sobretudo, de alguma forma, poder ajudar a serem felizes… para nunca dizerem adeus.

Carlos santos… como muitos outros professores que salvaram várias crianças, mas que carregam o peso de tantas outras que lhes foram invisíveis

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Eu quero ser estónio – José Afonso Baptista

 

Confesso: esta manhã acordei com um desejo inusitado. Não era café. Nem um aumento nas pensões. Era… ser estónio. Ideia maluca, ou sonho tonto, com a leitura do The Guardian de 26 de maio passado.
Sim, estónio. Esse pequeno país do Báltico que cabe inteiro no Alentejo mas aparece gigante nos relatórios internacionais de educação. No último PISA, a Estónia foi o país europeu mais bem classificado em literacia, matemática e ciências. Os alunos estónios não só lêem melhor como resolvem problemas com mais lógica, e fazem tudo isso com naturalidade digital, sem medo dos ecrãs nem dos algoritmos. E para cúmulo, gastam menos por aluno do que nós. Uma afronta!
O The Guardian contou que a Estónia recusou a moda de banir os telemóveis nas escolas. Em vez de panos quentes ou interditos cegos, apostou naquilo que por cá se considera perigoso: inteligência (natural e artificial). Desenvolveram uma estratégia nacional de digitalização, criaram plataformas públicas interoperáveis (como a eKool), formaram professores, envolveram os pais e colocaram a tecnologia ao serviço da pedagogia, e não o contrário. Os telemóveis não foram proibidos: foram integrados, com regras e propósitos.
Na prática, isso significa que há escolas onde a IA já ajuda a detetar dificuldades precocemente, recomenda percursos personalizados, e apoia a avaliação formativa. Professores recebem alertas, não só circulares. E os alunos aprendem desde cedo a programar, a pesquisar com sentido crítico e a compreender o impacto social da tecnologia. Uma literacia digital real.
E nós? Bem, por cá estamos em modo fado: ora se proíbe tudo, ora se impõe tudo. A ideia de dar autonomia às escolas parece radical. Debater com pais e professores? Uma ameaça. Confiar nos profissionais? Um risco. Adotar uma abordagem experimental por territórios? Utopia. A solução mais confortável é nacionalizar o medo e regulamentar o pânico. E depois queixamo-nos que os alunos estão distraídos com os telemóveis, como se o problema estivesse nos aparelhos e não na pedagogia.
Por isso, digo-vos com convicção: quero ser estónio. Quero viver num país onde a escola é levada a sério, não como tema de campanha mas como política de Estado. Onde a tecnologia é uma aliada da equidade e não uma desculpa para a desigualdade. Onde os professores são formados e ouvidos, e não apenas “implementadores” de decisões superiores. Onde os alunos não são “vítimas do digital”, mas cidadãos do século XXI.
Descansem, não vou emigrar, mas, teimoso como sou, deixo, com algum realismo, uma sugestão final: não proíbam nem imponham. Deixem que as escolas, com os seus professores e pais, assumam as suas responsabilidades. Experimentem durante três anos, com liberdade e acompanhamento sério. Depois, ausculte-se o universo das escolas e veja-se onde é que os resultados foram melhores. Talvez se descubra que temos estónios entre nós, à espera apenas de confiança e meios para mostrar o que valem.
José Afonso Baptista | Ciências da Educação |

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A escola ou a fábrica do caos?

Quando abrimos os jornais ou espreitamos as redes sociais, somos confrontados com a enxurrada de vídeos de miúdos – chamemos-lhes assim, na falta de melhor palavra – a esmurrar colegas, a insultar professores, a transformar os corredores das escolas em ringues com inspiração “gameistica”. E a resposta é sempre a mesma? Uma salada de lugares-comuns: “São casos pontuais”, “Faltam recursos”, “Precisamos de mais psicólogos nas escolas”.

Vamos ser honestos. Não é um caso pontual quando, de norte a sul, se acumulam relatos de violência física e psicológica, com professores a meter baixas médicas por exaustão e alunos a saírem da escola como se tivessem sobrevivido a uma travessia de Gaza. Não é falta de recursos quando as escolas estão armadilhadas de projetos “inovadores” que têm tanto de modernidade como de vazio prático. Não é só de psicólogos que precisamos; é de um pacto social para resgatar o que a escola deveria ser.

E não venham com a conversa  que “os jovens estão revoltados porque têm vidas difíceis”. O mundo sempre foi difícil e não há vidas fáceis. A diferença é que antigamente havia a noção, ainda que incipiente, de que o respeito pelos outros – colegas, professores e funcionários – era um pré-requisito para qualquer aprendizagem e relação. Agora, a pedagogia do “coitadinho” venceu. O miúdo insulta o professor? Pobre menino, deve estar frustrado com a vida ou tem um qualquer problema que justifique o ato. O aluno parte o nariz a um colega? Uma vítima da sociedade que não sabe gerir as emoções ou sofre de espasmos musculares. O próximo passo? Professores a darem aulas envergando coletes à prova de bala e capacetes? Funcionários fardados com fatos anti bomba?

Vamos ser claros: não estamos a falar de crianças esfomeadas que recorrem à violência como instinto de sobrevivência. Estamos a falar, na esmagadora maioria dos casos, de jovens que vivem imersos em confortos materiais, com smartphones de última geração, zero responsabilidades em casa e um discurso parental de permissividade total: “O meu filho nunca mente”, “Ele é tão sensível”, “A culpa é do sistema”. Mas a frase que mais se ouve é: “Já não sei o que lhe hei de fazer”. E para continuar, a minha preferida no momento: “ele só roubou 5€… não era preciso suspende-lo…”.

A escola é apenas o palco onde se representa a tragicomédia da nossa abdicação como sociedade. Pais que tratam os professores e funcionários como empregados subalternos, direções escolares paralisadas pela burocracia, tutelas políticas que confundem inclusão com indulgência. E no meio disto tudo, os professores – os últimos resistentes – são despojados de autoridade, transformados em animadores culturais de alunos.

É preciso dizê-lo sem rodeios: a violência nas escolas não é apenas um problema da escola. É um problema da sociedade. Uma sociedade que, a cada eleição, discute superficialidades enquanto as escolas se transformam em zonas de guerra. Uma sociedade que tem pavor de impor limites porque tem medo de ser impopular. Uma sociedade que idolatra o discurso da “liberdade” sem perceber que liberdade sem responsabilidade é apenas um convite ao caos. Para ser livre tem que se saber ser, e aprender que a liberdade, também, tem limites.

Enquanto continuarmos a relativizar agressões, a desculpabilizar miúdos violentos e a engavetar relatórios, estamos a cavar a sepultura do conceito de escola como espaço de formação de crianças e jovens. E não, não são só “casos pontuais”. É uma epidemia lenta, tão perigosa quanto invisível.

Porque, convenhamos, uma escola que tem medo dos seus próprios alunos não é uma escola. É apenas um espaço onde o futuro do país se esvai em cada punho cerrado e em cada adulto que vira a cara para o lado.

Se ainda restassem dúvidas sobre a gravidade da situação nas escolas portuguesas, os dados mais recentes dissipam qualquer ilusão. No ano letivo de 2023/2024, a PSP registou 3.441 crimes em contexto escolar, um aumento de 10,6% face ao ano anterior. As ofensas corporais subiram 8,8%, totalizando 1.346 casos, enquanto as injúrias e ameaças aumentaram 14,7%, atingindo 946 ocorrências .

Em paralelo, a GNR registou 103 crimes de bullying, dos quais 12 de cyberbullying, no mesmo período . Estes números são apenas a ponta do icebergue, considerando que a maioria dos casos permanece oculta, vítimas do silêncio e do medo.

O impacto desta violência vai além das estatísticas. As vítimas enfrentam traumas que podem perdurar por toda a vida, incluindo ansiedade, depressão e, em casos extremos, automutilação ou suicídio . A escola, que deveria ser um espaço seguro e de crescimento, transforma-se num ambiente hostil, onde o medo e a insegurança imperam impostos por uma minoria.

Perante este cenário, é imperativo questionar: que medidas concretas estão a ser tomadas para inverter esta tendência? Não basta reconhecer o problema; é necessário agir com determinação e responsabilidade. A escola não pode continuar a ser o espelho da indiferença social, mas deve tornar-se o reflexo de um compromisso com a educação, o respeito e a dignidade humana.

Porque, no final, a violência nas escolas não é apenas um problema educativo; é um sintoma alarmante de uma sociedade que precisa urgentemente de se reencontrar com os seus valores fundamentais para que possa, verdadeiramente, prosperar.

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Receita para um algoritmo – o algoritmo da canja – José Afonso Baptista

 

Afonso. Avô, a minha Professora disse que um algoritmo é uma receita. É disparate?

Avô. O que é que tu achas?

Afonso. Não sei, Avô, mas ela já está velhota, já tem 32 anos… se calhar já não regula bem.

Avô. Se a tua Professora está velhota com 32 anos, o que é que tu achas do teu Avô, que podia ser também avô dela?

Afonso. Mas tu és meu avô, não és avô dela.

Avô. Voltemos ao algoritmo. O que é que tu achas que é?

Afonso. Não sei, Avô, mas não acho que seja a explicar como é que se faz uma canja de galinha!

Avô. Então explica-me lá como é que tu fazes uma canja de galinha. Pões a galinha viva numa panela a ferver?

Afonso. Oh Avô, já pareces a Professora, só fazes perguntas e não explicas.

Avô. Mas como é que fazes?

Afonso. Então, primeiro vou ao galinheiro e apanho uma galinha. Não, eu não sou capaz. Peço à minha Mãe para ser ela a escolher.

Avô. Porquê? Não sabes escolher?

Afonso. Não, Avô, faz-me pena.

Avô. Pronto, é a Mãe que escolhe. E depois, és tu que matas a galinha?

Afonso. Não, Avô, faz-me impressão, não sou capaz. Quem lhe corta o pescoço é a Mãe.

Avô. Então, já tens uma galinha morta, sem pescoço. O que é que vem a seguir? Metes na panela?

Afonso. Acho que a Mãe a mete primeiro numa panela a ferver para se depenar melhor. Depois, depena, corta-lhe o bico e as patas, tira-lhe as tripas, corta-a aos bocados e só depois é que a põe a cozer.

Avô. Então e coze na mesma água onde esteve com as penas e as patas?

Afonso. Não, Avô, a Mãe já tem um tacho grande a ferver com água limpa e mete lá a galinha. Mas mete outras coisas: cebola, alho, louro, sal, hortelã… e só no fim é que põe arroz. Outras vezes põe massa.

Avô. Ainda preciso de te explicar o que é um algoritmo?

Afonso. Ah… algoritmo é tudo o que se mete na panela!

Avô. Não, Afonso. O algoritmo é o caminho — são todos os passos que tens de dar, todas as operações para realizar uma obra. Pode ser uma canja, uma operação de cirurgia, descobrir a vacina certa contra a Covid ou mesmo construir a bomba atómica. Um algoritmo é um método, uma disciplina.

Afonso. Agora percebi, Avô. Amanhã já vou explicar tudo direitinho à Professora.

Avô. Ela vai agradecer e ficar contente — não por lhe ensinares, mas por teres aprendido com gosto.

 

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Idade legal da reforma vai chegar, no próximo ano, aos 66 anos e 9 meses.

Com o anúncio feito, esta sexta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou-se que vem aí uma subida no corte nas pensões antecipadas. Isto porquê? Porque o aumento da esperança média de vida fará, consequentemente, aumentar a idade legal da reforma.

“A esperança de vida aos 65 anos, no período 2022-2024, foi estimada em 20,02 anos para o total da população. Aos 65 anos, os homens podiam esperar viver 18,30 anos e as mulheres 21,35 anos, o que corresponde a um aumento de 0,30 anos para os homens e de 0,24 anos para as mulheres relativamente a 2021-2023”, lê-se no boletim do INE.

Destaque ainda para o facto de, no próximo ano, a idade legal da reforma alcançar o valor mais elevado de sempre: 66 anos e 9 meses.

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Candidaturas ilegais de 2300 professores mas apenas seis são punidos

Milhares de candidatos a Educação Especial não cumprem requisito legal.

Candidaturas ilegais de 2300 professores mas apenas seis são punidos

Há cerca de 2300 professores (1500 no concurso externo e 800 no concurso interno) que concorreram ao grupo de Educação Especial, mas não cumpriram o requisito legal de ter cinco anos de serviço quando realizaram a especialização que habilita profissionalmente para lecionar neste grupo de recrutamento.

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Reserva de Recrutamento (RR35/RRCEE22) – PEDIDOS DE HORÁRIOS APENAS DISPONÍVEIS PARA OS GR 100 E 110

 

 

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Reserva de Recrutamento 34 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 21 – 2024/2025

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de colocação, não colocação, retirados e Listas de colocação administrativa da 34.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025 e as Listas definitivas de colocação, não colocação e colocações administrativas da 21.ª Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 2024/2025.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 2, até às 23:59 horas de terça-feira dia 3 de junho de 2025 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota Informativa – Reserva de Recrutamento 34 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 21 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento 34 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 21 – 2024/2025

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Uma data de razões para se “revisitar” o Estatuto do Aluno…

Cerca de dois mil docentes de mais de 300 escolas do ensino básico e secundário de todo o país responderam este ano a um inquérito que revela, entre outros aspetos, as principais dificuldades que enfrentavam

Metade dos professores tem alunos que faltam frequentemente às aulas

Metade dos professores tem nas suas turmas alunos do ensino básico e secundário que faltam frequentemente às aulas e um em cada três docentes conhece casos de violência entre os estudantes, segundo dados preliminares de um estudo nacional divulgado esta sexta-feira.

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Aluno de 13 anos agredido com mata-leão volta a ser atacado por colega no espaço de duas semanas

Jovem que ficou inconsciente durante visita de estudo agredido agora com muleta dentro da escola em Salvaterra de Magos.

Aluno de 13 anos agredido com mata-leão volta a ser atacado por colega no espaço de duas semanas

 

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Nota Informativa N.º 11/2025 – CONCESSÃO DE EQUIPARAÇÃO A BOLSEIRO – Ano Escolar 2025/2026

A concessão da equiparação a bolseiro ao pessoal docente está prevista no art.º 110.º do Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Nota Informativa N.º 11/2025 – CONCESSÃO DE EQUIPARAÇÃO A BOLSEIRO – Ano Escolar 2025/2026

 

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Nota Informativa N.º 12/2025 – LICENÇA SABÁTICA – Ano Escolar 2025/2026

A concessão de licença sabática está prevista no n.º 1 do artigo 108.º do Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Nota Informativa N.º 12/2025 – LICENÇA SABÁTICA – Ano Escolar 2025/2026

 

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A quem interessa um estudo da Nova SBE com flagrantes erros?

Uma estimativa realista colocaria o custo total da reposição do tempo de serviço dos professores entre 2500 e 3300 milhões de euros – e não 11.540 – ao longo de três décadas – e não cinco.

A quem interessa um estudo da Nova SBE com flagrantes erros?

 

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