O VOLUNTARIADO DOCENTE NÃO PODE SER REGRA IMPOSTA
Nas escolas, é frequente vermos professores a participarem em festas, saraus, desfiles ou outras atividades fora do seu horário de trabalho. Muitos fazem-no de forma voluntária, movidos pelo entusiasmo, pelo gosto em dinamizar projetos ou pelo compromisso com os alunos e a comunidade escolar. No entanto, essa dedicação, por mais nobre que seja, não pode transformar-se numa obrigação implícita nem servir de medida para julgar os colegas que optam por não seguir o mesmo caminho.
É fundamental compreender que nenhum professor é legal ou contratualmente obrigado a prestar serviço fora do seu horário letivo sem compensação. Quando o faz, fá-lo por escolha própria. Exigir o mesmo de todos, direta ou indiretamente, é desrespeitar o direito de cada profissional gerir os seus limites, a sua disponibilidade e o seu equilíbrio pessoal.
A cultura escolar deve promover a colaboração e o reconhecimento mútuo, não a pressão silenciosa ou a comparação moral entre quem diz “sim” e quem opta por dizer “não”. Valorizar o trabalho voluntário não pode implicar desvalorizar a decisão legítima de não o fazer. Cada professor tem as suas razões — familiares, de saúde, pessoais ou até de princípio — para traçar os seus limites.
O verdadeiro profissionalismo está em cumprir com responsabilidade aquilo que é contratual e ético. Tudo o que é dado além disso deve ser visto como um contributo generoso, nunca como uma exigência. A liberdade de escolha deve ser respeitada como parte essencial da dignidade profissional.
Tenho dito!
Carla Feteira




9 comentários
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Apoiado. É um abuso o que se passa em muitos Agrupamentos!
Há demasiado carnaval nas escolas. Em escolas onde há 500 projetos mais 500 clubes e 500 atividades (a isso acresce a tal burocracia que deveria ter ido desaparecendo e foi aumentando) torna-se difícil respirar.
E eu a pensar que o “carnaval” era só na minha escola, afinal acontece na maior parte delas… é insuportável!
Os diretores e afins promovem isso em articulação com os presidentes de camara… enfim, estamos instrumentalizados pelos interesses políticos…
Concordo plenamente!
Os profissionais apresentam atividades para “inglês ver”, e de pouco ou nada servem…. Se não fosse para encher o chouriço (relatório ADD), nem 1 apresentariam. É tudo um show off autêntico: prioriza-se a palhaçada em prol das competências académicas…
Subscrevo as suas palavras.
Colega Carla, estou completamente de acordo. Cada vez há mais show off que só dá trabalho e não recompensa em nada!
Aí de quem disser não.
O que escreve no seu artigo,toda a gente sabe.
Ao longo do tempo, assumiu-se que Diretores de Turma do 9º ano e até do 12º eram “agentes de viagens” e “promotores de eventos”. Ao longo do tempo, colegas sem vida própria, assumem que todos têm de participar no Baile de Finalistas ou Viagem de Finalistas do 9º ano – finalistas do quê, questiono eu, se o ensino obrigatório termina no 12º ano?
Quantas festas e eventos são organizados com total desrespeito pela vida privada de docentes e não docentes, tudo em prol da feira das vaidades dos encarregados de educação, cada um a lutar pelo pódio da progenitura mais bonita ou mais bem vestida.
A organização de viagens de finalistas e de bailes de finalistas compete única e exclusivamente aos encarregados de educação e aos seus educandos e a quem mais dela quiser fazer parte. Quantos docentes são compelidos a irem de viagem de finalistas no Carnaval ou na Páscoa, quando muitos discentes não sabem ainda se transitam ou não de ano, tudo para alegrar encarregados de educação e direções de escola e coordenadores de ano? Quantos os docentes que se recusam e a quem lhes é torcido o nariz, apenas porque privilegiam a sua vida privada, às festas e festinhas dos respetivos agrupamentos.
Mas todos são culpados. Enquanto todos se deixarem agir pelo medo de represálias, ao invés de as combater, e todos se deixarem seguir pelo politicamente correto, todos são culpados.
Concordo.