Rui Cardoso

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Porque os jovens precisam de uma 2ª, 3ª, 4ª, 5ª oportunidade e por aí adiante

Foi com grande prazer que fiquei a saber recentemente do excelente trabalho levado a cabo pelos alunos e professores da Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos.
E desde logo as minhas desculpas pela ignorância desde que vos escreve. Por culpa minha, decerto, por não procurar saber. Mas também por culpa de um sistema político que, por razões difíceis de compreender, pouco faz para promover os seus melhores exemplos.
Porque a Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos é muito mais do que uma escola, é um projecto social, um movimento social de iniciativa social virado e focado nos jovens, nos seus jovens, os jovens de Matosinhos e arredores que só Matosinhos e arredores conhece e só quem vive em Matosinhos e arredores pode ajudar.
Porquê? Porque quem por aqui vive conhece não só estes jovens mas onde vivem, como vivem, com quem e porquê entre o passado e o presente mais as mil e uma razões do abandono escolar precoce.
Conhecer a realidade dos dias é o primeiro passo para a relação, e por relação entenda-se saber ouvir, atentamente e com atenção, dando a estes jovens a voz que nunca tiveram, a importância que nunca tiveram em casa, na escola ou na vida.
Por culpa do desemprego, da baixa escolaridade dos pais, e isto quando há pais, tantas vezes tão precários como o emprego ou então apenas uma espécie em vias de extinção enquanto se condenam gerações inteiras ao Deus-dará, a escassez de trabalho e rendimentos, a fome, o corpo e a mente debilitados, as doenças, o consumo de drogas e álcool entre o vício, o escape e a fonte de rendimento, os problemas com a polícia e a justiça mais o registo criminal sem fim.
Até agora nunca ninguém lhes disse que são capazes. Mas são. São capazes de tudo. Basta terem quem acredite neles e a Escola de Segunda Oportunidade acredita, os seus professores acreditam, a psicóloga acredita, o mediador juvenil acredita, a orientadora profissional acredita assim como todos os vinte profissionais que aqui vivem e trabalham acreditam.
E sublinhe-se vivem quando se vive na educação e para a educação e ensinar é fazer parte da vida do outro e transformar essa vida, é ter o privilégio de ver uma criança crescer e a coragem de deixar a criança partir: já não é uma criança, é um homem, é uma mulher, mesmo se o coração nos diz o contrário.
E como homens mulheres, os jovens outrora excluídos e renegados encontram nesta segunda oportunidade a oportunidade para se expressarem através da dança, do teatro, da música e das artes visuais enquanto aprendem a ser electricistas, costureiros, cozinheiros, carpinteiros.
Combinando a formação pessoal, cívica e vocacional, a Escola de Segunda Oportunidade oferece a jovens entre os 15 e os 25 anos não apenas a certificação escolar final de 6º e 9º ano, oferece uma vontade e uma razão, um sentido, um gosto e um percurso para os cerca de 70 alunos que aqui passam todos os anos à procura de aprender.
Fossem todas as escolas assim. Fosse a escola assim. Porque as crianças e jovens merecem, não, precisam de uma segunda oportunidade, e uma terceira oportunidade, e uma quarta oportunidade e todas as oportunidades que lhes pudermos dar. Porque são crianças e jovens. Estão a aprender. Cometem erros, cabendo aos adultos, aos pais, aos professores, a todos nós, perdoar e encaminhar uma e outra vez e sempre.
Neste âmbito, a duplicação no próximo ano lectivo do número de escolas que combatem o abandono escolar é muito mais do que uma boa notícia.
Mas se mais escolas de segunda oportunidade são bem-vindas, porquê a necessidade de uma segunda oportunidade e o que aconteceu à primeira oportunidade?
Valorizemos as escolas e os professores e talvez não precisemos de segundas oportunidades.
Fomentemos os apoios sociais e o emprego e talvez não tenhamos exclusão social.
Promova-se o acesso à saúde e a uma habitação condigna e talvez tenhamos o futuro garantido.
Garanta-se justiça e equidade e talvez tenhamos paz.

João Costa

https://www.segundaoportunidade.com

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Que plano de recuperação das aprendizagens? – Filipe do Paulo

O Plano de Recuperação das Aprendizagens recentemente apresentado pelo Governo enferma de uma perspetiva dirigista e centralista e parece não confiar nos professores, nas escolas e na sua desejável autonomia pedagógica e científica.

Que plano de recuperação das aprendizagens?

Pese embora o facto de a pandemia ter obrigado a dotar as escolas de mais funcionários e de mais alguns recursos digitais, o Plano 21/23 Escola +, Plano de Recuperação de Aprendizagens que o Governo recentemente apresentou para auscultação pública, não passa de mais um exercício algo idealista, demasiado genérico e impregnado de “eduquês”, porventura bem intencionado, mas que, de facto, está longe de assegurar uma melhoria substancial do processo de ensino-aprendizagem.

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A Professora do Ano é…

Maria Elsa Cerqueira, professora de Filosofia na Escola Secundária de Amarante, é vencedora deste ano do Global Teacher Prize Portugal, o “Nobel da Educação”. O prémio foi entregue esta tarde, numa cerimónia transmitida online. A professora de Amarante foi considerada a melhor de um rol de 10 finalistas, apurados de um total de 186 candidaturas.

A docente, que se move pelo desafio de criar e implementar “pequenas utopias”, com o intuito de potencializar o desenvolvimento de cidadãos críticos e criativos para uma sociedade mais humanizada, criou o projeto de Filosofia com Cinema.

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Ser professor: Cinco maneiras de atrair candidatos à profissão – Bárbara Wong

Ser professor: Cinco maneiras de atrair candidatos à profissão

Há mais de 20 anos, havia dois casos britânicos que acompanhava com interesse. Os rankings das escolas e a falta de professores. Sobre o primeiro, assinalámos 20 anos que começamos a publicá-los e já não são umas simples listas de escolas ordenadas, são um retrato possível, com todas as injustiças que possam ter. Quanto ao segundo, ouvia com frequência sindicatos e professores dizerem que ou se fazia alguma coisa ou o mesmo aconteceria por cá e faltariam professores no sistema. Mas não eram os únicos preocupados, desde pelo menos 2016, que o Conselho Nacional de Educação alerta para este problema.

À medida que os anos foram passando fomos assistindo ao envelhecimento da classe docente, mas também à perda de alunos interessados em prosseguir os seus estudos na área do ensino ou, pior ainda, aqueles que a seguem não são sequer os melhores — pelo menos não são os que chegam com as melhores notas de acesso ao ensino superior. Veja-se um exemplo muito concreto: há perto de 30 anos, a nota de entrada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, para Português-Inglês era a terceira mais alta do país. Hoje vão para as humanidades os alunos mais fracos do secundário e a nota do último classificado, o ano passado, em Estudos Portugueses na mesma instituição foi de 13,4 (numa escala de 0 a 20), muito longe das Medicinas, Engenharias Aeroespaciais, Arquitecturas e afins – aliás, se um filho nosso tiver grandes notas, a última coisa que queremos é que ele escolha humanidades.

Quem são os principais prejudicados por este sistema que, incompreensivelmente, quer poupar nos recursos, quando a escola e os seus professores podem ser os grandes contribuintes para o esbatimento de desigualdades sociais, para o tal elevador social, para a defesa da democracia? Os alunos.

Feito o retrato, em pinceladas grossas (grosseiras até, dir-me-ão alguns), vamos ao que nos trouxe aqui: como atrair os melhores para a docência?

Se um filho nos disser que quer ser professor, não fazer logo aquele ar do “ando eu a criar um filho para isto…”. Claro que devemos falar-lhes dos prós e contras da profissão, mas também incentivá-los a prosseguir os seus sonhos. Se fizerem o que gostarem vão fazê-lo sempre com um sorriso, mesmo que ganhem mal.

Se os nossos amigos nos disserem: “Já viste que o nosso filho quer ser professor…” falar-lhes da importância desta profissão, como podem, de facto, ajudar a mudar o mundo! É esse lado poderoso que os professores têm e que tem de ser mais sublinhado – o seu poder para contribuir para um mundo melhor!

2. Valorizarmos as ciências sociais e humanas

Em épocas como a que estamos a viver, com o avanço rápido das inovações cientificas e tecnológicas, percebemos cada vez mais como é importante reflectir sobre as questões e nada como as ciências sociais e humanas para nos darem essas ferramentas. Aprender a pensar, a questionar, a encontrar respostas – essa é uma capacidade fundamental que as crianças devem aprender com os pais, educadores de infância e professores.

CNE propôs um 10.º ano igual para todos, “mais livre e transversal”. Na formação inicial dos professores, a História e a Filosofia não devem ser esquecidas. Da mesma maneira que nos cursos de Jornalismo há cadeiras de estatística (que nos permitem ler o mundo através dos números e fazer manchetes bombásticas), também os futuros professores – sejam de Matemática, Biologia ou Educação Física – têm de conhecer a sociedade em que vivem, têm de saber pensar e ter mundo para lá da disciplina que leccionam.

3. O ensino superior ser exigente com quem quer a via ensino 

Os cursos superiores para o ensino não podem ter as médias mais baixas, não podem acolher alunos medíocres que vão fazer um curso só porque sim e que ali chegam já vencidos, já com os vícios e as palavras de ordem dos sindicatos.

Da mesma maneira que há faculdades que procuram atrair os melhores alunos – vejam-se os cursos de Economia e Gestão com todo aquele jargão do “somos vencedores, somos os melhores”, etc. –, também as faculdades de letras e de ciências, bem como as escolas superiores de educação têm de ter orgulho naquilo que fazem e incuti-lo nos seus alunos. Têm de conquistar os melhores. Têm de ser mais dinâmicas, mais activas, com os pés no mundo e não lamentarem-se porque qualquer dia têm de fechar as portas por falta de estudantes.

Preparar os futuros professores não é só ensinar didáctica e inovação, é transmitir-lhes confiança, é dar-lhes bons exemplos, é ensiná-los a ser para que – quando chegarem à sala de aula – reflictam o que aprenderam e sejam daqueles professores que os alunos não esquecem o seu nome até ao fim da vida, daqueles que os miúdos olham com reverência como uma referência, daqueles que, um dia, pensam “quando for grande quero ser como o meu professor de Matemática!”.

4. Ajudarmos a reabilitar o papel social do professor

Projectos como o do Global Teacher Prize, que premeiam os professores que se destacam; projectos educativos que levam a sociedade civil a entrar nas escolas e a contribuir para que os estudantes estejam mais predispostos a aprender; ou aquelas correntes que percorrem as redes sociais sobre “o professor que mudou a minha vida”, contribuem para que olhemos para a docência com o respeito que merece.

A comunicação social também tem o seu papel – somos muitas vezes acusados de mostrar o pior. É verdade, mas esse pior não pode ser escondido porque deve levar-nos a reflectir sobre o sistema e como este pode mudar. Contudo, também damos voz a tantos professores que escrevem colunas de opinião no PÚBLICO, também saímos em reportagem e informamos sobre bons exemplos, boas práticas, actividades que as escolas fazem que contribuem para a mudança e que podem ser exemplos inspiradores para outras comunidades educativas.

5. Exigirmos mais investimento e mudanças na carreira docente

É lamentável que a “bazuca” não seja usada para investir mais nos recursos humanos – o CNE defendeu o uso destas verbas para atrair professores –, mas em mais tecnologia e infra-estruturas para as escolas. As máquinas nada são sem a intervenção humana. Vimos isso recentemente, como o ensino à distância.

Se não houver mudanças na forma como os candidatos a professores acedem à carreira; se não se melhorar e não se derem incentivos para que estes se fixem em terras ou em escolas do interior, ou se dê um suplemento a quem está deslocado a mais de quilómetros de casa; se as escolas não tiverem mais autonomia (inclusive na contratação); se não existirem ferramentas transparentes para avaliar as escolas e os seus professores; se não se integrarem outros profissionais como assistentes sociais, psicólogos, mediadores, que trabalhem directamente com os professores, alunos e famílias; de nada vale estarmos a debater formas de atrair futuros profissionais para uma carreira estagnada e sem quaisquer incentivos.

Lamentavelmente, o desinvestimento na educação é o desinvestimento no nosso futuro.

 

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A espera… Concurso de professores… a lotaria do inferno

Aqui na paragem, os transportadores vão e voltam, enquanto eu aguardo uma vaga para poder, finalmente, embarcar…
Alguém passa e, sorrindo, diz-me “Quem espera sempre alcança”, não obtendo outra resposta que não seja “Quem espera, desespera”. Aqui sentados no banco, todos sorrimos para enganar o nervosismo e aquela pessoa parte para um lugar que desconhecemos povoado de pessoas que nos desconhecem, inebriadas pela imagem distorcida que têm de nós, professores.
Vão passando os anos no tempo que vai morrendo no relógio que tento esconder enquanto, imóvel, permaneço sepultado, esquecido da vida, ancorado nesta falsa esperança.
Vou ficando esquecido nesta longa e interminável espera por algo que poderá nunca vir a acontecer…
A fragrância a erva fresca é já só a réstia de uma longínqua memória numa paisagem outonal que encheu a rua de tantos sonhos caídos. Olho para as mãos vazias marcadas por promessas roubadas, revelando-me que os anos passaram como um filme no intervalo da vida que deixei de viver.
Deitei cá para fora o suspiro “Até quando…?”, mas ninguém reagiu como se todos ali presentes partilhassem da mesma angústia… vencidos pelo tempo que nos vai devorando a esperança, consumindo a juventude e nos torna vítimas de um implacável cobrador de sonhos que nos vai fazendo pagar esta espera subtraindo-nos anos de vida.
Tudo passa… as pessoas, os transportadores de sonhos, as horas e o vento de outono que põe à prova a nossa resiliência.
Longe deste frenesim, nas minhas costas há um mundo diferente que me convida a abandonar este banco duro e a rasgar o bilhete sagrado, amarelado pelo tempo, que ainda seguro nas mãos trémulas e a juntar-me aos demais que se deitam no feno ondulante que derrama odores esquecidos, olhando as aves que voam na terra dos sonhos levando-me a ver coisas que nunca vi e tudo aquilo que perdi – toda a vida desperdiçada, mesmo aqui ao lado desta estrada…
Vem-me à memória a longa e exaustiva corrida para alcançar um lugar neste banco de espera com a promessa de conseguir apanhar um lugar… para conseguir apanhar uma mão cheia de nada.
Aproxima-se o anoitecer e eu, estúpido, ainda à espera, tento enganar a certeza de que não haverá mais auroras. Ancorei os pés nesta paragem ainda o dia era uma criança e nunca mais daqui saí.
Na rua, que se transformou num beco sem saída do qual não consigo sair, olho para mais um transportador que se foi embora sem mim e agarro-me à réstia de esperança que ainda me detém aqui, a qual esconde o temor de eu não passar de mais um a vir a ser engolido pela escuridão – essa iminência do anoitecer que evidencia que esta espera se tornou num sorvedor de vida; uma espera que tem vindo a consumir o tempo.
Em breve a rua ficará deserta, exibindo a nudez da verdade que eu sempre me recusei a ver – a criança que um dia se sentou aqui, já não existe – ficou tão longe na minha memória que me tornou noivo da velhice.
A noite encosta-se a mim, debaixo de um céu de chumbo que chora tantas coisas que não aconteceram, que me transformaram apenas em mais um número no meio de tantos sonhos a sangrar neste chão tão longe do céu. Os candeeiros, com um esforço inglório, atiram luz para afugentar a noite, numa tentativa vã de fazer esquecer que não mais voltará a ser dia.
Temo que, no dia em que, por fim, chegar o meu tão desejado lugar para embarcar, eu já cá não esteja… vencido pela vida, pela espera, pela desesperança.
De consolo, resta a sensação de vitória sobre a noite na certeza de que, se for engolido por ela antes de embarcar, esta espera não terá sido em vão – ficarei em todas as vidas que consegui tocar que me tornarão imortal.
Assim é a vida de um professor nos dias de hoje… eternamente à espera da chegada do bilhete sagrado que, ao fim de uma vida de trabalho, finalmente o devolverá à sua família… muitas vezes, um lar que não será mais o mesmo. O restituirá a uma família ausente, com os filhos crescidos – longe da vista e fora de casa – e um amor ferido pela distância e pela saudade.
O chiar dos travões desgastados detêm o transportador de sonhos que, ofegante, fica imóvel deitando um bafo quente na paragem. Abre-se a porta e ecoa pela noite fria o grito com o código da lotaria do inferno que condiz com o meu nome. Na ausência de resposta fica um banco vazio de mim, onde unicamente resta um bilhete envelhecido, onde ainda se consegue ler a frase de propaganda desbotada “Um dia há de chegar a tua vez…”
Carlos Santos

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MOBILIDADE INTERNA – LISTAS PROVISÓRIAS – RAM – 2021/2022

 

MOBILIDADE INTERNA – LISTAS PROVISÓRIAS – RAM – 2021/2022

https://www.madeira.gov.pt/Portals/16/Documentos/Docente/Concurso/ListaProvAdmitidosMobilidadeInterna_20210618.pdf?ver=2021-06-18-145248-487

 

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Reserva de recrutamento n.º 34

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 34.ª Reserva de Recrutamento 2020/2021.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 21 de junho, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 22 de junho de 2021 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 34

Listas – Reserva de recrutamento n.º 34

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Será hoje?

 

Será?

 

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Aprovada a versão final do Plano 21 | 23 Escola +

 

Comunicado do Conselho de Ministros de 17 de junho de 2021

4. Foi aprovada a versão final do Plano 21 | 23 Escola +, plano integrado para a recuperação das aprendizagens destinado aos alunos dos ensinos básico e secundário.
O Plano alicerça-se em políticas educativas com eficácia demonstrada ao nível do reforço da autonomia das escolas e das estratégias educativas diferenciadas dirigidas à promoção do sucesso escolar e, sobretudo, ao combate às desigualdades através da educação.
10. Foi autorizada a realização de despesa para o ano letivo de 2021/2022, pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, com vista à promoção do sucesso educativo das crianças e alunos com necessidade de mobilização de medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão, relativa aos seguintes procedimentos:
– celebração de contratos de cooperação que visam apoiar financeiramente as cooperativas e associações de ensino especial e as instituições particulares de solidariedade social, bem como as Escolas Particulares de Educação Especial, que desenvolvem atividades educativas;
– apoios financeiros aos Centros de Recursos para a Inclusão decorrentes da celebração de contratos de cooperação, que visam apoiar financeiramente os Centros de Recursos para a Inclusão (CRI).

 

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Procuram-se, com carácter de urgência, pais presentes e competentes…

 

Tristes, sós e abandonados (sem ironia), assim parece estar grande parte dos jovens que frequenta as nossas escolas… E a culpa disso não pode ser exclusivamente atribuída aos confinamentos que lhes foram impostos, por motivos epidemiológicos…

 O problema será, talvez, muito mais profundo do que isso, já existiria previamente e apenas se terá acentuado com o “gatilho” dos confinamentos…

O isolamento social experimentado por essa via, agravou e catalisou, por certo, o problema, deu-lhe maior visibilidade, mas não será o principal responsável pela solidão, pela tristeza ou pela sensação de abandono, frequentemente observados nos jovens ao longo dos últimos meses…

 Na verdade, muitos jovens parecem estar abandonados há muito tempo, deixados numa solidão que cada vez mais os aprisiona e os empurra para um mundo irreal, não poucas vezes também surreal… E um mundo assim, onde facilmente se confunde a realidade com a ficção e a fantasia, pode tornar-se num mundo que condiciona e restringe as capacidades de auto-controle e de enfrentar e gerir a frustração, a ansiedade e a angústia, presentes na vida de qualquer ser humano, decorrentes das mais variadas situações…

 Nos últimos tempos, as crises de ansiedade e de pânico vivenciadas por muitos jovens, cada vez mais frequentes e visíveis em contexto escolar, talvez sejam a principal manifestação das dificuldades existentes ao nível da capacidade de auto-controle e da capacidade de gerir adequadamente os níveis de frustração, de ansiedade e de angústia…

Cada vez mais, a escola é o reflexo do que se passa no seio de muitas famílias e a forma como as famílias funcionam vê-se, comummente, na escola, através do desempenho e do comportamento dos jovens…

E quando o funcionamento das famílias apresenta disfunções, é frequente constactar-se a existência de pais alheados; pais que não conhecem os próprios filhos; pais que não comunicam com os filhos, nem lhes prestam a devida atenção…

 Também encontramos pais com comportamentos patologicamente invasivos e controladores, incapazes de respeitar a individualidade dos filhos e de lhes proporcionar o espaço necessário para errar ou para cometer alguns “disparates”… Pais focados apenas nos resultados escolares, incapazes de os conseguir contextualizar… Para esses, muitas vezes, as vitórias e as conquistas dos filhos nunca são suficientes e raramente são reconhecidas…

 Uns e outros, apresentam-se como pais que parecem ignorar os medos, as angústias ou as ansiedades dos seus filhos e que dificilmente conseguirão ser contentores ou securizantes, em termos emocionais e afectivos… Quase sempre, ou são pais muito descansados porque é muito mais confortável “não saber” do que intervir ou pais que recorrentemente impõem uma pressão desproporcionada e sistemática, tornando-se, eles próprios, potenciais agentes ansiogénicos…

 Uns e outros, apresentam-se como figuras parentais que, de forma consciente ou inconsciente, não estão disponíveis para apoiar o processo de descoberta e de exploração do mundo exterior por parte dos seus filhos, nem o estabelecimento de relações com esse mundo…

 E o estabelecimento de relações com o mundo exterior impõe a necessidade imperiosa de se fazerem escolhas… Escolhas que, nos casos anteriores, ficam quase sempre entregues aos próprios jovens, muitos deles, ainda sem disporem das aptidões e dos recursos emocionais necessários para triar opções, de modo a conseguir eleger as mais sensatas e mais adequadas…

 O acompanhamento dos jovens, por parte dos pais, nessa descoberta e nesse deslumbre pelo mundo exterior torna-se premente e imprescindível… A responsabilidade por essa orientação e acompanhamento não pode deixar de ser imputada, em primeiro lugar, aos pais, enquanto adultos que, à partida, não podem deixar de ser considerados como competentes para esse efeito e enquanto figuras presumivelmente significativas do ponto de vista afectivo…

Em sentido restrito, o abandono não é físico, o abandono é sobretudo afectivo e emocional, mas apresenta efeitos igualmente perniciosos, e não pode deixar de ser considerado como uma forma negligente de actuação…

Salvo raríssimas excepções, não existem justificações atendíveis para este tipo de enjeitamento por parte dos pais…

A ausência de comunicação, de partilha, de negociação e de vinculação afectiva entre pais e filhos conduz, muitas vezes, os jovens a “refugiarem-se” nas conhecidas Redes Sociais, em que a (falsa) sensação de pertença a um determinado grupo tende a substituir as relações interpessoais em presença… E o resultado mais comum disso é o surgimento de uma certa alienação e de uma prisão dos jovens a um mundo meramente virtual…

 Mas sem presença ou contacto físico é praticamente impossível estabelecer relações interpessoais genuínas e saudáveis, quer se trate de amizade ou de namoro… Fantasiar ou idealizar essas relações não é o mesmo que vivê-las e experienciá-las na vida real…

 As Redes Sociais acabam, assim, por promover o isolamento social e o distanciamento físico, apesar de quererem fazer parecer o contrário… Praticamente tudo o que se passa nessas Redes é efémero e ilusório: num determinado momento, ter aí muitos “amigos” ou muitos “seguidores” significa exactamente o quê?

Em muitos casos, a dependência psicológica dessas Redes indicia também a presença de um comportamento aditivo, evidenciado por jovens à deriva, entregues a um mundo quimérico, à mercê do que o acaso lhes possa proporcionar, “anestesiados” por relações postiças e simuladas…

 E apesar da Escola não poder, nem dever, cair na tentação de substituir-se à família nem àquilo que são as suas principais funções, também é verdade que muitos desses jovens procuram (e encontram) na sua escola, em pessoas da sua escola, algum conforto emocional que de outra forma não obteriam… Muitos desses jovens precisam, desesperadamente, que alguém os oiça, que não os ignorem e que não os menosprezem…

 Por onde andam os pais desses jovens? Por onde andam as Associações de Pais, de quem também se espera um papel formativo junto dos respectivos associados?

 Obviamente que existirão consequências lesivas ao nível da motivação e ao nível da qualidade das aprendizagens escolares realizadas pelos jovens, mas isso parece também não interessar aos “sábios” da Educação, muito mais preocupados com a cooptação de votos eleitorais, por via de alardes acções de propaganda relativas a uma pretensa escola digital e tecnológica que, além do mais, não servirá para resolver nenhum destes problemas, pelo contrário…

 A Escola precisa urgentemente de ser reinventada, mas muitos pais também…

 

(Matilde)

 

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PLANO DO ME (AINDA) NÃO AGRADA À PRÓ-ORDEM

 

PLANO DO ME (AINDA) NÃO AGRADA À PRÓ-ORDEM

 A Pró-Ordem e a Federação Portuguesa de Professores reuniram hoje com o Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, e com a Secretária de Estado da Educação, Inês Ramires, de modo a pronunciarem-se de viva-voz sobre o PLANO 21/23 ESCOLA+, Plano de Recuperação de Aprendizagens.

Começámos por considerar que, salvo o devido respeito por quem terá elaborado este Plano, o mesmo enforma de uma perspetiva dirigista e centralista, pois afirma algumas coisas que em abstrato até podem estar certas, mas que, no fundo, parece revelar alguma desconfiança dos professores, do corpo docente, das escolas e da sua desejável autonomia pedagógica e científica.

Reportando-nos apenas ao enunciado que nos havia sido enviado pelo Ministério, pelo menos para já, não se alcança nenhuma alteração substancial no nosso sistema de educação e de ensino, pois, bem vistas as coisas, no fundo, trata-se fundamentalmente de reequacionarem os créditos horários das escolas e agrupamentos, nomeadamente no que respeita ao crédito horário das Equipas Multidisciplinares de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI) e também, por exemplo, do Desporto Escolar (v.g., de modo a que alunos, encarregados de educação e professores participem em atividades desportivas conjuntas!…).

Aquilo que mais importaria para o sucesso escolar das crianças e jovens, dos nossos alunos, não é, sequer minimamente, contemplado neste Plano. Se não, vejamos:

– Em parte alguma, do dito cujo, surge qualquer referência à diminuição do número de alunos por turma;

– Também não há nenhuma referência a um dos principais problemas que dificulta e, não raro, impede um regular processo de ensino-aprendizagem, que é a indisciplina sistémica. Aliás, tantas e tantas vezes relacionada com o elevado número de alunos por turma;

– Para a redução do número de alunos por turma, seriam necessários mais professores, não apenas mais créditos horários, facto que este Plano ignora olimpicamente;

– Nada se refere sobre a necessidade de alívio do trabalho burocrático dos professores, pelo contrário, aponta-se para a necessidade de haver mais reuniões, mais formações (superiormente determinadas pelo dirigismo do ministério), mais elaboração de relatórios e evidências;

-Nada se refere sobre a necessidade de redução do número de turmas e de níveis por cada docente. Quando há professores que podem ter duas ou três centenas de alunos dificilmente podem fazer um ensino mais personalizado e focado nas necessidades individuais de aprendizagem de cada um dos seus alunos.

Em suma, quem elaborou este plano parece não acreditar suficientemente na autonomia pedagógica dos professores, isto é, na profissionalidade docente.

Resta-nos esperar que, após esta auscultação da Federação Portuguesa de Professores e da Pró-Ordem, bem como das outras das organizações de docentes, a versão final a plasmar em Resolução do Conselho de Ministros saia substancialmente melhorada.

Para melhor recuperarmos as aprendizagens dos alunos seria desejável a tão aguardada renovação do atual corpo docente, cada vez mais exaurido e envelhecido, dando lugar à passagem do testemunho e à integração dos professores mais novos. Voltámos a reivindicar um regime específico e geral de aposentação que abranja todos os docentes e professores.

(Escusado será dizer que nesta reunião, mais uma vez, os membros do Governo presentes não mostraram interesse na abertura de nenhum processo negocial sobre assuntos de carreira…).

Lisboa, 16 de junho de 2021

Pela Direção Nacional

O Presidente da Direção

Filipe do Paulo

 

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EDUCAÇÃO EM TEMPO DE PANDEMIA Problemas, respostas e desafios das escolas

 

“Embora não se devam aproveitar as situações excecionais para implementar profundas alterações no funcionamento social, essas mesmas situações excecionais podem ser a alavanca para essas mudanças”, explicam os relatores, acrescentando que as recomendações visam medidas imediatas que podem “inspirar as escolas” e medidas a médio prazo que requerem “vontade política” e a “colaboração e participação de todos os parceiros educativos”.

O CNE aconselha o Governo que estude a reorganização do ensino secundário de forma a manter “o 10.º ano mais livre e transversal aos diferentes percursos de conclusão do ensino obrigatório, relegando para os 11.º e 12.º anos a escolha das vias de conclusão e acesso ao ensino superior”.

Nos dois últimos anos do ensino obrigatório pode haver “flexibilidade e permeabilidade entre os diversos desenhos curriculares e recurso à modalidade de ensino híbrido”, ou seja, entre o ensino presencial e o ensino remoto.

Resumo

Folheto_Digital.pdf (cnedu.pt)

Estudo

EDUCAÇÃO EM TEMPO DE PANDEMIA

 

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AINDA A PROPÓSITO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO DAS APRENDIZAGENS – SPNL

 

AINDA A PROPÓSITO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO DAS APRENDIZAGENS

O Sindicato Nacional dos Professores Licenciados (SNPL) reuniu hoje com o Ministério da Educação para discutir a proposta do Plano de Recuperação das Aprendizagens (2021/2023).
Este plano, apesar de conter muitas propostas essenciais para minimizar os efeitos da pandemia, não deixa de ser idealista e generalista. É fundamental que as escolas, com a sua autonomia tenham ao seu dispor as ferramentas e recursos suficientes para proporcionarem a todos os elementos da comunidade educativa uma efetiva melhoria das suas condições de aprendizagem.
O SNPL considera que há 3 pontos fundamentais a ter em atenção para que qualquer plano seja eficaz. Poderá ser uma boa base de trabalho, mas para que seja possível temos de considerar o seguinte:

1. RECURSOS HUMANOS
A rede pública está efetivamente mais bem preparada mas é, ainda, manifestamente insuficiente. A contratação do pessoal docente foi maior, mas devido a esta pandemia e tendo em conta o acréscimo de atestados/ baixas médicas por doenças crónicas, oncológicas, ou pelo desgaste efetivo dos docentes, ficou aquém das expetativas. A contratação tem de ser mais célere e eficaz. As escolas precisam de saber com a máxima antecedência com quem poderão contar. Os recursos humanos serão essenciais para que qualquer plano possa funcionar.

2. RECURSOS EDUCATIVOS DIGITAIS
Os tão proclamados recursos digitais que o Ministério apregoa como uma frente bem sucedida nestes dois anos letivos de regimes mistos de aulas foram manifestamente insuficientes.
Veja- se o exemplo de milhares de professores que necessitaram de formação e de apoio dos sindicatos para poderem fazer frente a uma realidade pela qual ninguém estava preparado. Os professores sentem-se desamparados e com pouca oferta relativamente às áreas de tecnologia. É primordial criarem mais formação e bases de apoio nas escolas para fazerem frente a estas questões e não podem exigir que isso seja feito para além do horário dos docentes.

3. DISPONIBILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS
Foram muitos os professores e os alunos que ficaram de fora nesta matéria. Tivemos um país dividido entre interior e grandes cidades. Docentes que se viram obrigados a dispor dos seus recursos financeiros para comprar equipamentos, para investir na internet de casa, etc., suportando todos esses custos sem qualquer apoio do Estado. Também muitos alunos viram-se sem qualquer possibilidade de assistir ao ensino à
distância por falta ou de internet ou por não terem condições financeiras para tal. A Educação tem de ser para TODOS; o investimento tem de ser em todas as frentes. Sem recursos humanos e financeiros nada disto será possível. Os eixos apresentados pelo Governo não podem depender da boa vontade dos docentes. É preciso muito mais. O envelhecimento da classe; a exaustão em que se encontram os professores e o
enorme desgaste de toda a comunidade educativa, em nada abonará o plano de recuperação das aprendizagens. Não há plano que resista se não houver condições físicas e humanas para o fazer.

Lisboa, 16 de abril de 2021
A Direção Nacional

 

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Capacitação Digital dos Docentes

 

 

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EPRAMI promove evento misto sobre a Transição Digital do Ensino Profissional com a participação do Ministro da Educação.

 

EPRAMI promove evento misto sobre a Transição Digital do Ensino Profissional com a participação do Ministro da Educação.

  • A EPRAMI – Escola Profissional do Alto Minho Interior, promove no próximo dia 19 de junho a partir das 9h45 um evento destinado a discutir a Transição Digital do Ensino Profissional;
  • Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues é um dos oradores convidados com presença confirmada;
  • Evento misto tem existência presencial e online com conteúdos específicos adaptados;

No próximo dia 19 de junho, a partir das 9h45 a Escola Profissional do Alto Minho Interior (EPRAMI) promove um evento misto em que se discutirá a Transição Digital do Ensino Profissional. O pano de fundo é o próprio percurso digital da EPRAMI.

Este evento tem existência mista: presencial e online.

Presencialmente contará com a participação do Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues, além de outros oradores convidados: José Vítor Pedroso Diretor-Geral da Direção-Geral da Educação, Filipa Henriques de Jesus Presidente do Conselho Diretivo da ANQEP, Joaquim Bernardo Diretor do POCH, Rui Grilo Diretor do Sector da Educação da Europa Ocidental na Microsoft.

Estarão também representadas várias empresas de referência da região como a ZENDAL (sector das vacinas e biotecnologia), Doureca Automotive Solutions (sector automóvel) e a parceria transfronteiriça ISQ&CTAG Automotive Technologies

Online, além da transmissão dos painéis de debate do evento presencial, contará também com o desenvolvimento de sessões de partilha técnico-pedagógica por parte dos professores da EPRAMI com professores de todo o país, numa tentativa de dar a conhecer o trabalho de evolução pedagógica e técnica que tem sido feito na EPRAMI nas últimas duas décadas. Um desses símbolos é a distinção pela Microsoft à EPRAMI como a única Escola Profissional Portuguesa com o título Microsoft Showcase School.

Este evento é suportado no site https://transicaodigital.eprami.pt onde poderá ser acompanhado online.

Contactos

Poderá ser obtida mais informação em:

https://transicaodigital.eprami.pt

 

 

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Sobre o acesso aos documentos de ADD

Professor/a,

Foste avaliado/a com aulas observadas para subir para o 5º e 7º escalão?
Tiveste muito bom mas baixaram-te para bom por causa das quotas?
Queres saber quem te passou à frente? E como foram avaliados os/as que são “excelentes” e “muito bons”?
Queres saber, mesmo ao detalhe, como eles/as vão subir de escalão e tu vais ficar a marcar passo?
Eventualmente até ponderas reclamar das injustiças e torpezas do processo?
E dizem-te que é confidencial e não podes saber?
Este parecer da Comissao de Acesso aos documentos administrativos interessa-te. É para ler e com atenção.

https://documentcloud.adobe.com/link/review?uri=urn%3Aaaid%3Ascds%3AUS%3Aae6f50aa-cc2b-47e0-97ee-7bf672252dbf&fbclid=IwAR2IGOCpeQlLxZ5zKRlE-1wgLFiRflxWpssTGzz0tqoIblFYHC4feg2R1G0#pageNum=1

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Sobre as reuniões presenciais ou não

 

“Tendo chegado à DGESTE pedidos de informação sobre a realização dos conselhos de turma do 3.º período, encarrega-nos o Secretário de Estado Adjunto e da Educação de informar que, dadas as circunstâncias, as reuniões de conselho de turma de avaliação poderão, neste ano letivo, ser realizadas não presencialmente através de meios telemáticos de comunicação síncrona. Importará garantir que todos os docentes têm acesso à documentação necessária e que estão garantidas as condições que permitem não só a participação de todos os docentes, mas também a tomada de decisão colegial nos termos legais.

Com os melhores cumprimentos,

João Miguel Gonçalves

Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares”

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84 surtos e 514 casos de covid-19 em todo o país

DGS revela dados das escolas: há 84 surtos e 514 casos de covid-19 em todo o país

Na segunda-feira havia em Portugal 241 surtos activos de covid-19, revelou a Direcção-Geral da Saúde ao PÚBLICO. Mais de metade são na região de Lisboa e Vale do Tejo. Os surtos nas escolas representam mais de um terço do total.

 

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Dispensas sindicais

 

Encontra-se disponível a aplicação para as dispensas sindicais, disponível de 16 de junho até às 18h00 de 23 de junho de 2021.

Manual

SIGRHE

 

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Mobilidade por doença de pessoal docente da RAM

 

Mobilidade de pessoal docente

Por motivo de doença, deficiência, filhos menores ou gravidez

 

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A escola e o século da solidão – Paulo Prudêncio

Os professores são mestres na moderação e usam o ensino para elevar o exercício e a democracia. Daí serem imprescindíveis.

A escola e o século da solidão

É fundamentada a conclusão que nos diz que antes da pandemia já vivíamos o “século da solidão” (Noreena Hertz, 2021). A solidão era transversal e incluía os mais jovens.

E à medida que saímos do túnel da pandemia – um acelerador de fenómenos -, mais intuímos efeitos contraditórios: à euforia do restabelecimento das ligações humanas, contrapõe-se o tempo do isolamento físico com a escola no centro das análises e dos debates. E acima de tudo, e do desafio inscrito pelo digital, sublinhe-se que há um dever de optimismo através da ideia de deixar um mundo melhor. 

E a escola, que é, quase por definição, uma instituição desafiada para um novo rumo apesar do recomeço anual inspirado no mito de Sísifo, é um espaço de renovação de gerações que espelha a formação da personalidade dos mais jovens. É um vulcão de esperança que também integra conflitos e contradições. Amor, ódio, ciúme, amizade, inveja, mentira, boato, alegria e tristeza são exemplos de categorias intemporais essenciais ao desenvolvimento do homo sapiens que a cibersociedade amplia. Os professores são mestres na moderação e usam o ensino para elevar o exercício e a democracia. Daí serem imprescindíveis.

Não sabemos se estamos numa encruzilhada. Dá ideia que a escola navegará entre o possível e a ilusão. No caso escolar português, e de resto nas nações com turmas numerosas, há objectivamente riscos de ilusão. Se olharmos para o recente Plano de Recuperação de Aprendizagens (PRA), a elementaridade impôs-se. Não se alargou ainda mais o calendário escolar e destinou-se para a educação cerca de 3% dos 15 mil milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência. É da norma e da lógica orçamental. Mas é no interior desta letargia que se captam sinais de que talvez não se distinga a aparência da realidade.

Desde logo, há dois decréscimos muito críticos que permanecem abaixo da linha de água: a natalidade, em que Portugal perdeu 18.280 estudantes (cerca de 1,1%) dos ensinos básico e secundário no ano lectivo anterior e 328.682 alunos (cerca de 17%) na última década, e a falta estrutural de professores. O anuncio de mais 3300 professores no PRA é ilusório face ao “êxodo” em aposentações; e, como se sabe, os jovens nem querem ouvir falar em ser professor. Por isso, urge enfrentar o que existe. Se é obviamente impensado desejar que a quebra da natalidade seja tão acentuada que reduza substancialmente o número de professores, é ilusório acreditar que o digital os substituirá ou que se recorrerá com eficiência, como nas décadas de 70 e 80 do século passado, a profissionais doutras áreas.

Por outro lado, já se percebeu que a sociedade que aí vem informatizará tudo o que for para informatizar, automatizará tudo o que for para automatizar e que as aplicações digitais usadas para controle e vigilância serão usadas para controle e vigilância. É o nível 4 da transição digital. O nível 5, que será longo e incerto, inclui a inteligência artificial e a robotização. Por exemplo, Luc Julia, um dos criadores da Siri, diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico. No universo escolar, também não se terá a certeza que se queira falar com um robô como se fosse um professor que ensina e ajuda a formar a personalidade.

Posto isto, diga-se que o assunto é sério e premente. Para além do longo caminho a percorrer no sentido inclusivo dos territórios, das sociedades e das escolas que contrariam fenómenos de guetização porque aglutinam populações de diversos grupos sociais como o factor decisivo para o elevador social, é fundamental contrariar a sobreposição do isolamento físico sobre o gregário e agarrar com as duas mãos o que controlamos. Perceba-se que o universo escolar, através das plataformas escolares – que já vigiam e controlam – associadas às da digitalização dos recursos didácticos, estará à mercê dos algoritmos até ao nível 4. Mas isso significará um mundo pior na “era do capitalismo de vigilância” (ShoShana Zuboff, 2020), se na transição digital se reduzir a liberdade e a democracia. Será o percurso da servidão e da solidão. E as nossas escolas recuaram muito na última década no clima democrático.

 

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Agendamento da vacinação para docentes da EPE e 1 Ciclo

 

COVID19: XX  vacinacao 19/06/2021 as Xx:58 em pav. XXXXXXXXXX. Responda: SNS.NUMERO UTENTE.SIM/NAO ate 15 JUN Ex: SNS.111111111.SIM

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8700 alunos em isolamento por causa da covid-19

Só em Lisboa e Vale do Tejo, são 6407 as crianças que estão de quarentena. As novas regras da DGS fazem com que seja obrigatório que perante um caso positivo numa turma todos os alunos tenham de fazer isolamento de 14 dias.

Há pelo menos 8700 alunos em isolamento por causa da covid-19

Há pelo menos 8700 alunos em casa de quarentena por causa da covid-19. Só na região de Lisboa e Vale do Tejo são 6407. Na região Centro são 1053 os alunos das escolas em isolamento e no Algarve 211. Na região Norte apenas foi possível saber os dados relativos a Paredes de Coura e a Braga. Só nestes dois concelhos estão em casa 1056 alunos e funcionários de escolas em isolamento profiláctico (neste caso os dados não estão desagregados). Sobre todos os restantes concelhos, incluindo Porto, Vila Nova de Gaia, Maia, Guimarães, para citar alguns dos mais populosos, não foi possível obter informações, nem da parte da Direcção-Geral de Saúde (DGS), nem da Administração Regional de Saúde (ARS)-Norte.

O secretário de Estado da Mobilidade e coordenador regional da Zona Norte para a covid-19, Eduardo Pinheiro, justificou com o facto de se concentrar mais nos casos activos e não nos isolamentos para apenas ter estes dados nos dois concelhos que registam incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes. “O resto da informação enviamos para a DGS e Ministério da Educação para que eles possam compilar com critérios uniformes”, esclareceu.

Assim, em Paredes de Coura registam-se 19 casos confirmados que levaram ao isolamento de 197 alunos e profissionais de escolas do concelho. Em Braga, com 4 surtos activos, há 50 casos confirmados de covid entre alunos (46) e profissionais (4), estando em isolamento 859 pessoas.

Os dados foram recolhidos ao longo do dia de ontem pelo PÚBLICO que apenas não conseguiu saber os valores relativos à região do Alentejo, a mais idosa do país e com uma maior taxa de vacinados. É a primeira vez que se consegue fazer um retrato mais detalhado do país a nível de quarentenas da população escolar. A última vez que a DGS deu dados sobre esta realidade foi a 8 de Abril e divulgou apenas o número de surtos, 47 em duas semanas. Ontem, mais uma vez questionada sobre o número de surtos em contexto escolar e sobre o número de turmas em isolamento, a DGS voltou a não enviar quaisquer dados. O mesmo aconteceu com o Ministério da Educação, que não enviou quaisquer dados sobre infecções e surtos nas escolas.

 

“A DGS não tem dados desagregados por turma (essa informação detalhada é do conhecimento dos delegados de saúde de nível local na respectiva jurisdição, a quem compete a avaliação de risco, a intervenção e implementação de medidas de saúde pública”, respondeu por escrito ao PÚBLICO. Apesar de reconhecer que “agrega informação no âmbito nacional do total de surtos activos (por região de saúde) e respectivos casos confirmados associados”, não avançou esses dados.

Situações familiares em maioria

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, existem então 172 surtos activos, dos quais 66 em estabelecimentos de ensino (38,37%); 351 casos em alunos e 20 casos em profissionais; e 6407 alunos e 772 profissionais em isolamento profiláctico. Nesta região, 68% dos casos reportam-se a situações familiares, seguindo-se o contexto festas/social (11%) e escolas/universidades (9%). Os números foram avançados ao PÚBLICO pelo gabinete do coordenador regional do combate à pandemia na região e também secretário de Estado, Duarte Cordeiro, depois de, pela manhã, este ter assumido à Rádio Renascença que o número de alunos em quarentena rondava os seis mil.

“O mais importante é testar, porque estamos com a vacinação a um ritmo bom e a vacinação continuará a este ritmo ou superior, mas a testagem é fundamental”, afirmou, em declarações à Renascença, alertando que “a pandemia não ficou para trás”, uma vez que há vários concelhos muito perto da linha vermelha. Lisboa, Cascais, Sintra, Sesimbra, Odivelas e Oeiras registam mais de 120 casos por 100 mil habitantes em 14 dias.

 

Já segundo dados da Administração Regional de Saúde do Centro relativos a domingo, dia 13 de Junho, e a que o PÚBLICO teve acesso, havia 1053 alunos em casa, em isolamento, por serem considerados contactos de risco, mais 66 professores e 23 auxiliares. Nenhum estabelecimento escolar ficou totalmente encerrado. Por distrito da região Centro, verifica-se que a maior parte dos casos positivos activos situam-se em Coimbra (28), seguindo-se Aveiro (12). Ao todo, são 56 (54 em alunos e dois relativos a professores). Em termos de grau de ensino, a maior parte dos casos aconteceram no 3º ciclo e no secundário.

 

A 29 de Maio, a ARS Centro tinha assumido ao PÚBLICO que havia 29 escolas com casos activos, estando 56 alunos e dois profissionais confirmados como positivos. Encontravam-se 40 turmas em isolamento profiláctico, num total de 1134 pessoas em isolamento, entre alunos, profissionais e respectivos coabitantes (número que não difere muito do mais actualizado).

 

Na região do Algarve, por seu lado, estão de quarentena 211 alunos (entre os quais 19 crianças com menos de seis anos), 16 professores e oito auxiliares. Trata-se de 41 casos activos em alunos, entre os quais uma criança com menos de seis anos. Estes casos atingem 16 das 250 escolas existentes no Algarve.

 

“Um exagero da DGS”

O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, considera haver neste momento “um exagero na actuação da DGS em relação às escolas: “Porque, neste momento, quando um aluno é positivo, a DGS, no limite, até pode fechar a escola inteira ou, então, manda para casa toda a turma, e os professores dessa turma, mesmo vacinados”, diz, acrescentando que lhe “custa a entender” o protocolo, “quando há situações desportivas e políticas onde é tudo ao molho e fé em deus”.

 

Já o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, não se pronuncia sobre se o protocolo é “excessivo ou não”. “Não sou técnico, temos de confiar nas indicações da DGS.”

 

Manuel Pereira nota, na realidade que conhece, que o que está em vigor é que, quando um aluno tem um teste rápido positivo, a turma, bem como contactos de alto risco, é isolada até o aluno confirmar o resultado através de um PCR. Se o PCR do aluno for positivo, há, explica, algumas diferenças entre ciclos: no pré-escolar e 1.º ciclo, bem como nas academias de música, por exemplo, os professores têm de ser testados e cumprir isolamento. A partir do 2.º ciclo, tendo em conta o uso da máscara, o isolamento ou não dos professores é avaliado caso a caso.

Público

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Instrumentos de Aferição Amostral

2ºCiclo:

Instrumento de Aferição Amostral Português (55) | 5.º Ano de Escolaridade | 2021:

Enunciado  Audio  Critérios de classificação

3ºCiclo:

Instrumento de Aferição Amostral Matemática (86) | 8.º Ano de Escolaridade | 2021:

Caderno 1  Caderno 2 Critérios de classificação

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Concurso Pessoal Docente 2021/2022 – Projeto de Listas Ordenadas

Concurso Pessoal Docente 2021/2022 – Listas Ordenadas

AÇORES

Concurso interno de provimento quadros de ilha

Projeto de lista ordenada de graduação NOVO

Concurso externo de provimento quadros de ilha

Projeto de lista ordenada de graduação NOVO

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Vamos precisar de mais professores e temos que os formar bem: não podem ser mercenários! – João Paiva

Há que recuperar o orgulho social e familiar da profissão docente, com base no valor que merece esta verdadeira e nobre missão. Sem investimento (incluindo político e económico) proporcional, não se conseguirá nada.

Vamos precisar de mais professores e temos que os formar bem: não podem ser mercenários!

 

 

Há que recuperar o orgulho social e familiar da profissão docente, com base no valor que merece esta verdadeira e nobre missão. Sem investimento (incluindo político e económico) proporcional, não se conseguirá nada.

Há seis anos, neste mesmo jornal, chamei à atenção para a necessidade de rejuvenescer as salas de professores das escolas portuguesas. De lá até hoje, a situação foi-se agudizando e tornou-se uma evidência insustentável. Entretanto, contas elementares apontam para uma necessidade incontornável de mais docentes. Mesmo com abaixamentos demográficos na população estudantil portuguesa, as aposentações em massa de um corpo vasto de professores adivinham carências significativas no curto e no médio prazo. As universidades portuguesas estão avisadas e começaram a trabalhar para reabrir e robustecer os cursos de formação de professores, num entrelaçado complexo de missão e estratégia (ainda assim tardia), à mistura com o ‘acordar para o mercado’ de estudantes interessados, futuros professores, que aí vem…

Importa refletir e agir para qualificar esta nova leva de formação de professores, mais ou menos explosiva. Nos anos 80, aconteceu-nos esta mesma necessidade de formar rapidamente e em massa (fazendo as contas, são agora estes professores que se vão aposentando). Foi, na altura, o possível, mas tal circunstância trouxe alguma insuficiência formativa, que explica algumas das fragilidades do sistema educativo.

Ainda que telegraficamente, alinho abaixo algumas ideias que poderiam ser tidas em conta pelas universidades, pelos potenciais candidatos, pela sociedade e pelas famílias, mas, de forma mais relevante, pelo Ministério da Educação.

1. Saber ensinar e saber a arte que se ensina

Há uma tensão longínqua, sempre inacabada, sobre as competências principais de um bom professor. É consensual, hoje em dia, que importa tanto saber a ciência ou os conteúdos que propomos, como as técnicas e envolvências para os saber verter no dinamismo de ensino-aprendizagem. O processo educativo tem hoje complexidades radicalmente porosas e abertas, que pedem aos futuros professores uma enorme robustez conceptual, mas, ao mesmo tempo, domínio das respetivas didáticas e amparos das ciências da educação. A maioria dos curricula em formação de professores já apresentam um equilíbrio razoável face a esta dicotomia, mas convém avaliar e monitorizar, para garantir tal equidade. Na escola, um professor que saiba muito bem a ciência que ensina estará bloqueado e infecundo se não a souber comunicar e articular com múltiplos fatores. Por outro lado, por mais bem formado que seja nos domínios pedagógicos, estará vazio de inteireza e igualmente inerte, o docente que não souber e não aprofundar a arte que ensina.

2. Estágios realmente escolares

É preciso voltar a criar condições nas escolas para um efetivo estágio pedagógico. Este é o ponto mais pragmático e mais decisivo para a requalificação da formação de professores e, carecendo de um investimento político e económico, implica mais e melhores recursos humanos. Hoje em dia, os estágios pedagógicos nas escolas não dão ao estudante-em-formação-futuro-professor condições reais de lecionação, autonomia e proatividade criativa. Ao contrário do que já aconteceu nos antigos modelos de formação de professores, os atuais estagiários não têm turmas a si atribuídas nem outras funções de dignidade pedagógica associadas. Participam, a espaços, em turmas do orientador cooperante (agora assim chamado e não orientador de estágio), mas têm obviamente que se sujeitar ao estilo didático do professor cooperante numa quase artificialidade educativa. Os ensaios didáticos são muito limitados. Mais grave ainda: o estímulo aos professores cooperantes é quase zero (não se reduzem dignamente as horas semanais no horário), deixando assim um vazio de candidatos a professores cooperantes motivados e competentes. E como é decisivo ter bons professores cooperantes! Só pode ter havido uma motivação de poupança económica para este definhamento do modelo e, em nome da qualidade mínima, é um aspeto a mudar urgentemente.

3. Horizontes largos…

O professor do século XXI não é monodisciplinar. Em particular, no caso dos professores das chamadas ciências exatas e experimentais, é fundamental uma ligação às Humanidades e ao todo cultural onde está e onde vai estar o aluno em formação. Este dinamismo “inter, trans e pluridisciplinar tem necessariamente que fazer parte dos horizontes do futuro professor e, como tal, dos planos formativos. Acrescem ainda algumas outras aptidões transferíveis e estratégia alargada, pois não há professorado realizado e realizável sem se ver mais além do que o curto prazo e do que a estreiteza da compartimentação. Há que valorizar o professor como cumpridor, mas livre-pensador, estimulante e estimulado diante da pergunta, da dúvida, da crítica e da construção colaborativa de um mundo melhor.

4. Orgulho em ser professor

Para as famílias e para a sociedade, ser professor tem que ser reabilitado no seu papel social. Lamento profundamente que o estatuto socioprofissional da atividade docente tenha caído tanto. O papel e potencial que tem na capacidade de mudar o mundo mereciam o contrário, precisamente a dignidade e revalorização docente. Muitos de nós reconhecemos, mesmo que criticamente, a (pseudo)promoção social e familiar que pode ter ‘um dos nossos em medicina’. Acontece que um olhar mais profundo reconhecerá que os alavancamentos mais prósperos numa qualquer sociedade se jogam no tabuleiro da educação e, por isso, na escola. Há que recuperar o orgulho social e familiar da profissão docente, com base no valor que merece esta verdadeira e nobre missão. Sem investimento (incluindo político e económico) proporcional, não se conseguirá nada.

Haver perspetivas de empregabilidade é estimulante, mas caberá aos decisores políticos e à gestão universitária realizar um filtro sábio de genuínas vocações. A educação é uma missão tão nobre quanto complexa e exigente
5. Instrumentalizar uma profissão como mero emprego

Preocupa-me sobremaneira um perigo iminente, que pode mimetizar pela negativa o processo de formação de professores em massa dos anos 80, no seu ângulo mais sombrio: o mercenarismo. Porque há emprego, então vamos ser todos professores… Pelo que escrevi acima, torna-se claro que esta não é, apesar de tudo, uma profissão para qualquer um. Haver perspetivas de empregabilidade é estimulante, mas caberá aos decisores políticos e à gestão universitária realizar um filtro sábio de genuínas vocações, à entrada e durante os cursos de especialização, tendo a coragem de efetivamente peneirar (e porventura excluir) candidatos de perfil mais duvidoso. A educação é uma missão tão nobre quanto complexa e exigente. É fascinante, mas precisa de uma vocação muito própria. Na escola, não há lugar para (novos?) mercenários!…

Opinião de João Paiva
Professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

 

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Candidatura à Mobilidade Interna R.A. Madeira

O prazo para efetuar a candidatura à MOBILIDADE INTERNA (R.A. Madeira) decorre de 14 a 16 de junho.
A candidatura à Mobilidade Interna foi precedida de uma inscrição obrigatória, que decorreu entre os dias 24 e 26 de maio de 2021.
A candidatura realiza-se através da aplicação AGIR disponível em https://agir.madeira.gov.pt

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PROFESSOR, QUANTO TEMPO FALTA PARA AS FÉRIAS? – via Helena Fonseca

PROFESSOR, QUANTO TEMPO FALTA PARA AS FÉRIAS?

Esta é uma pergunta que quase diariamente me têm feito. Não é por não gostarem da escola ou de estarem ali, porque gostam. Sei que gostam. Mas sinto-os cansados: os gestos, a atenção, as palavras. Por conhecê-los tão bem, sinto-os cada vez mais cansados.

Esta ano letivo está a ser particularmente complicado. Foi um ano instável, que nos obrigou a estar entre o ensino presencial e o ensino à distância, com umas férias forçadas pelo meio.

Entre tudo isto, há a ansiedade, os medos e os receios que, naturalmente, todos acabamos por ter, devido à situação pandémica que vivemos. E eles também a vivem. Acresce-se a estes fatores, a angústia de pensar na possibilidade de, a qualquer momento, a turma ter de ir para casa para ensino a distância. Às vezes apanhamos sustos, mas não têm passado disso.

Tudo isto é sentido pelos mais pequenos. Mas tenho para mim que se têm esquecido de pensar naquilo que eles sentem, naquilo que eles têm passado e naquilo que eles verdadeiramente precisam.

O foco tem estado, essencialmente, na recuperação das aprendizagens. Começamos o ano letivo com cinco semanas dedicadas a esta recuperação. Vamos terminar o ano a pensar em quais serão as aprendizagens a recuperar.

Se as crianças apresentam dificuldades? Sim, de facto apresentam, e as de algumas crianças agravaram-se. Mas passar mais tempo na escola, mais tempo a olhar para livros e fichas de reforço e consolidação de conhecimentos, não vai ajudar. Bem pelo contrário. Pelo menos para já.

Há uma estreita relação entre o bem-estar, o envolvimento e a aprendizagem. Quando uma criança se sente bem no contexto escolar e apresenta bons níveis de bem-estar, facilmente se motiva e se envolve nas propostas. Quando uma criança está verdadeiramente implicada nos processos de construção de conhecimento, a aprendizagem tenderá a ser significativa.

Este clima que se tem vivido não tem ajudado a que as crianças estejam prontas para “recuperar”. Este período vai terminar no dia 8 de julho. Mais de três meses depois de ter iniciado o 3º período. Três meses, em muitos casos, com apenas dois feriados pelo meio. Três longos meses. E ainda faltam quatro semanas.

Mas as crianças estão cansadas e isso reflete-se, tantas vezes, nos comportamentos que têm em contexto educativo: nas palavras que utilizam; nas atitudes que têm; numa dificuldade crescente em gerir frustrações e emoções. As crianças precisam de tempo para parar. Para olharem para dentro.

É fundamental que se pense que as crianças precisam de parar. Que as crianças precisam de estar bem antes de continuarem este processo de aprendizagem, que neste ano tem sido tão cansativo.

É também essencial pensarmos na recuperação de aprendizagens. Claro que sim, para que a escola não deixe ninguém para trás. Mas este processo deve ser pensado ao pormenor. Não basta contratar mais professores ou técnicos, porque a recuperação de aprendizagens não se faz apenas com apoios educativos. É preciso que seja transversal, integrada e inclusiva. É necessário que se ouçam os professores. Mas ouvir verdadeiramente aqueles que estão, todos os dias, nas escolas.

Faltam quatro longas semanas. Por sentir este cansaço neles (em mim), por aqui vamos cada vez mais devagar. Tento que não haja pressões (mas é inevitável) e vamos fazendo.

A lição de cada dia é cada vez mais: temos tempo.

Que sejam quatro semanas com tempo para desfrutar do fim de um ano letivo. Em paz.
E felizes.

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Como se avaliam 500 alunos?

Professores com centenas de alunos. “Como se avaliam 500 jovens?”

Docentes falam em “ensino em linha de montagem”, onde os estudantes são os mais prejudicados. Muitas turmas e poucas horas de aulas fazem com que haja professores que nem sabem o nome de todos os alunos.
Mais de oito níveis, duas disciplinas (TIC e Cidadania), 24 turmas, cerca de 500 alunos. Foi esta a realidade vivida no ano letivo passado pela professora Isabel Moura. A situação repete-se um pouco por todo o país, principalmente com os docentes que lecionam Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). “A maior dificuldade foi não ter conseguido conhecer os meus alunos. As relações interpessoais estabelecidas não foram as desejáveis num processo de ensino aprendizagem, que se pretende focado no aluno. Apenas nos víamos uma vez por semana durante 45 minutos, para termos uma aula prática que, além de em termos de trabalho realizado pouco rendia, quando chegávamos à aula seguinte já ninguém se lembrava daquilo que tinha sido realizado na semana anterior”, explica ao DN. Isabel Moura diz tratar-se de uma situação “desumana”.

“Por muito que se dedique e goste da sua profissão nunca vê as suas tarefas chegadas ao fim. Por outro lado, os alunos merecem aprender com qualidade e ter um professor disponível, atento e que os conheça. Educar sem afetos e sem tempo não é educar, é passar informação”, sublinha. Segundo a professora, as alturas de avaliações (correção de testes e reuniões de conselhos de turma de final de período) são “as mais difíceis”. “É uma loucura. Como se avaliam cerca de 500 miúdos, com cinco ou seis aulas dadas e quase sem elementos de avaliação? As dúvidas são imensas e a sensação de poder estar a ser injusta é muito má. O número de horas gastas para avaliar tantos alunos e em tantas disciplinas é desgastante. Estar presente em tantos conselhos de turma de avaliação é extenuante. São os dias todos destinados às reuniões (entre 3 a 5 dias), de manhã à noite sempre a trabalhar e sem sequer conseguir preparar cada reunião como cada turma merece”, relembra. A solução, conta, passa primeiro pela “vontade de resolver o problema” e uma “mudança da legislação”.

“Os professores deviam ter no máximo seis ou sete turmas e não mais do que quatro níveis (disciplinas/anos) diferentes para lecionar, deviam acabar com a divisão entre tempos letivos e não letivos. Os tempos (agora chamados de não letivos) para preparar aulas, realizar avaliações, realizar reuniões, fazer trabalho colaborativo, realizar todo o trabalho burocrático, devia ser proporcional ao número de turmas e ao número de níveis, pois um professor com mais turmas precisa de mais tempo para fazer todas as outras tarefas”, refere.

Isabel Moura acredita ainda que seria possível “reduzir o número de turmas “se se concentrassem dois tempos no 5.º ano ou no 6.º em vez de um tempo em cada ano”. “No 3º ciclo dois tempos no 7º ano e dois tempos no 9º, pois justifica-se mais carga horária a TIC tendo em conta a iliteracia digital ainda existente”, conclui.

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Oficinas de recuperação

Neste agrupamento da Amadora, vai haver oficinas de Português, Matemática e Inglês

Neste agrupamento da Amadora, vai haver oficinas de Português, Matemática e Inglês
Na apresentação do plano de recuperação das aprendizagens, o ministro referiu-se a instrumentos de apoio para que um aluno que reprove numa ou mais disciplinas, mas transite de ano, possa frequentar aulas dessas disciplinas, do ano anterior.
O Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves, na Amadora, vai recorrer ao crédito horário para pôr em prática, no próximo ano lectivo, um projecto de oficinas dedicadas ao Português, à Matemática, ao Inglês e às Ciências. Os alunos de um ano de escolaridade, que o conselho de turma entenda que estão com dificuldades, poderão frequentá-las. Serão práticas, com exercícios, e os conteúdos serão do ano anterior. Quando as aprendizagens estiverem consolidadas, o aluno pode deixar de ir.
A dúvida é se serão concretizadas numa lógica de ano – todos os alunos de um ano com dificuldade frequentam as oficinas – ou se será posta em prática em âmbito de turma. Tudo dependerá das normas da Direcção-Geral de Saúde, no que se refere à possibilidade de se poder, ou não, juntar alunos de diferentes turmas.
Neste agrupamento já havia apoio para alunos, mas era relativo ao ano de inscrição e não ao anterior. A solução que o director Bruno Santos quer pôr em marcha enquadra-se na ideia proposta pelo ministro da Educação, quando apresentou o plano de recuperação das aprendizagens. Tiago Brandão Rodrigues referiu-se a instrumentos de apoio à medida que permite que um aluno que reprove numa ou mais disciplinas, mas transite de ano, possa frequentar aulas dessas disciplinas, do ano anterior. Bruno Santos interpretou o desafio, num quadro de autonomia das escolas, não considerando que se estivesse a propor que um aluno fosse frequentar aulas ao horário do ano anterior, o que seria difícil de concretizar, admite.
Já o presidente do Conselho de Escolas, José Eduardo Lemos, considera que esta medida “é uma das muitas” que “precisam de ser detalhadas para serem compreendidas e avaliadas”: “Do modo como está formulada fico com a impressão de será uma medida sem qualquer interesse (e de difícil exequibilidade) para os alunos do ensino básico. Para os alunos do ensino secundário, não é novidade nenhuma e há muitos anos que está prevista na lei a possibilidade de se matricularem em disciplinas ‘em atraso’, desde que haja vaga nas turmas e horários compatíveis (o que é bastante difícil). Todavia, neste caso, a experiência mostra que a esmagadora maioria dos alunos opta por realizar a disciplina por exame e não por frequência, recorrendo a apoios disponibilizados pelas escolas ou a explicações particulares”, nota.
O também director da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, entende que “há várias medidas que apenas poderão ser avaliadas quando o Ministério detalhar a forma como poderão ser concretizadas”: “Feita esta ressalva, parece-me que as mais relevantes para a recuperação das aprendizagens serão o reforço do pessoal docente, o reforço do crédito horário; o alargamento dos Planos de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário, a abertura de 50 novas salas da educação pré-escolar, as medidas direccionadas ao ensino profissional, o fomento da leitura e da escrita e o reforço do digital nas escolas.”
Na apresentação do plano, o ministro referiu-se a um “reforço docente” – está prevista a contratação de cerca de 3500 docentes, de forma a manter, durante os dois anos de vigência do plano, sensivelmente o mesmo número dos que já tinham sido contratados excepcionalmente neste ano lectivo.

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Deixemo-nos de “palmadas” ….. Luís S. Braga

 

Anda por aí um discurso, que gerou polémica, e que tenta dizer que Salazar foi eficaz a gerir a educação.

A discussão está centrada no ensino básico. Tem as suas nuances, mas não há “palmada” que me convença que escolaridade de 3 anos e turmas em salas “só” com 70 alunos é escolarizar bem. E sem sequer ir comparar com outros países…..

O Senhor Professor Doutor Palma devia aproveitar, que ainda há gente viva, e falar com uns professores primários dos anos 40 e 50, para moderar a sua visão limitada do “Salazar grande educador”. Eu tive a sorte de ser criado por alguns e ter falado com dezenas.
E, mesmo só no ângulo da escolaridade básica, numa visão de ler e escrever e contar, no fim, ficar com uns 25% de analfabetos, numa Europa quase sem eles, não é resultado que se apresente como valoroso ou venturoso ao fim de 40 anos.

Por exemplo, tinha graça, até numa comparação, com interesse para analisar o presente, o Doutor Palma comparar o analfabetismo da Polónia ou República Checa com o português dos anos 70…..
Quem gaba o resultado educativo do Salazarismo devia ter vergonha da lata.

Por exemplo, comparemos a frequência do secundário e nem precisa de ser com o estrangeiro: Portugal, em 1961 e depois….

E não falemos dos alunos que só faziam exame para admissão ao Liceu ou da 4a classe, porque os professores pediam aos pais ou ao cacique local ou ofereciam os sapatos. Ou do conteúdo dos programas. Ou do recuo da escolaridade obrigatória legal de 4 para 3 anos.

Salazar fez muitas escolas primárias. Sim, e? Já sabíamos e ele fez muita propaganda disso.

Saberá o Doutor Palma como os professores trabalhavam? E como era a escolarização? Saberá o Doutor Palma o que foi uma regente escolar ou o que foi a entronização do crucifixo nas escolas?
A História sem pessoas dentro, não é História, é manipulação.

E sim, sou mero licenciado em História, mas os estudos, antes e depois, não me queimaram os neurónios da sensatez. E, pelo meio, fiz uns estudos sobre educação e muito trabalho nela que me fazem perceber que uma escola não são só as paredes.

Compreende-se que as aparentes opções políticas do Doutor Palma o façam gostar de argumentos de autoridade, mas a realidade não se conforma aos títulos académicos. É ou foi…. E pouco se rala com doutorices.

Por isso: em síntese, Salazar prejudicou o progresso de Portugal, porque geriu mal e atrasou o progresso educativo seja qual for o padrão, comparando com o estrangeiro ou com Portugal depois.
Só em Democracia se recuperou o atraso e foi complexo por causa de outros problemas que o Salazarismo deixou.

Na educação, no tempo de Salazar não foi nada bom. Lamento, Doutor Palma, não tem razão.

 

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Reserva de recrutamento n.º 33

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 33.ª Reserva de Recrutamento 2020/2021.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 14 de junho, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 15 de junho de 2021 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 33

Listas – Reserva de recrutamento n.º 33

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Professores para quê? – Maria Helena Damião

Professores para quê?

Face à manifesta desvalorização da escola, que redunda numa séria tentativa de a dissolver com tudo o que lhe dá forma e sentido, justifica-se plenamente a pergunta que o filósofo Georges Gusdorf usou como título do seu livro de 1963.

Não é que nós queremos nos livrar dos professores, de maneira alguma. É criar uma relação diferente entre alunos e professores, uma espécie de parceria.” D. Albury, 2015.[1]

Aos professores-pessoas caberá um trabalho de bastidores como ajustar os equipamentos, gerir problemas de disciplina e dar apoio pontual a alunos.” A. Seldon, 2018.[2]

Um corpo docente reduzido, singular e bem treinado continua a projetar atividades de aprendizagem que podem ser implementadas e monitorizadas por robôs educacionais e outros funcionários (…) ou diretamente por software educacional.” OCDE, 2021.[3]

Nestas declarações – respetivamente, do diretor de uma empresa social que tem atividades educativas, de um académico das áreas da história e da educação, e de uma organização supranacional com enorme protagonismo na educação – percebe-se uma convergência em vários aspetos: para fazer funcionar os sistemas de ensino, que se querem em rápida mudança, continuam a ser precisos professores, mas em menor número; diversas funções destes profissionais são atribuídas a outros não credenciados e a aparelhos tecnológicos; aos professores cabem sobretudo tarefas de gestão das condições de aprendizagem, sendo  a sua relação com os alunos transformada.

Como compreender, então, as seguintes declarações, que se afiguram de interpretação contrária?

Os professores desempenham um papel central no acesso universal a uma educação de alta qualidade e equitativa para todos (…) são o fator que mais influencia o desempenho e a aprendizagem dos alunos.” UNESCO, 2020[4].

“Os professores são o fator mais importante na escola quando se trata de aprendizagem.” OCDE/UNESCO, 2021.[5]

As dúvidas adensam-se ao olhar para o “inevitável” projeto global de transição digital:

As máquinas ‘inteligentes’, escrupulosamente programadas, serão inspiradoras, não terão quaisquer falhas nos conteúdos a ensinar, usarão as abordagens pedagógicas eficazes, desafiarão os alunos, serão pacientes com eles e administrar-lhes-ão o reforço no momento certo. Também se adaptarão às suas particularidades e proporcionar-lhes-ão um progresso individualizado, seguindo o seu ritmo de aprendizagem. Serão elas que abrirão as portas do conhecimento às novas gerações”. A. Seldon, 2017 [6].

Todas estas citações são posteriores a 2015, ano em que a ONU publicou a “Agenda 2030”, documento que a OCDE diz ter tomado como base para construir o “Modelo Bússola de Aprendizagem”, que apresenta como “humanista” e a que tem dado redobrado impulso desde 2020.

Esta organização alega urgência em transformar a educação para se alcançar o há muito almejado “bem-estar” pessoal e social. Tendo declarado a pandemia da Covid-19 como a “grande oportunidade” para tanto, entendeu ser a “disrupção” o caminho a seguir e a “ubiquidade” a abordagem a privilegiar. Reafirma que, com as tecnologias digitais, a informação está ao alcance de todos, em todo o lado, a todo o momento, pelo que a aprendizagem de tipo escolar, antes confinada à escola, dispensa-a em numerosas situações, ficando, assim, dispensada a interação direta professor-alunos. Em concreto, colocando a tónica na aprendizagem, alia à vertente formal as vertentes informal e não formal, podendo o contexto ser escolar ou não escolar. Os alunos solicitarão apoio de qualquer agente – professor ou não – que se lhe afigure ser uma ajuda para alcançar as “competências” inscritas na sua “bússola” personalizada. Quais navegantes, terão nesta “metáfora” a ferramenta ideal para encontrar o seu caminho próprio num mundo cada vez mais complexo, incerto e volátil.

Face à manifesta desvalorização da escola, que redunda numa séria tentativa de a dissolver com tudo o que lhe dá forma e sentido, justifica-se plenamente a pergunta que o filósofo francês Georges Gusdorf (1912-2000) usou como título do seu livro de 1963: “professores para quê?”[7]. O essencial da sua resposta, tão extensa quão profunda, encontra-se no Capítulo 1: O ensino, o saber e o reconhecimento (páginas 13 a 46).

Contestando os desígnios de uma “pedagogia de trazer por casa”, cujo centro é a tecnocracia da eficácia, marca dos nossos tempos, relembra que toda a educação “prepara para a existência”. Este princípio tem de estar na escola, “lugar privilegiado de civilização”, que poderá levar cada aluno a “alargar e desenvolver o espaço mental”.

Por isso, “o ensino é sempre mais do que o ensino (…) em cada situação particular, ultrapassa em muito os limites dessa situação, para pôr em causa a existência pessoal no seu conjunto”. Longe de estar cientificamente explicado e de ser operacionalizado fora do humano, há tanto nele de conhecido como de desconhecido, de possibilidade como de impossibilidade: “o mistério pedagógico nimba o nascimento de um espírito, a vinda de um espírito ao mundo e a si próprio”; “se cada vida a si mesma se pertence, como transmitir algo de uma existência para outra?”.

Neste reconhecimento, o filósofo francês recusa a redução do professor a “uma espécie de figurante. Na melhor das hipóteses, um medianeiro”. Ele “sabe-se e quer-se diferente de todos os outros que perseguem interesses financeiros e vantagens pessoais”, pois cabe-lhe dar “forma humana” ao conhecimento, procurando “libertar em cada um o pleno exercício da inteligência. Na “odisseia de cada consciência”, o professor potencia o “diálogo aventuroso”: ensina alguma coisa para os alunos aprenderem alguma coisa. A “graça do encontro” escolar não acontece em mais lado nenhum nem em nenhuma outra relação, mas não é esta consciência que a torna segura:

“Pode substituir-se o professor por um livro, um posto radiofónico, um megafone, e não faltam tentativas nesse sentido. No limite, todas as crianças (…) podiam receber, em casa, o ensino de um só e único professor (…). Pode ver-se a enorme vantagem que este sistema ofereceria do ponto de vista financeiro: acabavam-se as escolas, as turmas, os milhares de funcionários [bastaria] uma pequena equipe de instrutores”.

Gusdorf discute nos restantes capítulos esta afirmação que, apesar das suas quase seis décadas, é próxima daquelas com que abri o texto. Então, responde à pergunta que formulou: precisamos de professores porque eles são “os guardiões da esperança humana”.

Face à sistemática e sofisticada sedução discursiva que faz desviar esta consciência, insistir nela é voltar à essência da profissão

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Pouca transparência nos concursos para diretores dos agrupamentos de escola

Pouca transparência nos concursos para diretores dos agrupamentos de escola

Numa altura em que estão a decorrer os concursos para diretores dos dois agrupamentos de escolas de Tomar: Templários e Nuno de Santa Maria, fomos ver como estamos de transparência nestes processos.

O que se verifica é que o processo eleitoral, em ambos os agrupamentos, é marcado pela falta de transparência. Documentos que deveriam ser públicos, não são divulgados, ficando no segredo dos deuses do Conselho Geral, órgão a quem compete organizar o processo e eleger os diretores. Basta comparar os processos eleitorais em Tomar com outro, por exemplo, na Sertã.

No site do agrupamento de escolas da Sertãsão publicadas as convocatórias e os resultados das assembleias eleitorais dos representes do pessoal docente e não docente e as respetivas atas. O mesmo acontece com a eleição do Diretor, em que são publicadas as convocatórias e as atas.

Em Tomar, a informação que é disponibilizada fica-se pelos mínimos. Não são publicadas as convocatórias nem as atas que se referem aos concursos para diretor. No caso do agrupamento Nuno de Santa Maria nem sequer há informação sobre a composição do Conselho Geral, o órgão mais importante. Aliás, não há informação sobre qualquer dos órgãos do agrupamento: Direção, Conselho Geral, Conselho Administrativo e Conselho Pedagógico.

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O flagelo do bullying regressou às escolas em força

Menina agredida no recreio da escola em Cascais por colegas que filmam

A PSP foi chamada ao Agrupamento de Escolas de Alapraia, no Estoril, em Cascais, devido a um caso de bullying que ocorreu no recreio – uma menina, de 12 anos, foi agredida a pontapé por uma colega mais velha. O caso, que aconteceu na terça-feira, foi filmado por vários jovens que depois colocaram os vídeos nas redes sociais. Neles ouvem-se gritos de incitamento à violência. A jovem ficou com ferimentos ligeiros, mas a mãe não a deixou regressar .

Mãe da aluna apresentou queixa na PSP e quer a agressora expulsa da escola. A vítima já vinha a ser ameaçada há uma semana pela colega.

  

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Campanha #EuReivindico

 

 

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Notificação da decisão da reclamação

Encontra-se disponível para consulta, a notificação da reclamação.

SIGRHE – Aceder à notificação da decisão da reclamação

Nota informativa – Notificação da decisão da reclamação

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Serviço sujo em nome da pandemia

 

Já se sabe que tudo o que vem de grupos de trabalho constituídos por independentes (nomeados pelo Governo e compostos por prosélitos seus) é bom e tem selo prévio de qualidade oficial. Numa escola da Amadora, António Costa e Tiago Brandão Rodrigues certificaram essa qualidade, protagonizando um lance de propaganda, com a designação cínica de “Plano 21/23 Escola+”. O ministro da Educação, lendo um discurso mal feito mas manipulador, anunciou uma dotação de 901,3 milhões de euros para o plano (140 milhões para recursos humanos, 43,5 para formação, 47,3 para digitalização e 670,5 para equipamentos e infra-estruturas). António Costa fechou a festa evocando “o triângulo de sucesso nas escolas”: descentralização, autonomia e flexibilidade.
O que se retira de toda esta narrativa enganadora é a inexistência de medidas para combater os problemas de sempre, agravados agora. Nenhuma referência para a redução do número de alunos por turma, a medida que mais sentido faria para responder às dificuldades e particularidades de cada aluno e melhorar as suas aprendizagens. Nenhuma intenção eficaz para prevenir a prevalência da indisciplina, fenómeno que mais impede o trabalho em sala de aula. Nem um ténue reconhecimento sobre a falência de uma inclusão que excluiu ainda mais os que careciam de apoio específico e prejudicou enormemente o trabalho dos restantes e dos professores. Nenhuma alusão ao indispensável reforço das equipas de intervenção precoce, depois de termos tido cerca de 90 mil crianças com necessidades educativas especiais abandonadas durante os períodos de suspensão do ensino presencial. Nenhum sinal de reconhecimento de que a autonomia profissional de cada professor é fulcral para promover a diferenciação pedagógica que a situação actual requer. Nada quanto ao tão reclamado alívio do trabalho burocrático que recai sobre os docentes, para que se pudessem concentrar nas tarefas exclusivas de ensino. Silêncio quanto à necessidade imperiosa de, no primeiro ciclo do ensino básico, não constituirmos turmas onde coexistam anos diferentes de escolaridade. Em contrapartida, mais formação inútil e causticante para os professores, entregue aos bonzos do regime, mais tutorias em grupos (cuja dimensão mata o conceito), mais tretas pedagógicas (clubes de ciência, recuperações com artes e humanidades e oficinas de escrita). Em resumo, assistimos a um enunciado de intenções, para dar fôlego às medidas que o Governo vem desenvolvendo desde 2015, relativamente às quais a maioria dos professores percebeu, de há muito, que dão resultados contrários aos pretendidos.
Atirados ao ar, os números sugestionam os incautos. Ponderados com os contextos a que respeitam, podem esvaziar-se facilmente. Como irão ser relacionados com as verbas consignadas à Educação, em cada um dos dois OE a aprovar, os 901,3 milhões agora referidos para dois anos? Vão somar-se às dotações previsíveis ou irão, outrossim e ao invés, aliviar o esforço do Estado com a Educação, em sede de orçamentos? Os 670,5 milhões destinados a equipamentos e infraestruturas somam-se ao que já foi anunciado para a transição digital ou foram, agora, simplesmente desagregados dessa verba? Porque não relativizaram, António Costa e Tiago, os 3300 docentes, que disseram que serão contratados, com o número dos que sairão para a reforma, mais de 2000 só neste ano? Que leitura política pode ser feita quando comparamos o que se consigna à Educação com os milhares de milhões que vão ser transferidos para outras áreas da economia, ou quando verificamos que para o que é critico para o funcionamento do sistema (as pessoas) apenas se reserva 15,5% do total?
Como ousam pedir mais empenho e esforço a professores que, com trinta anos de serviço e elevadas classificações de desempenho, permanecem absurdamente retidos no 4º escalão da carreira? Como ousam pedir mais empenho e esforço a professores submetidos à arbitrariedade que preside à atribuição das menções de mérito, com todo o cortejo de opacidade que as serve?
Substituir o apuramento sério das carências dos alunos e a intervenção educativa para as superar por compra de mais computadores e meios digitais, porque é esse o investimento dominante do plano, é fazer serviço sujo em nome da pandemia.

In Público de 9.6.21

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Sobre a autonomia curricular

 

 

 

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Da vagueza do plano, o Tiago diz…

… que vai sobrar para os mesmos de sempre, uma vez que não percebe nada disto e pago-nos mal para colaborarmos com estas fantochadas.

Confiamos nas escolas e por nelas confiarmos fizemos as escolhas que fizemos.

Escolhemos a autonomia educativa, o cuidar da transição entre ciclos e o equilíbrio das diferentes componentes do bem-estar dos nossos alunos.

Ouvir, pensar, decidir, implementar e avaliar. Estas são as fases da decisão política, todos concordaremos. O que decide, porém, a sua qualidade é o seu grau de participação, de envolvimento, de auscultação e de acompanhamento.

Criamos, com este plano participado, e criaremos com a sua implementação colaborativa, um espaço e tempo ampliados e fortalecidos para apoiar, com base na maior flexibilidade e intensidade, os anos de escolaridade mais afetados pela pandemia.

Os professores nunca necessitaram que o ME desenhasse um plano de recuperação de aprendizagens, não é agora que vão necessitar.

Este Plano, na minha opinião, tem muitos objetivos, mas a recuperação das aprendizagens está lá bem no fundo da lista…

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